Conectado com

Notícias

Vilões da “novela da inflação” estão longe do campo

Apesar de responsabilizados pela escalada nos valores dos alimentos, agricultores e pecuaristas são tomadores de preços e também sofrem com a inflação fora de controle.

Publicado em

em

Fotos: Divulgação/Sistema Faep

Se a inflação fosse uma novela, não faltariam personagens no enredo. Os núcleos de produtos e serviços analisados formam uma teia complexa, uma trama na qual grupos isolados, como o de produtores rurais, têm pouco ou nenhum poder de influência. Nessa história, quebras de safra, desequilíbrio na oferta e demanda, altas taxas de câmbio e elevados custos de produção estão entre os maiores vilões. E o principal autor da “novela”, com poder de transformar os rumos da história, é o governo federal, que tem decepcionado nas ações. Nos últimos meses, os episódios têm sido mal-recebidos pela população brasileira e também pelo setor produtivo.

Foto: Joédson Alves

Para que todos estejam no mesmo capítulo, é preciso lembrar que a principal ferramenta para medir a inflação é o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado de fevereiro de 2024 a janeiro de 2025, o IPCA registrou aumento de 4,56% nos preços, puxados principalmente por alimentação e bebidas (7,25%), alimentação fora do domicílio (6,74%) e educação (6,63%). O grupo dos alimentos, nesse momento, chama a atenção, levando a uma visão equivocada de que os produtores rurais seriam os culpados pela inflação.

Em pronunciamento no dia 14 de março, em mais uma tentativa de colocar nos produtores rurais a responsabilidade pela alta dos preços, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ironizou: “Nós queremos encontrar quem é o pilantra que aumentou o ovo tanto”. A declaração vem na mesma medida do governo federal de desonerar a importação de alimentos para supostamente conter a subida nos preços, uma estratégia classificada como ineficaz pelo Sistema Faep e outras entidades do agronegócio.

“O produtor rural não é o culpado pela inflação”, rebate Ágide Eduardo Meneguette, presidente interino do Sistema Faep. “Ao contrário. No campo, sem descanso, os agricultores e pecuaristas trabalham para produzir alimentos, gerar renda e emprego e segurar a balança comercial do país. Os altos preços dos alimentos são consequência de outros fatores, como custos de produção elevados e o chamado ‘Custo Brasil’”, completa.

Gráficos mostram a evolução da inflação e da taxa de câmbio do real em relação ao dólar nos últimos 12 meses

Historicamente, o produtor rural é tomador de preços, seja na hora de comprar insumos ou de vender sua produção. “Os preços são colocados de acordo com a conjuntura, que envolve tanto fatores da economia nacional quanto aspectos internacionais. A variação, portanto, depende mais de questões de mercado do que a vontade de quem está produzindo”, detalha Anderson Sartorelli, técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.

Outro ponto importante relacionado aos preços dos alimentos é a sazonalidade, já que existem períodos de oferta concentrada, com maior disponibilidade após a colheita ou abate. “Esse comportamento da maior oferta de produtos em períodos definidos, chamado popularmente ‘da estação’, causa um comportamento sazonal dos preços dos produtos agropecuários, regidos pelo balanço de oferta e demanda. Ou seja, quanto mais se produz de algo, menor será seu preço e vice-versa”, explica Ana Paula Kowalski, técnica do DTE do Sistema Faep.

Ações articuladas

Foto: Divulgação/EBC

A economia moderna e globalizada se caracteriza por uma alta complexidade. A interconexão entre as cotações das commodities depende de acontecimentos diários espalhados pelo mundo. Por isso, a missão de combater a inflação exige políticas articuladas em diferentes frentes, conforme apontam os especialistas da área econômica ouvidos pela reportagem da revista Boletim Informativo.

“Os alimentos têm um impacto significativo na inflação no Brasil, embora não sejam os únicos responsáveis por pressionar os preços. Com a matriz logística nacional fortemente dependente do transporte rodoviário, aumentos nos preços dos combustíveis elevam os custos de distribuição e, consequentemente, os preços finais dos alimentos. Além disso, o câmbio afeta a atratividade da exportação em dólares, o que pode reduzir o fornecimento de alimentos no mercado interno e pressionar os preços”, analisa o economista da iHUB Investimentos, Lucas Sharau.

Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX, concorda que a inflação brasileira tem múltiplas origens e acrescenta as condições climáticas adversas e a volatilidade dos preços in natura na conta da instabilidade. “Um setor impacta direta e indiretamente outros setores. A economia moderna é muito complexa e interdependente. É difícil termos uma pressão isolada”, complementa.

Edson Kawabata, sócio-diretor de novos negócios da Peers Consulting + Technology, acrescenta o câmbio como um fator determinante a ser observado na hora de analisar a inflação. “A variação da taxa cambial impacta a inflação por via de dois mecanismos principais: a precificação de importados e o equilíbrio entre importações e exportações. O dólar mais alto estimula exportações e desincentiva importações, e vice-versa na baixa”, esmiuça o especialista.

Afinal, quem são os vilões?

Para os especialistas, o governo, com a execução de políticas públicas, tem um papel determinante na dinâmica inflacionária. Sharau enfatiza o papel do Estado em promover projetos de infraestrutura, logística eficiente e estabilidade fiscal, que seriam respostas com potencial de conter os ânimos inflacionários. “O governo tem instrumentos para atuar sobre a demanda e a oferta. A política energética, por exemplo, é outro fator que pode influenciar a inflação, assim como ações pontuais, como a formação de estoques reguladores agrícolas”, sugere.

O fantasma da hiperinflação vivida entre o fim dos anos 1980 e início dos anos 1990 também assombra o país e entra no debate das medidas a serem tomadas em contextos de pressão sobre os preços. A inflação brasileira, para os economistas, não é uma questão isolada no mundo, mas tem suas peculiaridades. A dependência de commodities, a volatilidade do câmbio e o histórico de instabilidade econômica tornam o país mais exposto a choques externos.

Para Kawabata, o fato de o país ter convivido com essa inflação elevada durante anos até o Plano Real estimula uma “cultura inflacionária”, que leva os agentes econômicos a se anteciparem a qualquer sinal de alta de custos para elevarem preços, em caráter preventivo. “Outro fator é a indexação de parte dos preços da economia, como aluguéis, mensalidade escolar, planos de saúde e até salários, reforçando uma certa inércia inflacionária, que vai se propagando a cada ciclo de reajustes”, exemplifica.

“Entre os países emergentes, o Brasil tem uma certa vantagem comparativa, pois é um mercado grande, menos dependente de importações do que muitos vizinhos. Mas a flutuação das variáveis macroeconômicas continua sendo um desafio”, aponta Mattos.

Se a inflação no Brasil fosse uma novela, o enredo seria um quebra-cabeça de múltiplas peças que precisam se encaixar: câmbio, juros, custos, demanda, clima, políticas públicas e até mesmo a cultura nacional influenciada pelo passado das remarcações de preço diárias dos supermercados. Combatê-la exige ações coordenada, diagnósticos precisos e, sobretudo, responsabilidade fiscal. Não há mágica, mas há caminhos. “O mercado vê com preocupação porque não há uma sinalização de cuidado por parte do governo com as contas públicas e a estabilidade no médio prazo. Isso gera incertezas, preocupações com relação aos próximos passos e a moeda fica a mercê do que acontece no mercado externo. Uma maior preocupação com a questão fiscal levaria agentes a enxergar estabilidade, o que atrai investimentos e, consequentemente, produção. O caos nunca é o melhor caminho. O cenário de estabilidade é o principal ponto a ser buscado”, aponta Anderson Sartorelli, do DTE do Sistema Faep.

E a taxa Selic?

No debate sobre o controle da inflação, a elevação da taxa básica de juros (Selic) costuma surgir como protagonista no noticiário econômico. Quem determina essa taxa é o Comitê de Política Monetária (Copom), vinculado ao Banco Central, órgão autônomo em relação ao governo federal.

O valor mais baixo experimentado nos últimos 12 meses ocorreu em maio de 2024, com 10,5%. Desde então a taxa tem subido sistematicamente até atingir 14,25% em março deste ano, tornando o crédito mais caro. “A taxa de juros desempenha um papel fundamental no controle da inflação ao desestimular o consumo e incentivar a poupança. Quando a taxa é elevada, cai a capacidade de endividamento de indivíduos e empresas, o que contribui para limitar o avanço dos preços. No entanto, subir os juros nem sempre é a solução, pois seus efeitos podem desacelerar o crescimento econômico e aumentar o custo do crédito, o que também afeta negativamente o poder aquisitivo da população”, pondera Sharau.

Neste cenário, Leonel Mattos, da StoneX, detalha os dois tipos de inflação: a de custo, que nasce de problemas na oferta (como uma safra ruim), e a de demanda, causada pelo consumo aquecido. “Os juros são mais eficazes no segundo caso. Quando o problema é oferta, como o encarecimento de fertilizantes, os juros têm pouco efeito”, afirma. “Ainda assim, o crédito mais caro tem um papel indireto importante, já que envolve potencial de atrair capital estrangeiro para investimentos, o que potencialmente fortalece o real”, completa.

Governo insiste na importação de alimentos

Diante da alta dos preços, o governo tem adotado como alternativa a redução das taxas de importação para alimentos e itens da cesta básica para combater a inflação. Desde então, o Sistema Faep tem se posicionado contra a proposta de zerar as tarifas para compra de alimentos estrangeiros, já que além de não resolver a questão, ainda cria outras dificuldades para a economia do país.

“O Brasil não pode insistir em soluções ultrapassadas para problemas crônicos. Transferir o ônus da inflação para o setor produtivo é um equívoco que compromete um dos pilares da economia nacional. Enfraquecer o agronegócio com políticas equivocadas significa comprometer o futuro do país”, sinaliza Meneguette.

Em fevereiro deste ano, o Instituto Pensar Agropecuária (IPA), do qual o Sistema Faep integra o Conselho Executivo, enviou ao governo federal um documento com sugestões de curto, médio e longo prazos para combater a inflação dos alimentos sem prejudicar o setor produtivo. No texto, o IPA também condena os subsídios indiscriminados às importações, medidas que podem desestimular a produção agropecuária, reduzir investimentos no setor e, consequentemente, elevar os preços ao consumidor.

Para os especialistas, a medida de desonerar importações pode até funcionar no curto prazo ao aumentar a oferta interna, mas alertam para desdobramentos futuros. “É preciso evitar que o país se torne excessivamente dependente do mercado externo”, aponta Sharau. “Pode ajudar, mas não resolve sozinho. Se o Brasil não é importador tradicional de certos itens, há barreiras logísticas e comerciais que dificultam a substituição imediata do produto nacional pelo estrangeiro”, alerta Mattos.

Por sua vez, Kawabata vê essa medida como uma alavanca acionável pelo governo para tentar mitigar o problema, mas que não é efetiva sozinha. “É necessária uma análise estratégica mais ampla no âmbito da reforma tributária (entre outras medidas estruturais), para uma melhor equalização dos tributos aplicáveis nas cadeias de valor de produtos, para reduzir assimetrias e estimular a competitividade dos setores”, expõe.

Fonte: Assessoria Sistema Faep

Notícias

Produção de grãos deve atingir 358,6 milhões de toneladas na safra 2025/26

Projeção mantém expectativa de um novo recorde na série histórica da Conab. A soja se destaca por apresentar o maior crescimento, seguida pelo milho primeira safra.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

As agricultoras e os agricultores brasileiros deverão colher 358,6 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26. A nova estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta para novo recorde de produção, podendo registrar uma alta de 1,8% em relação ao resultado obtido no ciclo anterior, ou seja, um acréscimo de 6,4 milhões de toneladas a serem colhidas neste ciclo.

Foto: Geraldo Bubniak

Os dados estão no 9º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26, divulgado nesta quinta-feira (11) pela Companhia. Ainda de acordo com o documento, esse resultado é justificado pelo aumento na área cultivada, estimada em 83,5 milhões de hectares, aliado às condições climáticas favoráveis, que deve refletir em uma boa produtividade média nacional prevista em 4.295 quilos por hectare.

Dentre as culturas cultivadas, a soja se destaca por apresentar incremento de 8,8 milhões de toneladas em relação ao volume obtido na safra anterior. Com a colheita praticamente finalizada, a produção no ciclo 2025/26 está estimada em 180,3 milhões de toneladas. Ainda de acordo com o Boletim da Conab, o resultado reflete o crescimento da área destinada para a oleaginosa, aliado ao bom pacote tecnológico e condições climáticas favoráveis, nesta safra.

Principal cultura cultivada na 2ª safra, o milho tem uma estimativa de produção total de 140,5 milhões de toneladas

Foto: Shutterstock

(somadas as três safras). A colheita do produto semeado na primeira safra já atinge 87,7% da área e deve atingir 29,3 milhões de toneladas, aumento de 17,7% em relação ao mesmo período da temporada 2024/25.

Além da maior área destinada ao grão no atual ciclo, a produtividade também apresenta incremento de 7,6%, estimada em 7.110 quilos por hectare, estabelecendo um novo recorde na série histórica da Companhia na primeira safra do grão.

A segunda safra do cereal se encontra em fase inicial de colheita com expectativa de atingir produção de 107,9 milhões de toneladas. Já para a terceira safra do cereal, o plantio está próximo do encerramento e a Companhia espera uma colheita de 3,3 milhões de toneladas.

Foto: Divulgação/Governo da Bahia

Demais culturas

Outro produto importante na segunda safra é o algodão. A produção da pluma está estimada em cerca de 4 milhões de toneladas, uma redução de 2,5% em relação à safra de 2024/25 influenciada pela menor área semeada. No caso do sorgo, que registra a quinta maior produção entre os grãos analisados pela Companhia, a colheita está estimada em 7,62 milhões de toneladas, incremento de 1,5 milhão de toneladas quando comparado com o volume obtido na safra passada, que representa uma alta de 24,9%.

Importante produto para o mercado interno, o arroz registra colheita praticamente finalizada com estimativa de produção de 11,1 milhões de toneladas, 13,2% abaixo do volume produzido na safra passada. A queda é reflexo de uma menor área destinada para a cultura diante das condições mercadológicas do cereal.

ara o feijão, a Conab espera uma colheita total, somadas as três safras do grão, próxima a 3 milhões de toneladas. O

Foto: José Fernando Ogura

volume para o atual ciclo representa uma ligeira queda de 0,5% em relação ao resultado obtido na temporada passada. Mesmo com a expectativa de menor produção para os dois alimentos, a atual estimativa garante o abastecimento no mercado interno.

Dentre as culturas de inverno, destaque para o trigo. A semeadura do cereal avança em todas as regiões produtoras do país e atinge 45,3% da área prevista. Para o atual ciclo, a Companhia prevê uma menor área destinada ao cereal, o que deve refletir em uma queda na produção, prevista em torno de 6,3 milhões de toneladas

Mercado

Foto: Claudio Neves

A produção recorde de soja possibilita um ligeiro aumento nas exportações, sendo estimadas em 116,1 milhões de toneladas, além de um maior volume da oleaginosa destinado ao processamento, projetado em 61,58 milhões de toneladas. Com isso, o estoque de passagem da soja em grãos deve se estabelecer em torno de 9,2 milhões de toneladas.

A Conab também realizou ajustes nas projeções do quadro de suprimentos para o milho, diante do ajuste na projeção para a produção total na atual safra, com os estoques de passagem do grão podendo chegar a 13,25 milhões de toneladas no final de janeiro de 2027.

O estoque final esperado para o feijão no final de dezembro também foi atualizado para 288,5 mil toneladas da leguminosa.

Fonte: Assessoria Conab
Continue Lendo

Notícias

Polícia desmonta esquema de adulteração de fertilizantes e prende sete em flagrante no Paraná

Investigação aponta desvio de cargas, substituição de até 80% do produto original e prejuízos superiores a R$ 250 mil. Barracão funcionava em condições precárias em Ponta Grossa.

Publicado em

em

Foto: Divulgação/PCPR

A Polícia Civil do Paraná prendeu sete homens em flagrante na noite de quarta-feira (10) durante uma operação que desarticulou um esquema de adulteração de fertilizantes em Ponta Grossa, nos Campos Gerais. A ação ocorreu em um barracão utilizado para descarregar, misturar e alterar cargas destinadas a produtores rurais.

Foto: Divulgação/PCPR

A investigação teve início após o registro de três ocorrências envolvendo suspeitas de desvio e adulteração de fertilizantes transportados a partir do Porto de Paranaguá.

Em um dos casos, uma carga de 40 toneladas de cloreto de potássio, avaliada em R$ 110 mil, teve cerca de 80% do conteúdo substituído por material identificado como cálcio. Em outra ocorrência, uma carga avaliada em mais de R$ 143 mil chegou ao destino, em Serranópolis (GO), com características diferentes das do produto originalmente embarcado.

Os investigadores também identificaram um terceiro transporte que saiu de Paranaguá, permaneceu fora da rota prevista por aproximadamente quatro horas e posteriormente entregou fertilizante adulterado ao consumidor final.

Foto: Divulgação/PCPR

Segundo o delegado Lucas Mariano Mendes, a repetição do mesmo padrão de fraude permitiu identificar o local utilizado pelo grupo. “Em razão da convergência das informações trazidas pelas vítimas, especialmente quanto aos desvios de rota e a adulteração do mesmo tipo de produto, a investigação direcionou as diligências para a identificação do barracão utilizado pelos suspeitos”, afirmou.

Flagrante durante descarregamento

Ao chegar ao imóvel, os policiais encontraram intensa movimentação de pessoas, caminhões e equipamentos. No local havia fertilizantes, materiais granulados sem identificação e maquinário utilizado para movimentação das cargas.

Durante a fiscalização da documentação, os agentes constataram que uma das cargas descarregadas naquele

Foto: Divulgação/PCPR

momento havia saído de Paranaguá com destino a Telêmaco Borba, sem justificativa para a parada e descarga em Ponta Grossa.

De acordo com a Polícia Civil, o motorista responsável pelo transporte admitiu que receberia R$ 8 mil para desviar a carga. “Ao ser questionado, o motorista responsável pelo transporte admitiu que receberia R$ 8 mil para desviar a carga e descarregá-la naquele barracão. As declarações obtidas no local indicam que o fertilizante seria misturado com outras substâncias”, disse o delegado.

Os sete suspeitos foram autuados em flagrante pelos crimes de adulteração de substância, adulteração de produto destinado ao consumo e furto qualificado.

Foto: Divulgação/PCPR

Máquinas, dinheiro e produtos apreendidos

Durante a operação, a Polícia Civil apreendeu um caminhão-trator, um semirreboque, uma pá carregadeira, três empilhadeiras, aparelhos celulares, R$ 2.382 em dinheiro, cheques, 30 bags de material semelhante a cálcio, além de lacres e documentos relacionados às cargas investigadas.

Peritos da Polícia Científica recolheram amostras dos materiais encontrados para análise laboratorial, que deverá confirmar a composição dos produtos utilizados na adulteração.

Estrutura precária

Os policiais também relataram que o barracão operava em condições consideradas inadequadas para

Foto: Divulgação/PCPR

armazenamento e manipulação de fertilizantes.

No local foram encontrados pontos de alagamento, água parada, resíduos espalhados pelo chão, acúmulo de sujeira e materiais armazenados diretamente sobre o piso, sem isolamento ou controle sanitário aparente.

Segundo a polícia, as condições observadas são incompatíveis com os padrões normalmente exigidos para armazenagem e beneficiamento desse tipo de produto.

Os sete presos foram encaminhados ao sistema penitenciário. A investigação prossegue para identificar outros envolvidos e dimensionar a extensão do esquema, que pode ter afetado cargas destinadas a diferentes regiões do país.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Notícias

Paraná tem a 3ª maior capacidade de armazenagem agrícola do Brasil, aponta IBGE

Estado reúne 1.372 estabelecimentos armazenadores e capacidade para 35,7 milhões de toneladas de grãos e outros produtos agrícolas. Sozinho, o Paraná possui capacidade de armazenagem mais de duas vezes superior à disponível em todos os estados do Nordeste juntos.

Publicado em

em

Foto: Claudio Neves

O Paraná possui a terceira maior rede de armazenagem agrícola do Brasil, de acordo com dados da Pesquisa de Estoques divulgada nesta quinta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Estado reúne 1.372 estabelecimentos armazenadores, o equivalente a 14,2% do total nacional, além de capacidade instalada para 35,7 milhões de toneladas de produtos agrícolas, o que representa 16,6% da capacidade brasileira.

Foto: Gilson Abreu/AEN

O volume coloca o Paraná atrás apenas do Mato Grosso, líder nacional com capacidade para 64,2 milhões de toneladas, e do Rio Grande do Sul, com 38,9 milhões de toneladas. Em número de estabelecimentos, o Estado também ocupa a terceira posição nacional.

Sozinho, o Paraná possui capacidade de armazenagem mais de duas vezes superior à disponível em todos os estados do Nordeste juntos, que somam cerca de 14,7 milhões de toneladas. O resultado reforça a posição do Estado como um dos principais polos produtores e exportadores do agronegócio brasileiro.

Os silos são a principal estrutura de armazenagem do Estado, respondendo por 20,7 milhões de toneladas de capacidade, ou cerca de 58% do total. Considerados o modelo mais adequado para a conservação e movimentação de grãos em larga escala, eles permitem maior eficiência operacional, melhor controle de qualidade e menores perdas durante o armazenamento. Outros 10,5 milhões de toneladas estão distribuídos em armazéns graneleiros e granelizados, enquanto os armazéns convencionais, estruturais e infláveis somam 4,5 milhões de toneladas.

Entre os municípios do Estado, Ponta Grossa possui a maior capacidade instalada, com 2,6 milhões de toneladas.

Foto: Divulgação

Também se destacam Paranaguá, com capacidade para 1,49 milhão de toneladas, Guarapuava, com 1,38 milhão, e Toledo, com 1,25 milhão de toneladas.

Logística e competitividade

A armazenagem é considerada uma das etapas mais estratégicas da cadeia do agronegócio. A disponibilidade de espaço para guardar a produção após a colheita reduz gargalos logísticos, evita a concentração do transporte em curtos períodos, permite melhor planejamento da comercialização e contribui para reduzir custos operacionais.

A estrutura também favorece o escoamento da produção para indústrias, mercados consumidores e terminais portuários. Com uma das maiores produções agrícolas do País e acesso a importantes corredores logísticos de exportação, o Paraná consegue distribuir o fluxo de grãos ao longo do ano, aumentando a eficiência da cadeia produtiva.

Foto: Gilson Abreu/AEN

O levantamento do IBGE também evidencia a força do cooperativismo paranaense. Das 35,7 milhões de toneladas de capacidade de armazenagem do Estado, cerca de 18,5 milhões estão vinculadas às cooperativas, que mantêm 594 estabelecimentos armazenadores. A iniciativa privada responde por outros 769 empreendimentos e aproximadamente 12 milhões de toneladas de capacidade.

Safra em expansão

O avanço da capacidade de armazenagem acompanha o crescimento da produção agrícola estadual. Segundo estimativa divulgada pelo IBGE neste mês, o Paraná deve colher 45,7 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026, volume 20% superior ao registrado no ano anterior.

O Estado aparece entre os principais responsáveis pelo crescimento da safra nacional, impulsionado especialmente

Foto: José Fernando Ogura

pela recuperação da produção de milho e pelo bom desempenho de outras culturas. A estrutura de armazenagem é considerada fundamental para dar suporte a esse aumento da produção, garantindo condições adequadas para conservação e comercialização dos grãos.

Incentivos estaduais

Além dos investimentos das cooperativas, empresas e produtores, o Governo do Estado também tem adotado medidas para fortalecer a infraestrutura de armazenagem e ampliar a competitividade do agronegócio estadual.

Foto: Divulgação

Uma dessas iniciativas foi o encaminhamento de um projeto de lei à Assembleia Legislativa do Paraná para autorizar a concessão das unidades armazenadoras do IDR-Paraná à iniciativa privada. A proposta prevê atrair investimentos para modernização e ampliação da eficiência operacional dessas estruturas.

As unidades funcionam como pontos de apoio para produtores e cooperativas, recebendo excedentes de produção e contribuindo para a integração entre o campo, a indústria e os canais de comercialização e exportação.

Outra ação é o Fundo de Investimento em Direitos Creditórios nas Cadeias Produtivas do Agro (FIDC Agro Paraná), estruturado pelo Governo do Estado para ampliar o acesso ao crédito no campo. O mecanismo prevê até R$ 2 bilhões em financiamentos para projetos de modernização do agronegócio, incluindo investimentos em armazenagem, infraestrutura produtiva e logística rural.

Fonte: AEN-PR
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.