Bovinos / Grãos / Máquinas
Uso responsável de antimicrobianos cresce na pecuária leiteira
Metodologia 5R ganha espaço nas fazendas e reforça compromisso com saúde animal, segurança alimentar e sustentabilidade.

O uso de antimicrobianos na bovinocultura leiteira entrou definitivamente na pauta das boas práticas agropecuárias. A pressão por alimentos seguros, a crescente resistência bacteriana e os riscos à saúde pública aceleraram o debate sobre o uso racional desses medicamentos nas propriedades. Em resposta a esse cenário, ganha espaço no setor produtivo a metodologia 5R, uma estratégia de responsabilidade compartilhada que orienta o uso prudente de antimicrobianos, com base em cinco princípios: Redução, Refinamento, Substituição, Responsabilidade e Revisão.
A abordagem tem como pilar central a atuação do médico-veterinário, que lidera o processo de orientação, diagnóstico, prescrição e controle dos tratamentos, sempre com foco na eficácia terapêutica, na preservação da saúde animal e na sustentabilidade da cadeia produtiva.
O papel técnico do veterinário
Desde o aconselhamento no manejo sanitário até a elaboração de protocolos de tratamento, o veterinário atua como elo estratégico entre ciência e prática no campo. Sua missão vai além da prescrição de medicamentos: cabe a ele auxiliar o produtor na prevenção de doenças, orientando sobre vacinação, biosseguridade, nutrição e bem-estar animal — medidas que reduzem a necessidade de intervenções medicamentosas.
Quando o uso de antimicrobianos é inevitável, o profissional deve identificar corretamente a enfermidade, selecionar o produto mais apropriado, definir dose, via de administração e período de carência. Tudo deve ser registrado em um protocolo formal, seguindo critérios técnicos e legais. Este protocolo deve constar em uma lista de medicamentos prescritos e estar acessível a toda a equipe da propriedade, que precisa ser treinada para cumpri-lo corretamente.
Responsabilidade compartilhada
O uso correto de antimicrobianos é uma responsabilidade coletiva. Envolve o veterinário, os gestores da propriedade, os tratadores e demais colaboradores que atuam diretamente com os animais. Essa rede de corresponsáveis deve estar alinhada às orientações técnicas e zelar pelo bem-estar do rebanho, minimizando riscos de infecção e a necessidade de tratamentos medicamentosos.
A criação de um plano de administração de antimicrobianos, com suporte técnico do veterinário, é recomendada como prática de rotina. Ele deve prever desde o armazenamento correto dos produtos até o controle de acesso e registro de quem os aplica. Além disso, medidas como o uso exclusivo de antimicrobianos de importância veterinária — evitando classes críticas da medicina humana — reforçam o compromisso com a saúde pública.
Revisão contínua e vigilância
A revisão periódica das práticas adotadas é outro eixo essencial da metodologia 5R. Esse processo deve envolver auditoria dos tratamentos realizados, monitoramento da eficácia dos protocolos e identificação de setores da fazenda que apresentem maior incidência de doenças. A vigilância do perfil de resistência antimicrobiana, por exemplo, ajuda a ajustar o uso dos medicamentos com base em evidências laboratoriais e epidemiológicas.
A análise criteriosa do uso e da dosagem, assim como a adequação dos tratamentos às condições reais da propriedade, garantem que os antibióticos sejam utilizados de forma segura e eficaz, apenas quando estritamente necessários.
A redução do uso de antimicrobianos é um objetivo-chave da metodologia. Para alcançá-la, o foco deve ser a prevenção. Isso inclui práticas como a aquisição consciente de novos animais, controle de entrada por meio de quarentena, vacinação adequada e cuidados com a higiene e a ambiência.
Medidas preventivas também contemplam a introdução apenas de animais desmamados e vacinados, capazes de responder melhor aos desafios sanitários da nova fazenda. Em muitos casos, essas ações simples reduzem a incidência de enfermidades respiratórias, gastrointestinais e reprodutivas que exigiriam tratamento com antibióticos.
Refinamento dos protocolos
Refinar o uso de antimicrobianos significa aplicar os medicamentos de forma correta e precisa: no momento ideal, na dosagem recomendada, pela via adequada e durante o tempo necessário. Esse cuidado evita falhas terapêuticas, reduz riscos de resíduos no leite ou na carne e contribui para limitar o avanço da resistência bacteriana.
Além disso, todas as informações sobre o tratamento devem ser registradas. Esse histórico serve de base para decisões futuras, ajustes no protocolo e avaliações de desempenho sanitário da propriedade.
Substituição com base em evidências
Por fim, a substituição de antimicrobianos por terapias alternativas vem ganhando espaço, embora ainda careça de validação científica robusta. Substâncias como probióticos, leveduras, extratos vegetais e ácidos orgânicos são estudadas como alternativas, mas sua eficácia e segurança devem ser criteriosamente avaliadas antes da adoção em larga escala.
O veterinário tem papel fundamental na análise dessas alternativas, assegurando que nenhuma substituição coloque em risco a saúde do animal ou a qualidade do alimento produzido.
A metodologia 5R não é apenas um protocolo técnico: trata-se de um compromisso com a saúde dos animais, a confiança dos consumidores e a sustentabilidade da pecuária leiteira. Ao seguir esses cinco princípios, produtores e veterinários caminham juntos para garantir que os antimicrobianos continuem sendo ferramentas eficazes, utilizadas com responsabilidade, inteligência e parcimônia.
Afinal, preservar a eficácia dos antimicrobianos é proteger não apenas os rebanhos, mas também a saúde das gerações futuras.

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Expoinel Minas 2026 reúne mais de 1.250 animais e celebra campeões
Destaque para os grandes campeões e para o expositores que conquistaram títulos de Melhor Criador e Supremo da exposição.

A Expoinel Minas 2026 mostrou, mais uma vez, a força da raça Nelore, na retomada do calendário oficial de exposições 2025/2026, iniciado em outubro passado. Realizada na primeira semana de fevereiro, no Parque de Exposições Fernando Costa, em Uberaba (MG), a mostra somou mais de 1.000 animais avaliados, considerando o Nelore, o Nelore Mocho e o Nelore Pelagens. O evento é um dos principais do início do ano para a pecuária zebuína, e este ano, foi uma das Exposições Ouro do Ranking Nacional do Nelore Mocho e do Nelore Pelagens.
Para o presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), Victor Paulo Silva Miranda, o volume de animais e a qualidade observada no recinto de avaliações refletem o momento positivo vivido pela raça. “A Expoinel Minas mostrou que o calendário de 2026 começa aquecido, com forte adesão dos criadores e um nível técnico alto. Isso demonstra confiança no trabalho das entidades e, principalmente, no potencial do Nelore como base da pecuária de corte brasileira.”
Além do grande número de exemplares, a diversidade genética apresentada destacou o compromisso dos expositores com o melhoramento da raça. “Quando vemos uma exposição numerosa logo no início do ano, com animais bem preparados e criatórios de diferentes regiões participando, fica claro que o setor está mobilizado e atento às oportunidades que o segmento oferece”, destacou o presidente da ACNB.
“Encerramos a Expoinel Minas 2026 com a certeza de que realizamos um grande evento para a raça. Tivemos 1.009 animais passando efetivamente pela avaliação dos jurados e, somando aqueles que não chegaram a competir, como animais com menos de seis meses de idade, mamando em suas mães, ou animais que foram somente para leilões, alcançamos cerca de 1.250 animais no parque. Esses números, juntos ao sucesso dos leilões realizados durante a programação, mostram a força da exposição”, destaca Loy Rocha, gestor da Associação Mineira dos Criadores de Nelore (AMCN).
Após a Expoinel Minas, o calendário oficial segue com diversas exposições válidas pelos Rankings Nacionais e ou Regionais, Nelore, Nelore Mocho e Nelore Pelagens, realizadas em diferentes estados do país, até seu encerramento, em outubro de 2026, na Expoinel Nacional, novamente em Uberaba (MG). Ao longo do ano, ocorrerão as demais Exposições Ouro, de contabilização obrigatória para os criadores e expositores que disputam o Ranking Nacional, sendo: No Nelore, as exposições de Avaré (SP), em março; Rio Verde (GO), em julho; Vila Velha (ES), em agosto; e São José do Rio Preto (SP), em outubro. No Nelore Mocho, além da Expoinel Minas, as exposições de Rio Verde (GO), em julho; Vila Velha (ES), em agosto; e São José do Rio Preto (SP), em outubro. Já no Nelore Pelagens, além da Expoinel Minas, as exposições de Dourados (MS), em maio, Rio Verde (GO), em julho, e São José do Rio Preto (SP), em outubro.
Resultados: Nelore
Na categoria Nelore, a Expoinel Minas 2026 teve como Grande Campeã a Courchevel FIV CBA, de Paulo de Castro Marques, que também conquistou o título de Reservada Grande Campeã com Servia FIV Mata Velha. O 3º Prêmio Grande Campeã foi para Norah Jones Ouro Fino, do expositor Marcelo Aguiar Fasano. Entre os machos, o Grande Campeão foi Coltt FIV do Kalunga, do Henrique e Juliano Produções e Eventos, enquanto o Reservado Grande Campeão ficou com Surfista FIV Sausalito, da Cabaña Sausalito. O 3º Prêmio Grande Campeão foi conquistado por Embaixador FIV Taj, também de Paulo de Castro Marques, que encerrou com os títulos de Melhor Expositor, Melhor Criador e Supremo da exposição.
Resultados: Nelore Mocho
Na variedade Nelore Mocho, a Grande Campeã foi Heringer Aurora FIV, de Dalton Dias Heringer, que ainda conquistou a Reservada Grande Campeã com Olinda Angico. O 3º Prêmio Grande Campeã e Campeã Vaca ficou com Dakota FIV SB da Mata, de Sandoval Bailão Fonseca Filho. Entre os machos, o Grande Campeão foi Heringer A8984, também de Dalton Dias Heringer. O Reservado Grande Campeão foi Maverick da Louz, da Agropecuária V2 Flamboyant Ltda., e o 3º Prêmio ficou com Bianco FIV da Car, de Dalila Cleopath C.B.M. Toledo.
Resultados: Nelore Pelagens
Na categoria Nelore Pelagens, o expositor Washington Dias conquistou os títulos de Grande Campeã, com ESPN Astucia, e Grande Campeão, com NEJA3638 FIV V3. Ele também garantiu o título de Reservado Grande Campeão, com Megatron FIV Boiera. A Reservada Grande Campeã foi Celia Maria FIV OT, de Angelo Mario de Souza Prata Tibery, que também recebeu o 3º Prêmio Grande Campeão com Cronos G. Everest. Já o 3º Prêmio Grande Campeã ficou com NEJA4335 FIV V3, de João Antonio Soares Bessa Costa.
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Raça Holandesa reúne mais de 100 exemplares na Expoagro Cotricampo
Programação promovida pela Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul inclui Concurso Leiteiro e julgamentos morfológicos entre os dias 25 e 28 de fevereiro.

A Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) participará da Expoagro Cotricampo entre os dias 25 e 28 de fevereiro, em Campo Novo (RS), com 106 exemplares inscritos da raça Holandesa. A programação inclui julgamentos morfológicos e a realização do Concurso Leiteiro, marcando a primeira feira oficial da entidade no calendário de 2026.
A raça Holandesa terá atividades concentradas na Arena Bovinos. Na quarta-feira (25), ocorrem a primeira, segunda e terceira ordenhas do Concurso Leiteiro. Na quinta-feira (26), serão realizadas a quarta e a última ordenha. Na sexta-feira (27), acontece o julgamento morfológico da categoria Gado Jovem. No sábado (28), será a vez do julgamento de Gado Adulto, seguido da entrega oficial das premiações e do encerramento da programação.
Segundo o presidente da Gadolando, Marcos Tang, a feira abre oficialmente o circuito anual da entidade no interior do Estado. “A Expoagro Cotricampo tem sido a nossa primeira exposição oficial do ano e integra o ranking do Circuito Exceleite. Iniciamos a temporada com mais de 100 animais inscritos e com atividades técnicas que envolvem julgamentos e o Concurso Leiteiro”, afirma.
Tang ressalta que a participação na feira também reforça a presença da raça em um dos principais polos produtores de leite do Rio Grande do Sul. “A programação reúne criadores, técnicos e produtores em um ambiente que discute a atividade leiteira de forma ampla. Estar presente com 106 animais demonstra o engajamento dos expositores e a importância da feira para o setor”, destaca.
A Expoagro Cotricampo ocorre anualmente e reúne atividades técnicas, exposição de animais e debates sobre a cadeia leiteira, além de outras programações voltadas ao setor.
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Marrocos abre licitação para comprar carne bovina brasileira
Brasil mantém acordos sanitários para fornecer carne ao país árabe. Propostas são aceitas até 9 de março.

O Marrocos abriu concorrência para a importação de mil toneladas de carne bovina congelada e três mil toneladas de carne de camelo congelada. Os produtos serão direcionados para as Forças Armadas do país árabe. De acordo com edital da Administração da Defesa Nacional, as propostas precisam ser enviadas até 09 de março.
No edital, o Marrocos justifica o desejo em importar carne bovina do Brasil. O motivo é o fato de acordos e certificados sanitários vigorarem entre os dois países. Entre as exigências estão: os animais precisam ser nascidos e abatidos no país, alimentados com ração de origem vegetal, procedentes de estados comprovadamente livres de parasitas e doenças e seguirem os procedimentos de abate halal, que seguem as normas do islamismo.
Ainda de acordo com o documento, a carne congelada precisa ser procedente de produção recente, com não mais do que três meses do abate do animal. O produto será submetido a uma comissão que observará as adequações conforme as regras sanitárias exigidas pelo Marrocos. Mais informações estão disponíveis aqui.



