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Vacinação de tilápias no Brasil: o mundo está de olho! 

Doenças podem diminuir a produtividade e, consequentemente, levar à queda na disponibilidade de alimentos, influenciando questões sociais inerentes ao aumento da fome. Para driblar essa problemática, trabalhar com o conceito de prevenção é fundamental, pois os benefícios alcançados superam as dificuldades.

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Fotos: Divulgação/SANVet

A história da tilapicultura no Brasil vem sendo construída de mãos dadas com o desenvolvimento do setor agropecuário. A tilápia de hoje não é a mesma de anos atrás e, sem dúvida, a de amanhã não será a mesma de hoje. Isso acontece à medida que a genética, nutrição, sanidade e sistemas de cultivos se munem de novas tecnologias.

Hoje em dia, um produtor, piscicultor ou business investidor está muito mais amparado que os pioneiros na atividade. Existem diferenças de mercado, instalações, valor do produto e estruturas de custos. Mas, afinal, o que pode ter ajudado o nosso país a se desenvolver tanto?

No Brasil em 1877, foi inaugurada a Imperial escola Agrícola da Bahia. Em 1910 e 1914, foram fundadas duas instituições de Medicina Veterinária, em 1971 e 1974 foram criados os primeiros cursos de Engenharia de Pesca. No início, era apenas para a formação de capitães de navios pesqueiros. Posteriormente no país, devido à demanda, foram criados outros cursos na área, porém todos com reduzida carga horária em tópicos de aquacultura.

Apenas em 2009, o estado de Minas Gerais, recebeu a primeira turma no curso de graduação em Aquacultura, longe do litoral, com foco na produção de proteína animal aquática, contemplando de modo geral as grandes áreas de sanidade, genética e nutrição. Assim como os demais cursos na área de aquacultura, essas estruturas de ensino, sem dúvida influenciaram o desenvolvimento do setor no país, com a disponibilização de técnicos para trabalho nos diversos setores.

Em outras cadeias podutivas, como na avicultura, bovinocultura e suinocultura, o Brasil se destaca globalmente e continua crescendo por várias razões. Como: 1. Condições naturais favoráveis; 2. Grande disponibilidade de áreas; 3. Tecnologia e inovação; 4. Investimento em pesquisa e desenvolvimento; 5. Sistemas de produção sustentáveis; 6. Competitividade no mercado internacional; e 7. Políticas de exportação e acordos comerciais.

A experiência e a estrutura de apoio, dessas cadeias pode impulsionar de forma biossegura o setor de pescado, por meio da tilapicultura. Vejamos, por exemplo, a questão da implementação de novas tecnologias, somos o maior país do mundo em prática de vacinação em tilápias, ultrapassando países líderes em produção, como a Indonésia. Apesar desse cenário favorável na promoção de saúde das tilápias, se compararmos o potencial de adoção dessa tecnologia e avaliarmos o número de vacinas utilizadas e o número de tilápias produzidas, essa prática ainda é relativamente baixa. A expectativa é que a adesão a programas de vacinação cresça no Brasil.

Biosseguridade e vacinação

Empreendimentos aquícolas que já adotam atividades de vacinação dentro da rotina dos seus manejos são também mais conscientes da necessidade de adoção de mais proteção de suas produções, como em relação a medidas de biosseguridade.

Essas medidas, vão desde o controle de acesso, filtragem e tratamento da água, separação dos peixes por idade e lotes, ambientes fechados e/ou semi-fechados, sistema de tanque independente, sistema de desinfecção, controle de temperatura, monitoramento, uso de barreiras físicas e quarentena, utilização de animais sentinela, entre outras.

Uma tilápia criada em um sistema de cultivo que utiliza das medidas citadas está muito mais propicia a ter maior sucesso na efetividade da vacina do que uma tilápia em sistemas mais desafiadores, sem qualquer medida de biosseguridade. A vacina é realizada na cavidade celomática via intraperitoneal e, nesse local, ocorre a apresentação do antígeno ao macrófago, ocorrendo assim o processo de fagocitose do antígeno vacinal.

Após essa etapa inicial, há estímulo de proliferação de outras linhagens celulares, como linfócitos T e linfócitos B, desencadeando a produção de anticorpos neutralizantes do antígeno específico. Esse processo e a sua duração podem variar devido a diversos fatores, como o status sanitário do animal e o seu ambiente de criação.

O sucesso em implementar programas vacinais na tilapicultura atualmente é decorrente da rede de apoio laboratorial no que se refere ao diagnóstico das principais doenças e enfermidades da piscicultura. Existem diversos laboratórios, dentre os quais universidades, centros de pesquisas e empresas privadas, que realizam análises microbiológicas, parasitológicas, genéticas, nutricionais e de qualidade de água para tilapicultura.

A vacinação de tilápias no Brasil representa uma estratégia essencial para a promoção da saúde animal e sustentabilidade no setor. Doenças podem diminuir a produtividade e, consequentemente, levar à queda na disponibilidade de alimentos, influenciando questões sociais inerentes ao aumento da fome. Para driblar essa problemática, trabalhar com o conceito de prevenção é fundamental, pois os benefícios alcançados superam as dificuldades.

Benefícios

Dentre os benefícios, ficam evidentes a redução no uso de antibióticos, melhora do status sanitário na piscicultura, melhor custo-benefício no controle de doenças, obtenção de carne de melhor qualidade e sem resíduos de antibióticos, segurança do investidor, diminuição de animais apresentando uma condição sanitária subclínica, redução da pressão de infecção para enfermidades, melhora de uniformidade e desempenho zootécnico. Enfim, há mais benefícios que dificuldades na adoção da prática de vacinação.

Ruma à liderança

O futuro, sem dúvida, passa pelo desenvolvimento e adoção de novas tecnologias. Paralelo a isso, a utilização de áreas biosseguras, investimentos em pesquisas, monitoramento contínuo e geração e análise de dados são fatores-chave. Ter uma visão ampla do negócio é essencial na tomada de decisão, e mudar de rota sem perder o foco faz parte do negócio.

Assim como toda mudança no setor agropecuário, a sua adoção e novas atitudes são feitas de forma gradativa. Estamos em um país privilegiado pois temos uma estrutura muito desenvolvida e a atuação de profissionais capacitados na área, ou seja, temos o que precisamos para escrever o futuro. Acredito que esse é o caminho para que, aos poucos, possamos alcançar a liderança mundial na produção de tilápias.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor de Aquicultura acesse a versão digital, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: Por Jefferson Alves, coordenador técnico comercial nacional AQUA da SANVet.

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Tilápia registra queda nas cotações em todas as principais regiões produtoras

Levantamento do Cepea mostra retração semanal entre 0,10% e 0,61% nos preços pagos ao produtor.

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Foto: Shutterstock

Os preços da tilápia apresentaram recuo em todas as principais regiões produtoras monitoradas pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) na semana de 13 a 17 de julho.

O maior valor foi registrado no Norte do Paraná, onde o quilo da tilápia foi negociado a R$ 10,31, apesar da retração semanal de 0,61%. Em seguida aparecem o Triângulo Mineiro/Alto Paranaíba, com cotação de R$ 10,04 por quilo e queda de 0,50%, e a região dos Grandes Lagos, onde o preço fechou em R$ 9,80, recuo de 0,52%.

Em Morada Nova de Minas, o quilo da tilápia foi comercializado a R$ 9,48, com desvalorização de 0,26% na comparação com a semana anterior.

No Oeste do Paraná, a cotação ficou em R$ 8,70 por quilo, a menor entre as regiões pesquisadas. Apesar disso, o mercado registrou a menor variação negativa da semana, com queda de 0,10%.

Os dados são do levantamento semanal do Cepea, que acompanha a evolução dos preços da tilápia nas principais regiões produtoras do país.

Fonte: Assessoria Cepea
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Seguro-defeso pode passar a ser pago durante todo o período de proibição da pesca

Mudança também prevê cadastro nacional de pescadores artesanais e regras mais rígidas para combater fraudes na concessão do benefício.

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Foto: Divulgação

Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados prevê que o Seguro-Desemprego do Pescador Artesanal seja pago durante todo o período em que a pesca estiver proibida por medidas de preservação ambiental.

O Projeto de Lei 806/2026 altera a Lei nº 10.779/2003, que regulamenta o seguro-defeso, benefício concedido aos pescadores artesanais durante a paralisação temporária da atividade para garantir a reprodução das espécies.

Foto: Claudio Neves

Segundo o texto, o objetivo é evitar situações em que o pescador permanece impedido de exercer a atividade por determinação legal, mas deixa de receber o benefício durante parte do período de restrição.

Além da ampliação da cobertura, a proposta cria o Cadastro Nacional de Pescadores Artesanais e Marisqueiras. A ferramenta deverá reunir informações para registro, controle e cruzamento de dados, permitindo maior fiscalização na concessão e no acompanhamento do seguro-defeso.

O projeto também endurece as regras contra fraudes. Pela proposta, quem obtiver ou tentar obter o benefício mediante fraude ou má-fé ficará impedido de participar ou receber benefícios de programas sociais.

Autores da proposta, os deputados Carla Dickson (PL-RN) e Sargento Gonçalves (PL-RN) afirmam que a medida busca garantir que os recursos do seguro-defeso sejam destinados exclusivamente aos profissionais que dependem da pesca artesanal como fonte de renda.

Tramitação

O projeto será analisado, em caráter conclusivo, pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para entrar em vigor, a proposta ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal.

Fonte: O Presente Rural
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Peixes

Ruído de embarcações compromete comunicação dos peixes, aponta estudo

Pesquisa da UFPE indica que a poluição sonora pode afetar alimentação, reprodução e defesa de território, com reflexos para a saúde dos recifes e da pesca.

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Foto: Divulgação

O ruído de motores de embarcações, como lanchas e motos aquáticas, e de banhistas afeta a comunicação sonora entre os peixes, o que pode causar impactos negativos na alimentação, reprodução e defesa de território de várias espécies. A poluição sonora encobre os sons emitidos pelos peixes e representa risco para a saúde de recifes de corais.

A constatação faz parte de um artigo de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), publicado nesta segunda-feira (20), na revista científica Neotropical Ichthyology e divulgado pela Agência Bori, voltada a estudos científicos.

Foto: MPA

Apesar de a publicação ser em inglês, o periódico é editado pela revista oficial da Sociedade Brasileira de Ictiologia (SBI). A ictiologia é o ramo da zoologia dedicado ao estudo científico dos peixes.

De acordo com um dos autores do estudo, Túlio Freire Xavier, do Laboratório de Pesquisa em Ictiologia e Ecologia de Recifes da UFPE, a análise mostrou que “houve uma redução clara na ocorrência dos sons produzidos pelos peixes”.

Segundo ele, a diminuição foi identificada “justamente” onde havia maior presença de ruído causado pela ação humana. “Isso pode acontecer porque os sons ficam mascarados pelo barulho das embarcações, tornando-se mais difíceis de detectar, ou porque alguns peixes realmente reduzem ou alteram sua produção sonora em resposta ao ruído”, diz.

Ele detalha que muitos peixes utilizam sons durante comportamentos como reprodução, defesa de território e alimentação. “Se essa comunicação for prejudicada, esses comportamentos também podem ser afetados”, assinala.

Praias turísticas

O estudo monitorou ruídos produzidos pela atividade humana, como de motores de embarcações, de parapentes e da própria movimentação de banhistas no mar. Ao mesmo tempo, os pesquisadores acompanharam os sons emitidos por peixes nessas áreas.

Foto: Denis Ferreira Netto/SEDEST

O trabalho de campo foi conduzido em duas regiões turísticas no litoral de Pernambuco: as praias de Carneiros, na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guadalupe; e Tamandaré, na APA Costa dos Corais.

Essas duas praias foram selecionadas por serem destinos turísticos populares com dinâmicas diferentes, o que permitiu comparar os impactos sonoros.

Carneiros é um destino popular durante o ano todo, enquanto Tamandaré apresenta variações sazonais, com pico no verão.

Em cada praia, os pesquisadores mediram os sons tanto em pontos perto da costa, mais influenciados pela atividade humana; e pontos abrigados, onde a estrutura de recifes serve como barreira para o som.

Forma de medição

Para chegar aos resultados, os pesquisadores instalaram nos pontos de monitoramento um sistema de gravação subaquática. Cada sessão de monitoramento teve dez horas contínuas de gravação diária, somando 80 horas de dados acústicos.

Além de captura dos sons, mergulhadores fizeram uma espécie de censo visual, contando a quantidade e espécie de peixes. Foram encontradas de 18 a 23 espécies. Em Carneiros, eles localizaram quase 1,4 mil peixes.

Os registros foram realizados em janeiro e fevereiro de 2022, período de alta temporada, e em abril de 2023.

Sons dos peixes

A pesquisa identificou nove diferentes tipos de sons de peixes. Três deles deixaram de ser emitidos em locais expostos à presença de pessoas.

A ictiologia explica que os peixes produzem grande diversidade de sons, que são fundamentais para sua comunicação e sobrevivência nos recifes, que se manifestam por meio de pulsos, às vezes únicos, às vezes repetidos e formando sequências. Alguns peixes não produzem sons.

Foto: Divulgação

Os sons emitidos pelos peixes são relacionados a comportamentos específicos e famílias de peixes. Biologicamente, são essenciais para localização de parceiros e reprodução, defesa de território contra invasores, interações em grupo, e alimentação e detecção de predadores.

A poluição sonora humana foi relacionada também à redução na complexidade acústica – índice que mede a variação de padrões sonoros dos peixes ao longo do tempo.

Os ruídos causam um fenômeno chamado “mascaramento acústico”, quando o som contínuo dos barcos esconde sinais acústicos dos peixes. Outro impacto é a supressão de comportamento, quando o ruído pode levar os peixes a reduzir ou cessar vocalizações.

Consequências

O pesquisador Túlio Freire Xavier destaca que os peixes da região são fundamentais para a saúde dos recifes de corais, contribuindo para o equilíbrio de cadeias alimentares. “Os peixes recifais desempenham papéis importantes no controle de algas, na manutenção dos corais e na produtividade desses ambientes.”

Ele ressalta que os recifes sustentam atividades importantes para a economia da região, como o turismo e a pesca artesanal. “Quando a poluição sonora interfere no comportamento desses peixes, existe o potencial de afetar, ainda que de forma indireta, os serviços ecossistêmicos que esses ambientes oferecem”, diz.

Outras regiões

O especialista da UFPE aponta que, apesar de o experimento ter sido realizado no litoral pernambucano, o impacto de sons da atividade humana na vida dos peixes não é “exclusivo desses locais”. “Sempre que houver intenso tráfego de embarcações, turismo náutico ou outras fontes de ruído subaquático que coincidam com as frequências utilizadas pelos peixes, existe potencial para impactos semelhantes”, afirma.

“A intensidade desses efeitos provavelmente varia de acordo com a quantidade de embarcações, as características do recife e as espécies presentes, mas o problema pode ocorrer em outros importantes recifes brasileiros, como Abrolhos e Fernando de Noronha”, complementa.

Limites sustentáveis

Túlio Xavier explica que ainda não existem limites universalmente aceitos para níveis seguros de ruído em ambientes recifais voltados à proteção dos peixes. “Esse é um campo que ainda precisa avançar bastante. Estudos como o nosso ajudam justamente a construir esse conhecimento”, diz.

Ele destaca que o conhecimento científico gerado é compartilhado com gestores e comunidades locais, para contribuir com políticas públicas de manejo das regiões.

O especialista em biologia marinha da UFPE sustenta que turismo e conservação não precisam ser incompatíveis, mas que o componente acústico deve passar a ser considerado no planejamento das atividades. “O ruído subaquático é uma forma de poluição que normalmente passa despercebida”, avalia.

Ele aponta que medidas “relativamente simples”, como organizar rotas de embarcações, reduzir a velocidade em áreas sensíveis e evitar concentração excessiva de atividades sobre determinados recifes, podem contribuir para diminuir esse impacto. “Proteger a paisagem sonora significa também ajudar a preservar o funcionamento ecológico desses ecossistemas e os benefícios que eles oferecem à sociedade.”

Fonte: Agência Brasil
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