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Avicultura

Uso da base de dados potencializa eficiência dos programas vacinais na avicultura

Especialista destacou que a utilização de bases de dados facilita a comunicação entre veterinários, produtores e órgãos de saúde animal, promovendo uma abordagem integrada na implementação de estratégias de vacinação.

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Fotos: Shutterstock

A definição de um programa vacinal eficiente para aves, cada vez mais, depende do uso estratégico de bases de dados. A coleta e análise de informações sobre prevalência de doenças, histórico de surtos e a eficiência das vacinas permite tomadas de decisão mais precisas para identificar quais imunizantes são mais necessários em diferentes regiões ou grupos de aves. Isso garante a proteção do plantel e reduz os riscos sanitários da granja.

De acordo com a médica-veterinária Eva Hunka, mestre em Medicina Veterinária Preventiva e especialista em Comunicação e Marketing, o uso de dados além de otimizar a escolha das vacinas, também possibilita o monitoramento da resposta imunológica das aves, permitindo ajustes no programa vacinal sempre que necessário. “Isso garante uma proteção eficaz e adequada ao plantel, minimizando os riscos de surtos e melhorando a saúde geral das aves”, ressaltou Eva durante sua participação no 22º Congresso APA de Produção e Comercialização de Ovos, realizado entre os dias 24 e 27 de março, em Ribeirão Preto (SP).

A especialista destacou ainda que a utilização de bases de dados facilita a comunicação entre veterinários, produtores e órgãos de saúde animal, promovendo uma abordagem integrada na implementação de estratégias de vacinação. “As bases de dados são essenciais para criar programas vacinais eficazes e adaptáveis ​​às necessidades específicas de cada situação na produção”, frisou.

Escolha das vacinas

A escolha das vacinas deve ser pautada em uma análise criteriosa, levando em consideração dados epidemiológicos regionais, que indicam surtos e prevalência de doenças, e o histórico de vacinação, que documenta as vacinas aplicadas e a resposta imunológica observada. Eva enfatizou que o monitoramento da sazonalidade das doenças e a divulgação dessas informações entre produtores e veterinários aumenta a conscientização e favorece respostas rápidas diante de ameaças sanitárias.

A especialista também reforçou a importância de avaliar fatores como os dados genéticos das aves e as condições ambientais -temperatura, umidade, ventilação -, que impactam diretamente na eficácia das vacinas.

A palestrante enfatiza ainda que a eficácia das vacinas, por sua vez, deve ser comprovada com base em estudos e resultados de desempenho em diferentes contextos, assim como as reações adversas, que precisam ser registradas para garantir a segurança dos imunizantes. “As recomendações da Organização Mundial de Saúde Animal também são fundamentais para orientar a escolha das vacinas adequadas para cada região”, frisou.

Personalização do programa vacinal

O histórico sanitário da granja é um dos principais fatores na formulação de programas vacinais personalizados, o qual deve oferecer informações sobre doenças anteriores e condições ambientais específicas, permitindo uma escolha mais assertiva das vacinas. “A análise desse histórico otimiza os resultados da vacinação e ajuda a melhorar a saúde do plantel”, afirmou Eva.

A mestre em Medicina Veterinária Preventiva reforçou que a identificação de doenças recorrentes é importante para priorizar vacinas mais eficazes contra esses patógenos. Ela também destaca que as condições de manejo, como vazio sanitário, higiene e controle de estresse ambiental, influenciam diretamente na eficácia da vacinação.

Outro fator importante considerado pela especialista é a resposta imunológica observada nas vacinas administradas anteriormente. “Saber como as aves reagiram às vacinas permite ajustar as doses e o momento de aplicação, garantindo uma proteção mais robusta”, salientou Eva.

A especialista também salientou que dados sobre mortalidade e morbidade do plantel oferecem uma visão específica da saúde das aves, identificando padrões de doenças e permitindo ajustes na estratégia vacinal, bem como as recomendações de saúde pública, fornecidas pelas autoridades sanitárias, também desempenham um papel importante ao indicar quais vacinas são prioritárias, com base no contexto epidemiológico da região. “Um programa vacinal personalizado, fundamentado no histórico sanitário da granja, além de aumentar a eficácia da vacinação, também contribui para a saúde geral dos planteis, reduzindo o risco de surtos e melhorando a produtividade”, assegurou Eva.

Prevenção de surtos

A análise de dados epidemiológicos regionais é essencial para identificar padrões de doenças e antecipar surtos, permitindo a implementação de medidas preventivas de forma antecipada. “O monitoramento contínuo dos surtos possibilita a avaliação de risco e a aplicação de estratégias de prevenção, considerando a sazonalidade e o risco de novas ocorrências”, afirmou Eva.

A disseminação de dados entre produtores e veterinários também é fundamental para incentivar práticas de manejo mais seguras e medidas preventivas como vacinação e controle das condições ambientais. “Com as informações fornecidas sobre a evolução das doenças é possível adotar medidas de contenção de forma ágil, evitando a propagação de doenças e minimizando os danos à produção. A capacidade de agir rapidamente é um dos principais benefícios da análise contínua”, expôs a médica-veterinária.

Importância da análise de dados na resposta vacinal das aves

Ao interpretar os dados sobre a resposta vacinal e as falhas de imunização nas aves, a especialista elenca a necessidade de considerar diversos fatores que influenciam os resultados. “Cada vacina possui diferentes níveis de eficácia e mecanismos de ação, sendo essencial compreender as características específicas do imunizante, incluindo sua composição e o patógeno alvo. A resposta imunológica das aves pode variar conforme fatores como idade, condições de manejo e status sanitário da granja. Por isso, a criação de uma linha de base (baseline) é fundamental. Com essa referência, é possível comparar o desempenho da granja ao longo do tempo, identificando desvios e adotando medidas corretivas quando necessário”, detalhou.

Eva explicou que o monitoramento do programa vacinal tem como objetivo avaliar sua eficácia de forma contínua. Quando os resultados fogem dos padrões esperados, é iniciado um processo de diagnóstico, que, além de objetivos distintos, pode exigir análises específicas, dependendo da idade das aves e das condições sanitárias.

Tecnologia como aliada na gestão vacinal

A avicultura tem se beneficiado cada vez mais da Inteligência Artificial (IA) e da Internet das Coisas (IoT) para melhorar a gestão de dados sanitários e vacinais, com painéis de controle para monitoramento e equipamentos de vacinação, que permitem a coleta de informações em tempo real e armazenam esses dados em nuvem. No entanto, Eva alerta que a tecnologia por si só não é suficiente: “Se não houver profissionais capacitados para gerenciar essas ferramentas, elas perdem a eficácia. A gestão humana é fundamental para garantir o sucesso dos processos”, enfatizou.

Integração de dados

A integração de dados de diferentes áreas, como nutrição, manejo, ambiência e sanidade, é fundamental para maximizar a eficácia dos programas vacinais. Eva destacou que, assim como as aves devem ser vistas como um organismo único, as granjas também precisam atuar de maneira sinérgica para alcançar os melhores resultados.

Desafios de coleta e análise de dados

Médica-veterinária, mestre em Medicina Veterinária Preventiva e especialista em Comunicação e Marketing, Eva Hunka: “Sem pessoas tomando decisões no momento certo, a tecnologia por si só não é suficiente” – Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Embora a automação tenha avançado na avicultura, a coleta e a análise de dados para os programas vacinais ainda enfrentam desafios. Muitos registros ainda são feitos manualmente, o que pode gerar atrasos na interpretação das informações. “Muitas vezes, quando conseguimos analisar os dados, já perdemos o momento de implementar as ações corretivas ou preventivas”, alerta a especialista.

Dessa forma, além do avanço tecnológico, a eficiência dos programas sanitários e vacinais depende diretamente da atitude e da agilidade dos profissionais envolvidos. “Sem pessoas tomando decisões no momento certo, a tecnologia por si só não é suficiente”, alertou Eva.

Desafios na coleta e análise de dados

Apesar do avanço tecnológico, a coleta e análise de dados nos programas vacinais ainda enfrentam desafios. Muitas informações ainda são registradas manualmente, o que pode causar atrasos na implementação de ações corretivas ou preventivas. Eva alerta que a coleta de dados só é útil quando aliada a ações rápidas e precisas. “A eficiência dos programas vacinais depende diretamente da agilidade e da atuação dos profissionais envolvidos na cadeia de produção”, disse, categórica, frisando que o uso eficiente de bases de dados não só melhora a saúde do plantel, como também aumenta a produtividade e a sustentabilidade da avicultura, tornando a cadeia produtiva mais resiliente diante dos desafios sanitários.

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Fonte: O Presente Rural

Avicultura

Queda na demanda externa reduz 36% das exportações brasileiras de ovos

Embarques somaram 1,87 mil toneladas em março, o menor volume desde dezembro de 2024, enquanto a receita recuou 27% frente a fevereiro.

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Foto: Rodrigo Fêlix Leal

As exportações brasileiras de ovos registraram forte retração em março, refletindo a redução da demanda dos principais mercados importadores. Dados da Secex, compilados por pesquisadores do Cepea, indicam que o país embarcou 1,87 mil toneladas de ovos in natura e processados no período.

Foto: Giovanna Curado

O volume representa queda de 36% em relação a fevereiro e equivale à metade do registrado em março do ano passado, quando os embarques somaram 3,77 mil toneladas. Trata-se do menor patamar mensal desde dezembro de 2024.

Apesar da retração mais acentuada no volume, o faturamento recuou em menor intensidade. As vendas externas geraram US$ 4,53 milhões em março, redução de 27% frente ao mês anterior e de 48% na comparação anual.

A diferença entre a queda em volume e em receita indica sustentação relativa dos preços médios de exportação, ainda que insuficiente para compensar a perda de ritmo nos embarques.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Recorde histórico

Exportação de carne de frango soma 1,45 milhão de toneladas no 1º trimestre

Volume supera em 0,7% o recorde de 2025, mas preços internos recuam em março e voltam a reagir em abril com alta de fretes e demanda inicial do mês.

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Foto: Shutterstock

Mesmo diante de um cenário geopolítico considerado desafiador, as exportações brasileiras de carne de frango atingiram volume recorde no primeiro trimestre de 2026. Dados da Secex, analisados pelo Cepea, indicam que o país embarcou 1,45 milhão de toneladas entre janeiro e março.

Foto: Shutterstock

O resultado supera em 0,7% o recorde anterior para o período, registrado em 2025, quando foram exportadas 1,44 milhão de toneladas, considerando a série histórica iniciada em 1997. O desempenho chama atenção do mercado, já que o primeiro trimestre costuma registrar menor intensidade de compras externas, com maior concentração das exportações no segundo semestre.

Pesquisadores do Cepea destacam que o volume surpreendeu inclusive agentes do setor, especialmente em um período marcado por preocupações com o cenário internacional, incluindo possíveis impactos do conflito no Oriente Médio sobre o comércio global de proteínas.

Apesar do desempenho recorde no mercado externo, o movimento não foi suficiente para sustentar os preços internos da carne de frango ao longo de março, quando foram registradas quedas nas cotações.

Em abril, no entanto, o comportamento do mercado doméstico indica reação. Segundo o Cepea, os preços vêm registrando alta, influenciados pelo reajuste dos fretes, pressionados pela elevação dos combustíveis, e pelo tradicional aumento da demanda no início do mês. Os valores atuais se aproximam dos patamares observados em fevereiro, sinalizando recuperação parcial das cotações.

Fonte: O Presente Rural
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Avicultura Mesmo com alta de até 21% em março

Preço médio do ovo na Quaresma é o menor em quatro anos

Quedas ao longo de 2025 e janeiro de 2026 no menor patamar em seis anos limitaram efeito sazonal típico do período religioso.

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Foto: Rodrigo Felix Leal

Os preços dos ovos subiram até 21% em março, movimento recorrente no período da Quaresma, quando parte dos consumidores substitui a carne vermelha. Ainda assim, levantamentos do Cepea mostram que o valor médio praticado no período religioso deste ano é o mais baixo dos últimos quatro anos nas regiões acompanhadas pelo Centro de Pesquisas.

De acordo com pesquisadores do Cepea, ao longo de 2025 as cotações recuaram em boa parte dos meses, reduzindo a base de comparação para o início deste ano. Como reflexo desse comportamento, janeiro de 2026 registrou a menor média para o mês dos últimos seis anos em diversas praças monitoradas.

Dessa forma, o mercado iniciou 2026 em patamar inferior ao observado em 2025. A reação verificada em fevereiro e março, embora expressiva em termos percentuais, não foi suficiente para que a média de preços desta Quaresma superasse a registrada em anos anteriores.

Fonte: O Presente Rural
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