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Valor da produção agrícola nacional cresceu 5,1% em 2019
Informações são do estudo do IBGE Produção Agrícola Municipal (PAM) 2019 que investiga área, produção, rendimento e valor da produção

O valor da produção agrícola do país teve nova alta em 2019, crescendo 5,1% e atingindo R$ 361 bilhões, novo recorde na série histórica iniciada em 1974. Em 2018, o valor havia subido 8,3%. A alta de 2019 foi puxada pelos grãos (6,8%), cujo valor total chegou a R$ 212,6 bilhões, com destaque para a escalada das commodities feijão (33,6%), milho (26,3%) e algodão (24,8%).
Essas são algumas informações da Produção Agrícola Municipal (PAM) 2019 que investiga área, produção, rendimento e valor da produção para 64 produtos agrícolas. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (1º) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Nos próximos dias, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) irá divulgar os dados do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), que é um indicador de desempenho da agropecuária elaborado com base em dados do IBGE e da Conab.
A área plantada pela atividade agrícola do país cresceu 3,3% frente a 2018, totalizando 81,2 milhões de hectares. Foram destaques os acréscimos de 1,2 milhão de hectares no cultivo de milho e de 1,1 milhão de hectares para a soja.
A safra recorde de grãos de 2019 superou em 6,8% a produção de 2018 e ultrapassou a supersafra de 2017 em 1,9%, totalizando 243,3 milhões de toneladas. Puxaram esse acréscimo o milho, com alta de 22,8%, e o algodão herbáceo (caroço), alta de 39,1%. Houve redução da produção de soja (3,1%) e do arroz (12,2%).
Com produção recorde de algodão herbáceo em 2019 (6,9 milhões de toneladas), o Brasil elevou o volume de exportação do algodão bruto em 65,7%, tornando-se o segundo maior exportador mundial, atrás apenas dos EUA. Mato Grosso e Bahia respondem por 89,2%% do total da produção.
Responsável por 59,1% do valor de produção dos grãos, a soja manteve a primeira posição em valor da produção, entre as principais culturas do país, totalizando R$ 125,6 bilhões, mas caiu 1,8% em relação a 2018.
Entre as grandes regiões, o Centro-Oeste alcançou o maior valor de produção agrícola, R$ 107,9 bilhões, 12,2% superior ao ano anterior, sendo a soja a principal lavoura, seguida do milho e da cana-de-açúcar. Na região, o líder foi Mato Grosso, com a geração de R$ 58,4 bilhões, ou 54,1% do valor regional.
O município com o maior valor de produção agrícola foi Sorriso (MT), com R$ 3,9 bilhões, o equivalente a 1,1% do valor de produção agrícola do país. Entre os 50 municípios com os maiores valores de produção agrícola, 22 estavam no Mato Grosso e somam um valor de produção de R$ 37,1 bilhões.
Sorriso (MT) foi o maior produtor de soja e de milho do país. Já Sapezal, também no Mato Grosso, foi o que mais produziu algodão herbáceo. A produção de trigo foi liderada por Palmeira das Missões (RS) e a do café, por Patrocínio (MG).
O recorde de R$ 361,0 bilhões do valor da produção da safra 2019 foi puxado pelos aumentos na produção de três importantes commodities brasileiras: o milho (22,8%), que ultrapassou pela primeira vez a marca de 100 milhões de toneladas (101,1 milhões de toneladas); o algodão herbáceo (39,1%), que atingiu recorde de produção de 6,9 milhões de toneladas, e a cana-de-açúcar (0,8%), um dos principais produtos agrícolas nacionais e que apresentou recuperação frente ao ano anterior.
Merece destaque o algodão herbáceo (em caroço), que registrou o terceiro ano consecutivo de crescimento da cultura. O produto renovou o recorde alcançado no ano anterior e atingiu a marca de 6,9 milhões de toneladas no volume de produção (alta de 39,1%) e valor de produção de R$ 16,0 bilhões (alta de 24,8%).
Já a soja, principal commodity agrícola produzida no País, mesmo evidenciando expansão de 3,2% na área colhida, apresentou retração (-3,1%) no volume produzido em 2019, em virtude de fatores climáticos adversos em algumas importantes regiões produtoras.
No ranking das 10 culturas que mais geram valor à produção, houve duas alterações em 2019. A laranja superou a mandioca, passando a ocupar a sexta posição em valor de produção, e o feijão voltou a figurar na 10ª posição. A soja, mesmo com retração de 1,8% no ano, totalizou R$ 125,6 bilhões, se mantendo na primeira posição. Na sequência, aparecem a cana-de-açúcar (R$ 54,7 bilhões), com alta de 5,3%, e o milho (R$ 47,6 bilhões), com expressivo aumento de 26,3%.

Nos últimos 25 anos, a soja saiu da terceira posição no ranking para o primeiro. Com os atuais R$ 125,6 bilhões, cresceu 3.449% em valor nominal desde 1995. O acréscimo de área colhida foi de 207,3%, passando de 11,7 milhões de hectares, em 1995, para 35,9 milhões de hectares em 2019. Nesse intervalo de tempo, o volume de soja produzido teve um crescimento de 344,9%, sendo que o rendimento médio da cultura aumentou 44,8%, saindo do patamar de 2.199 quilos por hectare em 1995 para 3.185 kg/ha em 2019.
No mesmo período, o segundo maior acréscimo percentual no valor de produção foi da cana-de-açúcar, com alta de 1.225,9%. O milho, porém, não ficou muito atrás (1.216,1%).
Safra de grãos bate recorde alcançado em 2017
A safra do grupo dos cereais, leguminosas e oleaginosas de 2019 superou em 6,8% a produção da safra 2018 e em 1,9% a de 2017, produzindo 243,3 milhões de toneladas. Os principais responsáveis por este acréscimo foram o milho (22,8%) e o algodão herbáceo (39,1%). Em contrapartida, houve redução na soja (-3,1%) e no arroz em (-12,2%).
O grupo atingiu novo recorde também em valor de produção: R$ 212,6 bilhões, com alta de 6,8%. O resultado foi impulsionado principalmente pelos acréscimos do algodão herbáceo (24,8%), do milho (26,3%) e do feijão (33,6%).
Soja – O valor de produção da soja, que compõe 59,1% do total do grupo de cereais, leguminosas e oleaginosas, caiu 1,8%, totalizando R$ 125,6 bilhões. E a produção finalizou 2019 com uma retração de 3,1%, somando 114,3 milhões de toneladas.
Sorriso (MT) foi o município que mais produziu soja em 2019 (2,1 milhões toneladas), embora com uma produção 4,0% menor que a de 2018. Em seguida, vieram Nova Mutum (MT) e Formosa do Rio Preto (BA), ambos com cerca de 1,3 milhão de toneladas.
Algodão – Com registro de produção recorde de algodão herbáceo em caroço, atingindo 6,9 milhões de toneladas, o País elevou o volume de exportação do algodão bruto em 65,7%, tornando-se o segundo maior exportador mundial, atrás apenas dos Estados Unidos. A produção nacional cresceu pelo terceiro ano consecutivo e a área colhida foi ampliada em 41,5% em 2019, atingindo 1,6 milhão de hectares.
Em 2019, Sapezal (MT) foi o município líder em algodão herbáceo, com 894,8 mil toneladas, ou quase um terço de toda a produção do Mato Grosso (2,9 milhões de toneladas). Outro destaque foi São Desidério (BA) que, com 592,7 mil toneladas, produziu mais de um terço do algodão da Bahia (1,5 milhão de toneladas). Mato Grosso e Bahia produziram, juntos, quase 90,0% de todo o algodão herbáceo do país.
Milho – A produção nacional de milho foi puxada pelo bom resultado da segunda safra, que teve ampliação de 11,0% na área plantada e respondeu por 74,2% da produção recorde de 101,1 milhões de toneladas (alta de 22,8%). As exportações de milho também atingiram números recordes: 42,8 milhões de toneladas, um aumento de 86,2% frente a 2018.
Mato Grosso segue em primeiro lugar na produção de milho, com 31,5 milhões de toneladas, sendo 99,1% da sua produção colhida durante a segunda safra. O valor de produção mato-grossense foi de R$ 11,8 bilhões, alta de 28,4%.
Os 20 maiores produtores municipais de milho encontram-se no Centro-Oeste. Sorriso (MT) é o maior produtor, com 3,1 milhões de toneladas; Rio Verde (GO), o segundo (2,3 milhões de toneladas) e Nova Ubiratã (MT), o terceiro (1,8 milhão de toneladas).
Cereais de inverno – Todos os cereais de inverno tiveram alta em suas produções, que chegaram ao total de 7,0 milhões de toneladas, obtendo valor de produção de R$ 4,9 bilhões. O centeio (24,4%) e a cevada (23,8%) tiveram os maiores incrementos. Mas o destaque ficou por conta do trigo, com 5,6 milhões de toneladas produzidas.
O Rio Grande do Sul assumiu a liderança da produção dos cereais de inverno no ano de 2019. Foram colhidos 3,1 milhões de toneladas, com valor de produção de R$ 1,9 bilhão.
O município com maior produção de trigo foi Palmeira das Missões (RS), com 108,0 mil toneladas colhidas, alta de 96,4% frente ao ano anterior. O valor de produção do trigo neste município foi de 86,4 milhões de reais, alta de 138,0%. O segundo maior produtor de trigo do País foi Tibagi (PR), com 78,0 mil toneladas e valor de produção de 56,7 milhões de reais.
Café – O Brasil é o maior produtor de café do mundo. Em 2019, mesmo com a queda de 15,3% em relação a 2018, o País produziu 3,0 milhões de toneladas, muito acima do segundo maior produtor mundial, o Vietnã (1,9 milhão de toneladas). O valor de produção, de R$ 17,6 bilhões, também teve queda (22,0%). Houve queda na quantidade produzida de café arábica (-21,4%), mas aumento na de café canephora (2,9%).
Os municípios que mais produziram café em 2019 foram Patrocínio (MG), com 56,7 mil toneladas, Rio Bananal (ES), com 46,3 mil toneladas e Linhares (ES), com 43,2 mil toneladas.
Do total de café produzido no país, 69,6% ou 2,1 milhões de toneladas eram do tipo arábica, cujo valor de produção foi de R$ 13,5 bilhões, com queda de 25,1% em relação a 2018. Plantado em regiões de maior altitude, o arábica encontra-se, principalmente, em Minas Gerais, São Paulo, Espírito Santo e Bahia.
Já a produção do café canephora (916,0 mil toneladas com valor de R$ 4,1 bilhões) veio, principalmente, do Espírito Santo, Rondônia e Bahia. Esses dois últimos estados trocaram de posição em 2019, e Rondônia ultrapassou a Bahia.
Centro-Oeste tem alta de 12,5% no total do valor de produção
A região Centro-Oeste alcançou o maior valor de produção: R$ 107,9 bilhões, que foi 12,2% superior ao ano anterior, sendo a soja a principal lavoura, seguida do milho e da cana-de-açúcar. Com destaque para o Mato Grosso, que gerou R$ 58,4 bilhões, sendo que o município de Sorriso alcançou o maior valor de produção regional (R$ 3,9 bilhões).
No Nordeste, a soja também se destacou devido aos plantios na região do Matopiba (estados do Maranhão, de Tocantins, do Piauí e da Bahia). A cana-de-açúcar, que ainda possui grande presença regional, vem logo em seguida.
No Norte, a soja mais uma vez aparece como principal produto, principalmente pelo aumento do plantio no Pará e em Rondônia. Mas, nesta região, foi o Pará, onde o açaí é o principal produto, que liderou em valor de produção, sendo que o município de Igarapé-Miri foi destaque nesse quesito (R$ 891,0 milhões).
O Sul registrou valor de produção de R$ 91,6 bilhões, um acréscimo de 1,7% frente a 2018. O município de Guarapuava, no Paraná, registrou o maior valor da produção agrícola da Grande Região (R$772,8 milhões).
Já o Sudeste se destacou pela produção de cana-de-açúcar, alcançando o valor de R$ 97,6 bilhões, alta de 2,1%. Contudo, foi o município de Unaí (MG) que registrou o maior valor de produção regional, gerado sobretudo pelas culturas de soja e milho.
MT concentra 22 dos 50 municípios com os maiores valores de produção
Entre os 50 municípios com os maiores valores de produção agrícola, observou-se que 22 deles estavam no Mato Grosso. O valor de produção alcançado nestes 22 municípios totalizou R$ 37,1 bilhões de reais. Goiás, Bahia e Mato Grosso do Sul, com seis municípios cada, aparecem na sequência. O maior valor de produção agrícola dentre os municípios brasileiros foi registrado em Sorriso (MT), que sozinho respondeu por 1,1% do valor de produção gerado no País. Em 2019, foram R$ 3,9 bilhões (alta de 19,7%), retomando a posição que havia sido perdida em 2018 para São Desidério (BA).
Com importante participação na produção de grãos, Sorriso (MT) se destacou como maior produtor nacional de milho e soja. Em 2019, o município teve uma produção de 3,2 milhões de toneladas de milho (alta da 11,4%) e de 2,1 milhões toneladas de soja (retração de 4,0%). Destaque também para a sua produção de algodão herbáceo (179,0 mil toneladas), onde aparece com o 10º maior volume produzido entre os municípios do País. A produção de feijão (74,7 mil toneladas) e arroz (19,4 mil toneladas) também apresentaram crescimento.
Já Sapezal (MT) apresentou o segundo maior valor agrícola do País, totalizando R$ 3,4 bilhões (alta de 1,1%). O município foi o que mais produziu algodão, totalizando 894,8 mil toneladas (alta de 18,2%), com participação de 13,0% do total nacional. Sua produção de soja, mesmo com queda de 3,4%, atingiu 1,2 milhão de toneladas, colocando o município na 9º posição nacional em geração de valor de produção da oleaginosa (R$ 1,2 bilhão). Já a produção de milho teve retração de 39,3%, totalizando 753,0 mil toneladas.
E a terceira posição ficou com São Desidério (BA), cujo valor de produção alcançou R$ 3,2 bilhões (queda de 12,4%). Ali foram produzidas 592,7 mil toneladas de algodão em caroço com valor de produção de R$ 1,5 bilhão, tornando este município o segundo maior produtor do País. A produção de soja local teve queda de 19,0%, com valor de produção de 1,4 bilhão, enquanto a do milho teve queda de 39,6%, com valor de produção de R$ 170,2 milhões.


Notícias Maior zona de livre comércio do mundo
Acordo UE–Mercosul reforça protagonismo do Brasil no comércio internacional
Após 25 anos de negociações, tratado reforça liderança brasileira no bloco sul-americano e amplia acesso a um dos maiores mercados do mundo.

Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet: ” O Acordo Mercosul-União Europeia é um dos movimentos econômicos mais relevantes das últimas décadas para o Brasil e para o Mercosul. Vai combinar crescimento econômico, emprego e renda com sustentabilidade, tecnologia e inovação” – Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Pelas redes sociais, o presidente Lula afirmou ser uma vitória do diálogo. “Uma vitória do diálogo, da negociação e da aposta na cooperação e na integração entre os países e blocos”, afirmou.
Lula destacou que o acordo, além de trazer benefícios para os dois blocos, é uma sinalização em favor do comércio internacional. O presidente brasileiro foi atuante na costura desse acordo e tentou finalizá-lo no final do ano passado, quando o Brasil presidia o bloco sul-americano. Para Lula, o acordo entre Mercosul e União Europeia era uma prioridade.
O Parlamento Europeu também precisará aprovar o acordo para que ele possa entrar em vigor.
Notícias
Dia de Campo da Copacol conecta pesquisa, manejo e mercado ao produtor
Estudos do CPA mostraram, na prática, soluções para solo, soja e milho, além de análises de mercado para apoiar a tomada de decisão do produtor.

Com o objetivo de potencializar a produção e preparar cada vez mais os cooperados, o 35° Dia de Campo de Verão Copacol apresentou estudos exclusivos realizados pelo CPA (Centro de Pesquisa Agrícola), e contou com a participação de 1,5 mil visitantes. “É muito bom receber nossos cooperados para compartilhar novidades e apresentar tecnologias que, se aplicadas nas propriedades, trarão uma melhor produtividade. Além de preparar nossos cooperados para bons resultados no campo, aqui também queremos trazer uma visão comercial, afinal, essas duas coisas precisam estar alinhadas na busca de melhores resultados”, afirma o diretor-presidente, Valter Pitol.

Cooperados que já acompanham de perto o trabalho do CPA garantem que eventos como esse fazem a diferença, como comenta o produtor de Joetaesse, Cássio Henrique Moeller. “O CPA sempre nos ajuda a alcançar melhores resultados e potencializar nossa produtividade e eventos como o Dia de Campo agregam muito conhecimento e traz novidades que nos ajudam a crescer nas propriedades”.
Além da presença dos cooperados e cooperadas, colaboradores e pesquisadores do CPA, o secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Márcio Nunes, também prestigiou o evento. “A Copacol é uma das cooperativas mais importantes do mundo com produtos exportados para muitos países. E ela faz um trabalho sensacional com os produtores, um exemplo é esse Dia de Campo. A Copacol treina, adapta e coloca o produtor em situações de competitividade, tudo isso visando a melhoria da qualidade de vida através do aumento da renda do produtor, estimulando que as famílias fiquem no campo”, completa o secretário.
Na prática
Um dos assuntos abordados nas palestras em campo foi a compactação do solo e seus feitos sobre o sistema de produção. Essa compactação consiste na incapacidade de o solo absorver a água, o que muitas vezes pode gerar o aumento da umidade na superfície, tornando o ambiente propício para o desenvolvimento de doenças. “Nós utilizamos o método Dres [Diagnóstico rápido de estrutura de solo] onde podemos avaliar o nível de compactação do solo para saber qual técnica deve ser aplicada em cada propriedade, seja com plantas de cobertura, ou utilização de maquinários. É um processo muito importante, que impacta diretamente no desenvolvimento das culturas e na produtividade delas”, explica o engenheiro agrônomo e pesquisador do CPA, Andrei Regis Sulzbach.

Para cooperado de Jesuítas, Renato da Silva Tonelli, é importante acompanhar o trabalho do CPA, e saber que problemas que eles enfrentam no dia a dia, já estão sendo estudados e soluções já podem ser aplicadas na propriedade. “No último ano tivemos problema com relação a compactação de solo, e hoje vi que há um trabalho de pesquisa já sendo feito para desenvolver novas formas de manejo, melhorar nossas condições e minimizar esses problemas que nós que vivemos do campo temos”, comenta o cooperado.
Outro assunto que chamou atenção dos participantes foi o painel de cultivares de soja recomendadas pelo CPA, que são apresentadas com duas datas de semeadura, adubação em quantidades de acordo com a época e orientação de acordo com a região plantada, também foram apresentados manejos de doença e controle de pragas. “Apresentamos um demonstrativo com as épocas de semeadura diferentes com o mesmo manejo, onde fica visível a diferença de comportamento de cada planta, para mostrar a importância de se atentar as recomendações do CPA, de acordo com testes feitos na prática”, conta o engenheiro agrônomo André Luiz Borsoi.
Para o cooperado Lucas Antunes Jasper, de Cafelândia, essa é uma oportunidade imperdível para quem produz no campo. “Aqui no evento podemos ver o comparativo das cultivares que depois vamos levar para dentro das nossas lavouras. Conseguimos ver lado a lado todos os testes e tudo fica bem claro para nós. O CPA consegue nos orientar sobre os melhores manejos e isso faz com a que ganhemos tempo e estejamos sempre a frente com a nossa produtividade”, comenta o produtor.
Além disso, também foram apresentados resultados sobre plantas daninhas: o custo oculto no sistema de produção; milho safrinha: os desafios para altas produtividades e manejo de doenças da soja: estratégias de aplicação para preservar o potencial produtivo.
Comercialização
O mercado também faz parte do processo produtivo, e entender como e quando comercializar os grãos, é fundamental para o cooperado. Pensando nisso, a abertura do Dia de Campo contou com uma palestra sobre tendências no mercado de commodities, com o consultor da StoneX Brasil, Étore Baroni. “O objetivo é trazer mais informações para os cooperados. São muitos fatores que influenciam nos preços, então, é preciso preparar o produtor para aproveitar as melhores oportunidades ao longo do ano. Tivemos mudanças muito fortes nos preços nos últimos anos e o CPA consegue trazer esse ganho de produtividade contínua. Por isso, é preciso alinhar a produtividade boa, com níveis de preços bons, mantendo uma rentabilidade para o produtor”, completa o consultor.
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Proteínas animais ganham novas oportunidades com acordo UE-Mercosul, celebra ABPA
Entidade vê avanço em previsibilidade comercial e reforço do Brasil como fornecedor global, com impactos graduais e cotas bem delimitadas para aves, suínos e ovos

Após mais de duas décadas de negociações e sucessivos impasses políticos, a confirmação do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia começa a ser destrinchada. Para a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o entendimento representa um avanço relevante em previsibilidade comercial e no fortalecimento das relações entre os dois blocos, com efeitos graduais e tecnicamente delimitados para a cadeia de proteínas animais.

Foto: Jonathan Campos
Em nota setorial, a entidade destaca que o acordo é resultado de um processo longo e de elevada complexidade técnica, e que seus impactos não devem ser interpretados como uma abertura irrestrita de mercado, mas como a construção de oportunidades progressivas, condicionadas a regras sanitárias, cotas e salvaguardas já previstas no texto negociado.
No caso da carne de frango, principal item da pauta exportadora brasileira de proteínas, a ABPA é enfática ao afirmar que o acordo não altera o sistema de cotas atualmente em vigor entre Brasil e União Europeia. “Essas regras permanecem intactas. A novidade está na criação de um contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa”, informa na nota.
Esse volume será compartilhado entre os países do bloco sul-americano e dividido igualmente entre produtos com osso e sem osso. A implantação será gradual, em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total no sexto ano de vigência. A partir daí, a cota passa a se repetir anualmente, dentro das regras estabelecidas.
Carne suína
Para a carne suína, o acordo inaugura uma nova possibilidade. Pela primeira vez, o Mercosul contará com um contingente tarifário

Foto: Divulgação/Arquivo OPR
preferencial específico para o produto, inexistente até então para o Brasil. “A cota final prevista é de 25 mil toneladas por ano, com tarifa intra-cota de € 83 por tonelada, valor significativamente inferior ao praticado fora do contingente”, diz a nota.
Aves
Assim como no caso das aves, a implementação será escalonada ao longo de seis anos. No entanto, a ABPA ressalta que a efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional, condição essencial para a abertura do mercado.
O segmento de ovos também aparece como um dos beneficiados pelo acordo. Estão previstos contingentes tarifários específicos, isentos de tarifa intra-cota, de 3 mil toneladas anuais para ovos processados e outras três mil toneladas para albuminas. Segundo a entidade, trata-se de uma oportunidade concreta para ampliar as exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado, especialmente em nichos industriais e alimentícios.
Cotas do acordo
Apesar das oportunidades, a ABPA chama atenção para um ponto central: todas as cotas criadas pelo acordo são do Mercosul, e não exclusivas do Brasil. Isso exigirá coordenação intrabloco para definir critérios de alocação entre os países-membros, além de atenção permanente às exigências regulatórias e sanitárias impostas pelo mercado europeu.

Foto: Jonathan Campos
A entidade reforça ainda que os impactos econômicos positivos tendem a ser graduais, acompanhando o cronograma de implantação do acordo e condicionados ao cumprimento rigoroso das normas técnicas. As salvaguardas previstas devem ser aplicadas de forma estritamente excepcional e baseada em critérios técnicos, evitando distorções comerciais.
Para a ABPA, a concretização do acordo UE-Mercosul fortalece o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais no mercado internacional, atuando de forma complementar à produção europeia. Sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva seguem como pilares centrais para o aproveitamento das oportunidades abertas pelo pacto. “O pleno potencial do acordo dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global”, afirma a entidade.
Confira a Nota Setorial na íntegra:
NOTA SETORIAL– ACORDO MERCOSUL–UNIÃO EUROPEIA
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebra o aceite do Bloco Europeu e a concretização do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, resultado de um processo de negociação de longo prazo e de elevada complexidade técnica.
O acordo representa um avanço relevante para a previsibilidade comercial e para o fortalecimento das relações entre os blocos, com impactos graduais e bem delimitados para o setor de proteínas animais.
No caso da carne de frango, é importante destacar que o acordo não interfere, não altera e não substitui o sistema de cotas já em vigor entre o Brasil e a União Europeia, que permanece plenamente válido. O que o acordo acrescenta é a criação de um novo contingente tarifário adicional, no âmbito do Mercosul, de 180 mil toneladas anuais isentas de tarifa, a ser compartilhado entre os países do bloco. Esse volume será composto por 50% de produtos com osso e 50% de produtos sem osso e terá implantação gradual em seis etapas anuais iguais, até atingir o volume total anual no sexto ano de vigência. A partir desse momento, o contingente passa a se repetir anualmente.
Para a carne suína, o acordo cria, pela primeira vez, um contingente tarifário preferencial específico para o Mercosul, inexistente até então para o Brasil. A cota final prevista é de 25 mil toneladas anuais, com tarifa intracota de € 83 por tonelada, substancialmente inferior à tarifa aplicada fora da cota. Assim como na carne de frango, a implantação ocorrerá em seis etapas anuais iguais, com crescimento progressivo do volume até o atingimento do teto anual. A efetiva utilização dessa cota pelo Brasil dependerá da conclusão dos trâmites sanitários junto à União Europeia para a abertura do mercado, incluindo a aprovação do Certificado Sanitário Internacional.
No segmento de ovos, o acordo estabelece contingentes tarifários específicos, também no âmbito do Mercosul, isento de tarifa intra-cota. Estão previstos 3 mil toneladas anuais para ovos processados e 3 mil toneladas anuais para albuminas, criando uma oportunidade concreta para a ampliação das exportações brasileiras de produtos com maior valor agregado.
Ao mesmo tempo, a ABPA ressalta que os contingentes criados pelo acordo são cotas do Mercosul, e não exclusivas do Brasil, o que demandará coordenação intrabloco para definição dos critérios de alocação entre os países membros. Os impactos econômicos positivos serão graduais, acompanhando o cronograma de implantação e condicionados ao cumprimento rigoroso dos requisitos sanitários, regulatórios e às regras de aplicação de salvaguardas, que devem permanecer estritamente técnicas e excepcionais.
Por fim, a ABPA ressalta que a concretização do acordo Mercosul–União Europeia reforça o posicionamento do Brasil como fornecedor confiável de proteínas animais, em complementariedade à produção local, com base em sanidade, sustentabilidade e capacidade produtiva. O pleno aproveitamento das oportunidades abertas dependerá de uma implementação técnica, previsível e transparente, em linha com os princípios do comércio internacional e da segurança alimentar global.




