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Suínos / Peixes Nutrição

Uso de leveduras vivas na suinocultura: alternativa para nutrição de matrizes prolíficas

Esperamos que no futuro o uso destas estratégias de Nutrologia sejam cada vez melhor aplicadas para melhorarmos a eficiência produtiva animal

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Alexandre Barbosa de Brito, médico veterinário, PhD em Nutrição Animal e gerente técnico LAM da AB Vista

Nas últimas décadas o tamanho da leitegada e o número de leitões desmamados por porca por ano foram consideravelmente melhorados, principalmente devido à maior produtividade da matriz visando esta característica nos processos de seleção. Com um aumento de 0,2 leitão/ano nos últimos 20 anos. O número de desmamados/fêmea/ano nos Estados Unidos saiu de 23,2 para 25,0 leitões e na União Europeia de 24 para 27,8 leitões, se compararmos os dados de 2008 a 2017.

Realizando uma comparação com dados brasileiros apresentados pela Agriness (2020), podemos observar que o número médio de nascidos vivos/fêmea/ano no Brasil foi de 27,22 leitões em 2008, para 31,02 leitões em 2019, incremento de 14%. Neste mesmo período, houve uma redução do peso médio do leitão ao nascimento de 1,47kg em 2008 para 1,37kg em 2019, uma perda de 100gr/leitão, ou de 6,8%.

O aumento do tamanho da leitegada levou inevitavelmente a uma redução no peso médio de nascimento dos leitões e a uma escalada na variabilidade de peso desta leitegada. Analisando outros dados, o peso ao nascer e o tamanho da leitegada são características importantes para a produtividade. Aumentos rápidos no tamanho da leitegada interferem na produtividade anual de reprodutoras. Peso ao nascer mais leve em leitões tem sido associado a uma maior mortalidade ao desmame, taxas de crescimento mais lentas e diminuição da qualidade de leitões. Estes dados referem-se, possivelmente, a um resultado de menor volume de fibras musculares primárias. De forma geral, existem animais que nascem com até 0,89 kg de diferença entre aqueles mais leves e os mais pesados, o que influenciam em até 9,64 kg o peso ao abate (Tabelas 1 e 2).

Fica claro que elevar o peso geral da leitegada possui uma medida de correlação muito elevada com o peso ao abate, pois animais mais pesados ao nascer irão possuir um melhor volume de fibras musculares de qualidade que sustentaram o crescimento futuro deste animal.

Uma forma para sustentar o crescimento do peso da leitegada ao nascimento refere-se ao uso de leveduras vivas na alimentação das fêmeas suínas reprodutoras durante a gestação e lactação. Embora haja muitos fatores que possam afetar o peso do desmame, o uso de leveduras vivas deve ser algo a ser considerado como uma importante ferramenta para elevá-lo.

Estudo norte-americano analisou-se a suplementação de levedura viva em um período de 18 dias de lactação. Os resultados mostraram que as taxas de crescimento em maternidade de leitões proveniente de matrizes alimentadas com leveduras vivas foram melhoradas em 6% em relação aos leitões controles (0,30 kg extras em peso à desmama). Além disso, os leitões nas porcas alimentadas com levedura viva tiveram uma mortalidade reduzida antes do desmame em comparação com os leitões do grupo controle. Esta redução da mortalidade pré-desmame resultou em 0,5 leitões a mais por desmame. Trabalhos europeus mostraram que para leitões desmamados com idades mais elevadas (> 21 dias), a taxa de crescimento pré-desmame aumentou (+12%) e houve um volume extra de 0,4 leitões desmamados quando as matrizes foram alimentadas com levedura viva durante o período de lactação. Com base em três ensaios, o ganho de peso médio ao desmame foi de +0,86 kg/suíno.

Em outro trabalho, o uso associado de levedura viva durante a fase de gestação gerou um benefício de até 3.1 kg de peso de leitegada (Tabela 4).

Atuação

Uma importante pergunta que resta ser respondida seria: Porque a levedura viva beneficia a matriz suína a ponto de elevar o peso ao nascimento da leitegada e melhorar sua performance na maternidade?

Existem diferentes razões para os resultados apresentados nestes trabalhos, essencialmente a levedura viva é um probiótico e atua como aglutinante de patógenos por meio de seus oligossacarídeos mananos exclusivos na parede celular externa, o que reduz a população de patógenos no lúmen intestinal. As leveduras atuam igualmente como um eliminador de oxigênio, o que suprimem o crescimento de bactérias indesejáveis, enquanto mudam o ambiente intestinal para mais favorável à fermentação de fibras, pois a maioria da microbiota fermentadora de fibras é anaeróbica e prefere um pH mais baixo do que a microbiota patogênica.

O ambiente luminal favorável para bactérias degradadoras de fibra pode resultar em maior hidrólise da fibra em detergente neutro, em níveis mais altos de produção de ácidos graxos voláteis e, portanto, em um nível mais alto de extração de energia nos materiais de alimentação, que pode ser desperdiçado. Ambos os modos de ação são fundamentais para apoiar as necessidades do animal durante períodos estressantes.

Esperamos que no futuro o uso destas estratégias de Nutrologia sejam cada vez melhor aplicadas para melhorarmos a eficiência produtiva animal e um desenvolvimento sadio do trato gastrintestinal.

Outras notícias você encontra na edição de Suínos e Peixes de julho/agosto de 2020 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Suinocultura

“Existem exceções, mas cada vez mais a indústria está se voltando para manejo humanitário”, diz auditora de BEA

Especialista comenta sobre processos de certificação no Brasil, como funciona BEA e quanto a suinocultura está longe de ser aquela narrada pela Xuxa

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Divulgação/Wenderson Araujo

Moira Pieta Civeira, médica veterinária, auditora de Bem-estar Animal (BEA) na SGS do Brasil, gerente técnica de Abate Humanitário pela F&S Consulting, dá capacitação para funcionários de frigoríficos no Brasil sobre bem-estar, por meio da ONG WAP (World Animal Protection). A ONG, com sede em Londres, atua com treinamentos de boas práticas de bem-estar animal nas espécies de produção, e tem cooperação com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) desde 2008. Em entrevista exclusiva ao jornal O Presente Rural, ela comenta sobre os processos de certificação no Brasil, como funciona o bem-estar animal e o quanto a suinocultura, apesar de casos isolados, está longe de ser aquela narrada pela apresentadora Xuxa no vídeo da Mercy for Animals.

“O bem-estar animal, onde se origina os alimentos, tem que observar que o animal esteja em harmonia com ambiente onde vive, que possa expressar seu comportamento natural, mesmo que estejam em baias, em confinamento e no transporte. Precisa de um ambiente com condições climáticas seguras frente a intempéries e frente a situações adversas de temperatura. O suíno tem bastante dificuldade em manter sua temperatura corporal, você precisa recursos de instalações, ventilador e nebulizador no verão e proteção no inverno, do frio e das chuvas. Abrange ainda os cuidados médicos veterinários, a prevenção de doenças e o controle de doenças, caso ocorram. Bem-estar também exige qualidade de alimentação, que deve ser balanceada, feita por médicos veterinários, com disponibilidade adequada e dieta líquida à vontade”, pontua.

Ainda, de acordo com Civeira, um dos pontos cruciais é a interação entre os trabalhadores das fazendas e agroindústrias com os suínos. “O bem-estar animal está fortemente ligado na interação entre homem e animal, com manejos adequados, sem gritos, sem chutes, sem batidas ou empurrões, usando instrumentos adequados que não provoquem dor”, amplia. De acordo com ela, quanto mais silêncio for, sinal de que o suíno está se sentindo bem. Ao contrário também acontece. “O suíno, quando se vê em uma situação de perigo, de estresse, ele expressa através da vocalização”, menciona. “O bem-estar tem uma relação com o animal, com o homem e com as instalações”, sintetiza.

Para a auditora, o vídeo não representa a grande parcela da avançada produção de carne de suínos no Brasil. “Já tinha visto esse vídeo. A população está mudando muito seus valores em relação aos maus tratos a animais e à problemática desse consumo. É muito mais apelativo”, sugere. “Quem tem inspeção municipal, estadual ou federal, tem todo cuidado de bem-estar animal. O Mapa é um autocontrolador de bem-estar, das fazendas aos frigoríficos, a atua forte nos frigoríficos. Por isso, cada vez mais produtos estão sendo certificados, com rastreabilidade, com certificado de bem-estar animal”, cita. “Tem abatedouro clandestino que pode ter irregularidades, mas nos suínos de produção industrial o BEA é muito forte na produção. Antigamente as celas de parição eram isoladas. Hoje as matrizes começam a ficar juntas. Grandes empresas já têm celas de gestação comunitária, com alto controle veterinário. Em frigoríficos, por exemplo, a falta de veterinários só se forem muito pequenos ou de abates clandestinos”, acredita a auditora.

Para a profissional, o próprio mercado consumidor tem estabelecido normas de produção humanitárias. “Hoje em dia a produção é voltada à exigência de clientes. Mc Donalds, Carrefour, Pão de Açúcar, entre outras várias redes de fast food e do varejo já exigem o bem-estar animal de forma muito rígida”, exemplifica Civeira. “Onde tem selo do Mapa e de serviços veterinários oficiais tem controle muito rígido de BEA”, reforça.

Para ela, vídeos como o apresentado por Xuxa só prejudicam a parcela tão importante de produtores responsáveis. “Colocam esses vídeos, sem conhecimento, de forma pública, que passam ao consumidor ideias muito erradas da produção atual. Temos inúmeras exigências, tanto brasileiras como no exterior”, ratifica.

De acordo com ela, o controle de BEA está até mais avançado do que a microbiologia do alimento. “Existem exceções, mas cada vez mais a indústria está se voltando para o manejo humanitário, pois se esses animais tiverem estressados, com hematomas ou contusões, quem perde é o frigorífico”, destaca.

Tipos de certificações

Existem vários tipos e empresas certificadoras diferentes no mercado. Civeira explica que basicamente são três: de empresas alimentícias, a que controla o bem-estar no frigorífico e a que controla o bem-estar em toda a cadeia produtiva, desde as matrizes. “Existem vários os tipos de certificações, com o Madero, KFC, grupo Pão de Açúcar, Nestlé, que têm certificações de bem-estar”, cita. “Algumas são somente no frigorifico, que observa densidade nas baias, manejo dos funcionários, disponibilidade da área, precisa ter uma pessoa responsável pelo bem-estar no turno de produção, com contato direto com animais vivos, para ver se há contusões, doenças”, aponta.

Também, destaca a profissional, para garantir a certificação a empresa precisa seguir algumas normas, como tempo máximo de jejum, seja no transporte ou no abatedouro, e a oferta de água limpa à vontade.

Já a certificação da cadeia completa começa na fazenda e termina após o abate. “Existem certificações que incluem o campo, com a presença constante de veterinário na propriedade, mas especialmente com todas as ações documentadas, como as medicações administradas, as medições diárias dos indicadores do ambiente. Cada vez mais documentação é importante para ver os indicadores. Todo dia é preciso controlar a temperatura, o consumo de água, a quantidade de ração liberada para os animais. É preciso ter protocolo de como eliminar doentes e não aptos a continuar na produção. E para isso é essencial a capacitação dos funcionários”, enumera a médica veterinária.

De acordo com ela, é importante ressaltar que tudo é auditado, inclusive o transporte. “O transporte também é auditado, desde o manejo, da retirada dos animais, até a chegada ao frigorifico. Todos precisam ter capacitação dos motoristas, que precisam, por exemplo, ter contato de emergência caso aconteça alguma coisa com veículo para resgate dos animais e ter um plano de emergência caso ocorra alguma adversidade”, como um acidente, por exemplo. “Vai das matrizes suínas até o abate desses animais”, aponta.

Comunicação demorou

Em sua avaliação, as empresas frigoríficas demoraram muito para se comunicar claramente com seu consumidor e com a população em geral. “As empresas demoraram bastante tempo para fazer essa comunicação com o consumidor. Hoje a comunicação mais clara de bem-estar animal está na rotulagem. A comunicação das indústrias tem que ser maior nas mídias, nos sites, pois bem-estar animal está vinculado à sustentabilidade da empresa. As indústrias estão querendo se comunicar através de certificações, mas falta maior comunicação mostrando todos os cuidados em cada parte da cadeia produtiva. O consumidor não tem conhecimento da genética, das questões reprodutivas e produtiva, não tem conhecimento das boas práticas da indústria. Essas questões precisam ter maior repercussão, com comunicação clara, para a população em geral e para quem consome produtos de origem animal. E cada vez mais as falhas nessa comunicação vão oportunizar a essas pessoas uma visão distorcida da produção”, destaca.

Ela defende que a produção é questão de sobrevivência para a humanidade. “Os animais doam a vida ingenuamente para o consumo da humanidade, isso não pode parar. Por isso existe o bem-estar animal, que atua forte para evitar qualquer sofrimento desse animal”.

Ainda segundo ela, é preciso que a indústria compreenda profundamente que o consumidor está mais ético. “Falta comunicação mais clara de como funciona o abate. As empresas têm receio de guardar informações, segredos industriais, mas cada vez mais uma precisa ajudar a outra. O consumidor que consumir um alimento de maneira ética, com qualidade microbiológica, mas também qualidade social, de bem-estar animal, sem trabalho escravo, sem trabalho infantil, etc. Assim é o novo consumo”, pondera a profissional.

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Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes Mercado

Singapura abre mercado para miúdos de suínos do Brasil

Atualmente, 29 plantas estão aptas a embarcar carne suína com e sem osso para este destino

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Arquivo/OP Rural

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) foi informada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento sobre a abertura do mercado de Singapura para miúdos de suínos produzidos no Brasil. A autorização é válida para todas as unidades brasileiras habilitadas para exportar carne suína para Singapura. Atualmente, 29 plantas estão aptas a embarcar carne suína com e sem osso para este destino.

O país asiático, que já é um consolidado importador da carne suína brasileira, incrementou suas compras em 2020. Terceiro principal destino (atrás apenas de China e Hong Kong), Singapura importou 32 mil toneladas entre janeiro e julho, volume 49% superior ao efetivado nos sete primeiros meses de 2019.

“A liberação das vendas de miúdos para Singapura ocorre em um momento altamente favorável nos negócios com este mercado. Apenas em 2020, nove novas plantas foram habilitadas para embarcar produtos. A abertura do mercado para um segmento de produto tão apreciado na região reforça a posição asiática como novo maior polo mundial dos negócios internacionais para a proteína animal do Brasil”, ressalta Francisco Turra, presidente da ABPA.

Fonte: Assessoria ABPA
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Suínos / Peixes Suinocultura

“Não comunicamos. Por isso deixamos um campo aberto para desinformação”, sustenta José Luiz Tejon

Tejon defende uma comunicação mais eficiente para o público, especialmente sobre a ciência e a tecnologia hoje empregadas no meio rural

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Arquivo/OP Rural

 O Presente Rural entrevistou com exclusividade o palestrante internacional, professor e autor José Luiz Tejon. Ele é Top of Mind de RH, considerado uma das maiores autoridades nas áreas da gestão de vendas, marketing em agronegócio, liderança, motivação e superação humana. É ainda uma das cem personalidades mais influentes do agronegócio mundial. Ele defende uma comunicação mais eficiente para o público, especialmente sobre a ciência e a tecnologia hoje empregadas no meio rural. “Não comunicamos. Por isso deixamos um campo aberto para a desinformação”, sustenta.

O Presente Rural – O agronegócio é repetidamente atacado por personalidades e pela população em geral. Porque isso acontece?

José Juiz Tejon – O agronegócio é, enquanto agricultores, querido pela população em pesquisa para a Abag (Associação Brasileira do Agronegócio). Dentre cinco profissões consideradas fundamentais para a vida das cidades, os agricultores foram citados ao lado de médicos, bombeiros, professores e policiais, portanto precisamos rever nossos próprios auto preconceitos. Por outro lado, cabe ao agronegócio esclarecer o que significa ciência e tecnologia envolvida hoje na produção de alimentos. Não fazemos isso, não comunicamos. Por isso deixamos um campo aberto para a desinformação.

O Presente Rural – Como o senhor avalia o vídeo postado pela Xuxa sobre a suinocultura?

Tejon – De uma granja de suínos ultrapassada e que não responde mais pela modernidade das criações. Mas o velho ainda convive com o novo. Precisamos de comunicação esclarecedora das formas modernas de criação e bem-estar animal. Se não investir em comunicação abre espaço para desinformação, a má informação e até fake news. Neste caso essa cena existe, porém ela é ultrapassada e de uma granja que não vai ao futuro. Não representa a nova suinocultura. Importante que a nova suinocultura mostre seus procedimentos ao consumidor e para toda a sociedade. Sem comunicação não teremos futuro.

O Presente Rural – Que impactos esses desserviços fazem no agronegócio?

Tejon – Como são exemplos ultrapassados, não sobrevivem no tempo e não significam todo o setor. Como vemos em várias cadeias produtivas como leite, como já vimos nos ovos, etc. Porém, com a globalização das imagens e desinformações, podem influenciar segmentos de mercados e interferir no consumo. Não cabe mais se vitimizar e reclamar. Precisa comunicar, informar e entender que isso é vital doravante, luta pela percepção… fight for perceptions.

O Presente Rural – A comunicação do agro com o consumidor é falha? Como melhorar?

Tejon – Não temos essa comunicação. Temos a comunicação das marcas na luta – por market share, no consumidor urbano. Mas não temos uma ação permanente de educação publicitária sobre a sociedade comunicando o processo a originação e como os produtos são desenvolvidos desde a ciência até a mente dos consumidores. Não basta mais apenas falar das marcas e de seus atributos agroindustriais. Precisa comunicar os processos, a rastreabilidade e o bem-estar animal envolvido.

O Presente Rural – Porque é difícil para as agroindústrias comunicar as boas práticas na produção, como bem-estar animal, por exemplo?

Tejon – Não deveria ser nada difícil. Basta apenas reservar um percentual no orçamento da comunicação para educar consumidores sobre as práticas boas e sanitárias e humanas na originação de seus produtos. Muito fácil. Apenas uma questão de decisão. E logicamente, contratar publicitários com competência para isso. Mensagem e meios inteligentes e abrangentes.

O Presente Rural – Há pontos positivos na comunicação e marketing das empresas do agro?

Tejon. Sim, como em tudo. Sempre há o positivo e o negativo. As empresas do antes da porteira têm sido valorosas na difusão das inovações e tecnologias para o campo. Os produtores rurais, através de cooperativas principalmente, da mesma forma, como exemplo do sistema Aurora, mostrando o compromisso humano com suas famílias para a qualidade e a sustentabilidade na produção. Idem para as cooperativas de crédito, como Sicredi, revelando a evolução da qualidade de vida em áreas como o Oeste do Paraná, etc. Da mesma forma podemos ver ações da agroindústria sobre educação nutricional e também dos supermercados com o programa Rama, rastreabilidade e monitoramento de alimentos, com uma vontade de transformar 90 mil pontos de vendas em 90 mil pontos de educação de consumidores em luta inclusive contra o desperdício. Existem exemplos. O que não existe é uma reunião integrada conjunta e conjugada de esforços comunicacionais contra a desinformação e a ignorância na percepção pública.

O Presente Rural – Como seria a abordagem ideal de marketing do agronegócio para melhorar sua imagem?

Tejon – A abordagem ideal é mostrar seres humanos cuidando de seres humanos. Uma família de Medianeira (Paraná) cuidando da produção de suínos, por exemplo, com capricho, carinho e paixão para uma família que tem um restaurante a quilo em São Paulo servir com saúde a população. Precisa reunir a sociedade urbana com a rural. Humanizar.

O Presente Rural – Como a comunicação e/ou o agronegócio deve lidar com grupos extremistas ou radicais, como alguns veganos e algumas ONGs de proteção animal?

Tejon – Faz parte da vida. Não pode odiar, xingar e muito menos ignorar. Precisa tratar como seres humanos que são do agro, afinal vegano é agro; e as ONGs separar joio do trigo. Existem ONGs sérias que precisam ser convidadas para o diálogo. Sem uma postura conciliadora não vamos ao bom futuro.

O Presente Rural – Porque ainda se separa tanto o rural e o urbano se um depende do outro?

Tejon – Não se separa. Está totalmente unido. O auto preconceito é muito maior do que o verdadeiro preconceito. E o pessoal do agro embarca em canoas furadas de problemas que não são seus. A quem pertence o problema de agrotóxicos? Aos agricultores? Não. A quem pertence o problema do desmatamento ilegal? Aos produtores? Não. A quem pertence esclarecer o uso da ciência no agro? Aos produtores? Não. A quem pertence esclarecer os problemas da fome no mundo? Aos agricultores? Não. A quem pertence esclarecer os dramas da sanidade da carne nos frigoríficos? Aos pecuaristas? Não. Dessa forma cabe saber o que agribusiness significa, um sistema de cadeias produtivas, onde o elo mais fraco é o agricultor, e cabe aos “irmãos grandes”, as agroindústrias e processadores comandarem as cadeias produtivas protegendo legitimamente seus originadores, os agricultores.

O Presente Rural – Como o senhor avalia parte da sociedade que se alimenta do campo e fala mal dele? Isso vai mudar algum dia?

Tejon – A sociedade não fala mal dele. Isso é uma generalização. Na neurolinguística e na comunicação aprendemos que são três as fórmulas que são utilizadas para a “manipulação” das mentes humanas: generalização, eliminação, distorção. Ao generalizarmos: “a sociedade urbana fala mal do agro” estamos generalizando, distorcendo e eliminando outras versões de amizade e de reverência positiva aos produtores rurais. Por isso comunicação difere totalmente de manipulação. E o que precisamos é de comunicação, para a generalização positiva, para as distorções favoráveis e para a eliminação dos maus exemplos. A cidade reconhece e gosta sim dos agricultores. As exceções não representam a maioria. Mas o silêncio e a omissão das indústrias do antes das porteiras, das agroindústrias do pós-porteira e de entidades, associações do dentro da porteira na educação da sociedade cliente e consumidora é o eixo central do que precisamos cuidar doravante. Para o Brasil é para o mundo.

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Fonte: O Presente Rural
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