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Suínos / Peixes Dez mil anos de convívio

Humanos e suínos: uma relação que vai muito além da carne

Professor Adroaldo Zanella faz profunda reflexão sobre a relação de suínos e seres humanos. Mais do que carne, o animal foi fundamental para a criação das primeiras cidades, há cerca de oito mil anos, recentemente foi o modelo para o desenvolvimento de ventiladores pulmonares no enfrentamento à Covid-19 no Brasil e é esperança para acabar com as filas de transplantes de órgãos no mundo em um futuro próximo

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São pelo menos dez mil anos de relação entre suínos e os seres humanos. Em todo esse tempo, desde a domesticação até os dias de hoje, os suínos deram muito mais do que carne para as pessoas. Do surgimento das primeiras cidades na antiguidade até as pesquisas contra o câncer a depressão nos dias de hoje, esses animais fantásticos ajudaram o homem a moldar o mundo em que vive atualmente.

Com a crise que afeta a suinocultura brasileira pela alta dos custos e preços baixos, o professor Adroaldo Zanella faz uma profunda reflexão nessa relação entre porcos e humanos, sobre os riscos econômicos e sociais que a atividade corre, mas também o xeque dessa rica e duradoura história. “Não quero ser expectador desse colapso. É preciso criar uma rede nacional para salvar a suinocultura”.

O porco e as primeiras cidades

PhD em Bem-Estar Animal e professor da Universidade Federal de São Paulo (USP), Adroaldo Zanella: “Os porcos têm um potencial substancial como modelos biomédicos para estudar processos de desenvolvimento humano” – Foto: Arquivo/OP Rural

Em entrevista exclusiva ao jornal O Presente Rural, o PhD em Bem-Estar Animal e professor da Universidade Federal de São Paulo (USP), Adroaldo Zanella, inicia falando sobre a domesticação desses animais e a relação com o sedentarismo, quando o homem deixou de ser nômade. A história mais difundida para esse fato está ligada à agricultura, quando o homem se fixou por começar a produzir seus próprios grãos.

No entanto, há estudos que sugerem outra hipótese. Os primeiros colonos domesticaram os porcos antes de dominar o plantio. Não tem animal doméstico de maior contribuição para a humanidade do que o suíno. A teoria mais aceitável hoje na questão da organização da sociedade humana em cidades é a teoria da domesticação de suínos”, destaca.

Zanella embasa sua crença em evidências propostas como a do Dr. Richard Redding, um arqueólogo da Universidade de Michigan e membro da equipe que, em meados dos anos de 1990, fez a principal descoberta que reforça a teoria do sedentarismo ligada à domesticação de porcos.

Sua teoria foi publicada, em 1994, e publicada on-line em 1996, pelo New York Times, que na época introduziu o texto da seguinte forma a seguir: “Cavando nas ruínas de uma vila no Sudeste da Turquia, onde as pessoas viviam há mais de 10 mil anos, os arqueólogos esperavam encontrar os traços usuais de uma sociedade à beira da revolução agrícola. Devia haver sobras de grãos de trigo e cevada selvagens e talvez ossos de ovelhas e cabras abatidas em algum estágio inicial de domesticação.

Os arqueólogos não encontraram nada do tipo. Em vez disso, para sua completa surpresa, eles desenterraram os amplos restos de ossos de porco. A descoberta, segundo eles, sugere fortemente que o porco foi o primeiro animal que as pessoas domesticaram para se alimentar. A diminuição do tamanho dos molares foi um dos vários indícios de que a transformação de javalis em porcos estava em andamento naquela época. A análise de radiocarbono colocou a data em 10.000 a 10.400 anos atrás”, disse na época o jornalista do tabloide estadunidense.

“Eu era professor na Universidade de Michigan (Estados Unidos), conheço o Richard (Redding), ele produziu dados incríveis citando as primeiras cidades organizadas por conta da domesticação dos porcos. Quando as pessoas operavam caprinos, ovinos e bovinos, era mais fácil tropear, ir de um lugar a outro. Já o porco era mais difícil. Enquanto eles tinham cabras e ovelhas e bovinos podiam ser nômades. Quando os suínos começaram a aproveitar restos de alimentação dos humanos, esses organizaram-se em pequenas vilas. Os suínos transformaram humanos nômades em sedentários, até mesmo por seu comportamento, que forçou que isso acontecesse”, destaca, mencionando: “gosto dessa ideia do suíno domesticando o humano, fazendo o humano parar”. “São dados muito robustos de pesquisas científicas demonstrando que a partir da domesticação as pessoas ficaram sedentárias”, reforça o professor da USP.

Entre esses dados, estão algumas evidências que demonstram essa domesticação, como os dentes molares dos porcos já menores e ossos de animais preferencialmente machos e jovens, indicando que as fêmeas eram poupadas para a reprodução.

Suíno na saúde humana

No início deste ano o americano David Bennett, de 57 anos, se tornou a primeira pessoa no mundo a receber um transplante de coração geneticamente modificado de um porco. Ele morreu dois meses depois, no Centro Médico da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. No entanto, o xenotransplante inédito foi considerado um sucesso. Para o professor Zanella, em um futuro não muito distante suínos geneticamente modificados poderão ser usados para doar vários órgãos aos seres humanos.

Um trabalho publicado em novembro de 2021 pela revista Science Translational Medicine, da Associação Americana

Fotos: Arquivo/OP Rural

para o Avanço da Ciência (American Association for the Advancement of Science), assinado pelos pesquisadores Joan K. Lunney, Angélica Van Goor, Kristen E. Walker, Taylor Hailstock, Jasmim Franklin e Chaohui Dai, deixa claro a importância do suíno na condução de pesquisas e desenvolvimento de produtos e processos para melhorar e até salvar vidas humanas. “Os porcos têm um potencial substancial como modelos biomédicos para estudar processos de desenvolvimento humano, doenças congênitas e mecanismos de resposta a patógenos, além da utilidade como doadores de órgãos de xenotransplante e ferramentas para o projeto de vacinas e medicamentos. A semelhança dos porcos com os humanos em tamanho e estrutura anatômica, fisiologia, imunologia e genoma aumenta seu potencial como modelos para humanos. Portanto, é imperativo que a pesquisa seja relevante e reprodutível em modelos animais que se assemelhem mais aos humanos, como o porco”, resume a pesquisa.

“Quase ninguém sabe da relação dos suínos com as Ciências Biomédicas. Muitas pessoas ficaram sabendo um pouco com esse caso desse transplante de coração que ocorreu nos Estados Unidos recentemente, m as existem histórias que precedem isso. Para citrar um exemplo, o ventilador pulmonar desenvolvido pela Escola Politécnica da USP foi testado em suínos. Esse equipamento que salvou milhares de vidas no período da pandemia. Os testes clínicos foram feitos com suínos, no hospital da USP, por veterinários. Hoje esses ventiladores pulmonares estão em todo o Brasil. E pesquisadores fizeram isso em laboratórios no mundo inteiro”, destaca o professor Zanella.

O professor destaca ainda outras importantes contribuições da suinocultura para a saúde humana, como uso de anestésicos. “O suíno foi o primeiro animal que respirou com anestesia. Só depois foi testado em humanos”. Ele explica porque a ciência usa o suíno e não outros animais “Hoje, como animal para pesquisa biomédica, é um dos mais importantes do mundo inteiro. A fisiologia do suíno é muito parecida com a do humano. Do ponto de vista comparativo, ratos e camundongos são modelos piores, sem comparação. Usar primatas como modelos esbarra em questões éticas. O melhor modelo é o suíno”.

Em seu doutorado, em 1992, na Universidade de Cambridge, Zanella fez um trabalho sobre ansiedade e depressão usando modelos de suínos. “Publiquei e continuo publicando em questões de psiquiatria, psicologia, usando o suíno como modelo. Doenças psiquiátricas, doenças de pele, oncológicas, etc. O suíno contribui em várias áreas biomédicas”, destacou, lembrando que para as pesquisas existe uma rigorosa preocupação para manter o bem-estar do animal preservado, sem causar dor ou sofrimento.

Suíno adaptável

Algumas hipóteses mostram porque os suínos foram os preferidos dos primeiros povos a se fixar na terra. Um deles é que o animal, em relação aos demais, como caprinos e bovinos, produz muito mais carne com a energia consumida em suas dietas. O outro é que o suíno é altamente adaptável, como de tudo.

Foto: Jonathan Campos/AEN

Essa adaptabilidade, de acordo com Zanella, pode ser usada a favor da suinocultura atual, que experimenta uma forte crise pela alta dos insumos, especialmente milho e soja, base da nutrição desses animais. “A gente produz a melhor carne, processa uma variedade de produtos, precisamos abrir mão de milho e soja apenas. A gente vai ter que descobrir um jeito de alimentar os suínos fugindo do binômio milho e soja. Quem está limitado não é o suíno, somos nós”, pontua Zanella.

O suíno e o desenvolvimento econômico e sustentável

Outros estudos, aponta Zanella, mostram que a atual suinocultura “feita de forma organizada tem uma pegada de carbono muito menor”. Fiz um trabalho em cooperação com a Universidade de Cambridge para avaliar os indicadores de sustentabilidade em propriedades rurais do Brasil. Percebemos que esses indicadores de sustentabilidade melhoraram, como mais controle na produção do grão, no uso de microbianos, destinação de dejetos e práticas de bem-estar animal. “A suinocultura hoje é muito forte em sustentabilidade”, destaca.

O professor também destaca a importância de manter as famílias em pequenas propriedades rurais, como no Sul do país, onde as fazendas são menores que em regiões como no Centro-oeste. “A suinocultura é um importante instrumento para a sustentação das famílias nas áreas rurais do Sul do Brasil. Tenho um carinho enorme pela forma como a suinocultura ajudou a organizar o Sul do Brasil”, destacou, reforçando que neste momento ele tem acompanhado as dificuldades em pequenas cooperativas da região. “O custo humano do colapso das pequenas propriedades seria enorme com o agravamento da crise”.

Zanella também é suinocultor. A paixão veio do pai, no interior do Rio Grande do Sul, e segue até hoje. “Da granja formei filho em Agronomia, filha em Medicina e continuo na suinocultura, tenho muito orgulho”, frisa.

Unir forças pelos suínos

Para Zanella, o setor precisa se mobilizar para atravessar esse momento difícil. Ele defende a união até mesmo de empresas concorrentes para garantir saúde à atividade. “Precisamos abrir mais espaço da carne suína para comercialização em uma estratégia tem que envolver as indústrias, fazer uma campanha de embelezamento do suíno, tem que abraçar a causa, negociar dificuldades com estratégias. Precisamos criar uma rede nacional para salvar a suinocultura. O suíno só vai ser forte se tiver união de todos os segmentos, ninguém é dispensável. As pessoas que estão mais estáveis nesse universo volátil têm que dar a mão para outros para cruzarmos essa dificuldade. Depois compete de novo, mas agora o ideal é uma estratégia coordenada para aumentar o consumo e aumentar o preço na gôndola. Isso dá pra fazer”, sugere o pesquisador e professor da USP. “A gente opera de forma fragmentada, somos ilhas, precisamos construir pontes”, reforça.

Com muito sentimento pela atividade, Zanella reforça que não quer assistir as pequenas propriedades ou pequenas empreses sucumbirem à crise. “Tenho muita gratidão pela suinocultura. Não quero assistir esse colapso”, reforça o professor Adroaldo Zanella.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes

Especialista sugere alternativas na hora de comprar ou vender milho

Cenário de elevação dos preços dos grãos e demais insumos que compõem a ração animal deve persistir, apesar das recentes estimativas de uma boa safra de grãos.

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Arquivo/OP Rural

Entre os principais insumos da ração, o milho e o farelo de soja representam em torno de 70% dos custos da cadeia produtiva de proteína animal, despesa que tem impactado de forma significativa produtores de todos os setores que produzem alimento, porém de maneira mais intensa nos últimos meses. Neste contexto, o sócio proprietário da XP/Granoeste Investimentos, Robson Polotto, aponta tendências do mercado de grãos para a atual temporada e alternativas para driblar os altos custos.

Sócio proprietário da XP/Granoeste Investimentos, Robson Polotto: “A saída para o produtor é estar antenado, ter a conta na mão e saber o que precisa, tendo consciência do que é bom para ele” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

O profissional enfatizou que o setor de proteína animal vive um dos momentos mais desafiadores, uma vez que o poder de compra do produtor frente aos grãos, principalmente o milho, está nas mínimas históricas. “E ao que tudo indica esse cenário de elevação dos preços dos grãos e demais insumos que compõem a ração animal deve persistir, apesar das recentes estimativas de uma boa safra de grãos. O atual conflito bélico e os problemas climáticos enfrentados no último ano, que resultaram em quebra da safra de soja, milho e trigo principalmente, contribuíram para essa alta, uma vez que o consumo está maior que a oferta”, analisou Polotto.

Com estoque inicial de 9,6 milhões de toneladas de milho, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) prevê 24,3 milhões de toneladas da safra de verão 2021/2022, enquanto para a safrinha estima-se 86,3 milhões de toneladas. Para a 3ª safra são estimadas 1,8 milhão de toneladas, com importação de 1 milhão de toneladas, o que totaliza oferta brasileira de 123,1 milhões de toneladas. Deste montante, 74,4 milhões de toneladas são destinadas para uso doméstico, 39,3 milhões de toneladas para exportação, gerando um estoque final de 9,3 milhões de toneladas (gráfico abaixo).

Em relação a demanda e a oferta de milho da safra 2021/2022, no mês de fevereiro, conforme levantamento da Conab, a oferta disponível de milho no mercado interno era de 5,9 milhões de toneladas, volume estimado para 35 dias de consumo de acordo com a demanda. Nos meses subsequentes, a disponibilidade do cereal em relação aos dias de consumo foi reduzida, com previsão para atingir a mínima no mês de maio, quando o volume de 6,1 milhões de toneladas frente a demanda pelo grão deve suprir apenas o consumo para 28 dias. A partir de junho, a capacidade de oferta do grão aumenta com o término da colheita de milho, com previsão para agosto de 6,5 milhões de toneladas, volume que será equivalente para 25 dias de consumo.

Estoque mensal

Em relação as estimativas da Conab com as previsões de estoque mensal de milho da safra 2021/2022 (MMT), Polotto diz a partir de junho, depois da redução de maio, os estoques foram sendo repostos com o término da colheita da primeira safra de milho, aumentando significamente os volumes de armazenamento, passando a estocagem para 46,4 milhões de toneladas em julho e para 55,2 milhões de toneladas em agosto, com baixas significativas dos volumes estocados nos meses seguintes (gráfico abaixo), fechando 2022 com estoque final de 9,3 milhões de toneladas.

Preços dos grãos em patamares elevados persistem

Segundo Polotto, os preços devem se manter em patamares elevados seguindo a tendência dos valores internacionais, acrescido da expectativa de menor disponibilidade de milho no spot nacional no primeiro semestre deste ano. No mercado futuro da Bolsa de Valores BM&F, o milho está sendo comercializado para julho a R$ 90,28; para setembro a R$ 89,35; para novembro a R$ 91,9; para janeiro/2023 a R$ 93,7 e para março/2023 a R$ 94,3. “No início de abril as cooperativas estavam ofertando a saca de milho safrinha de 60kg para compra antecipada a R$ 78”, relata Polotto.

 Spreads da Bolsa de Valores

Para melhorar as margens de lucro do setor produtivo, o empresário orienta os agricultores a aproveitar os spreads da Bolsa de Valores, indicador que auxilia o investidor a verificar quais ações possuem maior liquidez na Bolsa de Valores em relação à demanda do milho regional, relativos aos preços.

Polotto diz que é muito importante que o produtor fique atento ao que acontece globalmente – conflito entre Rússia e Ucrânia, plantio de milho nos Estados Unidos e nos principais países produtores, impactos da seca na produção brasileira, que inclusive afetou também o Paraguai, país que será um ofertante de milho safrinha ao mercado nacional – para saber como utilizar a compra antecipada de uma maneira que consiga um grão mais barato, porque isso vai impactar diretamente nos custos de produção da propriedade e dará um pouco de fôlego ao produtor nas margens da proteína, que hoje estão negativas. “O mercado é volátil, dinâmico, o que vale hoje, amanhã ou daqui um mês já não vale, e a Bolsa tem spreads, que em tese melhoram a performance com uma alta ou baixa, além de ter modalidade de seguros interessantes neste momento”, pontua.

Comercialização do cereal

Na hora de comercializar a safra, parte dos agricultores fica receosa se vai conseguir vender ou não o grão por um bom preço e na melhor época. Essa preocupação se justifica porque vários são os fatores que podem influenciar no momento da negociação do produto, entre eles clima, economia global, oferta maior ou menor do cereal no mercado, o que reflete nas movimentações de compra e venda e nos preços agrícolas. “A saída para o produtor é estar antenado, ter a conta na mão e saber o que precisa, tendo consciência do que é bom para ele”, declara Polotto.

Conforme Polotto, existem inúmeras formas de se obter mais rentabilidade na venda de grãos e a diversificação dessas modalidades de comercialização pode diminuir seus riscos. “Há algumas operações no mercado futuro para venda de grãos que podem ser realizadas pelos agricultores, entre elas a modalidade Hedge, na qual os preços são fixados antes da venda com o objetivo de proteger o valor dos grãos devido à grande instabilidade do mercado”, expõe.

Polotto dá um exemplo de uma operação com seguro de preço (Hedge). “Em novembro de 2021 a oferta de venda de farelo de soja para abril, maio e junho de 2022 estava por R$ 2.130,00/ton CIF. Em março na Bolsa de Chicago o mesmo produto estava U$S 357,00/ton, um seguro de baixa para o farelo de soja em março de 2022 custava U$S 28,00/ton, como o dólar estava R$ 5,60 teria custo de R$156,80/ton, ou seja, para saber o custo total da comercialização do grão no mercado futuro com seguro soma R$ 2.130 + R$ 156,80, cujo resultado é R$ 2.286,80/ton. O custo do farelo em abril estava sendo vendido por R$ 2.713,35/ton, o equivalente a 18,65% de custo a mais”, ressalta.

Para ficar atualizado e por dentro de tudo que está acontecendo no setor suinícola e da piscicultura acesse gratuitamente a edição digital Suínos e Peixes.

Fonte: O Presente Rural
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Suínos / Peixes

A saúde dos leitões começa in utero: como desenvolver a imunocompetência dos leitões antes e após o nascimento?

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Divulgação DSM

A produção de suínos enfrenta desafios constantes e crescentes para gerar animais de forma mais sustentável e rentável, além de alcançar padrões mais altos de bem-estar que atendam às necessidades dos animais e à demanda dos consumidores. Enquanto as demandas aumentam, as ferramentas tradicionais usadas para superar os desafios – como os antibióticos e o óxido de zinco terapêutico – estão sendo restringidas em muitas partes do mundo devido à ameaça da resistência antimicrobiana. Ao mesmo tempo, os avanços da genética têm levado a uma tendência de hiperprolificidade nas matrizes, o que cria desafios adicionais. O maior número de leitões por fêmea por ano resultou em uma maior variação do peso ao nascimento e mais desafios metabólicos para a reprodutora, o que por sua vez afeta o início da produção de colostro e leite, aumentando assim o risco de se ter leitões menos robustos ao desmame e perdas de desempenho em uma idade mais avançada.

Imunocompetência de leitões recém-nascidos

O leitão recém-nascido é imaturo em muitos aspectos e a primeira semana de vida é crítica para sua saúde futura e os resultados de produtividade. Durante esses primeiros dias de vida, o intestino passa por um rápido desenvolvimento, aumentando a capacidade digestiva e absortiva. Paralelamente, a colonização do intestino pelos microrganismos está muito avançada e tem um papel fundamental na composição do microbioma intestinal e estímulo ao desenvolvimento do tecido linfoide associado ao intestino (GALT), onde se encontram mais de 70% das células imunológicas. Em nossa busca por estratégias mais sustentáveis para apoiar o cuidado com os leitões durante as primeiras etapas da vida a arma mais poderosa de que dispomos normalmente é ignorada: a imunocompetência do leitão.

A imunocompetência é vital para a vida, porém seu desenvolvimento e utilização têm um custo associado para todos os animais, especialmente os jovens. Esse é um equilíbrio delicado: para funcionar efetivamente, o sistema imunológico deve responder adequadamente aos vários estímulos que se apresentam, produzindo uma resposta imune somente às ameaças reais e mantendo-se sem resposta aos estímulos de baixo grau. No entanto, nos leitões jovens o sistema imunológico é muito imaturo e incapaz de distinguir facilmente os diferentes níveis de ameaça, respondendo a todos como ameaças reais. Sabe-se que a imunocompetência dos leitões começa in utero, continua com a ingestão de colostro e leite (imunidade passiva), e pesquisas recentes têm demonstrado que o microbioma intestinal desempenha um papel essencial na preparação do desenvolvimento do intestino e sistema imunológico. Para preparar melhor os leitões para o desafio do desmame e mais além, o desenvolvimento da imunocompetência deve ser promovido através de duas vias:

  1. sistêmica, aumentando a qualidade da imunidade passiva recebida da porca; e
  2. local, via modulação do microbioma intestinal para preparar o desenvolvimento do sistema imunológico da mucosa (Figura 1).

 

A imunocompetência se desenvolve através de duas vias:

Figura 1. Abordagem nutricional multicomponente da DSM para otimizar o desenvolvimento da imunocompetência de leitões.

A imunocompetência tem várias vias de desenvolvimento, incluindo os programas de vacinação para proteger os animais contra os patógenos, a biosseguridade para controlar a exposição aos agentes causadores de doenças e o apoio nutricional para otimizar a resistência e mitigar o risco de antígenos. A vacinação é efetiva, porém cara energeticamente devido à resposta imune associada, e seu uso só se justifica no caso de patógenos virulentos que causam altas taxas de mortalidade. Portanto, a nutrição equilibrada é um pré-requisito para manter um bom estado de saúde e otimizar o sistema imunológico dos leitões.

Desenvolvimento da imunocompetência sistêmica

O desenvolvimento da imunocompetência sistêmica de um leitão recém-nascido é altamente dependente da nutrição da mãe, começando in utero e continuando com uma boa qualidade e quantidade de colostro e leite. Portanto, a nutrição e saúde da matriz e sua capacidade de transferi-las aos leitões são fundamentais para o desenvolvimento de um sistema imunológico precoce e robusto. Sabe-se que os micronutrientes como as vitaminas D3, E, C e várias vitaminas do complexo B, assim como os minerais, têm benefícios imunomoduladores. Os leitões nascem com baixos níveis sanguíneos de vitaminas e a alta demanda desses compostos para apoiar o desenvolvimento e ativação imunológica frequentemente resulta em leitões deficientes. Considerando as maiores exigências de uma fêmea moderna para criar uma leitegada maior, deve-se ter uma abordagem mais precisa de micronutrição para a nutrição das mesmas durante o final da gestação e a lactação para apoiar a ótima qualidade e rendimento do colostro.

Para funcionar efetivamente, o sistema imunológico sistêmico precisa ser hábil na proliferação e regulação das células imunológicas e estar protegido contra os danos celulares causados pelo desequilíbrio redox. As vitaminas E e C foram reconhecidas há muito tempo por sua capacidade de atuar como potentes antioxidantes que previnem os danos oxidativos às células imunológicas. A viabilidade dos leitões pode ser melhorada através de uma ótima suplementação de vitamina E na dieta de fêmeas durante a gestação e lactação (Wang et al., 2017). Mais recentemente, tem havido um maior entendimento do papel da vitamina Dou, ainda mais importante, de seu principal metabólito (25-OH vitamina D3), na imunomodulação. Uma das principais funções da vitamina Dé não apenas apoiar a ativação das células imunológicas e a produção de peptídeos antimicrobianos, mas também limitar as respostas excessivas. Os leitões nascem com níveis muito baixos de 25-OH vitamina D3 no sangue e esses níveis raramente alcançam o nível mínimo e muito menos a faixa ótima para apoiar a imunidade. Entendendo o papel crítico da vitamina D3 na função imune, sabemos que os leitões podem estar em desvantagem sem os níveis adequados de vitaminas. Konowalchuk et al. (2013) reportaram que a suplementação de vitamina D3 e da forma 25-OH vitamina D3 em particular resultou em um aumento do número e ativação das células imunológicas em leitões desmamados.

Desenvolvimento da imunocompetência local

O tecido linfoide associado ao intestino local (p. ex., conteúdo do lúmen intestinal) desempenha um papel crítico na defesa do organismo dos leitões contra o ambiente externo. Seu desenvolvimento é impulsionado pelo estabelecimento precoce de um microbioma intestinal diverso e estável cuja magnitude e impacto se estendem até mais além do intestino para o desenvolvimento do tecido imunológico em outros órgãos, como os pulmões. No entanto, esses mecanismos ainda não são totalmente compreendidos. O desenvolvimento do microbioma intestinal começa assim que os leitões deixam as condições estéreis do útero e são muito influenciados pelo microbioma da mãe e seu ambiente imediato. A colonização microbiana orienta o desenvolvimento gastrointestinal e modula a função de barreira epitelial, que é a primeira linha de defesa. A colonização microbiana precoce também modula as respostas imunes inata e adaptativa, afetando a capacidade do hospedeiro de produzir respostas inflamatórias adequadas e resistir às doenças. Desenvolver e manter um microbioma intestinal diverso e estável é crítico para a resiliência dos patógenos e o ótimo funcionamento do intestino em um ambiente com uso reduzido de medicamentos. Existem várias ferramentas nutricionais disponíveis para apoiar o desenvolvimento de uma comunidade bacteriana equilibrada no intestino. A administração de probióticos como Enterococcus faecium parece ter mais sucesso em matrizes durante o final da gestação e lactação para orientar a inclusão precoce de cepas benéficas no microbioma intestinal em desenvolvimento, mas ainda maleável. Outra estratégia para apoiar um microbioma intestinal saudável das fêmeas e, portanto, beneficiar os leitões, é melhorar a digestibilidade das fibras. As xilanases aumentam o aporte de fibras prebióticas e energia, que são cruciais no período de balanço energético negativo durante a lactação.

Para preparar os leitões para superar os desafios associados ao desmame e mais além, é fundamental desenvolver a imunocompetência o mais cedo possível através de uma abordagem nutricional multicomponente. A nutrição otimizada da fêmea com as vitaminas E, C e D melhora os níveis séricos de vitaminas dos leitões ao nascimento, assim como a qualidade do colostro, resultando em uma maior imunidade passiva e melhor desempenho da leitegada. No momento do nascimento, moldar a colonização microbiana precoce do intestino com microrganismos benéficos como os probióticos é crucial para estimular a imunocompetência e evitar a diarreia. Durante a lactação, assegurar os níveis corretos de vitamina D nas matrizes otimiza o aporte de vitaminas no colostro e leite; os probióticos estimulam a colonização precoce do intestino e reduzem a incidência de diarreia durante o período de lactação; e as xilanases aumentam o aporte de energia líquida através de uma maior digestibilidade das fibras, produzindo posbióticos como os ácidos graxos de cadeia curta e resultando em leitões robustos e mais pesados ao desmame.

—- Por Mariana Masiero

 Mariana Masiero é graduada pela Universidade de São Paulo (USP), possui PhD em Ciência Animal com foco em Nutrição Animal pela Universidade de Missouri, EUA. Ingressou na Biomin®, que agora é parte da DSM, em 2019 como Gerente Global de Produto para Fitogênicos. Atualmente, é Gerente Global de Marketing de Suínos.

Fonte: Ass. de Imprensa DSM
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Suínos / Peixes Sanidade do rebanho

PSA e PSC poderiam causar US$ 10 bilhões em prejuízos à suinocultura brasileira, avalia Embrapa

Somente um programa robusto de biosseguridade é que pode evitar a entrada dessa e de outras doenças na grande área produtiva do Brasil.

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Foto: Jonathan Campos/AEN

Manter as granjas protegidas de patógenos que afetam a sanidade dos rebanhos é de suma importância para a manutenção do desenvolvimento da suinocultura de forma sustentável e lucrativa no Brasil. Neste contexto, a biosseguridade tem papel fundamental na proteção de planteis, granjas e propriedades rurais, uma vez que evita a entrada e a disseminação de agentes infecciosos.

De acordo com a médica-veterinária e virologista da Embrapa Suínos e Aves, Danielle Gava, somente a Peste Suína Africana e a Peste Suína Clássica poderiam causar um prejuízo de US$ 10 bilhões caso as doenças fossem detectadas na suinocultura industrial brasileira. Ela destacou alguns aspectos práticos que trazem ameaças reais para a atividade, enaltecendo que a contribuição de todos os elos da cadeia é primordial para manter o atual status sanitário brasileiro.

Médica-veterinária e virologista da Embrapa Suínos e Aves, Danielle Gava: “Ao flexibilizarmos algum ponto da biosseguridade vamos abrir brecha para que algum vírus circule e possa entrar dentro do plantel” – Foto: Jaqueline Galvão/OP Rural

Segundo a profissional, várias doenças ameaçaram a produção mundial de suínos nas últimas duas décadas, exigindo dos produtores a adoção de medidas de biosseguridade para controle, erradicação e proteção de seus rebanhos. A maioria das enfermidades foi causada por vírus, entre eles alguns zoonóticos, como a gripe suína em 2009, provocada pelo vírus da Influenza A – o H1N1 – doença respiratória transmissível entre humanos e animais. “Nos últimos 20 anos aconteceram pelos menos 20 introduções de vírus de humanos para suínos, por isso é fundamental possuir um plano de vacinação para o subtipo correto”, reforçou Danielle, ampliando: “Os vírus que circulam no Brasil de Influenza são diferentes do restante que circula no mundo, ou seja, vacinas de outros países não vão funcionar para os vírus brasileiros”, esclareceu.

Danielle ressalta que a adoção de algumas medidas como cerca periférica de isolamento, controle do tráfego de veículos no perímetro da granja e a troca de roupa e calçados antes de entrar em uma unidade produtiva contribui para manter a saúde dos animais e mitigar riscos de contaminação e disseminação de agentes infecciosos.

Impacto econômico

Segundo a virologista, o impacto econômico de doenças como a Peste Suína Africana e a Peste Suína Clássica no sistema de produção por si só já justifica a adoção de medidas de biosseguridade.

Foto: Divulgação

Para mensurar a importância sanitária, ela diz que é primordial que a cadeia produtiva – da granja à agroindústria – busque responder as seguintes perguntas: Quanto custa o impacto de uma doença na granja? Quanto custa cada dia não produtivo? Quanto custa o leitão que não nasceu? Quanto vale a mortalidade? Quanto custa uma grama perdida na conversão alimentar? “Essas são algumas perguntas a se fazer para mensurar o prejuízo econômico que o setor poderá ter em caso da entrada de uma doença no plantel, porque, por exemplo, em relação a conversão alimentar, um grama parece pouco, mas em uma granja que entrega cinco mil terminados significa um montante considerável”, pontua Danielle.

Conforme a virologista, levando em consideração apenas o número de leitões desmamados por ano em zonas livres, se houvesse a entrada da Peste Suína Africana (PSA) em território brasileiro o impacto econômico na cadeia produtiva seria bilionário, superando a casa de U$S 5,5 bilhões. E no caso da Peste Suína Clássica (PSC), levando em conta que 99% da produção de suínos no Brasil é em zona livre, a entrada desse vírus causaria um prejuízo entre U$S 1,3 a U$S 4,5 bilhões.

“Ao flexibilizarmos algum ponto da biosseguridade vamos abrir brecha para que algum vírus circule e possa entrar dentro do plantel, seja através do contato com javalis, alimentação contaminada com o vírus da PSA ou PSC, carcaça de animais mortos ou outros animais asselvajados”, elenca Danielle.

Biosseguridade interna

Conforme Danielle, quando se trata de biosseguridade nas granjas, ela considera dois atores muito importantes e que merecem atenção redobrada: suínos e pessoas. “É uma cadeia que está envolvida na produção de animais, então se um elo da corrente se perder deixamos a granja suscetível a vários agentes infecciosos. Quando isso acontece ou vamos introduzir animais infectados dentro do plantel ou eventualmente levar esse agente para o rebanho”, menciona.

A médica-veterinária afirma que existe uma íntima associação entre a biosseguridade interna e a biosseguridade externa, enfatizando que as granjas que possuem um número maior de leitões desmamados e uma menor rotatividade de pessoas conseguem cumprir com melhor eficácia as medidas de biosseguridade.

A biosseguridade interna está relacionada à prevenção para evitar a multiplicação e disseminação de agentes no rebanho, afim de minimizar a propagação de doenças e diminuir a pressão de infecções dentro do sistema de produção. Dentre as medidas que devem ser adotadas estão banho e troca de roupas e calçados para entrada no perímetro interno da granja; controle do fluxo de veículos, sendo que os caminhões usados para transporte de suínos e de ração devem possuir identificação própria e serem usados exclusivamente para este fim. Aqueles que adentraram a área interna da cerca de isolamento precisam passar pelo sistema de desinfecção; possuir um programa auditável de prevenção e controle de vetores e pragas, como roedores, insetos e pássaros; limpeza e desinfecção deve ser realizada logo após a saída do rebanho, higienizando toda a instalação e equipamentos usados para manejo dos animais, especialmente o piso, os comedouros e os bebedouros. Ao término da limpeza, a granja deve ser mantida fechada para evitar a entrada de pessoas e animais; o vazio sanitário deve durar por um período de cinco a sete dias para que seja eficiente; e deve-se adotar um protocolo de vacinação levando em consideração problemas sanitários que ocorreram em lotes anteriores ou na região em que a granja está instalada.

Biosseguridade externa

A biosseguridade externa, cita a profissional, engloba a proteção do rebanho contra a entrada de agentes infecciosos, contribuindo desta forma para a redução de doenças endêmicas, além de ter o papel de impedir que doenças exóticas adentrem às granjas.

Entre as medidas a serem tomadas estão delimitação da área interna da unidade de produção com a instalação de uma cerca periférica de isolamento, com afastamento mínimo de cinco metros da granja, impedindo desta forma o acesso de pessoas e animais no entorno da propriedade; embarcadouro e desembarcadouro instalado próximo a cerca de isolamento e com portão, para que possa ser mantido sempre fechado; barreira sanitária instalada na entrada da granja, abrangendo vestiário sanitário, câmara de desinfecção e sistema de desinfecção de veículos; a instalação do silo de ração recomenda-se que seja na área interna e próximo a cerca de isolamento, permitindo fácil acesso para abastecimento pela área externa. Em caso de a ração não ser estocada em silo, orienta-se que o produto esteja bem embalado e seja armazenado em local arejado; a granja deve possuir composteira para destinação de suínos mortos, restos placentários e sobras de ração; o sistema de tratamento de dejetos deve ser cercado para evitar o acesso de pessoas e animais e deve ser feito em área fora da cerca de isolamento.

Como posso melhorar a minha granja?

De acordo com a profissional, dentro do plano de biosseguridade há medidas de curto e longo prazos, que precisam ser adotadas, mas sua aplicação está associada ao tempo que leva e ao investimento. “O que se pode fazer de imediato é melhorar a higiene, o manejo, o fluxo de pessoas na granja, etc. Essas ações vão exigir apenas a reorganização do sistema de trabalho”, destaca Danielle.

Já medidas a longo prazo estão associadas as instalações das granjas, como construção de um arco de desinfecção e melhorias nas vias de acesso à propriedade. E ainda há medidas de monitoramento contínuo, relacionadas principalmente as pessoas, ou seja, atreladas à responsabilidade de cada funcionário dentro e fora da granja.

A profissional destaca que os produtores precisam proteger as granjas todos os dias e não apenas hoje ou em determinadas situações em que há visitação à granja. “É importante lembrar que a granja não é shopping center, realmente é preciso prezar pelas medidas de biosseguridade, evitar o fluxo de pessoas todos os dias e o tempo inteiro na área de isolamento da granja” enfatiza a virologista.

Capacitação constante

A profissional destaca que é fundamental que os veterinários, produtores de suínos e controladores de javalis participem constantemente de treinamento, a fim de que possam reconhecer os sintomas da PSC e de outras enfermidades. “Conhecer as características da doença é primordial, porque diferentes agentes, vírus ou bactérias podem causar doenças semelhantes; identificar fatores de risco, adequar o sistema de vigilância, fazer quarentena, capacitar os laboratórios de diagnóstico para atender as demandas rápidas, possuir um plano de contingência, bem como garantir apoio legal e recursos aos produtores são medidas importantes para garantir a biosseguridade nas granjas”, detalha Danielle.

Conforme a virologista, sempre existe um momento e espaço para melhorias dentro da granja, no entanto o excesso de medidas pode levar os produtores a negligenciar etapas importantes do processo. “É importante que todos os elos da cadeia produtiva estejam comprometidos em manter o status sanitário invejável que o país possui. Cada um tem sua participação e contribuição, por isso é imprescindível não negligenciar nenhuma etapa”, salienta Danielle.

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Fonte: O Presente Rural
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