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Causas e impactos da úlcera de sola em rebanhos leiteiros
Vários fatores intrínsecos e extrínsecos contribuem para o desenvolvimento de afecções podais em bovinos leiteiros. Conheça detalhes sobre a Pododermatite Circunscrita, popularmente conhecida como úlcera de sola.

Nas últimas décadas, o Brasil apresentou crescimento considerável na produção leiteira. Um dos motivos desse crescimento é a globalização do mercado, que consequentemente levou os pecuaristas a investirem em melhoramento genético e novas tecnologias. Concomitantemente a essa evolução, sistemas de criação mais modernos foram ampliados e adaptados de acordo com a elevada produtividade.
Todavia, como desvantagem, neste cenário surgiram maiores incidências de enfermidades reprodutivas, afecções da glândula mamária e afecções do sistema locomotor. Nessa perspectiva, abordando especificamente as doenças podais, elas compreendem a terceira maior causa dos prejuízos em vacas leiteiras, por geralmente serem animais confinados, devido aos fatores hormonais ou até mesmo pelo peso do úbere. Assim, é possível listar uma série de enfermidades: Dermatite Interdigital; Erosão Ungular; Dermatite Verrucosa; Dermatite Digital; Flegmão Interdigital; Pododermatite Asséptica (Laminite); Fissuras Longitudinais e Transversais; Deformação Ungular; Doença da Linha Branca; Hiperplasia Interdigital; Pododermatite Séptica e por fim, a Pododermatite Circunscrita, conhecida também como Úlcera de Sola, que será tratada neste texto.
A Pododermatite Circunscrita ou Úlcera de Sola é caracterizada por provocar lesões que interrompem o funcionamento regular do casco, sendo considerada consequência do enfraquecimento do tecido córneo da região. Todo esse processo resulta em grande desconforto ao animal, redução na produção de leite, menor desempenho reprodutivo, descarte precoce, dificuldades no manejo, entre outros problemas.
Vale ressaltar que os animais acometidos por afecções locomotoras permanecem em decúbito por longos períodos, o que compromete até mesmo uma alimentação regular, favorece o aparecimento de outras doenças, como a mastite, e consequentemente prejudica a produtividade leiteira. Além desses problemas, vacas com cascos lesionados têm taxas de concepção mais baixas, maior prevalência de cistos ovarianos, podem apresentar cio silencioso ou anestro, havendo também comprometimento da imunidade.
Esta afecção se caracteriza pela presença de uma ferida na sola do casco, causando hemorragia, dor e claudicação. Geralmente os animais apresentam incialmente relutância discreta em caminhar, o que vai progredindo no decorrer do tempo. É possível observar, em vários casos, perda de peso e o aparecimento de infecções secundárias. Desta forma, é muito importante que seja feita a observação periódica dos cascos dos animais.
De forma geral, as afecções podais são caracterizadas por envolverem a região dos dígitos dos bovinos, apresentando maior incidência em rebanhos leiteiros com sistemas de confinamentos, não sendo diferente para rebanhos de gado de corte confinados. Além disso, outros fatores predisponentes são as más condições de higiene, piquetes sujos, com muito barro, limpeza deficiente das camas, pisos altamente abrasivos, vias de passagem contendo muito cascalho, umidade excessiva, casqueamento e manejo incorretos, fatores infecciosos, hereditários (animais com deficiência de aprumos) ou até mesmo o acometimento por trauma. Outros autores constataram ainda que hormônios da reprodução, que são liberados no pré-parto, também podem predispor o problema, uma vez que influenciam na frouxidão dos tecidos conectivos presentes na região do casco.
Prevenção e controle
Devido a relevância da enfermidade na pecuária, medidas de prevenção e controle tornam-se indispensáveis. Existem diretrizes preventivas que podem ser seguidas para reduzir os casos como: preservar o coxim através de uma nutrição balanceada, visto que a nutrição está diretamente ligada à saúde e à integridade dos casos; assegurar superfície de repouso confortável, de modo que a vaca descanse por pelo menos 12 horas por dia; casqueamento preventivo recorrente.
Além disso, outras medidas são eficazes, dentre elas a atenção quanto aos fatores predisponentes, incluindo a prevenção do estresse térmico, das doenças reprodutivas e doenças metabólicas no período de transição. Como manejo adicional recomenda-se o uso de pedilúvio com soluções de sulfato de cobre e formaldeído, descrito como altamente eficaz na prevenção de pododermatites, promovendo mais firmeza ao casco e contribuindo para a eliminação de possíveis agentes infecciosos. Por fim, é muito importante prezar sempre pelo melhoramento genético do rebanho.
Como forma de tratamento recomenda-se a remoção cirúrgica das regiões necrosadas, antissepsia com iodo, uso de tamancos (tacos de madeira ou EVA) no dígito contralateral. Adicionalmente, é indicada a utilização de bandagem, que deve ser trocada com intervalos de pelo menos 72 horas, podendo se estender a depender da cicatrização da ferida, ausência de infecção e qualidade de impermeabilização do curativo.
É importante que seja feito o controle das infecções e inflamações através do uso de antimicrobianos e anti-inflamatórios. Dentre os antimicrobianos indicados está o Ceftiofur (cefalosporina de terceira geração), que apresenta amplo espectro de ação, boa perfusão em tecidos periféricos e não requer período de carência para consumo do leite. Podendo, assim, ser utilizado em associação com um anti-inflamatório não hormonal, como o Cetoprofeno. Por fim, ressalta-se que o protocolo de tratamento deve ser sempre instituído por um médico veterinário.
As referências bibliográficas estão com a autora. Contato via: [email protected].
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Novo status sanitário do Brasil fortalece exportações paranaenses para a China
Setor pecuário do Estado espera ganhos em competitividade, demanda por proteínas e valorização da cadeia bovina.

O reconhecimento do território brasileiro como área livre de febre aftosa sem vacinação pela China terá impacto positivo para a pecuária do Paraná, conforme análise do Sistema Faep. A medida tem potencial de ampliar oportunidades comerciais para o Estado, já reconhecido como área livre da doença desde 2021. A decisão do governo chinês ocorre após mais de duas décadas de negociações e elimina restrições sanitárias que ainda limitavam parte das exportações brasileiras de produtos da pecuária.

Foto: Shutterstock
O anúncio ocorre um ano após a Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) reconhecer o Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação, resultado de um processo de décadas envolvendo produtores rurais, serviços veterinários oficiais e governos estaduais.
“O elevado status sanitário paranaense e a organização da cadeia pecuária colocam o Estado em posição favorável para aproveitar o novo cenário comercial. O principal reflexo esperado é o fortalecimento da competitividade das nossas proteínas, ainda mais para um mercado consumidor com alta demanda, como a China”, avalia o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Na prática, a decisão pode resultar em aumento da demanda chinesa por proteínas animais produzidas no Brasil, mais oportunidades para frigoríficos exportadores instalados no Paraná, sustentação ou valorização dos preços do boi gordo em caso de crescimento das exportações e efeitos positivos no mercado de reposição, especialmente para bezerros e garrotes.

Foto: Thais Rodrigues de Sousa
Segundo o técnico do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep Fábio Peixoto Mezzadri, os números já demonstram a relevância do mercado chinês para a pecuária de corte bovino paranaense. “Em 2025, o Paraná exportou 23,5 mil toneladas de produtos bovinos para China, movimentando US$ 126,9 milhões. O principal volume corresponde às carnes bovinas congeladas desossadas, responsáveis pela maior parte do valor exportado pelo Estado”, explica.
Principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, a China respondeu por mais de US$ 50 bilhões em compras do setor em 2025. “O reconhecimento sanitário reforça a confiança nas cadeias produtivas nacionais e fortalece a parceria estratégica entre os dois países, ao mesmo tempo em que cria novas possibilidades de expansão para produtores e exportadores brasileiros e, especialmente, os paranaenses”, conclui Mezzadri.
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Pecuária impulsiona alta de 4% nas vendas de suplementos minerais
Exportações aquecidas, valorização da cria e período seco sustentam crescimento do mercado.

As vendas de suplementos minerais para pecuária começaram 2026 em ritmo de crescimento. Entre janeiro e abril, as indústrias associadas à Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) comercializaram 764,8 mil toneladas de produtos, volume 4% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Apenas em abril, as vendas alcançaram 210,4 mil toneladas, alta de 4,9%.
Os números foram apresentados durante o Painel de Mercado da entidade, realizado em São Paulo, e refletem um cenário favorável para a pecuária brasileira, impulsionado pela valorização dos animais, pelo avanço das exportações e pela necessidade de suplementação durante o período seco.

O aumento no volume comercializado foi acompanhado por uma expansão ainda mais expressiva do número de animais atendidos. Segundo o economista Felippe Cauê Serigati, pesquisador da FGV Agro, a quantidade de bovinos suplementados cresceu 8% no primeiro quadrimestre, alcançando 68 milhões de cabeças.
O crescimento foi puxado principalmente pelos produtos das categorias Núcleos e Pronto para Uso. “A tendência é que os bons resultados continuem durante o período seco de outono-inverno, impulsionados pela necessidade de suplementação nutricional, pela valorização da cria e pelo bom momento da pecuária brasileira. Apesar dos desafios internos e externos, a economia brasileira deve seguir crescendo e a carne bovina continuará forte em produção, exportações, abates e consumo interno”, afirmou Serigati.
Exportações sustentam otimismo na pecuária

Foto: Gisele Rosso
Durante o encontro, o professor da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Fava Neves destacou o fortalecimento das cadeias de proteína animal como um dos principais motores da economia brasileira. “Estamos assistindo a uma verdadeira ‘carnificação’ da economia brasileira, fortalecendo o interior do país e integrando cadeias produtivas como DDG, farelo de soja, biogás, biometano e biodiesel. O agro brasileiro está construindo um modelo cada vez mais eficiente e sustentável”, enfatizou.
Segundo o profissional, o mercado internacional segue favorecendo a pecuária brasileira. Ele destacou o aumento das compras pelos Estados Unidos e a manutenção da demanda chinesa pela carne bovina nacional. “Os Estados Unidos estão comprando muito e a China segue demandando carne brasileira, inclusive por caminhos alternativos. Hoje, exportamos cerca de 4 milhões de toneladas por ano e podemos chegar a 5 milhões até 2035”, frisou.
Economia cresce, mas desafios permanecem
A avaliação dos participantes do painel é que o Brasil continua apresentando crescimento econômico em 2026, apesar do ambiente marcado por inflação elevada, juros altos e aumento do custo dos alimentos.
A projeção apresentada por Serigati aponta expansão de aproximadamente 1,9% do PIB neste ano, sustentada pelo consumo das famílias, aumento da renda e desempenho das exportações, especialmente do agronegócio. “O Brasil possui petróleo para exportar e está menos vulnerável do que outras economias globais. Porém, o crescimento atual ocorre sem sustentação fiscal, os juros devem cair lentamente e o endividamento das famílias continua elevado”, ponderou.
Cenário internacional exige atenção
As tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã também entraram na pauta do evento. A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz tem provocado volatilidade nos mercados de energia e insumos.
Mesmo assim, a avaliação dos especialistas é que o Brasil permanece em posição relativamente favorável por sua condição de exportador de alimentos e energia.
Para Fava Neves, as oportunidades para o agronegócio continuam robustas, mas exigem gestão profissional dentro das propriedades. “O mundo está turbulento, mas continuará precisando de alimentos. O Brasil é a cozinha do planeta e terá papel fundamental no abastecimento global diante da urbanização, do aumento da renda e do crescimento do consumo de proteína animal”, ressaltou.
Ele acrescentou que fatores como clima, custos de produção, sanidade, mão de obra e endividamento devem permanecer no radar dos produtores.
Logística reversa preocupa empresas
Além das questões de mercado, o encontro abordou temas regulatórios que preocupam o setor. Um deles é a logística reversa das embalagens, assunto que ainda não possui regulamentação definitiva para a cadeia de suplementos minerais.
Segundo a Asbram, empresas vêm sendo autuadas em estados como Goiás, Mato Grosso e São Paulo, apesar da ausência de obrigatoriedade formal para implantação do sistema. A recomendação da entidade é que as companhias apresentem recursos administrativos enquanto o tema continua em discussão.
Asbram prepara livro sobre 30 anos de atuação
A associação também anunciou o lançamento de um livro comemorativo aos seus 30 anos, previsto para ser apresentado durante o simpósio da entidade em 2027. A publicação reunirá a trajetória da Asbram e das cerca de 100 empresas associadas, registrando três décadas de atuação na nutrição do rebanho bovino brasileiro. “Vamos registrar nossa história, nossas ações, eventos, campanhas, debates e o trabalho técnico desenvolvido ao longo dessas três décadas. 2026 é um ano desafiador, mas acreditamos que, nos próximos dez anos, a pecuária será o maior setor do agronegócio brasileiro”, salientou Elizabeth Chagas.
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Carne bovina está entre os cinco produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos
Levantamento da Comex Stat mostra que siderurgia, petróleo, proteína animal e setor aeronáutico lideram as vendas brasileiras ao mercado norte-americano.

A carne bovina ocupa a terceira posição entre os produtos brasileiros mais exportados para os Estados Unidos, segundo dados da Comex Stat. O produto respondeu por US$ 814,6 milhões em embarques e representou 7,5% do valor total exportado pelo Brasil para o mercado norte-americano no período analisado.

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O ranking evidencia a importância do agronegócio na pauta comercial entre os dois países, mas também mostra o peso de setores como siderurgia, petróleo e indústria aeronáutica nas exportações brasileiras.
Na liderança aparecem os produtos semiacabados, lingotes e outras formas primárias de ferro ou aço, com vendas de US$ 1 bilhão, equivalentes a 9,2% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos. Em segundo lugar estão os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos crus, que somaram US$ 857,5 milhões e participação de 7,9%.
Além da carne bovina, a lista dos cinco principais produtos exportados inclui aeronaves e outros equipamentos,

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incluindo peças e componentes, com US$ 768,3 milhões e participação de 7% nas vendas externas. Fechando o ranking aparece o ferro-gusa, ferro-esponja, grânulos, pó de ferro ou aço e ferro-ligas, que movimentaram US$ 594,1 milhões, o equivalente a 5,4% do total exportado.
Agro ganha relevância em meio ao debate tarifário
Os números ganham relevância em um momento de atenção do setor exportador às medidas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos. A carne bovina é um dos produtos mais relevantes do agronegócio brasileiro no mercado americano e figura entre os itens estratégicos da pauta bilateral.

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O levantamento também mostra que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos é marcada por uma diversificação de produtos, envolvendo commodities agrícolas, minerais, petróleo e bens industrializados de maior valor agregado.
Cinco produtos representam mais de um terço das exportações
Somados, os cinco principais produtos exportados pelo Brasil para os Estados Unidos representam cerca de 37% do valor total embarcado ao país, demonstrando forte concentração em alguns segmentos específicos da economia.
A presença simultânea de produtos do agronegócio, mineração, energia e indústria reforça a importância do mercado norte-americano para diferentes cadeias produtivas brasileiras e ajuda a explicar a preocupação de exportadores diante de possíveis mudanças nas regras comerciais entre os dois países.



