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Uso excessivo de antibióticos está presente em todos os modelos de produção da suinocultura brasileira, sustenta especialista

Esse uso frequente de antimicrobianos na pecuária comercial intensiva brasileira tem gerado grande preocupação de órgãos oficiais e de entidades internacionais em razão do risco para a ocorrência de resistência antimicrobiana em animais e humanos.

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Quarto maior produtor e exportador de carne suína mundial, o Brasil figura como segundo maior consumidor de antibióticos na produção animal entre os dez principais produtores de alimento do mundo, com projeção de aumento do uso em 11,8% até 2030 (figura 1). Esse uso frequente de antimicrobianos na pecuária comercial intensiva brasileira tem gerado grande preocupação de órgãos oficiais e de entidades internacionais em razão do risco para a ocorrência de resistência antimicrobiana em animais e humanos.

Dado a importância do Brasil na produção mundial de proteína animal, que exige que a cadeia produtiva nacional atenda as demandas do mercado consumidor, principalmente em relação a segurança alimentar, bem-estar animal e sustentabilidade ambiental, o Departamento de Saúde Animal (DSA/SDA) do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), baseado nas recomendações dos organismos internacionais de referência, visando o controle e a prevenção da resistência aos antimicrobianos, restringiu ao longo das últimas duas décadas diversos antibióticos com a finalidade de aditivos melhoradores de desempenho.

Essas restrições começaram a partir de 1998 com a proibição ou a eliminação progressiva do uso da avoparcina, cloranfenicol, penicilinas, tetraciclinas e sulfonamidas sistêmicas. Atualmente, também são proibidas as classes ou substâncias antimicrobianas anfenicóis, beta-lactâmicos (benzilpenicilâmicos e cefalosporinas), carbadox, colistina, eritromicina, espiramicina quinolonas, sulfonamidas, olaquindox e, mais recentemente, bacitracina, lincomicina, tiamulina, tilosina e virginiamicina, por serem considerados antibióticos importantes na medicina humana.

Professora doutora no Departamento de Zootecnia e Desenvolvimento Rural da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Maria Jose Hötzel: “Os suinocultores não são suficientemente autônomos para determinar mudanças substanciais para reduzir o uso de antibióticos” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Desta forma, o principal uso de antibióticos em suínos no Brasil ocorre para prevenção de doenças, sendo utilizado especialmente na fase de desmame para evitar infecções entéricas e respiratórias nos leitões. “No entanto, muitos antibióticos que são proibidos para promoção de crescimento estão sendo usados ​​para fins profiláticos durante os mesmos períodos em que seriam usados ​​como promotores de crescimento”, evidenciou a professora doutora no Departamento de Zootecnia e Desenvolvimento Rural da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Maria Jose Hötze, durante sua palestra sobre o uso de antimicrobianos no Brasil no 26º Congresso Internacional da Sociedade Veterinária Suína (IPVS), realizado em junho na cidade do Rio de Janeiro (RJ).

Para fomentar e conscientizar veterinários, técnicos agrícolas e produtores rurais sobre o uso racional de antibióticos na produção de animais, além de monitorar cepas de bactérias resistentes, promover mudanças legislativas no uso de antibióticos veterinários, entre outras ações, o Mapa elaborou em 2018 o Plano de Ação Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos no âmbito da Agropecuária (PAN-BR Agro), para ser executado até este ano.

Visando intensificar ainda mais as ações e garantir a execução das atividades previstas no PAN-BR Agro, criou mais tarde o Programa Nacional de Prevenção e Controle da Resistência aos Antimicrobianos na Agropecuária (AgroPrevine), que objetiva avaliar riscos, tendências e padrões na ocorrência e disseminação da resistência aos antimicrobianos por meio de alimentos de origem animal produzidos no Brasil, bem como gerar dados essenciais para análises de risco relevantes à saúde animal e humana.

Uso de antibióticos em granjas brasileiras de suínos

De acordo com a docente da UFSC, um recente levantamento realizado em granjas brasileiras demonstrou que os suínos recebem antibióticos em torno de 73% de sua vida, sendo as aminopenicilinas (amoxicilina) o principal antibiótico utilizado.

No entanto, conforme Maria, o manejo focado na adoção de práticas de biossegurança pode levar à redução bem-sucedida do uso de antibióticos em granjas de suínos. Todavia, as condições de biossegurança e as próprias estruturas das granjas brasileiras de suínos são uma importante razão por trás do uso de antibióticos. “Um estudo realizado com suinocultores de Santa Catarina identificou que práticas como cloração da água e quarentena são adotadas por menos de 30% das granjas visitadas. Embora se trate de um estudo qualitativo em 58 granjas, independentemente de estarem ou não vinculadas a agroindústrias, os produtores reconheceram que poderiam melhorar seus padrões de higiene e biossegurança e que isso poderia reduzir a necessidade de antibióticos, no entanto, não se sentiram motivados a adotar práticas tão simples”, expôs a docente.

Além disso, práticas de manejo como castração, tosa de cauda e ​​tosa de dentes causam dor e estresse nos leitões, impactando negativamente na imunocompetência dos suínos. Adoção cruzada, desmame precoce, transporte para novos locais, ambientes estéreis como alojamento sem enriquecimento ambiental, alta densidade de lotação e espaços que limitam o movimento dos animais são outros estressores poderosos citados pela especialista que atuam como importantes fatores de risco para o uso contínuo e elevado de antibióticos na fase de crescimento.

Fatores sociais que fortalecem o uso de antibióticos

Com fundamental importância econômica e social em diversas regiões do Brasil, a maior parte da produção suína está concentrada nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Dependendo da região do país, predominam produtores independentes, geralmente com propriedades de ciclo completo, ou granjas especializadas vinculadas a sistemas de integração ou cooperativas agroindustriais, as quais abastecem principalmente os mercados de exportação. “Esta heterogeneidade da cadeia não só define os diferentes setores de atuação no mercado – interno e externo – mas também envolve diferenças estruturais importantes, como na gestão, acesso a serviços, medicamentos veterinários e a frequência de atendimento de assistência técnica recebida por esses produtores”, elencou Maria.

Entretanto, destaca a profissional, mesmo considerando essas diferenças entre suinocultores integrados e independentes, o uso excessivo de antibióticos está presente em todos os modelos de produção. “Isso é altamente baseado na confiança relatada nos antibióticos, enquadrada na crença da eficácia desses medicamentos como garantias de saúde e lucratividade. Essa cultura está bem enraizada nos diferentes elos da cadeia produtiva”, ressaltou Maria, acrescentando: “A legislação brasileira exige que a venda de antibióticos seja assinada por um veterinário, mas existem muitas brechas práticas que anulam esse princípio e antibióticos para rações são facilmente adquiridos, sem a necessidade de receita veterinária, nas casas agropecuárias e, inclusive, na internet”.

Primeira legislação

Conforme a docente, investir em biossegurança, em infraestruturas mais ergonômicas, que tragam maior conforto aos animais, além de reduzir o uso de alojamentos e manejos dolorosos e estressantes, são alguns fatores essenciais para a redução do uso de antibióticos em granjas brasileiras.

Maria ressalta que a implementação em 2021 da primeira legislação brasileira de bem-estar de suínos, que estabelece as boas práticas de manejo e qualidade de vida dos animais nas granjas de criação comercial, foi fundamental para apoiar a adoção do uso racional de antibióticos no Brasil.

A nova instrução normativa determina uma série de alterações na estrutura e manejo no setor de maternidade dos suínos. Para auxiliar o produtor rural a se planejar na implementação dessas adequações das granjas, o Mapa estabeleceu alguns prazos. Em 1º de janeiro de 2045 expira o tempo para as granjas adequarem o alojamento de gestação coletiva para matrizes, a manutenção em celas individuais (gaiolas) limitada até 35 dias de gestação e a idade média de desmame para 24 dias ou mais. “Esses são alguns exemplos de ações comprovadas que melhoram o bem-estar das porcas, a sua suscetibilidade a doenças e que facilitam a redução do uso de antibióticos”, expõe Maria, ampliando: “Porém o tempo de transição das granjas, até 2045, pode impactar negativamente nas ações de uso racional de antibióticos, por isso é importante que a suinocultura se antecipe voluntariamente a essas mudanças”.

Outra medida está relacionada à castração cirúrgica, que independentemente da idade do suíno deverá ser realizada com anestesia e analgesia, tendo os produtores até 1º de janeiro de 2030 para se adaptarem, mesma data que passam a ser proibidas práticas como erguer ou puxar os leitões pelas orelhas, rabos ou outras partes sensíveis, mossar os animais e utilizar bastões elétricos.

Dependência de antibióticos

Conforme a professora da UFSC, vários estudos em países de baixa e média renda, incluindo o Brasil, mostraram uma relação de dependência de antibióticos na suinocultura. Segundo ela, a transição para o uso mais prudente de antibióticos requer mudanças comportamentais individualizadas dos produtores e das agroindústrias. “Os suinocultores não são suficientemente autônomos para determinar mudanças substanciais para reduzir o uso de antibióticos. Muitos relatam que se sentem impotentes para pensar ou agir de forma diferente, citando restrições econômicas, padrões de produção ou assessoria técnica como fatores limitantes para redução de antimicrobianos”, relatou Maria.

Entretanto, a especialista diz que o mercado externo é apontado pelos produtores ​​como catalisador positivo para a mudança comportamental no uso de antibióticos na suinocultura. “Isso significa que as mudanças de comportamento individual não são suficientes nem sustentáveis ​​a longo prazo. A indústria de suínos, consumidores e governos precisam apoiar os investimentos necessários para promover essas mudanças”, salientou Maria.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola e da piscicultura acesse gratuitamente a edição digital Suínos e Peixes.

Fonte: O Presente Rural

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Suíno vivo tem variações mistas nos principais estados

Levantamento do Cepea mostra alta diária apenas em Minas Gerais, enquanto demais praças registram quedas. No mês, todos os estados acumulam recuo.

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O Indicador do Suíno Vivo do Cepea/Esalq registrou variações mistas nos principais estados produtores nesta segunda-feira (23).

Em Minas Gerais (posto), o valor ficou em R$ 6,77/kg, com alta diária de 0,15%. No acumulado do mês, porém, há recuo de 4,38%.

No Paraná (a retirar), o preço foi de R$ 6,59/kg, com queda de 0,75% no dia e retração de 2,95% em fevereiro. No Rio Grande do Sul (a retirar), a cotação fechou em R$ 6,61/kg, recuo diário de 1,93% e baixa mensal de 2,22%.

Em Santa Catarina (a retirar), o suíno vivo foi negociado a R$ 6,58/kg, com leve queda de 0,15% no dia e variação negativa de 1,94% no mês.

Já em São Paulo (posto), o indicador marcou R$ 6,86/kg, com recuo diário de 0,15% e desvalorização acumulada de 3,24% no mês.

Os dados são do Cepea.

Fonte: Assessoria Cepea
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Liderança e ambiente de trabalho são apontados como diferenciais na suinocultura paranaense

Consultor Dirceu Zotti defende que retenção de mão de obra depende de postura, capacitação e organização dos processos.

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Ajustes no dia a dia, organização dos processos e postura das lideranças podem transformar o ambiente de trabalho nas propriedades envolvidas com a suinocultura no Paraná. Esse foi o tema da primeira reunião da Comissão Técnica (CT) de Suinocultura do Sistema Faep, realizada na segunda-feira (23).

“A suinocultura é uma potência do Paraná e tem papel fundamental na geração de renda e no desenvolvimento regional. Precisamos avançar em eficiência, mas também em gestão e valorização das pessoas, garantindo que o crescimento da atividade seja sustentável para toda a cadeia”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette. “A discussão sobre gestão de pessoas e organização das granjas é estratégica para o fortalecimento da atividade no Estado”, complementa.

Durante a reunião, o consultor Dirceu Zotti, da DZ Consultoria, fez uma palestra sobre “Gestão de pessoas na suinocultura”. Com décadas de experiência na área do cooperativismo, Zotti abordou a realidade dos recursos humanos nas granjas brasileiras e os caminhos para fortalecer a retenção e o desenvolvimento de equipes.

“Nunca vamos ter um apagão de mão de obra nas granjas, sempre teremos pessoas disponíveis. A principal oportunidade está em mudar a abordagem e pensar no que podemos fazer dentro da granja para que as pessoas queiram ficar na equipe”, destaca o consultor.

Zotti afirma que as principais mudanças estão “da porteira para dentro”, principalmente quando envolvem projetos modernos, alinhados ao bem-estar animal e com alto nível de automação.

“Um colaborador motivado é reflexo das atitudes, das políticas, dos treinamentos e das oportunidades oferecidas pela granja. Tudo o que acontece as pessoas estão olhando, e os grandes responsáveis somos nós”, destacou. “Salário não segura pessoas. Investimentos em capacitação, reuniões de rotina, boa alimentação, estrutura adequada, remuneração justa, premiação por resultados, ambiente agradável e liderança presente são medidas essenciais”, acrescenta.

Entre os desafios na gestão de pessoas, Zotti cita a necessidade de adequar funções aos perfis, lidar com a falta de iniciativa, manter as equipes motivadas e comprometidas e compreender as características da geração Z. Ao abordar a otimização da mão de obra, o consultor explicou que o conceito envolve reduzir excessos e priorizar tarefas críticas e inegociáveis, com equipes altamente comprometidas e gestão democrática e participativa. Segundo ele, o desenho dos projetos e as condições oferecidas influenciam diretamente na retenção e no desempenho das pessoas. “Pessoas são a solução”, conclui.

Fonte: Assessoria Sistema Faep
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Produção de carne suína avança e reforça novo ciclo de expansão no setor

Crescimento no volume abatido e o aumento no peso médio das carcaças indicam consolidação da oferta, mesmo diante da pressão recente sobre os preços pagos ao produtor.

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O IBGE publicou, no último dia 12, dados preliminares de abate do quarto trimestre de 2025, confirmando o crescimento da produção das três proteínas no ano passado em relação a 2024. No abate de suínos, com aumento de 3,39% em cabeças e 4,46% em toneladas de carcaças (tabela 1) no acumulado do ano de 2025, fica evidente a retomada do crescimento da produção de forma consistente. Mesmo em um ano em que um dos destaques foi o incremento significativo do peso médio das carcaças (93,07kg contra 92,11kg de 2024), chama a atenção, no mês dezembro/25, o menor peso do período (90,23kg), indicando haver relativa baixa retenção de animais nas granjas na virada do ano.

Tabela 1. Abate brasileiro MENSAL de suínos, 2024 e 2025, em cabeças e toneladas de carcaças (total e peso médio em kg) e diferença em relação ao mesmo mês anterior. *Dados de julho a setembro de 2024 preliminares Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do IBGE.

Esta presumida baixa retenção de animais nas granjas no mês de dezembro/25 não resultou em sustentação dos preços pagos ao produtor no início de 2026. Outros fatores, como a queda sazonal da demanda interna e de exportação, típica de início de ano, e os estoques remanescentes de 2025 resultaram em queda dos preços das carcaças e do animal vivo em todas as praças do Brasil (gráficos 1 e 2), o que parece ter se agravado com o “efeito manada”, quando muitos produtores tentam antecipar as vendas para fugir de preços mais baixos, mas, com maior oferta, acabam acelerando a queda das cotações. Além disso, a carne de frango também apresentou queda expressiva nas cotações desde a virada do ano, o que acaba reduzindo a competitividade da carne suína no varejo (gráfico 3).

Gráfico 1. Indicador CARCAÇA SUÍNA ESPECIAL – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em São Paulo/SP, mensal, nos últimos 12 meses. Média de fevereiro/26 até dia 18/02/2026. Fonte: CEPEA

Gráfico 2. Indicador SUÍNO VIVO – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em MG, PR, RS, SC e SP, mensal, de março/25 a 18 de fevereiro de 2026. Fonte: CEPEA

Gráfico 3. Cotação média mensal do FRANGO RESFRIADO em São Paulo (SP), em R$/kg de carcaça, nos últimos seis meses. Média de fevereiro até dia 18/02/2026. Fonte: CEPEA

No último boletim, de janeiro/26, já havíamos demonstrado o crescimento expressivo das exportações de carne suína in natura no ano de 2025, com incremento de quase 12% em relação a 2024. Conforme a tabela 2, a seguir, as três proteínas tiveram, em 2025, crescimento na produção, exportação e disponibilidade interna.

Tabela 2. Produção brasileira, exportação (in natura) e disponibilidade interna mensal, em toneladas de carcaças, das três proteínas de janeiro a dezembro de 2025 e diferença do total acumulado em relação a 2024 *Dados de produção de outubro a dezembro de 2025 preliminares Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do IBGE e da Secex.

A propósito das exportações de carne suína, o ano de 2026 começou bem, com o mês de janeiro/26 totalizando mais de 100 mil toneladas de carne suína in natura embarcada, um crescimento de 14,2% em relação a janeiro de 2025, com aumento expressivo dos embarques para Filipinas e Japão e China confirmando sua trajetória de queda (tabela 3).

Tabela 3. Principais destinos da carne suína brasileira in natura exportada em janeiro de 2026, comparado com janeiro de 2025. Ordem dos países estabelecida sobre volumes de 2026. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.

Sobre a carne bovina, que dentre as 3 proteínas teve no ano passado o maior crescimento percentual de produção e exportação, o que se observou ao longo do ano de 2025 foi uma relativa estabilidade nas cotações do boi gordo (gráfico 4).

Gráfico 4. Indicador mensal do BOI GORDO CEPEA/ESALQ (R$/@) no estado de São Paulo, nos últimos 2 anos, com destaque para a maior cotação do período (até o momento) que foi em novembro/24 Média de fevereiro/26 até dia 18/02/2026. Fonte: CEPEA

Porém, a tão esperada virada do ciclo pecuário, com redução de abate e alta do preço deve ocorrer em 2026 e já mostra sinais no gradativo aumento das cotações do boi gordo nas últimas semanas (gráfico 5), quando a arroba subiu mais de 20 reais em poucos dias.

Gráfico 5. Indicador DIÁRIO do BOI GORDO CEPEA/ESALQ (R$/@) no estado de São Paulo, nos últimos 30 dias úteis (até 18/02/26). Fonte: CEPEA

Para 2026 o mercado de carne bovina será um importante fator de equilíbrio, justamente porque é a única proteína que deve ter retração na produção, reduzindo a oferta no mercado doméstico e, consequentemente, determinando preços maiores que no ano passado, o que deve contribuir para sustentar os preços da carne suína. Entretanto, existe um alerta para as exportações de carne bovina que têm a China como destino de mais da metade dos embarques e que estabeleceu, para 2026, uma cota de 1,1 milhão de toneladas que, quando ultrapassada, terá uma sobretaxa de 55%, inviabilizando as exportações para aquele mercado que comprou em torno de 1,7 milhão de toneladas no ano passado. Esta situação pode determinar uma redução das exportações de carne bovina brasileira e, consequentemente, uma maior oferta no mercado doméstico a partir da metade do ano. Alguns analistas também apontam esta alta momentânea da cotação do boi gordo justamente por causa desta cota estabelecida pela China, o que fez com que os frigoríficos exportadores antecipassem o abate para aproveitá-la antes que se esgote.

Sobre a rentabilidade da suinocultura, mesmo com o milho e o farelo de soja com preços relativamente estáveis, fica evidente uma queda na relação de troca do suíno com estes insumos (gráfico 6), obviamente agravada pelo recuo significativo das cotações do suíno. Mesmo antes de acabar fevereiro já é possível afirmar que a relação de troca caiu pelo quinto mês consecutivo. Este quadro, na maioria dos casos, ainda não determina prejuízo na atividade, mas acende uma luz de alerta no setor.

Gráfico 6. Relação de troca SUÍNO : MIX milho + farelo de soja (R$/kg) em São Paulo, de janeiro/24 a fevereiro/26. Relação de troca considerada ideal, acima de 5,00 Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740g de milho e 260g de farelo de soja. Média de fevereiro de 2026 até dia 18/02/2026. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do CEPEA – preços estado de São Paulo

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que o movimento de baixa das cotações do suíno vivo e das carcaças dá sinais de que está no fim, com preços estabilizando em meados de fevereiro. “É fato que a suinocultura brasileira retomou o crescimento da produção e o aumento das exportações já não é suficiente para enxugar o mercado. A concorrência com as outras carnes se tornam um fator muito importante neste contexto, sendo que o mercado de carne bovina, com a esperada virada de ciclo pecuário, pode ser o fiel da balança para sustentar os preços do suíno em patamar que permita manter margens financeiras positivas, mesmo com maior oferta de carne suína no mercado doméstico ao longo de 2026”, conclui.

Fonte: Assessoria ABCS
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