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Venda de máquinas agrícolas aumentou 12,7% em 2018
Balanço feito pela Anfavea mostra que em 2018 foram vendidas 47,8 mil máquinas agrícolas e rodoviárias

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou na terça-feira (08) um balanço de 2018 da indústria automobilística brasileira no ano passado, e as previsões para as vendas, produção e exportação de máquinas agrícolas e rodoviárias em 2019.
Segundo o levantamento, em 2018 foram vendidas 47,8 mil máquinas agrícolas e rodoviárias, uma expansão de 12,7% sobre as 42,4 mil em 2017. Somente no último mês do ano o setor comercializou 4,4 mil unidades, um aumento de 18,3% ante as 3,7 mil de novembro e de 22% sobre as 3,6 mil de dezembro de 2017.
A produção nos 12 meses de 2018 acumulou 65,7 mil unidades e ficou 23,8% acima do que 2017 (53 mil). O balanço mostra ainda que em dezembro 5,6 mil unidades foram fabricadas, o que representa uma diminuição de 14,3% em relação a novembro (6,5 mil) e um crescimento de 113,7% contra as 2,6 mil unidades do mesmo período de 2017.
Já quanto as exportações, o setor das máquinas agrícolas e rodoviárias encerraram 2018 com 12,7 mil unidades, uma diminuição de 9,1% frente as 14 mil de 2017.
Expectativas para 2019
Para este ano, a Anfavea prevê que o setor de máquinas agrícolas terá alta nas vendas internas em 10,9%, com 53 mil unidades. O balanço mostra que as exportações seguirão o mesmo patamar do ano passado, com 13 mil unidades. Já a produção de novos produtos será de 66 mil unidades em 2019, uma alta de 0,5%.

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Degradação do solo compromete produtividade e amplia custo no campo
Áreas com perda de matéria orgânica e avanço da erosão desafiam modelo baseado em insumos químicos, enquanto bioinsumos ganham espaço como estratégia de reconstrução biológica e redução da dependência externa.

O solo agrícola brasileiro dá sinais claros de esgotamento. A perda de matéria orgânica, o desequilíbrio biológico e a redução da fertilidade natural já impactam a produtividade das lavouras e elevam o custo de produção em diferentes regiões do país, colocando em xeque a eficiência do atual modelo produtivo. Esse processo, que muitas vezes avança silenciosamente, já é sentido diretamente no campo e no bolso do produtor.
Na prática, a degradação se traduz em menor disponibilidade de nutrientes, queda da atividade microbiana e aumento da suscetibilidade à erosão. “Estamos vendo solos que produzem menos, exigem mais investimento e entregam menor retorno ao produtor. Esse desequilíbrio pressiona a rentabilidade e compromete a sustentabilidade do sistema produtivo”, afirma administradora, que atua no mercado de bioinsumos e fertilizantes especiais, Sheilla Albuquerque.

Administradora, que atua no mercado de bioinsumos e fertilizantes especiais, Sheilla Albuquerque: “Estamos vendo solos que produzem menos, exigem mais investimento e entregam menor retorno ao produtor”
Estudos conduzidos pela Embrapa apontam que os solos brasileiros apresentam, em média, erodibilidade moderada, com áreas de maior risco concentradas principalmente no Nordeste, onde já se observam processos de desertificação. O levantamento reforça a necessidade de ações prioritárias de conservação e manejo para evitar a perda de terras produtivas.
O desafio é ainda mais evidente nas pastagens. Levantamentos recentes indicam que cerca de 109 milhões de hectares apresentam algum nível de degradação, demandando investimentos elevados em recuperação e manejo adequado para manter a atividade pecuária viável no longo prazo.
Para Sheilla, esse cenário expõe os limites do modelo baseado na intensificação química, com uso crescente de fertilizantes e corretivos para compensar a perda da qualidade do solo. “A dependência de insumos importados torna o produtor mais vulnerável à volatilidade cambial e a choques geopolíticos. Ao mesmo tempo, a degradação física e biológica reduz a eficiência desses insumos, criando um ciclo de mais gasto e menor resposta agronômica”, avalia.
Diante desse contexto, ganha espaço a discussão sobre a reconstrução biológica do solo. O Programa Nacional de Bioinsumos, coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, busca ampliar o uso de insumos de base biológica como estratégia para reduzir a dependência externa, fortalecer a sustentabilidade e elevar a eficiência produtiva da agropecuária brasileira. O programa prevê estímulos à pesquisa, apoio a biofábricas e disseminação dessas tecnologias em diferentes regiões do país.
Os bioinsumos incluem microrganismos benéficos, biofertilizantes e soluções voltadas à nutrição do solo e ao controle biológico, com foco na recuperação da microbiota, na melhoria da estrutura física do solo e no fortalecimento dos ciclos naturais de nutrientes. “Essas tecnologias contribuem para maior resiliência das lavouras, especialmente em cenários de estresse hídrico e climático”, explica Sheilla.
Nesse movimento, o solo deixa de ser visto apenas como suporte físico da planta e passa a ser tratado como um organismo vivo: condição considerada essencial para a competitividade do agronegócio brasileiro no longo prazo.
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Calor extremo amplia risco sanitário e pressiona cadeias de proteína animal
Com temperaturas acima da média e maior variabilidade climática, setor reforça biossegurança para proteger produção e preservar exportações recordes de carne bovina.

A temporada de verão mantém e tende a intensificar o padrão de calor extremo observado no último ano no Brasil. Em 2025, as temperaturas ficaram acima da média em grande parte do território nacional, e os primeiros meses da estação já registram episódios de calor intenso combinados com maior instabilidade climática. O ambiente favorece a proliferação de vírus, bactérias e vetores, elevando o risco sanitário nas propriedades rurais.

Foto: Luiza Biesus
O cenário impõe um desafio direto ao agronegócio, especialmente às cadeias de proteína animal, cuja competitividade externa depende do controle rigoroso de sanidade. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), indicam que, em 2025, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram recorde de 3,5 milhões de toneladas embarcadas.
O aumento das temperaturas intensifica o estresse térmico nos animais, amplia a carga microbiana nos ambientes de produção e eleva o risco de contaminação durante transporte e manejo. Para o engenheiro eletricista Vinicius Dias, com especialização em Qualidade da Energia Elétrica, a resposta precisa ser estrutural. “Eventos climáticos extremos favorecem o avanço de patógenos. As altas temperaturas aceleram a multiplicação microbiana e pressionam todo o sistema produtivo. Depender apenas de higienização manual já não basta. A tecnologia se tornou prioridade para garantir padronização, rastreabilidade e resposta ágil a ameaças sanitárias”, ressalta Dias.

Engenheiro eletricista Vinicius Dias, com especialização em Qualidade da Energia Elétrica: “O Brasil só manterá sua posição no comércio global se conseguir comprovar, com dados, que adota práticas preventivas e consistentes. O controle sanitário deixou de ser um custo operacional e se tornou uma garantia de continuidade do negócio” – Foto: Arquivo pessoal
Soluções automatizadas de biossegurança permitem hoje monitorar etapas críticas, como limpeza de veículos, desinfecção de equipamentos, circulação de pessoas, controle de temperatura e fluxo de animais. A digitalização desses processos gera registros auditáveis, que facilitam a comprovação de conformidade perante mercados exigentes, como União Europeia, China e países do Oriente Médio. “O Brasil só manterá sua posição no comércio global se conseguir comprovar, com dados, que adota práticas preventivas e consistentes. O controle sanitário deixou de ser um custo operacional e se tornou uma garantia de continuidade do negócio. Com verões mais quentes e instabilidade climática crescente, a prevenção precisa ser contínua, integrada e cada vez mais tecnológica”, destaca Dias.
A combinação entre aquecimento global, maior frequência de eventos climáticos extremos e exigências sanitárias mais rigorosas desloca a proteção sanitária para o centro da estratégia de competitividade do setor. Para a pecuária brasileira, o desafio vai além da estação: trata-se de estruturar sistemas resilientes capazes de assegurar produtividade e acesso a mercados ao longo de todo o ano.
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Câmara Setorial do Trigo de São Paulo abre agenda de 2026 com debate sobre safra e mercado
Reunião em 05 de março, na Cooperativa Capão Bonito, discutirá próximo ciclo produtivo e expectativas de produção.

O setor do trigo de São Paulo se reúne no dia 05 de março para a primeira reunião da Câmara Setorial do Trigo do estado, que será realizada no auditório da Cooperativa Capão Bonito, a partir das 10 horas. O encontro, que terá transmissão on-line, pelo canal do Sindustrigo no YouTube, promove debates estratégicos voltados ao cenário produtivo e de mercado da cultura no estado, além da eleição do presidente que assume o grupo por dois anos.
Os interessados em acompanhar a transmissão online podem se inscrever clicando aqui.
Entre os temas em pauta estão a avaliação dos materiais disponíveis e as novidades para a próxima safra, com apresentações da OR Sementes, GDM Seeds e do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Também serão discutidos o andamento do plantio, as expectativas de produção e produtividade, a partir de reporte das principais cooperativas do estado, e a conjuntura do trigo nos mercados nacional e internacional, que será apresentada pelo consultor em Gerenciamento de Riscos da StoneX, Jonathan Pinheiro.
Segundo o presidente da Câmara, Nelson Montagna, a reunião marca o início de um ciclo estratégico para o setor que, diante do atual patamar de preços, tem como expectativa a manutenção da área cultivada em São Paulo, com eventuais ajustes pontuais relacionados à rotação de culturas.
O dirigente explica que a última safra apresentou boa qualidade e que a perspectiva é de repetição desse desempenho no próximo ciclo. Montagna também reforça a importância de manter o estímulo ao aumento da produção paulista, especialmente considerando a expectativa de crescimento da moagem no estado, impulsionada pela reforma tributária.
“São Paulo deve ampliar de forma significativa sua capacidade de processamento, o que abre espaço para maior absorção do trigo produzido localmente. Ainda que a reforma possa favorecer a competitividade de grãos oriundos de outras regiões, o estado segue com condições favoráveis para fortalecer sua própria cadeia produtiva”, afirma.



