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Vai construir seu aviário? Não perca as dicas com especialista em ambiência e galpões

O Presente Rural entrevista o especialista em ambiência José Luis Januário, que fala tudo o que o produtor precisa saber na hora de construir um aviário

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O Presente Rural entrevista o especialista em ambiência José Luis Januário, que fala tudo o que o produtor precisa saber na hora de construir um aviário. Atuando pela Cobb, ele conhece esse tipo de estrutura em vários países, destaca a eficiência do Brasil e acredita em galpões cada vez mais fechados, com autonomia interna em relação ao clima externo.

O Presente Rural (OP Rural) – O que é primordial saber antes de construir um galpão avícola?

José Luis Januário (JLJ) – A primeira condição básica para pensarmos na evolução e desenvolvimento das nossas granjas seria instalar as aves em galpões mais adequados para oferecer condições ambientais favoráveis para elas. Isso contribuirá para que estas aves expressem seu potencial genético de maneira cada vez mais eficiente e mantenham a sua alta performance produtiva, para qual foram selecionadas.

OP Rural – O que produtores, técnicos e indústria esperam quando um galpão é construído?

JLJ – Produtores precisam agregar valor às suas propriedades, e estando em regiões próximas às integradoras, aproveitam a oportunidade e querem as orientações técnicas para construir da melhor forma possível seus aviários. Os técnicos estão cada vez mais preparados para orientar os amigos produtores sobre as formas de criação, procedimentos técnicos. Isso fica ainda melhor se as trocas de informações e exigências técnicas já forem empregadas desde o projeto inicial de construção das granjas.

As indústrias, nos projetos de aumento e adequação das integrações, fazem o fomento de construções de novas granjas ou ampliação de granjas já existentes e, por meio dos técnicos e expansionistas, orientam os produtores e estes também buscam informações de processos construtivos para decidir a melhor forma de construir suas granjas.  

OP Rural – Quais são os modelos/sistemas de galpões para aves usados hoje no Brasil?

JLJ – Hoje, os modelos construtivos mais comuns são feitos de estruturas metálicas ou pré-moldadas entre colunas e estrutura de telhados. As superfícies laterais estão entre galpões de cortinas, parede de alvenaria ou de placas de isolamento térmico. Estas últimas condições são utilizadas nos galpões de pressão estática negativa, com exaustores e entrada de ar do lado oposto. O que diferem dos galpões abertos, convencionais, chamados de pressão positiva, com ventiladores e nebulizadores internos.

As superfícies de telhado, com menores custos e que são mais comuns, estão nos galpões de telhas de fibrocimento ou numa escala de melhor isolamento e melhor reflexão da radiação solar, as telhas térmicas de fibrocimento, as telhas galvanizadas com alumínio, que também têm capacidade reflexiva maior do que a fibrocimento comum. Todos estes tipos de telhados requerem instalação de forro de cortina interna.

Já em alguns projetos de matrizes e frangos de corte, já é comum os galpões com as telhas isotérmicas, com camadas de aço galvanizado e alumínio, e um interno de material isolante como EPS, poliuretano ou poliisocianurato.

OP Rural – Quais as diferenças entre os principais modelos de galpões com relação a custos, manutenção e tecnologia empregada?

JLJ – As diferenças entre os galpões de projetos de hoje giram em torno da seguinte questão: se o galpão será de pressão negativa, tipo túnel, com melhores materiais isolantes, exaustores, entrada de ar com equipamentos evaporativos, janelas de entrada de ar para ventilação mínima (inlets), cortinas duplas na lateral, ou parede de alvenaria, que possuem custos construtivos mais altos.

Para efeito de comparação, um aviário para frango de corte mais equipados ficaria em torno de R$ 350 por metro quadrado de construção. Seguindo a comparação com os aviários convencionais, de pressão positiva, que teria custo mais baixo que este, o valor seria em torno de R$ 250 por metro quadrado, por exemplo.

Claro que, quanto mais estruturas, como por exemplo, estes galpões de telhas isotérmicas, com painéis evaporativos, inlets, maiores os custos de construção.

OP Rural – Existe um galpão avícola ideal para cada região? Por que?

JLJ – De maneira geral não deveríamos ter diferenças na construção entre as regiões, pois os aviários devem ter uma certa autonomia interna em relação ao clima externo. Contudo, sabemos da extensão territorial de muitos países, como o Brasil, onde temos invernos úmidos no Sul, verões chuvosos no Sudeste, altíssimas temperaturas no Norte e Nordeste, com umidades altas, e às vezes, períodos de extrema estiagem. Internamente, as aves precisam crescer, ganhar peso, converter ração e energia em crescimento, necessitam produzir ovos, estar sempre em conforto, sentindo bem-estar.

A avicultura em todo o mundo começou com tecnologia tímida e simples, com galpões convencionais, muitas vezes sem ventiladores, sem aspersores e densidade baixa.  A genética vai evoluindo e entregando aves cada vez mais eficientes, mais exigentes de boas instalações. Começamos, assim, a sombrear os galpões com árvores, construir com orientação Leste-Oeste, com beirais maiores, galpões mais altos, etc.

Na década de 80, apareceram os galpões fechados, mais isolados do meio externo, e surgiram os inlets na Europa, exaustores, galpões mistos entre inlets e túnel, com entradas frontais e pressão negativa. E, quando eles ficam mais modernos, temos mais chances de manter uma densidade maior em relação aos galpões convencionais, que são mais caros, mas oferecem melhores resultados zootécnicos.

Pelas várias regiões deste país continental, até países menores, mas com grandes diferenças de altitude e de clima, vemos muitos bons resultados em estruturas simples e muitos bons resultados também em galpões melhores, tipo túnel com melhores estruturas e isolamentos.

OP Rural – Qual é o melhor galpão hoje no Brasil?

JLJ – O melhor galpão é aquele que dá bons resultados ao produtor e à sua integração. Mas claro, cada vez mais, vemos que os melhores resultados das integradoras ocorrem em galpões tipo túnel, com boa velocidade de vento para promover uma perda de calor por convecção sobre as aves, com telhas térmicas, seja fibrocimento com material reflexivo, seja com aço galvanizado e alumínio, ou seja, material isolante em “sanduíche” embutido na telha.

O galpão ideal seria pequeno, com largura menor, bem mais fácil de ventilar e retirar calor ou de aquecer no caso de aves jovens. Mas, num país de grandes dimensões, sendo um dos maiores produtores do mundo, a produção em escala exigiu decisões de aumentar a largura e comprimento. Fazemos os galpões de 150 metros por 16 de largura, o que é, para nós, uma das melhores configurações, com excelente aproveitamento dos equipamentos, densidade, ventilação e manejo.

OP Rural – Em outros países produtores, quais modelos são usados? Há muitas diferenças com os modelos do Brasil?

JLJ – Em países em desenvolvimento de tecnologias como as nossas, a grande maioria ainda são galpões simples, convencionais, de cortinas, estrutura de madeira ou alvenaria, telhados de diversos tipos, até palha de palmeiras, telas sombreadas, telhados de cortinas pintadas, etc. Em outros países e regiões onde se tem mais tecnologia, como Estados Unidos, Europa e Ásia, os galpões são construídos com materiais mais isolantes, especialmente no telhado. Americanos e canadenses utilizam muita madeira para as colunas do telhado e faces internas dos aviários. Nos telhados e laterais externas, chapas de aço galvanizado com alumínio. Eles preenchem as paredes e espaços entre forros plásticos, utilizam uma camada de pelo menos 10 centímetros ou mais de lã de vidro, lã de rocha ou celulose picada.

Na Ásia, Austrália, Meio Oriente e entre outros, são utilizadas placas de material isolante, como também já ocorre aqui na América do Sul.

O telhado dos aviários americanos, por exemplo, são construídos com valor “R” mínimo de 20, que é um coeficiente de troca térmica de uma superfície. Um galpão com telha de fibrocimento tem valor “R” de 1 para fazermos um comparativo aqui. Em outras palavras, se estiver um calor de 40° C externo, sol forte contra o telhado, no galpão de telhado “R 20”, ficaremos com temperaturas abaixo de 30° C, internamente. Já nos telhados de fibrocimento de “R 1”, poderemos ter temperaturas ao redor de 37° C, internamente. Ou seja, o telhado com material mais isolante traria um enorme benefício para os equipamentos internos, que trabalham menos, e um maior conforto às aves.

OP Rural – Dentro de um galpão existe muita “tecnologia embarcada”. Cite as principais e porque elas são necessárias.

JLJ – Os provedores de equipamentos, cada vez mais, disponibilizam tecnologias nacionais e internacionais para a composição das estruturas, desde equipamento quanto materiais para as obras, para a construção.

OP Rural – Quais as novidades e tendências para esse tipo de edificação?

JLJ – Na verdade, as tecnologias que hoje utilizamos aqui, nos países em expansão de equipamentos e granjas, foram importadas ou copiadas dos americanos e europeus. Europeus começaram a fechar seus galpões, isolá-los melhor do meio externo, na década de 70, quando criaram os inlets ou janelas laterais de entrada de ar. Muitos galpões, até hoje, naquela região, possuem apenas exaustores de ventilação mínima e as entradas de ar são 100% feitas por inlets.

Americanos pegaram um pouco do modelo de galpões de inlets e criaram o túnel conjugado com os inlets. Foi quando começaram a surgir os galpões de ventilação mínima com inlets, transição, com inlets apenas, e transição com compensação da cortina, ventilação túnel, com exaustores de um lado e entradas de ar com paredes de resfriamento do outro lado.

OP Rural – Quais são as exigências das aves, em suas várias fases, quando estão alojadas?

JLJ – Galpões com aves fechadas dentro, quando elas são jovens, necessitam de isolamento de superfícies do aviário para que tenham conforto e condições de se manterem aquecidas. Em contrapartida, galpões de aves mais adultas, em produção ou ganhando peso e tamanho, necessitam de vento, resfriamento, perda de calor.

Sabemos que, quando as aves estão em produção, apenas uma delas gera em torno de 60 btu´s de calor, e este calor deve sair de perto delas. Imagine um galpão com 35.000 frangos, são 2,1 milhões de btu´s de calor gerado. Se fosse econômico instalarmos aparelhos de ar condicionado nesta granja, teríamos que colocar 58 aparelhos com capacidade de 36 mil btu´s, cada um.

OP Rural – Determinados galpões podem reduzir a entrada de patógenos? Como?

JLJ – Além de promover uma melhor condição ambiental para as aves, os galpões mais fechados e mais isolados limitam mais o acesso de poeira em suspensão, assim como os patógenos que viriam com esta poeira. Eles também controlam a entrada das pessoas, que passam a entrar por uma única porta, ficando mais fácil desinfetar calçados etc. Além disto, as paredes de resfriamento, o cooling, tornam-se barreiras de acesso do ar. É possível também colocar uma tela nas entradas de ar, no cooling e inlets, e filtrar ainda mais o ar que entra, o que evitaria a entrada, inclusive, de insetos. Existem provedores que fazem equipamentos de refrigeração, como grandes trocadores de calor, que possuem filtros de última geração para evitar entrada de patógenos, como vírus, por exemplo. Já existem galpões de quarentena de animais importados feitos assim aqui no Brasil. 

OP Rural – Quais as exigências futuras das aves?

JLJ – As empresas de genéticas desenvolvem suas aves cada vez mais eficientes em ganho de peso. É um melhoramento animal feito de maneira simples, mas com muita tecnologia, equipamentos, manejo e critérios de seleção dos melhores indivíduos de cada grupo. Claro que, com isto, há geração de calor de uma ave adulta ou em plena produção, já para as aves jovens, a necessidade de manter o calor corporal, a tecnologia, os novos conceitos de manejo e ventilação e ambiência, vem muito bem interligados para ajudar estas aves de alta performance expressarem seus maiores ganhos. 

OP Rural – Como serão os galpões do futuro?

JLJ – Galpões do futuro já estão espalhados pelo mundo, sejam eles simples, convencionais, mas manejados de maneira eficiente já nos dão bons frutos, ou galpões mais tecnificados.

Mas se queremos mais, uma diferenciação de desempenho, manter a densidade de alojamento, teremos que evoluir para estes galpões mais fechados, com boa velocidade de vento, telhados com materiais com maior poder isolante. Devemos ter uma boa orientação de construção, com telhados com beirais, isolamento de estruturas para a ventilação de pressão negativa, com bons e econômicos exaustores, cooling bem dimensionado para diminuir a temperatura de ingresso do ar, inlets bem manejados para acondicionar a entrada do ar sempre segmentado pela parte superior dos aviários, sem velocidade de vento sobre os pintinhos e aves jovens, diminuindo drasticamente a umidade do ar externo, mantendo a cama seca.    

As superfícies bem isoladas, como telhados e paredes, têm função muito importante para manter as condições ideias internas, independentes das condições extremas do lado de fora.

Será que um dia poderemos instalar equipamentos de ar condicionado, por exemplo, de custo mais baixo, competitivos, que consumiriam pouca energia? Por que não sonhar de maneira não utópica? A energia mais barata ou equipamentos alimentados por fontes alternativas de energia, como algumas granjas com células fotovoltaicas que já temos por aqui também. Uma refrigeração condicionada conjugada com exaustores de túnel para retirar os gases e calor, isto sim tem que evoluir mais.

Mais informações você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Avicultura

Problemas respiratórios desafiam biosseguridade da avicultura brasileira

Para prevenir e impedir a disseminação de doenças respiratórias em aviários várias medidas podem ser adotadas, entre elas ações de biosseguridade e monitoramento constante dos agentes infecciosos associados às doenças respiratórias, que podem contribuir na identificação da origem do problema quando detectado na granja.

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Fotos: Divulgação

Responsáveis por grandes perdas econômicas, as doenças do sistema respiratório em frango de corte podem atingir toda a cadeia produtiva da granja, levando, inclusive, a condenação do lote a nível de abate. Dado a sua importância, o médico-veterinário e diretor técnico do MercoLab, Alberto Back, foi um dos convidados do 22º Simpósio Brasil Sul de Avicultura (SBSA) para tratar sobre o assunto, que fez parte da programação do Bloco Nutrição e Manejo do evento realizado pelo Núcleo de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), de 05 a 07 de abril, em Chapecó, SC.

Médico-veterinário e diretor técnico do MercoLab, Alberto Back: “Se soubermos identificar a causa do problema respiratório, vamos atacar e resolvê-lo”

Dentre as doenças respiratórias mais recorrentes em aves nas criações comerciais, citadas por Back, estão Mycoplasma gallisepticum, Pneumovírus aviário (PVA), Newcastle, Coriza Infecciosa (Gôgo), Colibacilose, além de Bronquite infecciosa e a Escherichia coli que especialmente foram tratadas pelo profissional no SBSA.

Normalmente os problemas respiratórios são resultantes de causas multifatoriais, que incluem agentes infecciosos, problemas de ambiência e falhas de manejo. “As doenças respiratórias sempre existiram em maior ou menor grau e vão continuar existindo pelas próprias condições dos modelos de criação de aves no país”, sentencia Back em entrevista ao Jornal O Presente Rural.

Para prevenir e impedir a disseminação de doenças respiratórias em aviários várias medidas podem ser adotadas, entre elas ações de biosseguridade e monitoramento constante dos agentes infecciosos associados às doenças respiratórias, que podem contribuir na identificação da origem do problema quando detectado na granja.

Um bom programa de biosseguridade inclui alojamento de aves de idade única e procedentes de um mesmo estabelecimento, certificado em relação ao controle de doenças, boas práticas de conservação e uso das vacinas, boas práticas de produção e conservação da ração, tratamento da água com cloro, restrição de acesso de pessoas e veículos não relacionados ao trabalho nas propriedades, com sistema de desinfecção para calçados e veículos que necessitam acessar o local, impedir a entrada de outros animais na granja, manter um programa de controle de pragas, fazer correto manejo ambiental (temperatura, umidade, ventilação), fazer correto manejo das excretas/cama, assim como de aves mortas e de ovos descartados, ter um programa de limpeza e desinfecção, além de fazer a nebulização dos galpões.

“Se soubermos identificar a causa do problema respiratório, vamos atacar e resolvê-lo. É muito importante fazer o monitoramento dos agentes infecciosos associados com os problemas respiratórios, tanto de ambiência quanto de nutrição e da capacidade imunitária dos animais. O trabalho deve começar na matriz, seguir para os intervalos entre lotes, na densidade de aves por metro quadrado, no manejo, na ambiência, no controle do ar que as aves respiram, na ventilação interna, nos gases produzidos pelas excreções das aves, entre outros. A palavra-chave é monitoramento”, pontua Back.

Controle e tratamento 

Conforme Back, a maior parte do controle é feito antes da doença aparecer. “O controle é feito em toda cadeia, desde o material genético até o intervalo entre os lotes, atribuídos de duas a três semanas justamente para reduzir a incidência de problemas respiratórios. Quando se faz um bom manejo e oferece uma boa ambiência as chances de ter um problema respiratório diminuem”, reforça.

O tratamento é variável, existe em determinadas circunstâncias que o uso de produtos específicos para controle da Bronquite infecciosa e da Escherichia coli funcionam, no entanto apenas ajudam a contribuir para reduzir o problema, mas não são uma solução, aponta Back. “Não há um tratamento que resolva todo o problema, tem que identificar a causa para reduzir a incidência”, reforça.

Sinais clínicos e consequências 

Entre os principais sinais clínicos de doenças respiratórias nas aves estão espirro, secreção nasal e ocular, edema facial, dificuldade respiratória e estertores. E as lesões mais comuns provocadas incluem sinusite, traqueíte, bronquite, pneumonia e aerossaculite. De maneira geral, doenças no sistema respiratório em aves reflete em desempenho baixo, perda de peso e piora da conversão alimentar, o que resulta em aumento de custos com medicações e nos índices de mortalidade. “Os problemas respiratórios podem acontecer em qualquer idade, inclusive ao nascimento, se estender por toda vida da ave, gerando necessidade de medicamento, além de poder provocar mortalidade”, menciona Back.

A região Sul do país e mais especificamente o Estado do Paraná apresentou em 2021 um aumento exponencial de mortalidade em frangos de corte, com as primeiras ocorrências de doenças respiratórias identificadas em abril, com seu pico atingido entre os meses de junho a agosto.

Através de exames laboratoriais constatou-se que os casos nos planteis paranaenses tinham em comum duas características: estavam associados com a Escherichia coli – agente causador da Colibacilose aviária, identificada nas três primeiras semanas de vida dos frangos, elevando a mortalidade das aves em idade jovem; e a um quadro de Aerosaculite, não evidente durante a criação do frango, mas sendo detectado no momento do abate, gerando condenação do lote, criando uma restrição de velocidade da linha de abate e um impacto econômico muito grande para a indústria.

De acordo com Back, diversos estudos foram e continuam sendo realizados, mas ainda não se chegou à origem do agente causador que pode ter afetado os aviários paranaenses.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Uso racional

Avicultura precisa mensurar melhor quanto gasta de água

Frangos de corte, matrizes reprodutoras e poedeiras comerciais consomem, em média, dois litros para cada quilo de ração consumida. Diante disto, aves com melhor conversão alimentar vão consumir menos água para produzir o mesmo peso.

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Envolvida em muitas funções fisiológicas, a água chega a compor 85% da estrutura corporal de pintainhos e de até 75% em aves adultas. Por isso, a reposição da água corporal e a qualidade desta água ingerida é fundamental para o consumo adequado dos animais para evitar desidratação e redução no consumo da ração.

Em entrevista exclusiva ao Jornal O Presente Rural, o diretor Global de Contas Estratégicas da Cargill Animal Nutrition, Antônio Mário Penz Junior, destacou que diante da escassez hídrica vivenciada nos últimos anos é preciso cada vez mais buscar alternativas para o uso racional da água. Neste contexto, é fundamental rever todos os processos que envolvem a utilização de água na atividade avícola, desde as granjas reprodutoras, passando pelos incubatórios, produção de frangos, abatedouro e fábrica de ração.

Antônio Mário Penz Junior: “Sem medir a qualidade da água não podemos melhorar qualquer processo” – Fotos: Arquivo/OP Rural

Conforme Penz, em um incubatório se espera um consumo total de água de 300 ml/1000 pintainhos, enquanto que em um abatedouro, o valor médio empregado de água é de 22 litros/ave abatida. “Na propriedade rural só agora começa a discussão deste tema, uma vez que se começa a ver a coleta de água da chuva e de linhas de bebedouros para serem usadas em refrigeração de painéis evaporativos ou para outros usos, até irrigação de plantas da casa do produtor ou em suas hortas, quando não em alguma produção de grãos”, relata. Ele palestrou sobre “Qualidade de água: sustentabilidade x crise hídrica” no 22º Simpósio Brasil Sul de Avicultura, promovido em abril pelo Núcleo de Médicos Veterinários e Zootecnistas (Nucleovet), na cidade de Chapecó (SC)

Quantidade ideal de água por frango

Frangos de corte, matrizes reprodutoras e poedeiras comerciais consomem, em média, dois litros para cada quilo de ração consumida. Diante disto, aves com melhor conversão alimentar vão consumir menos água para produzir o mesmo peso. “Qualquer desvio desta proporção por dias subsequentes sugere alguma anomalia na saúde dos animais, que podem consumir mais, em um processo febril e consumir menos pelo uso de água quente, bebedouros altos, etc.”, alerta.

Outro fator a ser considerado é a mortalidade, uma vez que quanto maior a idade com que as aves morrem, maior o consumo de água e de ração que serão perdidos. Já frangos com dieta peletizada podem consumir até 20% menos água do que aves que consomem dieta farelada, além de apresentar melhor conversão alimentar, o que leva a uma redução de consumo de água.

Penz diz que é imprescindível medir o que é gasto nos diferentes processos de produção. Em incubatórios e abatedouros esta é uma medida regular, um item de controle. Mas na propriedade, além do que é gasto com as aves, tem que medir o que é gasto em outros processos na produção, como nos painéis evaporativos. “Cada produtor, com a medida de consumo total na propriedade, definirá um indicador que poderá ser por frango produzido/mês, por frango produzido por metro quadrado de galpão por ano, etc. As empresas integradoras terão importante papel nesta atividade, estimulando os produtores a começar a medir o que gastam e como podem fazer para que reduzam seus gastos. Sem medir não podemos melhorar qualquer processo”, expõe.

Para aplicar na prática o método da água sustentável, Penz afirma que é necessário começar com a medição do consumo de água que cada propriedade tem e definir valores de referência para cada segmento de produção. Para isto, as propriedades deverão ter pelo menos um hidrômetro de registro. “E se quiserem ser ainda mais eficientes que tenham hidrômetros em diferentes segmentos como tambo, pocilga, aviário, casa do proprietário etc.”, menciona, ressaltando: “Temos que medir o que é consumido e devemos fazer análises sistemáticas da água usada pelos frangos – duas vezes por ano, sendo na época de chuva e na seca -, para identificarmos se há algum cuidado que deve ser dado à água antes que seja utilizada pelos produtores e seus animais”.

Em termos de temperatura, são recomendados valores inferiores a 25ºC. Com relação ao pH, que seja entre 6 e 7. Água com pH alcalino (9) deve ser acidificada, para que atinja, pelo menos a neutralidade (pH 7,0), orienta o diretor global.

Para a concentração mineral da água, Penz sugere como indicador de referência o uso de sólidos dissolvidos totais, onde os valores devem ser de no máximo 1000 mg/L. “Acima disto e quanto maior for este valor, maior atenção o produtor deverá dar a água que está sendo usada pelas aves, em geral”, salienta.

Em relação ao que provoca nas aves a falta de consumo d’água, Penz é enfático: “O frango come por que bebe! Desta forma, se a ave toma 90% do que deveria consumir, seu consumo de ração será 10% abaixo do previsto e, com isto, o resultado de produção do lote será muito prejudicado”.

Medição de consumo de água

O profissional declara que para se pensar em soluções econômicas ao uso d’água para o futuro é preciso agir no presente, iniciando com a medição do que está de fato sendo consumido na propriedade. “A medição de consumo de água de uma propriedade rural não é um procedimento convencional, pois a água, normalmente, vem da propriedade, através de açudes, poços rasos ou profundos, porém, sem medir não podemos definir metas”, pontua.

Tecnologia e uso racional

“Com os equipamentos hoje disponibilizados já é possível identificar o consumo e a temperatura de água em tempo real e relacionar este consumo com o consumo de alimento. Qualquer alteração que ocorra no aviário será identificada imediatamente, permitindo ações mais rápidas e efetivas”, assegura Penz.

Ele cita que já estão disponíveis no mercado equipamentos que permitem medir o peso dos frangos, em tempo real, através do uso de câmeras, além do surgimento de equipamentos que mensuram características ambientais importantes no galpão, como concentração de CO², umidade, amônia, velocidade do ar e temperatura, além de sons distintos produzidos pelos animais. “Qualquer desvio de parâmetros ambientais e comportamentais podem comprometer o consumo de água que, por consequência, comprometerá o consumo de alimento”, reforça.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Alternativas eficientes

Especialista orienta sobre como manter a saúde das aves sem o uso de antibióticos como promotores de crescimento

Coordenador do Programa de Resistência Antimicrobiana e Desenvolvimento de Alternativas e vice-diretor do Instituto de Patobiologia Veterinária do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), da Argentina, Mariano Fernández Miyakawa, diz que existem muitas alternativas em uso e em outras em desenvolvimento que vão em encontro a substituição desse medicamentos.

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Fotos: Arquivo/OP Rural

Usados na avicultura, principalmente, para gerar benefícios na produção, como melhorar o ganho em peso, a conversão alimentar e reduzir a mortalidade, os antibióticos são aplicados na avicultura, porém o uso desses medicamentos vem sendo reduzido gradualmente na produção brasileira. A redução se deve às mudanças na legislação, em razão da resistência antimicrobiana que pode interferir também na saúde humana.

Coordenador do Programa de Resistência Antimicrobiana e Desenvolvimento de Alternativas e vice-diretor do Instituto de Patobiologia Veterinária do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), da Argentina, Mariano Fernández Miyakawa: “A recomendação é usar antibióticos com prudência e apenas medicar animais doentes ou lotes onde a percentagem de animais doentes o justifique, sempre sob a supervisão de um veterinário e com um diagnóstico preciso” – Foto: Divulgação

No entanto, os problemas causados pelo uso excessivo de antibióticos como promotores de crescimento não ser restringem aos humanos. “O desenvolvimento e disseminação da resistência antimicrobiana também terá um impacto negativo na produção animal e na economia mundial”, é o que aponta Mariano Fernández Miyakawa, coordenador do Programa de Resistência Antimicrobiana e Desenvolvimento de Alternativas e vice-diretor do Instituto de Patobiologia Veterinária do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (INTA), da Argentina. O profissional fala sobre as novidades desse tema durante o Simpósio Brasil Sul de Avicultura, que aconteceu em abril, em Chapecó (SC).

A prática, segundo Fernández, é totalmente desaconselhada, pois os antibióticos devem ser usados apenas para tratar animais doentes. “Sob essa perspectiva, cada vez mais países estão restringindo seu uso, somado à pressão dos consumidores para poder acessar a carne produzida sem antibióticos, incluindo, sobretudo, os promotores”, relata.

Portanto, reduzir seu uso é considerado fundamental para minimizar o impacto do problema e se adequar à legislação brasileira. Desta forma, a retirada dos antibióticos deu origem à alternativas para como estratégias para substituir os promotores de crescimento.

De acordo com Mariano, a retirada dos antibióticos como promotores de crescimento não causa nenhum problema às aves, “pois há conhecimento, ferramentas e aditivos (alternativas) que em seu resultado global podem até ser superiores ao uso de antibióticos”, afirma.

Para ele, saúde intestinal, como parte da saúde das aves, deve ser mantida com medidas que incluem vacinação eficaz, medidas de biossegurança, densidade adequada do lote e a escolha correta de aditivos. “Muitas vezes essas medidas são difíceis de abordar, ou devido a questões culturais, econômicas ou de gestão/conhecimento. Mas devemos dizer que a saúde intestinal das aves não foi garantida pelos antibióticos promotores”, pois segundo Fernández, há evidências de que os antibióticos poderiam agravar o aparecimento de patógenos cada vez mais virulentos e aumentar sua dispersão e manutenção dentro do sistema. “Portanto, essa mudança de paradigma no uso de alternativas deve ser vista como uma oportunidade para aumentar a eficiência do nosso sistema produtivo a médio e longo prazos”, afirma Fernández.

A saúde intestinal das aves é fundamental, pois é o que permite manter a absorção adequada de nutrientes e uma barreira contra muitos patógenos, um ponto-chave para a eficiência econômica. De acordo com Mariano, também é importante ter um ambiente saudável e manter um desenvolvimento adequado do animal. “Assim, evitamos complicações gerais de saúde, bem como alterações fisiológicas e comportamentais da ave que possam impactar negativamente nessa busca pela eficiência e bem-estar do animal”, ressalta.

Alternativas

Existem muitas alternativas em uso e em outras em desenvolvimento que vão em encontro a substituição desse medicamentos e que podem ser classificados de várias maneiras, mas em geral estão associados a produtos derivados de microrganismos (probióticos, pós-bióticos, peptídeos, etc.); medicamentos, produtos químicos (prebióticos, ácidos, etc.) e enzimas; fitoquímicos (extratos vegetais, óleos essenciais, saponinas, taninos, etc.) e produtos derivados relacionados ao sistema imunológico.

Conforme Fernández, cada um possui características específicas e, embora os mecanismos de ação propostos variem, mesmo entre produtos semelhantes (por exemplo, dois fitoquímicos semelhantes), em geral estão relacionados à modulação da microbiota, efeitos diretos no trato intestinal e na fisiologia do hospedeiro, incluindo o sistema imunológico. “Em algumas alternativas, um mecanismo pode ser mais preponderante que outro, porém temos que considerar que estamos falando de um sistema complexo, que se estabelece entre a microbiota intestinal e a ave, de modo que cada efeito de um lado influenciará o outro”, explica.

Processo de transição

A transição dentro da granja pode ocorrer de maneira rápida e segura, desde que se escolher corretamente as alternativas indicadas para cada sistema produção. No entanto, de acordo com Fernández, o maior desafio muitas vezes está nas pessoas encarregadas de aplicar a mudança, pois ainda existe receio e resistência a essa substituição. “Este medo leva a crer que qualquer situação negativa que surja no sistema de produção é rapidamente associada à substituição, o que pode ameaçar a mudança realizada”, aponta Fernández.

Custo

Considerado o principal “vilão” na produção brasileira de proteína animal, o custo de produção é extremamente debatido e os processos produtivos ajustados para que sejam minimizdos, sem comprometer a produtividade.

Dentro desse atual contexto, qualquer mudança pode ser vista com preocupação pelos produtores, em razão de possíveis encarecimentos do custo de produção.

Entretanto, as alternativas aos promotores de crescimento convencionais não acarretam aumento aos avicultores, segundo Fernández. “Com a oferta de alternativas disponíveis, não deve ser mais caro se a escolha for adequada ao meu sistema”, afirma.

No entanto, conforme Mariano, devemos ter em mente que muitas vezes diferentes alternativas são adicionadas aos alimentos, por diferentes motivos, como cobrir possíveis problemas, que muitas vezes não são necessários. “Isso acaba aumentando o custo do uso dessas alternativas”, menciona.

Por outro lado, o impacto ao longo do tempo, o uso dessas alternativas nos sistemas de produção, acompanhado de outras medidas como vacinação, biossegurança e densidade, devem gerar um sistema mais estável e previsível. “E portanto, menor custo de produção associado a problemas de saúde clínicos e subclínicos”, salienta Fernández.

Alternativas futuras

O desenvolvimento de alternativas vem evoluindo desde os anos 2000, com um forte impulso de pesquisa e desenvolvimento nos últimos anos.

Segundo Fernándes, no início, o foco era muito na capacidade antimicrobiana das alternativas, para depois incluir a ave como alvo de ação das alternativas e depois incluir ambas. “No futuro, talvez mais próximo do que esperamos, teremos alternativas que atuem diretamente nos principais mecanismos que nos permitem estimular o crescimento dos animais e teremos mais uma mudança de paradigma”, ressalta. Embora, conforme ele, a indústria ainda esteja tentando entender quais são esses mecanismos, muito desse conhecimento já se tem e o desafio está em juntar essas peças. “É muito provável que isso também afete a forma como prevenimos a adversidade das doenças infecciosas intestinais, favorecendo uma microbiota robusta e um sistema imunológico ativo”, salienta.

Mas para progredir ainda mais, de acordo com ele, é preciso descrever com mais detalhes a dinâmica das várias microbiotas sob diferentes condições, os metabólitos que são gerados e as vias de comunicação que se estabelecem entre a microbiota gastrointestinal e a ave. “Essas práticas começaram a entender graças ao custo cada vez mais acessível das técnicas de sequenciamento massivo, por exemplo”, sustenta.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: O Presente Rural
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ANPARIO 2021

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