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Avicultura 26º SBSA

Velocidade de abate e peso do frango determinam contaminação e rendimento no abatedouro

Especialistas defendem ajuste da evisceração, padronização de lotes e revisão de protocolos para reduzir condenações e elevar rendimento da carcaça.

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Doutora em Bioquímica e Biologia Molecular, Dianna Bourassa: "A falta de padronização dificulta comparações diretas entre países. Alinhar métodos e padronizar o que estamos fazendo, medindo e testando ajudará muito" - Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

Entre todas as etapas que compreendem a cadeia da avicultura, o abatedouro é uma das mais complexas. Essa etapa envolve toda uma estrutura industrial para garantir que o produto chegue ao consumidor com qualidade e segurança. O médico-veterinário Darwem de Araújo Rosa discutiu estratégias de velocidade de processamento e qualidade do abate, nesta quarta-feira (08), durante a programação científica do 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA), promovido pelo Núcleo Oeste de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), no Centro de Cultura e Eventos de Chapecó.

Médico-veterinário Darwem de Araújo Rosa: “ Uma das maneiras de eu baixar o custo de produção é subir o peso do frango. A conta é muito simples. No entanto, preciso avaliar qual condição de instalação tenho nas linhas de evisceração para receber esse peso a mais” – Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

Darwen abordou desafios em legislação, matéria-prima, logística e abatedouro. O médico-veterinário salientou a importância de alcançar uniformidade nos lotes, olhando para o peso do frango vivo. Dentro de um mesmo lote, há variações significativas de peso e desenvolvimento, formando subpopulações que afetam o desempenho.

O consultor repercutiu sobre os efeitos que a velocidade de abate provoca na carcaça. Citou como exemplo o impacto do peso. “Como gestor, eu quero ter o menor custo de produção. Uma das maneiras de eu baixar o custo de produção é subir o peso do frango. A conta é muito simples. No entanto, preciso avaliar qual condição de instalação tenho nas linhas de evisceração para receber esse peso a mais”, destacou.

De acordo com Darwen, a velocidade de abate é fator determinante, condição que impacta também na contaminação, hoje uma das principais causas de condena das carcaças. “Diferente do que alguns possam imaginar, quanto mais alta a velocidade, menor é a contaminação. Os equipamentos não foram feitos para trabalhar em velocidade lenta. Quando trabalho num ritmo lento, eu aumento o tempo de tração e isso leva a uma maior contaminação”, pontuou.

Um abatedouro subutilizado também pode repercutir negativamente no rendimento da cadeia produtiva, provocando aumento do custo de produção. “Quanto mais eu abater, mais eu reduzo custos, pois o abatedouro funcionando vai exigir o mesmo número de equipe, volume de água, energia. Quando tenho um abate de baixa eficiência, com muitos cancelamentos, paradas, cai o rendimento e piora a qualidade das carcaças”, mencionou.

O controle de abate e qualidade da carcaça, portanto, exige uma abordagem multifatorial. Diante desse cenário, o especialista propõe estratégias como revisar o tamanho da nória, adotar medidas para redução das patologias, padronizar o peso, precisar a sexagem de aves, pois o abate misto aumenta os indicadores de contaminação, revisar o jejum de 12 horas e avaliar se esse período pode ser estendido, além de estimular compartilhamento de metas em equipe, envolvendo agropecuária, logística e abatedouro, para melhorar o resultado final.

Segurança dos Alimentos

Ainda no mesmo bloco de debates, a doutora em Bioquímica e Biologia Molecular, Dianna Bourassa, fez um comparativo microbiológico entre países no contexto da segurança dos alimentos. Ela especificou as abordagens dos Estados Unidos, do Brasil e da União Europeia em relação ao controle de patógenos como a Salmonella, o Campylobacter, a Escherichia coli, além da resistência a antimicrobianos, na perspectiva das estruturas regulatórias, sistemas de produção e processamento, além de influências culturais.

Segundo Dianna, a Salmonella é o principal foco de regulamentações internacionais. “É o microrganismo que todos estão trabalhando para reduzir. Não vamos eliminar a Salmonella nos produtos crus – isso é inviável, mas quando falamos em controle, queremos reduzir o risco da presença desse patógeno na carne de aves”, salientou.

Foto: Suellen Santin/MB Comunicação

Embora a União Europeia, os Estados Unidos e o Brasil tenham políticas diferentes para gestão da Salmonella, todos têm como objetivo comum reduzir o risco à saúde pública. Nos EUA, por exemplo, o controle regulatório se concentra no produto final e não nas aves vivas. Já no Brasil e na União Europeia, os processos são mais similares entre si e abrangentes, cujo controle vai desde as aves vivas até o produto final. “Nos Estados Unidos, a inspeção em aves vivas, antes do abate, até começou a ser abordada por um quadro regulatório, mas devido à situação política atual, foi retirada e está em processo de revisão”, explicou.

Entre as estratégias mais promissoras para avançar na segurança dos alimentos mundialmente está a padronização dos métodos de amostragem e testes. “A falta de padronização dificulta comparações diretas entre países. Alinhar métodos e padronizar o que estamos fazendo, medindo e testando ajudará muito”, frisou.

Para a doutora, a segurança dos alimentos é um desafio científico e também uma responsabilidade moral. “Os principais fatores que influenciam a segurança dos alimentos entre países incluem o quadro regulatório, que define o que podemos ou não fazer, a forma como produzimos e processamos as aves, influências culturais, desenvolvimento de novas ferramentas e treinamento técnico. Os sistemas relacionados à inocuidade da carne de aves diferem muito na forma como são implementados em cada país, mas não tanto na compreensão do que constitui um alimento seguro. O frango seguro depende de toda a cadeia, inclusive dos consumidores”, evidenciou.

Programação geral

  • 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura
  • 17ª Brasil Sul Poultry Fair

 Quarta-feira (08)

Painel Manejo

14h – Manejo do Frango de Corte Moderno

Palestrantes:

Lucas Schneider

Rodrigo Tedesco Guimarães

16h – Intervalo

Bloco Conexões que Sustentam o Futuro

16h30 – Do conhecimento à ação: como transformar orientações em resultados na avicultura.

Palestrante: Kali Simioni e João Nelson Tolfo

(15 minutos de debate)

17h30 – Porque bem-estar é crucial para a sustentabilidade?

Palestrante: Prof. Celso Funcia Lemme

(15 minutos de debate)

18h30 – Eventos Paralelos

19h30 – Happy Hour na 18ª Brasil Sul Poultry Fair

Quinta-feira (09)

Bloco Sanidade

08h – Tríade do diagnóstico de Laringotraqueíte infecciosas – enfoque nos diferentes métodos de diagnóstico das doenças respiratórias

Palestrante: Prof. Renata Assis Casagrande

(15 minutos de debate)

09h Micotoxinas: a ameaça silenciosa à saúde intestinal das aves.

Palestrante: Dr. Ricardo Rauber

(15 minutos de debate)

10h – Intervalo

10h30 – Gumboro em foco: avanços recentes e novas fronteiras no controle da doença.

Palestrante: Gonzalo Tomás

(15 minutos de debate)

11h30 – Influenza aviária – plano de contingência em caso real.

Palestrante: Taís Barnasque

(15 minutos de debate)

Sorteios de brindes.

Fonte: Assessoria Nucleovet

Avicultura Editorial

O Nordeste avícola já não cabe no rodapé

Região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta

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Foto: Divulgação/Arquivo OPR

A avicultura nordestina não nasceu agora, nem depende de descoberta recente para provar sua relevância. Há empresas, marcas, produtores e famílias que construíram trajetória na atividade por décadas. O que mudou é a escala da discussão. A região, por muito tempo observada apenas pela baixa participação no abate nacional sob inspeção federal, começa a aparecer com mais força em indicadores que mostram capacidade produtiva, alojamento de pintainhos, produção de ovos, genética, integração, verticalização e novos investimentos.

Essa diferença importa. Quando se olha apenas para o abate, o Nordeste ainda parece pequeno diante da força histórica do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste. Mas a fotografia fica incompleta. A região respondeu por uma fatia relevante do alojamento nacional de pintainhos de corte em 2025, avança na postura comercial, abriga operações integradas, amplia a produção de ovos, mantém presença em genética avícola e passa a se beneficiar da aproximação dos grãos produzidos no Matopiba.

Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.

O Ceará é um dos exemplos mais claros dessa mudança de patamar. A avicultura está distribuída por dezenas de municípios, gera empregos, sustenta uma produção expressiva de ovos e frangos e reúne empresas que operam da ração à distribuição. A presença de uma granja de avós no estado também coloca a região em uma etapa estratégica da cadeia, muito além da produção de commodity.

A Bahia, por sua vez, mostra outro lado desse movimento: crescimento em alojamento, avanço na produção de ovos e potencial de expansão, mas também uma disputa dura contra custos, logística, energia, crédito e infraestrutura. O sinal é importante porque revela que o crescimento existe, mas não se sustenta apenas com demanda. Precisa de indústria, estrada, armazenagem, assistência técnica, mão de obra e ambiente de negócios.

Esta edição de O Presente Rural olha para o Nordeste sem folclore. Não se trata de afirmar que a avicultura brasileira mudou de endereço. O centro nacional da produção continua fortemente ancorado em regiões tradicionais. Mas também já não é possível tratar o Nordeste como nota lateral. A região construiu história, ganhou escala e entrou de forma mais consistente na conta dos investimentos avícolas do país. O rodapé ficou pequeno para o tamanho dessa pauta.

A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: Editorial escrito por Giuliano De Luca, jornalista e editor-chefe de O Presente Rural.
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Avicultura

Sanidade, inovação e gestão estão entre os destaques da nova edição de Avicultura

Publicação reúne reportagens sobre o avanço da avicultura nordestina, sucessão familiar, biosseguridade, saúde animal e os principais temas que movimentam o setor.

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A nova edição do jornal Avicultura, de O Presente Rural, reúne reportagens sobre os principais desafios, oportunidades e transformações da cadeia avícola brasileira. A publicação destaca, na reportagem de capa, o avanço da avicultura nordestina, que vem ampliando sua escala de produção e fortalecendo sua participação no setor.

Foto: Shutterstock

A edição também traz uma cobertura sobre o Alimenta 2027, evento que levará a Cascavel um congresso e uma feira voltados à proteína animal, reforçando o município como um dos principais polos do agronegócio brasileiro.

Outro tema em destaque é o alerta para a laringotraqueíte, enfermidade que também preocupa a avicultura de corte e exige atenção dos produtores quanto às medidas de prevenção e biosseguridade.

Foto: Shutterstock

A sucessão familiar no campo também ganha espaço nas páginas do jornal. A reportagem “O filho não saiu do campo, foi afastado da gestão” aborda os desafios enfrentados pelas famílias rurais na preparação das novas gerações para assumir a administração das propriedades.

A publicação ainda apresenta um panorama da indústria de saúde animal, que movimenta quase R$ 2 bilhões com a avicultura, evidenciando a importância do segmento para a sanidade e a produtividade das granjas.

Entre as reportagens especiais, a edição conta a trajetória de uma professora

Foto: Shutterstock

que contribuiu para a formação de profissionais e para o desenvolvimento de uma das maiores potências avícolas do país. Também traz uma análise sobre uma das etapas mais importantes da cadeia produtiva: o abate de aves, abordando os desafios relacionados à velocidade da linha, à qualidade da carcaça e à segurança do processo.

Além das reportagens, a nova edição reúne artigos técnicos assinados por especialistas, com conteúdos voltados ao manejo, sanidade, nutrição, bem-estar animal, tecnologia e inovação, além de apresentar novidades das principais empresas que atuam no setor avícola.

A edição também está disponível gratuitamente em versão digital, permitindo que produtores, técnicos, pesquisadores e profissionais da cadeia tenham acesso ao conteúdo completo, acesse clicando aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura No Noroeste do Estado

Rio Grande do Sul confirma foco de gripe aviária em aves de subsistência

Medidas de contenção e vigilância foram adotadas após a confirmação laboratorial. Comércio de produtos avícolas segue sem restrições.

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Foto: Divulgação/Ilustração

O Rio Grande do Sul confirmou o primeiro caso de Influenza aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em aves de subsistência. O foco foi identificado no município de Coqueiros do Sul, no Noroeste do Estado, e confirmado na última sexta-feira (18) pelo Laboratório Federal de Defesa Agropecuária (LFDA), em Campinas (SP).

Foto: Divulgação

A suspeita foi atendida por equipes do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal (DDA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), após notificação registrada em 14 de julho. As amostras coletadas foram encaminhadas ao laboratório de referência da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), que confirmou a presença do vírus.

De acordo com a Seapi, o registro ocorreu em aves de fundo de quintal e não altera o status sanitário do Rio Grande do Sul e do Brasil em relação à influenza aviária de alta patogenicidade. Por isso, não há impacto sobre o comércio de produtos avícolas.

A secretaria também reforça que o consumo de carne de frango e ovos permanece seguro, uma vez que a doença não é transmitida por alimentos.

Como medida de contenção, o Serviço Veterinário Oficial do Rio Grande do Sul realizará inspeções em propriedades rurais e granjas localizadas em um raio de 10 quilômetros do foco, além de ações de vigilância epidemiológica e orientação aos produtores.

Foto: Divulgação/Seapi

A Influenza aviária é uma doença viral altamente contagiosa que acomete principalmente aves, embora também possa infectar mamíferos e, em situações raras, seres humanos.

A Seapi orienta que a população não manipule aves doentes ou mortas. Casos suspeitos, caracterizados por sinais respiratórios, alterações neurológicas ou mortalidade elevada e repentina, devem ser comunicados imediatamente ao Serviço Veterinário Oficial por meio das Inspetorias de Defesa Agropecuária ou dos canais oficiais da secretaria.

Fonte: O Presente Rural
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