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Uso de plasma spray dried na ração reduz mortalidade e necessidade de antibióticos em suínos

Estudo conduzido em sistema comercial brasileiro aponta melhora sanitária em animais de crescimento e terminação com suplementação diária de SDP.

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Artigo escrito por Luís Rangel, APC; Giovana Ludovico, Granja Ludovico, PR, BR; Javier Polo, APC; Leandro Borges, APC; Yanbin Shen, APC; Joe Crenshaw, APC.

O plasma spray dried (SDP, do inglês spray dried plasma) é uma proteína funcional altamente digestível, amplamente utilizada em dietas de leitões de creche. Ele tem sido usado como uma ferramenta de apoio em dietas de suínos sob diversas condições de desafios, como infecções bacterianas e virais, encontradas em sistemas comerciais de produção.

Objetivos

Avaliar o impacto da aplicação de SDP top-dressed na ração, na mortalidade, e no uso de medicamentos injetáveis em suínos de crescimento e terminação em condições comerciais no Brasil.

Materiais e métodos

Um total de 1.536 suínos em crescimento (65 dias de idade) foram distribuídos em 24 baias de machos castrados e 24 baias de fêmeas (32 suínos/baia). Os suínos foram distribuídos aleatoriamente em um grupo Controle ou em um grupo com SDP (24 repetições/tratamento). Ambos os grupos apresentaram o mesmo status sanitário, ração e programa vacinal. O grupo SDP recebeu 2 g de SDP aplicados sobre a ração diariamente durante a fase de crescimento e terminação, de 98 dias. A cada dia, 64 g de SDP foram adicionados ao cocho e misturados manualmente à ração de cada baia com 32 animais, fornecendo assim 2 g de SDP por suíno. Mortalidade e uso de medicamentos foram registrados por baia ao longo do estudo. A baia foi considerada a unidade experimental, e os dados foram analisados usando um modelo misto para os efeitos principais de tratamento e sexo, com a repetição como efeito aleatório. Probabilidades de qui-quadrado foram relatadas para os resultados expressos em porcentagem.

Resultados e discussão

Não houve efeitos significativos do sexo dos animais ou interações entre sexo e tratamento. O grupo SDP apresentou menor (P=0,0007) número médio de mortalidade por baia (Tabela 1; Figura 1) e menor (P=0,0003) porcentagem de mortalidade (Tabela 1). O grupo SDP necessitou de menos (P=0,0016) aplicações do antibiótico Tulatromicina por baia, com tendência (P=0,0877) a menor uso de medicamentos injetáveis totais (Figura 1). Outros medicamentos utilizados incluíram aplicações de Dexametasona (Controle, 0,38; SDP, 0,46) por baia e Metamizol sódico (Controle, 0,55; SDP, 0,51) por baia, mas seu uso não diferiu entre os tratamentos. A principal razão para o uso de antibióticos injetáveis foi a presença de sintomas de pneumonia. Esses achados estão alinhados com pesquisas anteriores que demonstram os benefícios do SDP no desempenho, saúde intestinal, função imune e saúde sistêmica geral (1,2), bem como a redução no uso de antibióticos em suínos de crescimento e terminação (3,4,5).

Conclusões

Fornecer 2 g de SDP por suíno por dia, adicionado à ração durante a fase de crescimento/ terminação, representa uma nova estratégia para apoiar a saúde dos suínos, especialmente em plantéis que enfrentam desafios sanitários. Essa abordagem está alinhada com as regulamentações internacionais atuais que visam reduzir a dependência de antimicrobianos.

As referências bibliográficas estão com os autores. Contato: luis.rangel@apcproteins.com

Fonte: O Presente Rural

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Estratégias de manejo e nutrição elevam performance e longevidade de fêmeas suínas

Produtividade e a longevidade das fêmeas suínas são resultado direto de decisões técnicas assertivas ao longo de toda a vida reprodutiva, com foco em nutrição adequada, controle de peso e consumo de ração.

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Artigo escrito por Rodrigo Lima, especialista global em nutrição da Topigs Norsvin

O desempenho reprodutivo das fêmeas suínas é resultado da combinação entre genética, nutrição e manejo ao longo de toda a vida produtiva. Em sistemas intensivos, especialmente aqueles que operam com alta densidade e metas produtivas agressivas, decisões técnicas sobre o momento ideal da primeira cobertura, a definição da curva nutricional durante a gestação e o controle da condição corporal na lactação tornam-se determinantes não apenas para o número de leitões desmamados, mas também para a longevidade das matrizes e a rentabilidade do sistema como um todo. Em um mercado em constante expansão, o desafio passa a ser produzir mais, com melhor qualidade e de forma sustentável.

Segundo o Especialista Global em Nutrição da Topigs Norsvin, Rodrigo Lima, mesmo os melhores avanços genéticos precisam estar acompanhados de um manejo ajustado às necessidades fisiológicas das fêmeas. Ele explica que, entre 2015 e 2023, com base em dados da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), o Brasil aumentou em 46% o número de suínos abatidos, passando de 39,2 milhões para 57,1 milhões de cabeças. No mesmo período, o plantel de matrizes cresceu 23%, alcançando 2,1 milhões de animais. Esses dados, somados ao avanço no número de suínos terminados por ciclo produtivo — que passou de 9,51 para 11,29 —, indicam um sistema mais exigente e cada vez mais dependente de decisões técnicas precisas para manter o ritmo de crescimento com qualidade reprodutiva.

Desafios gerados pela produtividade

O aumento do tamanho das leitegadas, impulsionado por ganhos genéticos e melhor desempenho reprodutivo, traz consigo novos desafios no manejo das fêmeas. Com mais leitões por parto, aumenta a demanda por leite, aumenta a exigência sobre o metabolismo das matrizes e se intensifica a necessidade de garantir uniformidade e bom peso ao desmame. “Esses fatores impõem uma pressão fisiológica maior sobre as matrizes, exigindo estratégias nutricionais mais refinadas e manejo ajustado à nova realidade produtiva. Sem esse equilíbrio, os avanços em quantidade podem comprometer a qualidade dos leitões e a longevidade das fêmeas no sistema”, pontua Lima.

Segundo o especialista, o desenvolvimento corporal da fêmea jovem exerce influência direta sobre sua produtividade futura. A curva de crescimento ao longo da recria precisa ser cuidadosamente monitorada para garantir que a fêmea atinja a primeira cobertura com peso e maturidade adequados. Intervenções nutricionais mal planejadas nessa fase podem resultar em animais subdesenvolvidos, comprometendo o desempenho reprodutivo nos ciclos seguintes. Por isso, o ajuste fino entre ganho de peso, idade e condição corporal na recria é um dos pilares para alcançar eficiência reprodutiva e longevidade no plantel.

Nutrição ajustada à demanda gestacional

A demanda nutricional das fêmeas suínas durante a gestação apresenta variações significativas ao longo das três fases que compõem o período gestacional. Do momento da cobertura até o parto, há um aumento progressivo nas exigências do organismo para atender o desenvolvimento do útero, dos leitões, da placenta, dos líquidos fetais e da glândula mamária.

Essas variações impactam diretamente os requisitos de aminoácidos, que devem ser ajustados de acordo com o avanço genético, principalmente quando se trata do tamanho da leitegada e do desenvolvimento fetal. Segundo Lima, o ajuste nutricional, portanto, é estratégico para garantir o bom desempenho reprodutivo das matrizes.

A eficiência desse manejo é refletida nos dados de campo observados no Sul do Brasil. A análise de mais de 3 mil leitegadas entre 2022 e 2023 indicou evolução tanto no número total de nascidos (NT) quanto no peso médio ao nascimento quando ajustados os níveis de acordo com a exigência nutricional. Em 2022, o NT médio foi de 15,6 leitões por leitegada, com peso médio de 1,419 kg. Já em 2023, esses números subiram para 16,9 leitões e 1,488 kg, respectivamente.

Nutrição de precisão: presente e futuro

A adoção de estratégias de nutrição de precisão tem conquistado espaço na suinocultura como uma resposta às crescentes exigências por eficiência produtiva e bem-estar animal. Essa abordagem busca ajustar o fornecimento de nutrientes de acordo com as necessidades específicas de cada animal ou grupo, respeitando fatores como fase fisiológica, categoria e condição corporal. “O objetivo é maximizar o desempenho produtivo com o uso racional de recursos, contribuindo também para a sustentabilidade da atividade”, frisa o especialista da Topigs Norsvin.

Dados apresentados por Lima indicam ganhos expressivos com a aplicação da nutrição de precisão em comparação com métodos tradicionais. Em um estudo publicado na revista científica Animal Feed Science and Technology, foi registrado um aumento de 9,81% no peso da leitegada ao desmame quando se utiliza alimentação de precisão, ou de 4% quando se dinamiza a curva de consumo durante o período gestacional, comparado com modelos convencionais. Os dados reforçam que a nutrição de precisão não é um conceito distante, mas sim viável e economicamente justificável. “A tendência é que o avanço da tecnologia, o uso de sensores, softwares e a automação acelerem a adoção dessas práticas, oferecendo ao produtor maior controle sobre a dieta e a performance das fêmeas ao longo do ciclo produtivo”, acrescenta Lima.

A longevidade e a qualidade dos leitões são resultados que vão além da genética, pois dependem, sobretudo, de manejos corretos e consistentes durante toda a vida reprodutiva da fêmea. Como reforça Rodrigo Lima, é esse conjunto de decisões, envolvendo nutrição ajustada, controle de peso, estratégia de arraçoamento e atenção ao bem-estar que sustenta sistemas produtivos mais rentáveis e sustentáveis. “Em um cenário cada vez mais competitivo, a eficiência começa cuidando bem das fêmeas para garantir o futuro da produção”.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos

Manejo reprodutivo de precisão impulsiona eficiência na suinocultura brasileira

Avanço da inseminação pós-cervical e do diagnóstico precoce de gestação reduz perdas, melhora índices produtivos e amplia o aproveitamento genético dos plantéis.

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A reprodução eficiente é um dos pilares da sustentabilidade da suinocultura moderna. Em um cenário cada vez mais competitivo, a aplicação de tecnologias reprodutivas de precisão tem‑se tornado decisiva para o aumento dos índices produtivos e o melhor aproveitamento genético dos plantéis. Nesse contexto, a combinação entre o diagnóstico precoce de gestação e a inseminação artificial pós‑cervical (PCIA) representa um avanço expressivo rumo a um manejo mais racional, previsível e rentável.

“Identificar porcas vazias o quanto antes é fundamental para evitar prejuízo. Com um ultrassom de qualidade, você já consegue um diagnóstico preciso a partir do 18º dia após a inseminação. Isso permite que as fêmeas não prenhes voltem mais rápido para o manejo reprodutivo, diminuindo os dias não produtivos e consequentemente melhorando a eficiência da granja”, destaca Ricardo Zanella, consultor técnico da IMV Technologies do Brasil”.

Mais do que um instrumento diagnóstico, o ultrassom de precisão torna-se um aliado na tomada de decisão, permitindo o controle efetivo do ciclo reprodutivo e a melhoria contínua dos indicadores zootécnicos. Quando combinado a técnica de inseminação pós-cervical, (PCIA), forma-se um sistema reprodutivo de alta performance e previsibilidade.

Evolução e panorama da inseminação artificial na suinocultura brasileira

A Inseminação Artificial (IA) consolidou-se como uma das principais estratégias para ganhos genéticos e eficiência produtiva dos rebanhos. Segundo levantamento recente, o Brasil contava em 2023 com 9.763 machos em Centrais de Inseminação e 2,06 milhões de matrizes distribuídas em 1.725 granjas. A média nacional foi de 30 leitões desmamados por fêmea/ano, com o grupo de elite (top 10%) alcançando 37,2 leitões, o que reflete o avanços técnicos do setor.

Os números demonstram também a alta eficiência reprodutiva obtida por meio do melhoramento contínuo dos processos: 2,4 a 2,5 partos por fêmea/ano, 90% de taxa média de prenhez e 2,88 inseminações por ciclo. A técnica pós-cervical (PCIA) já é utilizada em mais de 70% das inseminações realizadas em porcas adultas, embora sua aplicação em leitoas ainda enfrente limitações práticas, como diferenças anatômicas e exigência de maior habilidade técnica.

IA pós-cervical: eficiência, desafios e oportunidades

A IA pós-cervical representa uma evolução em relação à técnica tradicional, com benefícios diretos à eficiência reprodutiva e ao manejo diário. O método utiliza menor volume e concentração da dose inseminante, dispensando a necessidade de macho durante o processo e reduzindo significativamente o tempo de inseminação.

Figura 1 – Comparativo entre as taxas médias de prenhez obtidas com a inseminação tradicional e a inseminação artificial pós-cervical em marrãs (PCIA). Observa-se incremento de 5 pontos percentuais em favor da PCIA, demonstrando maior eficiência do método. Fonte: Dados experimentais do Projeto Fontana/Universidade de Passo Fundo (2024, dados não publicados).

Entre as principais vantagens, destacam-se:

Maior eficiência no uso do sêmen, com redução de volume e concentração espermática por dose

Redução de custos operacionais e melhor aproveitamento genético de machos superiores

Aumento das taxas de concepção e prenhez, com menor tempo de execução da IA

Redução do estresse nas fêmeas e otimização da rotina de trabalho

Padronização dos protocolos e ganho de produtividade por operador

Figura 2 – Tempo médio de inseminação (em segundos) comparando o método tradicional e o pós-cervical em marrãs. A PCIA apresentou redução significativa, indicando maior agilidade e uniformidade no processo. Fonte: Dados experimentais do Projeto Fontana/Universidade de Passo Fundo (2024, dados não publicados).

Técnica

Contudo, a implementação da técnica requer treinamento avançado, sêmen de alta qualidade e dispositivos adequados ao trato reprodutivo de marrãs, que apresentam maior sensibilidade anatômica. “A PCIA exige técnica e controle. Quando bem aplicada, proporciona segurança, velocidade e uniformidade nas inseminações, com resultados reprodutivos superiores”, afirma Zanella.

Evidências práticas: resultados do Projeto Fontana/UPF (RS, 2024)

A viabilidade técnica da IA pós-cervical em leitoas foi avaliada no Projeto Fontana – T1, realizado na Granja Fontana, em Charrua (RS), com 2.500 matrizes. O estudo comparou o uso da Inseminação Pós Cervical (PCIA) com a inseminação tradicional em condições de campo, totalizando 213 inseminações, sendo 112 tradicionais e 101 pós-cervicais.

Os resultados foram expressivos:

100% de taxa de passagem do cateter pós-cervical

0% de ocorrência de lesões no trato reprodutivo

Taxa de prenhez de 93% na PCIA, contra 88% na inseminação tradicional

Tempo médio de inseminação de 88,4 segundos, significativamente menor e mais uniforme que os 114 segundos observados no método convencional

Número médio de leitões nascidos vivos semelhante entre os grupos: 13,2 (PCIA) vs. 13,7 (tradicional).

Figura 3 – Número médio de leitões nascidos vivos por fêmea inseminada. O desempenho reprodutivo foi estatisticamente semelhante entre os métodos, comprovando a viabilidade da PCIA para leitoas. Fonte: Dados experimentais do Projeto Fontana/Universidade de Passo Fundo (2024, dados não publicados).

Viável

Esses dados reforçam que a técnica é plenamente viável para uso em leitoas, desde que aplicados protocolos padronizados e profissionais capacitados. A uniformidade no tempo de aplicação e o alto índice de prenhez indicam maior previsibilidade operacional e melhor eficiência de manejo, fatores determinantes para o sucesso em granjas de médio e grande porte.

Precisão e tecnologia a favor da reprodução

O avanço das biotecnologias aplicadas à reprodução suína reflete a evolução de um setor que busca reduzir perdas e maximizar resultados com base em dados. Nesse cenário, o diagnóstico precoce de gestação por ultrassonografia complementa os ganhos da inseminação pós-cervical, permitindo decisões rápidas quanto ao reagrupamento de fêmeas vazias, ajuste de coberturas e controle sanitário.

Figura 4 – Crescimento da adoção da inseminação artificial pós-cervical (PCIA) no Brasil. A técnica passou de 10% em 2015 para 70% em 2023, consolidando-se como padrão de eficiência nas granjas tecnificadas. Fonte: Estimativas de mercado e literatura técnica. Elaboração IMV Technologies do Brasil (2025).

Tomada de decisões

“Mais do que um equipamento, o ultrassom de precisão se consolida como um aliado na tomada de decisões. Ele fornece dados confiáveis que favorecem o controle do ciclo reprodutivo e o aprimoramento dos indicadores zootécnicos”, reforça Zanella.

A integração entre diagnóstico precoce e inseminação eficiente forma a base de um manejo reprodutivo inteligente, onde cada etapa é orientada por informação técnica, previsibilidade e resultados mensuráveis.

Considerações finais

A inseminação pós-cervical representa um avanço consistente na reprodutividade da suinocultura moderna, oferecendo maior eficiência, menor custo e melhor aproveitamento genético. Quando aliada a tecnologias de diagnóstico precoce, amplia-se o potencial de controle produtivo e reprodutivo das granjas, fortalecendo a sustentabilidade econômica e biológica do sistema. “O futuro da reprodução suína passa pela integração entre conhecimento técnico, inovação e precisão. O objetivo é simples: gerar mais leitões com menos recursos, de forma segura, eficiente e sustentável”, enfatiza Zanella.

A consolidação dessas práticas depende da formação contínua de equipes, do monitoramento dos indicadores reprodutivos e do uso de tecnologias confiáveis, transformando dados em decisões e decisões em produtividade.

Fonte: O Presente Rural
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Zootecnista aponta estratégia para proteger a ração contra ameaças de enterobactérias na suinocultura

Uso de blends de ácidos orgânicos surge como alternativa para reduzir contaminações por Salmonella e E. coli ao longo da cadeia produtiva.

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Artigo escrito por Fernanda de Andrade, zootecnista e gerente Técnica de Feed Safety da Trouw Nutrition

A presença de enterobactérias, como Salmonella e Escherichia coli, representa um dos principais riscos sanitários e econômicos para a suinocultura moderna. Mais do que uma preocupação produtiva, trata-se de um desafio de segurança alimentar que envolve toda a cadeia, desde a fabricação da ração ao consumo final da carne.

A ração composta é reconhecida como uma das fontes primárias de contaminação por essas bactérias. Mesmo quando submetida a tratamento térmico e boas práticas de fabricação, ainda há risco de recontaminação em etapas posteriores, como durante o armazenamento, o transporte e o manuseio. Essas falhas comprometem a qualidade microbiológica do alimento, colocando em risco a saúde dos animais, a segurança do consumidor e a confiabilidade da empresa produtora.

O controle das enterobactérias é desafiador. Elas são capazes de sobreviver em condições ambientais adversas e de se multiplicar rapidamente, tornando-se persistentes no ambiente da granja e nas fábricas de ração. Além do risco sanitário, infecções subclínicas em suínos estão associadas à redução do ganho de peso, pior conversão alimentar e maior vulnerabilidade a outras enfermidades, reflexos diretos em produtividade e rentabilidade.

Diante desse cenário, cresce a busca por soluções seguras e sustentáveis que aliem eficácia microbiológica e viabilidade prática. Nesse contexto, os blends de ácidos orgânicos em alta concentração surgem como uma ferramenta estratégica para o controle de enterobactérias ao longo de toda a cadeia de produção. Esses compostos apresentam ação antimicrobiana ampla, podendo ser aplicados tanto como medida preventiva quanto corretiva, em diferentes tipos de ração e matérias-primas.

A principal vantagem desses blends está no poder residual prolongado, que garante controle contínuo da contaminação. Enquanto compostos voláteis, como o formaldeído, perdem rapidamente seu efeito e apresentam riscos à saúde dos operadores, os ácidos orgânicos permanecem ativos mesmo após o processamento, mantendo-se eficazes durante o transporte e o armazenamento. Essa característica assegura maior estabilidade microbiológica, além de condições de trabalho mais seguras e confortáveis nas fábricas de ração.

Outro ponto de destaque é a alta concentração de ácidos ativos, especialmente o ácido fórmico, responsável por uma ação imediata e intensa contra microrganismos indesejáveis. A tecnologia por trás dessas ferramentas são detergentes dentro do blend, o que permite que os ácidos atinjam diretamente a bactéria, rompendo barreiras protetoras como as camadas de gordura que dificultam o acesso aos microrganismos.

Essas formulações podem ser adotadas na forma líquida e em pó, o que oferece flexibilidade para diferentes aplicações. Enquanto a forma líquida é indicada para uso direto nas linhas de produção, com rápida dispersão e ação imediata sobre os ingredientes, sendo ideal para fábricas de ração que buscam integração ao processo automatizado, a forma em pó oferece praticidade no uso e estabilidade durante o armazenamento, sendo recomendada para aplicação direta em rações prontas ou matérias-primas que serão transportadas.

Independentemente da forma escolhida, a aplicação de blends de ácidos orgânicos de alta concentração contribui para reduzir e controlar enterobactérias como Salmonella e E. coli, prevenindo recontaminações e promovendo a qualidade e a segurança alimentar dos animais. Além disso, esses produtos permitem o uso seguro de matérias-primas provenientes do processo de flushing, reforçando o compromisso do setor com a sustentabilidade e o aproveitamento eficiente de recursos.

O desafio de manter rações livres de contaminação é permanente e requer uma abordagem integrada, que combine biosseguridade, higiene, controle de roedores e insetos, monitoramento constante e o uso de tecnologias eficazes. Nesse contexto, os blends de ácidos orgânicos em alta concentração têm se consolidado como aliados indispensáveis, oferecendo um equilíbrio entre desempenho produtivo, segurança alimentar e bem-estar humano.

Proteger a ração é proteger toda a cadeia de produção. Com o avanço das exigências regulatórias e o crescente rigor dos mercados internacionais, investir em soluções que assegurem a qualidade microbiológica da alimentação animal é também garantir competitividade, credibilidade e sustentabilidade para o futuro da suinocultura.

A versão digital já está disponível no site de O Presente Rural, com acesso gratuito para leitura completa, clique aqui.

Fonte: O Presente Rural
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