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Avicultura Produção Animal

Uso do telhado isotérmico na avicultura

Vantagem do produto isotérmico é que ele atua tanto nos picos de calor quanto de frio

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Divulgação/Agrogen

Artigo escrito por Rodrigo Kinsch, administrador de empresas, pós-graduado em Finanças e gerente Nacional de Marketing da Kingspan Isoeste

A avicultura no Brasil tem se desenvolvido muito nas últimas duas décadas. A tecnologia e os procedimentos implementados por produtores e integradores transformaram consideravelmente aviários de norte a sul do país.

O curioso é que ao mesmo tempo que vemos evoluções tremendas na gestão e nas ferramentas, alguns fatores que já deviam estar superados ainda prejudicam a performance e os resultados do setor. Um desses fatores é o controle de temperatura.

Nesse cenário ainda encontramos uma minoria que, em regiões com menores variações térmicas, ainda produz sem qualquer controle de temperatura. Diferente dessa pequena parcela, grande parte dos avicultores brasileiros já trabalham com algum tipo de climatização. Os modelos vão dos mais complexos e de grande investimento até os mais rudimentares. Câmeras, sensores, nebulizadores, aquecedores, evaporadoras e a lista de equipamentos é extensa. Um item básico, no entanto, é muitas vezes negligenciado; o telhado.

Seja em uma “Dark House”, seja em um aviário tradicional, o telhado pode ser um inimigo ou um grande aliado do avicultor. Um telhado precário pode ser responsável pela proliferação de insetos e pragas, além de aumentar muito os gastos com a climatização. O telhado tradicional apresenta desafios de vedação e requer um forro adicional para mitigar as variações de temperatura. Mesmo assim a performance térmica deixa a desejar.

E com esses desafios em vista que o uso de telhas isotérmicas ganhou inúmeros adeptos no Brasil. Integradores dos maiores frigoríficos do país já adotam a telha isotérmica como padrão. Avicultores de menor porte, mas já trabalhando na agricultura 4.0, também já adotam a solução.

A vantagem do produto isotérmico é que ele atua tanto nos picos de calor quanto de frio. Embora esses produtos não dispensem outros cuidados e tecnologias, simplificam e barateiam muito o processo.

Isotelhas

A diferença de temperatura externa e interna de um ambiente feito com Isotelhas chega a 8⁰ quando comparada a telhas de fibrocimento ou telhas metálicas simples. Seu núcleo isolante era inicialmente feito em EPS e hoje os fabricantes de ponta utilizam o PIR (Poliisocianurato). O PIR é um plástico termoendurecível tipicamente produzido como uma espuma e usado como isolamento térmico rígido. O PIR permitiu que as Isotelhas se tornassem mais finas, pois possuem um condutividade térmica de 0,022W/m.k, contra 0,036 W/m.k do EPS. Quanto menor a condutividade, maior o isolamento. As telhas produzidas especificamente para aviários costumam ter a face interna com filme de alumínio, que facilita a limpeza do ambiente em caso de necessidade.

Alguns produtores ainda resistem a implantação de granjas com “telhado isotérmico”, pelo custo adicional inicial. Entretanto, o produtor moderno sabe que esse investimento se paga rapidamente com os ganhos no fator de produção, conversão alimentar, redução da mortalidade, além do ciclo reduzido pelo ganho de peso mais rápido. Sem contar na redução dos custos de aquecimento no inverno e refrigeração no verão. Tudo isso sem falar do bem-estar animal, item que ganha importância a cada dia na cabeça do consumidor e já começa a ser demandado pelo mercado e pelos integradores.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de julho/agosto de 2021 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Danos à avicultura

Fatores que dificultam controle da Bronquite Infecciosa no Brasil

Vários são os fatores que explicam por que a doença é endêmica na maioria das regiões avícolas do Brasil. Os esforços para o controle desta doença são insuficientes, devido à falta de detecção (reconhecimento e diagnóstico assertivo) e ao desconhecimento dos reais impactos da doença na cadeia produtiva.

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Fotos: Divulgação/Ceva

Recentes publicações apontam a Bronquite Infecciosa das Galinhas (BIG) como a enfermidade que provoca maiores danos à avicultura industrial em todos os países onde não está presente a Influenza Aviária de Alta Patogenicidade, como é o caso do Brasil.  A BIG não provoca altas taxas de mortalidade como observado em quadros de infecção pelo vírus velogênico da doença de Newcastle por exemplo. No entanto, sua elevada morbidade e seus efeitos negativos em diversos pontos da cadeia produtiva colocam a doença no topo da lista de importância econômica. As lesões respiratórias provocados pelo vírus, por exemplo, serão visualizadas como aerossaculite no frigorífico e levarão a condenações (descarte de carne), com consequente diminuição do rendimento de carcaça e aumento do custo de processamento no frigorífico.

Vários são os fatores que explicam por que a doença é endêmica na maioria das regiões avícolas do Brasil. Os esforços para o controle desta doença são insuficientes, devido à falta de detecção (reconhecimento e diagnóstico assertivo) e ao desconhecimento dos reais impactos da doença na cadeia produtiva.

Quando a indústria não consegue detectar o problema, não conseguirá mensurar suas perdas, e em consequência não adotará as medidas corretivas necessárias. Enquanto isso, a empresa perderá lucratividade.

Falta de reconhecimento das diferentes formas da doença

O vírus da Bronquite Infecciosa das Galinhas (VBIG) se replica inicialmente nas células epiteliais do trato respiratório superior, para logo se disseminar para outros órgãos. O quadro clínico visível no campo dependerá do: 1) tecido/órgão mais afetado pela infecção viral, 2) idade da ave no momento da infecção, 3) tropismo da cepa viral, 4) fatores externos. Em aves de ciclo curto (frango de corte), as infecções do trato respiratório e renal são as mais comuns, porém apenas a forma respiratória severa é associada à BIG no campo.

A doença renal causada pelo Vírus da BIG é uma das formas que comumente acaba não sendo detectada no campo. A maioria dos vírus da cepa BR-I tem tropismo renal, o que leva à perda de desempenho e incremento da mortalidade sem presença de sinais respiratórios visíveis. Em quadros severos e complicados por fatores secundários, destacando o estresse por frio, a lesão renal será intensa, devido a perda da capacidade da concentração urinária pelo parênquima renal, levando a um quadro de perda excessiva de líquidos, desidratação e morte. O excesso de líquidos umedece a cama, o que gera efeitos negativos diversos para saúde e bem-estar dos animais. A cama úmida (empastada) lesiona a pele e o coxim plantar, acarretando condenações por dermatite e pododermatite no frigorífico.

Agravamentos da doença

Atualmente não é comum observar quadros provocados por um único agente isolado, nas granjas os desafios são múltiplos e muitas vezes concomitantes. Os impactos provados pela infecção do VBIG somado a infecções pela E. colli, por exemplo, são muito maiores que a soma das duas infecções isoladas,  1+1 = 3. Além disso, o ambiente desempenha um papel muito importante para entender como usaremos um conceito já bem estabelecido, a tríade ecológica das doenças. Ela é composta por hospedeiro, agente e meio ambiente. O “desequilíbrio” desses “sistemas” leva ao surgimento e/ou aumento de casos de doenças. Nesse sentido o estresse por frio ou calor, má qualidade do ar (excesso de gases e poeira), água com temperatura e qualidade microbiológica inadequada podem ajudar o vírus a desenvolver uma doença mais severa.

Os altos níveis de produção que a avicultura moderna trabalha pressiona as companhias a trabalharem em determinados períodos com elevada densidade populacional, períodos curtos de vazio sanitário e aproveitamento de pintos de qualidade inadequada. Todos esses fatores tornam o ambiente produtivo mais desafiador.

Erros de diagnóstico

A infecção pelo Vírus da BIG não causa sinais clínicos patognomônicos, sendo necessário o auxílio laboratorial. São duas as ferramentas práticas disponíveis para esta finalidade, porém é importante conhecer suas utilidades e limitações.

Teste sorológico: ELISA

Os kits de Elisa comerciais conseguem detectar anticorpos originados da resposta à vacinação e ao desafio. A interpretação é realizada com base nos títulos de anticorpos (Ac). Porém, eles não informam qual cepa induziu a soroconversão. Outra limitação destes kits é a incapacidade de detectar infecções tardias, ou seja, infecções próximas à idade de abate.

Vamos usar os resultados de um trabalho de diagnóstico a campo em uma empresa do Sul do Brasil para ilustrar esse raciocínio. Foi realizado um levantamento sorológico (Elisa comercial) e detecção molecular por PCR do IBV em 16 lotes. No acompanhamento sorológico, 62,5% dos lotes apresentaram resultado indicativo de desafio. No entanto, em 94% dos lotes foi detectado o vírus variante BR (Gráfico 1). Quando utilizamos somente a sorologia como ferramenta de diagnóstico, estamos excluindo os lotes que foram infectados tardiamente. Pois no diagnóstico realizado através da sorologia, identificamos os anticorpos IgG que podem levar entre 2 a 3 semanas pós infecção para serem identificados. Já na PCR conseguimos fazer o diagnóstico em algumas horas após a infecção.

Testes moleculares: PCR/qPCR

As técnicas moleculares estão hoje mais acessíveis. Apresentam várias vantagens destacando-se a capacidade de identificar o genótipo viral infectante, diferenciando-o entre vírus de campo e vacinal. Outra vantagem dessas técnicas é a capacidade de detectar o VBIG poucas

horas após o início da infecção. Desta forma, frente à suspeita de desafio tardio (infecção poucos dias antes da idade de abate), esta técnica seria a mais indicada por não gerar resultados falso-negativos.

Contudo, resultados falso-negativos podem ser obtidos quando não se coleta o tecido adequado no momento adequado. Para garantir a detecção, a amostra de campo deve ser corretamente transportada até o laboratório para preservar uma quantidade mínima de vírus que consiga ser detectado.

Desenho de programa vacinal inadequado

Nos países do Atlântico da América do Sul, o sorotipo BR-I é o mais prevalente e com ampla distribuição geográfica. No entanto, ainda em muitas empresas se utiliza apenas o sorotipo Massachussetts (Mass) no programa vacinal. Como inúmeros trabalhos demonstraram, a imunidade gerada pelas vacinas deve ser específica para o vírus de campo circulante. Desta forma, o primeiro passo para o desenho de um programa vacinal eficiente é conhecer a cepa ou cepas de campo circulantes nas granjas ou região geográfica.

Na tentativa de aumentar a proteção contra as diferentes cepas variantes do VBIG, vacinas Massachusetts mais agressivas foram desenvolvidas. Contudo, o tempo confirmou que o controle efetivo dos Coronavírus necessita de homologia entre as cepas vacinais e de campo. Protocolos vacinais que incluíram o uso de vacinas Massachusetts mais invasivas, inclusive com reforço no campo com a mesma vacina, fracassaram porque a especificidade entre as cepas é mais importante do que o número de vacinações ou a agressividade dos vírus vacinais.

Erros durante a aplicação das vacinas

As cepas vacinais cuidadosamente selecionadas durante o desenho do programa vacinal precisam ser corretamente aplicadas para induzir a esperada resposta imune rapidamente. O Vírus da BIG é altamente termossensível e frágil fora da ave e, por isso que muitos cuidados devem ser tomados durante o manuseio da vacina para que ela não perca título viral e não tenha a sua eficácia comprometida. Durante a estocagem, o preparo e a aplicação da vacina podemos estar perdendo título viral, e com isso, perdendo proteção.

Os equipamentos usados para a aplicação da solução vacinal também devem estar bem calibrados, com auditorias frequentes do processo de aplicação conduzidos por profissionais competentes e capacitados para estas tarefas.

Desconhecimento do potencial dos impactos financeiros

O impacto da infecção pelo Vírus da BIG depende principalmente da: 1) idade da ave infectada, 2) virulência do vírus infectante, e 3) copresença de fatores ambientais desfavoráveis para o conforto da ave. Porém, mesmo na ausência de fatores ambientais desfavoráveis, a infecção afetará o desempenho da ave com o aparecimento ou não de sinais clínicos sutis que na maioria de vezes não são percebidos. Esses quadros aparentemente sem sinais são chamados de “quadros subclínicos”. Com base na análise e acompanhamentos de casos confirmados laboratorialmente, as perdas pelo VBIG variam entre 120 (casos subclínicos) e 650 reais para cada 1.000 frangos infectados.

Além do desconhecimento do impacto subclínico, as empresas não incluem na avaliação do “custo” da doença todos os parâmetros mensuráveis direta e indiretamente afetados após o desafio. Muitas vezes, apenas três ou quatro parâmetros afetados pela infecção viral são mensurados. Para a realidade brasileira, nós identificamos todos os parâmetros mensuráveis e afetados pela BIG.

Para ilustrar o “tamanho” do impacto, apresentamos um resumo de um estudo comparativo conduzido numa empresa Top-5 do Brasil que passava por desafios constantes pela cepa BR-I. No estudo, a produtividade e o rendimento de 20 lotes vacinados com uma vacina Massachusetts invasiva foram comparados com outros 20 lotes que foram imunizados com a vacina que contém a cepa BR-I. Nesta avaliação, conduzida no início de 2021, foram usados valores de mercado daquele momento. Nos 12 parâmetros avaliados, o resultado econômico foi melhor nos lotes vacinados com a cepa BR-I. Em resumo, somando os resultados da granja e do frigorífico, os lotes vacinados com a cepa BR-I renderam R$ 304,56 a mais por cada 1.000 frangos em relação aos lotes que receberam apenas a cepa vacinal Massachusetts.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: Por Jorge Chacón, médico-veterinário, MSc. PhD em Patologia Aviária e gerente de Serviços Veterinários da Ceva Saúde Animal - Brasil
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Avicultura

Novos conceitos do uso de fibras nas dietas de aves

Fibra de alta insolubilidade normaliza o fluxo da digesta com menos cólicas e enterites, menor antiperistaltismo do intestino inferior, excretas mais secas, com menor proliferação de insetos, melhor ambiente com menos problemas respiratórios e menos enteropatogenias.

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Arquivo/OP Rural

Ao longo do desenvolvimento da produção de carne de frangos de corte e ovos de poedeiras comerciais, sempre houve a necessidade de avançar nos conhecimentos referentes a nutrição dessas aves para acompanhar todo o trabalho de genética e melhoramento dos índices de produção para se conseguir o melhor desempenho zootécnico.

Dessa forma, as dietas dessas aves, ficaram cada vez mais densas em nutrientes de alta digestibilidade, para atender as altas demandas de nutrientes para a manutenção da produção. Por outro lado, foram negligenciados os problemas que essas dietas altamente concentradas, com baixos teores de fibra acarretaram na fisiologia digestiva dessas aves. A ausência de ingredientes com características insolúveis para compor todo o bolo alimentar tem causado vários problemas nos processos digestivos e absortivos com perda da eficiência nutricional das rações.

A partir dessas constatações, houve a necessidade de aprofundar os estudos sobre fibras para as rações, com resultados interessantes. Ao longo dos últimos anos, nutricionalmente, a fibra bruta das rações era considerada como  fator antinutricional e que afetava de forma negativa o desempenho das aves.

Por outro lado, baseado nos problemas fisiológicos do trato digestório, houve uma corrida de estudos com uma verdadeira tempestade de novas ideias que já mostram outra ótica do uso de novas fibras com características que atendem às necessidades de todo o processo digestivo e absortivo, com reduções dos problemas ligados a digestão e absorção dos nutrientes, com efeitos interessantes na saúde intestinal, assunto que tem sido altamente discutido, dada a sua importância em todo o processo.

Os componentes das fibras insolúveis bem como as solúveis tem efeitos diretos no processo digestivo e absortivo, com modificações importantes na morfologia intestinal, no desenvolvimento de órgãos e principalmente na modulação de todo o microbioma intestinal, que exerce o maior efeito em toda a saúde do intestino.

Os resultados do uso da fibra irá  depender de uma série de fatores, como os teores da fração insolúvel e solúvel, dos níveis de inclusão nas rações, das características físicas da fibra como tamanho de partículas e da contribuição na ação das enzimas digestivas e da sua participação no peristaltismo progressivo do intestine melhorando a ação das camadas musculares circulares e longitudinais, auxiliando a associação substratos/enzimas e sucos intestinais resultando em melhorias gerais de todo o processo digestivo e absortivo do trato digestório.

A fibra insolúvel, devido suas propriedades de insolubilidade em água, permanece por maior tempo na moela dos frangos, permitindo assim, uma taxa de passagem que promove maior contato da digesta com as enzimas, favorecendo a digestibilidade de todos nutrientes e em especial dos aminoácidos, cálcio e fósforo presentes na dieta.

Essas fibras insolúveis não formam gel e sua fermentação é limitada, agem aumentando a população de bactérias benéficas reduzindo as patogênicas, principalmente Clostridium, Salmonelas e E. coli. Portanto, uma fonte de fibra com maior teor de insolubilidade favorece todo o conjunto do processo digestivo permitindo o melhor desempenho zootécnico.

Fibra solúvel

A fibra solúvel tem grande capacidade de absorver água e de formar gel no trato gastrointestinal, aumentando sua viscosidade, diminuindo a área de contato das enzimas, prejudicando a absorção de nutrientes presente na dieta. Esse tipo de fibra exerce interferência sobre a taxa de passagem, o que acarreta também em menor absorção dos nutrientes essenciais para o desenvolvimento do animal.

Ao nível fisiológico, o melhor desenvolvimento de toda morfologia intestinal, com vilosidades mais bem formadas e de maior tamanho, possibilitando maior área de digestão e absorção, associado a modulação da microbiota favorável, permite resultados interessantes que devem ser levado em conta ao usar a fibra como componente essencial nas rações de frangos de corte e poedeiras comerciais.

Varias pesquisas foram e estão sendo desenvolvidas comprovando todos esses efeitos benéficos desse ingrediente que tem alta importância em toda a nutrição e alimentação das aves. Incrementos na digestão e absorção de aminoácidos e minerais de forma geral, tem contribuído significativamente no fornecimentos dos nutrientes essenciais responsáveis pelo bom desempenho das aves de corte e postura.

Além desses efeitos fisiológicos e nutricionais nas aves, tem sido observado ao nível de fábrica, redução significativa de finos e aumento significativo no PDI das rações peletizadas. Esses efeitos são traduzidos em maior uniformidade de peso nas criações de frangos de corte, com reduções significativas das diferenças no desempenho entre as aves no início do comedouro comparadas com as aves de final de linha dos comedouros. Quanto maior teor de finos e menor PDI, maiores as diferenças no desempenho.

Para o uso correto das fontes de fibra da ração é fundamental conhecer a sua composição e seus impactos na nutrição das aves que tem o objetivo principal, a transformação de recursos alimentares de menor valor em alimentos de alto valor biológico para o consume humano.

Finalizando, a fibra de alta insolubilidade normaliza o fluxo da digesta com menos cólicas e enterites, menor antiperistaltismo do intestino inferior, excretas mais secas, com menor proliferação de insetos, melhor ambiente com menos problemas respiratórios e menos enteropatogenias. No conjunto, os benefícios são muitos ao nível orgânico e de ambiente favorecendo o bem-estar das aves, configurando sem dúvida, a melhor saudabilidade geral nas criações desses animais.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: Por Antônio Gilberto Bertechini, pesquisador no CNPq e professor titular na Universidade Federal de Lavras; e Andressa Carla de Carvalho, doutirando na ULFA e coordenadora técnica nacional de Nutrição Animal.
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Avicultura

Eliminar só as moscas adultas não controla infestações nas granjas

Plano integrado inclui a eliminação de larvas para garantir bem-estar animal e mais sanidade nas granjas de aves de todo o Brasil.

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Foto: Arquivo/OP Rural

A presença de insetos incomoda em qualquer lugar. Seja na área urbana em restaurantes, hospitais ou mercados, seja na área rural em fazendas ou granjas, a infestação por moscas atrapalha e preocupa os responsáveis pelo local. Entretanto, além do estresse que gera, a transmissão de doenças é a grande preocupação quando pensamos no controle da infestação desses insetos.

Por sua anatomia, as moscas possuem características no modo de se alimentar que contribuem para a transmissão e carreamento de doenças entre os locais de infestação. Sua alimentação ocorre, de forma geral, em locais com alta carga de matéria orgânica em decomposição. As moscas são atraídas para esses locais através de órgãos do olfato em suas antenas e pousam no momento da alimentação. Já aqui temos o primeiro ponto crítico! Se o local do pouso estiver contaminado com algum microrganismo (vírus, bactérias, helmintos ou protozoário), eles podem ficar aderidos às patas, cerdas do corpo ou na saliva e, dessa forma, a contaminação será levada até o próximo local.

Outro ponto crítico está relacionado com a forma de alimentação desse inseto. As moscas possuem aparelho bucal do tipo lambedor-sugador e para ingestão do alimento, regurgitam sobre o local da alimentação. Assim, as enzimas presentes na saliva começam a digestão do alimento fora do corpo da mosca. Uma vez iniciada a digestão, o alimento passa a ter forma pastosa que facilita sua sucção para dentro do trato digestório da mosca. Após se alimentar, as moscas defecam no local, pois seu trato digestório é pequeno para armazenar uma grande quantidade de alimento. Somando todos esses fatores, o risco de termos uma contaminação trazida por moscas é grande!

E nosso inimigo não se trata apenas das moscas adultas em voo, pois elas representam somente 20% da população total das moscas em um determinado local. Os 80% restantes estão em fases jovens desse inseto na forma de ovo, larva ou pupa que não são tão visíveis.

 

Características reprodutivas

A espécie mais importante é a Musca domestica, ou mosca doméstica, que além de ser muito adaptada ao ambiente é bastante incômoda e pode transmitir mais de uma centena de doenças para o homem ou animais. Uma única mosca adulta é capaz de fazer a oviposição de 75 a 170 ovos por postura e após 30 horas já está apta a se reproduzir novamente. Sendo assim, sabendo ovos 40% larvas 30% pupas 10% adultos 20% que uma mosca vive em média 30 dias, durante toda sua vida podem ser gerados de 1.800 a 4.080 ovos por somente uma mosca.

Depois de depositados, os ovos eclodem no primeiro estágio larval em 24 horas. A fase larval passa por outros dois estágios e dura no total, em média, de 5 a 8 dias. No inverno essa fase pode se estender por várias semanas, pois altas umidades e temperatura favorecem o desenvolvimento e, portanto, locais quentes e úmidos apresentam ciclos mais rápidos.

Ao final do desenvolvimento larval, as larvas buscam um local fora da matéria orgânica onde estavam e se transformam em pupas, quando a camada externa endurece e ocorre a metamorfose para mosca adulta. Esse processo acontece em 4 a 5 dias e, diferente das larvas, as pupas não se alimentam. Essa característica dificulta o controle de mosca nessa fase de vida.

Controle 

Portanto, as únicas fases para realização do controle integrado são quando as moscas estão na forma larval e moscas adultas. As larvas, no primeiro estágio, medem cerca de 2 mm de comprimento e no terceiro, de 10 a 14 mm. Elas, geralmente, ficam agrupadas, são vermiformes, esbranquiçadas, movimentam-se muito, podendo se deslocar por até 50 metros, não gostam de luz e alimentam-se ativamente.

Já as moscas adultas são ativas durante o dia, podendo voar cerca de 1 a 3 km durante um dia todo, porém a noite elas repousam principalmente em superfícies cilíndricas como arames, fios ou barbantes. Essa particularidade é importante no controle desse inseto, pois permite que sejam feitas armadilhas com cordões embebidos em inseticidas, por exemplo.

Sendo assim, o combate às moscas deve ser feito de forma integrada, ou seja, através de medidas de saneamento ambiental que visem minimizar as condições de criatórios desse inseto, como o acondicionamento correto do lixo e descarte de resíduos, armazenamento correto dos alimentos, em sacos bem fechados ou com tampa, manutenção do ambiente sempre limpo e livre de matéria orgânica ou com acúmulo de água.

Além das medidas de manejo ambiental, deve-se atuar de forma mecânica e química para o controle integrado das moscas. Utilizar telamento ou instalação de cortina de ar nas janelas, a fim de restringir o acesso desses insetos em locais críticos, além de utilizar ferramentas de captura dos insetos adultos como as armadilhas, luminosas ou não, é bastante importante.

Já o controle químico deve passar pela redução da população de adultos e pelo tratamento preventivo das fases jovens através de produtos que têm ação em larvas. É extremamente importante quebrar o ciclo de vida das moscas quando queremos um controle efetivo da infestação desses insetos.

Não basta agir apenas na presença da fase adulta, que é também importante, mas a médio e longo prazo queremos diminuir a população total das moscas. O manejo do controle de pragas é, portanto, essencial e deve acontecer de forma constante e monitorada. Para isso, é necessário realizar a avaliação local e, muitas vezes, utilizar mais de uma ferramenta a fim de blindar o local da forma mais efetiva possível. O controle de moscas é difícil e estratégico, para isso, conte sempre com a ajuda de bons profissionais e produtos de qualidade.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse gratuitamente a edição digital Avicultura – Corte & Postura.

Fonte: Por Thaiane Kasmanas, coordenadora de Tech Service da Neogen.
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