Avicultura
Uso de vacinas no incubatório reduz manejo durante a recria do lote
Introdução das vacinas feitas no incubatório trouxe avanços nos quesitos de cuidados na aplicação da vacina, pois constitui um ambiente controlado, com atenção às boas práticas de preparo de vacinas, utilização de equipamentos de vacinação atualizados e regulados, resultando em melhor uniformidade na vacinação.

Artigo escrito por Tobias Filho, Gerente Técnico de Avicultura e Otávio Olivieri, Coordenador Técnico de Avicultura na Boehringer Ingelheim
Ao avaliarmos o contexto de biosseguridade na avicultura, as práticas de vacinação se destacam como pilares fundamentais para obter sucesso em programas que visam mitigar o efeito de patógenos nos lotes de aves. Programas vacinais se diferem para cada unidade produtiva, pois cada uma oferece um tipo de desafio sanitário específico, de modo que não existe um protocolo vacinal que sirva para todas as realidades do campo. Contudo, uma premissa é comum à toda realidade: para que os programas vacinais tenham êxito na proteção aos efeitos dos desafios infecciosos e garantam condições das aves expressarem o seu potencial produtivo, é fundamental que as vacinas sejam bem aplicadas, seguindo-se condições adequadas de preparo e manuseio com o mínimo de interferência humana e ambiental possível.
A introdução das vacinas feitas no incubatório trouxe avanços nos quesitos de cuidados na aplicação da vacina, pois constitui um ambiente controlado, com atenção às boas práticas de preparo de vacinas, utilização de equipamentos de vacinação atualizados e regulados, resultando em melhor uniformidade na vacinação. O surgimento das vacinas criogênicas, armazenadas em nitrogênio líquido – prática pouco viável de ser executada em granjas -, colocou o incubatório como ponto fundamental na garantia de imunização dos plantéis.

A tecnologia de vacinas recombinantes ou vetorizadas é considerada como a terceira geração de vacinas e consiste na utilização de um vírus vivo atenuado – apatogênico para aves – que, ao se replicar, expressa através de seu material genético as proteínas imunogênicas de outros vírus causadores de doenças. A ave ao receber este tipo de vacina terá em seu organismo a replicação do vírus vetor que, consequentemente, estimulará o sistema imune do animal a gerar respostas imunológicas tanto contra o vírus vetor quanto para as proteínas carreadas por ele. As vacinas vetorizadas mudaram a forma como os programas de vacinação são administrados, afinal, com uma só aplicação no incubatório é possível oferecer proteção uniforme a duas ou mais doenças.
Dentre as vacinas recombinantes são disponíveis duas principais plataformas de vetor: vírus de Marek sorotipo 3 (HVT) e vírus de bouba aviária (FP – Fowl pox). As vacinas vetorizadas de bouba foram as primeiras a serem desenvolvidas. Já as vacinas recombinantes de base HVT tiveram seu lançamento em 2006 com uma vacina vetorizada para proteção contra Marek e Gumboro, desenhada especialmente para atender aos desafios no Brasil, que hoje é referência em excelência para proteção de aves de postura, reprodutoras pesadas e frangos de corte não só no Brasil, mas no mundo.
Poder dispor de uma gama de produtos vacinais para uso no incubatório faz com que o produtor tenha flexibilidade na combinação destes produtos a fim de atender às demandas sanitárias de acordo com a realidade de cada região. Com o surgimento (ou reaparecimento) de novos desafios, saber combinar as tecnologias vacinais sem que haja conflito entre elas é crucial para o avanço no ganho produtivo, aliado a praticidade e comodidade da múltipla proteção com apenas uma vacinação.
Construção de programas vacinais
Para a construção de programas vacinais robustos no incubatório aos desafios atuais e sabendo-se ser contraindicada a combinação de diferentes vacinas de vetor HVT na mesma vacinação, ter vacinas que possibilitem a flexibilidade na definição dos programas faz a diferença para os produtores que buscam proteção aos diversos desafios. A combinação de vacinas vetorizadas de diferentes plataformas, como Marek e bouba, é possível, pois não há impedimento na replicação de uma vacina pela outra. Isso possibilita ampliar o leque de proteção, abrangendo respostas para múltiplas doenças em apenas uma combinação. Utilizar a estratégia de combinação de vacinas vetorizadas inovadoras e compatíveis enaltece a conveniência da vacinação no incubatório, refletindo em agilidade e melhoria das condições de preparo de vacina. Isso amplia o leque de combinações possíveis e permite, por exemplo, a proteção contra cinco doenças (Marek, Gumboro, Laringotraqueíte, Newcastle e Bouba aviária) com apenas uma aplicação.
Para os produtores avícolas mais atualizados e interessados em novas tecnologias vacinais, o uso das vacinas vetorizadas já no incubatório, oferecendo proteção para múltiplas doenças, soma esforços com a busca constante pela inovação. Na prática, o uso de vacinas no incubatório reduz manejo durante a recria do lote, o que implica em liberação de mão de obra para outras atividades e menor manipulação dos animais, resultando em menor nível de estresse e melhora do bem-estar animal, com impacto direto em maior produtividade.
As referências bibliográficas estão com os autores. Contato: thaynara.costa@boehringer-ingelheim.com.
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Avicultura
Mercado do frango congelado apresenta pequenas variações em fevereiro
Levantamento do Cepea mostra estabilidade em alguns dias e recuos pontuais no período.

O preço do frango congelado no Estado de São Paulo foi cotado a R$ 7,29 o quilo na última sexta-feira (20), segundo dados do Cepea. No dia, houve recuo de 0,14%, enquanto a variação acumulada no mês está em 4,29%.
Na quinta-feira (19), o produto foi negociado a R$ 7,30/kg, também com queda diária de 0,14% e avanço mensal de 4,43%.
Na quarta-feira (18), a cotação ficou em R$ 7,31/kg, sem variação no dia e com alta de 4,58% no acumulado do mês.
Já no dia 13 de fevereiro, o preço foi de R$ 7,31/kg, com elevação diária de 0,69% e variação mensal de 4,58%. No dia 12, o valor registrado foi de R$ 7,26/kg, estável no dia e com avanço de 3,86% no mês.
Os dados são divulgados pelo Cepea, referência no acompanhamento de preços agropecuários.
Avicultura
Preços do frango podem reagir após período de demanda enfraquecida no início do ano
Custos equilibrados de milho e competitividade frente à carne bovina reforçam cenário mais positivo.

Com o fim do período tradicionalmente mais fraco para o consumo, o mercado de frango pode entrar em uma fase de estabilização e recuperação de preços nas próximas semanas. A expectativa é de que a queda observada nos valores da ave seja interrompida após o feriado de Carnaval, acompanhando a melhora da demanda doméstica.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o ambiente segue favorável para o setor, sustentado por exportações aquecidas, elevada competitividade da carne de frango em relação à bovina e custos equilibrados de ração.
No campo da oferta, o ritmo de crescimento pode perder força a partir deste período, dependendo do volume de alojamentos realizados em janeiro. Caso tenham sido menores do que a forte colocação registrada em dezembro, a disponibilidade de aves tende a se ajustar gradualmente. As aves alojadas no fim de dezembro influenciam diretamente a oferta até meados de fevereiro.
As exportações continuam com perspectiva positiva e devem seguir contribuindo para o equilíbrio entre oferta e demanda, reforçando o suporte aos preços no mercado interno.
Em relação aos custos, o cenário também é considerado favorável. A primeira safra de milho apresentou resultado acima das expectativas e, até o momento, a safrinha mantém boas perspectivas. No entanto, o plantio da segunda safra ainda está em fase inicial no Cerrado, e não há definição sobre o percentual que poderá ficar fora da janela ideal, que se encerra no fim do mês.
Mesmo com expectativa de boa oferta de milho e demanda doméstica firme, a tendência é de um mercado equilibrado para o cereal, sem espaço para oscilações expressivas. Ainda assim, as condições climáticas nos meses de março e abril continuarão sendo determinantes para o comportamento dos preços.
Avicultura
Ovos retomam alta e frango mantém preços estáveis no pós-Carnaval
Equilíbrio entre oferta e demanda sustenta cotações dos ovos, enquanto setor avícola monitora consumo para possível reação em março.

O mercado de ovos voltou a registrar alta após cinco meses consecutivos de queda nos preços. Levantamentos do Cepea indicam que, em algumas regiões acompanhadas, a média parcial até 18 de fevereiro apresenta avanço superior a 40% em relação a janeiro.
Segundo o Centro de Estudos, o equilíbrio entre oferta e demanda tem sustentado a recuperação das cotações, mesmo na segunda quinzena do mês, período em que as vendas costumam perder ritmo. Apesar da recente reação, os preços ainda seguem abaixo dos verificados no mesmo período do ano passado, acumulando retração real superior a 30% nas regiões monitoradas.
A expectativa do setor agora está voltada para a Quaresma, iniciada no último dia 18. Pesquisadores do Cepea destacam que, durante os 40 dias do período religioso, o consumo de ovos tende a aumentar gradualmente, já que a proteína ganha espaço como alternativa às carnes. A perspectiva é de que a demanda mais aquecida continue dando sustentação aos preços.
No mercado de frango, a semana de recesso de Carnaval registra estabilidade nas cotações, reflexo da demanda firme. Ainda assim, na média mensal, o valor da proteína congelada negociada no atacado da Grande São Paulo está em R$ 7,00/kg até o dia 18 de fevereiro — o menor patamar real desde agosto de 2023, quando foi de R$ 6,91/kg, considerando valores deflacionados pelo IPCA de dezembro.
Os preços mais baixos refletem as quedas intensas observadas nas primeiras semanas do ano, movimento que já se estende por pouco mais de três meses. O cenário mantém os agentes cautelosos.
De acordo com participantes consultados pelo Cepea, uma possível recuperação dos preços do frango pode ocorrer apenas a partir do início de março, diante da expectativa de maior consumo no começo do mês. Para esta segunda metade de fevereiro, a liquidez deve permanecer no ritmo atual, limitando avanços mais expressivos nas cotações.





