Conectado com

Suínos Dez mil anos de convívio

Humanos e suínos: uma relação que vai muito além da carne

Professor Adroaldo Zanella faz profunda reflexão sobre a relação de suínos e seres humanos. Mais do que carne, o animal foi fundamental para a criação das primeiras cidades, há cerca de oito mil anos, recentemente foi o modelo para o desenvolvimento de ventiladores pulmonares no enfrentamento à Covid-19 no Brasil e é esperança para acabar com as filas de transplantes de órgãos no mundo em um futuro próximo

Publicado em

em

São pelo menos dez mil anos de relação entre suínos e os seres humanos. Em todo esse tempo, desde a domesticação até os dias de hoje, os suínos deram muito mais do que carne para as pessoas. Do surgimento das primeiras cidades na antiguidade até as pesquisas contra o câncer a depressão nos dias de hoje, esses animais fantásticos ajudaram o homem a moldar o mundo em que vive atualmente.

Com a crise que afeta a suinocultura brasileira pela alta dos custos e preços baixos, o professor Adroaldo Zanella faz uma profunda reflexão nessa relação entre porcos e humanos, sobre os riscos econômicos e sociais que a atividade corre, mas também o xeque dessa rica e duradoura história. “Não quero ser expectador desse colapso. É preciso criar uma rede nacional para salvar a suinocultura”.

O porco e as primeiras cidades

PhD em Bem-Estar Animal e professor da Universidade Federal de São Paulo (USP), Adroaldo Zanella: “Os porcos têm um potencial substancial como modelos biomédicos para estudar processos de desenvolvimento humano” – Foto: Arquivo/OP Rural

Em entrevista exclusiva ao jornal O Presente Rural, o PhD em Bem-Estar Animal e professor da Universidade Federal de São Paulo (USP), Adroaldo Zanella, inicia falando sobre a domesticação desses animais e a relação com o sedentarismo, quando o homem deixou de ser nômade. A história mais difundida para esse fato está ligada à agricultura, quando o homem se fixou por começar a produzir seus próprios grãos.

No entanto, há estudos que sugerem outra hipótese. Os primeiros colonos domesticaram os porcos antes de dominar o plantio. Não tem animal doméstico de maior contribuição para a humanidade do que o suíno. A teoria mais aceitável hoje na questão da organização da sociedade humana em cidades é a teoria da domesticação de suínos”, destaca.

Zanella embasa sua crença em evidências propostas como a do Dr. Richard Redding, um arqueólogo da Universidade de Michigan e membro da equipe que, em meados dos anos de 1990, fez a principal descoberta que reforça a teoria do sedentarismo ligada à domesticação de porcos.

Sua teoria foi publicada, em 1994, e publicada on-line em 1996, pelo New York Times, que na época introduziu o texto da seguinte forma a seguir: “Cavando nas ruínas de uma vila no Sudeste da Turquia, onde as pessoas viviam há mais de 10 mil anos, os arqueólogos esperavam encontrar os traços usuais de uma sociedade à beira da revolução agrícola. Devia haver sobras de grãos de trigo e cevada selvagens e talvez ossos de ovelhas e cabras abatidas em algum estágio inicial de domesticação.

Os arqueólogos não encontraram nada do tipo. Em vez disso, para sua completa surpresa, eles desenterraram os amplos restos de ossos de porco. A descoberta, segundo eles, sugere fortemente que o porco foi o primeiro animal que as pessoas domesticaram para se alimentar. A diminuição do tamanho dos molares foi um dos vários indícios de que a transformação de javalis em porcos estava em andamento naquela época. A análise de radiocarbono colocou a data em 10.000 a 10.400 anos atrás”, disse na época o jornalista do tabloide estadunidense.

“Eu era professor na Universidade de Michigan (Estados Unidos), conheço o Richard (Redding), ele produziu dados incríveis citando as primeiras cidades organizadas por conta da domesticação dos porcos. Quando as pessoas operavam caprinos, ovinos e bovinos, era mais fácil tropear, ir de um lugar a outro. Já o porco era mais difícil. Enquanto eles tinham cabras e ovelhas e bovinos podiam ser nômades. Quando os suínos começaram a aproveitar restos de alimentação dos humanos, esses organizaram-se em pequenas vilas. Os suínos transformaram humanos nômades em sedentários, até mesmo por seu comportamento, que forçou que isso acontecesse”, destaca, mencionando: “gosto dessa ideia do suíno domesticando o humano, fazendo o humano parar”. “São dados muito robustos de pesquisas científicas demonstrando que a partir da domesticação as pessoas ficaram sedentárias”, reforça o professor da USP.

Entre esses dados, estão algumas evidências que demonstram essa domesticação, como os dentes molares dos porcos já menores e ossos de animais preferencialmente machos e jovens, indicando que as fêmeas eram poupadas para a reprodução.

Suíno na saúde humana

No início deste ano o americano David Bennett, de 57 anos, se tornou a primeira pessoa no mundo a receber um transplante de coração geneticamente modificado de um porco. Ele morreu dois meses depois, no Centro Médico da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos. No entanto, o xenotransplante inédito foi considerado um sucesso. Para o professor Zanella, em um futuro não muito distante suínos geneticamente modificados poderão ser usados para doar vários órgãos aos seres humanos.

Um trabalho publicado em novembro de 2021 pela revista Science Translational Medicine, da Associação Americana

Fotos: Arquivo/OP Rural

para o Avanço da Ciência (American Association for the Advancement of Science), assinado pelos pesquisadores Joan K. Lunney, Angélica Van Goor, Kristen E. Walker, Taylor Hailstock, Jasmim Franklin e Chaohui Dai, deixa claro a importância do suíno na condução de pesquisas e desenvolvimento de produtos e processos para melhorar e até salvar vidas humanas. “Os porcos têm um potencial substancial como modelos biomédicos para estudar processos de desenvolvimento humano, doenças congênitas e mecanismos de resposta a patógenos, além da utilidade como doadores de órgãos de xenotransplante e ferramentas para o projeto de vacinas e medicamentos. A semelhança dos porcos com os humanos em tamanho e estrutura anatômica, fisiologia, imunologia e genoma aumenta seu potencial como modelos para humanos. Portanto, é imperativo que a pesquisa seja relevante e reprodutível em modelos animais que se assemelhem mais aos humanos, como o porco”, resume a pesquisa.

“Quase ninguém sabe da relação dos suínos com as Ciências Biomédicas. Muitas pessoas ficaram sabendo um pouco com esse caso desse transplante de coração que ocorreu nos Estados Unidos recentemente, m as existem histórias que precedem isso. Para citrar um exemplo, o ventilador pulmonar desenvolvido pela Escola Politécnica da USP foi testado em suínos. Esse equipamento que salvou milhares de vidas no período da pandemia. Os testes clínicos foram feitos com suínos, no hospital da USP, por veterinários. Hoje esses ventiladores pulmonares estão em todo o Brasil. E pesquisadores fizeram isso em laboratórios no mundo inteiro”, destaca o professor Zanella.

O professor destaca ainda outras importantes contribuições da suinocultura para a saúde humana, como uso de anestésicos. “O suíno foi o primeiro animal que respirou com anestesia. Só depois foi testado em humanos”. Ele explica porque a ciência usa o suíno e não outros animais “Hoje, como animal para pesquisa biomédica, é um dos mais importantes do mundo inteiro. A fisiologia do suíno é muito parecida com a do humano. Do ponto de vista comparativo, ratos e camundongos são modelos piores, sem comparação. Usar primatas como modelos esbarra em questões éticas. O melhor modelo é o suíno”.

Em seu doutorado, em 1992, na Universidade de Cambridge, Zanella fez um trabalho sobre ansiedade e depressão usando modelos de suínos. “Publiquei e continuo publicando em questões de psiquiatria, psicologia, usando o suíno como modelo. Doenças psiquiátricas, doenças de pele, oncológicas, etc. O suíno contribui em várias áreas biomédicas”, destacou, lembrando que para as pesquisas existe uma rigorosa preocupação para manter o bem-estar do animal preservado, sem causar dor ou sofrimento.

Suíno adaptável

Algumas hipóteses mostram porque os suínos foram os preferidos dos primeiros povos a se fixar na terra. Um deles é que o animal, em relação aos demais, como caprinos e bovinos, produz muito mais carne com a energia consumida em suas dietas. O outro é que o suíno é altamente adaptável, como de tudo.

Foto: Jonathan Campos/AEN

Essa adaptabilidade, de acordo com Zanella, pode ser usada a favor da suinocultura atual, que experimenta uma forte crise pela alta dos insumos, especialmente milho e soja, base da nutrição desses animais. “A gente produz a melhor carne, processa uma variedade de produtos, precisamos abrir mão de milho e soja apenas. A gente vai ter que descobrir um jeito de alimentar os suínos fugindo do binômio milho e soja. Quem está limitado não é o suíno, somos nós”, pontua Zanella.

O suíno e o desenvolvimento econômico e sustentável

Outros estudos, aponta Zanella, mostram que a atual suinocultura “feita de forma organizada tem uma pegada de carbono muito menor”. Fiz um trabalho em cooperação com a Universidade de Cambridge para avaliar os indicadores de sustentabilidade em propriedades rurais do Brasil. Percebemos que esses indicadores de sustentabilidade melhoraram, como mais controle na produção do grão, no uso de microbianos, destinação de dejetos e práticas de bem-estar animal. “A suinocultura hoje é muito forte em sustentabilidade”, destaca.

O professor também destaca a importância de manter as famílias em pequenas propriedades rurais, como no Sul do país, onde as fazendas são menores que em regiões como no Centro-oeste. “A suinocultura é um importante instrumento para a sustentação das famílias nas áreas rurais do Sul do Brasil. Tenho um carinho enorme pela forma como a suinocultura ajudou a organizar o Sul do Brasil”, destacou, reforçando que neste momento ele tem acompanhado as dificuldades em pequenas cooperativas da região. “O custo humano do colapso das pequenas propriedades seria enorme com o agravamento da crise”.

Zanella também é suinocultor. A paixão veio do pai, no interior do Rio Grande do Sul, e segue até hoje. “Da granja formei filho em Agronomia, filha em Medicina e continuo na suinocultura, tenho muito orgulho”, frisa.

Unir forças pelos suínos

Para Zanella, o setor precisa se mobilizar para atravessar esse momento difícil. Ele defende a união até mesmo de empresas concorrentes para garantir saúde à atividade. “Precisamos abrir mais espaço da carne suína para comercialização em uma estratégia tem que envolver as indústrias, fazer uma campanha de embelezamento do suíno, tem que abraçar a causa, negociar dificuldades com estratégias. Precisamos criar uma rede nacional para salvar a suinocultura. O suíno só vai ser forte se tiver união de todos os segmentos, ninguém é dispensável. As pessoas que estão mais estáveis nesse universo volátil têm que dar a mão para outros para cruzarmos essa dificuldade. Depois compete de novo, mas agora o ideal é uma estratégia coordenada para aumentar o consumo e aumentar o preço na gôndola. Isso dá pra fazer”, sugere o pesquisador e professor da USP. “A gente opera de forma fragmentada, somos ilhas, precisamos construir pontes”, reforça.

Com muito sentimento pela atividade, Zanella reforça que não quer assistir as pequenas propriedades ou pequenas empreses sucumbirem à crise. “Tenho muita gratidão pela suinocultura. Não quero assistir esse colapso”, reforça o professor Adroaldo Zanella.

Fonte: O Presente Rural

Suínos

Biosseguridade exige constância e disciplina para proteger a suinocultura brasileira

Especialista alerta, no Congresso da Abraves, que o avanço da produção e do comércio global amplia riscos sanitários e exige ações preventivas cada vez mais rigorosas.

Publicado em

em

Fotos: Shutterstock

A biosseguridade permanece como um dos pilares mais estratégicos da suinocultura, especialmente em um cenário de intensificação produtiva, concentração regional de granjas e ampliação dos fluxos comerciais globais.

A biosseguridade reúne um conjunto de práticas voltadas tanto à prevenção da entrada de agentes patogênicos nos sistemas produtivos quanto ao controle da disseminação de doenças já presentes nas granjas. Trata-se de um conceito que ultrapassa os limites da propriedade rural e se estende aos níveis regional, nacional e até global, diante da interconexão sanitária entre os principais países produtores de suínos. “A suinocultura mundial convive com desafios sanitários importantes e interligados. Mesmo países com status sanitário favorável para determinadas doenças não estão livres de riscos, o que reforça a necessidade de vigilância permanente e protocolos rigorosos de biosseguridade”, alertou o médico-veterinário especialista em Saúde e Produção Suína, Maurício Dutra, durante sua participação no 21º Congresso Nacional da Abraves, realizado em meados de outubro, em Belo Horizonte (MG).

Dados internacionais mostram que grandes produtores, como União Europeia, Estados Unidos, China, Rússia, Vietnã e Brasil, enfrentam a circulação contínua de agentes como PED/TGE, influenza, PCV-2, Aujeszky e PRRS. No entanto, a Peste Suína Africana (PSA) figura como o maior desafio sanitário da atividade, após sua disseminação acelerada na Ásia a partir de 2018.

De acordo com Dutra, o setor não tem observado o surgimento de novos agentes etiológicos nas últimas décadas, mas sim um aumento expressivo na virulência e na capacidade de adaptação de patógenos já conhecidos, o que torna o controle mais complexo. “Os principais desafios continuam sendo enfermidades virais de elevado impacto econômico, seja pela ausência de vacinas efetivas, seja pela elevada letalidade. Isso justifica a adoção de ações efetivas de prevenção”, enfatizou.

Lições da Peste Suína Africana

Embora a PSA esteja ausente no Brasil há mais de 40 anos, o especialista ressaltou que o país pode e deve aprender com experiências internacionais e com seu próprio histórico. A enfermidade, descoberta em 1921 e endêmica na África, provocou três grandes ondas de disseminação global. Na segunda delas, nas décadas de 1960 e 1970, o Brasil foi afetado após a introdução do vírus por restos de alimentos provenientes de voos internacionais. “A contaminação teve início em 1978, e o país só foi declarado livre em 1984, após perdas diretas estimadas em US$ 13 milhões, além de impactos sociais e econômicos expressivos, como falência de pequenos produtores, desemprego e queda de cerca de 40% no consumo de carne suína”, relembrou Dutra.

Foto: Ari Dias/AEN

O controle da doença, segundo ele, só foi possível com a adoção rigorosa de práticas de biosseguridade em duas fases distintas – emergencial e de erradicação, que deixaram como legado instrumentos ainda vigentes, como o monitoramento das Granjas de Reprodutores Suídeos Certificados (GRSC) e a regionalização sanitária para a Peste Suína Clássica.

Atualmente, mesmo com a existência de vacinas vivas contra a PSA, a baixa eficiência e o risco de reversão de virulência mantêm a biosseguridade como principal ferramenta de prevenção. Dutra destacou medidas como quarentena para animais de reposição, desinfecção adequada de caminhões, barreiras sanitárias com banho e troca de roupas e o controle rigoroso da entrada ilegal de produtos de origem animal no país.

PED e PRRS reforçam importância da prevenção

Outras enfermidades também reforçam o papel central da biosseguridade. A Diarréia Epidêmica Suína (PED), embora não seja nova, reemergiu com alta virulência após adaptação viral, causando mortalidade de até 100% em leitões lactantes sem imunização prévia. “Mesmo com vacinas disponíveis, a prevenção depende fortemente de cuidados com fômites, meios de transporte e contaminação alimentar”, explicou Dutra.

Já a Síndrome Reprodutiva e Respiratória Suína (PRRS), confirmada laboratorialmente desde 1991, segue como uma das doenças de maior impacto econômico, com perdas estimadas entre USD 6,25 e USD 15,25 por animal vendido. Estratégias combinadas de vacinação, manejo e biosseguridade, incluindo práticas como McRebel, carregamento escalonado e uso de filtros de ar em regiões de alta densidade produtiva, têm mostrado resultados relevantes.

“A adoção integrada dessas medidas caracteriza a chamada ‘nova geração da biosseguridade’, que reduziu significativamente os surtos de PRRS nos Estados Unidos quando aplicada de forma completa”, ressaltou.

Desafios crescentes no Brasil

No contexto nacional, Dutra alertou para o aumento dos desafios sanitários nas últimas décadas, com a presença de influenza desde 2009, Doença de Aujeszky em 2011, cepas multirresistentes de Brachyspira, além do crescimento de casos de salmonelose, Senecavírus Tipo A, encefalomiocardite e diferentes genótipos de PCV-2.

Apesar disso, levantamentos indicam que ainda há espaço relevante para avanços na adoção plena das práticas de biosseguridade no país. “Essas práticas têm sido eficientes, mas a jornada é longa, árdua e contínua. Novos desafios surgem com cepas mais virulentas, reemergência de doenças e novas formas de transmissão”, afirmou.

Para Dutra, o fato de enfermidades como PSA, PED e PRRS ainda serem exóticas no Brasil representa uma oportunidade estratégica. “Temos o privilégio de aprender com os erros e acertos de outros países e agir de forma proativa e responsável, protegendo cada sistema de produção e a sustentabilidade da suinocultura brasileira”, concluiu.

A edição também está disponivel na versão digital, com acesso gratuito. Para ler a versão completa online, clique aqui. Boa leitura!

Fonte: O Presente Rural
Continue Lendo

Suínos

ABCS aposta em campanha para impulsionar consumo de carne suína

Iniciativa busca ampliar demanda interna diante da pressão sobre preços e aumento da produção.

Publicado em

em

Fotos: Shutterstock

A Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) decidiu lançar uma edição especial da campanha “Bom de Preço, Bom de Prato” como resposta estratégica ao atual cenário da suinocultura, marcado pelo aumento da produção, retração do consumo interno e pressão sobre os preços pagos ao produtor, apoiando assim os produtores em um cenário desafiador.

Apesar do bom desempenho das exportações em 2026, que cresceram expressivamente no primeiro trimestre, o volume exportado não tem sido suficiente para equilibrar o mercado doméstico. Isso ocorre porque o setor enfrenta dois fatores simultâneos: o aumento da produção e a retração do consumo interno. Essa combinação pressiona as cotações e impacta diretamente a rentabilidade do produtor, exigindo ações coordenadas para estimular a demanda dentro do país.

É nesse contexto que a ABCS antecipa a campanha Bom de Preço, Bom de Prato,  apostando de forma rápida e certeira no fortalecimento do consumo interno como principal alavanca para reequilibrar o mercado. A iniciativa reforça ao consumidor brasileiro que a carne suína é uma proteína com excelente custo-benefício, acessível, versátil, saborosa e adequada ao dia a dia, buscando ampliar sua presença na mesa das famílias e, consequentemente, aumentar sua venda no pequeno, médio e grande varejo.

A edição especial da campanha intitulada “A melhor escolha do momento” tem início imediato e deve alcançar milhões de consumidores com ações coordenadas em todo o país. A estratégia está estruturada em três frentes principais: varejo, influência digital e mobilização da cadeia produtiva. No varejo, a iniciativa prevê materiais de ponto de venda e comunicação em loja, com foco em destacar o custo-benefício e a versatilidade da carne suína, incentivando a decisão de compra e o aumento do giro da proteína.

Já no ambiente digital, a campanha contará com conteúdos e vídeos produzidos em parceria com influenciadores, como o médico, Dr. Bruno Monteze, o nutricionista, Jefferson Jorge, a nutrichef, Clariana Colaço, e o chef de cozinha Jimmy Ogro, que juntos somam mais de 3 milhões de seguidores nas redes, ampliando o alcance da mensagem e aproximando o produto do cotidiano do consumidor.

Presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes: “A antecipação da campanha “Bom de Preço, Bom de Prato” representa, portanto, um movimento importante para fortalecer o consumo interno, equilibrar o mercado e dar mais sustentação à suinocultura brasileira” – Foto: Divulgação/ABCS

A terceira frente envolve a ativação de toda a cadeia, com a disponibilização gratuita de materiais e conteúdos para o sistema ABCS os demais agentes da cadeia que queiram se juntar a força tarefa de promover o consumo, permitindo a replicação da campanha em diferentes regiões e ampliando sua escala nacional.

O presidente da ABCS, Marcelo Lopes, explica que com essa iniciativa, a ABCS reforça seu compromisso com o setor, mostrando ao produtor que está atenta ao cenário e atuando de forma proativa para enfrentar os desafios. “A antecipação da campanha “Bom de Preço, Bom de Prato” representa, portanto, um movimento importante para fortalecer o consumo interno, equilibrar o mercado e dar mais sustentação à suinocultura brasileira”, concluiu.

A ABCS realizou na última quarta-feira (22), uma reunião para entregar essa campanha e explicar a estratégia de utilização para todo o Sistema, contribuintes do FNDS e varejos parceiros, onde o presidente da ABCS, reforçou a importância da participação de todos para multiplicar a campanha, convocando os presentes para que a iniciativa chegue a todos os brasileiros.

A ABCS também aproveitou a ocasião para apresentar um panorama de mercado atual, para ajudar a explicar o momento que o setor tem vivido. Ao final, o presidente da Asemg, Donizetti Ferreira, parabenizou a ABCS pela campanha e reforçou a necessidade do engajamento de todos: “Acreditamos que vai nos ajudar a alavancar o consumo, é só nos dedicarmos a replicar o material”. Renato Spera, presidente da Asumas, concordou: “Achei fantástico. A campanha será crucial para atravessarmos a crise.” Iuri Pinheiro Machado, diretor executivo da Agigo também parabenizou a ABCS por acelerar essa campanha diante do momento atual, e da demanda dos suinocultores, segundo ele: “A crise sempre gera oportunidade, e essa é uma grande oportunidade para ganhar mais espaço no varejo pela competitividade da carne suína”, finalizou.

Fonte: Assessoria ABCS
Continue Lendo

Suínos

Exportação recorde não segura queda das cotações do suíno

Alta de 32,8% nos embarques em março não impediu recuo dos preços no mercado interno, com pressão da oferta e piora na rentabilidade do produtor.

Publicado em

em

Foto: Shutterstock

O Brasil segue mantendo crescimento significativo de exportações de carne suína. Em março deste ano o país exportou 152,2 mil toneladas entre in natura e processados (tabela 1), 32,8% acima do embarcado em março/25. O volume ficou 1,4% superior ao até então recorde mensal, que havia sido atingido em setembro/25. Março também foi o mês com a maior média diária embarcada de carne suína in natura (5.980 toneladas/dia útil), a maior da série histórica da Secex, iniciada em 1997.

Tabela 1. Exportações brasileiras de carne suína total (in natura e processados) em MARÇO de 2026, em toneladas, comparado a março de 2025. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.

No acumulado do ano, fechamos o primeiro trimestre de 2026 com 15,3% (+44,5 mil toneladas) a mais de carne in natura que o mesmo período do ano passado (tabela 2), com destaque para as Filipinas, que no período representou mais de 30% do volume exportado.

Tabela 2. Exportação brasileira de carne suína in natura por destino no PRIMEIRO TRIMESTRE de 2026 (em toneladas) comparado com o mesmo período de 2025. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados da Secex.

Ainda não foram publicados os dados consolidados de abate do primeiro trimestre do ano, mas números preliminares do SIF (Serviço de Inspeção Federal), indicam um crescimento ao redor de 4% em número de cabeças em relação ao mesmo período de 2025, nos estabelecimentos sob esta inspeção. Se considerarmos que as exportações cresceram quase 16% no período, e que os embarques representam em torno de 25% da destinação da produção de carne suína do Brasil, pode-se inferir que quase tudo que se produziu a mais foi exportado, não havendo sobreoferta significativa no mercado doméstico. Porém, as cotações do suíno vivo e das carcaças (gráficos 1 e 2), especialmente nas últimas semanas, “derreteram”, indicando um desequilíbrio entre oferta e demanda.

Gráfico 1. Indicador SUÍNO VIVO – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em MG, PR, RS, SC e SP, diário, nos últimos 30 dias úteis (até dia 20/04/26 em destaque). Fonte: CEPEA.

Gráfico 2. Indicador CARCAÇA SUÍNA ESPECIAL – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em São Paulo/SP, diário, nos últimos 60 dias úteis, até dia 20/04/2026. Fonte: CEPEA

No acumulado de abril/26, a queda acentuada do preço do suíno, concomitante à alta do boi gordo fez com que a competitividade da carcaça suína em relação à bovina atingisse o melhor patamar desde março de 2022 (gráfico 3). Por outro lado, em relação ao frango resfriado a competitividade da carcaça suína em abril/26 é a melhor desde setembro de 2022 (gráfico 4). Ou seja, no atacado o suíno está relativamente barato em relação ao boi e ao frango. Estas correlações não obrigatoriamente se repetem no varejo na mesma proporção, pois cada proteína e cada elo da cadeia de valor tem sua dinâmica, mas a tendência é que o consumidor, em algum momento, identifique estas diferenças que podem pesar na sua escolha.

Gráfico 3. Relação percentual (razão) entre o valor mensal do quilograma da carcaça suína e o valor do quilograma da carcaça bovina em São Paulo (SP). Em destaque o mês de abril/26 (média até dia 20/04) e o mês de março/22, último mês em que esteve abaixo de 38%. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do Cepea.

Gráfico 4. Relação percentual (razão) entre o valor mensal do kg de frango resfriado e o valor do quilograma da carcaça suína em São Paulo (SP). Em destaque o mês de abril/26 (média até dia 20/04) e o mês de setembro/22, último mês em que esteve acima de 78%. Elaborado por Iuri P. Machado, com dados do Cepea.

Com o plantio da segunda safra de milho finalizado a “sorte está lançada”. A irregularidade das chuvas em abril elevou os riscos de perdas. As cotações voltaram a cair (gráfico 5) e a percepção é que a safrinha, mesmo que ainda tenha perdas por clima, será grande. A Conab reviu a safra total de milho 2025/26 para 139,6 milhões de toneladas, mas, segundo o Mbagro, não está descartada uma alta de preços mais a frente caso a condição das lavouras piore.

Gráfico 5. Preço médio diário do MILHO (R$/SC 60kg) em CAMPINAS-SP, nos últimos 30 dias úteis, até dia 20/04/2026. Fonte: CEPEA

Mesmo com o recuo das cotações do milho e o farelo de soja estável, a queda acentuada do preço do suíno fez com que a relação de troca com os principais insumos da atividade despencasse para um patamar “perigoso”, abaixo de 5,0; um valor considerado de alto risco para determinar prejuízo na atividade, dependendo da produtividade da granja. A última vez que esta relação de troca esteve abaixo de 5,0 foi em dezembro de 2023 (gráfico 6).

Gráfico 6. Relação de troca SUÍNO: MIX milho + farelo de soja (R$/kg) em São Paulo, de abril/23 a abril/26 (até dia 20/04). Relação de troca considerada ideal, acima de 5,00 Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740g de milho e 260g de farelo de soja. Média de abril de 2026 até dia 20/04/2026. Elaborado por Iuri P. Machado com dados do CEPEA – preços estado de São Paulo

Considerações finais

Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, apesar das exportações em alta os meses de março e abril/26 são os piores no quesito preço pago ao produtor, desde que saímos da última crise. “O quadro só não é mais grave por conta de uma relativa estabilidade nos preços dos principais insumos (milho e farelo de soja), mas a relação de troca já determina margens negativas na produção. Há um evidente desequilíbrio entre oferta e demanda da carne suína em um cenário que não deve mudar no curtíssimo prazo. Torcemos para que a entrada do inverno e o início da Copa do Mundo de Futebol, além da aproximação das eleições possam aquecer a demanda no médio prazo. Um alento é que a competitividade da carne suína em relação às outras carnes oportuniza expandir o consumo e ocupar mais espaço na mesa do consumidor brasileiro”, conclui.

Fonte: Assessoria ABCS
Continue Lendo

NEWSLETTER

Assine nossa newsletter e recebas as principais notícias em seu email.