Bovinos / Grãos / Máquinas Faltam 09 dias para o fim da campanha
Um terço das propriedades rurais do Paraná ainda não atualizou cadastro de rebanhos
Mais de 182 mil propriedades rurais precisam manter as informações em dia para garantir a rastreabilidade dos animais e evitar restrições sanitárias e comerciais.

A campanha de atualização de rebanhos está na reta final. Há apenas 11 dias da finalização da ação, o número de explorações com o cadastro atualizado no Estado chegou a 67%. Todos os produtores e proprietários de animais de produção, sejam estes de corte, leite ou postura, destinados ao comércio ou à subsistência, devem ser contabilizados junto à Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). O prazo final para atualizar as informações é 30 de junho.

Foto: Ari Dias/AEN
A iniciativa é da Adapar, mas conta com a parceria de diversas instituições relacionadas à agropecuária paranaense.
Os produtores e proprietários de rebanhos das mais de 182 mil propriedades rurais com cadastro ativo na Adapar que não fizerem a atualização estão sujeitos a autuações, multas e não poderão movimentar seus animais, uma vez que ficam impedidos de emitir a Guia de Trânsito Animal (GTA).
A guia é um documento oficial e federal obrigatório para o trânsito intra e interestadual de ovos férteis e embrionados e de animais destinados à cria, recria, engorda, reprodução, abate e participação em eventos de concentração.
É por meio da documentação que os serviços de defesa agropecuária fazem o controle e o rastreio de animais no

Foto: Divulgação
Estado. Isso evita a introdução de doenças que colocam em risco a população, por serem zoonoses, podendo atingir humanos, além de causar prejuízos aos produtores, afetando diretamente a economia e o acesso a mercados internacionais.
O chefe do Departamento de Saúde Animal da Adapar, Rafael Gonçalves Dias, afirma que a adesão dos produtores é crucial para a manutenção de um trabalho efetivo no combate a estas doenças. “Essa atualização dos cadastros é importante para que a Adapar possa desenvolver políticas públicas para vigilância e prevenção das principais doenças que estão ocorrendo dentro e fora do Brasil”, salienta.

Foto: Shutterstock
Segundo ele, é preciso saber onde os animais estão e a distribuição deles no Estado, o que contribui para um trabalho preventivo em relação às principais doenças com impacto tanto na saúde pública quanto na economia do Paraná. “Entre elas, a febre aftosa, a peste clássica africana e própria influenza viária”, acrescenta.
Ações desta edição
Além da divulgação dos prazos em veículos de comunicação especializados e nas redes sociais, a Adapar desenvolveu ações de contato direto com o produtor com as famílias que possuem animais destinados à subsistência. Estão sendo feitas visitas nas propriedades em diversas regiões do Estado.
Além disso, ações voltadas à educação sanitária estão sendo desenvolvidas de forma frequente pelos fiscais e

Foto: José Fernando Ogura/AEN
assistentes de fiscalização agropecuária dos escritórios locais da agência espalhados por todo o território paranaense. Os servidores, além das visitas nas propriedades, também ministraram palestras em escolas da rede pública de ensino localizadas em assentamentos e regiões rurais.
Como atualizar
A atualização é simples e pode ser feita de forma online, no site da Adapar, ou pelo aplicativo Paraná Agro (Play Store ou AppStore). Quem prefere informar sobre seus animais presencialmente deve comparecer no escritório da Adapar mais próximo, em sindicatos rurais ou nos escritórios de atendimento municipais.

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Prêmio Queijos do Paraná consolida Estado como referência nacional em lácteos
Com expectativa de superar 600 produtos inscritos, iniciativa valoriza produtores, amplia o reconhecimento dos queijos paranaenses e lança concurso inédito dedicado ao tradicional queijo colonial.

O Paraná tem construído, nos últimos anos, algo que vai além da produção de leite e derivados: uma identidade queijeira própria. Parte dessa transformação passa pelo Prêmio Queijos do Paraná, iniciativa que valoriza produtores, estimula a qualidade dos produtos estaduais e consolida a presença paranaense no cenário nacional e mundial.

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A premiação é organizada por um comitê gestor formado pelo Sistema Faep, Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-PR), Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial do Paraná (Senac-PR) e Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Paraná (Sindileite-PR).
O crescimento da premiação ao longo das duas primeiras edições evidencia esse movimento. Em 2023, quando o concurso ocorreu pela primeira vez, 291 queijos participaram. Já em 2025, o número saltou para 477, aumento de 64%. Para a terceira edição, a expectativa é alcançar mais de 600 queijos inscritos. “O Paraná sempre teve uma produção extremamente qualificada, mas que precisava ser mais valorizada e reconhecida. O prêmio surgiu justamente para fortalecer essa cadeia, agregando valor e mostrando ao consumidor que os nossos queijos estão entre os melhores do Brasil e do mundo”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette. “Hoje tem produtor investindo em qualidade, identidade e aperfeiçoamento técnico porque compreende que existe um mercado cada vez mais interessado nesses produtos”, complementa.
A avaliação dos produtos lácteos é baseada em análise sensorial, metodologia científica utilizada internacionalmente para controle e avaliação de alimentos. “Os

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jurados avaliam a aparência, textura, sabor e aroma dos produtos. É uma metodologia utilizada pela indústria alimentícia para controle de qualidade, mas também serve para compreender sensorialmente aquele alimento e identificar suas características. O prêmio traz justamente essa oportunidade de reconhecer um queijo que possui excelência”, explica Luciana Matsuguma, técnica do Departamento Técnico e econômico do Sistema Faep.
O lançamento oficial da terceira edição está marcado para o dia 23 de junho, no Mercado Municipal de Curitiba. Na mesma data abre o período de inscrição para o Prêmio Queijos do Paraná e também para o inédito Concurso Queijo Colonial do Paraná.
Expectativa de recorde
A organização trabalha para a maior edição já realizada do Prêmio Queijos do Paraná. Além da expectativa de 600 queijos inscritos no prêmio principal, a terceira edição contará com o Concurso Queijo Colonial do Paraná, voltado exclusivamente ao queijo colonial tradicional paranaense com uma avaliação considerando critérios mais amplos. “Vamos trabalhar com três avaliações diferentes. A primeira é a análise sensorial in natura. A segunda será a versatilidade gastronômica, avaliando harmonização com bebidas alcoólicas e não alcoólicas e também o comportamento desse queijo em preparações gastronômicas. E a terceira avaliação será a história, origem, tradição e histórico de produção”, explica a técnica do Sistema Faep.

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O concurso terá regras específicas para preservar a identidade tradicional do queijo colonial. Os três melhores queijos coloniais receberão destaque especial na premiação. “O queijo colonial inscrito deverá ser tradicional, sem adição de outro tipo de leite ou de condimentos. O objetivo é justamente valorizar a identidade original desse produto tão característico do Paraná”, afirma Luciana.
A programação da terceira edição também prevê palestras técnicas, minicursos, mesas-redondas, harmonizações gastronômicas e a participação estimada de cerca de 1,2 mil pessoas durante o evento técnico principal, marcado para os dias 02 e 03 de junho de 2027, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba.
Lançamento do livro dos queijos medalhistas da 2ª edição
O lançamento da 3ª edição do Prêmio Queijos do Paraná também marcará outro momento simbólico para o setor: a apresentação do livro oficial da segunda edição do prêmio. A publicação reúne a trajetória da premiação, informações dos queijos medalhistas e conteúdos técnicos relacionados à cadeia leiteira e à produção de lácteos no Estado. “A ideia do livro, em cada edição, é registrar essa evolução da identidade queijeira do Paraná. É uma forma concreta de eternizar essa história, mostrar como os produtos evoluíram ao longo das edições e valorizar os produtores que estão construindo essa identidade do Estado”, destaca Ágide Eduardo Meneguette, presidente do Sistema Faep.
A ideia do livro, em cada edição, é registrar a evolução da identidade queijeira do Paraná, além de reunir informações dos queijos medalhistas. A versão digital do

Foto: Carlos Barbosa
livro já está disponível gratuitamente aqui.
Premiação registra evolução ao longo dos anos
Na primeira edição, realizada em 2022 e 2023, o concurso contou com 291 queijos participantes nas 14 categorias, representando 90 competidores de 62 municípios paranaenses. Ao todo, 98 produtos foram medalhistas, sendo 10 medalhas Super Ouro, 30 medalhas Ouro, 30 Prata e 28 Bronze.
Além da competição, a edição teve 24 horas de treinamento para jurados, cinco oficinas técnicas, 452 participantes presenciais e 60 jurados selecionados.
Já na segunda edição, realizada em 2024 e 2025, a premiação ampliou o seu alcance. O evento reuniu 477 queijos participantes, representando 105 competidores de 77 municípios do Estado. O número de categorias aumentou para 21.
A estrutura técnica também cresceu. Foram 30 horas de treinamento, nove oficinas técnicas, 500 participantes no evento e 80 jurados selecionados entre 200 treinados. Ao todo, 75 produtos receberam premiações, sendo 10 medalhas Super Ouro, 15 Ouro, 20 Prata e 30 Bronze.
A edição de 2025 ainda trouxe o Concurso Excelência em Muçarela, com 33 queijos participantes e cinco premiados.
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Feicorte consolida qualidade da pecuária brasileira com exposição de 14 raças
Cerca de 600 animais estarão em exposição na feira, que reúne raças voltadas à produção de carne premium, cruzamento industrial e adaptação às diferentes regiões do país.

A exposição de raças é um dos principais pilares da Feira Internacional da Cadeia Produtiva da Carne (Feicorte). A edição 2026, marcada para 23 a 26 de junho em Presidente Prudente (SP), terá ocupação total dos pavilhões do Recinto de Exposições Jacob Tosello, com a presença de cerca de 600 animais.
Os animais, que começam a adentrar o recinto no dia 20 de junho, passarão por um rigoroso controle zootécnico e parasitário conduzido por uma equipe de médicos-veterinários, zootecnistas e universitários dessas graduações da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste).
Como novidade na infraestrutura, os julgamentos foram transferidos para duas pistas laterais, deixando de ocupar o centro da feira. Além disso, pela primeira vez no Estado de São Paulo, serão realizados os julgamentos de animais rústicos. “Não temos mais vagas físicas para alojar animais, o que demonstra a força institucional do evento. Teremos uma vitrine completa que une zebuínos, taurino, ovinos e equinos. Além disso, pela primeira vez, as pistas laterais darão ainda mais dinamismo às avaliações”, destaca o zootecnista e responsável pela área de animais da Feicorte, Neimar Nagano.
Angus: oportunidade para conhecer a raça pura
Além da participação na exposição de animais, a raça Angus marca seu retorno oficial às pistas de julgamento da Feicorte com 40 animais no Recinto Jacob Tosello.
A participação foca na apresentação de animais rústicos criados em regime de curral, ampliando o leque de criadores e expositores participantes. “A Feicorte é um palco que historicamente consolidou a raça como a principal escolha nos cruzamentos industriais para carne de qualidade no Brasil”, afirma o diretor de Fomento da Associação Brasileira de Angus, Gabriel Barros.
Segundo ele, o retorno funciona como uma vitrine de produtividade. “É a oportunidade ideal para apresentar a raça pura e demonstrar a capacidade de produzir touros eficientes, com bons índices de carcaça e fidelidade racial”, frisa.
Bonsmara: fertilidade e cruzamento a campo
Com 22 animais em exposição, entre exemplares jovens e touros seniores contratados por centrais de inseminação, a raça Bonsmara apresentará na Feicorte algumas das principais características que a tornaram referência em cruzamentos industriais nos trópicos, além de participar da Beef Hour das Raças, no dia 23 de junho.
Embora hoje seja uma raça pura, o Bonsmara foi desenvolvido na África do Sul a partir da composição genética de 5/8 Afrikander, 3/16 Hereford e 3/16 Shorthorn. Destaca-se pela fertilidade, precocidade sexual e adaptação ao clima tropical, com fêmeas que podem emprenhar regularmente aos 14 meses de idade.
No cruzamento com vacas Nelore ou meio-sangue taurinas, os touros Bonsmara realizam cobertura a campo, dispensando a necessidade de inseminação artificial para a produção de animais de alto desempenho. Os produtos apresentam terminação precoce, podendo ser abatidos aos 18 meses em confinamento ou aos 24 meses a pasto, alcançando médias entre 20 a 22 arrobas, com acabamento de gordura uniforme de 3 a 7 mm. “O Bonsmara reúne fertilidade, adaptação e produtividade em um único animal. É uma raça perfeitamente adaptada às condições tropicais e produz carne de excelente qualidade, com maciez, sabor e suculência”, aponta a pecuarista Clélia Pacheco, da Fazenda Santa Silvéria.
Brahman: dados científicos do pasto ao prato
A Associação dos Criadores de Brahman do Brasil (ACBB) confirmou a presença de nove animais e estruturou três ações estratégicas na programação oficial da feira. No dia 23 de junho, a associação contribui com a degustação na Beef Hour das Raças, com de cortes da Fazenda Campo Alegre (GO), sob o comando do mestre churrasqueiro Jorge Sab.
Na mesma data, será realizado o Desfile de Animais Brahman na pista de rústicos, com comentários técnicos do médico-veterinário Alex Miyasaki e análise de carcaça com a diretora da DGT Brasil, Liliane Suguisawa. “O touro de maior Área de Olho de Lombo (AOL) do País é da raça Brahman. Mostraremos por que o Brahman é um dos pilares da pecuária mundial, unindo fertilidade, ganho de peso e qualidade de carcaça”, destaca o presidente da ACBB, Guilherme Bendilatti. A programação encerra no dia 26 com palestra técnica sobre eficiência alimentar no Simpósio ReprodOeste.
Brangus: produtividade, carne de qualidade e cruzamento industrial
A raça Brangus comparece à Feicorte 2026 com uma comitiva de 30 animais de alta linhagem, incluindo workshop com animais em pista e o tradicional “asadito” (churrasco “do jeito Brangus”, terá que nesse ano parceria com o canal Terraviva).
Sob a coordenação da Associação Brasileira de Brangus (ABB), a participação da raça foca em apresentar sua alta capacidade de adaptação às pastagens brasileiras e sua reconhecida contribuição para a produção de carne premium no País. Nesse sentido, a mostra cumpre o papel estratégico de evidenciar os resultados do investimento em genética e a consolidação do Brangus nos cruzamentos industriais de norte a sul do território nacional.
Canchim: genética nacional focada em exportação
A Associação Brasileira de Criadores de Canchim (ABCAN) confirmou a participação de 24 animais na exposição deste ano. Desenvolvida pela Embrapa a partir do cruzamento entre o zebu e o charolês, a raça une a rusticidade necessária para o clima tropical com a precocidade e o rendimento de carcaça exigidos pelo mercado.
“A feira cria o ambiente relevante para mostrar os avanços genéticos e os resultados práticos do Canchim. Na última edição, atraímos comitivas internacionais que visitaram nossos criatórios após conferirem os animais no recinto, provando que a raça desperta interesse dentro e fora do País pela combinação de ganho de peso, fertilidade e sustentabilidade”, pontua a presidente da ABCAN, Cristina Ribeiro (Kika).
Caracu: variedade mocha ganha destaque na pista
A raça Caracu expande significativamente sua presença nesta edição e leva 18 animais para os pavilhões da Feicorte. Os visitantes encontrarão uma amostra variada de exemplares, incluindo vacas, novilhas, touros e garrotes focados exclusivamente na seleção da variedade mocha da raça.
“Estamos com um número expressivo e uma excelente amostragem de animais para a exposição. Queremos estreitar o contato com os produtores e mostrar a versatilidade do Caracu nos cruzamentos”, pontua o 1º vice-presidente da Associação Brasileira de Criadores de Caracu (ABCC), Renato Francisco Visconti Filho.
Nelore: linhagens selecionadas para marmoreio
A raça Nelore participa da exposição com 25 animais selecionados com base em dados científicos de carcaça. O pecuarista Fabio Buchalla, representante dos sucessores de Farhan Buchalla, da Fazenda Pagador (tradicional criatório de Presidente Prudente com 80 anos de seleção), levará dez animais em parceria com a Nelore Aymoré.
“Nosso foco é produzir carne com marmoreio, provando que o Nelore possui linhagens melhoradoras para sabor e suculência. Levaremos animais destaques avaliados pela tecnologia de ultrassonografia de carcaça da DGT Brasil, demonstrando em tempo real os índices de área de olho de lombo, espessura de gordura e gordura entremeada”, explica Buchalla.
O criador ressalta o impacto comercial da feira, lembrando que comercializou quase todo o plantel exposto em 2025. Os resultados financeiros da raça também apoiam ações sociais locais por meio do Núcleo Tthere, que atua na profissionalização e inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
Santa Gertrudis: julgamento nacional e alta valorização
Com 97 animais em exposição, o principal destaque da participação da raça Santa Gertrudis será o Julgamento Nacional, conduzido pelo jurado Marcelo Moura, especialista em raças zebuínas e Nelore.
O mercado sinaliza o crescimento do interesse pela raça, que registrou um aumento de 20% na presença de touros em centrais de inseminação. “Levaremos líderes do sumário Embrapa/Geneplus, touros de central e destaques de provas de desempenho, demonstrando a capacidade da raça de atender às exigências atuais da indústria”, explica o diretor de marketing da Associação Brasileira da Raça Santa Gertrudis (ABSG), Artur Afonso.
O superintendente da ABSG, José Arnaldo Amstalden, que acompanha a evolução da raça há 50 anos, corrobora a evolução morfológica vista em pista. “Quem acompanha o Santa Gertrudis percebe claramente os avanços em funcionalidade, precocidade e musculatura”, diz.
Os animais expostos estarão disponíveis para comercialização. “Quem visitar a feira entenderá como a raça contribui para aumentar a rentabilidade dentro da porteira”, menciona o presidente da associação, Antônio Roberto.
Sindi: a maior delegação da feira aposta na produtividade
A raça Sindi consolida-se como a maior delegação da Feicorte 2026, somando 98 animais nos pavilhões para exposição e julgamentos. A Associação Brasileira dos Criadores de Sindi (ABCSindi), representada pelo pecuarista e vice-presidente da entidade, Adaldio Castilho (do criatório Sindi Castilho), apresentará dados de ultrassonografia de carcaça que atestam o alto marmoreio do rebanho. Avaliações anteriores registraram médias de 4 pontos em vacas criadas a campo, com indivíduos atingindo até 7 pontos — índices que poderão ser degustados no paladar durante a participação do Sindi na Beef Hour das Raças.
De acordo com Castilho, o foco do trabalho atual está no direcionamento genético por meio do acasalamento de indivíduos superiores, visando o aumento simultâneo do marmoreio e da Área de Olho de Lombo (AOL). Para o criador, que participa do evento desde as edições na capital paulista, a feira se diferencia por atrair um público altamente qualificado e tomador de decisão.
“Diferente de outras exposições voltadas ao lazer, a Feicorte é focada estritamente em animais de corte e em produtividade. Quem nos visita são pessoas do ramo, focadas no agro e interessadas em novidades que tragam ganhos reais de fertilidade, produção e qualidade de carcaça”, aponta.
Texas Longhorn: rusticidade norte-americana e marmoreio surpreendente
Com oito animais, sendo sete puros e um cruzamento industrial, a raça Texas Longhorn participa da feira pela primeira vez. O criador e pecuarista da Fazenda Santa Isabel, José Soares Cardoso Neto, identificou o potencial da raça após viagens de seleção aos Estados Unidos. “Eu buscava rusticidade para o cruzamento industrial. Vi vacas formadas de 650 a 700 quilos criarem bezerros fortes em pastos fracos, com uma habilidade maternal e produção de leite fantásticas”, relata o produtor.
Além da adaptação extrema, capaz de suportar variações entre -20°C e 45°C, os abates técnicos surpreenderam pelos índices de qualidade. “Cruzamos o Longhorn puro com fêmeas meio-sangue Angus e alcançamos avaliações de até 5,5 de marmoreio. O touro vai a campo em qualquer lugar do Brasil e cobre a pasto até ao sol do meio-dia”, destaca Cardoso Neto.
Wagyu: foco em certificação e avaliações de pista
Com 20 exemplares de alto padrão genético confirmados, a Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos das Raças Wagyu (ABCBRW) projeta uma agenda técnica e comercial intensa. A programação inclui o Curso de Reciclagem de Jurados e a etapa prática no dia 25, durante o julgamento oficial na pista central, sob a condução do zootecnista doutor em Produção Animal Willian Koury, jurado atuante em mais de 120 exposições nacionais e internacionais. “A Feicorte é o momento em que conseguimos reunir criadores, técnicos, indústria e consumidores para mostrar a evolução do Wagyu no Brasil, divulgando nossos programas de melhoramento genético e certificação”, ressalta a secretária-executiva da entidade, Celeste Molitor.
A participação da raça se estende no Leilão Pecuária Solidária, realizado no dia 26 de junho na Feicorte, quando serão disponibilizadas 50 doses da genética do Samurai, animal que construiu uma trajetória que poucos reprodutores conseguem alcançar: campeão individual, campeão por progênie e, principalmente, pai de animais que seguiram fazendo história nas pistas e nos programas de seleção pelo país. Em 2025, sua genética esteve presente em alguns dos principais resultados da raça, incluindo títulos de Grande Campeão, Grande Campeã, Reservada Grande Campeã e Campeão Progênie.
Equinos: exposição e leilão de Paint Horse e Quarto de Milha
A feira também destina um pavilhão exclusivo para 35 cavalos Quarto de Milha (mundialmente reconhecido por sua velocidade, inteligência e aptidão em provas de tambor, vaquejada e lida com gado) e Paint Horse, raça norte-americana que se destaca pela musculatura forte, versatilidade e pelagem malhada única. A programação equestre contará com atividades de manejo nas cocheiras e O 3º Leilão Feicorte – Quarto de Milha e Paint Horse, marcado para o dia 25 de junho, no Espaço Tatersal.
De acordo com o criador e organizador do leilão, Celso Cuba, a feira é uma vitrine essencial para o segmento. “A Feicorte coloca Presidente Prudente no mapa nacional do cavalo e do boi. O evento vai além do campo, pois movimenta a economia local, atrai compradores de todo o País e funciona como um ponto de encontro que une a família em torno do cavalo”, destaca.
Ovinos Suffolk: novidade da Feicorte 2026
A ovinocultura de corte ganha protagonismo com a realização da Exposição Nacional da raça Suffolk, que reunirá 100 animais vindos de diversas regiões do País. A programação da raça inclui julgamentos, atividades técnicas, leilão oficial e participação direta nas degustações da Beef Hour das Raças.
“O Suffolk possui histórico consolidado na ovinocultura nacional pelo elevado desempenho e velocidade de crescimento, sendo referência na produção de cordeiros pesados e precoces”, explica o zootecnista, presidente da Associação Paulista dos Criadores de Ovinos (ASPACO) e diretor técnico da Associação Brasileira de Criadores de Ovinos Suffolk (ABCOS), Rafael Jorge, acrescentando que, para ele, a feira é estratégica por aproximar os ovinos dos demais segmentos da pecuária.
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A matemática subjetiva do preço do boi
Fim da cota chinesa muda o fluxo das exportações e expõe uma diferença de cerca de 22% entre os preços pagos pela China e por outros importantes compradores da carne brasileira.

Não existem duas respostas para uma equação matemática.
Não existe ambiguidade nos conceitos da física.
Não existem mágicas na ciência contábil.

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Mas quando o assunto é mercado do boi, muitas vezes a lógica dá lugar às narrativas.
Não faltam opiniões. Faltam números confiáveis.
Se tivéssemos dados exatos sobre o tamanho do rebanho, taxa de desfrute e volume de abate, teríamos uma equação muito próxima da exatidão. Porém, além da ausência de números precisos, há outro fator que dificulta ainda mais qualquer análise: a bolsa.
A bolsa reflete o “papel” do boi, não necessariamente o boi físico. Reflete expectativas, apostas e movimentos especulativos. Muitas vezes, é utilizada mais para influenciar o mercado do que para servir como instrumento de proteção real das operações.
No mundo dos negócios existem períodos de estabilidade e momentos de tempestade, capazes de alterar abruptamente o ritmo do mercado.
Estamos às vésperas de uma dessas mudanças.
Com o encerramento da cota estipulada pela China para a carne bovina brasileira, teremos uma alteração importante

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no fluxo comercial. Nos últimos meses, o Brasil vinha embarcando para aquele país volumes superiores a 130 mil toneladas por mês. A partir de julho, esse excedente deixará de existir.
Naturalmente, devemos considerar outros fatores. Países que aumentarão suas exportações para a China, como Estados Unidos, Argentina e Uruguai, poderão ampliar suas compras de carne brasileira para abastecer seus mercados internos. Também não podemos ignorar o mercado doméstico, que tradicionalmente apresenta maior consumo durante o segundo semestre.
A grande dúvida é o tamanho desse volume adicional de demanda e se ele será suficiente para compensar a mudança no mercado chinês.

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Existe ainda um segundo fator, não menos importante: o preço.
O valor atual do boi reflete uma realidade construída sobre vendas para a China na faixa de US$ 7.000 por tonelada. Já outros importantes destinos da carne brasileira como Estados Unidos, União Europeia, Chile, Egito, México, Rússia e Canadá pagam, em média, cerca de US$ 5.500 por tonelada, patamar muito próximo ao praticado pelo mercado interno.
Estamos falando de uma diferença próxima de 22%.
Sem subjetividade, sem narrativas e sem exercícios de imaginação, essa diferença precisará ser absorvida por algum elo da cadeia.
O cenário não é confortável nem para a indústria nem para o produtor.
Essa é a equação que temos diante de nós e cuja solução precisaremos encontrar em conjunto.
Sou tradicionalmente otimista, mas confesso estar preocupado com esse novo desafio.
Nada que algumas semanas de acomodação não possam corrigir. Os mercados se ajustam, as oportunidades surgem e, mais cedo ou mais tarde, voltamos a caminhar.



