Avicultura Manejo
Vacinação em granjas de frangos de corte: uma prática desnecessária na avicultura brasileira
Cada vacina deve ser escolhida em função primeiramente da ou das enfermidades-alvo

Artigo escrito pela médica veterinária MSc. Aline Sousa e médico veterinário PhD. Jorge Chacón – Serviços Veterinários da Ceva Brasil
Os programas imunoprofiláticos, parte fundamental dos programas de biosseguridade, são imprescindíveis para garantir a produção de lotes sem doenças clínicas e subclínicas que afetam a viabilidade e produtividade das aves.
Os programas vacinais são desenhados baseados no nível de desafios ou pressão de infecção em cada realidade geográfica. O desenvolvimento da avicultura brasileira em termos de tecnificação e eficiência produtiva tem crescido notoriamente nas últimas décadas, convertendo-se em principal exportador de carne de frango. No país, as melhores práticas de criação têm ajudado a diminuir a pressão de patógenos, levando ao uso de programas vacinais menos carregados, com menor número de aplicações na granja.
As vacinas têm se estabelecido como um dos principais pilares para os programas de controle de doenças na avicultura. Até a década de 2000, era comum ter granjas aplicando mais de cinco vacinas no campo. A disponibilidade de vacinas aplicadas no incubatório e mais eficazes tem diminuído e até eliminado as vacinações na granja de frango de corte.
Mas, nem todas as vacinas têm a capacidade de eliminar as revacinações ou vacinações de reforço na granja. As vacinas devem ter a capacidade de parar o ciclo das doenças ou controlá-las de forma integrada, para isso, é importante não apenas proteger a ave vacinada, mas também o ambiente ou granja. Uma ave bem protegida não apenas não adoecerá, mas também não permitirá a replicação e consequente excreção do patógeno na cama.
Requerimentos da vacina ideal
Vários e efetivos produtos foram desenvolvidos durante a última década e estão disponíveis para as mais importantes enfermidades avícolas, sendo responsáveis por uma acentuada redução das perdas por doenças em aves comerciais.
Além da proteção da ave e do ambiente, uma vacina ideal deve possuir outras características específicas: facilidade de administração, custo de aquisição acessível, estabilidade do produto durante o armazenamento e após a inoculação no organismo e adequação para programas de vacinação em massa. São objetivos da vacinação: prevenir a infecção, prevenir a doença clínica e suas consequências, atenuar a doença clínica e suas consequências, reduzindo a severidade e intensidade dos sinais. Em relação à eficácia, a vacina deve induzir imunidade precoce, robusta e duradoura.
O desejo pela obtenção de um baixo custo de produção, associado ao objetivo de um produto de alta qualidade para o consumidor, foi um forte incentivo para o desenvolvimento de biológicos de alta tecnologia, aplicados a novas formas de administração nas aves, mais seguras e eficientes, durante os últimos 15 anos. Outro fator determinante foi a perda de eficácia das vacinas tradicionais e aplicações, frente a produções em larga escala, ao alto custo de mão-de-obra qualificada e à sua utilização em momentos emergenciais (in time). Os resultados das pesquisas foram alavancados pelo advento das tecnologias Complexo Imune e de DNA recombinantes, aplicadas no primeiro dia de vida por via subcutânea ou no 18º dia de incubação via In ovo ou por vacinas vivas aplicadas via spray no primeiro dia de vida no incubatório. Todas essas tecnologias precisam ser entendidas e utilizadas da forma correta para as diferentes enfermidades a que se propõem imunizar, a fim de demonstrarem seu verdadeiro benefício e efetividade.
Monitoria do processo de vacinação
As vacinas aplicadas no incubatório têm recebido boa acolhida devido às necessidades das empresas produtoras de eliminar as vacinações na granja motivados principalmente aos inúmeros erros realizados durante as vacinações na granja, dificuldade de obter mão de obra qualificada, e à menor eficácia das vacinas aplicadas de forma massal na granja. Para poder eliminar as vacinações na granja, garantindo uma boa proteção, além de ter uma boa vacina, é também importante ter um processo de vacinação eficiente, mecanizado, controlado e monitorado. Treinamento contínuo da equipe de vacinação do incubatório, revisão e manutenção permanente dos equipamentos e execução adequada que permita a aplicação da dose vacinal correta viável em quase 100% das aves é necessário. Para ter todos estes aspectos controlados, é necessário que a empresa disponha de um sistema de auditoria que verifique a eficácia do processo de vacinação.
Para eliminar as vacinações na granja de frango de corte, deve-se incluir no programa imunoprofilático, vacinas altamente eficazes. Para selecionar a melhor alternativa vacinal ou tecnologia, se faz necessário o entendimento de cada doença, de cada agente etiológico, e da sua epidemiologia. A continuação, se discutirá de forma resumida nestes aspectos.
Doença infecciosa da bursa ou Doença de Gumboro (IBD)
A IBD é uma das principais doenças a comprometer a imunocompetência em aves. Seu impacto pode variar de altas taxas de mortalidade à imunossupressão (destruição dos linfoblastos B, precursores dos plasmócitos responsáveis pela síntese de anticorpos), permitindo que outras enfermidades (Anemia infecciosa, E. coli, Bronquite infecciosa) se estabeleçam e causem alta morbidade no plantel.
O agente da IBD é um birnavirus, sem envelope, tornando-o extremamente resistente à desinfecção, aumentando sua população no ambiente do aviário – na cama, na poeira, nas penas – à medida que os lotes iam sendo criados. O vírus ingressa pela via oral e, depois de horas, chega até o órgão alvo que é a bursa.
A doença pode ser prevenida em parte pela hiperimunização das matrizes, mas os anticorpos maternais (imunidade passiva) não permitem prevenir a infecção por vírus de campo nas últimas semanas de vida da ave. Desta forma, se faz necessário a imunização da progênie, para garantir que no momento da queda dos anticorpos maternais (AcM), as aves não se infectem pelos vírus de campo (imunidade ativa).
Vacinas vivas convencionais contendo cepas invasivas (intermediária plus ou forte) foram capazes de ocupar a Bursa de Fabrícius e tornar os linfócitos B aí presentes, imunologicamente refratários a uma segunda infecção pelo IBDV. O grande problema era definir a melhor idade para a vacinação de campo.
“Durante muitos anos, utilizou-se algumas ‘fórmulas’ para estabelecer ‘qual a’ ou ‘quais as’ idades ideais para a vacinação a campo dos frangos de corte: quando muito precoce, os AcM destruiriam o antígeno vacinal; quando tardia, abriria um espaço para que os vírus de campo, capazes de ultrapassar a barreira de AcM precocemente, chegassem antes à bursa e causassem a doença”.
A Fórmula de Deventer, que ficou mais conhecida, foi muito utilizada nas décadas de 1990 e 2000. Ela contemplava o uso de mais de uma vacina de Gumboro (intermediária, plus e forte). Utilizando o cálculo de decréscimo dos AcM (meia vida), verificou-se que existiam diferenças entre os vários tipos de aves (frangos, matrizes e poedeiras).
De forma geral, após fazer o Elisa Idexx de 20 pintos de 1 a 3 dias de idade, proveniente de cada lote de matriz em produção (no caso de frangos de corte), os números eram lançados em uma planilha que “calculava” a idade em que 75% do plantel estaria em condições de receber a vacina escolhida. Caso fôssemos esperar que 90% do plantel atingisse a idade ideal, aquelas aves com AM mais baixos seriam infectadas pelo vírus de campo. Também poderíamos escolher dois ou três percentuais do lote para fazer duas ou três vacinações a campo e garantir uma melhor chance de acerto (50% – 30% – 20%, p.e.).
O mais interessante eram as observações ao final das explicações de todo o método de cálculo e utilização da fórmula:
- “A fórmula calcula a idade de ‘ultrapassagem’ dos títulos de AcM através do Elisa Idexx Standard e não deve ser usada com outros Elisas, a menos que aprovados pelo fabricante da vacina”;
- “Uma estimativa da data correta para vacinação contra Gumboro (caso a fórmula seja utilizada), é apenas uma ferramenta na escolha da idade ótima. Ela não é uma garantia. Ela não compensará uma higienização pobre, uma alta pressão de infecção no campo (vírus muito virulentos – vvIBDV – ‘ultrapassam’ a barreira dos AcM com mais altos títulos do que qualquer vacina) e má aplicação da vacina”.
Temos que lembrar que: nos anos 1990-2000, testes de Elisa tinham um alto custo no Brasil (têm até hoje, uma vez que seguem a variação do dólar); que, como hoje, os lotes de frangos são cada vez maiores, e são formados por uma mistura de progênies de vários lotes de matrizes; que matrizes não transferem AcM para a sua progênie de forma uniforme, que também sofrem os efeitos de vacinações mal realizadas, de falhas de aplicação etc. Na prática, já naquela época, a determinação do momento ideal de vacinação era uma falácia, um “desejo”, conquistado, muitas vezes, mais pela experiência do veterinário e pelas múltiplas vacinações do que pelo cálculo, que era impossível de ser feito, sequer mensalmente (sem esquecer as inúmeras integrações que ainda não eram verticalizadas e adquiriam os ovos de terceiros).
Depois da determinação da idade de vacinação, chegou a hora de realmente executar uma vacinação na água de bebida em uma granja de corte. Alguns dos fatores que interferem nesse método de vacinação (válidos até hoje):
- Treinamento (da equipe, do técnico, do integrado, do granjeiro) – rotatividade;
- Estocagem e transporte da vacina até a granja;
- Limpeza de bebedouros ou nipples (canos, reservatórios);
- Jejum hídrico (cálculo da quantidade de água a ser utilizada – consumo entre 1h e 1:30h);
- Qualidade da água (microbiológica, ajuste de pH);
- Número de doses da vacina;
- Uso de estabilizantes, declorificantes e corantes;
- Preparação da vacina;
- Temperatura da água e do ambiente;
- Estabilidade do vírus vacinal;
- Administração da vacina (tempo de consumo x ordem social x tempo de viabilidade);
- Stress das aves.
“Podemos imaginar ou calcular o número de pessoas envolvidas e treinadas para que todo esse procedimento seja feito corretamente em uma integração de 6 milhões de aves, por exemplo”.
“Pelos inúmeros motivos citados acima, é impossível conseguir uma uniformidade de vacinação via água de bebida, correta e eficaz, de maneira contínua em 100% dos lotes em qualquer sistema de produção”.
Em meados dos anos 2000, surgiram as vacinas com as tecnologias Complexo imune e vetorizadas ou recombinantes. Essas vacinas permitem que a vacinação para Gumboro e para outras enfermidades seja feita no incubatório ao 1º dia (via subcutânea) ou por volta do 18º dia – (in ovo), por sistemas automatizados que podem vacinar mais de 50.000 pintos/hora.
- Vacinas Complexo Imune
Consistem em suspensão de vírus de Gumboro (IBDV) vivo atenuado, do tipo intermediário Plus, recoberto por imunoglobulinas específicas (Imunoglobulinas Protetoras de Vírus ou VPI). Dessa forma, o vírus vacinal coberto pelas VPI fica protegido, e não é reconhecido pelo sistema imune das aves
Após a administração do Complexo imune, as VPI são catabolizadas ao mesmo tempo que os AcM, então, o vírus vacinal é liberado. A proteção da vacina, que corresponde à replicação do vírus vacinal na bursa, ocorre quando os AcM diminuem a um nível que permite a cobertura vacinal antes do lote tornar-se suscetível à infecção.
Imunizações com esse tipo de tecnologia, aliadas a cepas invasivas contra o IBDV, são capazes de proteger imunologicamente os linfócitos B presentes na bursa e, ciclo após ciclo, diminuir a pressão viral. Consequentemente, a seleção de populações virais na granja não ocorre, alcançando-se o “controle” verdadeiro da doença.
Atualmente, as matrizes de corte já vêm sendo vacinadas no incubatório com vacinas Complexo imune, eliminando as vacinas vivas feitas na recria antes da vacinação inativada. Isso significa um primer de alta qualidade, menor CV, menor custo com mão-de-obra, menos manipulação das aves, etc…
- Vacinas vetorizadas ou recombinantes para IBD
São produzidas a partir de vírus geneticamente modificado (vetor HVT, vírus da doença de Marek), cujo genoma contém o gene do vírus de Gumboro que codifica a proteína VP2 do capsídeo viral. A vacina recombinante não estimula todos os ramos do sistema imune, como as vacinas vivas, pois não existe a replicação do vírus de Gumboro (ele não está presente); apenas induz uma resposta imune de anticorpos contra o antígeno VP2, carreado pelo vírus de Marek (HVT). A proteção induzida pelas vacinas rHVT-VP2 vai aumentando aos poucos, levando alguns dias até várias semanas pós-administração.
As vacinas vetorizadas não impedem a replicação de vírus de campo nas aves. Por isso, a pressão nos aviários se mantém ou até mesmo aumenta. Muitas vezes, é preciso complementar o programa utilizando-se vacinas vivas atenuadas, para reduzir a pressão viral no campo.
A curto prazo, a imunidade induzida pelas vacinas vetorizadas para Gumboro é adequada contra vírus homólogos, mas limitada no caso de desafio precoce, como ocorre em áreas onde a pressão viral é alta. A longo prazo, o fato da imunidade ser específica para o tipo de antígeno, e não proteger igualmente contra todas as cepas virais de Gumboro, afeta negativamente a prevenção da doença.
Conclusões
Cada vacina (viva, inativada, Complexo imune, recombinante) deve ser escolhida em função primeiramente da ou das enfermidades-alvo. Cada enfermidade é causada por agentes com características intrínsecas diferentes, que devem ser bem entendidas para definir o melhor programa preventivo. Deve-se conhecer também a epidemiologia, o nível de pressão de infecção, e o nível de risco da doença para a escolha da alternativa que melhor se adeque à realidade de cada granja ou região geográfica. Uma vez tendo estas informações, o técnico deve definir os requisitos para um programa adequado.
É importante citar que, na maioria das vezes, a via de vacinação é escolhida baseando-se nos critérios humanos envolvidos (número de pessoas, custo, facilidade de aplicação) e não nos critérios técnicos (melhores condições para conservação dos títulos vacinais, alta ou baixa estabilidade fora da ave).
A avaliação da eficiência de um programa vacinal deve basear-se fundamentalmente no aspecto sanitário (não apenas na forma clínica, mas também a subclínica). Mas, como na atualidade as formas subclínicas das doenças são mais comuns e menos detectadas, a avaliação deve incluir a mensuração da produtividade dos lotes a partir de dados confiáveis.
“Devido ao tamanho dos lotes criados e aos preços dos principais insumos e do produto final, gramas de ração ou de carcaça de frango podem representar lucros ou perdas milionárias para as empresas produtoras”.
Finalmente, devemos lembrar que, qualquer que seja a forma da avaliação do programa vacinal, ele terá um custo, o maior deles, uma avaliação errônea de que tudo está indo muito bem e que não precisamos melhorar os parâmetros alcançados.
Outras notícias você encontra na edição de Aves de janeiro/fevereiro de 2020 ou online.

Avicultura
Tributação no meio da cadeia avícola eleva custos e pressiona preços do frango
Sindiavipar alerta que LC nº 224/2025 mantém desoneração do frango, mas reintroduz custos em elos estratégicos da produção, com impacto indireto no preço final.

Apesar de preservar a carne de frango na lista de produtos desonerados da cesta básica, a Lei Complementar nº 224/2025 traz efeitos econômicos relevantes para a cadeia produtiva avícola, sobretudo ao reintroduzir tributação em etapas intermediárias consideradas estruturais para o setor. A avaliação consta em comunicado divulgado nesta segunda-feira (12) pelo Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), que aponta risco de aumento indireto de custos ao longo do sistema produtivo.

Foto: Ari Dias
Segundo a entidade, a nova legislação mantém a isenção na etapa final, mas altera o tratamento tributário de operações fundamentais, como a comercialização de ovos férteis e a venda de pintinhos de um dia destinados a incubatórios e à integração. Esses insumos estão na base da cadeia industrial e, ao serem tributados, fazem com que a carga fiscal passe a incidir antes da fase de abate e industrialização.
O principal ponto de atenção, de acordo com o Sindiavipar, está na combinação entre a oneração dessas etapas intermediárias e a ausência ou limitação do direito ao crédito nos elos seguintes. Nesse formato, o tributo pago ao longo da cadeia não é integralmente compensado, se transformando, total ou parcialmente, em custo definitivo de produção.
Esse mecanismo, destaca a entidade, compromete o princípio econômico da não cumulatividade. Na prática, cria-se um custo tributário cumulativo disfarçado, especialmente sensível em cadeias longas e altamente integradas, como a avicultura industrial brasileira.
Mudanças na sistemática de alíquotas e créditos
O comunicado também chama atenção para mudanças específicas na sistemática de alíquotas e créditos. Produtos que antes operavam

Foto: Divulgação/Copacol
com alíquota zero passam a ser tributados em 10% da alíquota padrão. Além disso, os créditos presumidos, anteriormente integrais, sofrem redução de 10%, passando a 90% do valor, o que amplia a parcela de imposto não recuperável ao longo do processo produtivo.
Sem crédito pleno, o tributo incorporado tende a se propagar por todas as etapas seguintes – incubatórios, integração, engorda, abate e industrialização – pressionando margens das empresas ou induzindo repasses ao preço final. Com isso, embora a carne de frango permaneça formalmente desonerada, o custo embutido ao longo da cadeia pode resultar em elevação de preços ao consumidor.
Na avaliação do Sindiavipar, esse efeito indireto acaba onerando produtos classificados como cesta básica, uma vez que os custos tributários acumulados nas fases anteriores não são passíveis de recuperação. O alerta reforça a necessidade de análise sistêmica da tributação, considerando não apenas o produto final, mas toda a estrutura produtiva que sustenta a oferta de alimentos essenciais.
Avicultura
Brasil entra pela primeira vez no top 10 mundial de consumo per capita de ovos
Brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026.

A avicultura de postura encerra 2025 em um ciclo de expansão, sustentado sobretudo pelo avanço do consumo doméstico e por uma mudança clara no comportamento alimentar da população. O brasileiro nunca consumiu tantos ovos e as estimativas apontam que o consumo per capita deverá atingir 287 unidades, podendo ultrapassar a marca de 300 ovos em 2026, segundo projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Caso isso se confirme, o Brasil vai integrar, pela primeira vez, o ranking dos 10 maiores consumidores per capita de ovos do mundo.

Essa escalada do consumo é resultado da maior oferta nacional, que deve chegar a 62,250 bilhões de unidades em 2025, com perspectiva de atingir 66,5 bilhões de ovos em 2026, da combinação entre preço competitivo, conveniência e maior confiança do público no valor nutricional do alimento. “O consumidor busca alimentos nutritivos, com boa relação custo-benefício e que se adaptem ao dia a dia. O ovo entrega exatamente esses três pilares, por isso que deixou de ser apenas um substituto de outras proteínas e consolidou espaço definitivo no cotidiano das famílias. Hoje, participa muito mais do café da manhã dos brasileiros. É uma mudança cultural motivada pela acessibilidade do produto e por seu preço extremamente competitivo frente a outras proteínas, como a bovina”, evidencia o diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert, destacando que a expansão também se deve do ciclo recente de investimentos dos produtores em aviários mais modernos, mecanização e tecnologias de automação, que têm elevado eficiência e produtividade em várias regiões do País.
O profissional reforça que a maior segurança do consumidor em relação ao alimento tem base em evidências científicas mais robustas, aliadas ao esforço de comunicação do setor e do próprio IOB na atualização de informações e combate a mitos históricos. “Há quase duas décadas, o Instituto Ovos Brasil atua na promoção do consumo e na educação nutricional, período em que registrou avanço significativo na percepção pública sobre o alimento. Contudo, as dúvidas relacionadas ao colesterol ainda existem”, pontua, acrescentando: “A ciência evoluiu e já demonstrou que o impacto do colesterol alimentar é diferente do que se acreditava no passado. Essa informação vem ganhando espaço de maneira consistente”, afirma Herbert.
Preço competitivo sustenta consumo
O preço segue como um dos principais vetores da expansão do consumo. Para Herbert, a combinação entre custo acessível, praticidade de preparo e alto valor nutricional reforça a competitividade do produto. “É um alimento versátil, de preparo rápido e com uma lista extensa de aminoácidos. Essa soma faz com que o ovo esteja cada vez mais presente nas mesas dos brasileiros”, avalia.
Exportações sobem mais de 100% em 2025

Diretor comercial do Instituto Ovos Brasil (IOB), Anderson Herbert: “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”- Foto: Arquivo OP Rural
Embora ainda representem uma fatia pequena da produção nacional, as exportações ganham tração. A ABPA projeta até 40 mil toneladas exportadas em 2025, um salto de 116,6% frente às 18.469 toneladas embarcadas em 2024. Para 2026, o volume pode avançar a 45 mil toneladas, alta de 12,5% sobre o previsto para este ano.
Herbert exalta as aberturas de mercados estratégicos, com os Estados Unidos se destacando no primeiro semestre de 2025, e o Japão se consolidando como comprador regular. Chile e outros países da América Latina mantêm presença relevante, enquanto acordos com Singapura e Malásia ampliam o alcance brasileiro. Um dos marcos de 2025 foi o avanço dos trâmites para exportação à União Europeia, que deve ter peso crescente a partir de 2026. “Mesmo exportando cerca de 1% da produção, o volume é significativo porque o Brasil figura entre o quarto e o quinto maior produtor do mundo. Estamos preparados para ocupar um espaço maior no mercado global”, enaltece Herbert, destacando que a reputação do País em biosseguridade fortalece essa competitividade.
Custos seguem incertos
O cenário para ração, energia, embalagens e logística segue desafiador. Herbert aponta que prever alívio em 2026 é praticamente impossível, dada a forte dependência de insumos dolarizados como milho e farelo de soja. “O câmbio é um dos fatores que mais influenciam o custo dos grãos, tornando qualquer projeção extremamente difícil”, diz.
A estratégia do setor permanece focada em eficiência interna e gestão de custos, enquanto aguarda maior clareza do mercado internacional.
Avanço em programas sociais e políticas públicas
O IOB também fortaleceu ações voltadas ao acesso ao ovo em 2025. A entidade participou de eventos educacionais e doou materiais informativos, reforçando o papel da proteína na segurança alimentar. “A campanha anual do Mês do Ovo ampliou visibilidade e estimulou inserção do produto em programas de alimentação pública, como merenda escolar”, ressalta Herbert, enfatizando que ampliar o consumo em iniciativas sociais é prioridade. “Seguimos trabalhando para facilitar o acesso da população a um alimento completo, versátil e nutritivo”.
Combate à desinformação
A comunicação permanece entre os maiores desafios. Em um ambiente de excesso de informações, o IOB aposta em estratégias digitais e parcerias com nutricionistas, educadores e influenciadores de saúde para alcançar públicos emergentes, como pais de crianças, praticantes de atividade física e pessoas em transição para dietas mais equilibradas. “Nosso foco é estar onde o consumidor está, com informação clara, acessível e confiável”, afirma o diretor.
Um setor mais organizado e unido
Herbert destaca que o IOB vive um momento de fortalecimento institucional, com crescimento no número de associados e maior representatividade dos principais estados produtores. “Estamos no caminho certo. Trabalhamos para estimular a produção legalizada, reforçar cuidados sanitários e aproximar o produtor, além de orientar consumidores e profissionais de saúde”, salienta.
Avicultura
Países árabes impulsionam exportações brasileiras de carne de frango em 2025
Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita figuram entre os principais destinos, contribuindo para novo recorde de volume exportado pelo setor, que superou 5,3 milhões de toneladas no ano.

Dois países árabes, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita, estiveram entre os principais destinos das exportações brasileiras de carne de frango em 2025. Os Emirados foram o maior comprador, com 479,9 mil toneladas e aumento de 5,5% sobre 2024. A Arábia Saudita ficou na terceira posição entre os destinos internacionais, com aquisições de 397,2 mil toneladas e alta de 7,1% sobre o ano anterior.
As informações foram divulgadas na terça-feira (06) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Segundo a entidade, o Japão foi o segundo maior comprador da carne de frango do Brasil, com 402,9 mil toneladas, mas queda de 0,9% sobre 2024, a África do Sul foi a quarta maior importadora, com 336 mil toneladas (+3,3%), e Filipinas vieram em quinto lugar, com 264,2 mil toneladas (+12,5%).

Foto: Jonathan Campos
A ABPA comemorou o resultado das exportações em 2025, que foram positivas, apesar da ocorrência de gripe aviária no País. As vendas ao exterior somaram 5,324 milhões de toneladas, superando em 0,6% o total exportado em 2024. O volume significou um novo recorde para as exportações anuais do setor, segundo a ABPA. Já a receita recuou um pouco, em 1,4%, somando US$ 9,790 bilhões.
“O ano foi marcado pela resiliência do setor e pela superação de um dos maiores desafios da história da avicultura nacional, com o registro de um foco, já superado, de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em aves comerciais. Fechar o ano com resultados positivos, conforme previu a ABPA, é um feito a ser celebrado e reforça a perspectiva projetada para 2026, ampliando a presença brasileira no mercado global”, disse o presidente da ABPA, Ricardo Santin, em nota divulgada.



