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Vacina na produção animal é crucial também para a saúde humana

Na produção animal, as vacinas são ferramentas de extrema importância para manter os planteis e seus consumidores livres de doenças

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O mundo todo busca uma vacina contra a Covid-19, doença causada nos seres humanos pelo novo Coronavírus. Na produção animal, as vacinas são ferramentas de extrema importância para manter os planteis e seus consumidores livres de doenças. Para entender um pouco mais sobre o que são, como agem e outras questões, o jornal O Presente Rural entrevistou a pesquisadora Ana Paula Bastos e pesquisador Luizinho Caron, ambos da Embrapa Suínos e Aves, com sede em Santa Catarina. Confira e bom aprendizado.

O Presente Rural (OP Rural) – As vacinas servem para que?

Ana Paula Bastos e Luizinho Caron (Bastos e Caron) – As vacinas são substâncias biológicas, produzidas a partir de partes ou o microrganismo completo, atenuado ou morto, introduzidas nos animais a fim de protegê-los das respectivas doenças. Na prática, elas ativam o sistema imunológico, “ensinando” o organismo do animal a reconhecer e combater vírus e/ou bactérias em futuras infecções. Para isso, são compostas por componentes ou toxinas do microrganismo que causa a doença, ou pelo próprio agente patogênico em versões atenuadas (o vírus ou a bactéria enfraquecidos) ou inativadas (os agentes estão mortos). Portanto, as vacinas contêm antígenos de vírus, bactérias, toxinas bacterianas ou parasitas.

O objetivo da vacinação é estimular o sistema imunológico do animal a produzir anticorpos contra o antígeno administrado para evitar o desenvolvimento da doença caso o animal tenha contato futuro com esses vírus, bactérias ou parasitas e assim proporcionando proteção contra infecções a longo prazo. A maioria das vacinas estimula tanto uma resposta humoral quanto uma resposta mediada por células.

Algumas vacinas que são raras podem induzir uma imunidade estéril, ou seja, após vacinado por um determinado período o sistema imune é capaz de barrar via anticorpos qualquer tentativa de replicação do vírus no animal após o desafio. O mais próximo disso é a vacina contra Peste Suína Clássica (PSC), mas a maioria das vacinas não consegue inibir a replicação do vírus ou a proliferação da bactéria, mas evita a manifestação dos sinais clínicos ou da doença que esta provoca. Na produção de suínos muitas vezes uma vacina que reduz ou mitiga as perdas econômicas promovidas pelas doenças, já proporciona uma grande melhora no desempenho produtivo.

OP Rural – Como são produzidas?

Bastos e Caron – Várias estratégias básicas são usadas para fazer vacinas. Os pontos fortes e as limitações de cada abordagem são descritos aqui.

As vacinas podem ser vivas, contendo organismos vivos que se multiplicarão no suíno ou inativada, contendo apenas microrganismos mortos que não se multiplicarão no animal.

Em vacinas vivas, os microrganismos geralmente foram atenuados (isto é, sua virulência foi reduzida ou eliminada), de modo que, embora se multiplique no suíno, normalmente não causa nenhuma doença. Exemplos são a vacina PRRS (embora algumas possam causar reações leves), vacinas contra a doença de Aujeszky (pseudo-raiva) e vacinas clássicas da peste suína. As vacinas vivas atenuadas têm a vantagem de que, por se multiplicarem no suíno, dão um estímulo antigênico maior, resultando em uma imunidade mais forte e duradoura, além disso, são vacinas em que efeitos colaterais no local da aplicação ou generalizado (em todo o corpo) como choque anafilático ou anafilactoide serem muito raros, pois a dose de antígeno utilizada para a imunização é muito pequena. No entanto, essas vacinas têm a desvantagem de serem sensíveis e portanto, facilmente inativadas (mortas) e assim tornando-se inúteis em condições incorretas de armazenamento (colocadas no calor) ou durante a administração (por exemplo, por exposição a anti-sépticos ou desinfetantes), pois estas vacinas necessitam estar vivas ao serem administras aos animais para possam se replicar em seus tecidos e induzirem a imunidade.

As vacinas inativadas (mortas) podem conter microrganismos inteiros, partes antigênicas de organismos ou antígenos que foram sintetizados quimicamente. Um exemplo de uma vacina de organismo inteiro comumente usada é a vacina contra erisipela (Na América do Norte, essas vacinas são frequentemente chamadas de bacterinas). A imunidade produzida por vacinas inativadas pode ser aumentada pela adição de adjuvantes.

As vacinas inativadas também podem conter toxinas que foram modificadas para que estimulem uma resposta imune, mas não sejam tóxicas para o animal. As toxinas que foram modificadas dessa maneira são chamadas de toxóides. A vacina clássica desse tipo é o toxóide tetânico, que é comumente usado em cavalos, mas raramente em suínos. Em suínos, algumas das vacinas contra E. coli (diarreia de leitões) e as vacinas clostridiais contra disenteria de leitões contêm toxóides.

Vacinas autógenas são aquelas preparadas com patógenos infecciosos de rebanhos correlacionados a serem vacinados à partir de bactérias ou vírus patogênicos específicos isolados do animal doente. Os organismos causais devem ser isolados, crescidos, mortos e transformados em uma forma de vacina segura. Vacinas autógenas podem ser úteis quando surtos graves de doenças ocorrem e vacinas comerciais padrão não estão disponíveis.

Uma desvantagem de vacinar um rebanho é que você não pode usar exames de sangue para verificar se o organismo está presente no rebanho ou não. Todos os suínos terão resultados positivos, o que tem implicações óbvias para um programa de erradicação baseado em exames de sangue, por exemplo, a erradicação da peste suína ou da doença de Aujeszky (pseudo-raiva). Para superar isso, foram desenvolvidas vacinas com genes deletados. Uma parte do gene do organismo que codifica um antígeno foi removida para que, quando o organismo se multiplique no suíno, ele não estimule anticorpos contra essa parte do antígeno. Os exames de sangue especiais podem distinguir entre a variedade de anticorpos da doença e os estimulados pela vacina. Uma nova geração de tais vacinas manipuladas por genes chamadas em inglês “DIVA” (Differentiation of infected from vaccinated animals) ou vacina marcada que diferencia animal vacinado de infectado.

Vale ressaltar que o desenvolvimento de uma vacina é um processo complexo que envolve uma série de etapas, as quais levam tempo para serem cumpridas. Este processo engloba vários processos experimentais e de pesquisa; isto é, até uma vacina ser licenciada para uma doença e chegar aos produtores são necessários estudo, análises, aplicação em modelos experimentais (cobaias) e exames de reações de inocuidade e a eficácia. O processo de pesquisa para uma vacina começa com o estudo do agente causador da doença (vírus ou bactéria), a equipe isola o agente em laboratório e observa como esse agente provoca a doença. Posteriormente segue as seguintes fases de desenvolvimento: ensaios pré-clinicos, ensaios clínicos e licenciamento.

OP Rural – Como são definidas as vacinas que serão usadas?

Bastos e Caron – De modo ideal, espera-se que uma vacina seja capaz de conferir proteção prolongada do animal frente a uma nova exposição ao agente patogênico, caracterizando a imunidade de longa duração ou memória. A memória imunológica é que permitirá uma resposta imune intensa frente a uma nova exposição desse microrganismo patogênico. Vacinas devem apresentar facilidade de administração, custo de aquisição acessível, adequada estabilidade da vacina durante o armazenamento e após a inoculação no organismo, adequação à programas de vacinação em massa e capacidade de estimular imunidade forte e duradoura. Devem causar o menor número possível de efeitos colaterais e não afetar o desempenho produtivo dos animais. Contudo, a maioria das vacinas requer múltiplas doses para imunizar adequadamente e a via de administração gera custo extra para o produtor, como mão-de-obra disponível e treinada para executar adequadamente a vacinação.

Como solução, novas tecnologias estão sendo utilizadas para tornar as vacinas resistentes a diferentes temperaturas e usam adjuvantes que em conjunto também aumentam a imunogenicidade (a capacidade de uma substância provocar uma resposta imune), combinam antígenos vacinais e sistemas de entrega para as mucosas, pele ou via parenteral livre de agulha, melhorando os procedimentos de imunização, fazendo com que esse manejo no sistema de produção seja adequado e eficiente nas categorias críticas sob o ponto de vista imunológico na produção; como exemplo, os leitões e as porcas lactentes na suinocultura.

O suinocultor também deve avaliar se a vacinação irá gerar retorno econômico a curto, médio ou a logo prazo. Destacamos que isso não se aplica para as vacinas para enfermidades infecciosas graves e que são impostas pelas autoridades sanitárias oficiais, quando o principal objetivo é erradicação e controle das enfermidades. Tentar equilibrar o custo-benefício da vacina e outros insumos é difícil. As granjas comerciais não são projetadas para pesquisa; portanto, às vezes é difícil tirar conclusões de seu uso. No sentido mais básico, as vacinas são ferramentas de gerenciamento de riscos econômicos e de doenças. Portanto, impressões clínicas, dados de produção e informações financeiras devem ser usadas para avaliar o sucesso. Para tal, deve-se avaliar, portanto, o custo da vacina, custo da vacinação (mão de obra, agulhas, seringas, armazenamento), e o retorno gerado a partir da vacinação com a melhora da qualidade da carcaça, redução de condenações, melhora no ganho de peso, redução no uso de antibióticos ou tratamentos terapêuticos, aumento da média de leitões nascidos vivos por porca. Conhecer bem o seu sistema de produção para poder avaliar a probabilidade de um surto de alguma enfermidade que possa trazer sérios danos ao desempenho produtivo da granja também deve ser considerado.

OP Rural – Isso difere de região para região ou país? Ou ainda, quais as mais usadas no Brasil?

Bastos e Caron – O programa de vacinação difere entre países, estados, regiões e sistema de produção. Infelizmente não existe um programa de vacinação que possa ser recomendado para todas as granjas, já que o programa deve ser elaborado pelo médico veterinário, levando em conta os problemas sanitários e o manejo empregado em cada granja. Esse programa poderá ser alterado de acordo com o surgimento de novas vacinas, mudança no padrão das enfermidade e aparecimento de novas doenças, bem como também em função de alterações no manejo. Assim, é importante acompanhar os índices produtivos e ter o acompanhamento de um veterinário que conheça bem a etiologia, patogenia, epidemiologia das enfermidades, para utilizar todas as ferramentas de forma a obter o melhor resultado econômico possível.

Na suinocultura brasileira, nas áreas livre de Peste Suína Clássica (PSC) é proibida a vacinação, como nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, além de alguns estados do Norte e Nordeste. Esta é uma enfermidade cuja notificação é obrigatória. Para esses casos está previsto a implantação das medidas do programa de contingenciamento contra PSC do PNSS (Programa Nacional de Sanidade de Suídeos). Todavia, alguns estados do Norte e Nordeste do Brasil ainda são endêmicos para a peste suína clássica. Dessa forma, o MAPA – DSS – estabeleceu um programa de vacinação estratégica e obrigatória, em que profissionais dos órgãos de defesa estadual vão a todos os estabelecimentos onde há suídeos e vacinam os animais. Associado a este programa também são tomadas medidas de controle de transito e de entrada e saída de animais nestas regiões. Após dois ou três anos de encerrar o programa de vacinação estão previstos inquéritos epidemiológicos para avaliar o “status” sanitário do estado, ou região. A vacina utilizada contra a PSC é uma vacina atenuada chamada cepa Chinesa, a qual é altamente eficiente, mas a impossibilidade de se diferenciar sorologicamente animais vacinados de animais que foram infectados com vírus de campo é uma dificuldade par o programa de erradicação. O que implica na retirada da vacinação e a necessidade de se aguardar algum tempo, de renovação do plantel para se realizar os inquéritos epidemiológicos.

As principais doenças que acometem os suínos no Brasil e necessitam de vacinação são a Parvovirose, a Leptospirose, a Colibacilose, a Erisipela, a Circovirose, a Rinite atrófica, e a Pneumonia enzoótica. Sugerimos aqui um programa mínimo de vacinação para um rebanho suíno, lembrando que algumas criações podem exigir outras vacinas.

Leitoas: Na quarentena ou chegada na granja, recomenda-se a primeira dose de parvovirose, erisipela e leptospirose e com 20 a 30 dias após a chegada, a segunda dose. Com 70 dias de gestação, devem ser aplicadas as primeiras doses de colibacilose, rinite atrófica e pneumonia enzoótica. Com 90 dias, as respectivas segundas doses.

Porcas: Dose única de colibacilose, rinite atrófica e pneumonia enzoótica aos 90 dias de gestação. Dose única também para a parvovirose, leptospirose e erisipela de 10 a 15 dias após o parto.

Cachaços: Na quarentena ou chegada na granja, uma dose de parvovirose, erisipela, leptospirose e uma de rinite atrófica. Após, renovar a dose de rinite atrófica semestralmente e a de parvovirose anualmente.

Leitões: De acordo com a recomendação do fabricante ou veterinário, uma ou duas doses de pneumonia enzoótica e circovirose. É importante evitar o período de castração ou desmame dos leitões para fazer a aplicação das vacinas. Isso porque nesses períodos, o estresse do leitão é muito grande, comprometendo o desenvolvimento de uma resposta imunológica satisfatória.

Outras doenças comuns a suínos que requerem vacinação são a Peste suína clássica, a Leptospirose, a Erisipela, a Pleuropneumonia, a Doença de Aujeszky e a Paratifo, que devem ser aplicadas se assim recomendadas.

OP Rural – Como as vacinas ajudam no bem-estar dos animais?

Bastos e Caron  – Em 1979 a Farm Animal Welfare Council publicou um documento com os princípios que hoje norteiam as boas práticas de bem-estar animal e a legislação relativa ao assunto. Nesse documento postulam as 5 liberdades dos animais, dentre essas consta o animal estar livre de dor, doença e injuria.

A saúde animal é um fator de importância crucial na agricultura moderna, a saúde precária em si é um problema de bem-estar para os animais em questão. Ademais, a falta de bem-estar animal, mesmo na ausência de qualquer doença, também é importante porque pode afetar a produtividade. Sendo, desta forma, importante promover a boa saúde animal e o bem-estar animal para ajudar a garantir boa produtividade e segurança alimentar. Proteger a saúde dos animais por meio da vacinação leva a um melhor bem-estar, e a manutenção do bom bem-estar garante que os animais possam responder com êxito à vacinação. É claro que a vacinação tem enormes vantagens para o bem-estar animal e, embora os possíveis efeitos colaterais da vacinação ou a administração da vacina possam ter um efeito negativo no bem-estar de alguns animais, os danos causados ​​por esses efeitos indesejados devem ser pesados ​​contra os benefícios indubitáveis ​​para grupos de animais. A vacinação pode ser usada durante surtos de doenças como uma alternativa viável, evitando assim os problemas de bem-estar que o abate em massa na granja pode causar.

É importante compreender que existe uma conexão entre bem-estar e saúde o que pode aumentar a resistência a doenças infecciosas, enquanto um estado de bem-estar pobre pode reduzir a resistência imune do animal e, assim, predispor a doenças. Uma resistência reduzida pode levar ao desenvolvimento de doenças clínicas do estado de portadores, e pode significar que a doença nunca é completamente eliminada e que o animal permaneça portador. A ausência de bem-estar em um momento crítico, por exemplo castração sem analgesia, também pode afetar a resposta à vacinação, um ambiente de estresse resulta em imunossupressão, o que pode afetar a resposta efetiva à vacinação e aos desafios sanitários do ambiente de produção.

Além da produtividade dos animais e da segurança alimentar, a vacinação desempenha um papel importante na saúde humana através do controle de algumas doenças zoonóticas ou de doenças que predispõem os animais a desenvolver infecção por microrganismos zoonóticos, como exemplo temos as doenças que afetam o sistema imunológico tais como a circovirose. Como contextualizado acima, a vacinação promove o bem-estar animal, protegendo a saúde animal, mas também possui outros benefícios, por exemplo investigações recentes analisaram o potencial das vacinas em imunocastração – uma alternativa aos métodos tradicionais cruentos.

OP Rural – A vacina deixa os animais imunes a determinadas doenças? Como elas melhoram o ambiente das granjas?

OP Rural – O termo imunização se refere à indução de imunidade frente a um determinado agente. A imunização ativa ocorre pela exposição do animal ao agente infeccioso ou por vacinação.

As vacinas contêm um agente que se assemelha a um microrganismo causador de doença e ela ajuda a estimular uma resposta imune sem causar a própria doença. Isso cria uma exposição precoce a organismos causadores de doenças, onde o sistema imunológico dos animais é capaz de se recuperar do agente infeccioso ao qual o animal é vacinado. Mesmo assim, controlar a exposição de suínos a microrganismos normais e patogênicos é absolutamente essencial para o sucesso em sistemas alternativos. Um surto de doença pode ser desencadeado pela introdução de um animal saudável da maneira errada, para não falar de animais infectados e pessoas e equipamentos contaminados. É importante o produtor ter controle da exposição de animais jovens ou novos a organismos já existentes na granja até que seus sistemas imunológicos estejam prontos. Para melhorar a resistência a doenças dos suínos é importante a combinação da utilização de boas práticas de produção e a vacinação.

O ambiente das granjas também é melhorado na medida em que as doenças reduzem a imunidade geral do rebanho a infecções ambientais e aumentam muito a circulação de patógenos no meio ambiente, favorecendo a disseminação e o aparecimento de doenças infecciosas e mesmo aquelas que podem afetar a carne e a saúde do consumidor como a Salmonella.

OP Rural – Os animais são submetidos a estresse quando vacinados. Há novas tecnologias, como dose única, novos equipamentos, robôs, etc. para evitar tal estresse?

Bastos e Caron – Avanços recentes em tecnologias e também uma melhor compreensão de patogenicidade, imunologia e epidemiologia abriram novas oportunidades para a prevenção de doenças infecciosas na suinocultura em um nível sem precedentes. Alguns dos avanços que consideramos entre os mais impactantes, inclui avanços na entrega e apresentação de antígenos para o sistema imunológico, plataformas que permitem uma resposta aprimorada a doenças emergentes e avanços na fabricação das vacinas.

Melhorias recentes no entendimento da virulência e patogenicidade combinadas com métodos biológicos moleculares eficazes deram lugar ao planejamento racional de vacinas, onde os fatores de virulência foram seletivamente eliminados ou silenciados funcionalmente. Isso levou a vacinas que mantêm as propriedades benéficas das vacinas vivas, reduzindo o risco de uma possível reversão da virulência. Dentro dessas novas estratégias de vacinação as pesquisas também se direcionaram para a investigação de vacinas alternativas, focadas no desenvolvimento de adjuvantes efetivos e sistemas de liberação controlada. Veículos de drogas biomateriais oferecem uma solução potencial. Para a entrega da droga, os biomateriais mais utilizados são os lipossomas, as micropartículas poliméricas, nanopartículas, as vesículas e as micelas. Dentro desse tipo de sistema existem as “partículas semelhantes a vírus” (virus like particles-VLP), esse sistema nos possibilita, o desenvolvimento de vacinas que possam ser administradas de maneira massal, por meio da veiculação da vacina na água de bebida, na ração ou pela aspersão do inóculo sobre suínos, com essa possibilidade é possível reduzir o estresse da aplicação nos suínos, bem como redução de gastos de material para administração, reduz mão-de-obra e menor necessidade de treinamento para administração. Como consequência, se surge novas vacinas e formas de administração teremos novas tecnologias para a administração delas, principalmente de forma massal.

Um exemplo interessante é a vacina para Lawsonia intracellularis atenuada que é administrada aos animais através da água de bebida para prevenir a Ileíte ou Enteropatia Proliferativa Suína.

A vacinação de suínos em escala comercial é normalmente realizada por injeção, onde em cada suíno a vacina é administrada individualmente. Embora os sistemas de vacinação por spray tenham sido desenvolvidos para a avicultura, esses sistemas são adaptados para esse sistema de produção e não são adequados para uso com suínos. O mecanismo de pulverização normalmente inclui um dispositivo de chuveiro localizado acima do gabinete e pulveriza a vacina para baixo na parte superior aberta. Esse sistema não é adaptado para suínos, tendo que atender a anatomia diferente dos animais (aves e suínos), comportamento distinto, eficácia na absorção e tamanho dos droplets pulverizados. Os droplets, portanto, lixam as partes superiores do corpo dos pintinhos. Existe, portanto, a necessidade de um sistema de vacinação por spray especificamente projetado para uso com suínos, equipamentos já estão sendo desenvolvidos para atender essa demanda (patente # WO 2009/099869 A2), portanto o próximo passo é desenvolver vacinas que possam ser administradas por pulverização, que não causam resíduo ambiental e que penetre adequadamente nas mucosas dos suínos.

Por fim, existem empresas que já estão ofertando a administração de vacinas utilizando a tecnologia RFID (identificação por radiofrequência), que através de dispositivos ocorre a administração das vacinas por vias intradérmica e intramuscular, e por meio de um software ocorre uma rastreabilidade completa e automatizada do processo de vacinação.

OP Rural – Como seria a suinocultura sem vacinação?

Bastos e Caron – A vacinação é vital na promoção da saúde e do bem-estar animal. A vacinação ajuda a proporcionar estabilidade econômica e sustentável para o suinocultor e as comunidades que eles servem. Quando os animais não são vacinados, isso leva a uma resistência reduzida a doenças, ao desenvolvimento de doenças clínicas, baixa produtividade, falta de segurança alimentar, surgimento de doenças exóticas e pandemias. Ademais, não são apenas os animais que correm risco quando as vacinas não são feitas; a saúde pública entre humanos também é protegida através da vacinação de animais.

A suinocultura sem vacinação voltaria ao passado 50 ou 60 anos no nosso entendimento. O não uso de vacinas inviabilizaria a produção em escalas de produção maiores, aumentaria muito as perdas, mesmo para propriedades pequenas e as incertezas da produção seria incrementada sensivelmente. A consequência disso mais evidente seria que a carne suína seria uma carne rara e muito cara para os consumidores, o mesmo aconteceria com a carne de frango e ovos. Então os produtos de origem animal seriam muito mais caros e pouco acessíveis aos consumidores piorando muito a qualidade da alimentação principalmente para as classes menos favorecidas. Hoje já existem muitas iniciativas e produção sem o uso antimicrobianos de forma preventiva, no entanto, mesmo sistemas orgânicos de produção fazem uso das vacinas para prevenir doenças e perdas nos rebanhos.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

O preço da biosseguridade

No dia a dia da produção animal, os programas de biosseguridade se tornam eficientes ao estarem embasados em normativas e legislações consistentes

Publicado em

em

Monalisa Pereira

Artigo escrito por Débora Bernardes, médica veterinária da MS Schippers

Quando falamos de biosseguridade muitas vezes a enxergamos como um investimento, um custo dentro do processo de produção animal, e não como uma medida obrigatória para proteção da sustentabilidade do negócio a longo prazo. A persistência em uma visão de curto prazo sobre a demanda do mercado pode ser fator limitante para a sobrevivência de vários participantes da cadeia de alimentos. O padrão de consumo está mudando a cada ano, e além disso, do ponto de vista de saúde humana, nós sabemos que as próximas décadas exigirão um cuidado maior na utilização de recursos sustentáveis e nas boas práticas de produção, de forma a aumentar a eficiência produtiva e reduzir o uso abusivo de medicamentos. Atualmente vivemos um momento de ascenção da biosseguridade como medida básica de sobrevivência e convívio social, e o desafio pandêmico do coronavírus na saúde humana tende a trazer mais reflexões também dentro da cadeia agropecuária.

Está mais evidente que setores essenciais como o de produção de alimentos precisam estar blindados de catástrofes sanitárias e econômicas para garantir a sobrevivência da população mundial. O setor agropecuário, que já viveu diversas epidemias preocupantes ao longo dos anos, dentro de poucos anos precisará suportar novas pressões de redução no uso de antibióticos e agrotóxicos através de práticas de biosseguridade. A produtividade por área precisará aumentar, já que precisaremos alimentar uma população global continuamente crescente com proteína animal e vegetal suficientes.

Para que isso aconteça, esforços multidisciplinares deverão ser combinados entre empresas, universidades, e governos, como já sugerido pelo conceito de “saúde única” (onde seres humanos, animais e meio ambiente são uma só entidade de saúde a ser tratada). No âmbito de da produção pecuária, sabemos que a infra-estrutura de granjas e fazendas ao redor do mundo é extremamente variável, bem como a intensificação dos sistemas de produção e as legislações que os governam. Por isso, o compartilharmento de informações dentro do tema biosseguridade é fundamental para que o próprio setor se prepare para, em um futuro bastante próximo, mudar suas concepções de prioridade em manejo e produção.

Em sistemas de produção mais intensivos (como na avicultura e suinocultura) o desafio e risco sanitário é grande, afinal o confinamento de mais animais em um mesmo espaço é maior. Nesses cenários, quando pensamos nos prejuízos causados por possíveis epidemias, será que conseguimos definir o custo de eventuais falhas de biossegurança? Quanto vale um plantel inteiro de animais? Quanto custa recuperar uma drástica queda em produção devido a altas taxas de mortalidade? Esse raciocínio nos permite entender que, ao invés do preço, precisamos mesmo é enxergar o valor da biosseguridade para os negócios agropecuários.

Biosseguridade na produção intensiva

No dia a dia da produção animal, os programas de biosseguridade se tornam eficientes ao estarem embasados em normativas e legislações consistentes. Além disso, o suporte de profissionais responsáveis como médicos veterinários, zootecnistas, e gerentes técnicos de granjas faz total diferença na adesão aos protocolos de produção em granjas suinícolas e aviários. Citamos abaixo alguns pontos importantes de biosseguridade que devem ser padronizados pelas granjas e inseridos dentro da rotina de funcionários e visitantes.

1- Localização física, construção, e isolamento das instalações

Segundo recomendações da Embrapa, para a construção ou instalação de granjas é necessário escolher um local que esteja distante em, no mínimo, 500m de qualquer outra criação ou abatedouro e pelo menos 100m de estradas por onde transitam caminhões com animais. Isto é importante, principalmente, para prevenir a transmissão de agentes infecciosos por via aérea e através de vetores como: roedores, moscas, cães, gatos, aves e animais selvagens. Além disso é importante cercar a área ao redor dos galpões (com cercas a no mínimo 20 metros de distância das instalações. Um outro ponto importante é qualidade da construção em si, pois dependendo do material utilizado haverá menor ou maior propensão ao aumento da pressão de infecção ambiental após a limpeza das instalações. O uso de revestimentos impermeabilizantes nos pisos e paredes permitirão uma melhor qualidade da lavação feita entre o alojamento dos lotes, enquanto outros materiais (como o concreto) inevitavelmente serão mais porosos, absorvendo a água e a matéria orgânica acumulada dentro das baias, além dos próprios produtos utilizados para limpeza e desinfecção.

2- Controle de vetores

A transmissão de doenças por vetores como roedores, moscas, pássaros, baratas, e animais silvestres também deve ser evitada ao máximo. Entre as medidas gerais também recomendadas pela Embrapa estão: a cerca de isolamento; o destino adequado dos animais mortos, o descarte de restos de parição e de dejetos; e a limpeza da fábrica e depósito de rações. A implementação de armadilhas e iscas (fora do alcance dos animais) também é importante, especialmente nos arredores de galpões com animais e locais onde os alimentos são armazenados. Um exemplo importante para essa compreensão é a relação entre a presença de moscas e roedores com o desenvolvimento de infecções por senecavírus A (SVA), com surtos em granjas ao redor do Brasil. Embora muitos aspectos da epidemiologia do SVA ainda sejam desconhecidos, um recente estudo norte-americano demonstrou a detecção do SVA em ratos e amostras de mosca doméstica, sugerindo que estas pragas possam desempenhar um papel na ocorrência das infecções.

3- Uso de EPIs

Os equipamentos de proteção individual (EPIs) são considerados elementos de contenção primária ou barreiras primárias. Eles podem reduzir ou eliminar a exposição da equipe e do meio ambiente a patógenos e microorganismos em geral. O uso de luvas descartáveis deve ser feito para prevenir a contaminação da pele com material biológico durante os cuidados com os animais e para a manipulação de produtos químico. As máscaras com ou sem válvula de filtragem são, por sua vez, o EPI indicado para a proteção das vias respiratórias contra a possibilidade de respingos ou aspiração de químicos nocivos e eventuais agentes patogênicos. O tipo de máscara deve ser escolhido conforme o tipo de exposição, devendo-se somente utilizar as máscaras de tripla proteção no atendimento de animais com infecção ativa. Os óculos de segurança devem ser usados em atividades que possam produzir respingos e/ou aerossóis, projeção de estilhaços pela quebra de materiais, bem como em procedimentos que utilizem fontes luminosas intensas e eletromagnéticas, que envolvam risco químico, físico ou biológico. Os macacões descartáveis ou higienizáveis devem ser adotados para a proteção de funcionários contra respingos de água, material químico ou biológico, e durante procedimentos como o manejo de animais e a lavação das baias. As botas e/ou calçados utilizados dentro das salas, departamentos, e instalações em geral devem ser higienizados ou trocados ao se transitar de um local para o outro, e a utilização de propés também pode ser associada a essa estratégia, reforçando a proteção contra sujidades carreadas nas solas.

4- Banhos, lavagem de mãos, fluxo de pessoas

Além dos banhos ao se entrar e sair das instalações, a lavagem das mãos é, sem sombra de dúvidas, a ação mais importante na prevenção da transmissão cruzada entre departamentos e salas da granja. As mãos de funcionários devem ser lavadas antes e após atividades que eventualmente possam contaminá-las; ao início e término do turno de trabalho; entre o atendimento de animais; antes de calçar luvas e após a remoção das mesmas; e quando as mãos forem contaminadas com material biológico e/ou químico. Na ausência de pia com água e sabão, o funcionário deverá realizar anti-sepsia com álcool etílico a 70% de concentração. De forma semelhante ao raciocínio da lavagem de mãos, o fluxo de pessoas e visitantes deve seguir (sempre que possível) uma sequência lógica começando por áreas menos contaminadas para áreas mais sujas, para que se evite carrear sujidades no sentido oposto. Além disso, o controle de materiais, equipamentos, uniformes, e sapatos utilizados em cada área da produção também deve ser feito de forma a evitar esse carreamento de patógenos de uma área para a outra. Para tanto, é possível adotar estratégias simples como o uso de cores separadas por departamento da granja (vide exemplo abaixo).

5- Limpeza, desinfecção e vazio sanitário

A rotina de limpeza e desinfecção das baias durante a troca de lotes ainda é muito negligenciada do ponto de vista de metodologia, dosagem dos produtos aplicados, e tempo de vazio sanitário adequado. As recomendações em geral seguem a sequência de limpeza seca, umidificação das instalações, limpeza úmida, desinfecção úmida, e desinfecção por pulverização ou nebulização. O uso de detergentes e desinfetantes deve ser feito seguindo dosagens e tempo de aplicação específicos para cada granja e desafio sanitário. Recomenda-se a exposição dos protocolos em quadros ou placas à vista para maior adesão e consistência do lavador. É importante salientar, mais uma vez, que a qualidade da limpeza e desinfecção realizadas será profundamente dependente do tipo de material de construção das instalações. Pisos e paredes mais porosos não só vão absorver mais água e microorganismos em suas frestas e ranhuras, como também uma maior quantidade dos próprios produtos químicos utilizados na limpeza. O objetivo final é sempre a remoção da maior quantidade possível de matéria orgânica e contaminantes para reduzir a pressão de a níveis próximos de 1 unidade formadora de colônia por cm². A recomendação de vazio sanitário da Embrapa Suínos é de pelo menos 5 dias, isto é, o período entre a desinfecção das baias e o alojamento de novos animais.

6- Qualidade da água

A qualidade da água disponível nas instalações, tanto para consumo dos animais (água de bebida) quanto para a lavação e outros procedimentos, também é profundamente importante na prevenção à entrada de patógenos dentro das granjas. Dentre os vários microorganismos que podem adentrar as granjas via água estão Enterococcus, E-coli, Streptococcus, Salmonella, Clostridium, entre outros. Quando a qualidade da água está comprometida, a sua palatabilidade e odor são alterados, e há maior contaminação intestinal do animal por microrganismos patogênicos. Isso tende a reduzir a conversão alimentar, o ganho de peso, e aumentar ocorrência de diarréias, elevando os custos de produção. A formação do biofilme é um dos principais pontos de preocupação quando falamos da água de bebida dos animais, pois ele se torna uma fonte de constante contaminação da água, mesmo que na fonte ela seja limpa. Caso essa mesma água (ou outra de origem contaminada) seja utilizada também para o enxágue e lavação das baias estaremos em um contrassenso, afinal uma água contaminada estará sendo adicionada às baias e isso comprometerá o efeito dos produtos utilizados, bem como a pressão de infecção após o alojamento de novos animais. É importante tratar a água da granja com o mesmo zelo, ou mais, que a própria ração e genética utilizadas, pois sua influência no bom aproveitamento das duas anteriores é de grande impacto

Embora existam muitos outros aspectos a serem levados em consideração dentro do tema biosseguridade, é importante que todos os envolvidos na cadeia agropecuária primeiramente a entendam como um fator limitante de competitividade no mercado em vários sentidos. O olhar atual que vemos sobre o tema devido à COVID-19 é apenas mais um indicativo da sua importância, no entanto sabemos que dentro da saúde animal as enfermidades e epidemias representam um dos principais pontos de prejuízo e redução de performance desde sempre, com potencial para impactar os negócios e, claro, a própria condição de saúde humana.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Mercado

Exportações brasileiras de carne suína crescem 50,4% em junho

Número supera em 50,4% o volume embarcado no sexto mês de 2019, com total de 63,9 mil toneladas

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As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 96,1 mil toneladas em junho, informou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) nesta terça-feira (07). O número supera em 50,4% o volume embarcado no sexto mês de 2019, com total de 63,9 mil toneladas. Em receita, o desempenho mensal registrou alta de 43,4%, com US$ 198 milhões de saldo registrado em junho deste ano, frente a US$ 138,1 milhões em 2019.

No acumulado do ano, as vendas de carne suína seguem 37,01% maior este ano, em comparação com 2019. Foram 479,4 mil toneladas entre janeiro e junho de 2020, contra 349,9 mil toneladas exportadas nos seis primeiros meses do ano passado. Em receita, houve elevação de 52,5% no mesmo período comparativo, com US$ 1,076 bilhão este ano e US$ 705,6 milhões em 2019.

Carro-chefe das exportações brasileiras, as vendas para a Ásia chegaram a 374,5 mil toneladas no primeiro semestre deste ano, saldo 83,1% superior ao registrado em 2019. A China, maior importadora de carne suína do Brasil, foi destino de 230,7 mil toneladas no período (+150,2%). Hong Kong, no segundo posto, importou 18,6% a mais, com 92,9 mil toneladas. Outro mercado de destaque foi Singapura, com 27,8 mil toneladas (+51,6%).

“Os impactos gerados na Ásia pela Peste Suína Africana desde 2018 continuam a ditar o ritmo das importações da região. O Brasil mantém sua posição como parceiro pela segurança alimentar da China e das demais nações que impulsionaram suas compras neste ano”, destaca Francisco Turra, presidente da ABPA.

Fonte: ABPA
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Suínos / Peixes Nutrição

Enzimas auxiliam na redução de custos com rações, sustenta nutricionista

Formulação com o uso de enzimas tem se apresentado como uma ferramenta econômica e eficaz

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As incertezas em relação a disponibilidade e custos das matérias primas, gerados pelo impacto do Coronavírus (Covid-19) estão trazendo preocupações e dúvidas para os produtores e empresas do setor de produção animal. A avicultura e a suinocultura, em especial, sofrem com a escassez e o aumento nos preços dos insumos, especialmente das principais fontes de proteína e energia das rações, farelo de soja e milho. E, como estratégia para minimizar este cenário de dificuldades e equilibrar as contas, uma das maneiras de superar estes desafios é a redução dos custos com ração.

 Segundo o gerente de mercado de monogástricos da Safeeds, Francisco Bertolini, a formulação com o uso de enzimas tem se apresentado como uma ferramenta econômica e eficaz, pois possibilita um melhor aproveitamento dos nutrientes, por aumentar a digestibilidade dos alimentos e minimizar os custos. “O uso de enzimas na formulação de dietas ajuda o nutricionista a ter flexibilidade na escolha dos ingredientes da ração”, comenta o médico veterinário.

Como funcionam as enzimas

As enzimas são proteínas complexas que ocorrem naturalmente nos sistemas digestivos dos animais, atuando como catalisadores biológicos que aceleram as reações químicas. Essas substâncias possuem a característica de permanecerem sempre ativas após cada catalisação. Em resumo, as enzimas têm como principal função facilitar a digestão.

De acordo com Bertolini, é importante lembrar que as enzimas são substrato/dependente específico, ou seja, elas somente irão atuar na presença do substrato a ser catalisado. “Cada enzima age em seu composto de atuação específico. Por exemplo, as fitases atuam sobre os fitatos, as xilanases nos xilanos etc. Portanto, a escolha da enzima a ser utilizada deve levar em conta a presença dos substratos a serem digeridos e todos os parâmetros de especificidade das enzimas”, orienta o nutricionista.

As enzimas utilizadas na nutrição animal podem ser classificadas de acordo com o tipo de substrato que a mesma irá atuar, entre elas: as fitases, carboidrases, proteases, xilanases, entre outras. Normalmente elas são obtidas por meio de cultura de microorganismos, derivados da fermentação fúngica, bacteriana e de leveduras em reatores especialmente desenvolvidos para este fim.

Porque as enzimas melhoram o aproveitamento dos ingredientes das rações?

Os ingredientes vegetais em sua maioria apresentam digestibilidade variada e podem não ser bem aproveitados pelos animais. Produtos fibrosos e proteicos mal digeridos podem tornar-se substratos para crescimento bacteriano intestinal indesejável. As enzimas fazem a quebra destes produtos indigestos, liberando os nutrientes presos nestes complexos, melhorando a digestibilidade dos ingredientes da dieta, tornando-os mais disponíveis ao animal. Elas maximizam o aproveitamento dos alimentos e reduzem o custo da transformação da ração em proteína animal, também conhecida como Conversão Alimentar (CA).

Como podemos aproveitar os benefícios do uso de enzimas?

Em um cenário de aumento de preços de ingredientes ou ausência de um insumo, muitos acreditam que a solução pode estar no uso de enzimas e, pelo contrário, na indisponibilidade de algum ingrediente, podemos limitar os ganhos que as enzimas podem proporcionar. “Quanto mais opções, mais flexibilidade elas podem proporcionar. O uso de enzima normalmente ‘abre espaço na formulação’ permitindo economias significativas.”

Como as enzimas são usadas na prática?

Temos várias maneiras de se trabalhar com enzimas, sendo:

  1. a) Por custo (Uso de Matriz Nutricional);
  2. b) Desempenho zootécnico (“on top)”; ou
  3. c) Iso-Custo (uma mescla das 2 opções acima).

Na maioria das formulações, se trabalham pelo custo mínimo (opção a:  Uso de Matriz Nutricional). Quando se opta pelo uso da Matriz, o ideal é que se tenha o maior número possível de ingredientes, para se aproveitar ao máximo o potencial das enzimas. Quando temos poucos ingredientes, muitas vezes não se explora o potencial máximo da Matriz.

Por outro lado, na falta de um ingrediente, as dietas podem ficar mais onerosas e, dependendo da situação do mercado, a decisão deve ser para maximizar o desempenho e a CA. Neste caso, as enzimas devem ser exploradas nas outras 2 modalidades (b e c), explorando todo o potencial de digestibilidade das enzimas, mitigando o incremento dos custos com aumento de desempenho.

Como o nutricionista pode decidir pela melhor enzima

Cada empresa tem a sua realidade de custos e de ingredientes, logo as demandas são diferentes. Por isso, o nutricionista tem um papel muito importante na tomada de decisão e adaptação da melhor solução. O bom senso e o uso de ferramentas matemáticas, proporcionadas pelas matrizes nutricionais, permitem que o nutricionista encontre a melhor solução entre substrato existente X enzima e custos X desempenho desejado. Para auxiliar os nutricionistas, há linha de enzimas disponível que compreendem: Fitases, Carboidrases e Proteases. Pode-se escolher entre um produto que contém apenas uma enzima isolada ou um blend de mais de uma enzima. São diferentes combinações que possibilitam versatilidade para o nutricionista. “É possível ainda customizarmos blends enzimáticos específicos, de acordo com as necessidades próprias de cada cliente”, cita o gerente da Safeeds Francisco Bertolini.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de maio/junho de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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