Suínos
Uso de aromas na alimentação das fêmeas aumenta a performance de leitões
Estudos recentes demonstraram que os aromas utilizados nas fêmeas têm contribuído para estimular este processo de aprendizagem e reduzir o estresse pós-desmame
Artigo escrito por Jessika Ibarrola-van Leeuwen, PhD em Reprodução, Fertilidade e Fisiologia de Nutrição de Suínos e gerente suínos Latam da Phytobiotics
O desmame é um momento estressante para os leitões, pois é o momento em que são separados de sua mãe. Trata-se de um período que demanda adaptação às novas circunstâncias sociais e nutricionais, as quais os leitões têm dificuldade em lidar. As consequências podem ser:
- Baixo ou não consumo ração
- Menor e variável taxa de crescimento, ou ainda podendo haver perda de peso nos primeiros dias após o desmame.
- Redução da funcionalidade intestinal
- Aumento da suscetibilidade aos patógenos entéricos
- Alta incidência de distúrbios digestivos
Alternativas
Muitas tentativas vêm sendo realizadas para estimular o consumo de alimento, tornando a ração mais atrativa para os animais, porém não obtivemos o sucesso desejado. Acreditamos que o motivo está no fato de que os leitões já conheciam a ração antes de serem desmamados, evitando o medo do desconhecido (neofobia). Estudos recentes demonstraram que os aromas utilizados nas fêmeas têm contribuído para estimular este processo de aprendizagem e reduzir o estresse pós-desmame.
Transferência de informação vertical (da mãe para a prole)
Estudos vem mostrado que o uso do mesmo aroma nas dietas maternas (gestação e lactação) e dietas iniciais melhoraram a performance após o desmame. A transferência da informação da mãe para os leitões sobre a ração inicia-se no útero quando os fetos são expostos aos aromas presentes no líquido amniótico, oriundos da dieta materna. Essa exposição aumenta a preferência por estes aromas após o nascimento.
Estudos da Wageningen University, da Holanda, mostraram que os leitões podem se lembrar desses aromas e adaptar seu consumo de ração. Sendo assim, a aceitação do alimento sólido após o desmame está relacionado com a exposição do aroma no período pré-natal.
Como resultado temos um maior consumo de ração combinado com melhora no crescimento, menor incidência de diarreia e redução do estresse.
Os estudos mostraram que os leitões expostos ao aroma nos períodos pré-natal e pós-nascimento, e alimentados com este aroma através da ração inicial, apresentaram menor incidência de diarreia após o período de desmame quando comparamos com os animais que ingeriram o aroma, mas não foram expostos a ele. Alguns exemplos mostram o número de dias com diarreia pós-desmame por leitões com exposição pré-natal e pós-nascimento, apenas exposição pré-natal, apenas exposição pós-nascimento, e nenhuma exposição ao aroma.
Implicações práticas
A exposição pré-natal e pós-nascimento por aromas provenientes da dieta materna levam aos leitões a informação sobre a ração que sua mãe ingeriu, e aumenta a aceitação da ração com aromas similares ao longo de sua vida. Sistemas modernos de criação de suínos podem se beneficiar substancialmente destes sistemas verticais de aprendizagem, oferecendo às porcas e leitões alimentos com aromas semelhantes. Portanto, recomenda-se permitir aos leitões conhecerem os aromas da dieta materna através das exposições antes e logo após o nascimento, para uma melhor adaptação e consumo da sua dieta na fase pós-desmame.
Revisando
- O desmame é um período de muito estresse para os leitões
- A utilização dos mesmos aromas nas fases de gestação, lactação e dietas pós-desmame melhora o desempenho dos leitões, reduzindo o estresse e levando a uma diminuição de diarreia
- A transferência de informação vertical pode ser alcançada por meio da exposição dos leitões aos aromas da dieta materna.
Mais informações você encontra na edição de Suínos e Peixes de outubro/novembro de 2018 ou online.
Fonte: O Presente Rural

Suínos
Suíno vivo registra variações nos preços em janeiro
Mercado apresenta comportamento distinto nas regiões acompanhadas pelo Cepea.
Suínos
ACCS empossa nova diretoria e reforça foco em mercado e sanidade na suinocultura catarinense
Entidade inicia novo mandato de quatro anos com Losivanio Lorenzi reeleito e destaca desafios ligados às exportações, biosseguridade e inovação no setor suinícola de Santa Catarina.

A Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS) realizou, nesta sexta-feira (09), a posse oficial da diretoria eleita em assembleia geral no dia 10 de outubro do ano passado. O ato marcou o início formal do novo mandato da entidade e reafirmou a continuidade do trabalho desenvolvido nos últimos anos em defesa da suinocultura catarinense.

Presidente reeleito da ACCS, Losivanio Luiz de Lorenzi: “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade” – Foto: Divulgação/ACCS
Durante a cerimônia, o presidente reeleito, Losivanio Luiz de Lorenzi, destacou que a nova gestão mantém o compromisso com a representatividade do setor, aliando experiência e renovação. Segundo ele, alguns membros passaram por mudanças, a pedido, abrindo espaço para novas lideranças, sem perder o apoio e a contribuição daqueles que deixam os cargos diretivos. “A ACCS é construída de forma coletiva. Mesmo fora da diretoria, os produtores continuam participando, sugerindo e fortalecendo a entidade”, afirmou.
Losivanio ressaltou que os principais desafios do novo mandato estão ligados ao acompanhamento constante do mercado, tanto no cenário estadual e nacional quanto no internacional.
Santa Catarina responde por mais de 50% das exportações brasileiras de carne suína e, em 2024, superou o Canadá, tornando-se o terceiro maior exportador mundial da proteína. Nesse contexto, o presidente reforçou a importância da atuação conjunta com indústrias e cooperativas, fundamentais para a comercialização da produção.
Outro ponto central abordado foi a manutenção do elevado status sanitário do rebanho

Foto: Divulgação/ACCS
catarinense. Para a ACCS, a biosseguridade e a sanidade animal são pilares estratégicos para a permanência e ampliação do acesso aos mercados internacionais, além de garantirem qualidade e segurança ao consumidor brasileiro. “É a sanidade que nos mantém competitivos e confiáveis no mundo”, destacou.
A nova diretoria assume com a missão de seguir inovando, acompanhando as transformações do setor, inclusive com o avanço de novas tecnologias e da inteligência artificial, sempre com foco na sustentabilidade da atividade, na qualidade de vida do suinocultor e na entrega de uma proteína segura e de alta qualidade à mesa do consumidor. O mandato tem duração de quatro anos.
Suínos
Biosseguridade como estratégia para proteger a suinocultura catarinense
Nova portaria estadual reforça a prevenção sanitária nas granjas, combina exigências técnicas com prazos equilibrados e conta com apoio financeiro para manter Santa Catarina na liderança da produção de proteína animal.

Santa Catarina é reconhecida nacional e internacionalmente pela excelência sanitária de sua produção animal. Esse reconhecimento não é fruto do acaso: é resultado de um trabalho contínuo, técnico e coletivo, que envolve produtores, agroindústrias, cooperativas, entidades de representação, pesquisa e o poder público. Nesse contexto, a Portaria SAPE nº 50/2025, em vigor desde 8 de novembro de 2025, representa um marco decisivo para a suinocultura tecnificada catarinense, ao estabelecer medidas claras e objetivas de biosseguridade para granjas comerciais.
Ao ser elaborada pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) em conjunto com a Cidasc e outras instituições ligadas ao setor produtivo e à pesquisa agropecuária, a normativa consolida um entendimento que sempre defendemos: a prevenção é a melhor estratégia. Em um cenário global marcado por riscos sanitários crescentes, pressão por padrões mais rigorosos e mercados cada vez mais exigentes, proteger o plantel catarinense significa proteger empregos, renda no campo, investimentos industriais e a confiança dos compradores internacionais.

Diretor executivo do SINDICARNE, Jorge Luiz De Lima – Foto: ARQUIVO/MB Comunicação
A Portaria traz prazos que demonstram equilíbrio e respeito à realidade das propriedades. As granjas preexistentes têm período de adaptação, com adequações estruturais previstas para ocorrer entre 12 e 24 meses, conforme o tipo de ajuste necessário. Contudo, também há medidas de implementação imediata, principalmente de caráter organizacional, baseadas em rotinas padronizadas de higienização, controle e prevenção. É o tipo de avanço que qualifica a gestão e eleva a eficiência sem impor barreiras desproporcionais.
Vale destacar que muitas granjas catarinenses já operam nesse padrão, em razão das exigências sanitárias de mercados internacionais e do comprometimento histórico do setor com boas práticas. Por isso, a adaptação tende a ser tranquila, além de trazer ganhos diretos de controle, rastreabilidade e segurança. Entre as principais ações previstas, estão: uso obrigatório de roupas e calçados exclusivos da unidade de produção; desinfecção de equipamentos e veículos; controle rigoroso de pragas e restrição de visitas; tratamento da água utilizada; e manutenção de registros e documentação atualizados. São medidas que, embora pareçam simples, fazem enorme diferença quando aplicadas com disciplina.
Outro ponto que merece reconhecimento é a criação do Programa de Apoio às Medidas de Biosseguridade na Produção Animal Catarinense, instituído pela Resolução nº 07/2025. O Governo do Estado não apenas regulamentou: também viabilizou um caminho real para que o produtor possa investir. O programa permite financiamento de até R$ 70 mil por granja, com pagamento em cinco parcelas, sem correção monetária ou juros, e com possibilidade de subvenção de 20% a 40% sobre o valor contratado. Trata-se de um estímulo concreto, que fortalece a base produtiva e mantém Santa Catarina na liderança brasileira em produção e exportação de carne suína.
O processo é tecnicamente estruturado e acessível. O suinocultor deve elaborar um Plano de Ação (Plano de Adequação), com apoio de médico-veterinário da integradora, cooperativa ou assessoria técnica — incluindo alternativas como o Sistema Faesc/Senar-SC para produtores independentes. O documento é preenchido na plataforma Conecta Cidasc. A partir dele, a Cidasc emite o laudo técnico, e o produtor pode buscar o financiamento do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR), com solicitação feita junto à Epagri, que atua como ponte para viabilizar o acesso à política pública.
Biosseguridade não é custo; é investimento. É ela que sustenta a sustentabilidade do setor, reduz perdas, previne crises e mantém nossa competitividade. A Portaria nº 50/2025 e o Programa Biosseguridade Animal SC mostram que Santa Catarina segue fazendo o que sempre fez de melhor: antecipar desafios, agir com responsabilidade e proteger seu patrimônio sanitário, garantindo segurança, qualidade e confiança do campo ao mercado.

