Bovinos / Grãos / Máquinas Nutrição
Uso de óleos essenciais na nutrição de ruminantes
Antibióticos quando utilizados em doses sub-terapêuticas previnem aparecimento de doenças e auxiliam na produção e no desempenho dos animais

Artigo escrito por Evilásio Pontes de Melo, médico veterinário, mestre e diretor de P&D da Vetscience
Devido aos constantes desafios bacterianos aos quais os animais de produção são submetidas, desde a década de 40 o uso de antibióticos tem se difundido principalmente nestes sistemas intensivos de produção. Os antibióticos quando utilizados em doses sub-terapêuticas previnem aparecimento de doenças e auxiliam na produção e no desempenho dos animais conhecidos como agentes promotores de crescimento são, portanto, substâncias administradas em pequenas quantidades aos produtos destinados à alimentação animal com a finalidade de melhorar a taxa de crescimento e/ou eficiência da conversão alimentar e reduzir a mortalidade. As melhorias em ganho de peso diário (GPD) alcançadas com o uso de promotores de crescimento variam em geral de 2 a 4%. Já as melhorias em conversão alimentar podem variar de 4 a 10%, segundo diversos autores.
O termo óleo essencial é adotado como definição de uma mistura de monoterpenos, diterpenos, fenilpropanoides e hidrocarbonetos com uma variedade de grupos funcionais (aromáticos, compostos voláteis, etc.), ‘Essencial’ O termo foi adaptado a partir da teoria da “quinta essência”, proposto por Paracelso, que acreditava que este era o quintessência eficaz elemento em uma preparação médica.
Normalmente estes compostos são extraídos de plantas por destilação a vapor ou por extração por solventes voláteis (folhas, flores, cascas, madeiras, raízes, etc.). Os óleos essenciais são misturas complexas de muitos compostos e as composições químicas e as concentrações de compostos individuais são variáveis. Por exemplo, as concentrações de dois componentes predominantes de óleos essenciais de tomilho, isto é, timol e carvacrol ter sido relatado poderem variar desde tão baixa quanto 3% a tão elevada como 60% do total de óleos essenciais. Para cumprir com a legislação alimentar estes têm um grau de pureza de pelo menos 99,5%.
Diversos fatores influenciam na produção e na concentração dos óleos essenciais dentre eles:
- Órgão específico da planta (local de extração)
- Estrutura secretória (ductos, glândulas, pelos)
- Fase acumulação dependente (estágio balsâmico)
- Fatores ecológicos (clima, solo, água, luminosidade)
- Processamento e cultivo
- Método de isolamento do óleo (pressão a frio, destilação ou extração).
Desempenho
Os óleos essenciais normalmente são identificados e quantificados através da Cromatografia Gasosa acoplada a Espectrometria de Massa (GC-MS) sendo este o método mais popular para a determinação da composição do óleo essencial.
Dentre os múltiplos usos dos óleos essenciais (pesticidas, inseticidas, herbicidas, nematicidas, sedativos, aromas, etc.) esta revisão terá como foco as propriedades funcionais relacionadas à produção e desempenho animal (antibacterianas, anti-inflamatórias, antioxidantes, antifúngicas, estimulantes do sistema imune, do consumo, das secreções enzimáticas e dos sulcos digestivos) onde poderíamos designá-los como “óleos funcionais”. Os óleos essenciais são considerados aditivos fitogênicos e normalmente reconhecidos como substâncias seguras.
O modo de ação dos compostos fenólicos como carvacrol e timol (óleos essenciais) sobre as células bacterianas é similar aos de alguns antimicrobianos. A extremidade hidrofóbica destes componentes interage com a membrana celular das bactérias alterando a sua permeabilidade para cátions como hidrogênio (H+) e potássio (K+). Outros efeitos biológicos dos óleos essenciais se dão pela desintegração da membrana das bactérias, levando as atividades antimicrobianas “in vitro”, os óleos essenciais liberam material associado à membrana das células.
Foi sugerida atenção nas investigações sobre o potencial que alguns compostos como os terpenóides e fenilpropanóides têm, pois eles podem ser alternativos aos antibióticos para fins terapêuticos por uma ação transmembrana nas bactérias por poder “penetrar” o interior das células devido a sua lipofilicidade. Várias publicações têm demonstrado o efeito da atividade antimicrobiana dos óleos essenciais e extratos de plantas. O óleo essencial de sálvia e monoterpenóides puros apresentaram efeitos antimicrobianos. Pesquisadores trabalhando com 200mg/kg de óleo de timo verificaram o potencial deste para uso como antioxidante nas rações.
Adição de uma mistura de óleos essenciais (500 ou 1000 mg/ kg de MS – orégano (Origanum vulgare), alho (Allium sativum), limão (Citrus limonium), alecrim (Rosmarinus officinalis), timol (Thymus vulgaris), eucalipto (Eucalyptus saligna) e laranja doce (Citrus aurantium) nas dietas de touros cruzados terminados em confinamento alimentados com ração concentrada alta não afetaram o desempenho animal e as características de carcaça, mas houve uma tendência à melhoria da eficiência alimentar quando 500 mg / kg de MS. Os autores relatam que mais estudos serão necessários para elucidar o sinergismo de misturas de óleos essenciais no rúmen e como isso afeta o microbioma ruminal. Resultados têm indicado que o óleo essencial de alho, o eugenol (principal componente ativo do cravo), a capsaicina (componente ativo da pimenta), e o óleo essencial de erva-doce, entre outros, podem aumentar a produção de propionato, reduzir a produção de metano e modificar a proteólise ou a deaminação ruminal.
Tendo em vista o grande potencial de uso dos óleos essenciais na nutrição animal, novas pesquisas que elucidem os mecanismos de ação, a funcionalidade especifica, os sinergismos e antagonismos devem nortear o futuro.
Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de março/abril de 2019.

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Paraná conquista 44 medalhas e tem melhores queijeiros do Brasil em concurso internacional
Estado se destaca no Mundial do Queijo do Brasil, realizado em São Paulo, e reforça liderança na produção de queijos finos.

Kennidy de Bortoli, Isabelli Maria Passos de Oliveira e Nayara Leontino Scherpinki são os melhores queijeiros do Brasil. Eles são talentos do Biopark, ecossistema de inovação de Toledo, no Oeste, e ajudam a consolidar o Estado como referência na produção nacional. Além disso, o Paraná teve 44 queijos premiados nas categorias principais, como Campeões dos Campeões e Super Ouro, e Ouro, Prata e Bronze na 4ª edição do Mundial do Queijo do Brasil, realizado em São Paulo. Participaram cerca de 2 mil queijos vindos de mais de 30 países.
A equipe do Biopark apresentou três queijos com temática espacial. O primeiro, inspirado em um planeta, trouxe técnica inovadora de coloração que simula movimento e sensação térmica gelada na massa. O segundo, com formato irregular de meteoro, explorou notas minerais e de pimenta, simulando o calor da entrada na atmosfera. O terceiro, baseado no conceito do buraco negro, utilizou tecnologia de casca lavada com impacto visual e sensorial único no momento do derretimento.
“Mais do que defender um título ou conquistar medalhas, nosso objetivo é ir além do sabor e criar uma experiência completa. Desenvolvemos queijos que estimulam diferentes sentidos, com variações de textura, temperatura e impacto visual. Quando o consumidor se surpreende em cada etapa da degustação, o produto deixa de ser apenas um alimento e passa a contar uma história”, afirma o queijeiro e pesquisador do Laboratório de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PDI) em Queijos Finos do Biopark, Kennidy de Bortoli.
Três queijos do Biopark também se destacaram na competição. O Passionata — que conta com tecnologia do Projeto de Queijos Finos do Biopark, é produzido pela Queijaria Flor da Terra e foi eleito um dos nove melhores queijos do mundo no World Cheese Awards 2024, em Portugal — foi escolhido como 3º melhor queijo do Mundial do Brasil na categoria Campeão dos Campeões; o Abaporu (Flor da Terra) conquistou o Super Ouro; o Deleite (Flor da Terra) levou a Prata; e o Granatoo (Queijaria Ludwig) ficou com o Bronze.
O projeto do Biopark já tem 76 medalhas acumuladas em apenas sete anos de trajetória. E a promessa é de ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. Com um investimento de R$ 3,8 milhões em parceria com o Governo do Estado, o projeto, que atualmente tem como escopo de atuação o Oeste, vai expandir para as regiões Sudoeste, Norte Pioneiro, Centro-Oriental e Metropolitana de Curitiba. O objetivo é consolidar o Paraná, segundo maior produtor de leite do País, como um dos principais polos de queijos finos da América Latina.
O modelo desenvolvido no Biopark utiliza o rigor metodológico para que famílias rurais possam fabricar produtos de alto valor agregado — queijos que podem atingir até três vezes o preço de venda de um queijo comum.
Outros campeões
O Paraná ainda teve outros campeões de outras regiões. O queijo Bacchus Josef Ferdinand Lotscher, do Ateliê Lotschental, de Palmeira, ficou com o 2° lugar na categoria Campeão dos Campeões. Outros três ganharam o Super Ouro: queijo Witmarsum tipo Gouda da Cooperativa Agroindustrial Witmarsum e os queijos Frescal Deleite e Vale do Heimtal da Queijaria Deleite, de Londrina.
O Paraná ainda recebeu 14 Ouros com representantes de Carambeí, Rio Branco do Ivaí, Verê, Marechal Cândido Rondon, Palmeira, Londrina e Guarapuava; nove Pratas com produtores de Dois Vizinhos, Curitiba, Paranavaí, Palotina, Toledo, Palmeira e Diamante do Oeste; e 15 Bronzes com talentos de Londrina, Palotina, Carambeí, Nova Esperança, Cascavel, Nova Laranjeiras, Maringá, Palmeira e Diamante do Oeste. Os vencedores estão AQUI (campeões) , AQUI (Super Ouro) , AQUI (Ouro) , AQUI (Prata) e AQUI (Bronze) .
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Mercado do leite segue abaixo do nível do ano passado
Mesmo com alta de 6,2% em fevereiro, preço pago ao produtor ainda acumula queda de 22,7% na comparação com o mesmo período de 2025, segundo a Embrapa.

O mercado do leite iniciou 2026 com recuperação parcial nos preços pagos ao produtor, mas ainda sem reverter as perdas acumuladas no último ano, de acordo com o Centro de Inteligência do Leite (Embrapa Gado de Leite).
Em fevereiro, o litro do leite pago ao produtor no Brasil atingiu média de R$ 2,15, alta de 6,2% em relação a janeiro. Apesar do avanço mensal, o valor segue 22,7% abaixo do registrado em fevereiro de 2025.
Entre os estados acompanhados, Minas Gerais e São Paulo lideraram as cotações, com média de R$ 2,20 por litro. Santa Catarina apresentou o menor preço, de R$ 2,07.
Relação de troca melhora
No campo, a relação de troca apresentou leve melhora em fevereiro. Foram necessários 38,2 litros de leite para a compra de 60 kg de ração (milho e soja). Mesmo com o ajuste positivo no mês, o indicador ainda aponta perda de poder de compra em relação ao mesmo período do ano passado.
Leite UHT puxa alta no varejo em março

Foto: Fernando Dias
No varejo, os preços dos lácteos subiram 4,3% em março de 2026. O principal impacto veio do leite UHT, que registrou alta de 11,7%.
Entre os demais produtos, houve variações mais moderadas: o leite condensado recuou 0,9%, seguido por queijo (-0,3%), manteiga (-0,2%) e leite em pó (-0,1%). O iogurte foi o único a registrar alta além do UHT, com avanço de 1,2%.
No acumulado de 12 meses, os preços dos lácteos recuaram 3,1%, abaixo da inflação oficial do período, medida pelo IPCA, que ficou em 4,1%.
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Por que escolha do volumoso define resultado do rebanho na estiagem
Diferenças de custo e valor nutricional entre milho, sorgo, cana e capim exigem planejamento conforme a categoria animal e a meta produtiva do sistema.

A proximidade da época da estiagem faz com que o produtor trace estratégias para que, durante o período, o animal mantenha sua capacidade produtiva e ganho de peso. Uma das alternativas usadas nas fazendas é a produção de volumoso, que se torna um insumo indispensável durante a seca devido à escassez de chuvas e à limitação da capacidade das pastagens. “Investir na estratégia de entressafra é fundamental na pecuária, pois o volumoso constitui a base da dieta dos ruminantes, garantindo saúde ruminal, melhor desempenho produtivo e maior rentabilidade. O volumoso é a fonte de fibra da dieta, primordial para o bom funcionamento do rúmen”, explica o zootecnista Bruno Marson.
Para garantir um bom resultado na produtividade do gado e rentabilidade da propriedade, é preciso escolher com cuidado as opções de volumosos disponíveis. A silagem de milho é uma fonte tradicional de volumoso no Brasil. É considerada de excelente padrão pela alta energia de seus grãos e fibra digestível, que é crucial para o ganho de peso.
Já o sorgo, observa Marson, é uma boa alternativa para as regiões com menor disponibilidade hídrica e apresenta um custo de produção menor que o milho, mas com valor energético ligeiramente inferior. “A cana-de-açúcar é um excelente volumoso energético para o gado, especialmente na seca, com bom teor de nutrientes digestíveis totais, porém possui baixa proteína bruta. Ela oferece alta produtividade, baixo custo e é ideal como estratégia de manutenção de peso”, expõe o zootecnista.
A silagem de capim, por sua vez, pode fornecer bons níveis de energia e proteína. Por ser uma forrageira perene, nem sempre necessita de plantio e pode ser processada a cada safra, podendo inclusive ser usada em ocasiões em que o capim destinado ao pastejo direto esteja sobrando.

Foto: Diogo Zanata
Marson enfatiza que os volumosos suplementares podem ser usados em todas as fases produtivas do sistema pecuário, como, por exemplo, no sequestro de vacas e/ou da recria e em confinamentos. Na hora de escolher o volumoso, o produtor deve avaliar critérios como disponibilidade e custo, qualidade nutricional; finalidade (manutenção, ganhos moderados, engorda, produção de leite) e categoria animal. “Observando esses requisitos o produtor poderá fazer a melhor escolha para sua propriedade, garantindo assim bons resultados durante o ciclo de produção, mantendo a produtividade e rentabilidade do negócio”, ressalta.



