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Uma Expointer diferente: saiba como serão os protocolos sanitários dentro da maior feira agropecuária da América Latina

Evento ocorrerá no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, de 4 a 12 de setembro

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Fernando Dias

Depois de se reinventar para oferecer uma edição totalmente digital durante a pandemia de Covid-19 em 2020, a Expointer passa por mais uma transformação: neste ano contará com a presença do público, limitado a 15 mil visitantes por dia, e com rigorosos protocolos de saúde para garantir a segurança de visitantes e trabalhadores. O evento ocorrerá no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, de 4 a 12 de setembro.

Para possibilitar essa participação, a organização da feira contou com estudos do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs), da Secretaria da Saúde, que definiu protocolos sanitários específicos para diversos setores da Expointer.

O cuidado começa na bilheteria, que será on-line para evitar contato e aglomerações com filas. Os ingressos serão vendidos pela internet, antecipadamente, mediante o preenchimento de um formulário elaborado pelo Cevs. No momento da compra do bilhete, a pessoa vai responder um questionário informando o seu estado de saúde e se comprometendo a cumprir os protocolos sanitários. Os portões de acesso ao parque ficarão abertos das 8h às 19h30.

O uso de máscara será obrigatório. Dentro do parque, haverá dispensers de álcool gel e lavatórios de mãos em pontos estratégicos. Além disso, 150 monitores treinados pela Secretaria da Saúde farão abordagens educativas sobre a prevenção contra a Covid-19, orientarão sobre uso da máscara e ajudarão a verificar o cumprimento das regras sanitárias.

Não será obrigatório estar vacinado contra o coronavírus para participar do evento. No entanto, projeções do governo do Estado indicam que todos os adultos terão recebido pelo menos a primeira dose da vacina até a semana da feira. Os visitantes também não precisarão apresentar teste negativo para a Covid-19. Por outro lado, o público interno (expositores, copromotores, trabalhadores em geral), que estará presente durante os nove dias de Expointer, deverá providenciar o exame e apresentar o resultado negativo ou não detectável para Covid, no primeiro dia de acesso ao parque.

Estarão proibidas as seguintes atividades dentro do Parque: eventos como happy hour, coquetéis, entre outros; oferta de produtos para degustação; excursões; parque de diversões; qualquer tipo de shows, atividades promocionais ou ações que possam gerar aglomeração de pessoas; música alta que prejudique a comunicação entre clientes; danças, bailes e a permanência de pessoas em pé em ambientes fechados.

A secretária da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (SEAPDR), Silvana Covatti, ressalta que esta Expointer vai oportunizar um ambiente seguro e controlado para que produtores rurais, empresas e visitantes transmitam à sociedade a importância do agro gaúcho e do cuidado com a vida das pessoas. “Mesmo durante a pandemia, nosso agronegócio se fortaleceu e atendeu as necessidades de alimentação da população rural e urbana. Com alimentos de qualidade, também promovemos saúde”, comenta.

A secretária da Saúde, Arita Bergmann, destaca o caráter colaborativo desta feira, onde os próprios visitantes irão contribuir com a segurança do evento. “Se os visitantes se cuidarem e seguirem as regras, irão se sentir protegidos e fazer sua parte para o sucesso da maior feira agropecuária do Estado”, afirma. A diretora do Cevs, Cynthia Molina Bastos, acrescenta que o objetivo da vigilância é que a Expointer seja um espaço de vivência e experiência em saúde. “Que seja uma intervenção simples e inovadora com perspectiva de esclarecer e informar de forma prática e concreta”, pontua Cynthia.

Processo de triagem

Todas as pessoas passarão por triagem cada vez que acessarem o Parque Assis Brasil. Haverá verificação de temperatura e orientação quanto ao uso da máscara e demais regras sanitárias. Só será autorizada a entrada de quem estiver com boas condições de saúde.

Cercamento eletrônico

Para controlar a circulação de pessoas em áreas do parque que costumam ser bastante demandadas pelos visitantes, haverá monitoramento em tempo real de quatro espaços: Pavilhão da Agricultura Familiar, Pavilhão do Comércio, Pavilhão Internacional e Boulevard e imediações. Caso o número limite de pessoas seja alcançado nestas áreas “sensíveis”, as catracas serão bloqueadas até que se reduza a circulação. O controle será feito por tecnologia, com software e telas de monitoramento disponibilizados por empresa contratada.

Alimentação

O comércio de alimentos e bebidas será realizado exclusivamente em espaços locados junto à organização do Parque e em local sinalizado e específico, ficando proibido o comércio ambulante. O público não poderá consumir alimentos ou bebidas quando em movimento na praça de alimentação, nos pavilhões e nas áreas de circulação do parque – o consumo só será permitido em locais próprios e devidamente sinalizados para este fim.

Os restaurantes das agroindústrias familiares, dentro do Pavilhão da Agricultura Familiar, deverão seguir os mesmos regramentos previstos para os demais serviços de alimentação. Os restaurantes deverão ter separação física do restante do pavilhão, com distanciamento compatível e suficiente para não promover a formação de filas. As bancas que comercializarem alimentos e bebidas para consumo imediato, como sucos, pastéis, entre outros, deverão orientar os clientes a consumirem os produtos nas mesas e espaços exclusivos para consumo de alimentos e bebidas, podendo ser no próprio espaço dos restaurantes.

Os serviços de alimentação deverão obedecer aos seguintes regramentos:

  • Disponibilizar talheres higienizados e de forma individual.
  • Organizar a disposição das mesas de modo a assegurar distanciamento mínimo de dois metros entre cada uma, evitando que ocorra aglomeração e diminuindo o cruzamento entre os clientes e trabalhadores.
  • As cozinhas e demais espaços de trabalho deverão respeitar o distanciamento mínimo de um metro entre os trabalhadores e a lotação máxima permitida.
  • Operação de sistema de buffet deve possuir protetor salivar, servido por funcionário(s), que devem realizar a lavagem prévia das mãos com água e sabão ou com utilização de álcool 70% ou sanitizante similar, mantendo distanciamento entre clientes e com uso de máscara de maneira adequada.
  • Apenas clientes sentados e em grupos de até cinco pessoas. Vedada a permanência de clientes em pé durante o consumo de alimentos ou bebidas.
  • Evitar o uso de toalhas de tecido nas mesas ou outro material que dificulte a limpeza e, não sendo possível, realizar a troca após cada utilização.
  • Fixar, em local visível ao público e aos colaboradores, informativos com o teto máximo de ocupação e orientações sobre a necessidade de higienização das mãos, uso obrigatório de máscara, distanciamento entre as pessoas, ventilação e limpeza dos ambientes.

Leilões e premiações

Os leilões e as premiações deverão ocorrer, preferencialmente, de forma on-line. Quando ocorrerem de forma presencial, haverá restrição de público conforme metragem e características das áreas: se o ambiente é ventilado, espaço de circulação, entre outros aspectos.

Não serão permitidos coquetéis, degustações e ofertas de alimentos e bebidas durante os leilões e premiações, exceto quando ocorrerem em restaurantes, com público exclusivamente sentado e obedecendo todas as regras estipuladas para os serviços de alimentação.

Palestras e treinamentos

Podem ser realizados de forma on-line (preferencialmente), presencial ou híbrida. Quando realizados de forma presencial, devem respeitar as seguintes normas:

  • Distanciamento mínimo de 1,5 metro entre os assentos.
  • Somente pessoas sentadas, exceto palestrantes e apresentadores.
  • Respeitar o teto máximo permitido do ambiente, considerando uma pessoa a
    cada quatro metros quadrados.
  • Palestrantes e apresentadores não poderão retirar a máscara.
  • Microfones deverão ser higienizados antes do uso e nas trocas a cada palestrante ou interlocutor, e devem ser utilizados, preferencialmente, com algum tipo de proteção de barreira física ou ensacados.
  • Intervalo mínimo de 30 minutos entre as programações, a fim de permitir adequada troca de ar e higienização do ambiente.
  • Manter o ambiente com ventilação natural suficiente.

Fonte: Assessoria

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Dados contestam argumento dos EUA para taxar o Brasil

Estudo recente lança dúvidas sobre a alegação ambiental usada para justificar a sobretaxa.

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Foto: Eufran Amaral

A alegação do governo dos Estados Unidos de que o desmatamento no Brasil justificaria a aplicação de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros não encontra respaldo em dados ambientais, avalia o secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini. Para ele, a questão ambiental está sendo utilizada como argumento para sustentar uma medida de caráter político e comercial. “O governo Trump está usando a questão ambiental para impor barreiras comerciais que servem apenas como uma desculpa. O próprio governo Trump virou as costas para a agenda ambiental ao retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris”, afirmou Astrini.

Secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini: “O governo Trump está usando a questão ambiental para impor barreiras comerciais que servem apenas como uma desculpa” – Foto: Divulgação/OC

Segundo o ambientalista, a justificativa perde força diante do fato de que outros países também registram desmatamento, mas não foram alvo de medidas tarifárias semelhantes. “É uma medida puramente política. Não tem relação com a questão ambiental. Trata-se apenas de um pretexto para impor uma barreira comercial ao Brasil”, disse.

Astrini também destaca que a política brasileira de combate ao desmatamento foi reforçada nos últimos anos com a retomada das ações de fiscalização. Entre os fatores apontados por ele está o fortalecimento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que recebeu recursos do Fundo Amazônia para ampliar as operações de controle.

Os números mais recentes do Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD 2025), elaborado pelo MapBiomas, indicam redução da perda de vegetação nativa no país. Em 2025, o Brasil desmatou 984.794 hectares, queda de 20,6% em relação a 2024. Foi a primeira vez, desde 2019, que a área desmatada ficou abaixo de 1 milhão de hectares em um único ano.

Apesar da redução, Amazônia e Cerrado concentraram mais de 84% de toda a área desmatada no país. O Cerrado

Foto: Divulgação

permaneceu como o bioma com maior perda de vegetação nativa, com 540.614 hectares desmatados, o equivalente a 54,9% do total nacional, embora tenha registrado redução de 16,9% frente ao ano anterior.

Na Amazônia, a área desmatada somou 289.478 hectares, recuo de 23,5% na comparação com 2024. O Pantanal apresentou a maior redução proporcional entre os biomas, com queda de 48,4%, totalizando 12.260 hectares desmatados.

O MapBiomas, iniciativa formada por universidades, organizações da sociedade civil e empresas de tecnologia voltada ao monitoramento da cobertura e do uso da terra no Brasil, também aponta que a expansão da agropecuária continua sendo o principal fator associado ao desmatamento. Nos últimos

Foto: Divulgação/TV Brasil

sete anos, essa atividade respondeu por mais de 97% da perda de vegetação nativa e, somente em 2025, esteve relacionada a 99% da área desmatada no país.

O levantamento mostra ainda que 99% da área desmatada ligada ao garimpo concentrou-se na Amazônia, principalmente no Pará. Já os desmatamentos associados à implantação de empreendimentos de energia renovável ocorreram quase integralmente na Caatinga, responsável por 97% dessa categoria. Nas áreas urbanas, o desmatamento aumentou 7% em relação a 2024, com maior concentração no Cerrado e na Amazônia, que responderam por mais de 60% da vegetação nativa suprimida para expansão urbana.

Fonte: O Presente Rural com Agência Brasil
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Suinocultura encontra na mão de obra estrangeira uma resposta à falta de trabalhadores

Alejandro atravessou sozinho a fronteira para trabalhar em granjas brasileiras. Hoje, a esposa cursa técnico em Enfermagem, a filha sonha com Medicina Veterinária e a família já fala em permanecer no Brasil.

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Milton Melz ao lado de Marlene Cristina Costa e Alejandro Cardoso, que deixaram a Argentina para trabalhar na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, em Iporã do Oeste (SC) - Fotos: Divulgação

Há quatro anos, quando deixou a Argentina para tentar a vida no Brasil, Alejandro Cardoso carregava mais dúvidas do que certezas. Veio sozinho, em busca de trabalho. A esposa, Marlene Cristina Costa, e as filhas Cintia e Guadalupe permaneceram no país de origem. Hoje, a família vive reunida em Iporã do Oeste, no Extremo-Oeste catarinense, trabalha na suinocultura e já cogita um passo que parecia distante quando atravessou a fronteira: vender a casa na Argentina e construir uma nova vida definitivamente em solo brasileiro.

A história da família reflete uma realidade cada vez mais presente nas propriedades rurais do Sul do país. Diante da dificuldade de contratar trabalhadores brasileiros, granjas e agroindústrias passaram a contar com um número crescente de imigrantes para manter as operações.

Marlene Cristina Costa integra atualmente a equipe do setor de amamentação da Granja Barra Grande: “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”

Na Granja Barra Grande, integrada à Cooper A1, onde a família trabalha atualmente, seis dos 23 colaboradores são argentinos. “Se não fosse a mão de obra estrangeira, nós estávamos sem mão de obra aqui”, afirma o sócio da granja, o mestre em Administração e especialista em Agronegócio Milton Melz.

A propriedade possui uma Unidade Produtora de Desmamados (UPD) com duas mil matrizes e um crechário para nove mil leitões. Melz também é sócio da Granja Bom Plano, em Vista Gaúcha (RS), igualmente integrada à Cooper A1, que opera outra UPD com duas mil matrizes e mantém 19 funcionários.

Segundo ele, a presença de trabalhadores argentinos deixou de ser exceção e se tornou parte da rotina produtiva da região. “Essa é uma realidade não só da nossa granja. A maioria das granjas do Oeste catarinense está usando mão de obra argentina, principalmente”, ressalta.

Recomeço em outro país

Antes de chegar ao Brasil, Alejandro nunca havia trabalhado na suinocultura. Na Argentina, atuou em serralheria e em atividades rurais. Marlene trabalhou durante anos com venda de passagens e como secretária.

O primeiro contato com a atividade ocorreu já em território brasileiro, quando o casal começou a trabalhar em outra granja. Há quase um ano, ambos ingressaram na Granja Barra Grande. Hoje, Alejandro atua como tratador de animais. Marlene trabalha no setor de amamentação.

Alejandro Cardoso trabalha como tratador na Granja Barra Grande: “A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”

A mudança foi motivada pela busca de condições econômicas mais favoráveis. Embora possuam casa própria na Argentina, o casal afirma que o alto custo de vida dificultava a construção de uma vida mais confortável. “Estamos muito felizes no Brasil. Eu vejo meus pais felizes, conseguem pagar as contas e ainda sobra dinheiro. Estamos vivendo melhor aqui”, relata a filha mais velha, Cintia, de 16 anos.

A adaptação, porém, não ocorreu sem obstáculos. Apesar de o casal já utilizar o chamado ‘portunhol’ no cotidiano, o idioma representou uma barreira importante para as filhas. A dificuldade foi tão significativa que as duas retornaram temporariamente para a Argentina e permaneceram cerca de um ano no país enquanto os pais continuavam trabalhando no Brasil. “Na Argentina a gente falava portunhol, então não tivemos problemas em nos comunicar aqui. A minha adaptação e da Marlene foi rápida, diferente das nossas filhas, que tiveram inicialmente dificuldade com o português na escola”, conta Alejandro.

Escola, trabalho e novas oportunidades

Com a família completa no Brasil, a rotina começou a se estabilizar. Cintia atualmente cursa o segundo ano do Ensino Médio em escola pública. A irmã Guadalupe, de oito anos, também está matriculada na rede de ensino.

A adolescente diz perceber diferenças significativas entre os sistemas educacionais dos dois países. “Eu vejo muita diferença nos estudos. Os professores têm paciência para nos entender e para explicar os mais diversas assuntos. Na Argentina é muito difícil que um professor explique bem, porque lá os professores faltam muito na escola. Às vezes ficam uma semana inteira sem dar aula”, relata.

Além do trabalho na suinocultura, a família argentina encontrou espaço para o lazer e faz das viagens uma forma de conhecer melhor a região onde decidiu construir uma nova vida

Ela também destaca aspectos práticos da rotina escolar. “Lá na Argentina tem que pagar o transporte e o lanche na escola. Aqui no Brasil é ofertado de forma gratuita”, conta, entusiasmada.

Animada com a nova fase, Cintia já traçou objetivos para o futuro. “Quero continuar estudando e fazer faculdade de Medicina Veterinária”, destacou.

A busca por qualificação também faz parte dos planos da mãe. “Estou feliz trabalhando na granja, mas gostaria de ser uma profissional da saúde”, menciona Marlene, contando que iniciou um curso técnico em Enfermagem e pretende continuar os estudos após a conclusão da formação. “Na Argentina eu já tinha feito curso de agente de saúde. Depois de concluir este curso, quero fazer faculdade de Enfermagem. Meu objetivo é seguir neste ramo”, enfatizou.

Reconhecimento e qualidade de vida

Na avaliação da família, a experiência na Granja Barra Grande trouxe mais do que estabilidade financeira. Eles destacam reconhecimento profissional, respeito nas relações de trabalho e melhores condições para planejar o futuro.

A jornada ocorre das 07 às 11 horas e das 13 às 17 horas. “É um horário bom de trabalhar. Sempre dá para a gente sair e conhecer lugares novos. Gostamos muito disso”, relata Alejandro.

O trabalhador lembra que uma das primeiras conquistas veio poucos meses após chegar ao Brasil. “Com três meses trabalhando aqui já consegui comprar um carro. Era simples, mas nos levava para todos os lugares”, relembra, contando que tinha um Gol e agora conseguiu trocá-lo por um Siena.

Além do salário, o casal recebe benefícios como vale-alimentação, almoço na granja, auxílio para combustível e participação a cada três meses nos resultados da atividade. “À medida que o resultado melhora, eles também ganham mais”, frisa Melz.

Integração além da porteira

Para Melz, a contratação de estrangeiros exige muito mais do que oferecer uma vaga de trabalho. “A gente tem que ter uma acomodação para eles, uma casa digna, inserir na sociedade”, pontua, ressaltando que a integração precisa envolver também o poder público e a comunidade local. “Estamos conversando com o governo municipal de Iporã do Oeste para estruturar uma formação para esses estrangeiros, até por uma questão de inserção social, tanto para quem é do município quanto para quem chega”, frisa.

Melz acredita que o acolhimento é um dos fatores que explicam a permanência de muitos trabalhadores. “São funcionários dedicados. Eles passaram muitas dificuldades. Hoje têm uma qualidade de vida melhor aqui no Brasil e uma educação melhor para os filhos”, salienta.

O incentivo à formação profissional também faz parte da estratégia adotada na propriedade. “Nós estimulamos todos a estudar. Temos colaboradores cursando Administração e Ciências Contábeis”, diz.

Planos para ficar

Mesmo sentindo saudades dos familiares que permaneceram na Argentina, Alejandro e Marlene enxergam o futuro cada vez mais próximo do Brasil. A principal preocupação ainda envolve a casa que possuem no país de origem. “Foi difícil conseguir comprar aquela casa. A economia está complicada e ela não está alugada”, relata Alejandro.

Por isso, a família já discute uma mudança definitiva. “Estamos gostando muito daqui. Estamos pensando em vender nossa casa na Argentina e comprar nossa casa própria no Brasil”, adianta Alejandro.

Para Melz, histórias como essa ajudam a explicar por que os trabalhadores estrangeiros passaram a ocupar papel relevante na sustentação das granjas da região. “É uma família com caráter, não são aventureiros. São pessoas que vestem a camisa e cumprem horário”, ressalta.

A Edição Especial Cooperativismo 2026 pode ser acessada gratuitamente na aba Edições Impressas de opresenterural.com.br.

Fonte: O Presente Rural
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Fundesa-RS fecha semestre com R$ 196,3 milhões em caixa e amplia investimentos em sanidade animal

Fundo aprovou as contas do primeiro semestre, destinou recursos para rastreabilidade bovina e indenizou produtores por abates sanitários.

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Foto: Divulgação

O Conselho Deliberativo do Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal do RS aprovou, em assembleia realizada na última quarta-feira (15), a prestação de contas do primeiro semestre do ano. O balancete consolidado indica receitas de quase R$ 21 milhões e o saldo disponível de R$ 196.3 milhões. As saídas, que correspondem ao pagamento de indenizações e investimentos em infraestrutura, capacitação, equipamentos e insumos, foram de  R$ 6,38 milhões.

Só as indenizações referentes à pecuária leiteira totalizaram R$ 1,9 milhão nos primeiros seis meses do ano. O maior valor foi registrado no segundo trimestre, com R$ 1,34 milhão.  O pagamento de indenizações é referente ao abate sanitário de bovinos em atendimento ao Programa Nacional de Controle e Erradicação de Brucelose e Tuberculose.

Também foram homologadas liberações de recursos para aquisição de equipamentos de identificação eletrônica (brincos e bastão de leitura), que integram o Projeto Piloto de rastreabilidade bovina no estado. O valor aportado foi de R$ 86 mil.

Desafios para o segundo semestre

Durante a assembleia, os conselheiros debateram sobre os impactos da medida da União Europeia para o setor de proteína animal do estado. O presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos, José Roberto Goulart, pontuou que os compradores europeus estão correndo para comprar toda a carne bovina brasileira antes do prazo se esgotar em 3 de setembro.

O presidente da Associação Gaúcha de Avicultura, José Eduardo dos Santos, destacou o investimento de R$ 183 mil  do Fundesa para o evento Conbrasfran, que será realizado em novembro em Gramado. Segundo Santos, será uma oportunidade para debater esse e outros temas importantes para a avicultura que vem enfrentando muitos desafios nos últimos anos.

Os conselheiros trataram ainda sobre a programação do setor durante a Expointer, que erá como base a Casa do Fundesa.

Fonte: Assessoria Fundesa-RS
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