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UE e Índia selam acordo e criam uma das maiores áreas de livre comércio do mundo
Após 20 anos de negociações, acordo reduz tarifas, amplia fluxos comerciais e consolida parceria estratégica em meio a tensões geopolíticas.

A União Europeia (UE) e a Índia formalizaram nesta terça-feira (27) um acordo de livre comércio que encerra um processo de negociações iniciado há duas décadas e cria uma das maiores zonas comerciais do mundo, abrangendo um mercado potencial de cerca de dois bilhões de pessoas.

Primeiro-ministro indiano Narendra Modi: O acordo trará muitas oportunidades” – Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil
O entendimento surge em um momento de elevada incerteza geopolítica e econômica e é visto por ambos os lados como um instrumento para diversificar parcerias, reduzir vulnerabilidades e fortalecer cadeias produtivas fora do eixo sino-americano. “O acordo trará muitas oportunidades”, afirmou o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, antes de se reunir com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
O acordo representa quase 25% do PIB mundial e um terço do comércio internacional, dimensão que reforça o peso econômico e político da iniciativa.
A presidente da Comissão Europeia celebrou o desfecho das negociações. “Europa e Índia fizeram história hoje”, escreveu Ursula von der Leyen na rede social X. “Concluímos o maior acordo de todos. Criamos uma zona de livre comércio de 2 bilhões de pessoas que beneficiará ambos os lados”, acrescentou.
Os últimos entraves técnicos e políticos foram superados na segunda-feira (26), durante a rodada final de negociações. O acordo prevê uma redução expressiva de tarifas em diversos setores, com impacto direto sobre o fluxo bilateral de bens e serviços. De acordo com Bruxelas, a diminuição das taxas aplicadas pela Índia a produtos europeus pode gerar uma economia anual de até € 4 bilhões para empresas do bloco.
A Alemanha classificou o tratado como um motor de crescimento e geração de empregos, sinalizando o interesse particular da indústria

Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen: “Concluímos o maior acordo de todos. Criamos uma zona de livre comércio de 2 bilhões de pessoas que beneficiará ambos os lados” – Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
europeia em ampliar presença no mercado indiano, historicamente protegido por altas barreiras tarifárias.
Acordo com bloco sul-americano
O anúncio ocorre pouco mais de uma semana após a UE ter fechado um acordo com o Mercosul, em 17 de janeiro, também depois de mais de 25 anos de negociações. Embora o tratado com o bloco sul-americano ainda enfrente questionamentos jurídicos no Parlamento Europeu, que suspenderam sua ratificação por até um ano e meio, o avanço simultâneo dessas frentes comerciais evidencia a estratégia europeia de ampliar sua rede de acordos em escala global.
Ganhos com o acordo
No caso indiano, os ganhos tarifários são considerados expressivos. As taxas de importação sobre veículos produzidos na Europa cairão de 110% para 10%. No segmento de bebidas, as tarifas sobre o vinho serão reduzidas de 150% para 20%. Já os impostos aplicados à massa e ao chocolate, atualmente em torno de 50%, serão totalmente eliminados, segundo autoridades europeias. “A UE espera se beneficiar do maior nível de acesso já concedido a um parceiro comercial ao mercado indiano, tradicionalmente protegido”, disse Von der Leyen.

Foto: Claudio Neves
A avaliação da Comissão Europeia é de que o acordo pode permitir ao bloco dobrar suas exportações para o país asiático nos próximos anos.
Do lado indiano, a expectativa é de expansão das vendas externas de têxteis, joias, pedras preciosas e produtos de couro. Em 2024, o comércio de mercadorias entre as partes alcançou 120 bilhões de euros, alta de quase 90% em dez anos, enquanto o intercâmbio de serviços somou 60 bilhões de euros, segundo dados da UE.
O interesse europeu é reforçado pelo tamanho e pelo dinamismo da economia indiana. Com cerca de 1,5 bilhão de habitantes, o país registrou crescimento anualizado de 8,2% no último trimestre. Projeções do Fundo Monetário Internacional indicam que a Índia deve ultrapassar o Japão ainda neste ano e se tornar a quarta maior economia do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, China e Alemanha, com possibilidade de alcançar a terceira posição antes de 2030.
Para Nova Délhi, a Europa é vista como uma fonte estratégica de tecnologia e investimentos, essenciais para acelerar a modernização da

Foto: Claudio Neves
economia e criar milhões de empregos. Além do comércio, o acordo abre caminho para entendimentos adicionais sobre circulação de trabalhadores temporários, intercâmbio de estudantes, pesquisadores e profissionais altamente qualificados, bem como cooperação nas áreas de segurança e defesa. “Índia e Europa fizeram uma escolha clara: a da parceria estratégica, do diálogo e da abertura”, escreveu Von der Leyen, acrecentando: “Mostramos a um mundo dividido que existe outro caminho possível.”
No campo militar, o entendimento também ganha relevância estratégica. A Índia vem diversificando suas compras de equipamentos, reduzindo a dependência histórica da Rússia, enquanto a Europa busca ampliar sua autonomia em relação aos Estados Unidos. Nesse contexto, o acordo de livre comércio consolida não apenas uma aproximação econômica, mas um alinhamento mais amplo entre duas das principais potências globais emergentes do século XXI.

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Economia brasileira mantém expectativa de crescimento estável para 2026
Com o dólar em queda, real ganha força e câmbio mostra cenário mais favorável no início do ano.

O cenário macroeconômico brasileiro no início de 2026 combina queda na taxa de câmbio com estabilidade nas projeções de crescimento da economia. A valorização do real frente ao dólar ocorre em um contexto de expectativas relativamente estáveis para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) ao longo do ano.

Foto: Shutterstock
No mercado cambial, o dólar registra recuo tanto na comparação com o mês anterior quanto em relação ao mesmo período do ano passado. O movimento indica uma trajetória de apreciação da moeda brasileira ao longo dos últimos meses, refletindo ajustes nas condições financeiras internacionais, no fluxo de capitais e nas expectativas do mercado em relação à economia doméstica.
A redução do câmbio tende a ter impacto direto sobre diferentes setores da economia. Para cadeias produtivas que dependem de insumos importados, a queda da moeda norte-americana pode contribuir para aliviar custos. Por outro lado, para segmentos fortemente exportadores, um real mais valorizado pode reduzir parte da competitividade no mercado internacional.
Em paralelo, as projeções para o crescimento da economia brasileira seguem relativamente estáveis. As estimativas de mercado para o PIB de 2025 mantêm-se próximas de 1,8%, indicando que os agentes econômicos não realizaram revisões significativas nas expectativas mais recentes.

Foto: Marcelo Cassal/Agência Brasil
Na comparação anual, houve leve melhora nas projeções de crescimento, sugerindo uma visão um pouco mais otimista em relação ao desempenho da atividade econômica. No entanto, na comparação com o mês anterior, o cenário permanece praticamente inalterado, reforçando a percepção de estabilidade nas expectativas.
As informações integram análise de indicadores econômicos divulgada pelo Centro de Inteligência do Leite (CILeite), da Embrapa Gado de Leite, com base em dados do Banco Central do Brasil, que acompanham variáveis macroeconômicas relevantes para o desempenho do setor agropecuário e da cadeia do leite.
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Copercampos supera R$ 9,6 milhões em economia com Mercado Livre de Energia
Estratégia iniciada em 2018 já envolve 13 unidades da cooperativa e reduz custos com eletricidade em mais de 25% em comparação ao mercado cativo.

A decisão estratégica da Copercampos de migrar parte de suas unidades para o Mercado Livre de Energia segue gerando resultados expressivos e consolida a cooperativa como referência em gestão eficiente de custos e visão de longo prazo. Iniciado em 2018, o projeto começou com a migração de cinco unidades e, ao longo dos anos, foi sendo ampliado de forma planejada, acompanhando a evolução do consumo energético e as oportunidades do setor elétrico brasileiro.
Somente em 2025, as unidades da Copercampos inseridas no mercado livre registraram uma economia de R$ 1.866.154,16, o que representa uma redução média de 25,55% nos custos com energia elétrica em comparação ao mercado cativo, sem considerar o ICMS. No período, o consumo total dessas unidades somou 11.168,040 MWh, evidenciando a relevância do impacto financeiro da estratégia adotada.
Além do ganho econômico, toda a energia adquirida pela cooperativa no Mercado Livre é proveniente de fontes 100% renováveis, o que reforça o compromisso da Copercampos com práticas sustentáveis e responsáveis. “A utilização de energia limpa contribui diretamente para a sustentabilidade econômica, social e ambiental, alinhando eficiência operacional com responsabilidade ambiental”, destaca o Gerente Operacional Ricardo Saurin.
Desde o início do projeto, a cooperativa avançou de forma consistente. Em 2018, cinco unidades passaram a operar no mercado livre. Em 2024, outras três migraram, seguidas por mais cinco unidades em 2025. Atualmente, o grupo conta com 13 unidades no ambiente de contratação livre, e o planejamento segue ativo, com mais cinco unidades em processo de migração em 2026, reforçando o compromisso contínuo com a eficiência energética e a competitividade.
No acumulado desde 2018, a economia total alcançada pela Copercampos com o mercado livre de energia é superior a R$ 9,6 milhões. O maior destaque está na Indústria de Rações, unidade que apresenta o maior consumo energético do grupo. Migrada ainda em 2018, essa unidade já acumula, até o momento, uma economia de R$ 5,3 milhões, demonstrando como o modelo é especialmente vantajoso para operações industriais de grande porte e consumo intensivo.
“Além da redução direta de custos, a atuação no mercado livre proporciona ganhos estratégicos, como previsibilidade orçamentária, análises de impacto de reajustes tarifários, otimização de demanda e avaliação contínua do perfil de consumo. Para 2026, estamos realizando a contratação de três novos contratos de fornecimento, ampliando a gestão ativa da energia e fortalecendo a segurança no abastecimento”, ressalta Ricardo Saurin.
O gerente da área ressalta ainda que a experiência da Copercampos no Mercado Livre de Energia demonstra que a eficiência energética vai além da economia financeira. “Trata-se de uma ferramenta estratégica para fortalecer a competitividade, sustentar investimentos e contribuir para um modelo de gestão cada vez mais moderno, sustentável e alinhado às boas práticas ambientais”, complementa.
Colunistas
Inventário pode consumir até 40% do patrimônio familiar
Holding rural pode reduzir custos e evitar inventário na sucessão patrimonial

Até 40% do patrimônio bruto de uma família pode ser consumido em um processo de inventário, somando impostos, custas judiciais e outras despesas. Além do custo elevado, o procedimento costuma se arrastar por anos: em média, cinco até a conclusão.
O advogado Manoel Terças, com 18 anos de atuação jurídica e especialista em holding rural, explica que a constituição de uma holding é hoje uma das estratégias mais utilizadas para organizar o planejamento patrimonial, sucessório e tributário no meio rural.
Segundo ele, a estrutura permite organizar a transferência de bens ainda em vida, reduzir a carga tributária, prevenir conflitos familiares e dar maior previsibilidade à sucessão, evitando a necessidade de inventário judicial.
A possibilidade de criação de holdings no Brasil existe há quase cinco décadas e tem sido amplamente utilizada como instrumento de proteção e gestão do patrimônio familiar. Em determinadas operações, a estrutura também pode oferecer vantagens fiscais, como a não incidência de ITBI.



