Suínos
Últimas 24 horas são cruciais para abate produzir carne suína de melhor qualidade
Especialista chama a atenção às últimas horas de vida do animal, durante palestra na qual explanou sobre como o bem-estar animal impacta na produção de carne suína.

Produzir alimentos de qualidade é o desejo de todo produtor. No caso do suinocultor este trabalho de produção pode levar até 11 meses se levarmos em conta o momento no qual o leitão nasce até ficar pronto para o abate. É claro que muitas granjas executam apenas uma parte deste trabalho, seja maternidade, crechário, crescimento ou terminação, o fato é que todas estas etapas são muito importantes e em todas elas é possível afetar a qualidade da carne do estágio final. Entretanto, quando pensamos nas últimas 24 horas antes do abate é preciso reconhecer que este é um momento crucial para impactar, de forma positiva ou negativa, a produção da carne de qualidade. Quem aponta para este detalhe é o consultor da área de suínos Cleandro Dias Pazinato, que participou da 2ª edição do InovaMeat, realizado em meados de abril, em Toledo, PR.

Cleandro Dias Pazinato durante o InovaMeat, em Toledo, PR, no mês de abril – Foto: Patrícia Schulz/OP Rural
O palestrante chamou a atenção às últimas 24 horas de vida do animal, durante palestra na qual explanou sobre como o bem-estar animal impacta na produção de carne suína. Ele discorreu sobre o conceito de bem-estar animal, acerca da importância do bem-estar, a respeito dos impactos da etapa da granja na produção de carne, bem como os impactos do transporte, além dos impactos do abate, enaltecendo que todos estes pontos são cruciais e que é nas últimas 24 horas que o trabalho de 11 meses pode consolidar-se como efetivo ou pode ser perdido, no caso de uma condenação do animal. “Eu sempre saliento que as últimas 24 horas do suíno são muito importantes, pois é o momento no qual você pode jogar fora todo o trabalho que teve”, afirma.
Pazinato discorreu sobre o conceito de bem-estar da Organização Mundial da Saúde Animal (OMSA) que aponta o “Bem-estar animal como o estado físico e mental de uma animal em relação às condições em que vive e morre”, ou seja, BEA é quando o animal é tratado com respeito pelos produtores e indústria, que buscam evitar todo e qualquer sofrimento desnecessário. “Falamos bastante em bem-estar porque é necessário primar e zelar por uma vida melhor e mais produtiva do animal, pois animais abatidos com estresse severo não trazem renda, pois a carne não fica com boa qualidade”, informou.
O palestrante enumerou alguns benefícios quando se busca o bem-estar animal enaltecendo que isso gera mais saúde, melhor comportamento e consequentemente ganho de produtividade. “Quando agimos de forma ética, buscando com que o animal não sofra, estamos evitando perdas de produção, porque menos animais serão perdidos por condenações, bem como estamos evitando a perda de qualidade do produto final, como as carne PSE e DFD”. A carne PSE apresenta propriedades como cor pálida e baixa capacidade de retenção de água. A carne DFD apresenta características escura, firme e seca e são mais suscetíveis a alterações microbianas. “Essas perdas de qualidade e de quantidade possuem um aspecto econômico muito grande, o que influencia muito na rentabilidade do plantel”, menciona.
Outro ponto enumerado pelo consultor é a importância da confiança e transparência do processo. Cleandro apresentou uma pesquisa científica que comprovou, nos Estados Unidos, que mais de 57% dos entrevistados possuíam interesse em saber se as carnes adquiridas no supermercado eram fruto de um trabalho ético com os animais. “E isso não é só nos EUA, todos os anos observamos que existe um acréscimo de pessoas que buscam informações sobre a forma e os padrões com que as carnes são produzidas. Isso mostra que o consumidor precisa ter confiança e busca que a cadeia de suprimentos alimentícios trabalhe sempre com transparência e respeitando as legislações. É por isso que vemos um avanço nos programas de certificação e também em consumidores bem informados, que procuram adquirir produtos que tragam confiança na procedência e no cuidado com os animais”, pontua.
Equilíbrio
Outro ponto que foi destacado pelo palestrante foi a importância do equilíbrio. “Quando trabalhamos o bem-estar na produção de carne suína temos que lembrar que são vários os fatores importantes, sendo que todos são significativos e merecem ser trabalhados de forma integrada. A produção de suínos envolve a granja, o transporte, o abate, o frigorífico, sendo que quando tudo isso está bem alinhado nós temos o êxito: isto é, a carne de qualidade. Para que tudo isso dê certo é necessário interagir todos estes fatores, não esquecendo da necessidade de qualificação das pessoas que trabalham em cada etapa”, pontua.
Existem muitos fatores que afetam o bem-estar animal e consequentemente a qualidade da carne nas últimas 24 horas antes do abate. “Estes fatores envolvem a harmonia entre os três elos principais desta produção que são: os animais, a granja e as pessoas que trabalham e zelam por estes animais. Tudo isso precisa estar alinhando para que a produção da carne atinja o melhor potencial possível. De acordo com trabalhos científicos, observamos que 25% das causas de animais mortos e não ambulatoriais estão relacionados com instalações e manejo na granja, 16% com o transporte e 16% com o manejo na chegada ao frigorífico. Esses dados são interessantes e mostram o que precisamos melhorar para termos uma produção mais eficiente”, expõe.
Manejo pré-abate
A preparação para o abate é um momento bastante crítico para o animal. Estudos mostram que a ocorrência de animais exaustos pode reduzir até 30% do valor da carcaça. “Sabemos que este é um momento difícil para o suíno, desta forma precisamos buscar técnicas que amenizem o sofrimento desta etapa final. Uma das primeiras alternativas que são benéficas de se usar é cuidar com o jejum correto dos animais. Diversos estudos apontam a importância de fazer o jejum de 18 horas, porque este preparo mostrou-se adequado, oferecendo menos risco de patógenos, fortalecendo o sistema de higiene, bem como propiciando economia de ração que seria desperdiçada, oferecendo, desta forma, segurança alimentar e qualidade da carne produzida”, reforça.
Este limite máximo de 18 horas de jejum também é estabelecido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que emitiu uma atualização da Portaria Nº 365/21 que diz respeito às técnicas humanitárias de manejo pré-abate e abate de animais para consumo humano. Essas novas regras serão implementadas em todo o território brasileiro a partir do dia 1º de agosto de 2023. “Estas recomendações não são uma equação fácil de atingir, mas elas precisam ser uma meta de excelência. Temos que lembrar que estas diretrizes irão trazer benefícios para os animais, mas também benefícios para a indústria”, pondera.
Além da importância do jejum, Cleandro chamou a atenção às instalações da granja. “Também temos diretrizes importantes que dizem respeito ao tamanho do grupo que é transportado pela granja, de acordo com o tamanho das instalações. “Estudos mostram que o transporte dos animais pela granja também precisa ser cuidadoso para evitar fraturas e machucados. Também gostaria de chamar a atenção para as partes das granja que possuem obstáculos, como paredes, etc. A visão dos suínos é diferente e desta forma, ângulos de 30 graus levam a um melhor movimento dos animais em comparação com os ângulos de 90 graus, criando um caminho mais suave em direção à rampa”, reflete.
O bem-estar também está relacionado com os degraus, pois os mesmos são fatores estressantes que afetam o fluxo dos animais. “As recomendações são para que as rampas sejam menos íngremes possíveis. Quando as superfícies são antiderrapantes o transporte é facilitado, bem como quanto mais pesado o animal, mais difícil será o manejo. Outro ponto que chamo a atenção é com relação à IN 113, que permite que as rampas tenham ângulos de até 25°, entretanto, minha recomendação é que a inclinação máxima da rampa seja reduzida para 15°”, recomenda.
Ractopamina
A Ractopamina é um aditivo que traz ótimos benefícios na produção de suínos, uma vez que ela ajuda na obtenção de músculos e desta maneira, ajuda a produzir mais carne e de forma mais rápida e eficaz. Essa prática é bastante difundida na suinocultura brasileira, entretanto, o palestrante chamou a atenção para uma utilização consciente e eficaz deste produto. “A Ractopamina ajuda na produção, mas deixa o animal agitado. Embora os benefícios econômicos sejam bem conhecidos deve-se considerar os riscos desse aditivo para o bem-estar animal. Isso porque os estudos mostram que os animais ficam mais agitados e desta forma são mais difíceis de manejar, o que pode ocasionar uma maior número de intervenções físicas para a manipulação dos animais, aumentando as brigas e até mesmo as condenações por carcaça. Desta forma, a recomendação é que a mesma seja utiliza com cautela e é importante fazer um estudo sobre o término do uso deste ingrediente”, indica.
O peso do transporte
Após a entrega do animal para o caminhão do transporte segue uma nova etapa que é muito séria e que precisa de muita atenção, pois o transporte ineficiente pode trazer muitos problemas para o momento do abate. “É no momento do transporte que surgem novos desafios, pois temos os estresses do agrupamento e do manejo, o estresse térmico, podem acontecer lesões, tem a questão da fome, da sede, falta de baias que podem gerar problemas de descanso, verifica-se uma super estimulação sensorial, bem como a restrição de movimentos. Tudo isso pode experenciar um ou mais estados emocionais negativos associados com estas consequências, incluindo medo, dor, desconforto, frustração, fadiga e diestresse. Esses estressores que o animal passa, na hora do transporte, colocam em risco a qualidade da carne”, observa o palestrante.
Desta maneira é preciso ter um cuidado muito especial com os animais, já que a tendência natural é eles serem expostos ao estresse antes, durante e depois do transporte. “As formas de amenizar esse sofrimento são, além do cuidado nas granjas, cuidar com a densidade utilizada no transporte, ou seja, carregar um número de animais adequado. Além de uma boa condução por parte do motorista é fundamental, uma vez que as vibrações durante a viagem também interferem no nível do estresse”, argumenta o profissional.
O controle da temperatura na viagem é outro fator importante. Para reduzir o risco das consequências no bem-estar animal devido à exposição a altas temperaturas efetivas, a temperatura interior dos veículos de transporte de suínos não deve exceder o UCT estimado em 30°C para desmama, 25°C para terminação e 22°C para reprodutores. No entanto, recomenda-se manter as temperaturas abaixo do limite superior da ZTC, estimada em 25°C para leitões, 22°C para terminados e 20°C para reprodutores, a fim de proteger o bem-estar dos animais durante o transporte. “O controle da temperatura é muito importante em virtude de que estudos comprovam que viagens longas no período do verão tendem a propiciar uma maior fadiga muscular nos animais”, adverte.
Manejo na indústria
Por fim os animais chegam na indústria, onde serão abatidos e serão transformados em produtos que estarão aptos para serem vendidos ao consumidor final. Nesta etapa, é preciso ficar atento ao tempo de espera para o descarregamento do caminhão. “Infelizmente este procedimento pode variar de 5 minutos a 4 horas, sendo que neste período os animais são expostos a diferentes fatores estressantes, além de diferentes condições ambientais e microclimáticas, como ventilação insuficiente, densidade exacerbada, falta de camas, privação de água e alimentos, todos estes fatores podem trazer complicações. A recomendação é que estes animais sejam retirados do caminhão e encaminhados à sala de espera o mais rápido possível e sempre dentro de 30 minutos após a chegada no frigorífico”, sugere.
É oportuno ressaltar que a condição fisiológica dos animais quando chegam à indústria reflete o estado acumulado em sua jornada desde a granja, incluindo as condições de criação, manejo nas baias, transporte misto com animais desconhecidos, métodos de carregamento, condições das estradas e tempo de espera para descarregar”. A respiração ofegante em resposta ao estresse térmico durante o desembarque na planta de abate foi classificado como um importante fator de risco para uma taxa mais rápida de acidificação da carne após o abate, lembrando que se o pH da carne diminuir muito rapidamente, isso pode afetar a qualidade, textura e sabor da carne”, adverte.
Desta forma é apropriado ressaltar que a chegada dos animais na indústria necessita de um trabalho sério e eficiente, que proporcione o descanso adequado aos animais, bem como uma insensibilização de acordo com as normas que são permitidas, visando o bem-estar animal e a qualidade do produto que estará sendo produzido. “Preciso chamar a atenção para os acessórios que são permitidos na indústria, como o bastão elétrico e o remo de plástico, enaltecendo que as falhas de manejo destes materiais podem acarretar sérios prejuízos ao produto, além de dor e sofrimento para os animais. Estudos mostram que a utilização dos bastões elétricos altera a concentração de lactato no sangue dos animais”, observa.
Principais causas de carne PSE e DFD
A carne PSE e DFD, consideradas de baixa qualidade para o consumo humano, possuem textura e sabor comprometidos. O palestrante enumerou algumas causas da carne ser classificada como PSE e DFD, enaltecendo o transporte inadequado, o manejo com choque elétrico, a falta de descando após a viagem, um nível de som alto e um longo tempo de aplicacao do sistema elétrico, bem como o jejum prolongado. “Todos estes fatores impactam a qualidade da carne nesta etapa final e fazem muita diferença na rentabilidade econômica dos planteis”, afirma.
O médico veterinário finalizou a sua fala relacionando o bem-estar animal com o ESG, refletindo que práticas de bem-estar contribuem para o ESG, pois ambos fazem referência a aspectos relacionados à sustentabilidade e responsabilidade social em relação à produção animal. “Precisamos enxergar o bem-estar e o ESG como oportunidades de desenvolvimento que vão trazer grandes e significativas melhorias para a produção de carne suína e que primam pela preservação eficiente do meio ambiente e que podem influenciar em novas práticas de produção e de consumo”, avalia Pazinato.
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Suínos
Carne suína encontra espaço para reposicionamento diante do consumidor híbrido
Para a Associação Brasileira de Criadores de Suínos, comunicação segmentada, conteúdo digital e valorização do perfil nutricional da proteína são caminhos para fortalecer a conexão com o novo comprador.

O consumidor brasileiro entra em 2026 vivendo uma combinação inédita de sofisticação digital, pressão econômica e forte carga emocional nas decisões de compra, é o que revela o novo relatório “O Consumidor Brasileiro em 2026”, da MiQ, uma empresa global de tecnologia especializada em publicidade e inteligência de dados. A Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS) entende a importância de acompanhar as novas tendências de consumo, além de compartilhar esses aprendizados com toda a cadeia de produção, já que o novo perfil de consumo no país revela um comprador atento, comparativo e cada vez menos tolerante a atritos, alguém que decide com a mente, o bolso e o sentimento ao mesmo tempo, tornando-se essencial adequar a carne suína a este novo contexto. Veja os destaques da pesquisa!
Hiperconectividade e decisão de compra
Dados reunidos pela MiQ mostram que 74% das decisões de compra começam no smartphone, mesmo quando a transação final acontece no ambiente físico. O celular deixou de ser apenas um canal de acesso e passou a atuar como assistente pessoal, comparador de preços, carteira digital e principal mediador da jornada de consumo no Brasil. Não por acaso, o país se consolida como o ecossistema digital mais avançado da América Latina.
A pressão inflacionária e o cenário econômico instável mudaram a lógica de priorização de gastos. Segundo o levantamento, 72% dos consumidores latino-americanos comparam preços em pelo menos duas plataformas antes de comprar, e mais da metade afirma ter reorganizado seus hábitos de consumo nos últimos 12 meses. No Brasil, essa racionalidade não elimina o impulso, mas o torna mais calculado: promoções, cashback, pontos e benefícios imediatos funcionam como gatilhos decisivos.
Ao mesmo tempo, o entretenimento ocupa um papel central no comportamento do consumidor. Plataformas como YouTube, TikTok e Instagram deixaram de ser apenas espaços de lazer e passaram a moldar a descoberta, a validação e a decisão de compra. Seis em cada dez compras digitais na América Latina começam em uma rede social, e no Brasil o consumo de vídeo por hora é o mais alto da região. O conteúdo, especialmente em vídeo, tornou-se a principal ponte entre marcas e consumidores.
Esse movimento também redefine a confiança. A pesquisa mostra que o consumidor brasileiro de 2026 é desconfiado e exige provas reais. Avaliações, tutoriais, vídeos explicativos e recomendações de criadores têm mais peso do que a publicidade tradicional. A reputação da marca, a clareza das informações e a fluidez da experiência são fatores tão importantes quanto o preço.
Rapidez e personalização
Outro traço marcante é a intolerância ao atrito. Checkouts longos, processos confusos, falta de transparência ou opções limitadas de pagamento afastam o consumidor imediatamente. A popularização do PIX, utilizado semanalmente por mais de 80% dos brasileiros, elevou o padrão de expectativa por rapidez e simplicidade. Em um contexto de incerteza, reduzir o esforço tornou-se tão valioso quanto reduzir o custo.
O Brasil também se destaca pelo apetite por experiências personalizadas, desde que acompanhadas de práticas claras de privacidade. O consumidor quer relevância, mas exige controle e transparência no uso de seus dados. Esse equilíbrio entre personalização e confiança será decisivo para marcas que desejam manter competitividade.
Em síntese, o consumidor brasileiro que chega a 2026 é híbrido: impulsivo e estratégico, emocional e racional, exigente e aberto à experimentação. A gerente de marketing da ABCS, Danielle Sousa, explica que o consumidor transita entre o físico e o digital com naturalidade, consome entretenimento como parte da rotina e espera que as marcas entendam seu contexto, respeitem seu tempo e entreguem valor imediato.
“Diante desse novo consumidor que é estratégico, digital e exigente, carne suína encontra uma grande oportunidade de reposicionamento. A personalização pode acontecer desde a comunicação segmentada nas redes sociais até a oferta de cortes, porções e receitas adaptadas a diferentes perfis e momentos de consumo”, explica ela, que também destaca o potencial nutricional da proteína suína. “O alto teor de proteína, vitaminas do complexo B e excelente relação custo-benefício dialogam diretamente com quem busca saúde, praticidade e inteligência financeira na hora da compra. Iniciativas digitais como o @maiscarnesuina já exemplificam esse movimento, ao levar conteúdo relevante e informativo ao público, fortalecendo a conexão entre produto, confiança e decisão de compra.”
Suínos
Paraná consolida liderança na exportação de suínos de raça; colheita de soja alcança 37%
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material.

O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou nesta quinta-feira (26) o Boletim Conjuntural com dados atualizados da última semana de fevereiro. Nos assuntos em destaque, o levantamento aponta que o Paraná consolidou sua posição, entre os estados brasileiros, como o maior exportador de suínos reprodutores de raça pura.
Em 2025, o Paraná foi responsável por 62,1% da receita nacional de exportação de suínos de alto valor genético (US$ 1,087 milhão), tendo o Paraguai como o principal destino desse material. Esse desempenho reforça a sanidade e o padrão tecnológico do rebanho paranaense, que atende mercados como Argentina, Uruguai e Bolívia. “Essa escolha pelo Paraná mostra, mais uma vez, que o Estado tem genética de ponta e sanidade do rebanho”, destaca a médica veterinária e analista do Deral, Priscila Marcenovicz.

Fotos: Geraldo Bubniak/AEN
Ainda dentro da área da pecuária, o boletim destaca as exportações de carne bovina brasileira, que atingiram 258,94 mil toneladas, um aumento de mais de 25% em comparação ao mesmo mês do ano passado.
Há uma preocupação com a cota de importação chinesa, estabelecida em 1,1 milhão de toneladas. Só em janeiro, mais de 10% dessa cota já foi utilizada, o que pode causar variações no preço ao longo do ano. Mas outros mercados importantes continuam aumentando as aquisições de carne brasileira. No mercado interno, a maioria dos cortes bovinos pesquisados pelo Deral subiu de preço, com destaque para o filé mignon, que acumula alta de 17% em um ano.
Na avicultura de corte, o cenário é de margens positivas para o produtor paranaense. O custo de produção do frango vivo encerrou 2025 em R$ 4,65/kg, uma queda de 2,9% em relação ao ano anterior, impulsionada principalmente pelo recuo nos preços da ração (-8,92%). No fechamento do ano, o preço médio recebido pelo produtor (R$ 4,92/kg) ficou 4,2% acima do custo médio anual, preservando a rentabilidade em um setor que lidera as exportações de carne no Brasil.
Safra

O boletim trata ainda dos números da estimativa de safra, com base no relatório de Previsão de Safra Subjetiva, que tem como destaque a atualização da área de plantio do milho.
No setor de grãos, a soja caminha para uma colheita robusta, mantendo a estimativa de 22,12 milhões de toneladas para o ciclo 2025/26. Até o momento, os trabalhos de campo atingiram 37% dos 5,77 milhões de hectares plantados, um ritmo considerado dentro da normalidade histórica. A manutenção da projeção traz segurança ao setor produtivo, embora o avanço da colheita da oleaginosa seja monitorado de perto, já que dita o ritmo de plantio do milho segunda safra e ajuda a mitigar riscos climáticos na janela de semeadura.
O milho também desempenha papel central no balanço mensal, com previsão de alcançar 21,1 milhões de toneladas no somatório das duas safras. A primeira safra já está com 42% da área colhida, enquanto o plantio da segunda safra atingiu 45% dos 2,86 milhões de hectares previstos. A ampla área destinada ao cereal no segundo ciclo sustenta a perspectiva de produção elevada, garantindo o suprimento para a cadeia de proteína animal, apesar da concorrência direta com a soja pelo cronograma de uso das áreas agrícolas.

Foto: Jaelson Lucas / AEN
Para o analista do Deral, Edmar Gervasio, o momento é bom. “Estamos tendo uma recuperação de área de plantio. Comparando com o período anterior, tivemos uma alta de mais de 20% em termos de área. Há muito tempo não se via um ganho de área na primeira safra porque a soja sempre é a principal cultura no primeiro ciclo de verão. Nesse ano, teve uma inversão. O milho ganhou espaço, principalmente, na primeira safra. E a produtividade tem sido muito boa. Devemos colher em torno de 3,6 milhões de toneladas na primeira safra e esse número pode melhorar”, disse.
Em contraste com a estabilidade da soja, a cultura do feijão acende um alerta devido à forte redução de área. O levantamento de fevereiro aponta uma retração na área da segunda safra em relação ao ano anterior. Segundo Carlos Hugo Godinho, engenheiro agrônomo e analista do Deral, a redução é um movimento de cautela do produtor, que busca culturas com custos de manejo mais previsíveis neste momento.
“Para quem produz, o cenário é de preços firmes, o que pode compensar o menor volume colhido. Já para o consumidor, mesmo com oscilação de preços a subida tem ocorrido de forma gradual e o varejo ainda possui estoques que amortecem o repasse imediato. A recomendação é que o consumidor pesquise, pois o feijão preto, por exemplo, ainda apresenta valores bem mais acessíveis que no mesmo período do ano passado”, diz.
Suínos
Estudantes do Oeste do Paraná desenvolvem soluções para o mercado agro global
Projetos criados na Faculdade Donaduzzi e incubados no Biopark utilizam inteligência artificial e ciência de dados para aumentar eficiência, reduzir custos e acelerar a digitalização do campo.

O Paraná, um dos principais motores do agronegócio mundial, pode ampliar a digitalização do campo com a entrada de novas soluções tecnológicas no mercado. O Biopark, ecossistema de inovação sediado em Toledo, oficializou a incorporação de projetos desenvolvidos por estudantes da Faculdade Donaduzzi à sua trilha de produção comercial.
Compliance no campo
Outra frente tecnológica que conquista o mercado nacional foca na desburocratização do agronegócio. Criada por estudantes de Análise e Desenvolvimento de Sistemas e de Engenharia de Software, a solução automatiza a gestão de licenciamentos ambientais e de outorgas.

Foto: Shutterstock
A plataforma emite alertas inteligentes sobre prazos legais, evitando multas e paralisações operacionais. A ferramenta reduz custos logísticos para as grandes integradoras ao eliminar vistorias burocráticas presenciais. Inicialmente voltado à piscicultura, o software poderá ser adaptado a outros setores que exigem controle regulatório.
Trilha empreendedora
O avanço das soluções tecnológicas para a fase comercial é estruturado pela Trilha Empreendedora do Biopark, modelo que organiza a transformação de projetos acadêmicos em negócios sustentáveis. O programa é dividido em etapas que contemplam maturação tecnológica, validação de mercado, com foco em marketing, vendas e precificação, e residência no parque tecnológico, etapa voltada à conexão com investidores e parceiros estratégicos. “Estamos preparados para receber projetos em todos os estágios. Identificamos o nível de maturidade e aplicamos a expertise necessária para que a ideia se torne uma empresa que gere empregos e produtividade”, afirma Hermes Ignacio, gerente de Novos Negócios do Biopark.
A consolidação do modelo também reflete a estratégia acadêmica da Faculdade Donaduzzi, que direciona a formação para desafios concretos do agronegócio. A proposta integra ensino, pesquisa aplicada e desenvolvimento tecnológico em ambiente de inovação, aproximando estudantes das demandas reais do setor produtivo.
Segundo a gerente acadêmica Dayane Sabec, o objetivo é formar profissionais com capacidade de converter conhecimento técnico em valor econômico e social. “Nosso objetivo é formar profissionais capazes de transformar conhecimento em valor econômico e social, conectando ciência, tecnologia e empreendedorismo. Quando um projeto acadêmico alcança o mercado, reafirmamos a potência de uma educação que ultrapassa os muros da sala de aula e contribui diretamente para o desenvolvimento regional e nacional”, destaca.





