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Vale do Araguaia mobiliza agro e governo por expansão energética
Durante a Abertura do Plantio de Soja Goiana, produtores e lideranças defenderam investimentos em energia e logística para consolidar a nova fronteira agrícola de Goiás.

Produtores rurais e lideranças políticas defenderam maiores investimentos em infraestrutura energética para potencializar o desenvolvimento do Estado, durante encontro que marcou a Abertura do Plantio de Soja Goiana, realizado no fim de setembro pela Associação dos Produtores de Soja, Milho e Outros Grãos de Goiás (Aprosoja-GO), na Fazenda Tamburi, em Nova Crixás (GO).
O local escolhido não foi por acaso: fica na região do Vale do Araguaia, que é a nova fronteira agrícola do Estado, com potencial para ajudar a elevar Goiás para a 2ª posição no ranking nacional de produção, mas que enfrenta desafios como a falta de disponibilidade de energia elétrica. Na última safra, Goiás colheu 20,75 milhões de toneladas de soja, das quais 10% tiveram origem no Vale do Araguaia.

Momento simbólico de abertura do plantio de soja em Goiás – Fotos: Divulgação
Durante o encontro, produtores destacaram os investimentos já realizados na região e reforçaram a avaliação de que o déficit energético é hoje o principal obstáculo para acelerar a expansão da nova fronteira agrícola. Eles ressaltaram que a parceria firmada com o governo tem como prioridade a busca por soluções para ampliar a oferta de energia, bem como incrementar a malha logística.
O presidente da Aprosoja-GO, Clodoaldo Calegari, afirmou que a entidade não deixará o tema em segundo plano. “Temos um estado estacionado por conta da falta de fornecimento de energia. Nessa questão, não vamos dar refresco, vamos para cima e insistir”, disse. Ele convocou os presentes a se engajarem no fortalecimento da região. “Transformar potencial em potência não é fácil. Mas queremos fazer isso. Se cada um de nós se dedicar um pouco e abraçar uma causa, a gente chega lá.”
O vice-governador Daniel Vilela (MDB) reforçou o potencial produtivo do Vale do Araguaia e o papel dos produtores e entidades do setor para acelerar o desenvolvimento da região. “Estamos fazendo uma demonstração da grande expectativa que Goiás, o Brasil e o mundo têm dessa região se tornar uma nova fronteira agrícola que vai abastecer e aumentar a produção do nosso estado”, afirmou. O governo estadual, juntamente com produtores e lideranças locais, estão formando um grupo de trabalho para pressionar as autoridades do governo federal e a concessionária de energia elétrica para que direcionem investimentos na rede elétrica no Vale do Araguaia.

Comitiva que realizou o momento simbólico de plantio
Daniel Vilela contou que também existe uma negociação do governo do Estado com o Ministério de Minas e Energia para garantir que o novo linhão, que será leiloado em outubro, beneficie diretamente a região.
José Mário Schreiner, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), também declarou apoio à pauta. “Nós, da Faeg e Aprosoja, estamos junto ao governo no sentido de apontar os principais gargalos e também participar dessas decisões. Isso tem feito a grande diferença em nosso estado de Goiás.” Ele citou rodovias já concluídas como exemplos de investimentos e destacou que a energia é peça-chave para ampliar áreas irrigadas. “Não tenho dúvida que, resolvendo o problema da energia elétrica, a área irrigada será ampliada e teremos uma região de alta prosperidade e de alto desenvolvimento, como outras do estado.”
Nova fronteira agrícola
Composto por 11 municípios, o Vale do Araguaia já responde por cerca de 10% da safra de soja e 15% do milho cultivado em Goiás. O potencial de expansão é expressivo: há possibilidade de ampliar em 50% a área agricultável e converter mais de 2 milhões de hectares de pastagens degradadas em áreas produtivas.

Clodoaldo Calegari em palestra durante a Abertura do Plantio de Soja Goiana
Desde 2019, a produção da região cresce sete vezes mais do que a média estadual, favorecida pelo relevo e pela abundância de terras e recursos hídricos. Para o ex-deputado federal e ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo, um dos palestrantes, trata-se de uma transformação notável. “Com essa nova fronteira, o estado continua tendo o papel de uma das maiores bacias de grãos do Brasil. Isso aqui pouco produzia há 30 anos. O espírito empreendedor dos nossos produtores rurais transforma o Brasil em uma esperança contra a epidemia de fome mundial”, afirmou Aldo Rebelo, destacando os avanços que o agronegócio tem promovido em regiões que eram antes pouco desenvolvidas economicamente.
Sustentabilidade e logística
Outro aspecto ressaltado durante o evento foi a sustentabilidade. De acordo com Erik Figueiredo, presidente do Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (IMB), a produção no Vale não apenas respeita o Código Florestal Brasileiro, como também contribui para recuperar terras antes improdutivas. “A produção na região vai além do conceito tradicional de sustentabilidade e promove grandes avanços para o meio ambiente”, disse.

Clodoaldo Calegari (a esquerda), presidente da Aprosoja-GO, e Daniel Vilela, vice-governador, em coletiva de imprensa: Temos um estado estacionado por conta da falta de fornecimento de energia”
A concentração de cultivos em áreas degradadas amplia a captura de carbono e favorece a preservação ambiental. A região tem cerca de 259 mil hectares de área degradada, cuja recuperação custaria aproximadamente R$ 3 bilhões num período de cinco anos.
Além disso, a ampliação da malha logística deve impulsionar o desenvolvimento. Estimativas apontam para um crescimento de 9,6% no PIB agropecuário regional, o equivalente a R$ 132,6 milhões, além da criação de quase 10,8 mil empregos formais nos próximos anos com a possível implantação do Terminal Logístico de Grãos da Ferrovia de Integração Centro-Oeste.

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Fundesa elege vice-presidente e aprova dois novos integrantes
Instituto Desenvolve Pecuária e Associação das Pequenas e Médias Indústrias de Laticínios passam a integrar o Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul.

Duas assembleias foram realizadas quarta-feira (15) na Casa da Sanidade Animal, sede do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do Rio Grande do Sul, com 100% de presença dos conselheiros no formato presencial e virtual. Na primeira assembleia, de prestação de contas do primeiro trimestre de 2026, foram aprovados os números de arrecadações, rendimentos e aplicações. O saldo do fundo é de R$ 188,9 milhões e no período foram aportados R$ 2,64 milhões em diferentes frentes relacionadas às quatro cadeias produtivas que compõem o fundo – aves, suínos, bovinos de corte e leite.
A distribuição dos aportes, teve 43%, R$ 1,16 milhão, direcionada à indenização de produtores pelo abate sanitário de animais com registro de doenças de notificação obrigatória. Destaque para o apoio financeiro ao Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor, com a compra de insumos, aquisição e calibração de equipamentos entre outros, totalizando R$ 394,9 mil. O Fundesa também adquiriu 10 mil brincos de identificação de bovinos, no valor de R$ 109 mil, que serão utilizados no Projeto Piloto de Rastreabilidade Bovina no Rio Grande do Sul.
Novos integrantes
Na sequência da prestação de contas trimestral ordinária, uma Assembleia Extraordinária tratou de temas ligados ao estatuto e regimento interno do Fundesa. Foi realizada a eleição e posse do novo vice-presidente da entidade, Domingos Velho Lopes, da Farsul. O cargo de vice-presidente estava vago desde janeiro, com a saída de Gedeão Pereira do Conselho Deliberativo do Fundesa. O presidente do Fundesa registrou agradecimentos a Gedeão pela contribuição ao fundo ao longo de nove anos.
Lopes agradeceu a confiança e colocou-se à disposição para, junto com os demais conselheiros, trabalhar em prol da proteína animal gaúcha. Domingos Velho Lopes já foi secretário da Agricultura e, na pasta, teve a dimensão da importância do Fundesa-RS para o pleno andamento do Serviço Veterinário Oficial do estado.
Os conselheiros também aprovaram o ingresso de dois novos integrantes no Conselho Deliberativo do Fundesa. A partir de agora, integram o Fundo a Associação das Pequenas e Médias Indústrias de Laticínios do Estado – Apil, e o Instituto Desenvolve Pecuária, Idepec. “Ambas atuam diretamente nas áreas de interesse do fundo, e representam contribuintes do Fundesa, seja à frente de pecuaristas, seja à frente de agroindústrias”, afirma Kerber, que disse estar na expectativa da contribuição das entidades no debate da sanidade animal gaúcha.
As duas novas entidades se somam às atuais dez representações das quatro cadeias produtivas que compõem o fundo. Asgav, Sipargs, Acsurs, Sips, Sicadergs, Fecoagro, Farsul, Fetag, Febrac e Sindilat.
Notícias Destaque nacional
Sanepar vence prêmio com usina que transforma esgoto em energia
Unidade de biogás se sobressai no país ao converter resíduos em energia renovável e reforçar protagonismo no setor.

A ETE Belém – Biogás, também conhecida como USBioenergia ou USBio, é campeã na categoria unidades ou plantas geradoras de biogás (Saneamento) no Prêmio Melhores do Biogás Brasil, promovido no 8º Fórum Sul Brasileiro de Biogás e Biometano. O evento, realizado em Foz do Iguaçu na terça-feira (14), reconhece profissionais e empresas que geram iniciativas sustentáveis no setor.
Localizada em Curitiba, a ETE-Belém é fruto de iniciativas inovadoras da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) para transformar resíduos, ou seja, o lodo gerado no processo de tratamento de esgoto, em energia renovável, o biogás. A Companhia possui mais de 200 estações de tratamento equipadas com reatores anaeróbicos (que utilizam microrganismos para decompor a matéria orgânica), em todo o Paraná.
Esta é a terceira vez que a Sanepar garante o prêmio nessa categoria, sendo duas delas com a ETE-Belém e uma com a Atuba Sul, também em Curitiba. Em 2023, a estação de Tratamento de Esgoto Ouro Verde, de Foz do Iguaçu, foi eleita a mais sustentável o País na mesma premiação.
“A Sanepar celebra a premiação tendo a certeza de que está no caminho da sustentabilidade. Quando destinamos nossos investimentos à transformação do lodo em biogás, estamos aplicando a economia circular que não apenas nos beneficia, mas toda a cadeia produtora também. O reconhecimento, que vem com o prêmio, é de todos os empregados que participam do processo e fazem a Companhia ser destaque em todas as áreas em que atua”, comemorou o diretor-presidente da Sanepar, Wilson Bley.
Com capacidade para processar diariamente 900 m³ de lodo da ETE Belém — o equivalente a cerca de 36 caminhões-pipa — e 150 toneladas de resíduos orgânicos de grandes geradores, a unidade se consolida como um gigante da economia circular. A operação é sustentada por dois biodigestores de 5.000 m³ cada, que juntos comportam o volume de quatro piscinas olímpicas de material em tratamento.
Graças a um sistema de pós-digestão que garante a estabilização total dos resíduos e elimina passivos ambientais, a planta atingiu um desempenho otimizado: a produção de 18.000 Nm³ (metros cúbicos normais) de biogás por dia. Na prática, esse resultado converte toneladas de descarte urbano em uma fonte de energia renovável, pronta para o aproveitamento energético. A premiação demonstra o posicionamento da Sanepar como uma das principais operadoras de biogás do Brasil.
Trabalho complexo
O gerente de tratamento de esgoto em Curitiba e responsável pela unidade, Raphael Tadashi Diniz, recebeu o prêmio em nome da Companhia e explica que o trabalho conta com o apoio da diretoria que dispõe de investimentos em inovação e novos negócios, e também da equipe operacional.
“Agradeço principalmente a quem trabalha diretamente na ETE Belém e na Usina de Biogás, que são os verdadeiros guerreiros. Seja no processo de operação, manutenção, que estão no dia a dia da estação, 24 horas por dia, 365 dias por ano. Um trabalho bastante complexo, mas que eles fazem com satisfação e contribuem muito para esse reconhecimento e a conquista desse importante prêmio”, disse ele, ao agradecer, em nome da equipe.
Destaque
Somente no primeiro bimestre de 2026, a unidade recebeu mais de 6 milhões de toneladas de lodo e outros resíduos orgânicos. Nesse período, a eficiência da usina resultou na geração de 1.517,50 MWh. Em outras palavras, essa eletricidade seria suficiente para abastecer uma cidade de 12 mil habitantes por um mês inteiro. O processo que é uma alternativa à disposição de lodo e resíduos orgânicos em aterros sanitários, reduz, portanto, custos operacionais e impactos ambientais.
“Essa premiação representa a validação de uma estratégia de inovação que transforma passivos ambientais em ativos energéticos. Na Sanepar, entendemos que os resíduos não são o fim da linha, mas potenciais fontes de recursos”, afirmou Gustavo Rafael Collere Possetti, Especialista em Pesquisa e Inovação da Sanepar.
“Ao otimizarmos a codigestão de lodo com outros resíduos orgânicos, estamos escalando nossa capacidade de gerar energia limpa e reduzindo emissões de gases de efeito estufa. Essa iniciativa exemplifica como a ciência aplicada ao saneamento pode impulsionar a descarbonização, a transição energética e fortalecer a segurança energética do Paraná”, destacou Possetti.
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Embrapa aponta queda nos custos de suínos e estabilidade na produção de frangos
Indicadores reforçam cenário de ajuste nos custos, com destaque para variação nos preços da ração.

Os custos de produção de suínos voltaram a cair em março, mantendo a tendência observada desde janeiro, enquanto os custos do frango de corte ficaram praticamente estáveis. Os dados são da Embrapa Suínos e Aves, divulgados pela Central de Inteligência de Aves e Suínos (CIAS).
No Paraná, o custo de produção do quilo do frango de corte permaneceu em R$ 4,72, com índice de 365,38 pontos. No acumulado de 2026, há alta de 1,44%, enquanto nos últimos 12 meses o resultado é negativo em 2,95%. A ração, principal componente do custo (63,60%), teve leve alta de 0,37% em março, mas acumula queda de 8,72% em um ano.

Já em Santa Catarina, o custo do quilo do suíno vivo recuou de R$ 6,36 em fevereiro para R$ 6,30 em março, redução de 0,96%. O índice ICPSuíno caiu para 360,63 pontos. No ano, a retração acumulada é de 2,71%, enquanto em 12 meses chega a -1,76%. A ração, que representa 72,22% do custo total, diminuiu 0,55% no mês e acumula queda de 1,96% em 2026.

Paraná e Santa Catarina são utilizados como referência nos cálculos dos Índices de Custo de Produção (ICPs), por concentrarem a maior produção nacional de frangos de corte e suínos, respectivamente. A CIAS também disponibiliza estimativas para estados como Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.
Como suporte à gestão nas propriedades, a Embrapa oferece ferramentas gratuitas, como o aplicativo Custo Fácil, que permite gerar relatórios personalizados e separar despesas, além de uma planilha específica para granjas integradas disponível na plataforma da CIAS.






