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Visão geral sobre Influenza aviária no mundo, na América e no Brasil dá início ao Simpósio da Acav
Programação será retomada às 15 horas no Centro de Convenções (CentroSul), em Florianópolis (SC).

Com o tema “Overview sobre a Influenza aviária na América Latina e no Mundo”, a médica-veterinária especialista em Patologia Aviária, Maria Eliana Icochea D’arrigo, do Peru, foi quem iniciou as palestras desta quarta-feira (30), do 14º Simpósio Técnico da Acav – Incubação, Matrizes de Corte e Nutrição, que acontece no Centro de Convenções (CentroSul), em Florianópolis (SC). Na sequência, a médica-veterinária e auditora fiscal federal do Ministério da Agricultura (Mapa), Silvia Camargos Quintela, falou sobre “Como o Brasil vem se preparando para enfrentar o desafio de Influenza aviária”.

Médica-veterinária especialista em Patologia Aviária, Maria Eliana Icochea D’arrigo: “A responsabilidade do diagnóstico é muito grande, não se pode dizer que sabemos tudo sobre a doença, porque o H5N1 não tem um comportamento normal de outros vírus” – Fotos: Divulgação/Acav
Maria mostrou as investigações realizadas, principalmente na América, para identificar a doença nas aves infectadas, bem como observar possíveis focos de infecção e/ou infestação da doença no Peru. De acordo com ela, o vírus causador da Influenza Aviária sofreu duas grandes mutações desde que se apresentou para o mundo, uma em 1997 e outra em 2005, quando espalharam-se os casos entre as aves e os humanos onde a transmissão é muito baixa.
Desde então, estudos e investigações para conter a doença entre as aves têm se intensificado e a vacinação é a melhor resposta para a diminuição dos sintomas da doença e a mortandade das aves. “A responsabilidade do diagnóstico é muito grande, não se pode dizer que sabemos tudo sobre a doença, porque o H5N1 não tem um comportamento normal de outros vírus. Por isso, é preciso ter ainda mais atenção quando da leitura dos testes PCR”, afirmou a médica-veterinária.
A profissional contou, ainda, que o Peru produz muitos patos e foi possível perceber que estas aves têm uma resistência maior aos sintomas, mas são grandes portadores do vírus.
Na sequência, Silvia abordou sobre como o Brasil vem se preparando desde antes da doença chegar ao País, em 1994, quando o Plano Nacional de Sanidade Ambiental foi institucionalizado e qual o cenário atual, já com o novo plano de vigilância em vigor. O Mapa, inclusive, disponibiliza um site de transparência para consulta da população. Por lá, é possível ter acesso as notas técnicas e ao livro “Diálogos para prevenção da Influenza aviária”, que tem uma linguagem interessante para os produtores; às reuniões multissetoriais, e ao estoque de materiais de EPI disponível para os devidos cuidados com o manuseio das aves e atualização no painel público em tempo real para acompanhamento online dos casos.

Médica-veterinária e auditora fiscal federal do Ministério da Agricultura (Mapa), Silvia Camargos Quintela: “Não se pode esperar que os planos de contingência atendam de forma integral todas as demandas durante uma resposta emergencial, por isso, temos definidas ações específicas”
“A partir do nosso sistema, os casos suspeitos no Brasil são liberados em 24 horas, prazo que agiliza a erradicação da doença no país”, afirma Silvia.
Ela explicou que é necessário considerar a diversidade geográfica, agroprodutiva e socioeconômica dos produtores. “Não se pode esperar que os planos de contingência atendam de forma integral todas as demandas durante uma resposta emergencial, por isso, temos definidas ações específicas”, disse.
Programação científica
Ainda pela manhã a programação contemplou a palestra sobre “Biosseguridade: a importância da cadeia de produção para o controle de patógenos”, com o médico veterinário e assessor técnico corporativo da Aurora Coop, Guilherme Lando Bernardo. A partir das 10 horas ocorreu mesa-redonda com perguntas e respostas do Bloco Sanidade, seguida de coffee break.
Após o almoço, às 15 horas, a programação reinicia com a palestra “Inteligência artificial – o que já está mudando na agroindústria”, com o médico veterinário e diretor estratégico de marketing e tecnologia na Cargill Animal Nutrition Latam Sul, Marcelo Dalmagro, e a médica veterinária e gerente de marketing estratégico e tecnologia na Cargill, Juliana Batista.
Logo depois, às 15h30, a ênfase será “Pontos-chaves na incubação dos embriões modernos”, com o engenheiro agrícola e mestre em Mecanização e Tecnologias Agrícolas Eduardo Romanini. Às 16 horas, o destaque será “Evolução no processo de automação e as dificuldades na qualificação de pessoas”, com o engenheiro eletrônico e diretor de serviços e de equipamentos de vacinação para aves e suínos para os EUA e Canadá na Ceva Sante Animale, Fabio Moreira de Souza. Por fim, às 16h30, acontecerá a mesa-redonda com perguntas e respostas do Bloco Inovação e Incubação. O simpósio segue até quinta-feira (31).

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El Niño pode impulsionar produtividade agrícola no Sul do Brasil, aponta estudo
Fenômeno tende a aumentar as chuvas na região Sul, enquanto eleva o risco de estiagem no Centro-Oeste e pode pressionar os preços de alimentos in natura.

A formação de um El Niño nos próximos meses, com possibilidade de atingir intensidade forte a muito forte, deve favorecer a produtividade das safras de soja e milho no Sul do Brasil durante a temporada 2026/27. O aumento das chuvas na região, previsto para o ciclo de verão, historicamente está associado a melhores rendimentos das lavouras. A avaliação consta de um estudo elaborado pelo Santander.

Foto: Roberto Dziura Jr/AEN-PR
A análise cruzou dados de produtividade agrícola desde 1962 com o Índice Oceânico Niño (ONI), indicador que mede a intensidade do fenômeno no Oceano Pacífico. Os resultados mostram que episódios de El Niño costumam elevar o volume de chuvas no Sul justamente no período mais importante para o desenvolvimento das culturas de verão, refletindo em produtividades de soja e milho acima da tendência histórica. O comportamento também foi observado em eventos de grande intensidade, como o registrado em 2015/16.
O levantamento destaca, no entanto, que os efeitos do El Niño variam entre as regiões produtoras. Enquanto o Sul tende a ser beneficiado pelo aumento das precipitações, áreas do Centro-Oeste podem enfrentar condições mais secas, ampliando a variabilidade climática ao longo da safra. “O mesmo evento climático pode ao mesmo tempo beneficiar produtores do Sul do Brasil e pressionar o Centro-Oeste, onde as condições tendem a ficar mais secas. O que o El Niño realmente eleva é a volatilidade, e é justamente aí que uma leitura mais precisa do cenário se torna mais relevante”, afirma o economista e autor do estudo, Adriano Valladão.

Foto: Divulgação
Além dos impactos sobre a produção agrícola, o estudo avalia possíveis reflexos sobre a inflação dos alimentos. A maior pressão deve ocorrer sobre frutas, verduras e legumes, produtos mais sensíveis às oscilações climáticas de curto prazo. Já os alimentos industrializados e semiprocessados tendem a apresentar comportamento semelhante ao observado em períodos de neutralidade climática.
Segundo as projeções, a inflação dos alimentos consumidos nos domicílios deve atingir o pico em fevereiro de 2027, cerca de cinco pontos percentuais acima do nível projetado para agosto de 2026, com impacto estimado de 0,75 ponto percentual no IPCA. A expectativa é de desaceleração gradual ao longo de 2027 e 2028.
O estudo ressalta ainda que o cenário-base já incorpora parte desses efeitos climáticos, de modo que as principais incertezas estão relacionadas à intensidade e à duração do El Niño, fatores que poderão determinar a magnitude dos impactos sobre a produção agrícola e os preços dos alimentos.
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Governo libera R$ 24,4 milhões para fortalecer cooperativas da agricultura familiar no Rio Grande do Sul
Recursos beneficiarão 24 cooperativas com investimentos em agroindustrialização, ampliação da produção e comercialização de alimentos.

O governo do Rio Grande do Sul formalizou, nesta quinta-feira (02), a assinatura de 24 contratos do Programa de Apoio à Agricultura Familiar e Camponesa. A iniciativa destina R$ 24,4 milhões para investimentos em cooperativas de diferentes regiões do Estado, com foco na ampliação da produção, na agroindustrialização, na comercialização de alimentos e na geração de renda no meio rural.
Os financiamentos são realizados com recursos do Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper), por meio do Badesul, com aporte do Fundo Social do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), conforme o Decreto Estadual nº 58.833/2026. O programa prevê subsídio de 100% sobre os financiamentos, permitindo que as cooperativas realizem os investimentos sem custos financeiros.
Os recursos serão aplicados na ampliação da capacidade produtiva, na agregação de valor aos produtos, no fortalecimento das cadeias produtivas e na melhoria da comercialização. A iniciativa beneficia agricultores familiares, assentados da reforma agrária e comunidades tradicionais, fortalecendo a economia regional e a produção de alimentos no Estado.
Durante a cerimônia, o secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, afirmou que a liberação dos contratos foi antecipada para garantir a execução dos investimentos ainda neste ano, antes do período de restrições eleitorais. “O Rio Grande do Sul nunca investiu tanto no desenvolvimento rural. Esses recursos fortalecem as cooperativas, ampliam as oportunidades para a agricultura familiar e se somam a outras iniciativas voltadas ao aumento da produção e da renda no campo”, destacou.
O presidente em exercício e diretor de Operações do Badesul, Flávio Lammel, destacou que os investimentos contribuirão para agregar valor à produção e fortalecer a estrutura das propriedades rurais. “Nosso papel é apoiar projetos que ampliem a competitividade da agricultura familiar e promovam o desenvolvimento regional”, disse.
Representando o BNDES, a chefe do Departamento de Inclusão Produtiva e Educação, Celina Rangel Tura, afirmou que os recursos integram as ações voltadas à recuperação econômica do Rio Grande do Sul. “Essa entrega representa mais um esforço conjunto para apoiar a reconstrução do Estado e fortalecer um programa estratégico para a agricultura familiar”, afirmou.
As 24 cooperativas contempladas atuam em diferentes cadeias produtivas e estão distribuídas em diversas regiões do Rio Grande do Sul, reforçando o papel da agricultura familiar no abastecimento de alimentos e no desenvolvimento econômico local.
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Pequenos produtores poderão ter novas regras para vender alimentos artesanais
Proposta retira autorização prévia para fabricação e comercialização de produtos coloniais, mas mantém exigências de boas práticas, rotulagem e controle sanitário.

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (08) o Projeto de Lei 3.509/2023, que altera as regras para produção, fiscalização e comercialização de alimentos coloniais e artesanais feitos por agricultores familiares.
A proposta elimina a exigência de autorização governamental prévia para a fabricação, distribuição e venda desses produtos. Com a mudança, os produtores deverão seguir normas sanitárias relacionadas a boas práticas de fabricação, rotulagem, responsabilidade pelo alimento e demais requisitos previstos na legislação.
O texto ainda prevê que produtos classificados como de maior risco possam estar sujeitos a exigências adicionais, como capacitação em boas práticas de fabricação e mecanismos de rastreabilidade.
Projeto busca reduzir burocracia para pequenos produtores

Deputado Alceu Moreira: “A proposta fortalece a agricultura familiar ao reduzir a burocracia para quem produz em pequena escala, preservando a segurança dos alimentos e o controle sanitário”
O relator na CCJ, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou que a proposta busca facilitar a atuação de produtores de pequena escala sem retirar os mecanismos de controle sanitário. “A proposta fortalece a agricultura familiar ao reduzir a burocracia para quem produz em pequena escala, preservando a segurança dos alimentos e o controle sanitário. Também promovemos ajustes para garantir a constitucionalidade do projeto e respeitar a autonomia dos entes federativos”, afirmou.
Na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR), onde o projeto também foi analisado, o relator foi o deputado Alceu Moreira (MDB-RS). Segundo ele, a simplificação das regras deve ocorrer sem comprometer a fiscalização dos alimentos. “É possível reduzir a burocracia sem abrir mão do controle sanitário, valorizando a produção artesanal e fortalecendo a agricultura familiar”, declarou.
Próximos passos
Como tramita em caráter conclusivo nas comissões, o projeto poderá seguir diretamente para o Senado Federal caso não haja recurso para votação pelo plenário da Câmara.



