Bovinos / Grãos / Máquinas
Uso da homeopatia populacional na prevenção e controle da mastite bovina
Mastite bovina é a doença de maior impacto econômico na pecuária leiteira devido aos prejuízos que causa ao produtor e à indústria de alimentos
Artigo escrito por Roberta Porto, médica veterinária e promotora técnica da Real H e Ricardo Melotti, médico veterinário e gerente técnico da Real H
O leite é um dos mais completos produtos in natura em decorrência do seu alto valor nutritivo. Após dois anos em queda, em 2017 os laticínios submetidos à inspeção sanitária captaram 24,12 bilhões de litros, totalizando 4,1% de acréscimo na aquisição de leite quando comparado ao ano anterior. No 4º trimestre de 2017, obtivemos o melhor resultado para o período desde 2014, quando a aquisição de leite cru foi de 6,44 bilhões de litros, quando comparado ao mesmo período em 2016 apresentou um crescimento de 3,2%.
Na pecuária leiteira, a mastite bovina e o descarte do leite em decorrência da presença de resíduos são responsáveis por grandes prejuízos ao produtor e à indústria de alimentos. Os resíduos de antibióticos estão relacionados ao tratamento da mastite, representando a principal contaminação química do leite e de produtos lácteos. Deste modo, os derivados como o iogurte, a manteiga, o queijo, entre outros, pode ter suas características físico, químicas e sensoriais alteradas devido à presença destas substâncias, prejudicando o processo de fabricação.
A mastite bovina é a doença de maior impacto econômico na pecuária leiteira devido aos prejuízos que causa ao produtor e à indústria de alimentos, o que corrobora com os achados de 1994, que afirmam que mais de 25% de todas as perdas econômicas relacionadas às doenças podem ser diretamente atribuídas à mastite. Esta caracteriza-se por uma inflamação da glândula mamária, que ocorre devido a contaminação por bactérias patogênicas, vírus, fungos, algas ou por traumas provocados por agentes químicos, físicos, mecânicos, térmicos ou por problemas metabólicos. De difícil controle e erradicação, é a mais comum enfermidade que acomete o gado bovino no mundo, correspondendo a 38% de toda a morbidade.
Entre os principais prejuízos apontados pela Embrapa, estão a redução na produção de leite, descarte do leite proveniente dos animais doentes, custos do tratamento e até morte dos animais. As perdas afetam também os laticínios e especialmente o consumidor, em virtude das modificações que ocorrem nas propriedades físico-químicas do leite, refletindo no valor e na qualidade nutricional do produto. A isto atribui-se o uso de produtos químicos para o tratamento, resultando em risco de resíduos, mudanças nas suas características naturais e efeitos indesejáveis para a saúde pública.
A mastite pode se apresentar de forma clínica (superaguda, aguda, subaguda ou crônica) ou subclínica. A forma clínica se caracteriza pelas alterações visíveis no leite e/ou no úbere, além de poder haver comprometimento sistêmico dependendo do microrganismo envolvido. No entanto, é a forma subclínica a mais comum e que gera maiores prejuízos ao produtor, já que não apresenta alterações visíveis no leite e no úbere, sendo necessárias para detecção a realização de testes químicos, ou a comprovação do aumento do número de células somáticas.
Para cada caso de mastite clínica na propriedade existam 14 casos de mastite subclínica, no entanto, um pesquisador considera que para cada caso de mastite clínica ocorram entre 20 e 50 casos de mastite subclínica. No mundo, os índices de mastite subclínica são bastantes similares: ao redor de 40% de vacas infectadas e 25% dos quartos afetados. Em algumas regiões do Brasil têm sido encontradas prevalências médias de 17,45% de mastite clínica e 72,56% de mastite subclínica.
Perdas
A perda na produção de leite em relação a CCS varia da seguinte forma:
- CCS de 140.000 a 195.000, perda na produção de até 5%;
- CCS de 225.000 a 380.000, perda na produção de 8%;
- CCS de 420.000 a 1.200.000, perda na produção de 9% a 18%;
- CCS de 1.280.000 a 2.280.000, perda na produção de 19% a 25%.
Ambiente
A manutenção de animais em ambientes higiênicos, secos e confortáveis visa, em primeiro plano, minimizar os problemas relativos às mastites ambientais, porém, indiretamente reduz índices de mastite contagiosa. O ambiente nessas condições ajuda a reduzir o risco de novas infecções e aumenta a eficiência da produção pela redução do tempo e da mão-de-obra necessária para preparar o úbere para ordenha.
É importante conhecer, então, quais as possíveis formas de transmissão da mastite em novilhas, pois considerando que estes animais nunca foram ordenhados, podemos concluir que as fontes ambientais são de grande importância, como o acúmulo de lama e umidade. Diversos estudos comprovam que outras formas importantes de transmissão da mastite em novilhas são através de moscas que atuam como vetores e a ocorrência da mamada entre bezerras.
Homeopatia populacional
Dentro no manejo preventivo, além dos procedimentos normais de higiene, nutrição, bem-estar animal, uso racional de drogas químicas, temos como ferramenta a homeopatia populacional, a qual irá atuar diretamente na imunidade do animal, elevando sua capacidade de defesa natural e resultando em maior proteção contra a ação de agentes globais que tem potencial de gerar tal doença.
A homeopatia populacional tem sua origem na homeopatia, método terapêutico criado por Samuel Hahnemann (1775-1843) que, com o intuito de não provocar intoxicações medicamentosas, produziu diluições centesimais dos princípios em estudo. Entre diluições realizava agitações, liberando a energia medicamentosa contida na substância, sendo este processo denominado dinamização.
Trabalhos mostram que a homeopatia populacional pode trazer resultados significativos nesse processo.
Mais qualidade
Além de efeitos sobre a questão sanitária, a tecnologia da homeopatia populacional pode trazer, também, resultados positivos na composição do leite. Certo pesquisador conclui que, apesar do mecanismo da resposta não ter sido elucidado, foi evidenciada a capacidade da homeopatia de induzir resposta positiva em secreção proteica no leite de bovinos.
Estudos
Em trabalho realizado em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, foi avaliado o efeito de um Núcleo Homeopático no tratamento da mastite subclínica em vacas Holandesas. O modo de fornecimento foi realizado, diariamente, via ração, pelo período de 12 dias, para um lote de vacas problema em lactação de produção média de 10 a 15 litros de leite. Os animais foram mantidos a pasto, recebendo ração farelada no momento da ordenha. As fêmeas bovinas foram selecionadas com base nos resultados do teste CMT (California Mastits Test), sendo escolhidas as que apresentaram reação positiva 3 cruzes.
Também realizou- se a coleta de amostras de leite para análise microbiológica individual. O experimento resultou na redução significativa do número total de isolamentos, e na quantidade de espécies isoladas já no 13º dia (resultados comparados aos da primeira coleta realizada). Já as análises microbiológicas concluíram que a ação do Núcleo Homeopático foi eficaz e contribuiu para a redução da infecção dos úberes das vacas problema.
No diagnóstico de mastite, os tratamentos devem ser logo realizados, no entanto, em alguns casos, o prognóstico é desfavorável, como na detecção de infecções por Staphylococcus aureus. De acordo com o médico homeopata Leon Vannier, as doenças se caracterizam pelo acúmulo de toxinas no organismo. Um déficit no funcionamento celular, seguido de febre, distúrbios endócrinos, entre outros problemas, ocorrem devido ao mau funcionamento do organismo, o que resulta no acúmulo de toxinas. Do mesmo modo, fatores externos ou ambientais como erros alimentares, por exemplo, ou o uso de medicamentos químicos por longos períodos, acumulam gerando resíduos. Em ambas as situações, o resultado final é o mesmo, o organismo animal torna-se intoxicado, criando as condições para a instalação e desenvolvimento bacteriano. Os medicamentos homeopáticos atuam promovendo a eliminação das toxinas acumuladas e, desta forma, restabelecendo o equilíbrio orgânico.
Resultados semelhantes foram acompanhados em trabalho realizado na cidade de Dourados, Mato Grosso do Sul, onde concluiu-se que o uso de doses extras de complexo homeopático em vacas leiteiras saudáveis e produtivas foi capaz de promover um estímulo extra do sistema imune inespecífico, com o aumento temporário da CCS (Contagem de Células Somáticas), contribuindo para a eliminação de toxinas armazenadas no úbere ao longo da vida do animal através de drenagem orgânica induzida.
Existem diversos protocolos e tecnologias que otimizam a saúde dos animais na produção leiteira, porém, devido à grande intensificação da produção e necessidade de atendimento à demanda de produtos, muitos desafios comprometem a produção. A homeopatia populacional é uma ferramenta segura e viável no auxílio do controle da mastite em animais de aptidão leiteira, otimizando a saúde em vacas leiteiras em ordenha. Além de todos os benefícios citados, ela ainda é incapaz de intoxicar pessoas e animais, não deixando resíduos no leite.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de junho/julho de 2018 ou online.
Fonte: O Presente Rural

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Boi gordo enfrenta semanas de instabilidade e pressão nas cotações
Recuo de até R$ 13/@ reflete um mercado mais sensível antes do período de maior consumo.

A possibilidade de novas medidas protecionistas da China voltou a gerar incerteza no mercado pecuário brasileiro. O país asiático, principal destino da carne bovina do Brasil, estaria avaliando restringir a entrada do produto, mas não há qualquer confirmação oficial até o momento. Mesmo assim, os rumores foram suficientes para pressionar os contratos futuros do boi nas últimas semanas.
As especulações ganharam força no início de novembro, indicando que Pequim poderia retomar o movimento iniciado em 2024, quando alegou excesso de oferta interna para reduzir as importações. A decisão, que inicialmente seria tomada em agosto de 2025, foi adiada para novembro, ampliando a cautela dos agentes e intensificando a queda na curva futura: em duas semanas, os contratos recuaram entre R$ 10 e R$ 13 por arroba.

Foto: Gisele Rosso
Com a China respondendo por cerca de 50% das exportações brasileiras de carne bovina, qualquer redução nos embarques tende a impactar diretamente os preços do boi gordo, especialmente em um momento de forte ritmo de produção.
Apesar da tensão, o cenário de curto prazo permanece positivo. A demanda doméstica, reforçada pela sazonalidade do fim de ano, e o recente alívio nas barreiras impostas pelos Estados Unidos ajudam a sustentar as cotações. Caso os abates não avancem mais de 10% em novembro e dezembro, a disponibilidade interna deve ficar abaixo da registrada em outubro, movimento que favorece a recuperação dos preços da carne nos próximos 30 dias.
Para 2026, as projeções seguem otimistas para a pecuária brasileira. A expectativa é de menor oferta de animais terminados, custos de produção mais competitivos e demanda externa firme, em um contexto de queda da produção e das exportações de concorrentes, especialmente dos Estados Unidos. A principal atenção fica por conta do preço da reposição, que subiu de forma expressiva e exige valores mais ajustados na venda do boi gordo para assegurar a rentabilidade na terminação.
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Novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável busca impulsionar produção de leite no Noroeste de Minas Gerais
Assistência técnica, pesquisa aplicada e melhorias genéticas a 150 propriedades familiares, com foco em produtividade, sustentabilidade e fortalecimento da cadeia leiteira no Noroeste mineiro até 2028.

O fortalecimento e a ampliação da produção de leite de produtores de Paracatu (MG), de forma sustentável, eficiente e de qualidade, ganharam impulso com o início do novo ciclo do projeto Mais Leite Saudável, desenvolvido em parceria entre a Embrapa Cerrados e a Cooperativa Agropecuária do Vale do Paracatu (Coopervap).
O projeto é desenvolvido no âmbito do Programa Mais Leite Saudável (PMLS) do MAPA desde 2020. O Programa Mais Leite Saudável é um incentivo fiscal que permite a laticínios e cooperativas obter até 50% de desconto (crédito presumido) no valor de PIS/Pasep e COFINS relativo à comercialização do leite cru utilizado como insumo, desde que desenvolvam projetos que fortaleçam e qualifiquem a cadeia produtiva por meio de ações diretas junto aos produtores.
O treinamento dos técnicos recém-selecionados foi realizado no fim de outubro, e as primeiras visitas às propriedades ocorreram no início de novembro. Essa é a terceira fase do projeto, que conta com o acompanhamento do pesquisador José Humberto Xavier e do analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa Cerrados, Carlos Eduardo Santos.
O projeto articula as dimensões de assistência técnica e pesquisa e atuará nessa etapa com uma rede de 150 propriedades rurais familiares, que receberão acompanhamento de três veterinários e dois agrônomos, seguindo o modelo implantado em 2020. A equipe da Embrapa atua na capacitação técnica e metodológica dos técnicos e na condução de testes de validação participativa de tecnologias promissoras junto aos agricultores da rede.
A nova etapa, prevista para ser concluída em 2028, busca desenvolver alternativas para novos sistemas de cultivo com foco na agricultura de conservação, oferecer apoio técnico ao melhoramento genético dos animais de reposição com o uso de inseminação artificial e ampliar o alcance dos resultados já obtidos, beneficiando mais agricultores familiares e contribuindo para o desenvolvimento regional.
Segundo o pesquisador da Embrapa Cerrados, José Humberto Xavier, os sistemas de cultivo desenvolvidos até agora melhoraram o desempenho das lavouras destinadas à alimentação do rebanho, mas ainda são necessários ajustes para reduzir a perda de qualidade do solo causada pelo preparo convencional e pela elevada extração de nutrientes advinda da colheita da silagem, além de evitar problemas de compactação quando o solo está úmido. Ele destaca também os desafios de aumentar a produtividade e reduzir a penosidade do trabalho com mecanização adequada.
O analista Carlos Eduardo Santos ressaltou a importância de melhorar o padrão genético do rebanho. “A reposição das matrizes é, tradicionalmente, feita pela compra de animais de outros rebanhos. Isso gera riscos produtivos e sanitários, além de custos elevados. Por isso, a Coopervap pretende implementar um programa próprio de reposição, formulado com base nas experiências dos técnicos e produtores ao longo da parceria”, afirmou.
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Curso gratuito da Embrapa ensina manejo correto de resíduos na pecuária leiteira
Capacitação on-line orienta produtores a adequar propriedades à legislação ambiental e transformar dejetos em insumo seguro e sustentável.

Como fazer corretamente o manejo dos dejetos da propriedade leiteira e adequá-la à legislação e à segurança dos humanos, animais e meio ambiente? Agora, técnicos e produtores têm à disposição um curso on-line, disponível pela plataforma de capacitações a distância da Embrapa, o E-Campo, para aprender como realizar essa gestão. A capacitação “Manejo de resíduos na propriedade leiteira” é gratuita e deve ocupar uma carga horária de aproximadamente 24 horas do participante.
O treinamento fecha o ciclo de uma série de outros cursos relacionados ao manejo ambiental da atividade leiteira: conceitos básicos em manejo ambiental da propriedade leiteira e manejo hídrico da propriedade leiteira, também disponíveis na plataforma E-Campo.
De acordo com o pesquisador responsável, Julio Palhares, identificou-se uma carência de conhecimento sobre como manejar os resíduos da atividade leiteira para adequar a propriedade frente às determinações das agências ambientais. “O correto manejo é importante para dar qualidade de vida aos que vivem na propriedade e no seu entorno, bem como para garantir a qualidade ambiental da atividade e o uso dos resíduos como fertilizante”, explica Palhares.
A promoção do curso ainda contribui para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), como as metas 2 e 12. A 2 refere-se à promoção da agricultura sustentável de produção de alimentos e prevê práticas agropecuárias resilientes, manutenção dos ecossistemas, fortalecimento da capacidade de adaptação às mudanças climáticas, etc. O ODS 12 diz respeito ao consumo e produção responsáveis, principalmente no que diz respeito à gestão sustentável.
O treinamento tem oferta contínua, ou seja, o inscrito terá acesso por tempo indeterminado.
