Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal
Uso da metafilaxia para o controle do complexo respiratório bovino
Metafilaxia nada mais é que a utilização de um antimicrobiano de longa ação destinado exclusivamente a grupo de animais em situação de risco

Artigo escrito por Eduardo Rezende, coordenador de Marketing e Comunicação Científica da J.A Saúde Animal
A pecuária bovina é de grande importância na economia nacional e ainda é exercida em grande parte no sistema tradicional de criação extensiva, criado solto em pastagens naturais ou cultivadas. Entretanto, a cada dia que passa, há maior investimento dos pecuaristas em sistemas de criação intensiva, nos quais muitas vezes o gado é criado confinado, o que aumenta a suscetibilidade a determinados problemas sanitários.
Dentre esses problemas, os respiratórios são os mais comuns em animais adultos nesse tipo de sistema de criação, ocorrendo o mesmo em bezerros até 9 meses de vida. Nesse contexto, a broncopneumonia é a enfermidade de maior destaque dentre todas as respiratórias, caracterizada pela inflamação dos bronquíolos, parênquima e pleura pulmonar, geralmente consequente a uma invasão por agentes infecciosos bacterianos ou virais.
Existem alguns fatores que impactam no aumento da morbidade de enfermidades respiratórias. O estresse decorrente do transporte e do agrupamento em lotes faz com que haja aumento dos níveis de cortisol, depressão do sistema imunológico do animal e, consequentemente, maior suscetibilidade as doenças. Outro fator é a superpopulação, comum nesse sistema de criação, que induz ao aumento nos níveis de umidade do ar e o incremento no tempo de sobrevivência dos patógenos.
Um grupo muito frequente de agentes responsáveis pelas broncopneumonias são as Pasteurellas spp, que embora façam parte da microbiota normal do trato respiratório superior de muitos bovinos, em situações propícias de estresse (transporte, superlotação e desmama de bezerros, por exemplo), conseguem proliferar e adentrar no trato inferior (que é naturalmente estéril), causando assim a enfermidade. Um grande problema é que nem sempre esse acometimento é visível, podendo haver casos subclínicos, com disfunção pulmonar pequena ou inexistente, dificultando a identificação pelo pecuarista.
Segundo pesquisas, 68% dos animais considerados sadios por meio da inspeção visual apresentavam acometimento pulmonar no abate, inclusive responsável por redução de aproximadamente 80g de ganho médio de peso por cabeça (GMD). Conclui-se então que a detecção visual não tem acurácia suficiente para diagnosticar os casos positivos, não sendo indicado o tratamento baseado apenas nesse tipo de diagnóstico quando houver manifestação clínica de doenças respiratórias, poderão ser observados depressão, queda no apetite, aumento da frequência respiratória, dificuldade respiratória, febre, secreção nasal, narinas secas, orelha caída, magreza e morte súbita.
Soluções
Assim sabemos que a aplicação de tratamentos eficazes para as afecções pulmonares é fundamental para o controle da enfermidade e que não é tão fácil fazer o diagnóstico assertivo dos animais doentes, sendo necessário lançar mão de uma forma de tratamento mais estratégica, principalmente naqueles no início da doença ou em casos subclínicos. A metafilaxia é uma das formas de tratamento que reduz os casos clínicos e subclínicos, além de consequentemente reduzir o impacto da enfermidade no ganho de peso.
Metafilaxia nada mais é que a utilização de um antimicrobiano de longa ação, em doses terapêuticas, injetável e destinado exclusivamente a um grupo de animais em situação de risco, para que não se estimule a resistência antimicrobiana. A utilização desse tipo de medicação é altamente desejável na entrada do confinamento ou até mesmo em situações de surto da doença em bezerros, com destaque aos mantidos em instalações coletivas.
Uma excelente opção de metafilático é a Benzilpenicilina Benzatina, antimicrobiano da classe dos Beta-Lactâmicos, que em concentrações elevadas tem potencial bactericida de amplo espectro, ou seja, elimina bactérias Gram positivas e Gram negativas. A utilização de produtos à base desse ativo deve ser feita por via intramuscular em dose única na entrada do confinamento, lembrando sempre de não ultrapassar a dose máxima de 20 ml por local de aplicação.
Outras notícias você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2020 ou online.

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Leite importado pode ser vetado em compras públicas no Brasil
Proposta abre exceção apenas quando não houver produto nacional disponível.

Um projeto de lei que veda a compra de leite importado por órgãos públicos recebeu parecer favorável do relator da matéria na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara. O texto é relatado pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), que protocolou nesta semana parecer pela aprovação da proposta. Com isso, o tema pode entrar em votação nas próximas sessões.
Lupion apontou que a redação aprovada em outras comissões da Câmara está em conformidade com os preceitos constitucionais e jurídicos, e, por isso, apresentou voto favorável ao projeto. O Projeto de Lei 2.353/2011 inclui dispositivo na Lei de Licitações e Contratos Administrativos para proibir a aquisição de leite de origem estrangeira por órgãos públicos.

Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e deputado, Pedro Lupion: “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores” – Foto: Divulgação/FPA
A exceção prevista na proposta ocorre apenas quando “não houver disponibilidade de produto nacional”. Nesses casos, o órgão público deverá justificar previamente a compra de leite importado.
A tramitação do projeto ocorre em um contexto de pressão do setor produtivo por medidas que reduzam as importações do produto. Produtores de leite alegam que os preços praticados no mercado têm comprimido as margens e inviabilizado a atividade, especialmente entre os pequenos produtores.
Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) mostram que os preços pagos ao produtor recuaram mais de 25% em 2025, encerrando o ano em R$ 1,99 por litro. Segundo os pesquisadores, o Custo Operacional Efetivo (COE) subiu 1,32% em janeiro e mais 0,32% em fevereiro.

Deputado Zé Silva: “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais” – Foto: Divulgação/FPA
Em outra ocasião, Lupion defendeu que o Tribunal de Contas da União (TCU) analise possíveis distorções relacionadas à importação de leite e os impactos sobre a cadeia produtiva. “O Brasil tem uma cadeia leiteira extremamente importante para a economia rural, especialmente para pequenos e médios produtores. Precisamos entender se existe equilíbrio competitivo ou se há distorções que estão pressionando os preços pagos ao produtor”, destacou.
O integrante da FPA, deputado Zé Silva (União-MG), lembrou que medidas voltadas à cadeia leiteira impactam 1,1 milhão de produtores no país e mais de 5 milhões de empregos. “Não é fazer graça, não é fazer favor para os produtores rurais. O nosso papel é garantir que não haja concorrência desleal com os nossos produtores rurais. Nós sabemos que hoje o custo de produção de um litro de leite é de R$ 1,90 a R$ 2”, afirmou.
Parlamentares pedem celeridade em processo antidumping
Quem também acompanha de perto as pautas relacionadas à cadeia leiteira é a vice-presidente da FPA na região Sudeste, deputada Ana Paula Leão (PP-MG). Um dos pleitos defendidos pelos parlamentares é a adoção de medidas antidumping contra o leite em pó importado da Argentina e do Uruguai.

Vice-presidente da FPA na região Sudeste e deputada, Ana Paula Leão: “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial” – Foto: Divulgação/FPA
A investigação foi aberta em 2024, e o pedido do setor é para que sejam adotadas medidas provisórias enquanto o processo segue em análise. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) é o órgão responsável por avaliar a demanda. “O que a gente precisa agora é que o MDIC solte as medidas protetivas provisórias antidumping. Isso para a gente é essencial”, destacou a deputada.
Já o coordenador da Comissão de Meio Ambiente da FPA, deputado Rafael Pezenti (MDB-SC), lembrou que a imposição de medidas antidumping de forma provisória não alivia a situação de forma imediata, mas ajuda para que o processo tenha um desfecho definitivo. “A Argentina coloca leite aqui no Brasil com preço 53% menor do que vende lá dentro do seu próprio país. Com qual finalidade? Exterminar os produtores brasileiros para depois tomar conta do nosso mercado e praticar o preço que quiserem. Precisamos que esse leite seja taxado agora na fronteira.”
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Exportações de carne bovina de Mato Grosso crescem mais de 50%
Resultado foi impulsionado pela demanda internacional e valorização da tonelada embarcada.

Mato Grosso voltou a se destacar no cenário internacional da carne bovina ao registrar um desempenho recorde no primeiro trimestre de 2026. O estado exportou 251,83 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC), volume que representa 26,72% de toda a carne bovina embarcada pelo Brasil no período — o maior já registrado para um primeiro trimestre na série histórica.
O resultado expressivo também aparece na comparação anual. Em relação ao mesmo período de 2025, o crescimento foi de 53,39% no volume exportado. Já a receita atingiu US$ 1,11 bilhão, alta de 74,71%, impulsionada tanto pelo aumento da demanda internacional quanto pela valorização da tonelada embarcada, que alcançou média de US$ 4,54 mil.

A China manteve-se como principal destino da carne mato-grossense no trimestre, concentrando 50,82% dos embarques, o equivalente a 127,97 mil TEC. O país asiático segue como motor da demanda global, sustentando volumes elevados de importação. No entanto, outros mercados começam a ganhar relevância. Os Estados Unidos aparecem na segunda posição, com 9,14% das compras (23,03 mil TEC), e chamam atenção pelo ritmo de crescimento: em apenas três meses, já adquiriram 57,38% de todo o volume exportado para o país ao longo de 2025.
Na avaliação do diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, o resultado reflete um conjunto de fatores que vêm fortalecendo a pecuária. “Mato Grosso tem avançado na abertura de mercados e na valorização da sua carne. Esse crescimento mostra não só a força da produção, mas também a confiança dos compradores internacionais na qualidade e na regularidade do produto”.
“Além de volume, estamos ganhando valor. Isso passa por uma combinação de eficiência produtiva, melhoria genética, manejo e, cada vez mais, pela adoção de práticas sustentáveis, que são exigências dos mercados mais exigentes”, enfatiza o diretor de Projetos do Imac.
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Brasil abre mercado para exportação de miúdos bovinos ao Vietnã
Negociação amplia oportunidades para a cadeia da carne e reforça presença em um dos principais destinos do agro brasileiro.

O governo brasileiro concluiu negociações com o Vietnã que permitirão a exportação de miúdos bovinos (coração, fígado e rins) para aquele mercado.
A abertura fortalece o comércio com o quarto principal destino das exportações do agronegócio brasileiro e amplia as oportunidades para a cadeia bovina nacional, ao favorecer o aproveitamento integral do animal.
O Vietnã importou mais de US$ 3,5 bilhões em produtos agropecuários brasileiros em 2025, com destaque para milho, complexo soja, fibras e produtos têxteis.
Com esse anúncio, o agronegócio brasileiro alcança 592 aberturas de mercado desde o início da atual gestão.
Esse resultado decorre da atuação coordenada do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).



