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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Uso de anti-inflamatório não esteroidal no tratamento das mastites clínicas

Mastite é patologia de maior impacto na atividade leiteira, afetando diretamente animais, pecuaristas, indústria e consumidor final

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Arquivo/OP Rural

Artigo escrito por Eduardo Henrique de Castro Rezende, médico veterinário e coordenador de Marketing e Comunicação Científica da J.A. Saúde Animal

A pecuária leiteira vem sofrendo constantes transformações, havendo nos últimos anos uma evolução muito grande quanto a genética, nutrição e sanidade animal. Questões relacionadas a doenças e ao bem-estar animal merecem grande atenção e mesmo havendo constante desenvolvimento de estratégias de controle e prevenção dessas enfermidades, há uma doença que continua sendo altamente relevante na atividade, a mastite.

A mastite é a patologia de maior impacto na atividade leiteira mundial, afetando diretamente os animais, os pecuaristas, a indústria e o consumidor final. Estima-se que os prejuízos produtivos decorrentes da mastite no Brasil estão na ordem de 12 a 15%, o que significa uma perda de cerca de 4 bilhões de litros de leite por ano.

A mastite é caracterizada como a inflamação da glândula mamária, na maioria das vezes de origem infecciosa, que pode ser classificada de acordo com a sua forma de manifestação, mastite clínica ou subclínica. A forma clínica da doença é aquela no qual é possível o diagnóstico sem a necessidade de exames complementares, ou seja, através da visualização de diversos sinais evidentes de inflamação local, tais como: edema, vermelhidão, dor, aumento da temperatura, endurecimento da glândula e presença de grumos no leite, entre outros. Quanto à forma subclínica, não são observados sinais clínicos visíveis no animal, apenas mudanças na composição do leite, necessitando de exames complementares para a detecção da enfermidade.

Independentemente do tipo de mastite apresentado pela vaca, o tratamento se faz necessário e é uma das formas mais práticas e efetivas de controle, podendo ser feito na lactação ou no período seco, a depender do agente etiológico. O diagnóstico e tratamento precoce é recomendado, visto que reduz os prejuízos potenciais, além de reestabelecer a produção normal de leite do quarto mamário afetado, com aumento significativo da produção quando comparado a um animal não tratado.

Tratamento

Quanto as formas de tratamento, diversos tipos de medicamentos são descritos pela literatura, havendo um consenso entre a maioria dos autores sobre importância do uso antimicrobianos para combater a infecção do úbere. São várias as formulações disponíveis no mercado destinadas ao tratamento da mastite, podendo ser administrado de forma injetável ou via intramamária. A aplicação local de bisnagas intramamárias é a forma mais comum de tratamento, inclusive com a vantagem de atuar somente no quarto mamário infectado, ausentando de resíduos os quartos restantes.

Outro ponto altamente relevante na conduta terapêutica para a resolução da mastite é a utilização de anti-inflamatórios, principalmente na indução de analgesia local. A reação inflamatória local, associada a doenças de origem inflamatória, como a mastite, é provavelmente a maior causa de dor em bovinos, afetando diretamente o bem-estar animal. Além do desconforto promovido pela dor, há pesquisas que comprovam o prejuízo que a mesma resulta. Animais com dor diminuem a ingestão de alimentos, o que reflete diretamente em menor produção leite, também interferindo negativamente na velocidade e qualidade da recuperação do animal.

Os anti-inflamatórios mais utilizados são os não esteroidais (AINEs), que são indicados para aliviar os sinais clínicos sistêmicos e locais da inflamação consequentes a elevação de mediadores inflamatórios, como prostaglandinas, tromboxanos e leucotrienos. O controle desses mediadores reflete diretamente na resolução da inflamação, da febre e da dor característica das mastites clínicas, principalmente nos casos agudos e superagudo.

Dentre as drogas anti-inflamatórias atuais, uma das mais e modernas é o Meloxicam, potente inibidor de tromboxanos e prostaglandinas. Meloxicam é um anti-inflamatório não esteroidal classificado como inibidor preferencial da enzima Ciclooxigenase 2 (COX-2). A enzima Ciclooxigenase 2 (COX-2) é responsável principalmente por promover os sinais clássicos da inflamação, sendo classificada como uma enzima essencialmente inflamatória, enquanto a Ciclooxigenase tipo 1 (COX-1) é classificada como constitutiva, responsável por funções fisiológicas do organismo. Medicamentos como o Meloxicam, de ação seletiva para COX-2, evitam a manifestação de efeitos colaterais, sobretudo aqueles relacionados a lesões renais e gastrintestinais, o que torna seu uso recomendado em tratamentos prolongados, tanto em bovinos, quanto em equinos.

Outro ponto forte do Meloxicam é seu longo período de ação anti-inflamatória, principalmente quando utilizado por via subcutânea, apresentando pico de ação rápido e meia vida mais longa do que outros AINEs disponíveis no mercado, o que permite aplicações em intervalos de 24 horas, facilitando o manejo da fazenda. Adicionalmente, estudos norte-americanos comprovam que o uso de Meloxicam em vacas acometidas com mastite clínica também reduz de maneira significativa a Contagem de Células Somáticas (CCS) das vacas tratadas, além de reduzir o risco desse animal ser removido do rebanho, tornando esse AINE uma das soluções mais indicadas para vacas leiteiras.

Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2019.

Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Parcerias com frigoríficos ampliam visibilidade das raças Hereford e Braford no Brasil

Alianças garantem bonificação aos produtores que utilizam as raças no centro do país

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Fernanda Duarte/Divulgação

A aliança com frigoríficos para ampliar a atuação dos programas de fomento das raças Hereford e Braford pelo Brasil vem trazendo resultados para os criadores que apostam nos animais “cara branca”. O último exemplo foi o protocolo de fomento com o Minerva Foods, assinado no mês passado, que dará bonificação aos produtores que tenham animais que se enquadrem nos parâmetros estabelecidos na unidade industrial dentro da linha de produtos vendidos com a marca comercial Estância 92.

Além disso, a Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB) tem parcerias com os frigoríficos Cowpig, em São Paulo, El’Golli, em Santa Catarina, NoviCarnes, no Paraná, e o Frigorífico Silva, no Rio Grande do Sul. “A ABHB está sempre atenta buscando novos frigoríficos para formar alianças principalmente fora do Estado do Rio Grande do Sul, com foco em todo território nacional”, destaca o vice-presidente de Promoção das Raças da entidade, Celso Jaloto.

Conforme o dirigente, estas alianças são uma maneira dos usuários das raças Hereford e Braford no Brasil Central serem bonificados pelos animais abatidos nos frigoríficos dos diversos Estados. “Isso é  importante porque valoriza a nossa carne. Incentiva o criador ou terminador a usar as nossas raças e também é um atrativo para que as utilizem através de inseminação ou de monta direta, como é o caso do Braford no Brasil Central, fazendo cruzamento industrial”, observa.

Para Jaloto, os produtores de genética acabam se beneficiando com as bonificações que os frigoríficos costumam trabalhar e que estão sempre sendo alteradas, o que traz um dinamismo para esses protocolos e alianças. “A grande importância é a divulgação das raças fora do Rio Grande do Sul e a premiação por animais e carne de qualidade que são abatidos nos frigoríficos parceiros que hoje estão bonificando animais fora do território gaúcho”, ressalta o dirigente.

Este fomento das raças também chega a Minas Gerais, quando no próximo dia 26 de setembro, às 19h30min, Jaloto participa do evento Falando de Pecuária, onde ministra a palestra “Hereford e Braford – Cruzamento Industrial para a Produção de Carne de Qualidade”. O representante do Minerva Foods, Guilherme Alves, também estará presente, destacando a “Parceria Minerva e a ABHB: A Importância de Produzir Carne de Qualidade”. O encontro ocorre na Unaí Leilões, no quilômetro Quatro da Rodovia Unaí à Paracatu.

Fonte: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

Maior evolução da pecuária aconteceu nas últimas três décadas

“Um bom touro também precisa de fertilidade, rusticidade e tamanho mediano, sem que encolha muito.”

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Divulgação

Nos últimos 30 anos a pecuária brasileira registrou seus maiores avanços produtivos. A idade de abate dos animais diminuiu de cinco para menos de três anos, o peso de carcaça aumentou de 16@ para 20@ e o Brasil passou da condição de importador a exportador de carne bovina para mais de 180 países.
“Investir em tecnologia, melhorar a sanidade, a nutrição e, principalmente, aumentar o rigor da seleção genética do rebanho são os pilares dessa evolução”, explica o criador Bento Abreu Sodré de Carvalho Mineiro, diretor da Fazenda Sant’Anna, em Rancharia (SP).
Entrando um pouco mais a fundo na questão do melhoramento genético de bovinos nas últimas três décadas, Bento Mineiro destaca a importância atual do padrão racial dos touros e características funcionais, sejam eles Nelore, Brahman ou Gir Leiteiro. Possuir morfologia adequada é o princípio básico da produção pecuária no Brasil.
“As qualidades fenotípicas e funcionais são extremamente importantes, pois os touros têm de caminhar longas distâncias em pastagens altas, atrás de água, comida e da própria vacada. Animais com problemas de aprumo e umbigo estão fora do escopo produtivo”, elenca o criador. Principalmente, o Brahman necessita de cuidado especial em relação a estes atributos.
A raça chegou ao Brasil em 1994, mas o gado importado do seu berço, os Estados Unidos, apesar da ótima carcaça, tinha graves problemas de aprumos e umbigo. Para contornar o problema, a Sant’Anna, por exemplo, recorreu a linhagens paraguaias e australianas, muito mais próximas da realidade brasileira.

O Brahman surgiu na Sant’Anna em 1996 para substituir o Brangus, que havia ingressado no plantel em 1986, raça sintética que mostrou os segredos da qualidade de carne. Antes da chegada dela, a preocupação era agregar rentabilidade com o rápido ganho de peso e de carcaça a campo.
“Descobrimos que não basta produzir boi. Ele precisa ser precoce ao abate, ter bom rendimento de carcaça e resultar numa carne mais macia e saborosa para o consumidor final. Esse é o grande legado do Brangus, que, inclusive, culminou, à época, em uma participação na conceituada rede de restaurantes Rubaiyat”, lembra Bento Mineiro. O Brahman permitiu produzir a mesma qualidade de carne do Brrangus, mas com custo menor.
“Um bom touro também precisa de fertilidade, rusticidade e tamanho mediano, sem que encolha muito. É importante depositar gordura rápido, todavia, precisa encurtar o ciclo produtivo ganhando peso adequado”, adverte Bento Mineiro, lembrando que as vacas também necessitam de ótima habilidade materna e facilidade de parto.
Mesmo o Nelore, não está imune àquelas preocupações, porque produzir bons reprodutores é o compromisso de uma fazenda voltada à produção a pasto, como é o caso também da Sant’Anna, com a raça-matriz da produção de carne brasileira. A história da propriedade mostra bem as transformações da pecuária brasileira, utilizou ultrassom para avaliar carcaça em 1980, iniciou ILP em 1995, inseminação artificial, fertilização in vitro  e foi uma das financiadoras do projeto Genoma do Boi, em 2003.

Fonte: Assessoria
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Bovinos / Grãos / Máquinas Leite

Faesc sedia reunião da Aliança Láctea Sul Brasileira nesta quinta-feira

Cadeia do leite nos três Estados em debate

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Arquivo/OP Rural

A abertura das exportações de lácteos para a China e o acordo Mercosul-União Europeia estão na pauta da reunião que a Aliança Láctea Sul Brasileira (ALSB) fará nesta quinta-feira (dia 19), das 10 às 16 horas na sede da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc), em Florianópolis.

Os trabalhos serão iniciados às 10 horas da manhã pelo vice-presidente da entidade anfitriã, a FAESC, Enori Barbieri. Em seguida, o coordenador geral da Aliança Láctea Airton Spies apresentará o relatório de atividades da ALSB e da Câmara Setorial de Leite e Derivados.

Na sequência, manifestam-se os secretários de Estado da Agricultura do Paraná (Norberto Ortigara), do Rio Grande do Sul (Covatti Filho) e de Santa Catarina (Ricardo de Gouvêa).

Para tratar de questões relativas à cadeia produtiva do leite falarão também os presidentes das Federações de Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Sul (FARSUL) Gedeão Pereira e do Paraná (FAEP) Ágide Meneguette.

Às 11 horas iniciará a análise e discussão das “Estratégias para fidelização e formalização das relações entre produtor e indústria” na visão dos três Estados, com contribuições da SAR e Epagri/Cepa de Santa Catarina, SEAB/Deral do Paraná e SEAPA/Câmara Setorial do Leite do Rio Grande do Sul.

Às 12h30min as atividades serão interrompidas para almoço oferecido pela entidade anfitriã, FAESC.

Os trabalhos serão retomados às 13h30min tendo como primeira pauta da tarde a abertura das exportações de lácteos para a China, os desafios para aumentar o número de empresas habilitadas e os correspondentes impactos. Esse tema será objeto de análise do Sindileite do Paraná, do Sindileite de Santa Catarina e do Sindilat do Rio Grande do Sul.

Às 14h15min a pauta focalizará o acordo Mercosul e União Europeia e as consequências para o setor lácteo.

Às 14h45min serão discutidas as Instruções Normativas números 76 e 77/2018 e como o setor está se ajustando a essas normas, bem como os impactos e as estratégias adotadas. Será analisada a proposta de Decreto Legislativo que tramita na Câmara Federal sob número 598/2019 que propõe sustar a IN 77.

A etapa final, às 15 horas, está destinada aos assuntos gerais de interesse do setor e programação da próxima reunião da ALSB a ser realizada em Curitiba em dezembro, com transferência da coordenação geral para o Rio Grande do Sul.

SERVIÇO

O QUE:

Reunião da Aliança Láctea Sul Brasileira (ALSB).

 QUANDO:

Quinta-feira, dia 19, das 10 às 16 horas.

ONDE:

Sede da FAESC (Rua Delminda Silveira, 200, Agronômica, Florianópolis).

Fonte: Assessoria
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