Conectado com

Notícias Pecuária Leiteira

Vencer desinformação é maior desafio para produção de orgânicos

Preconceitos a que ele se refere são percepções equivocadas de que a produção orgânica represente “uma volta ao passado

Publicado em

em

Ana Maio

A desinformação, os mitos e os preconceitos são obstáculos que produtores interessados na conversão para orgânicos precisam superar. A avaliação é do auditor fiscal federal agropecuário Marcelo Laurino, do Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Ele foi o primeiro palestrante do II Curso de Pecuária Leiteira Orgânica, aberto na sexta-feira (26) na fazenda Nata da Serra, em Serra Negra, SP.

O curso é promovido pela Embrapa e pela Nata da Serra e reúne 43 participantes neste primeiro módulo, que terminou sábado. O segundo módulo acontecerá na Embrapa Pecuária Sudeste, em São Carlos (SP), em junho. No total, serão seis módulos até outubro.

Laurino disse que se baseia em ciência e experiências práticas para tentar mostrar aos interessados que a produção orgânica é viável socialmente, economicamente e tecnicamente.

Os preconceitos a que ele se refere são percepções equivocadas de que a produção orgânica represente “uma volta ao passado, que é grosseira, que não utiliza tecnologia, que não vai ser capaz de alimentar toda a humanidade, que é coisa só de rico. Ao longo da palestra vamos demolindo esses preconceitos porque eles não têm razão de ser”, afirmou.

Segundo ele, embora não tenha estatísticas, o número de produtores orgânicos cresce todos os anos. Essa indicação coincide com a de representantes de multinacionais que estiveram na abertura e que estão patrocinando o treinamento, como a Danone, a Nestlé e a Gensur. O curso também tem patrocínio da Socil e Tru-Test.

André Novo, coordenador do curso e chefe de Transferência de Tecnologia da Embrapa Pecuária Sudeste, disse que neste ano um grande diferencial será o encontro das duas turmas – a de 2019 e a de 2018 – no segundo módulo. “Será um momento de troca de experiências e de conhecimento. Queremos formar uma rede de informações sobre leite orgânico”, afirmou. Ele também destacou o aumento do número de patrocinadores e o investimento das empresas na capacitação.

Ricardo Schiavinato, proprietário da Nata da Serra e produtor de orgânicos há mais de 20 anos, disse que ficou surpreso com a demanda. “No primeiro ano tivemos fila de espera para o segundo e agora já temos fila de espera para o ano que vem.” A turma de 2019 terá um módulo a mais e o conteúdo sobre sanidade animal será aprofundado.

Participantes

Na abertura do módulo, estiveram presentes produtores e técnicos do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Distrito Federal e Minas Gerais. A veterinária Milena Coppola, de Pirassununga (SP), pretende ampliar o conhecimento sobre orgânicos para ajudar na propriedade do namorado Gabriel. “Nosso interesse é por uma questão de princípio, de filosofia de vida. Já implantamos uma agrofloresta, uma horta e criamos galinhas coloniais com um manejo bem simples”, conta.

Na fazenda Guadalupe a família de Gabriel já produz leite, mas no sistema convencional. “Adotamos algumas tecnologias, como inseminação e rotação de pasto. Queremos uma propriedade mais sustentável, um polo de educação ambiental, e estamos estimulando os funcionários a essa prática.” Há dez anos sem tomar medicamentos, Milena aposta muito na prevenção, tanto para a saúde humana como para a animal.

O veterinário Anderson Luís Marques, o engenheiro de produção Vinicius Eloi Woicik, e o agrônomo Raphael Anzalone vieram do Paraná para a capacitação. Eles trabalham no Spa Lapinha, em Lapa (PR), que tem capacidade para receber até 60 hóspedes. Junto ao spa funciona uma fazenda onde são produzidos os alimentos servidos aos visitantes.

Anderson contou que no passado já houve uma tentativa de converter a produção de leite para o sistema orgânico, mas sem sucesso. Agora a equipe busca treinamento para uma nova tentativa. Lapa fica a 80 quilômetros de Curitiba e a empresa pensa em explorar também o mercado da capital. Para isso, a será necessário alterar o serviço de inspeção municipal para o estadual. Na fazenda, são produzidos queijos, ovos e hortaliças.

Último suspiro

No segundo dia do curso, sábado (27), Ricardo Schiavinato abriu a programação contando sua história de vida. Filho de um dentista, ele ganhou a propriedade do pai ao finalizar a faculdade de agronomia. Começou a produzir tomate, morango e outras culturas em sistema convencional. O negócio não ia bem e o produtor conta que praticamente quebrou. “Estava quase desistindo quando meus pais vieram visitar a propriedade e ele quis experimentar o tomate e o morango que eu produzia, mas não deixei, pois havia acabado de aplicar produtos químicos”, contou.

Segundo Ricardo, o pai percebeu que havia algo muito errado na situação em que o filho não servia à própria família o que produzia. Nessa ocasião ele começou a ter os primeiros contatos com a agricultura orgânica, buscou informações e decidiu “tentar o último suspiro”. Deu certo.

A vida de Ricardo mudou e ele conta, ainda emocionado, como tudo melhorou. Em 2006 ele procurou a Embrapa Pecuária Sudeste em busca de informações para produzir leite orgânico. Começava ali, em março de 2007, uma parceria e uma relação de aprendizado mútuo que persiste até hoje.

O segundo a falar foi André Novo, que mostrou conceitos básicos da pecuária de leite orgânico e falou dos princípios do programa Balde Cheio. “Não há fórmula pronta. Cada produtor é um caso diferente. Importante é descobrir o que importa em cada propriedade”, disse.

André falou da importância da visão sistêmica, já que cada produtor precisa olhar para sua terra de um modo diferente, “pensar a propriedade, pensar nas pessoas e entender a realidade do lugar onde está”.

O pesquisador da Embrapa Artur Chinelato, idealizador do programa Balde Cheio, chegou a Serra Negra na manhã de sábado e foi apresentado ao grupo. No período da tarde, os participantes visitaram os pastos e viram de perto os animais criados na Nata da Serra.

Fonte: Embrapa Pecuária Sudeste

Notícias

Produtores do Paraná poderão ampliar subvenção ao seguro rural com boas práticas de manejo do solo

Projeto-piloto do governo federal oferece descontos maiores no prêmio do seguro para áreas enquadradas em níveis superiores de manejo agrícola.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

Os produtores rurais paranaenses podem obter subvenção federal maior, com base em critérios de manejo e conservação do solo nas culturas da soja e milho safrinha. Para isso, as áreas agrícolas a serem seguradas devem ser enquadradas em Níveis de Manejo (NM) estipulados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático Níveis de Manejo (ZarcNM). O projeto-piloto conta com recursos específicos para execução (R$ 1 milhão para cada cultura) e beneficia produtores rurais com percentual maior de desconto nos valores do seguro pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

Foto: Divulgação

A ferramenta considera critérios de qualidade do manejo de solo como redutor do risco climático de áreas agrícolas com maior capacidade de infiltração e retenção de água. O NM1 é a condição de risco base e o NM4, a melhor condição de cultivo que garante benefício maior.

“Em tempos de queda nas contratações de seguro rural, toda proposta que venha melhorar a subvenção ao prêmio é bem-vinda”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “Nossos técnicos estão à disposição para auxiliar os produtores rurais neste processo”, complementa.

Lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com metodologia da Embrapa, o ZarcNM teve o projeto-piloto iniciado na safra 2025/26, somente no Paraná, quando 28 áreas de produção foram classificadas em níveis de subvenção diferenciada. Na temporada 2026/27, o projeto iniciará a fase II, com possibilidade de participação dos produtores de soja do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, e milho safrinha no Paraná e Mato Grosso do Sul.

Como acessar

O primeiro passo para ter acesso à subvenção diferenciada é buscar a análise de solo em um laboratório credenciado no Estado. A metodologia das análises não difere das normalmente utilizadas, mas os laboratórios participantes conseguem registrar os dados da área diretamente no sistema (SiNM) da Embrapa.

“Antes mesmo de contratar o seguro, o produtor deve realizar a coleta da amostra de solo, seguindo as orientações do item 7, da Instrução Normativa 2/2025, do Mapa, e encaminhá-la a um laboratório credenciado, solicitando a análise Níveis de Manejo”, orienta Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.

Na sequência, o produtor deve procurar um operador de contrato para providenciar a análise de sensoriamento remoto e incluir as informações no sistema da Embrapa. Então, a plataforma calcula o nível de manejo do talhão e as informações são repassadas pelo operador ao governo federal para que seja definida a subvenção conforme os seis indicadores avaliados para a definição do nível de manejo: tempo sem revolvimento do solo; cobertura do solo com palhada; saturação por bases (V%); teor de cálcio; saturação por alumínio; e histórico de diversidade de cultivos. Três são verificados pela análise de solo e os demais por ferramentas de sensoriamento remoto utilizadas pelos operadores especializados. Para os níveis 2, 3 ou 4, segundo a Embrapa, “áreas com declividade superior a 3% devem, obrigatoriamente, adotar semeadura em nível ou contorno em pelo menos 75% da gleba”.

“Para subvenção maior, ou seja, além do padrão definido pelo PSR, os níveis devem ser de 2 em diante”, comenta Ana Paula. Na cultura de milho segunda safra, para Nível de Manejo (NM) 1, a subvenção será de 40%; NM2, 45%; e para NMs 3 e 4, 50%. Já para a cultura de soja, os cálculos são 20% para NM1; 30%, NM2; 35%, NM3; e 40%, NM4.

A lista de operadores credenciados está disponível no site embrapa.br/rede-zarc-embrapa/niveis-de-manejo

Fonte: Assessoria Sistema Faep
Continue Lendo

Notícias

Tarifas dos EUA deve impactar 21% das exportações brasileiras

Governo avalia ampliar parcerias comerciais enquanto negocia para evitar a aplicação das tarifas.

Publicado em

em

Fotos: Claudio Neves

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (3), que o Brasil vai continuar buscando outros parceiros de negócios para minimizar os impactos da política comercial adotada pelos Estados Unidos. Lula coordenou reunião ministerial, no Palácio do Planalto, que ocorre em meio ao anúncio de novas taxações estadunidenses a produtos brasileiros.“Nós vamos procurar outros parceiros. Se ele não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. Não vamos ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro. O Brasil é dono do seu nariz. Isso aqui é um país democrático e soberano”, disse o presidente aos ministros de Estado.

“Nós resolvemos não adotar mais a política do vira-lata diante das grandes potências. Nós não somos melhores do que ninguém, mas não somos piores. Vamos respeitar todo mundo, mas queremos respeito”, acrescentou.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na segunda-feira (1º), o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sugeriu, entre outras ações, a taxação de 25% sobre parte das importações brasileiras ao país. O relatório do USTR é resultado de uma investigação iniciada há um ano no governo de Donald Trump contra supostas “práticas desleais” do Brasil no comércio com os EUA.

Entre outros temas, para justificar a medida, a instituição acusa o Pix de prejudicar “injustamente” empresas estadunidenses que prestam serviços de pagamento eletrônico, como operadoras de cartões de crédito, como MasterCard e Visa, e o Whatsapp Pay. 

Lula afirmou que, agora, vai participar da reunião do G7 em junho na França, o que não estava nos planos. O evento reúne os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. O Brasil vai como convidado do anfitrião, o presidente francês, Emmanuel Macron.

“Eu nem ia no G7, agora eu vou. É preciso alguém tentar colocar ordem na casa e parar essa coisa de desmonte do multilateralismo, da democracia e desvalorização das instituições. Se a ONU não está funcionando hoje, não é destruindo a ONU que a gente vai consertar o mundo, é reconstruindo a ONU”, disse Lula, reafirmando sua defesa de fortalecimento das Nações Unidas e da reforma do seu Conselho de Segurança.

Negociação

Foto: Divulgação/Porto de Santos

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) a decisão tarifária dos Estados Unidos ameaça diretamente 21% do total das exportações brasileiras rumo ao mercado norte-americano.

O governo brasileiro e empresas prejudicadas poderão se manifestar sobre o relatório final da USTR até o dia 15 de julho, quando os EUA poderão passar a adotar “medidas corretivas” contra o Brasil.

Para Lula, a atitude dos estadunidenses é insensata já que havia uma negociação em curso entre os dois países. Ele lembrou que, em maio, acordou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de 30 dias para que se chegasse a um acordo sobre a questão comercial.

Os dois se reuniram na Casa Branca e, na ocasião, o presidente brasileiro entregou documentos que comprovavam a relação comercial favorável dos EUA com o Brasil. Segundo ele, nos últimos 15 anos, o superávit comercial dos Estados Unidos foi US$ 415 bilhões.“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles”, disse Lula hoje.

Fonte: Agência Brasil
Continue Lendo

Notícias

EUA propõem tarifas a 60 países, incluindo o Brasil

Escritório de Comércio norte-americano sugere sobretaxas de até 12,5% sobre importações e abre consulta pública antes da decisão final.

Publicado em

em

Foto: Allan Santos/PR

O governo dos Estados Unidos deu mais um passo na ampliação de sua política comercial protecionista ao propor novas tarifas sobre produtos importados de 60 países, entre eles o Brasil. A iniciativa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e prevê uma sobretaxa de até 12,5% para produtos brasileiros que entram no mercado norte-americano.

Foto: Divulgação

A proposta está vinculada a investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos de 1974, instrumento legal que permite ao governo norte-americano apurar práticas consideradas prejudiciais aos interesses comerciais do país e, eventualmente, adotar medidas de retaliação.

Segundo o USTR, a nova rodada de tarifas está relacionada à avaliação das políticas adotadas pelos países investigados para prevenir e combater o comércio de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Na avaliação do órgão, falhas nesses mecanismos podem criar distorções competitivas e restringir o comércio norte-americano.

Brasil entre os países com maior alíquota proposta

Enquanto parte dos países investigados foi enquadrada em uma alíquota adicional de 10%, o Brasil aparece no grupo sujeito à tarifa de 12,5%.

A proposta brasileira está inserida em um conjunto de medidas que alcança outros 44 países analisados pelo governo

Foto: Divulgação

dos Estados Unidos. Já Canadá, União Europeia, México, Indonésia, Paquistão, Argentina, Bangladesh, Camboja, Guatemala, Malásia, Taiwan, Equador e El Salvador integram o grupo que poderá ser submetido à tarifa adicional de 10%.

Caso seja implementada, a medida poderá aumentar os custos de acesso ao mercado norte-americano para diversos produtos exportados pelo Brasil, reduzindo a competitividade frente a concorrentes internacionais.

Instrumento de pressão comercial

A Seção 301 é considerada uma das principais ferramentas de política comercial dos Estados Unidos. O mecanismo ganhou destaque nos últimos anos durante disputas comerciais com diferentes parceiros internacionais e permite ao governo norte-americano impor restrições tarifárias mesmo sem a intermediação de organismos multilaterais.

A atual iniciativa também ocorre em um contexto de retomada de medidas emergenciais defendidas pelo governo Donald Trump. Parte dessas tarifas havia sido anulada anteriormente por decisão da Suprema Corte norte-americana, levando a administração federal a buscar novos caminhos regulatórios para restabelecê-las.

Consulta pública antes da decisão final

As tarifas ainda não estão em vigor. O USTR abriu período de consulta pública para receber contribuições de empresas, entidades e governos potencialmente afetados pelas medidas.

As manifestações poderão ser apresentadas até 06 de julho. No dia seguinte, 07 de julho, está prevista uma audiência pública para discussão das propostas.

Somente após a análise das contribuições o governo norte-americano decidirá se as tarifas serão implementadas e em quais condições, etapa que será acompanhada com atenção por exportadores e setores produtivos dos países envolvidos.

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.