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Avicultura

Uso de antibióticos na avicultura: tendência e futuro

Produtores precisam se preparar para iniciar um processo de redução do uso de antibióticos em suas granjas pensando também no mercado interno

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Arquivo/OP Rural

 Artigo escrito por Fabricio Imperatori, gerente de Avicultura na Alltech

A redução ou até mesmo a proibição do uso de antibióticos na avicultura é um tema bastante relevante e que vem sendo discutido com muita ênfase. Uma série de fatores vêm contribuindo para que este cenário esteja cada vez mais presente em nossa realidade, especialmente devido às exigências do consumidor, que tem optado por uma alimentação cada vez mais saudável. Além disso, o uso, muitas vezes indiscriminado, dos antibióticos no setor produtivo pode ter contribuído para o surgimento de bactérias resistentes tornando o tratamento médico para humanos bastante complicado. Para atender a essa necessidade, as agroindústrias têm colocado na ponta do lápis a inclusão de tecnologias mais sustentáveis, sem abrir mão da qualidade dos produtos e da rentabilidade, especialmente quando seu objetivo é exportar para os mercados mais exigentes como, por exemplo, o mercado europeu e/ou para as grandes redes multinacionais de supermercados e fast food que são bastante rigorosos quanto à existência de resíduos de antibióticos nas carnes.

A crescente resistência bacteriana aos antibióticos acendeu um sinal vermelho fazendo com que os órgãos reguladores passem a ser mais rigorosos com relação ao uso de antibióticos na alimentação animal, uma vez que resíduos destes medicamentos presentes nas carnes podem ser transferidos para os humanos por meio da alimentação. Estimativas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostram que a resistência aos antimicrobianos causa a morte de 700 mil pessoas por ano em todo mundo, sendo que, o uso em alta escala pode resultar em 10 milhões de óbitos até 2050. O assunto preocupa também a Organização Mundial da Saúde (OMS). Estima-se que se medidas importantes não forem tomadas para conter a situação, as superbactérias serão mais letais do que o câncer em 2050.

Países da União Europeia não utilizam antibióticos melhoradores de desempenho na nutrição dos animais desde 2006. Sendo a União Europeia um dos principais destinos das exportações do mercado de aves brasileiro, se faz necessária a adequação das empresas nacionais a essa nova demanda. Além disso, tendo a União Europeia como referência, outros mercados importantes estão também restringindo o consumo de produtos alimentícios de animais que receberam antibióticos em suas dietas. Assim, a adequação a este novo formato de produção se faz necessário visto que o Brasil é um dos principais exportadores de carne de frango do mundo, embarcando o produto para mais de 160 países. Em 2018, a receita brasileira obtida com os embarques foi de US$ 1,2 bilhão, apontou os dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDCI). O Paraná é responsável por cerca de 38% de toda a carne que é produzida e exportada, conforme dados do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar).

No Brasil, normas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), já proíbem a utilização de alguns tipos de antibióticos como promotores de crescimento e estabelecem regras dessa utilização para garantir a qualidade final do produto. Além disso, a instituição criou o Programa Nacional de Prevenção e Controle de Resistência aos Antimicrobianos na Agropecuária (AgroPrevine), justamente para capacitar e conscientizar sobre a urgência em combater a Resistência aos Antimicrobianos (RAM).

Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) apontam que a carne de frango é a proteína animal mais consumida no Brasil e está em constante crescimento. Por se tratar de uma carne com baixo teor de gordura, ser nutritiva e rica em proteínas, ela é apontada por especialistas como indispensável para uma alimentação saudável. Por isso, os produtores precisam se preparar para iniciar um processo de redução do uso de antibióticos em suas granjas pensando também no mercado interno.

Processo de redução do uso de antibióticos

Em um primeiro momento, o avicultor pode encontrar dificuldades para se adaptar a essa nova realidade. Inicialmente, para auxiliar nessa transição, os cuidados na forma de trabalho podem ser uma iniciativa preliminar. Também é eficiente buscar aprimorar o manejo, melhorar a ambiência, fazer uso de equipamentos de alta tecnologia nos aviários, bem como fazer uso de programas de vacinas eficientes e de alta qualidade, entre outros. Isso tudo contribuirá para que o uso de antibióticos se torne cada vez menos necessário.

Concomitantemente a estes cuidados, há no mercado um vasto número de alternativas naturais para tornar essa adequação possível. Pesquisadores têm trabalhado fortemente na busca de ferramentas que não são prejudiciais à saúde humana, mantendo a qualidade e produtividade esperada dos produtos de origem animal. Em parceria com empresas, universidades ao redor do mundo têm desenvolvido estudos em busca de soluções naturais que sejam alternativas ao uso de antibióticos.

Entre os focos das pesquisas estão os probióticos, que são microrganismos “benéficos” e que ajudam a manter saudável o intestino e o desenvolvimento das aves; os prebióticos, que dificultam a instalação das bactérias danosas ao animal; os minerais orgânicos, que são primordiais ao desenvolvimento geral dos animais; entre outros.

Estudo

Em um dos estudos recentes realizados pela Alltech, foi feita uma análise sobre dois grupos de criação de aves: um com uso de antibióticos em sua dieta, e, o outro, livre desses componentes e com uma dieta apenas com soluções naturais à base de leveduras. No segundo grupo, os resultados foram equivalentes aos encontrados no primeiro grupo. Além disso, as aves livres de antimicrobianos apresentaram um aumento significativo de peso, um melhor funcionamento intestinal e ainda uma menor taxa de mortalidade.

A inclusão dessas soluções naturais na alimentação dos animais mostrou que é possível reduzir o uso de antibióticos, mantendo a qualidade, a sanidade e até mesmo a produtividade e a rentabilidade do processo. É importante que o avicultor, ao optar pela não utilização de antibióticos como melhoradores de desempenho, realize um mapeamento de todas as variáveis de sua produção (ambiência, qualidade do ar, água, ração, programas de vacinas, entre outros), buscando sempre o auxílio de profissionais técnicos para obter o suporte necessário nesta transição, evitando qualquer problema sanitário em sua granja.

Esses resultados provam que é possível reduzir o uso de antibióticos na produção avícola e que isso pode ser benéfico para a produtividade do plantel. Os fatos mostram que essa não é mais uma mera tendência do mercado e sim uma mudança inevitável, que irá se tornar cada vez mais presente em nosso cotidiano. É fato que os avicultores precisam se adequar a esta nova realidade, sempre visando tornar seu produto ainda mais competitivo nos mercados interno e externo.

Outras notícias você encontra na edição de Aves de abril/maio de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Saúde Animal

A importância da limpeza de tubulação na manutenção da qualidade microbiológica da água

Uso da água de qualidade duvidosa pode interferir nos índices zootécnicos e na disseminação de enfermidades

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito pela Equipe técnica da Theseo

A água é o nutriente essencial mais importante na produção animal, exercendo papel fundamental na digestão, absorção e transporte de nutrientes, excreção de metabólitos, regulação da temperatura corporal, além de inúmeras outras funções indispensáveis à saúde e aos índices produtivos dos animais.

A qualidade da água é de fundamental importância porque, além de servir como nutriente essencial às aves, também é utilizada na higienização das instalações, na melhoria das condições térmicas e ambientais dentro das instalações e como veículo de vacinas, medicamentos e nutrientes, devendo a água possuir condições físicas, químicas e microbiológicas adequadas. No entanto, a sua importância ainda é subestimada e na maioria das vezes esquecida pelos produtores e técnicos.

O uso da água de qualidade duvidosa pode interferir nos índices zootécnicos e na disseminação de enfermidades, provocando graves prejuízos econômicos, além de carrear agentes patogênicos de doenças de interesse em saúde pública.

Biofilmes e qualidade microbiológica da água

Com o uso intensivo e contínuo das instalações, pode ocorrer acúmulo de matéria orgânica, resíduos minerais e sujidades dentro das linhas de fornecimento de água, gerando um ambiente favorável para os microrganismos se desenvolverem ou manterem-se viáveis formando o biofilme. Os biofilmes são geralmente constituídos por diferentes espécies de microrganismos e formam-se sobre uma grande variedade de superfícies não estéreis que estejam expostas à água ou outros líquidos também não estéreis. Muitos trabalhos de pesquisa mostram que microrganismos aderidos a biofilmes podem tornar-se de duas a 3 mil vezes mais resistentes à ação dos mais diversos desinfetantes utilizados na desinfecção de superfícies e de líquidos. Esta maior resistência se dá exatamente pela presença da matriz polissacarídica (ou glicocálice) que envolve o agrupamento microbiano do biofilme. Além disso, bactérias presentes nos biofilmes são mais refratárias a antibióticos e são parcialmente imunes à ação de células fagocitárias. As bactérias mais comuns em biofilmes superficiais são: Salmonella spp., Pseudomonas, Staphylococcus, E. coli. e Yersinia enterocolitica.

A utilização de acidificantes e promotores que contenham vitaminas, açúcares e minerais, também pode criar um ambiente favorável ao desenvolvimento do biofilme em sistemas fechados de distribuição de água. Além do acúmulo de matéria orgânica, em locais onde a água apresenta altas concentrações de sais, pode haver deposição de resíduos minerais nas tubulações. Essa deposição resulta em incrustações na tubulação, que fornecem substrato ideal à formação do biofilme, podendo também reduzir o fluxo de água e danificar ou prejudicar o funcionamento de niples e chupetas, além de poderem interferir na eficácia de medicamentos e vacinas administrados via água de bebida.

Limpeza de tubulação

Pesquisadores entendem que a contaminação da água pode ocorrer após sua chegada na granja, caso caixas d’água e canos estejam contaminados. A qualidade da água pode ser perdida quando há acúmulo de resíduos minerais e microrganismos presentes nas tubulações.

Sendo assim, a adoção de programas regulares de limpeza e desinfecção das linhas de distribuição de água é medida fundamental, recomendando-se que seja realizada a cada saída de lote.

Utilizar somente solução hiperclorada para a limpeza das tubulações não é uma boa opção porque isto não representa um limpador efetivo, além de poder danificar os reguladores de pressão de água e bebedouros. A utilização de alto fluxo e alta pressão de água nos sistemas também não é suficiente para remover biofilmes já estabelecidos.

Para remoção eficaz de biofilmes e incrustações na tubulação deve-se empregar tratamentos químicos com detergentes alcalinos clorados combinados com a aplicação de detergentes ácidos, além de sanitizantes oxidantes com ação biocida, como o ácido peracético, já que estes apresentam maior poder de penetração no biofilme.

Na escolha do produto é imprescindível optar por aqueles que garantam a remoção completa do biofilme, pois uma remoção incompleta irá permitir um rápido regresso ao seu estado de equilíbrio, causando um novo aumento nas contagens totais após uma desinfecção. É importante também optar por produtos que solubilizem as sujidades, evitando a liberação de “placas”, pois estas podem obstruir niples, chupetas e danificar os sistemas de regulação de pressão. Outra recomendação importante é que os detergentes utilizados para este fim sejam, de preferência, não espumantes, visando facilitar e garantir a remoção total do produto no enxague, evitando que haja resíduos no final do processo.

Conclusão

A manutenção do fornecimento de água de boa qualidade para as granjas é de fundamental importância para o programa de sanidade animal. Incondicionalmente, a manutenção da qualidade da água depende, entre outros fatores igualmente importantes, de uma eficaz limpeza e sanitização do sistema de distribuição de água nas instalações, garantindo a mitigação de riscos, além da biosseguridade e produtividade nos sistemas de criação.

Outras notícias você encontra ma edição de Nutrição e Saúde Animal de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Mercado

Exportações de carne de frango acumulam alta de 2% de janeiro a novembro

Receita cambial alcançou US$ 6,358 bilhões, 6,1% acima do realizado no mesmo período de 2018

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Divulgação

Levantamentos da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) mostram que as exportações brasileiras de carne de frango (considerando todos os produtos, entre in natura e industrializados) alcançaram 332 mil toneladas em novembro, volume 3,1% superior ao registrado no mesmo período do ano passado, quando foram embarcadas 321,9 mil toneladas.

A receita cambial das vendas de novembro alcançou US$ 537,5 milhões, 2,1% acima do registrado no décimo primeiro mês de 2018, com US$ 526,7 milhões.

No ano, as exportações de carne de frango acumulam alta de 2%, com total de 3,822 milhões de toneladas embarcadas entre janeiro e novembro de 2019, contra 3,748 milhões de toneladas efetivadas no mesmo período do ano passado.

Com isto, a receita cambial alcançou US$ 6,358 bilhões, 6,1% acima do realizado no mesmo período de 2018, com US$ 5,990.

“Assim como nas vendas de carne suína, o quadro sanitário da Ásia também tem gerado impactos significativos nas exportações de carne de frango.  Em novembro, a elevação dos embarques para a China foi 61% maior, na comparação com o ano anterior.  Mesmo com novos players no mercado, a demanda chinesa continuará a ser um dos motores do mercado internacional do próximo ano”, analisa Ricardo Santin, diretor-executivo da ABPA.

Fonte: Assessoria
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Avicultura Nutrição

A importância da suplementação de microminerais orgânicos em galinhas poedeiras

Uso de fontes orgânicas é uma ferramenta eficaz para apoiar o crescimento ideal e a produção de ovos das aves

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Mónica Florez, Biochem Zusatzstoffe Handels- und Produktionsges. mbH Lohne (Oldenburg) – Alemanha

A carne de frango e os ovos representam uma importante fonte de proteína animal na América Latina. Embora o ovo seja considerado uma fonte de proteína econômica, devemos ter em mente que as cepas de animais de alto desempenho são muito sensíveis à concentração e qualidade de cada nutriente dietético. Os microminerais fazem parte dos nutrientes que afetam a produtividade, a saúde e a reprodução.

Os microminerais intervêm no metabolismo dos animais como catalisadores e são agentes presentes em várias reações metabólicas. Elas são, portanto, essenciais para o crescimento, desenvolvimento, suporte do sistema imunológico e produção em outros processos.

Nas galinhas poedeiras existem outros fatores que afetam a saúde, a produtividade e a persistência na postura, que por sua vez afetam diretamente a rentabilidade das granjas avícolas. Dentro desta ligação, os microminerais são de vital importância, pois estão envolvidos na formação da casca do ovo e, consequentemente, na sua qualidade e estabilidade. Por exemplo, o manganês e o zinco são cofatores de enzimas envolvidas na síntese de mucopolissacarídeos e carbonatos, dois componentes ativos da casca que são essenciais para sua formação e qualidade. O cobre, por sua vez, atua na maturação das hemácias no sangue e induz uma resposta da glândula hipófise, e sua deficiência diminui o número e a sensibilidade dos receptores GnRH e, portanto, a reprodução. Em criadores, os microminerais influenciam o desenvolvimento da progênie, influenciando o desenvolvimento embrionário, a porcentagem de nascimentos e a formação óssea.

Minerais orgânicos

As fontes orgânicas são cada vez mais utilizadas na produção de aves de capoeira, no entanto, estas fontes podem diferir na sua eficácia; dependendo da ligação utilizada, do processo de fabrico e da relação metal-metal: ligação e do grau de quelação.

Vários estudos têm demonstrado que os compostos quelatados de Zn, Mn, Cu e Fe têm maior biodisponibilidade do que as fontes inorgânicas, como sulfatos ou sais de óxido. Como é sabido, esta maior disponibilidade influencia positivamente o desempenho do animal e permite reduzir a excreção de minerais para o ambiente.

Efeitos nas galinhas poedeiras

Vários estudos científicos e de campo demonstraram a melhoria dos parâmetros de produção das galinhas poedeiras. Este teste de campo foi realizado numa exploração comercial na Bulgária, com 52.733 galinhas entre 19 e 55 semanas de idade. O objetivo foi comparar o efeito dos minerais orgânicos (na suplementação superior de uma pré-mistura mineral orgânica com glicinatos; Cu 10, Zn 30 e Mn 30 mg /kg) com um grupo-controle (53.121 animais, dados históricos da fazenda e fornecimento de uma pré-mistura inorgânica; Cu 8, Zn 60 e Mn 100 mg /kg) sobre o peso vivo em 49 semanas, número de ovos quebrados e rachados (total e com 55 semanas de idade) e mortalidade.

Conclusão

Tendo em mente a importância dos microminerais em múltiplos parâmetros fisiológicos e produtivos, o uso de fontes orgânicas é uma ferramenta eficaz para apoiar o crescimento ideal e a produção de ovos das aves, especialmente em momentos críticos de aumento das necessidades.

Outras notícias você encontra na edição de Nutrição e Saúde Animal de 2019 ou online.

Fonte: O Presente Rural
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