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Uso de probióticos na nutrição de peixes e camarões: mecanismos bioquímicos e fisiológicos de ação e impacto na qualidade da água

Capacidade de influenciar positivamente a microbiota intestinal dos peixes e camarões, auxiliando na digestibilidade dos alimentos, na resistência a patógenos e na promoção de um ambiente aquático saudável.

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Artigo escrito por Evilásio Pontes de Melo, Diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Vetscience

Probióticos são microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde do hospedeiro, melhorando a digestão, a absorção de nutrientes e a resistência a doenças.

O uso de probióticos na aquicultura vem ganhando importância crescente dessa prática na nutrição de peixes e camarões, visando a melhoria do desempenho produtivo e da saúde animal. O uso de probióticos tem se mostrado promissor como estratégia para promover o equilíbrio da microbiota intestinal, proporcionar estímulos ao sistema imunológico e melhorar a qualidade da água em sistemas de produção aquícola. Na aquicultura, a importância dos probióticos reside na capacidade de influenciar positivamente a microbiota intestinal dos peixes e camarões, auxiliando na digestibilidade dos alimentos, na resistência a patógenos e na promoção de um ambiente aquático saudável. As aplicações dos probióticos na nutrição de peixes e camarões estão relacionadas à melhoria do desempenho produtivo e sanitário dos animais.

A interferência na microbiota intestinal é um dos principais mecanismos de ação dos probióticos em peixes e camarões. Eles promovem o equilíbrio da flora intestinal, inibindo o crescimento de bactérias patogênicas e favorecendo a proliferação de bactérias benéficas, como as do gênero Lactobacillus e Bifidobacterium. Isso resulta na manutenção de uma microbiota saudável, que impacta diretamente na digestão e absorção de nutrientes, bem como na proteção contra infecções intestinais, contribuindo para a saúde geral dos animais. Também atuam estimulando o sistema imunológico dos peixes e camarões, resultando em uma maior resistência a doenças e infecções. Eles atuam no aumento da produção de células imunológicas, como os macrófagos, que são responsáveis pela fagocitose de agentes patogênicos, e os linfócitos, que são células de defesa do organismo.

O impacto dos probióticos na qualidade da água na nutrição de peixes e camarões é significativo, especialmente no que diz respeito à redução de resíduos e poluentes. Os probióticos ajudam a promover a decomposição de resíduos orgânicos e a diminuição da amônia e nitrito na água, contribuindo assim para a manutenção de um ambiente aquático saudável. Além disso, a presença de probióticos pode melhorar a estabilidade do ecossistema aquático, reduzindo a carga de resíduos e poluentes que poderiam prejudicar a qualidade da água e a sobrevivência dos organismos aquáticos. A redução de resíduos e poluentes é um dos impactos mais evidentes dos probióticos na qualidade da água, resultando em água mais limpa e saudável para os peixes e camarões.

A fisiologia enzimática intestinal é de extrema importância para a digestão e absorção de nutrientes essenciais para o organismo. As enzimas presentes no intestino desempenham um papel crucial na quebra de macronutrientes, tais como proteínas, lipídios e carboidratos, em substratos que podem ser facilmente absorvidos pelas células intestinais. Portanto, a capacidade dos microrganismos probióticos de influenciar positivamente a fisiologia enzimática intestinal é fundamental para a manutenção da saúde do hospedeiro, uma vez que a correta função dessas enzimas está diretamente relacionada com a capacidade de absorção de nutrientes e com a manutenção de um equilíbrio adequado do trato gastrointestinal.

Os microrganismos probióticos possuem a capacidade de produzir enzimas digestivas, tais como proteases, lipases, amilases e celulases, que desempenham um papel fundamental na quebra de moléculas complexas no intestino. Essas enzimas atuam na degradação de proteínas, gorduras, carboidratos e fibras, tornando-os mais facilmente absorvíveis pelo hospedeiro. Destaca-se que a atividade enzimática pode estimular a produção de enzimas endógenas do hospedeiro ou contribuir diretamente com as enzimas exógenas produzidas pelos microrganismos probióticos administrados, promovendo assim um impacto significativo na fisiologia enzimática intestinal.

Estudos

Estudos científicos têm demonstrado que a utilização de probióticos em organismos aquáticos pode impactar positivamente sua saúde e desempenho. Os probióticos têm sido associados à melhora da imunidade dos peixes e camarões, redução da ocorrência de doenças, aumento da taxa de crescimento e melhor conversão alimentar. Além disso, eles têm mostrado efeitos benéficos na modulação da microbiota intestinal, promovendo um ambiente propício para a absorção de nutrientes. A suplementação com probióticos também tem contribuído para a redução do estresse oxidativo e da inflamação, resultando em organismos aquáticos mais saudáveis e com maior resistência a condições adversas. Esses impactos positivos têm levado a um aumento do interesse e da utilização de probióticos na aquicultura, como uma estratégia promissora para o manejo sanitário e o melhoramento do desempenho dos animais.

Conclusão

Os microrganismos probióticos têm mostrado ter um impacto significativo na fisiologia enzimática intestinal em peixes e camarões. Os estudos de caso e experimentos em aquicultura têm fornecido evidências consistentes do impacto positivo dos probióticos, sinalizando a importância de seu uso na prática. No entanto, ainda há espaço para perspectivas futuras e potenciais aplicações na aquicultura, incluindo a investigação de novas espécies de probióticos e a otimização das estratégias de administração. Em última análise, o uso de probióticos na aquicultura representa uma área de grande potencial.

Probióticos e suas Funções na Suplementação de Peixes e Camarões

Resumo dos benefícios dos probióticos na nutrição de peixes e camarões

  1. Melhoria da Digestão: Aumentam a eficiência digestiva ao produzir enzimas que auxiliam na quebra de nutrientes.
  2. Competição por Nutrientes: Inibem o crescimento de patógenos competindo por nutrientes e espaço.
  3. Modulação do Sistema Imunológico: Estimulam a resposta imunológica inata e adaptativa, aumentando a resistência a infecções.
  4. Produção de Substâncias Antimicrobianas: Produzem ácidos orgânicos e bacteriocinas que inibem patógenos.

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Fonte: O Presente Rural com Evilásio Pontes de Melo

Peixes

Produção de peixes de cultivo cresce 4,41% e atinge recorde histórico

Brasil mantém liderança nas Américas e reforça meta de alcançar o topo mundial até 2040.

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O Brasil superou, em 2025, a marca de 1 milhão de toneladas na produção de peixes de cultivo. Ao todo, foram produzidas 1.011.540 toneladas, conforme levantamento da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR). Os dados constam no Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026.

O volume representa crescimento de 4,41% em comparação com 2024. Com esse resultado, o Brasil mantém a liderança da piscicultura nas Américas e passa a integrar o grupo de países que já ultrapassaram a marca simbólica de 1 milhão de toneladas na produção aquícola.

Presidente da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), Francisco Medeiros: “Esse objetivo será alcançado por meio de investimentos em genética, nutrição, manejo, equipamentos, sanidade, produção, processamento e, principalmente, comercialização nos mercados interno e externo” – Foto: Divulgação/Peixe BR

Segundo o presidente da Associação Brasileira da Piscicultura, Francisco Medeiros, a meta do setor é alcançar a liderança mundial até 2040. “Esse objetivo será alcançado por meio de investimentos em genética, nutrição, manejo, equipamentos, sanidade, produção, processamento e, principalmente, comercialização nos mercados interno e externo”.

Mesmo diante de desafios ao longo do ano, como adversidades climáticas, questões sanitárias e instabilidade nas cotações, o setor manteve desempenho positivo. O mercado também foi impactado pelo aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, incluindo pescados, além da concorrência com tilápias importadas do Vietnã e da discussão sobre a possível inclusão da espécie na lista de espécies exóticas invasoras no Brasil. A decisão acabou sendo adiada.

A tilápia segue como principal espécie cultivada no país, representando 70% da produção nacional. Em 2025, foram 707.495 toneladas, alta de 6,83% sobre o ano anterior.

Já a produção de peixes nativos totalizou 257.070 toneladas, com leve recuo de 0,63% em relação a 2024. As demais espécies somaram 46.975 toneladas, queda de 1,75% na comparação anual.

A expectativa do setor é manter o crescimento nos próximos anos, impulsionado pelo avanço da profissionalização e da tecnificação da piscicultura brasileira.

Fonte: O Presente Rural com informações Anuário Brasileiro da Piscicultura Peixe BR 2026
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Peixes

Piscicultura brasileira supera um milhão de toneladas e consolida década de crescimento recorde

Setor avança 58,6% em 10 anos, produção de tilápia dispara 148,2% e país reforça protagonismo nas Américas.

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A Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR) lançou, nesta terça-feira (24), a 10ª edição do Anuário Brasileiro da Piscicultura 2026, que consolida o setor como um dos mais dinâmicos do agronegócio nacional. A publicação revela que, nos últimos 10 anos, a atividade brasileira cresceu 58,6% e, em 2025, atingiu pela primeira vez a marca histórica de um milhão de toneladas produzidas. No mesmo período, a produção de tilápia avançou expressivos 148,2%, reforçando o protagonismo da espécie no país.

Presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros: “Este resultado demonstra a força e a maturidade da piscicultura brasileira” – Foto: Divulgação/Peixe BR

Principal referência estatística da cadeia produtiva de peixes de cultivo, o Anuário 2026 apresenta dados inéditos e atualizados sobre produção nacional e por estado, consumo, mercado, tendências e perspectivas estratégicas para os próximos anos.

A edição comemorativa também reúne os principais acontecimentos de 2025 e análises sobre o cenário atual. “O resultado apresentado nesta 10ª edição demonstra a força e a maturidade da piscicultura brasileira. Mesmo diante de um ano desafiador, superamos a marca de 1 milhão de toneladas e consolidamos uma década de crescimento consistente. A piscicultura deixou de ser uma promessa para se tornar protagonista nas Américas, com ganhos expressivos em produtividade, tecnologia e competitividade”, compartilha o presidente da Peixe BR, Francisco Medeiros.

No evento em Brasília (DF), estiveram presentes o presidente do conselho de administração

Foto: Divulgação/Peixe BR

da Peixe BR, Mauro Nakata; o vice-presidente da Peixe BR, Juliano Kubitza; o diretor do Departamento de Águas da União, substituto do ministro de estado da Pesca e Aquicultura, Felipe Bodens; o deputado federal – presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, Luiz Nishimori e o chefe-geral da Embrapa Pesca e Aquicultura, Roberto Flores.

Para acessar o Anuário 2026, acesse www.peixebr.com.br/anuario-2026 e baixe gratuitamente a publicação.

Sobre a Peixe BR

A Peixe BR é uma associação que possui 12 anos de atuação no mercado de piscicultura, com forte representatividade no setor. Uma de suas missões é melhorar a competitividade do segmento e do ambiente regulatório da atividade no Brasil, promovendo o desenvolvimento da cadeia produtiva de forma sustentável e transparente.

Fonte: Assessoria Peixe BR
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Peixes

Governo gaúcho libera R$ 2 milhões para agroindustrialização do pescado na aquicultura familiar

Edital do Desenvolve RS Rural aprova 34 projetos e prevê recursos de até R$ 100 mil para iniciativas coletivas e R$ 50 mil para propostas individuais via Feaper.

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Foto: Jonathan Campos

O Governo do Rio Grande do Sul homologou o resultado final do Edital nº 04/2026 do programa Desenvolve RS Rural – Fomento Produtivo à Aquicultura Familiar – Apoio à Agroindustrialização do Pescado. A lista, divulgada na segunda-feira (23) pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), contempla 34 projetos aprovados com recursos disponíveis e outros 21 na condição de suplentes.

A iniciativa é operacionalizada pelo Fundo Estadual de Apoio ao Desenvolvimento dos Pequenos Estabelecimentos Rurais (Feaper) e prevê aporte total de até R$ 2 milhões. O objetivo é financiar a implantação, ampliação e modernização de agroindústrias voltadas ao processamento de pescado no Estado.

Segundo a SDR, o resultado já considera a análise de recursos administrativos e encerra o processo seletivo conduzido conforme o Edital nº 07 e o Processo nº 25/3100-0003502-8.

A partir da próxima semana, os beneficiários deverão procurar os escritórios regionais da Emater-RS para elaboração dos projetos técnicos de financiamento. A secretaria também informou que enviará orientações detalhadas por e-mail aos contemplados.

Limites por projeto

O programa permite a apresentação de propostas individuais ou coletivas. Para associações e cooperativas, o limite é de até R$ 100 mil por projeto. Já para iniciativas individuais, o teto é de R$ 50 mil.

A proposta é estruturar a base produtiva da aquicultura familiar, ampliando a capacidade de beneficiamento e agregação de valor ao pescado, etapa considerada estratégica para elevar renda e acessar novos mercados.

O secretário de Desenvolvimento Rural, Gustavo Paim, afirmou que o foco do programa é consolidar cadeias produtivas regionais. “Ao investirmos na agroindustrialização do pescado, agregamos valor à produção, ampliamos a renda das famílias e estimulamos o desenvolvimento regional. Esse programa demonstra o compromisso do Governo do Estado com a inclusão produtiva, a sustentabilidade e a permanência das famílias no meio rural”, declarou.

O Desenvolve RS Rural é coordenado pelo Departamento de Desenvolvimento Agrário, Pesqueiro, Aquícola, Indígena e Quilombola (Ddapa) da SDR. A secretaria destaca que a destinação específica de recursos para a agroindustrialização do pescado ocorre de forma inédita no Estado, criando condições para que famílias produtoras avancem além da produção primária.

Estrutura de financiamento

O Feaper, responsável pela operação financeira, é executado pela SDR em parceria com a Emater-RS e o Badesul. O fundo financia tanto investimentos quanto custeio, com bônus de adimplência que pode chegar a 80%, conforme regras estabelecidas em decreto.

A expectativa do governo é que o programa fortaleça a aquicultura familiar como vetor de desenvolvimento regional, ampliando competitividade, formalização e geração de renda no meio rural gaúcho.

Fonte: O Presente Rural com Seapi
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