Notícias Nutrição Animal
Uso de nanotecnologia e metagenômica traz perspectivas para alimentação bovina
Novos aditivos podem ser utilizados para alterar os parâmetros de fermentação ruminal e modular o metabolismo do animal

Há anos, o uso de antibióticos como aditivos na alimentação é uma solução para o aumento da eficiência alimentar e da saúde animal. Mais recentemente, o mercado consumidor passou a exigir alternativas para esse uso e, desde então, a pesquisa se debruça na busca por novos aditivos para a alimentação bovina. Umas delas é integrar as ferramentas de nanotecnologia, meta-ômicas (metagenômica, metatranscriptômica e metabolômica), bioquímica e nutrição animal para o desenvolvimento de novos aditivos que melhorem a produtividade do rebanho brasileiro e a sustentabilidade ambiental.
Esse é o foco do trabalho das pesquisadoras da Embrapa (Campo Grande, MS) Marlene de Barros Coelho e Fabiane Siqueira. De olho no rebanho bovino brasileiro, com 214 milhões de cabeças, produzindo mais de 10 milhões de toneladas de carne com, aproximadamente, R$ 13 milhões de reais do custo total de produção associados à nutrição (ABIEC, 2020), as especialistas apostam que a integração dessas áreas além de aumentar a eficiência produtiva do animal, reduz o tempo a campo, impactando diretamente na produção de metano (CH4) por quilo de carne produzido.
“Os gastos com a nutrição estão entre 50 e 60% do custo total. O desempenho animal reflete no manejo nutricional. O desafio é aumentar a oferta do produto (carne), em quantidade e qualidade, produzindo mais em menor tempo, com qualidade e respeitando o meio ambiente”, afirma Coelho, pesquisadora em nanotecnologia. A pressão aumenta com um cenário mundial para 2050, no qual a população chega a 9,7 bilhões, o que exigirá um aumento de 76% na produção mundial de carne e 63% de leite.
Siqueira e Coelho comentam que novos aditivos podem ser utilizados para alterar os parâmetros de fermentação ruminal e modular o metabolismo do animal, de forma mais eficiente em transformar os alimentos que são consumidos, e levando o conhecimento em nutrição animal para outro patamar.
Entre as possibilidades, um aditivo eficiente com foco em desestimular a produção de hidrogênio, produzido naturalmente dentro do rúmen devido ao processo de fermentação ruminal. Esse hidrogênio é o precursor para a produção de metano. “Quanto mais hidrogênio temos ali no meio, mais metano será produzido. Então uma das estratégias é buscar aditivos que interfiram na produção de hidrogênio no rúmen animal”, detalha a especialista em genômica Fabiane Siqueira.
Outra perspectiva é inibir o crescimento de microorganismos metanogênicos, microorganismos que produzem metano. “Se conseguirmos reduzir a população desses microorganismos é possível diminuir a produção de CH4”, explica Siqueira. Também é possível vislumbrar a produção de enzimas que melhorem a digestibilidade das forragens, da dieta.
A pesquisa de Siqueira e Coelho na Embrapa Gado de Corte (MS) integra ferramentas de nanotecnologia e metagenômica como forma de chegar aos novos aditivos. A metagenômica é uma abordagem que permite estudar, simultaneamente, os genomas de todos os microorganismos que habitam um nicho ecológico (como o ambiente ruminal), sem a necessidade de realizar culturas individuais. Os metagenomas são obtidos por meio de sequenciamento de nova geração mais análise computacionais robustas.
Já a nanotecnologia lida com o desenvolvimento de tecnologias em escala nanométrica (objetos < 10-9m) e as nanopartículas são facilmente transportadas, absorvidas pelo trato gastrointestinal e utilizadas pelos animais. O desenvolvimento de nanopartículas minerais são soluções que as pesquisadoras apostam mais a médio prazo e trazem efeitos significativos, com eficiência maior a custo menor, sem deixar resíduos nos produtos finais – leite e carne.
Os estudos em nanotecnologia e metagenômica da Embrapa estiveram na Agrotins 2021 (minutagem 4h54m), apresentados por Fabiane Siqueira e Marlene Coelho, e as pesquisadoras disponibilizaram a publicação “Metagenômica, nanotecnologia e nutrição animal: alternativas para o uso de antibióticos e mitigação de gases de efeito estufa“, gratuita, sobre o assunto.

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Primato reforça diálogo com cooperados em nova edição das Reuniões de Campo
Encontros percorrerão municípios da área de atuação da cooperativa para apresentar resultados, debater desafios e alinhar perspectivas do agronegócio com os associados.

A Primato Cooperativa Agroindustrial dá início, em janeiro, a mais uma edição das tradicionais Reuniões de Campo, encontros que fortalecem o relacionamento com os cooperados, promovem a transparência e ampliam o diálogo sobre resultados, desafios e perspectivas do agronegócio. A programação percorre diferentes municípios da área de atuação da cooperativa, reunindo associados, lideranças e equipes técnicas. Todas as reuniões terão início às 19h30.
Para o presidente da Primato, Anderson Léo Sabadin, as Reuniões de Campo são momentos estratégicos para a construção coletiva. “Esses encontros são fundamentais para estarmos próximos dos cooperados, ouvindo suas demandas, compartilhando resultados e alinhando expectativas. A cooperativa cresce quando há participação, diálogo e confiança mútua”, destaca.
A agenda das Reuniões de Campo seguirá nas seguintes datas:
16 de janeiro – Toledo, na Associação da Primato, Rodovia 163 – KM 252,3, s/n
19 de janeiro – Capitão Leônidas Marques, na Unidade Cerealista, Rodovia BR 163, Lote Rural 125 B, Unificado 2
20 de janeiro – Vera Cruz do Oeste, na Unidade Cerealista, Rodovia PR-488, KM 13 – S/N
21 de janeiro – Santa Tereza do Oeste, na Unidade Cerealista, BR 163/PR182, Lote Rural 1-C, Gleba 2 – Distrito de Santa Maria
22 de janeiro – Novo Sarandi, na Unidade Cerealista, Rodovia PR 589, Lotes rurais 12-A-3 S/N
23 de janeiro – Guaraniaçu e Laranjeiras do Sul (encontro em Guaraniaçu), Casa do Produtor, Av. Ivan Ferreira Do Amaral, 507, Centro
26 de janeiro – Verê, Casa do Produtor, Rodovia PR 475, KM 57, s/n, Zona Rural
27 de janeiro – Vitorino, Rodovia PRC 158, KM 151, S/N – Bairro Industrial
28 de janeiro – Nova Esperança do Sudoeste, Rodovia PR-281 KM 537 – Estrada Linha Barra Bonita, Zona Rural
Em cada local, os cooperados terão a oportunidade de acompanhar informações sobre o desempenho da cooperativa, conhecer ações desenvolvidas ao longo do último período e contribuir com sugestões e avaliações.
O presidente também reforça o convite para a participação dos associados. “Convidamos nossos cooperados a estarem presentes nas reuniões em suas regiões, pois esse é um espaço de troca, aprendizado e fortalecimento do cooperativismo”, conclui.
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Peru habilita 36 novas unidades brasileiras para exportação de material genético animal
Autorização inclui genética avícola e bovina e renova licenças até 2028, ampliando a presença do Brasil no mercado peruano.

O Serviço Nacional de Sanidade Agrária do Peru (Senasa) oficializou a habilitação de 36 novas unidades brasileiras para a exportação de material genético animal. Do total, 31 são voltadas à genética de aves e cinco ao material genético bovino. Além das novas inclusões, a autoridade peruana renovou as licenças de exportação de todos os estabelecimentos do segmento que já operavam com o mercado peruano, com validade estendida até dezembro de 2028.
Com as novas habilitações, o setor avícola dobra o número de estabelecimentos autorizados a exportar para o Peru. No segmento de material genético bovino, a inclusão de cinco unidades representa um aumento de 83% na lista de estabelecimentos aptos, com foco no atendimento à pecuária de corte e de leite.
A extensão do prazo das autorizações até dezembro de 2028 busca conferir maior previsibilidade às operações comerciais entre os dois países.
A decisão do Senasa foi tomada com base em critérios técnicos e reforça o reconhecimento do controle sanitário e das medidas de biosseguridade adotadas pelo Brasil na produção e exportação de material genético animal.
No último ano, o vizinho latino-americano importou mais de US$ 729 milhões em produtos agropecuários brasileiros, com destaque para produtos florestais, carnes, cereais, farinhas e preparações.
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Crimes no meio rural caem pela metade após três anos da Patrulha Rural
Furto e roubo de insumos agrícolas e animais foram os que mais diminuíram. Programa da Polícia Militar do Paraná conta com parceria do Sistema Faep.

O Programa Patrulha Rural Comunitária 4.0 reduziu em mais de 50% os crimes nas regiões rurais do Paraná em 2025 na comparação com 2022, ano em que a patrulha voltou a atuar efetivamente no Estado. O resgate do projeto criado pela Polícia Militar, que conta com a parceria do Sistema Faep, aconteceu em 2018, diante de uma alta demanda por mais segurança no meio rural. Na ocasião, o Sistema Faep encaminhou diversos pedidos à corporação.
“Devido ao relato de ocorrências por parte dos produtores e sindicatos rurais, o Sistema Faep passou a atuar como parceiro da Polícia Militar, dando apoio junto à comunidade rural e resgatando a confiança por parte dos agricultores e pecuaristas. Fizemos um trabalho de articulação para que, em 2022, a polícia voltasse a atuar”, relembra o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Conforme os dados registrados pela Patrulha Rural Comunitária, os principais indicadores de criminalidade no meio rural do Paraná apresentam queda expressiva desde a retomada efetiva do programa. Entre 2022 e 2025, os registros de roubo diminuíram 50,7%, enquanto os furtos recuaram 38,7% no mesmo período.
Anualmente, os crimes patrimoniais também têm diminuído drasticamente após o resgate do programa. O maior destaque é a redução no número de furtos e roubos de insumos agrícolas, que tiveram redução de 65,9% entre 2022 e 2025. Já os dados de furtos/roubos de animais de criação, como vacas, porcos e galinhas, caíram 56,9% no período.
Outro dado relevante é a diminuição dos furtos e roubos de veículos em áreas rurais, que apresentaram queda de 37,3% desde 2022. Também houve recuo nos registros de dano ao patrimônio, com redução acumulada de 9,6% no período analisado.
Além da redução dos crimes, a atuação da Patrulha Rural resultou em ações repressivas importantes. Entre 2022 e 2025, foram cumpridos 760 mandados de prisão, realizados 322 flagrantes por tráfico de drogas e 299 flagrantes por contrabando e descaminho. No mesmo intervalo, 450 veículos furtados ou roubados foram recuperados, reforçando o impacto direto do programa no enfrentamento à criminalidade no campo.
Expectativas para 2026

Desde 2022, a Patrulha Rural, em parceria com o Sistema Faep, atua em campo de maneira preventiva. Após os produtores solicitarem uma visita no imóvel, os policiais fazem recomendações que visam melhorar a segurança no local. “Não é fiscalizar, é orientar. A Patrulha Rural desempenha um papel preventivo para que o produtor não seja vítima de possíveis crimes. Podemos dizer que é uma consultoria de segurança”, explica Edivânia Picolo, técnica do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep.
A partir da visita, é feito o cadastramento dos imóveis, se assim for do interesse do proprietário. Atualmente, mais de 30 mil propriedades estão registradas no sistema, de forma que cada imóvel tem uma placa com informações que auxiliam na denúncia de possíveis crimes e para o acionamento das patrulhas mais próximas do local.
“Não só a segurança, mas a sensação de segurança no campo tem melhorado a partir da atuação da patrulha. Muito do que conseguimos diminuir nos índices é por conta, justamente, da conscientização e da coparticipação do produtor rural nas questões de segurança pública”, destaca o major Íncare Correa de Jesus, coordenador da Patrulha Rural no Paraná.
De forma coletiva ao trabalho dos agentes de campo, o Sistema Faep atua na distribuição de uma cartilha com orientações que contribuem para melhorar os índices de segurança nas propriedades rurais. O material também é utilizado pela patrulha como um guia de conduta.
Atualmente, o Paraná conta com 93 patrulhas atuantes. Segundo o major, a expectativa para 2026 é oferecer mais capacitação ao efetivo, aumentar o número de Conselhos Rurais e avançar no trabalho de cadastramento das propriedades. “Estamos prevendo para o primeiro semestre um seminário nacional no Paraná com intuito de trazer boas práticas de outras polícias e divulgar a nossa iniciativa”, destaca Jesus.
Ainda para esse ano, o Sistema Faep trabalha na busca de mais conectividade para as viaturas, visto que os veículos percorrem regiões sem internet, o que dificulta o trabalho. “Temos quase 180 grupos no WhatsApp, o que facilita a comunicação e o cuidado. A polícia já recuperou três caminhões carregados de gado a partir de informações repassadas aos agentes pelos grupos. É um trabalho comunitário e estratégico, focado na modernidade”, ressalta o presidente do Sistema Faep.



