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VBP da pecuária de corte recua quase 17% e soja registra pequeno crescimento em Tocantins

O VBP tocantinense em 2023 atingiu a marca de R$ 18,4 bilhões, representando um leve recuo em relação aos R$ 18,6 bilhões alcançados no ano anterior e uma diminuição mais expressiva em comparação aos R$ 19,1 bilhões registrados em 2021.

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Foto: Shutterstock

A pecuária de corte no Estado de Tocantins teve uma queda acentuada de quase 17% no Valor Bruto de Produção (VBP), contrastando com o pequeno crescimento observado na produção de soja. As projeções foram divulgadas em novembro pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Os números devem ser consolidados pelo Mapa em janeiro deste ano.

O Valor Bruto de Produção (VBP) do Tocantins em 2023 atingiu a marca de R$ 18,4 bilhões, representando um leve recuo em relação aos R$ 18,6 bilhões alcançados no ano anterior e uma diminuição mais expressiva em comparação aos R$ 19,1 bilhões registrados em 2021. Em termos nacionais, o VBP do Tocantins contribui com 1,7% do VBP total do Brasil, ocupando a 13ª posição no ranking dos Estados que mais colaboram para o VBP nacional.

No desdobramento setorial, as lavouras respondem por 73% do VBP do Estado em 2023, enquanto as atividades pecuárias representaram os 27% restantes. Entre as culturas de destaque, a soja liderou o faturamento com R$ 9,1 bilhões, evidenciando um crescimento modesto em relação aos R$ 8,9 bilhões de 2022. Em contrapartida, a bovinocultura de corte, a segunda atividade mais relevante, registrou uma queda significativa, passando de R$ 5,3 bilhões em 2022 para R$ 4,4 bilhões em 2023.

Ainda no segmento de grãos, o milho manteve um desempenho estável, com um VBP de R$ 1,81 bilhões em 2023, praticamente igual aos R$ 1,82 bilhões do ano anterior. Já a cultura do arroz, ocupando a quarta posição em termos de VBP, apresentou leve crescimento atingindo R$ 1,2 bilhão em 2023 contra R$ 1 bilhão em 2022.

Para conferir o desempenho das principais atividades agropecuárias de 2023 e as expectativas para 2024 acesse a versão on-line do Anuário do Agronegócio Brasileiro clicando aqui. Boa leitura e um excelente 2024!

 

Fonte: O Presente Rural

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Indonésia negocia venda de 1 milhão de toneladas de fertilizantes ao Brasil e países asiáticos

Produção de ureia supera demanda interna e governo busca ampliar exportações em meio à restrição global de oferta causada pela guerra envolvendo o Irã.

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Foto: Raylton Alves/Agência ANA

A Indonésia abriu negociações para direcionar 1 milhão de toneladas de fertilizantes a Brasil, Índia, Filipinas e Tailândia. O movimento ocorre em um momento de restrição internacional na oferta de nutrientes agrícolas, pressionada pelos desdobramentos da guerra envolvendo o Irã e seus efeitos sobre energia, logística e custos industriais.

O volume em discussão se soma a outras 250 mil toneladas já embarcadas recentemente para a Austrália, segundo informações divulgadas pelo gabinete presidencial indonésio.

O país asiático opera hoje com produção anual de 7,8 milhões de toneladas de ureia, enquanto o consumo interno gira em torno de 6,3 milhões de toneladas. A diferença entre oferta e demanda doméstica cria espaço para exportações adicionais em um cenário em que diversos mercados enfrentam dificuldade de abastecimento.

A disponibilidade indonésia ganha relevância para países importadores justamente no momento em que a elevação dos preços do petróleo e as incertezas geopolíticas encarecem a produção e o transporte de fertilizantes nitrogenados, cuja base industrial está diretamente ligada ao gás natural.

Autoridades internacionais de comércio alertaram nos últimos dias que a escassez de fertilizantes tende a atingir com maior intensidade países em desenvolvimento, mais sensíveis à volatilidade de preços e com menor capacidade de formar estoques estratégicos.

Para o Brasil, que depende fortemente de importações para suprir a demanda de ureia, a eventual entrada desse volume no mercado pode representar alívio pontual em um ambiente de oferta restrita e custos elevados.

Fonte: O Presente Rural
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Brasil soma mais de 200 invasões de propriedades rurais nos últimos três anos

Em 2026, já foram registradas 33 ocorrências. Em 2025, o país teve o maior número de invasões da última década.

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Fotos: Divulgação/FPA

De janeiro até meados de abril deste ano, o país já registrou 33 invasões a propriedades rurais, de acordo com dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Desse total, 14 ocorreram apenas em abril, o que reforça a escalada recente dos casos. Ao todo, 32 episódios foram promovidos ou vinculados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

2º vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no Senado, senador Jaime Bagattoli: “Esse é um problema muito sério no Brasil, especialmente na produção primária, e nós precisamos garantir segurança jurídica aos proprietários de terra, independentemente de serem pequenos, médios ou grandes produtores”

Para o 2º vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) no Senado, senador Jaime Bagattoli (PL-RO), as invasões afetam todo o setor, independentemente do porte da propriedade. Segundo ele, na Amazônia, até mesmo pequenas áreas já foram alvo de ocupações. “Esse é um problema muito sério no Brasil, especialmente na produção primária, e nós precisamos garantir segurança jurídica aos proprietários de terra, independentemente de serem pequenos, médios ou grandes produtores”, destacou.

 

O levantamento da CNA também mostra que 2025 foi o ano com maior número de invasões da última década. Ao todo, foram 90 ocorrências no ano passado, das quais 81 foram promovidas ou vinculadas ao MST. Os dados ainda apontam concentração dos casos no mês de abril, quando foram registradas 43 invasões.

Ainda conforme a entidade, os últimos três anos indicam uma tendência de alta nas invasões. De 2023 até 15 de abril de 2026, foram contabilizados 241 casos em todo o país.

Gráfico invasões

Projetos miram prevenção

Com o número crescente de invasões, algumas medidas podem servir como prevenção contra esses atos. É o caso do Projeto de Lei 4.432/2023, de autoria do coordenador da Comissão de Seguro Rural da FPA, deputado Rodolfo Nogueira (PL-MS). A proposta cria o Cadastro Nacional de Invasões de Propriedades (CNIP).

Esse cadastro seria integrado ao Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp) e teria registro de ocorrências de invasões de propriedades, tanto públicas como privadas. Também seriam registradas as ações realizadas pelas forças de segurança, bem como apontamentos se houve participação de menores ou de pessoas com armas.

Coordenador da Comissão de Seguro Rural da FPA, deputado Rodolfo Nogueira: “O governo Lula trouxe o MST para dentro do governo desde o início do mandato, contribuindo para as invasões no campo todos os anos aqui no Brasil”

O texto tem o intuito de facilitar a identificação e responsabilização dos invasores. O projeto tem apreciação conclusiva nas comissões, no entanto, há um recurso pedindo a revisão da tramitação para que a matéria seja analisada também no Plenário da Câmara. O recurso aguarda deliberação da Mesa Diretora. “O governo Lula trouxe o MST para dentro do governo desde o início do mandato, contribuindo para as invasões no campo todos os anos aqui no Brasil. A FPA está hoje em uma ofensiva no Congresso Nacional e tem apresentado projetos para combater o esbulho possessório e, especialmente, penalizar criminosos. Quem invade propriedade privada é criminoso e tem que ser tratado assim”, afirmou Nogueira.

Há ainda o Projeto de Lei 1.198/2023, apresentado pelo deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO). A matéria altera o Código Penal brasileiro para dar mais peso ao crime de esbulho possessório —  que é quando o dono de imóvel fica impossibilitado de controlar e usar o seu bem por causa de uma invasão.

Atualmente, a legislação prevê uma pena de um a seis meses de detenção e multa. A proposta amplia a punição para quatro a oito anos de prisão, além da multa. O texto está tramitando na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara e ainda deve passar pelo Plenário da Casa.

Na mesma linha, o Projeto de Lei 6.612/2025 também modifica o Código Penal, porém para criar uma tipificação penal própria para invasão de propriedades rurais. Neste caso, a proposição do deputado Rodolfo Nogueira, diferencia os tipos de ocupação:

  • aquela que ocorre para reivindicar políticas públicas;
  • aquela que acontece em área já designada para desapropriação, porém o proprietário ainda não recebeu a indenização.

O projeto também pune quem patrocina e financia essas invasões. Em todos os casos, a pena proposta é de quatro a dez anos de reclusão e multa. Caso a ocupação seja em terra produtiva, a pena é dobrada, e se for cometido por mais de duas pessoas há o aumento de um terço.

Deputado Dilceu Sperafico: “O direito de propriedade é constitucional, mas hoje não há segurança jurídica para o proprietário rural”

A matéria aguarda análise na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) da Câmara dos Deputados. Depois, a proposta ainda deve passar pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) e pelo Plenário.

O integrante da FPA, deputado Dilceu Sperafico (PP-PR), destacou a preocupação dos produtores diante do aumento das invasões e defendeu o avanço de matérias que garantam mais segurança no campo. “O direito de propriedade é constitucional, mas hoje não há segurança jurídica para o proprietário rural. Tivemos muitas invasões de terras nos últimos anos, e isso tem gerado intranquilidade e até o risco de queda na produção nacional. Muitos produtores acabam se afastando da atividade por medo”, disse.

Fonte: Assessoria FPA
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Tensão no Oriente Médio muda padrão sazonal de compra de fertilizantes em 2026

Escalada geopolítica, custos elevados e dificuldades logísticas reduzem chances de alívio nos preços para negociações mais favoráveis ao produtor.

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Fotos: Claudio Neves

O segundo trimestre, tradicionalmente visto como uma janela de oportunidade para compradores de fertilizantes, deverá ser marcado por um cenário significativamente mais adverso em 2026. A avaliação consta da 35ª edição do Relatório Trimestral de Perspectivas para Commodities da StoneX, lançado na última terça-feira (14), e reflete os impactos persistentes do conflito no Oriente Médio sobre preços, logística e decisões de compra em escala global. O relatório pode ser baixado gratuitamente clicando aqui.

Em anos de maior estabilidade geopolítica, a sazonalidade da demanda em grandes mercados importadores, como Brasil e Índia, costuma reduzir a pressão compradora neste período, enfraquecendo os preços e favorecendo negociações para aplicações do segundo semestre, como a safra de verão brasileira e a safra Kharif indiana. Em 2026, no entanto, esse padrão histórico foi profundamente alterado. “A combinação entre redução temporária da produção em alguns países, entraves logísticos no Estreito de Ormuz e a forte escalada de preços observada após os episódios de tensão militar diminuiu de forma significativa a probabilidade de o segundo trimestre se consolidar como um momento favorável para compras”, afirma Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

No mercado de nitrogenados, caracterizado por elevada volatilidade, ainda existe algum espaço para correções pontuais ao longo dos próximos meses, especialmente diante da reabertura do Estreito de Ormuz. “A normalização parcial das rotas é um fator positivo, mas há baixa expectativa de que as condições logísticas retornem rapidamente aos níveis pré-conflito. Mesmo com algum alívio nos preços, gargalos como atrasos, contratos represados e baixa disponibilidade de navios devem seguir sustentando as cotações”, explica Pernías.

A fragilidade do poder de compra dos produtores fica evidente nos Estados Unidos. Uma pesquisa recente do Farm Bureau, realizada entre 3 e 11 de abril com mais de 5.700 agricultores, mostra que uma parcela expressiva não realizou compras antecipadas de fertilizantes, e, em um contexto de forte valorização dos insumos desde o início do conflito no Oriente Médio, haverá dificuldade para comprar os insumos necessários para as aplicações.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Entre o início das tensões e a primeira semana de abril, os preços FOB da ureia negociada em barcaças em Nova Orleans avançaram cerca de 47%, deteriorando o poder de compra no campo. Como consequência, aproximadamente 70% dos produtores entrevistados afirmam não ter capacidade financeira para adquirir todo o volume necessário de fertilizantes.

O levantamento também revela disparidades regionais relevantes. No Sul dos Estados Unidos, apenas 19% dos agricultores relataram compras antecipadas, enquanto no Nordeste esse percentual sobe para 30%. Nessas regiões, a predominância de aquisições próximas ao período de aplicação aumenta a exposição à volatilidade de preços e eleva o risco de restrições no acesso aos insumos ao longo da safra.

A dinâmica varia ainda entre culturas: produtores de algodão e arroz apresentam os menores níveis de compra antecipada, tornando essas lavouras particularmente sensíveis às disrupções recentes. “O quadro financeiro dos agricultores ajuda a explicar essa postura mais cautelosa. Cerca de 94% dos entrevistados relataram que sua situação financeira piorou ou permaneceu inalterada em relação ao ano anterior, o que influencia não apenas as decisões de compra, mas também os níveis de aplicação e até a definição das áreas plantadas”, observa Pernías.

Oferta restrita de fosfatados e potássicos

No segmento de fosfatados, o cenário segue ainda mais rígido. A oferta global permanece restrita, tanto pelas dificuldades de escoamento da produção em países do Oriente Médio quanto pelos planos de manutenção industrial no Marrocos e pelas incertezas em torno das exportações chinesas.

Além disso, o setor enfrenta custos elevados de matérias-primas essenciais, como amônia e enxofre, o que reduz a viabilidade de ajustes expressivos nos preços. “Esse conjunto de fatores aumenta o risco concreto de destruição de demanda ao longo de 2026, sobretudo em um ambiente de margens agrícolas pressionadas”, avalia o analista.

No mercado de potássicos, especialmente o cloreto de potássio (KCl), as condições relativas de aquisição ainda se mostram menos restritivas do que nos mercados de ureia e MAP. Ainda assim, o ambiente permanece cercado de incertezas.

Com margens comprimidas, existem chances de que os produtores passem a priorizar nitrogenados e fosfatados, postergando compras de KCl. Soma-se a isso o impacto de fretes marítimos mais caros, seguros elevados e a persistência do risco geopolítico, fatores que também pressionam esse segmento. “As chances de que o segundo trimestre ofereça um ambiente realmente atrativo para compras de potássicos também diminuíram. Embora as relações de troca devam permanecer melhores do que em outros mercados, isso está longe de representar condições ideais”, pontua Pernías.

No radar do setor estão ainda as negociações de contratos de longo prazo, como o da Índia, que definem referências internacionais de preços e costumam limitar aquisições a valores inferiores aos praticados em China e Índia.

Gestão de riscos

De forma geral, a valorização dos fertilizantes, a rigidez dos preços e a fragilidade financeira do produtor aumentam a probabilidade de decisões difíceis nos próximos meses: aceitar custos mais elevados e operar com margens apertadas ou reduzir aplicações e assumir riscos de produtividade.

Em cenários mais adversos, ambos os movimentos podem ocorrer simultaneamente. “O gerenciamento de riscos e uma gestão eficiente dos custos da lavoura serão decisivos para a sustentabilidade do negócio agrícola em 2026”, analisa Pernías.

Embora a reabertura do Estreito de Ormuz represente um alívio pontual, a normalização ampla do mercado tende a ser lenta. À medida que o ano avança, compradores que necessitam de insumos para o segundo semestre terão cada vez menos espaço para adiar decisões, tornando inevitável a realização de negociações, ainda que para volumes menores e a preços pouco atrativos.

Fonte: Assessoria StoneX
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