Avicultura
Uso de pesticidas agrícolas: como podemos esclarecer e avançar
O agro vem continuamente aprimorando seus procedimentos, visando sua sustentabilidade.

Recentemente participei do Senagri 2023 (Seminário Nacional de Insumos Agrícolas) realizado em Belo Horizonte – MG, organizado pela Sociedade Brasileira de Defesa Agropecuária (SBDA). Estiveram presentes no evento cerca de 500 profissionais, especializados em insumos agrícolas (pesticidas, fertilizantes e sementes), ligados a órgãos governamentais federais, estaduais e municipais e empresas privadas (fabricantes de insumos, consultores, etc.). No painel em que participei, discutiu-se pesticidas agrícolas ou defensivos, produtos fitossanitários, praguicidas ou agrotóxicos. Ficou claro que o Brasil não é o maior consumidor, embora seja o maior mercado, quando se trata de pesticidas químicos. É importante esclarecer que, atualmente, também existem os pesticidas biológicos. Enquanto o mercado de químicos deve aumentar nos próximos anos, 2% ao ano, o mercado de biológicos deve crescer 30% ao ano.
Para comunicar o consumo, é fundamental utilizar indicadores adequados. No caso de pesticidas químicos, o consumo deve ser medido pela quantidade de pesticidas utilizados por unidade de área cultivada ou pela quantidade produzida. De acordo com fontes confiáveis, embora o Brasil seja o maior mercado de pesticidas químicos, no ranking dos maiores consumidores fica em 44º lugar quando se utiliza a quantidade por unidade de área cultivada e em 58º lugar quando a mensuração é feita pela quantidade de pesticida por tonelada produzida. Países como Japão, Coreia do Sul, Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Canadá, etc., consomem muito mais pesticidas agrícolas do que o Brasil.
É importante deixar claro que os pesticidas agrícolas utilizados no Brasil são de boa qualidade. Para serem comercializados, têm que ser registrados. Este é um processo rigoroso, realizado por três entidades: Mapa (Ministério da Agricultura), que avalia os aspectos agroquímicos; Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária, Ministério da Saúde), que avalia os aspectos toxicológicos/cuidados com a exposição das pessoas; e o Ibama, órgão do Ministério do Meio Ambiente, que avalia o efeito do pesticida no solo, água e atmosfera e sobre os organismos não alvo, aquáticos e terrestres. Desta forma, os pesticidas químicos mais modernos são cada vez melhores, mais amigáveis, não causando efeitos negativos nos aplicadores e no ambiente e nem deixando resíduos perigosos nos alimentos, quando usados corretamente. Tanto que, atualmente, o Brasil, além de atender com alimentos de qualidade toda sua população, exporta para consumidores de mais de 150 países. Embora os pesticidas químicos só possam ser adquiridos através da Receita Agronômica, elaborada por profissional habilitado, é muito importante que sua utilização seja correta e segura. São fundamentais procedimentos adequados no transporte, armazenamento, uso de EPI (equipamentos de proteção individual), preparo da calda, tecnologia de aplicação e destinação correta de sobras e embalagens vazias. Destacam-se a utilização da dose correta e o período de carência ou intervalo de segurança.
Estes cuidados são essenciais para que os pesticidas agrícolas cumpram sua função de controlar as pragas agrícolas, responsáveis por 40% de prejuízo na produção de alimentos, fibras naturais e bioenergia, mas não causem efeitos colaterais indesejáveis. Assim, é possível uma convivência harmônica, por exemplo, entre agricultores e apicultores, garantindo a polinização adequada e produção de mel. Além de entregar aos consumidores alimentos livres de resíduos.
O agro vem continuamente aprimorando seus procedimentos, visando sua sustentabilidade. Desta forma, o Brasil vai se consolidando como potência agrícola e ambiental, contribuindo com a geração de emprego e renda, aumento do PIB e das exportações, melhorando a qualidade de vida das pessoas.
Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor avícola acesse acesse gratuitamente a edição digital Avicultura Corte e Postura. Boa leitura!

Avicultura
Após ações de vigilância, Rio Grande do Sul declara fim de foco de gripe aviária
Equipes realizaram inspeções em propriedades e granjas, além de atividades educativas com produtores.

Após 28 dias sem aves mortas, a Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) encerrou na quinta-feira (16) o foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (gripe aviária) registrado em 28 de fevereiro, em Santa Vitória do Palmar. Na ocasião, foi constatada a morte de aves silvestres da espécie Coscoroba coscoroba, conhecidas como cisne-coscoroba, na Estação Ecológica do Taim.
A partir da confirmação do foco, a Seapi mobilizou equipes para a região de Santa Vitória do Palmar, conduzindo ações de vigilância ativa e educação sanitária em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
As equipes designadas utilizaram barcos e drones para o monitoramento de aves silvestres na Estação Ecológica do Taim, procurando por sinais clínicos nos animais ou aves mortas. Foram realizadas 95 atividades de vigilância em propriedades, localizadas no raio de 10 quilômetros a partir do foco, que contam com criações de aves de subsistência. Adicionalmente, foram feitas 22 fiscalizações em granjas avícolas localizadas em municípios da região, para verificação das medidas de biosseguridade adotadas.
Ações de educação sanitária junto a produtores rurais, autoridades locais e agentes comunitários de saúde e de controle de endemias também integraram o plano de atuação da Secretaria na área do foco. Foram conduzidas 143 atividades educativas.
“Por se tratar de área de risco permanente, continuamos com o monitoramento de ocorrências na Estação Ecológica do Taim, em conjunto com o ICMBio”, complementa o diretor do Departamento de Vigilância e Defesa Sanitária Animal da Seapi, Fernando Groff.
Sobre a gripe aviária e notificação de casos suspeitos
A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta, principalmente, aves, mas também pode infectar mamíferos, cães, gatos, outros animais e mais raramente humanos.
Entre as recomendações, estão que as pessoas não se aproximem ou tentem socorrer animais feridos ou doentes e não se aproximem de animais mortos. Todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em aves devem ser notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura na Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou pelo WhatsApp (51) 98445-2033.
Avicultura
Alta nas exportações ameniza impacto da desvalorização do frango
Mesmo com preços mais baixos, demanda externa segura o ritmo do setor.

O mercado de frango registrou queda de preços em março, mas manteve equilíbrio impulsionado pelo desempenho das exportações. Em São Paulo, o frango inteiro congelado recuou para R$ 7/kg, 2,4% abaixo de fevereiro e 17% inferior ao registrado há um ano. Já no início de abril, houve reação nas cotações, que voltaram a R$ 7,25/kg.

Com a desvalorização da proteína ao longo do ano e a alta da carne bovina, o frango ganhou competitividade. A relação de troca superou 3 kg de frango por kg de dianteiro bovino, nível cerca de 30% acima da média histórica para março e acima do pico dos últimos cinco anos, registrado em 2021. Em comparação com a carne suína, que também teve queda de preços, a relação se manteve próxima da média, em torno de 1,3 kg de frango por kg de suíno.
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, março também foi positivo para as exportações brasileiras de carne de frango, mesmo diante das dificuldades logísticas relacionadas ao conflito no Oriente Médio. Os embarques somaram 431 mil toneladas in natura, alta de 5,6% em relação a março de 2025 e de 4,9% no acumulado do primeiro trimestre.

Foto: Ari Dias
O preço médio de exportação, por outro lado, recuou 2,7% frente ao mês anterior, movimento associado ao redirecionamento de cargas que antes tinham como destino países do Oriente Médio, especialmente os Emirados Árabes. Ainda assim, o bom desempenho de mercados como Japão, China, Filipinas e África do Sul compensou as perdas na região.
No lado da oferta, os abates de frango cresceram cerca de 3% em março na comparação anual e 2% no acumulado do primeiro trimestre. Apesar disso, o aumento das exportações, que avançaram 5,4% no período, contribuiu para evitar sinais de sobreoferta no mercado interno.
Avicultura
Por que a vacina não resolve sozinha o controle da Salmonella na avicultura
Imunização reduz multiplicação do agente, mas não impede infecção nas granjas brasileiras.

A utilização de vacinas no controle da Salmonella na avicultura ainda enfrenta um problema recorrente: expectativa equivocada sobre o que, de fato, elas entregam no campo. A avaliação foi apresentada durante o Seminário Facta sobre Salmonelas, realizado em 19 de março, em Toledo (PR), ao discutir o papel real da imunização dentro dos programas sanitários.
Segundo a palestrante e médica veterinária especialista em biologia, Eva Hunka, o primeiro ponto que precisa ser ajustado é conceitual: a Salmonella não é eliminada – é controlada. “A gente não vai eliminar Salmonella. A gente tem que controlar Salmonella, que é bem diferente”, afirmou.
A explicação está na própria biologia do agente. A bactéria possui múltiplos hospedeiros e capacidade de permanência no ambiente produtivo, o que inviabiliza a erradicação completa dentro dos sistemas intensivos.
Vacina não impede infecção

Fotos: Giuliano De Luca/OP Rural
Um dos pontos centrais da apresentação foi a limitação funcional das vacinas. Diferentemente do que parte do setor ainda presume, elas não atuam como barreira absoluta contra a entrada do agente. “A vacina não é um campo de força. Ela não protege contra a infecção”, destacou.
Na prática, o efeito esperado é outro: reduzir a multiplicação da bactéria no organismo e, com isso, diminuir a pressão de infecção ao longo do sistema. “A vacina diminui a taxa de multiplicação do agente, melhora a defesa do organismo”, explicou. Esse efeito é suficiente para reduzir a ocorrência de sinais clínicos e contribuir para manter a bactéria em níveis baixos – muitas vezes não detectáveis -, mas não impede que a ave entre em contato com o patógeno.
Ferramenta dentro de um sistema, não solução isolada
A consequência direta dessa limitação é clara: a vacina não pode ser tratada como solução única. “Ela não deve ser usada sozinha. É mais uma ferramenta dentro de um programa de controle”, afirmou. Para a palestrante, o controle efetivo depende da combinação de fatores: biosseguridade, manejo, controle ambiental, qualidade intestinal e capacitação das equipes.
A vacina atua sobre um ponto específico: a dinâmica de multiplicação da bactéria dentro do hospedeiro.
Quebra-cabeça sanitário exige integração

Palestrante e médica veterinária especialista em biologia, Eva Hunka: “As pessoas são responsáveis pelo processo, mas também são os principais disseminadores”
Durante a apresentação, o controle da Salmonella foi descrito como um sistema de múltiplas camadas, em que cada ferramenta cumpre uma função distinta. “A gente tem um quebra-cabeça. Não é uma bala de prata, não é milagre”, afirmou. Nesse modelo, o manejo reduz a pressão ambiental, a biosseguridade controla a entrada, a vacinação reduz a multiplicação e a microbiota intestinal atua na competição.
E há um elemento transversal: as pessoas. “As pessoas são responsáveis pelo processo, mas também são os principais disseminadores”, alertou. Mesmo com tecnologia disponível, falhas operacionais comprometem diretamente a eficácia das vacinas. “A vacina só funciona se for utilizada da maneira correta”, afirmou.
Entre os erros ainda comuns, Eva Hunka citou “dose inadequada, falhas de aplicação, manejo incorreto, uso fora do momento ideal”. A consequência é uma percepção equivocada de ineficiência, quando, na prática, o problema está na execução. “Qualquer produto para a saúde animal precisa respeitar momento de uso, dose, via de aplicação”, destacou.
Sanidade de precisão
Ao final, a especialista chamou atenção para uma lacuna recorrente no setor: enquanto áreas como nutrição e ambiência avançaram para modelos de precisão, a sanidade ainda opera, muitas vezes, de forma menos estruturada. No caso da Salmonella, isso significa abandonar soluções isoladas e trabalhar com estratégias coordenadas – em que a vacina é uma peça relevante, mas nunca suficiente sozinha.



