Avicultura
Uma visão além do banimento
Enquanto alguns ainda sustentavam o movimento de resistência às novas exigências, outros viram no problema uma oportunidade de agregar mais ao seu negócio e se diferenciar
Artigo escrito por Vladimir Fay da Silva, gerente de contas da América do Sul da Zinpro Performance Minerals
Agora complicou de vez… Já proibiram o Cloranfenicol e a Avoparcina, dessa vez perdemos também o Olaquindox. Como se já não bastasse a proibição da Furazolidona que muito nos ajudava na limpeza das galinhas, agora possivelmente seremos invadidos pelas clostridioses, sem falar na retirada da inócua Violeta Genciana que nos colocará à mercê dos fungos e suas toxinas. A verdade é que nos dias de hoje, somos reféns da área médica e dos ecologistas europeus.
Há aproximadamente 20 anos eram frequentes muitas discussões em reuniões técnicas como essas dentro das empresas. Alguns imbuídos de um espírito nacionalista, outros profetizando o apocalipse e outros simplesmente repetindo o que ouviam ou proferindo um clássico: “isso não vai dar nada”.
Na primeira metade dos anos 90, os aditivos não antibióticos “suavam sangue” para se contrapor à eficiência dos promotores e rações medicamentosas tipo “lanche”, a exemplo de suínos. Com custo/benefício questionável, essas novidades foram prontamente descartadas do arsenal dos técnicos de campo, que como sempre vivenciam pressões de desafios de todas as ordens.
Ao contrário da área de reprodutoras com a consolidação da tecnologia da Exclusão Competitiva, na produção de frangos de corte, ainda iria levar um tempo até se difundirem a campo os conceitos de controles microbianos sem antibióticos.
Passadas décadas, muitas palestras, visitas de técnicos europeus e viajantes brasileiros de vanguarda, entrada de aditivos e novas tecnologias, a avicultura não somente ultrapassou esses desafios e paradigmas iniciais, como também reduziu aos poucos o uso indiscriminado da antibioticoterapia, superando todas as expectativas de melhoras, nos entregando nesse período mais de 200 pontos de IEP.
Hoje falamos “à boca pequena”, aos mais jovens incrédulos, que um dia tivemos metas de conversões alimentares menor do que peso ao abate.
Além da evolução constante e superação dos desafios, também novas tecnologias foram sendo adicionadas ao modelo contemporâneo de criação, o que possibilitou a modernização dos processos e o alcance de performances surpreendentes como citado anteriormente, propiciando para que o tema banimento de antibióticos (que na verdade nunca saiu de cena) se tornasse uma realidade muito mais próxima e factível do que no milênio passado.
Enquanto alguns ainda sustentavam o movimento de resistência às novas exigências, outros viram no problema uma oportunidade de agregar mais ao seu negócio e se diferenciar, tentando entender quais os desafios de sua região e iniciar seus ensaios a campo de maneira profissional, tentando entender o potencial dos produtos, mensurando as perdas possíveis e os ajustes necessários para suportar as adversidades. Essas empresas hoje já têm implantado em seus sistemas de produção linhas livres do uso de antibióticos.
Devido a isso e incutidos dentro de uma indústria de alta performance, sempre carente de inovações e orientado por tendências de mercado, acabamos tendo hoje uma oferta de produtos inovadores como nunca visto antes, mas isso não quer dizer que como técnicos devamos concordar com a máxima que existirá mercado para todos, e sim apenas para os que têm capacidade de agregar valor ao sistema e atender às exigências de saúde alimentar.
Serve como exemplo casos como o da empresa que realizou testes de performance com mais 14 produtos de mesma categoria, gerando resultados positivos em apenas três. Isso deixa claro a variabilidade na qualidade e no potencial dos aditivos que temos disponíveis hoje no mercado, ao mesmo tempo que sinaliza que nossos critérios de triagem devem estar mais apurados do que no passado para a escolha de um produto adequado.
Se antes da restrição dos antibióticos necessitávamos ter um bom domínio sobre Farmacologia, Microbiologia e Imunologia, após o possível banimento, áreas do conhecimento como a Toxicologia, Enzimologia e Biologia Molecular certamente serão exigidas para um bom profissional poder ter a habilidade necessária para entender os mecanismos de ação e ter o real poder de decisão e assertividade.
Critérios
Cada categoria de aditivos apresenta particularidades que devem ser entendidas e atendidas, contudo em geral para a escolha de um bom produto, alguns critérios mais generalistas devem ser considerados como:
Qualidade de Mistura – Independente de uso em pré-misturas prontas ou manejadas diretamente das fábricas de rações, ou o tamanho de partícula, ou a dosagem e grau de processamento das rações, a fluidez e perfeita capacidade de mistura devem ser consideradas, pois sabemos que o mais importante é que tenhamos uma uniformidade de dosagem do primeiro ao último comedouro dentro do aviário. Mecanismos de rastreabilidade (marcadores, recuperação ou outros) são muito relevantes nessa avaliação.
Solubilidade – Alguns produtos, dependendo de sua configuração química, se insolubilizam (independente se hidro ou lipossolúvel), limitando sua ação no ambiente ao qual se propõe. Produtos insolúveis em água terão em muito ou totalmente sua absorção comprometida após ingestão pelo animal, da mesma maneira que dosagens acima do recomendado podem saturar o meio, gerando precipitação e erros de dosagens mesmo em temperaturas mais elevadas. Produtos com propostas para uso em água devem atender a critérios específicos para essa via, correlacionados ao pH, palatabilidade, inativação de ou por outros aditivos.
Tamanho – Tanto para distribuição na ração quanto após ingestão o peso da partícula deve ser considerado tanto se o objetivo for a absorção ou permanência na luz intestinal. Se o produto necessitar absorção pelos canais proteicos da membrana celular, por exemplo, tendo muito acima de 300 Daltons, não terá sucesso, se mantendo na luz intestinal e sendo excretada ou adsorvida por outras moléculas com poder antinutricional. Não podemos esquecer do limitante de tempo de trânsito que pode comprometer se necessitar de uma degradação muito maior que 3 a 4:00 antes da absorção.
Estabilidade – O produto deve manter estabilidade tanto em premix, quanto na ração independente da apresentação (farelada, peletizada e/ou extrusada), resistindo a temperatura/tempo de processamento, e/ou mesmo na presença de outros aditivos, fatores antinutricionais ou modificadores do pH. Após ingestão, o desejável é que tenhamos a mesma estabilidade do produto, estando integro no local de atuação. Degradação, quelação, dessorção ou mesmo quebra de ligações químicas e a perda da constante de estabilidade são exemplos de inativação de produtos e comprometimento de resultados.
Ausência de Contaminantes – Controles de dioxinas, furanos, micotoxinas, microorganismos não desejáveis, outros antibióticos, metais pesados, PCB’s são exemplos de contaminantes que obrigatoriamente devem ser observados na busca de um produto inócuo.
Comprovações In-Vivo – Muito produtos não antibióticos têm um forte embasamento conceitual, contudo não conseguem apresentar resultados com repetibilidade, principalmente in-vivo. Isso é fundamental, pois a partir daí teremos a geração da grandeza do valor para cálculo de viabilidade econômica.
Antigos e Recorrentes Aspectos
Da mesma maneira que ocorreu na Europa em 2000, com o banimento dos antibióticos, também poderemos ter uma piora sugerida em torno de 70 gramas na conversão alimentar, apesar disso, estamos mais evoluídos no manejo de produtos “alternativos” que naquela época.
Não podemos esquecer que favoravelmente teremos ganhos inerentes à nossa atividade, como por exemplo através da genética, que já sinaliza uma melhora em torno de 20 a 30 gramas e com 3 a 4 gramas de ganho de peso diário (GPD). Em condições experimentais, inimagináveis 99 gramas de GPD já foram alcançados.
Quando pensamos em ganho potencial, são muitas as pessoas que subestimam, por exemplo, a real oportunidade que temos por trás de um adequado vazio sanitário. Contudo, existem estudos sobre esse tema que comprovam a ocorrência de variáveis complexas e determinantes na boa performance dos lotes, como as agressões diretas e destrutivas da amônia no aparelho respiratório e da própria microbiologia do ambiente, exigindo mais do sistema imune do pintinho (já demandado pelos programas vacinais e estresse durante nascimento e alojamento.
Isso tanto é verdade que alguns programas de modelagem já contemplam, e com alto peso, esse período e apresentam cenários, como por exemplo, mudanças de sete dias para mais ou menos no vazio, que acabam correspondendo a 30 gramas de melhora ou piora na conversão alimentar no lote ao abate, além de uma drástica variação na mortalidade e no peso final.
Qualquer nutricionista sabe quanto custa em investimento nas dietas, a obtenção de uma melhora em 30 gramas na conversão alimentar.
Em alguns casos, alterações no período do vazio sanitário são flagrados a campo pelos técnicos como uma discreta disbacteriose ou conjuntivite, ou em maior grau num aumento da ocorrência de coccidiose e finalmente em perdas por condenações, demonstrando que erros na logística de alojamento podem ir muito além do que imaginamos. Nesse caso, segue a máxima que o desempenho do frango é uma corrida contra o tempo, que é mínimo, mas com perdas maximizadas.
Outro tema interessante e que gera uma boa discussão é a densidade de alojamento, ao contrário do item anterior, é mais entendida quando se pensa em logística de produção e capacidade de alojamento. Todos sabemos que o adensamento gera uma carga microbiana maior e lesões contaminadas (como arranhões em animais com empenamento incompleto) com um relevante impacto no aproveitamento de lotes griller, e mesmo em aves maiores com perdas consideráveis no abatedouro.
Contudo, dependendo do objetivo em questão (custo na plataforma, pagamento de integrado, financiamentos por parte da empresa, rendimento de abatedouro e atendimento ao mix de venda), podemos gerar diversos cenários e mensuração das perdas.
Outro tema recorrente, a granulometria das dietas vai muito além do atendimento às necessidades anátomo-fisiológicas do animal, acarretando no adequado mecanismo de trituração do alimento, maior poder secretório e desenvolvimento das musculaturas lisas de todo o trato digestivo, repercutindo em cavidades como o pró-ventrículo e moela com melhor desenvolvimento e tônus, e posteriormente em um intestino mais pesado e com tempo de trânsito e digestibilidade do alimento melhorado, finalizando em fezes mais firmes e digeridas.
Sabe-se que com uma adequação do aparato digestório do animal temos a redução do pH como fator redutor de patógenos, e se pensarmos a nível de processo temos que lembrar que temperaturas de peletização por exemplo acima de 80o C, com retenção de 40 segundos e com umidade acima de 15% reduzem praticamente a totalidade de enterobactérias.
Contudo é verdade também muitas melhorias que poderíamos esperar não dependem somente de convencimento e procedimento, mas também investimentos. Ambiência é um desses casos que podem nos levar facilmente a má economia de 30 a 40 g no consumo de ração.
Novos Aspectos
Exclusão competitiva, ocupação de sítios de adesão, adsorção de bactérias patogênicas, imunoestimulação, produção de bacteriocinas, enzimologia, alterações de pH luminal e fitoterapia são alguns dos muitos mecanismos e ferramentas de controle microbiológico que surgiram no período após o início da redução do uso dos antibióticos e da era dos antibiogramas. Atualmente observamos mecanismos de imunomodulação (e estudo dos processos inflamatórios em geral) que surgiram timidamente com o uso de moléculas que promoviam ações anti-inflamatórias, à semelhança da Bacitracina, contendo com isso as cascatas do sistema imune e o custo metabólico pelo consumo de aminoácidos e outros nutrientes.
O conhecimento da biologia molecular, por exemplo, nos demonstra que moléculas que atuam na mecânica intestinal, reforçando proteínas (descobertas na década de 90) promovem a oclusão das células como os enterócitos, num mecanismo já bem conhecido em casos de Síndrome do Intestino Permeável na Doença de Chron.
Hipertermia, nesses e em outros quadros, produz o aumento da permeabilidade, disfunção da barreira intestinal e suas consequências, podendo ir desde o livre acesso ao ambiente interno de agentes microbianos, toxinas e diversos alérgenos até a ativação do sistema imune e seus custos ao animal.
Períodos de calor (ou mesmo o processo febril) extremo são frequentes em nossas criações. Com isso observamos em aves a redução da resistência intestinal, associada a retirada de alimento no período pré-abate, propiciando a redução da elasticidade intestinal, rompimento sob tensionamento do maquinário em plantas de abate, e contaminação de carcaças com conteúdo oriundo de todo o trato digestivo.
Sabemos que qualquer aditivo, com ação microbiológica direta ou mesmo nutricional, pode desencadear algum mecanismo que leve à preservação da integridade intestinal, com isso fatalmente irá ter alguma repercussão no aproveitamento dos nutrientes, podendo ser medido indiretamente através de conversão alimentar (corrigida para determinado peso ou idade).
Além disso ele poderá promover não somente a saúde intestinal, mas a tendência à manutenção de tecidos e órgãos menos contaminados, com a redução da presença de patógenos (como Salmonella ou E. coli, por exemplo). Esse é um ponto a ser considerado de altíssima relevância na criação de aves, tanto em plantas de abate quanto em plantéis de reprodutoras.
Independente de qualquer detalhamento sobre composição, mecanismo de ação, inocuidade, características macro e microscópicas, e finalmente efeitos, mesmo que positivos numérica ou estatisticamente sobre o desempenho dos plantéis, o fator determinante para implantação na atividade é o cálculo do retorno sobre o investimento no momento, baseado em estudo criterioso de números robustos, confiáveis e que reproduzam fielmente a condição da companhia.
Finalmente entendemos que devemos tomar decisões num cenário analítico e de contestação, onde desvios de manejo básicos e que antes eram corriqueiramente aceitos, devem ser revistos e realmente mensurados. Apesar disso, pelo que vimos no passado tecnologias que naquele momento se apresentavam inviáveis ou pouco atrativas, nos dias atuais se apresentam como ferramentas de oportunidade e geração de bons ganhos para qualquer empresa.
Aceitar apenas um percentual de 40% de peletes a campo, alterações de vazio sanitário sem critério, densidades elevadas sem mensuração de perdas para atender ao mix de produção e uso de aditivos ou qualquer produto sem avaliação do real retorno econômico faz com que o banimento dos antibióticos não seja colocado em uma página passada e seja sempre relembrado, principalmente pelos reativos.
Temos que estar sempre atualizados e abertos para tentar buscar a oportunidade onde hoje o que estamos vendo é apenas mais um novo desafio.
Mais informações você encontra na edição de Aves de junho/julho de 2017.
Fonte: O Presente Rural

Avicultura Em Arapongas (PR)
1ª Feira Aves Seara deve reunir dois mil produtores do Paraná e Mato Grosso do Sul
Evento exclusivo para integrados terá painéis com lideranças da avicultura, exposição de tecnologias e participação de mais de 40 empresas do setor.

Arapongas, no Norte do Paraná, será palco da primeira edição da Feira Aves Seara na próxima sexta-feira (26). A iniciativa, criada para fortalecer a cadeia produtiva avícola e ampliar o desenvolvimento dos produtores integrados da companhia, deve reunir cerca de dois mil avicultores de frangos de corte e matrizes ligados às operações da empresa no Paraná e em Mato Grosso do Sul.

Diretor-executivo de Agropecuária da Seara, José Antônio Ribas Junior: “A feira foi criada para fortalecer essa parceria de longo prazo, promovendo acesso a conhecimento, tecnologia e inovação que contribuam para o desenvolvimento das propriedades e para a evolução contínua da avicultura brasileira” – Foto: Divulgação
Com participação gratuita e exclusiva para os integrados, o evento foi estruturado como um ambiente de troca de experiências, atualização técnica e geração de oportunidades para o setor. A programação terá início às 08h30, no Golden Hall Eventos, às margens da PR-218, Km 5, na saída para Astorga.
Segundo o diretor-executivo de Agropecuária da Seara, José Antônio Ribas Junior, a proposta é reforçar a parceria construída com os produtores ao longo dos anos. “Os produtores integrados são protagonistas do modelo de negócio da Seara e fundamentais para a qualidade e a competitividade dos nossos produtos. A feira foi criada para fortalecer essa parceria de longo prazo, promovendo acesso a conhecimento, tecnologia e inovação que contribuam para o desenvolvimento das propriedades e para a evolução contínua da avicultura brasileira”, afirma.
Debates com lideranças da avicultura
A programação inclui painéis e debates com executivos da Seara e representantes de destaque do setor avícola nacional. Entre os convidados estão Francisco Turra, conselheiro da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), e Ricardo Santin, presidente da entidade.

Foto: Divulgação
Além do conteúdo técnico, os participantes terão acesso a uma área de exposição com mais de 40 empresas fornecedoras de equipamentos, tecnologias e soluções para a atividade. Também estarão presentes companhias ligadas às áreas de nutrição animal, genética e bem-estar animal, apresentando inovações, tendências e oportunidades de negócios para os produtores.
Plataforma de relacionamento com mais de 10 mil integrados
A Feira Aves Seara faz parte da Plataforma SuperAgro, principal programa de relacionamento da companhia com seus mais de 10 mil produtores integrados de aves e suínos em todo o país.
Criada há mais de uma década, a iniciativa reúne ações voltadas ao reconhecimento dos produtores, acompanhamento de desempenho, capacitação técnica e gerencial, treinamentos e suporte às propriedades, com foco no fortalecimento da atividade no campo e na evolução sustentável da cadeia produtiva.
Avicultura
Um em cada três frangos abatidos no Brasil sai do Paraná
Estado respondeu por 35% da produção nacional no primeiro trimestre de 2026, período em que o país atingiu o maior volume de abates da série histórica.

O Paraná ampliou sua liderança na avicultura brasileira e respondeu sozinho por mais de um terço de todos os frangos abatidos no país no primeiro trimestre de 2026. Segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o estado concentrou 35% do abate nacional no período, mantendo ampla vantagem sobre os demais produtores.

Foto: Ari Dias
Ao todo, o Brasil abateu 1,71 bilhão de frangos entre janeiro e março, resultado 3,6% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apesar do crescimento anual, houve ligeira retração de 0,5% em relação ao quarto trimestre de 2025.
Ainda assim, o desempenho foi suficiente para garantir o melhor resultado já registrado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica do IBGE, em 1997. O mesmo ocorreu com os abates de bovinos e suínos, indicando um começo de ano marcado por volumes recordes nas principais cadeias de proteína animal do país.
A distância do Paraná em relação aos demais estados ajuda a dimensionar a importância da avicultura na economia estadual. Com participação de 35%, o estado produz praticamente três vezes mais do que o quarto colocado nacional.
Na sequência aparecem Santa Catarina, com 13,3% do total abatido, Rio Grande do Sul, com 11,8%, e São Paulo, com 10,9%. Juntos, os quatro estados responderam por mais de 70% do abate nacional de frangos no primeiro trimestre.
Produção de carne cresce acima do ritmo de abate
Além do aumento no número de aves abatidas, a produção de carne de frango registrou expansão ainda maior no

Foto: Ari Dias
início deste ano.
O peso acumulado das carcaças alcançou 3,73 milhões de toneladas no primeiro trimestre de 2026, alta de 6,9% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 2,2% frente ao trimestre imediatamente anterior.
O crescimento da produção em ritmo superior ao do abate indica ganho de eficiência na cadeia produtiva, com aves mais pesadas e melhor aproveitamento dos sistemas de criação e processamento.
A avicultura brasileira ocupa posição estratégica no agronegócio nacional. Além de atender ao mercado interno, o setor é fortemente orientado às exportações e possui no Sul do país sua principal base produtiva, sustentada pela integração entre produtores, cooperativas e agroindústrias.
Os números divulgados pelo IBGE reforçam essa concentração. Somente Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul responderam por 60,1% do abate nacional no primeiro trimestre, confirmando a Região Sul como o principal polo da produção brasileira de carne de frango.
Avicultura
Galinhas livres de gaiolas e foco em biossegurança garantem produção de ovos bem-sucedida
Plantel de 500 mil aves, produção sem antibióticos melhoradores de desempenho e certificação em bem-estar animal sustentam o modelo adotado pela Planalto Ovos há oito anos.

Galinhas livres de gaiolas, biosseguridade e a adoção de sistemas preventivos e sustentáveis garantem há oito anos o sucesso da Planalto Ovos, cujos resultados produtivos obtidos ao longo da sua trajetória demonstram a consistência do modelo escolhido para sua operação desde a concepção do projeto. Membro fundadora da Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (COBEA), a empresa mantém hoje um plantel de aproximadamente 500 mil aves, distribuídas entre diferentes unidades produtivas em Minas Gerais.

Foto: Divulgação
A decisão de adotar a criação de galinhas livres foi influenciada pela experiência prévia dos sócios na avicultura, construída entre 1964 e 2017 na Granja Planalto, e pela avaliação de que o modelo permitiria estruturar uma produção baseada em manejo cuidadoso, disciplina sanitária e qualidade do produto.
Em 2018, o mercado brasileiro de ovos provenientes de sistemas alternativos ainda era pouco desenvolvido. Existiam iniciativas pontuais, muitas vezes de pequena escala e com baixa padronização de processos. Porém, as mudanças observadas em mercados internacionais indicavam que modelos de criação que proporcionassem melhores condições às aves tenderiam a ganhar relevância ao longo do tempo. Esse contexto sinalizava uma oportunidade para a Planalto, que desde o início descartou a ideia de realizar uma transição gradual a partir de estruturas convencionais.
Toda a produção da empresa é desde então conduzida em sistemas livres de gaiolas ou caipira e integralmente certificada em bem-estar animal, para estabelecer um elevado padrão produtivo para todas as aves, independentemente do destino comercial dos ovos. Essa abordagem contribui para maior consistência operacional e reforça o princípio de que as práticas de manejo e as condições de criação devem ser uniformes em todo o plantel.
Biosseguridade como eixo central da produção
Desde a concepção do projeto, a biosseguridade foi estabelecida como um dos principais pilares da operação. Inicialmente havia preocupação de que a criação no piso pudesse ampliar o risco de desafios sanitários. Na prática, a experiência demonstrou que um programa robusto de prevenção, aliado a boas condições de manejo, permite manter estabilidade sanitária e consistência produtiva.

Foto: Divulgação
Um dos desdobramentos dessa abordagem foi conduzir a produção sem utilização de antibióticos como melhoradores de desempenho. Para viabilizar esse modelo, a empresa estruturou um conjunto integrado de medidas preventivas, baseadas em biosseguridade rigorosa, nutrição equilibrada e manejo adequado das aves.
Nesse contexto, são utilizadas alternativas tecnológicas que contribuem para a saúde intestinal e para a estabilidade da microbiota das aves, como probióticos e simbióticos, ácidos orgânicos e óleos essenciais. Essas ferramentas auxiliam na manutenção do equilíbrio microbiológico e reduzem a necessidade de intervenções terapêuticas ao longo do ciclo produtivo.
A abordagem está alinhada ao conceito de Saúde Única, que reconhece a interdependência entre saúde animal, saúde humana e equilíbrio ambiental, reforçando a importância de sistemas produtivos preventivos e sustentáveis.
A estrutura produtiva é compartimentalizada, com unidades fisicamente separadas (fábrica de ração, fazendas e entreposto de ovos), o que, apesar de aumentar a complexidade logística, reduz significativamente o risco de disseminação de patógenos.
O manejo sanitário inclui vacinação, monitoramento, controle de acesso e desinfecção, com atenção adicional, em sistemas no piso, ao manejo da cama, escolha do ninho e prevenção de endoparasitas.
Reconhecimento internacional
Os resultados produtivos obtidos demonstram a consistência do modelo adotado. Um dos marcos mais relevantes foi o reconhecimento de um lote da linhagem Lohmann como o mais produtivo já registrado pela genética, atingindo 593,8 ovos por ave alojada.
A empresa também recebeu em 2024 o Good Egg Award, concedido pelo ONG de bem-estar animal internacional Compassion in World Farming. A premiação reconhece empresas que adotam padrões elevados de criação e práticas alinhadas à melhoria das condições de vida das galinhas poedeiras.

Diretor da Planalto Ovos, Daniel Mohallem: “A viabilidade de sistemas livres de gaiolas depende menos de discurso e mais de execução: planejamento, disciplina sanitária, observação das aves, equipe capacitada e expansão alinhada à demanda” – Foto: Divulgação
Segundo a empresa, esses reconhecimentos demonstram que essas dimensões não são conflitantes, mas que é possível combinar altos níveis de bem-estar animal com alta e consistente produtividade.
Cooperação e perspectivas para o setor
A participação na criação da COBEA está alinhada à visão de que iniciativas colaborativas podem acelerar o aprendizado do setor. A troca de experiências entre empresas, academia e organizações da cadeia produtiva contribui para ampliar o alcance de boas práticas e fortalecer discussões técnicas e estratégicas sobre produção animal.
Na avaliação da Planalto Ovos, o Brasil tem capacidade técnica para avançar, mas enfrenta desafios como acesso a financiamento, custos mais altos e necessidade de melhor organização comercial; nesse contexto, certificações independentes são chave para diferenciar boas práticas e dar transparência ao mercado. “A viabilidade de sistemas livres de gaiolas depende menos de discurso e mais de execução: planejamento, disciplina sanitária, observação das aves, equipe capacitada e expansão alinhada à demanda. Nossa participação na COBEA serve não apenas para compartilhar nossa experiência com outros, mas também para evoluir em conjunto e promover a colaboração necessária em toda a cadeia de valor, o que pode ajudar a acelerar a transição para sistemas de produção que promovam um melhor bem-estar animal”, afirma o diretor da Planalto Ovos, Daniel Mohallem.
