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Uso responsável de antimicrobianos cresce na pecuária leiteira

Metodologia 5R ganha espaço nas fazendas e reforça compromisso com saúde animal, segurança alimentar e sustentabilidade.

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Fotos: Shutterstock

O uso de antimicrobianos na bovinocultura leiteira entrou definitivamente na pauta das boas práticas agropecuárias. A pressão por alimentos seguros, a crescente resistência bacteriana e os riscos à saúde pública aceleraram o debate sobre o uso racional desses medicamentos nas propriedades. Em resposta a esse cenário, ganha espaço no setor produtivo a metodologia 5R, uma estratégia de responsabilidade compartilhada que orienta o uso prudente de antimicrobianos, com base em cinco princípios: Redução, Refinamento, Substituição, Responsabilidade e Revisão.

A abordagem tem como pilar central a atuação do médico-veterinário, que lidera o processo de orientação, diagnóstico, prescrição e controle dos tratamentos, sempre com foco na eficácia terapêutica, na preservação da saúde animal e na sustentabilidade da cadeia produtiva.

O papel técnico do veterinário

Desde o aconselhamento no manejo sanitário até a elaboração de protocolos de tratamento, o veterinário atua como elo estratégico entre ciência e prática no campo. Sua missão vai além da prescrição de medicamentos: cabe a ele auxiliar o produtor na prevenção de doenças, orientando sobre vacinação, biosseguridade, nutrição e bem-estar animal — medidas que reduzem a necessidade de intervenções medicamentosas.

Quando o uso de antimicrobianos é inevitável, o profissional deve identificar corretamente a enfermidade, selecionar o produto mais apropriado, definir dose, via de administração e período de carência. Tudo deve ser registrado em um protocolo formal, seguindo critérios técnicos e legais. Este protocolo deve constar em uma lista de medicamentos prescritos e estar acessível a toda a equipe da propriedade, que precisa ser treinada para cumpri-lo corretamente.

Responsabilidade compartilhada

O uso correto de antimicrobianos é uma responsabilidade coletiva. Envolve o veterinário, os gestores da propriedade, os tratadores e demais colaboradores que atuam diretamente com os animais. Essa rede de corresponsáveis deve estar alinhada às orientações técnicas e zelar pelo bem-estar do rebanho, minimizando riscos de infecção e a necessidade de tratamentos medicamentosos.

A criação de um plano de administração de antimicrobianos, com suporte técnico do veterinário, é recomendada como prática de rotina. Ele deve prever desde o armazenamento correto dos produtos até o controle de acesso e registro de quem os aplica. Além disso, medidas como o uso exclusivo de antimicrobianos de importância veterinária — evitando classes críticas da medicina humana — reforçam o compromisso com a saúde pública.

Revisão contínua e vigilância

A revisão periódica das práticas adotadas é outro eixo essencial da metodologia 5R. Esse processo deve envolver auditoria dos tratamentos realizados, monitoramento da eficácia dos protocolos e identificação de setores da fazenda que apresentem maior incidência de doenças. A vigilância do perfil de resistência antimicrobiana, por exemplo, ajuda a ajustar o uso dos medicamentos com base em evidências laboratoriais e epidemiológicas.

A análise criteriosa do uso e da dosagem, assim como a adequação dos tratamentos às condições reais da propriedade, garantem que os antibióticos sejam utilizados de forma segura e eficaz, apenas quando estritamente necessários.

A redução do uso de antimicrobianos é um objetivo-chave da metodologia. Para alcançá-la, o foco deve ser a prevenção. Isso inclui práticas como a aquisição consciente de novos animais, controle de entrada por meio de quarentena, vacinação adequada e cuidados com a higiene e a ambiência.

Medidas preventivas também contemplam a introdução apenas de animais desmamados e vacinados, capazes de responder melhor aos desafios sanitários da nova fazenda. Em muitos casos, essas ações simples reduzem a incidência de enfermidades respiratórias, gastrointestinais e reprodutivas que exigiriam tratamento com antibióticos.

Refinamento dos protocolos

Refinar o uso de antimicrobianos significa aplicar os medicamentos de forma correta e precisa: no momento ideal, na dosagem recomendada, pela via adequada e durante o tempo necessário. Esse cuidado evita falhas terapêuticas, reduz riscos de resíduos no leite ou na carne e contribui para limitar o avanço da resistência bacteriana.

Além disso, todas as informações sobre o tratamento devem ser registradas. Esse histórico serve de base para decisões futuras, ajustes no protocolo e avaliações de desempenho sanitário da propriedade.

Substituição com base em evidências

Por fim, a substituição de antimicrobianos por terapias alternativas vem ganhando espaço, embora ainda careça de validação científica robusta. Substâncias como probióticos, leveduras, extratos vegetais e ácidos orgânicos são estudadas como alternativas, mas sua eficácia e segurança devem ser criteriosamente avaliadas antes da adoção em larga escala.

O veterinário tem papel fundamental na análise dessas alternativas, assegurando que nenhuma substituição coloque em risco a saúde do animal ou a qualidade do alimento produzido.

A metodologia 5R não é apenas um protocolo técnico: trata-se de um compromisso com a saúde dos animais, a confiança dos consumidores e a sustentabilidade da pecuária leiteira. Ao seguir esses cinco princípios, produtores e veterinários caminham juntos para garantir que os antimicrobianos continuem sendo ferramentas eficazes, utilizadas com responsabilidade, inteligência e parcimônia.

Afinal, preservar a eficácia dos antimicrobianos é proteger não apenas os rebanhos, mas também a saúde das gerações futuras.

Fonte: O Presente Rural com Anuário do Leite 2025- Embrapa Gado de Leite

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Arroba do boi gordo sobe para R$ 337,10 e reverte perdas de julho

Indicador Cepea/Esalq avançou 1,08% na segunda-feira (20) e voltou a registrar saldo positivo no acumulado do mês.

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Foto: Divulgação/Connan

O preço do boi gordo voltou a registrar alta no mercado brasileiro. Nesta segunda-feira (20), o Indicador Cepea/Esalq fechou cotado a R$ 337,10 por arroba, avanço de 1,08% em relação ao pregão anterior.

O resultado mantém o movimento de recuperação observado nos últimos dias. Na sexta-feira (17), o indicador havia encerrado o dia em R$ 333,50 por arroba. Antes disso, as cotações também apresentaram valorização, passando de R$ 328,10 na terça-feira (14) para R$ 329,20 na quarta-feira (15) e R$ 331,15 na quinta-feira (16).

Com a sequência de altas, o mercado praticamente eliminou as perdas registradas ao longo de julho. No acumulado do mês, a variação do indicador passou a ser positiva em 0,21%.

Em dólar, a arroba do boi gordo foi cotada a US$ 66,23, conforme levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq).

Fonte: O Presente Rural com Cepea
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Banco de antígenos amplia proteção do rebanho brasileiro contra a febre aftosa

Estoque de 10 milhões de doses permitirá resposta imediata em caso de novos focos da doença e ajudará a preservar o status sanitário do país.

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O Brasil deu mais um passo para fortalecer sua defesa sanitária animal com a inauguração, nesta sexta-feira (17), do 1º Banco Brasileiro de Antígenos para resposta emergencial à febre aftosa. Instalada em Buenos Aires, na Argentina, a estrutura manterá um estoque estratégico de antígenos para a fabricação de vacinas em caso de eventual reintrodução da doença no Brasil.

Resultado de uma parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a empresa argentina Biogénesis Bagó, a iniciativa representa uma conquista inédita para o país.

Presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette: “O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes” – Foto: Divulgação/Sistema Faep

“O reconhecimento do Paraná e, posteriormente, do Brasil como área livre de febre aftosa sem vacinação abriu novas oportunidades para o setor, ampliando o acesso a mercados internacionais cada vez mais exigentes. Manter esse status exige vigilância permanente, planejamento e investimentos em prevenção. A criação desse banco representa uma camada adicional de proteção para o nosso rebanho e demonstra o compromisso com a sanidade”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

O Banco Nacional conta, inicialmente, com um estoque de 10 milhões de doses de antígenos correspondentes aos dois sorotipos do vírus da febre aftosa com maior circulação histórica no Brasil. O contrato prevê ainda a possibilidade de fornecimento de mais 10 milhões de doses ao longo dos próximos dez anos, em casos de eventuais surtos. O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas, caso seja identificado algum foco da enfermidade.

“A manutenção desse estoque é um requisito para que o Brasil preserve o reconhecimento internacional concedido pela Organização Mundial de Saúde Animal. Os produtores rurais podem ficar mais confiantes de que, em surtos localizados da doença, haverá uma resposta rápida”, afirma o diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon.

O material armazenado na Argentina pode ser utilizado para a rápida produção de vacinas

Por questões de biossegurança, esse material permanece armazenado fora do território brasileiro. Países como Estados Unidos e Reino Unido também adotam esse modelo, mantendo estoques estratégicos na unidade da Biogénesis Bagó, na Argentina.

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Guarapuava e da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Corte do Sistema Faep, Rodolpho Botelho, que acompanhou a cerimônia de inauguração, o Paraná tem histórico de protagonismo nas ações de defesa agropecuária e colhe os resultados desse trabalho por meio da abertura de mercados e da valorização da produção estadual.

“Sempre fomos referência em sanidade animal. Essa credibilidade abre mercados para a nossa produção e fortalece a competitividade da agropecuária no comércio internacional. Esse banco de antígenos é mais uma etapa no protocolo para o fortalecimento da sanidade”, reforça.

Para o diretor-presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), Otamir Cesar Martins, o banco representa uma ferramenta estratégica para proteger o rebanho e também preservar o comércio internacional de proteína animal.

“Hoje, a Organização Mundial de Saúde Animal prevê protocolos que permitem isolar a área afetada, fazer a vacinação e controlar o foco sem comprometer o status sanitário do país. O banco de antígenos é uma ferramenta extremamente importante para garantir essa resposta”, esclarece.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Mercado futuro do leite ganha espaço entre produtores paranaenses

Sistema Faep destaca potencial da ferramenta para garantir maior segurança, transparência e previsibilidade na comercialização.

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Foto: Isabele Kleim

Desde o dia 13 de maio, a cadeia brasileira do leite conta com o chamado “mercado futuro”, pelo qual os contratos são negociados diretamente entre as partes, no mercado de balcão, sem listagem em bolsa, para uma data futura com preços já definidos. O instrumento financeiro (ferramenta hedge) garante mais proteção, previsibilidade, transparência e rentabilidade ao setor, que sofre com os riscos das oscilações do preço do leite. O avanço desta ferramenta entre os produtores foi tema da reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, nesta quinta-feira (16).

“Essa ferramenta traz mais segurança para os nossos produtores de leite. O mercado futuro já é uma realidade para outras commodities agrícolas como soja, milho e boi gordo. É questão de tempo para os pecuaristas se familiarizarem e usufruírem dos benefícios”, destaca o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.

Produtores presentes na reunião da CT de Bovinocultura de Leite representaram as principais bacias leiteiras do Paraná

Para auxiliar neste processo, a reunião contou com a participação de Marianne Tufani, gerente de riscos da StoneX Leite Brasil, que detalhou o funcionamento da ferramenta e tirou dúvidas sobre o mercado futuro de leite.

“Todas as demais cadeias, como a da soja, milho e boi gordo, aprenderam a usar. Nós também vamos nos beneficiar com isso”, comenta o presidente da CT de Bovinocultura de Leite e produtor de leite, Eduardo Lucacin. “É preciso conhecer bem o nosso negócio, os nossos custos, para saber o melhor momento de travar o preço”, complementa.

O desenvolvimento da ferramenta teve participação do Sistema Faep, StoneX Leite Brasil, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea – Esalq/USP) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Marianne lembrou que, no mercado mundial de leite, 70% dos players já utilizam o mercado futuro.

“O primeiro passo para quem quer saber como funciona é abrir uma conta na corretora. O quanto antes, melhor, pois é um processo burocrático que exige documentação e análises extensas e minuciosas. Não tem custo essa abertura”, explica Marianne.

Temas prioritários

Ainda na reunião do CT de Bovinocultura de Leite do Sistema Faep, outros temas como a questão sanitária, preços e custo de produção, problemas no fornecimento de energia elétrica e oportunidades de capitalização estiveram em discursão. Os produtores relataram, mais uma vez, a preocupação com o custo da energia e a falta de qualidade do serviço da concessionária, que coloca em risco a produção.

O presidente da Comissão, Eduardo Lucacin, conduziu a reunião e mediou os debates sobre os temas prioritários para o setor

“Leite perdido, equipamento queimado. O que mais tem é produtor com situações como essas. O Sistema Faep tem atuado em Brasília e via Ministério Público Estadual, para cobrar da concessionária a qualidade do serviço. Porém, talvez tenhamos que, como comissão, pensar em soluções e outras alternativas para minimizar os danos”, afirma Lucacin.

Quanto à sanidade, o tema do combate à Brucelose apareceu no debate. “O controle da doença é pré-requisito básico para nos tornarmos competitivos em nível mundial”, diz o vice-presidente da CT, Roger van der Vinne, que também é médico veterinário e produtor em Carambeí, na região dos Campos Gerais. “Cada um em sua propriedade precisa dar o exemplo, gerindo a saúde do rebanho, realizando os testes e vacinação e buscando a certificação de livre da doença”, destaca.

Outro assunto que também foi discutido na reunião da comissão foi a possibilidade de aumento da rentabilidade com os derivados, em especial os sólidos, a proteína do soro (whey) e o concentrado proteico do leite. “A gente tem que preparar para todas essas tendências. Buscamos isso pela comissão e pelo Conseleite”, conclui o presidente da CT.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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