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Tripanosomose reduz eficiência reprodutiva em vacas e touros

Animais aparentemente estão saudáveis, mas a instalação dessa enfermidade gera perdas de desempenho produtivo e reprodutivo e, consequentemente, lucratividade

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Uma doença de difícil detecção e alta capacidade de se proliferar no rebanho tem sido negligenciada por produtores de bovinos em todo o Brasil. Os animais aparentemente estão saudáveis, mas a instalação dessa enfermidade gera perdas de desempenho produtivo e reprodutivo e, consequentemente, lucratividade. Para especialistas, falta conscientização de pecuaristas e técnicos. “Uma grande dificuldade que se encontra a campo é a conscientização por parte de consultores e proprietários de que a tripanosomose é uma doença que requer intervenção imediata, pois o rebanho se encontra em risco”, cita o PhD em Medicina Veterinária, Alexandre Souza, gerente técnico de Pecuária da Ceva Saúde Animal.

“Animais aparentemente saudáveis podem ser portadores com baixa parasitemia e ser uma fonte de contaminação contínua para outros animais do rebanho. Para se ter uma ideia, após a introdução de uma agulha em um animal contaminado pela tripanosomose durante uma rotina de vacinação, os próximos cinco animais podem ser contaminados caso seja utilizada a mesma agulha compartilhada entre esses animais, o que evidencia a facilidade com que a tripanosomose pode se espalhar em um rebanho”, alerta Souza.

Em entrevista exclusiva, Alexandre Souza fala mais sobre o que é essa doença, seus prejuízos, formas de tratamento e prevenção, alertando para sua interferência na reprodução do rebanho. De acordo com o estudioso, “o impacto na reprodução de rebanhos de corte e leite é documentado e vai de surtos de abortos, diminuição drástica nas taxas de concepção, diminuição grave da qualidade do sêmen de touros contaminados, maior incidência de retenção de placenta e nascimento de bezerros fracos ou natimortos”. Boa leitura!

O Presente Rural (OP Rural) – O que é a tripanossomose?

Alexandre Souza (AS) – Nos bovinos a tripanosomose é uma doença causada por um protozoário hemoparasita (parasita microscópico presente na corrente sanguínea) que causa um quadro sintomatológico no animal muito similar à “tristeza parasitária” e pode causar surtos de mortes ou, em sua fase crônica, perdas subclínicas no ganho de peso, produção e fertilidade, com grande impacto econômico para rebanhos de corte e leite.

OP Rural – Faça um breve histórico da doença no Brasil?

AS – Relatos indicam que a tripanosomose entrou na América do Sul em uma importação de gado do Senegal em 1830. E estudos oficiais documentam a presença do parasita em rebanhos no Brasil na década de 70. Mais recentemente, vários surtos de doença aguda causada pela tripanosomose causando morte de grande quantidade de animais foram descritos por especialistas e consultores em muitas regiões do Brasil, principalmente em áreas de concentração de produção leiteira.  

OP Rural – Qual sua prevalência no Brasil hoje?

AS – Nas últimas décadas a tripanosomose foi documentada em todos os estados do Brasil sem exceção, conforme relato do professor doutor Fabiano Cadioli, da Unesp de Araçatuba. Porém, a situação da maioria das regiões é de uma doença crônica que pode passar desapercebida pelo produtor, pois os animais podem aparentemente estar saudáveis, mas de forma subclínica a doença diminui o desempenho produtivo e reprodutivo do rebanho, limitando a lucratividade do produtor. A situação é bastante preocupante, pois estima-se por meio de estudos de sorologia e/ou testes moleculares que em algumas regiões, mais da 70% dos animais podem estar contaminados pelo parasita.   

OP Rural – Quais são os sintomas?

AS – O parasita presente na corrente sanguínea altera a membrana das hemácias que são “descartadas” pelo baço do animal, causando um quadro anêmico acentuado e queda de imunidade, o que pode acarretar em comorbidades, ou seja, outras doenças que se aproveitam de um animal com sistema imune deprimido.

Na forma aguda da doença, os sintomas são de certa forma similares aos sintomas da conhecida “tristeza parasitária”, que incluem anemia, febre alta e intermitente, apatia, inapetência (diminuição de ingestão de alimento), rápida perda de peso, surtos de abortos e perda embrionária, diminuição acentuada da produção de leite que pode chegar a 50% ou mais da produção do animal, cegueira, lacrimejamento intenso, aumento de linfonodos, diarreia, quadros neurológicos graves similares aos sintomas da raiva ou mesmo confundida com febre do leite pós-parto, seguido de decúbito que normalmente evoluem para morte do animal se não tratado a tempo.

Em sua forma subclínica – de certa forma a mais debilitante em termos financeiros para produtores brasileiros – temos diminuição de 10 a 50% do potencial de produção de leite e ganho de peso do animal, eficiência reprodutiva comprometida em fêmeas e machos, artrites, opacidade ocular e cegueira parcial que podem se desenvolver para um quadro ulcerativo grave com perda ocular similar à cerato-conjuntivite, e outras comorbidades variadas devido a depressão do sistema imune do animal. Nessa fase crônica, em termos de comorbidades, destaca-se o sinergismo entre a tripanosomose e a anaplasmose no quadro de anemia e caquexia.

OP Rural – Como é feito o diagnóstico?

AS – O diagnóstico laboratorial deve ser feito com base em sinais clínicos compatíveis com a suspeita de tripanosomose. Porém, como vimos anteriormente os sintomas da tripanosomose são bastante difusos, sendo confundida com outras doenças muito comuns a campo. De qualquer forma, quando existe a suspeita clínica da doença, temos disponíveis testes de microscopia direta como o esfregaço sanguíneo, teste de gota espeça e teste de Woo (microhematócrito utilizado para aumentar a sensibilidade do teste direto).

Os testes de microscopia direta têm a vantagem do baixo custo e simplicidade do teste que pode ser feito a campo com facilidade, porém a grande desvantagem dos testes diretos seria a baixa sensibilidade do teste, que somente deve ser utilizado em casos de doença aguda e mesmo assim a sensibilidade é bastante limitada. Portanto, a recomendação é a utilização de testes sorológicos do tipo Elisa ou Imunofluerescência indireta (Rifi), que detectam anticorpos contra o tripanosoma. A vantagem destes testes é a maior sensibilidade, com boa especificidade, além do relativo baixo custo.

É importante lembrar que quando anticorpos são detectados, isso não quer dizer que o animal tem uma parasitemia ativa. A presença destes anticorpos quer dizer que o animal foi contaminado pelo tripanosoma e que aparentemente pode se apresentar saudável por ter uma parasitemia baixa, mas este animal é uma fonte contaminante para o rebanho. Em situações de estresse, o animal aparentemente saudável pode adoecer rapidamente.

Outra possibilidade de diagnóstico são testes moleculares que detectam o DNA do tripanosoma (testes do tipo PCR). A vantagem do PCR é sua ainda maior sensibilidade e especificidade, porém o custo pode ser proibitivo para rebanhos comerciais e atualmente é mais comumente utilizado em pesquisas científicas.

OP Rural – Quais as consequências para o rebanho, de corte e de leite?

AS  – Como consequências, obviamente a mortalidade súbita de muitos animais é o pior cenário relatado por produtores de todo Brasil. Mas é importante ressaltar que em termos financeiros a doença subclínica tende a ter um maior impacto financeiro para rebanhos de corte e leite. Na literatura é relatado perdas de ganho de peso de até 40% se comparado a animais não infectados, além de outras morbidades associadas, como maior carga de parasitas devido a deficiência no sistema imune do animal.

Em rebanhos leiteiros, obviamente temos os mesmos problemas de menor ganho de peso em bezerros em fase de crescimento, além de perdas de produção de leite de 10 a 50% do potencial do animal. Apesar de existirem poucos estudos – o impacto na reprodução de rebanhos de corte e leite é documentado e vai de surtos de abortos, diminuição drástica nas taxas de concepção, diminuição grave da qualidade do sêmen de touros contaminados, maior incidência de retenção de placenta e nascimento de bezerros fracos ou natimortos.

OP Rural – Como é feito o tratamento?

AS – A droga mais eficiente no tratamento da tripanosomose bovina causada pelo tripanosoma vivax é o isometamidium, que deve ser administrado na dose de 1mg por kg de peso vivo do animal em um protocolo de 3 a 4 tratamentos sequenciais, com intervalos de 2 a 4 meses dependendo da gravidade do surto. É importante lembrar que a subdosagem é a via mais rápida para o aparecimento de cepas resistentes do tripanosoma. Portanto, subdosagem não é recomendada. Além disso, é recomendado a utilização de drogas específicas para o tratamento de tristeza parasitária por babesia (ex: diminazeno) e anaplasma (ex: oxitetraciclina) pelo menos duas semanas antes do início do protocolo com isometamidium em animais com anemia mais acentuada e condição corporal muito baixa – essa recomendação é devido a comum associação da babesia, anaplasma e tripanosomose em bovinos a campo.

Outros tratamentos de suporte ao longo do protocolo de isometamidium também podem ser úteis, como complexos de aminoácidos, vitaminas e minerais como suporte durante o período de recuperação do animal.

OP Rural – Como a doença pode interferir na reprodução?

AS – Existem publicações na literatura científica que comprovam o impacto da tripanosomose em fêmeas e machos bovinos. A seguir uma lista de problemas relatados na literatura para machos e fêmeas.

Fêmeas:

Atraso na taxa de crescimento de novilhas e atraso de puberdade

Diminuição acentuada da taxa de concepção

Abortos e perda embrionária precoce

Antecipação do parto caso contaminação ocorra no terço final da gestação

Nascimento de bezerros fracos (contaminados pelo tripanosoma durante o período gestacional)

Bezerros natimortos

Retenção de placenta

Anestro prolongado no pós-parto devido ao balanço energético negativo mais acentuado e lesões degenerativas de glândulas do eixo hipotálamo-hipófise-gônadas

Machos:

Atraso no crescimento e puberdade de touros a campo

Orquites, com lesões testiculares e no epidídimo

Lesões nos túbulos seminíferos e em células de Sertoli já identificadas na literatura

Oligospermia (menor concentração de células espermáticas no ejaculado)

Aumento de alterações e defeitos em células espermáticas

As alterações na qualidade do sêmen de touros reprodutores podem ser notadas em menos de duas semanas após a contaminação do animal

OP Rural – Em que período da reprodução ela é mais grave?

AS – A tripanosomose pode causar problemas de qualidade de oócitos em vacas no pós-parto devido a maior perda de peso, o que afeta a qualidade do oócito ovulado, o que acarreta em perda de qualidade embrionária. Além disso, animais acometidos pela tripanosomose podem apresentar perdas embrionárias ou abortos em qualquer fase da gestação. Estudos recentes sugerem que a infecção da vaca no terço final da gestação parece ser mais grave para a gestação em si, e a maioria dos animais vai abortar frente à contaminação por tripanosomose nesse período gestacional final.

OP Rural – Como garantir um processo reprodutivo e o rebanho livre dessa doença?

AS – Manter o rebanho livre de tripanosomose envolve a utilização do protocolo de tratamento com isometamidium em todo o rebanho como recomendado pela FAO em casos de grande incidência de animais com sorologia positiva no rebanho. Outros cuidados no controle da tripanosomose incluem: evitar compra de animais não testados, e em caso de compra de animais sem quarentena e diagnóstico específico utilizar o mesmo protocolo com isometamidium, uso de agulhas individuais durante aplicações de ocitocina e vacinações, e principalmente controlar a população de moscas picadoras no rebanho, com destaque para o controle de moscas do tipo stomoxys (mosca dos estábulos). Estes procedimentos associados a uma completa avaliação clínica anual do rebanho, que deve também considerar a epidemiologia da doença na região, podem manter o rebanho livre da doença.

OP Rural – Quais são as perdas econômicas que a tripanossomose causa?

AS – Quanto a perdas econômicas, podemos inferir grandes perdas financeiras devido a tripanossomose. Dados de literatura indicam perda de produção na ordem de 10 a 50% do potencial do animal, graves perdas no desempenho reprodutivo, incluindo diminuição na taxa de concepção e surtos de abortos, menor ganho de peso na fase de recria, além de comorbidades variadas devido à imunossupressão causada pela tripanosomose.

Em um relato de caso em uma fazenda de leite no Brasil, a taxa de concepção de um rebanho passou de ~40% para ~24% após o aparecimento da tripanosomose. Esta queda na taxa de concepção pode representar, de acordo com modelos de cálculo de custo de reprodução de rebanhos leiteiros, perdas que giram em torno de R$ 700 a R$ 800 reais por vaca/ano somente em prejuízos relacionados à eficiência reprodutiva, sem contar perdas devido a menor produção de leite e ganho de peso.

Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2018 ou online.

Fonte: O Presente Rural

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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária Leiteira

Pastagem de trigo ganha espaço na nutrição de vacas leiteiras

Produtores têm encontrado na pastagem de trigo a solução para os problemas, uma vez que ele é mais barato e igualmente nutritivo

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Divulgação Biotrito/Rafael Czamanski

A nutrição das vacas de leite é essencial para que o volume e a qualidade do leite sejam satisfatórios. Até mesmo por este fator, este é também um dos quesitos de conta com o maior custo de produção ao pecuarista. Especialmente neste ano, em que houve um longo período de estiagem no Sul do Brasil, produtores de leite tiveram que ser criativos no momento de oferecer um alimento de qualidade aos animais, uma vez que o fator clima fez também com que produtos essenciais como a soja e o milho chegassem ao preço de R$ 100.

Dessa forma, os produtores têm encontrado na pastagem de trigo a solução para os problemas, uma vez que ele é mais barato e igualmente nutritivo. Assim, a pastagem de trigo tem suprido as perdas qualitativas e quantitativas da soja e milho. Os resultados disso foram a redução dos custos de produção, grande aceitação pelos animais (com uma maior taxa de ingesta) e maior produção de leite.

O produtor de leite de Planalto, no Rio Grande do Sul, Mateus Dalberti, é um que apostou no trigo específico para pastejo e tem colhido bons os frutos. “A grande sacada da utilização desse trigo é que com ele é possível fazer de oito a nove cortes em torno de todos os ciclos”, comenta. Segundo ele, são utilizados aproximadamente 30 animais para pastagem, com um intervalo de pastejo de 15 a 18 dias, com entrada de 25 a 30 cm e saída de 8 a 10 cm de massa foliar. “É um bom material, percebemos que ele aguentou bem o pisoteio das vacas e tem um grande rebrote”, diz.

Dalberti notou também o aumento da produção leiteira com a utilização de pastagem de trigo. “Percebemos um aumento de 50 a 100 litros/dia”, contou. O aumento na produção é consequência do maior consumo de alimento feito pelos animais. Segundo o produtor, foi perceptível que o trigo tem alta palatabilidade e as vacas se adequaram bem ao produto.

O médico veterinário que acompanha o produtor, Osvaldo Salvador, corrobora as afirmações. “Com a utilização do trigo o Mateus consegue ter um maior incremento de proteína na dieta dos animais, e com isso reduz o custo de produção no cocho, porque ele pode utilizar menos farelo de soja na dieta e assim ter maior retorno financeiro na propriedade, tendo consequentemente mais dinheiro no bolso”, afirma.

Aumento de consumo e de produção

De acordo com o engenheiro agrônomo e extensionista da Emater/RS, Jeferson Vidal Figueiredo, a agropecuária está em um momento importante, onde precisa melhorar as pastagens de inverno. “Trabalho há uns 10 anos com o trigo de pastoreio, e desde então observei junto aos pecuaristas de leite o desenvolvimento dessas pastagens bem manejadas para o gado”, comenta.

Figueiredo comenta que o feedback que tem recebido de produtores que utilizam o trigo de pastoreio é positivo. “Um pasto bem manejado no inverno já dá um bom retorno, e no trigo parece que tem um retorno ainda melhor”, informa. “Parece que as vacas gostam muito do trigo. Não sabemos ainda quais os motivos, mas quando entram na pastagem elas tendem a buscar o trigo primeiro em relação à outras pastagens. Temos observado isso ao longo dos últimos anos”, conta.

Outro ponto positivo para utilizar o trigo como alimento é que o grão é uma boa alternativa para tampar o vazio que existe nas propriedades. “Consigo entrar com ele no início de março. É uma alternativa para já ter pasto em abril”, menciona. Além disso, Figueiredo informa que o trigo oferece aos animais boa energia e alta proteína. “E se o produtor fizer uma nutrição balanceada conforme a vaca precisa, ele atinge níveis de produção satisfatórios e com um custo baixo”, informa.

O engenheiro agrônomo afirma que, especialmente na região Sul, a pastagem de inverno com trigo é um grande benefício, uma vez que é uma pastagem de extrema qualidade, com alto teor de proteína e onde é possível corrigir a questão de energia. “Vemos vacas produzindo uma quantidade significativa de leite, com uma média de 50 litros de leite com baixo índice de concentrado”, diz. “A pastagem de trigo traz um resultado gratificante e com certeza com um retorno econômico para o produtor muito satisfatório”, assegura.

Ganhos no quesito nutricional

A pastagem de trigo traz algumas vantagens em relação a custo e qualidade nutricional em relação a outras matérias primas, garante o gerente de Nutrição Animal da Biotrigo Genética, Tiago de Pauli. “Hoje os produtores estão com bastante dificuldade na questão de alimento, volumes, contando migalhas de silagem produzida”, menciona. Uma boa alternativa, principalmente em questão de proteína, especialmente com a soja a altos valores, é a pastagem de trigo, comenta. “O trigo tem uma produção de alta biomassa, consegue produzir volume de pasto muito bom e vem entregando um teor de proteína superior a 27%, chegando a até 30% de proteína, o que é muito bom”, diz.

O profissional assegura que isso permite que o produtor possa trabalhar dentro da dieta animal rações ou concentrados com menores teores de proteína, barateando de certa forma o custo com concentrado, porque existe uma necessidade menor de proteína. “O principal de tudo é que o pecuarista pode produzir proteína, que é o ingrediente mais caro da dieta na própria propriedade, fazendo um bom uso da tecnologia desses trigos, melhorando assim a rentabilidade dele no final”, afirma.

Segundo Pauli, os produtores que utilizam o trigo tem relatado aumento no ganho de peso dos animais e de produção de leite, além da questão da velocidade com que o material permite a reentrada dos animais no piquete. “Nós sabemos que o animal tem preferências de consumo, assim como nós. E hoje, dentro das pastagens as vacas tem tido fortes preferencias pelo trigo e pelo azevém, devido a palatabilidade desses produtos, que são, para o animal, de melhor gosto e que ele prefere comer”, comenta. Ele conta ainda que foi possível perceber que os animais que são deixados em pastagens de trigo permanecem mais tempo comendo, para depois se deitar. “Temos visto que a taxa de consumo aumentou bastante desde que os produtores começaram a trabalhar com a pastagem de trigo”, diz.

O profissional conta que os benefícios da pastagem do trigo vão muito além do produtor. “Estamos em contato com empresas do ramo lácteo que também se beneficiaram com esse leite, que é um produto com mais gordura e maior teor de gordura no leite. A indústria está satisfeita com o que vem chegando dessas propriedades que utilizam a pastagem de trigo”, afirma.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Saúde Animal

Mastites em vacas leiteiras: Como a marbofloxacina age sobre a patologia?

A marbofloxacina é um dos princípios ativos que tem demonstrado muitos bons resultados

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Divulgação/Ceva

Artigo escrito pela equipe técnica da Ceva

A mastite é uma das principais afecções do gado leiteiro, pois é considerada a doença de maior impacto econômico na atividade, determinando redução na produção, na qualidade do leite e afetando o bem-estar dos animais. Ela pode ocorrer por diferentes fatores: agressões físicas, químicas, tóxicas, mas a sua principal causa é infecção por bactérias e outros microrganismos. De acordo com a manifestação clínica podemos classificar as mastites em: subclínicas, clínicas hiperagudas, agudas ou brandas, e crônicas.

Na manifestação clínica podemos observar edema do úbere, aumento de temperatura na região, coloração vermelha, endurecida, e dolorida ao toque, além de alterações visíveis no leite como grumos ou pus. Já na subclínica, não são observadas manifestações no animal, apenas alterações na qualidade e composição química do leite, modificações nas suas características organolépticas, físico-químicas e microbiológicas, além de redução de volume produzido. Por não ser visivelmente diagnosticada, a mastite subclínica pode se disseminar facilmente pela propriedade. Estima-se que para cada caso clínico, ocorram pelo menos 9 outros casos subclínicos. A mastite crônica se caracteriza por manifestações constantes de casos clínicos que não apresentam cura total após a realização de tratamentos.

Ainda com relação a forma de transmissão e patógenos envolvidos, as mastites podem ser classificadas em contagiosas e ambientais. As contagiosas são causadas por bactérias presentes no úbere e leite dos animais infectados e são transmitidas entre animais. Já as ambientais são determinadas por microrganismos presentes no ambiente que infectam os animais ao penetrarem na glândula mamária.

A avaliação da saúde das glândulas mamárias e o diagnóstico da mastite subclínica são realizadas através da contagem de células somáticas (CCS) do leite.

Os impactos da mastite afetam também a produção de laticínios reduzindo o rendimento do leite na produção de derivados e o tempo de prateleira. Quando encontramos vacas com mastites, elas vacas devem ser retiradas da linha de ordenha para tratamento. Em boa parte das mastites, o tratamento com antibiótico é fundamental para o restabelecimento da saúde e dos índices produtivos. Na escolha do medicamento deve-se avaliar as características do fármaco, suas aplicações, eficácia, potência e rapidez de ação.

Estudos demonstram que na maioria das mastites estão envolvidas as bactérias Escherichia coli, Streptococcus uberis, Streptococcus dysgalactiae, Streptococcus agalactiae, Staphylococcus aureus, Corynebacterium bovis e Mycoplasma spp. Para melhor estabelecimento do tratamento anti-infeccioso o ideal é a realização de culturas e testes de sensibilidade aos antimicrobianos disponíveis. Infelizmente, o uso indiscriminado destes produtos tem causado rápido estabelecimento de resistência bacteriana.

A resistência bacteriana pode ser causada pela mutação espontânea e a recombinação gênica, muitas vezes influenciadas pela seleção natural, onde as cepas bacterianas mais resistentes sobrevivem. Entretanto, a exposição frequente à níveis inadequados do antibiótico, especialmente a subdosagens e períodos longos de tratamento, podem proporcionar a seleção de cepas resistentes. Por isso a escolha do antibiótico deve ser criteriosa e buscar alta potência, alta eficácia, rápido alcance de concentrações efetivas no sangue, máxima difusão do antibiótico na glândula mamária após a aplicação, facilidade de uso e mínimo período de carência.

Frequentemente são disponibilizados no mercado novas formulações e novos princípios ativos antimicrobianos para o tratamento das mastites. A marbofloxacina é um destes princípios ativos que tem demonstrado muitos bons resultados devido a suas características que vão de encontro às anteriormente citadas. A seguir, são apresentados resultados de alguns estudos comparativos de eficácia no tratamento de animais com mastite clínica empregando-se marbofloxacina e outros antimicrobianos corriqueiramente usados.

Marbofloxacina versus Amoxicilina + Ácido Clavulânico (Clavulanato)

Nesse estudo foi comparada a eficácia de tratamentos de mastites ambientais determinadas por bactérias Gram negativas em 114 vacas. Os animais apresentavam sinais clínicos como: úbere inflamado, febre, apatia, reduzido ou ausência de apetite e alterações no leite. Os animais foram divididos em dois grupos de tratamento como a seguir:

Grupo Marbofloxacina: 2mg/Kg de marbofloxacina, intravenosa, uma vez ao dia, por 3 dias consecutivos.

Grupo Amoxicilina + Clavulanato (A + AC): 8,75mg/Kg de amoxicilina + clavulanato, intravenosa, por três dias consecutivos.

Em ambos os grupos o tratamento incluía aplicação intramamária de Cloxacilina nos quartos mamários afetados logo após a ordenha. A Cloxacilina não atua contra bactérias Gram negativas.

Amostras de leite individuais e de cada quarto mamário foram assepticamente colhidas nos dias 0, +7 e +14 do estudo, para a realização de cultura e identificação bacteriana. As avaliações clínicas gerais do animal, úbere, produção e aspectos do leite foram realizados no dia dos tratamentos, 12 horas após os tratamentos e nos dias, +1, +2, +3, +7 e +14 após início os mesmos. Os animais foram divididos em 2 grupos e tratadas da seguinte maneira:

Resultados

A bactéria com maior prevalência nas culturas realizadas foi E. coli. O grupo tratado com marbofloxacina teve um retorno ao comportamento normal em um período mais curto. O retorno a produção normal de leite, a normalização dos parâmetros clínicos e o desaparecimento da E. coli foi mais rápido no grupo tratado com marbofloxacina quando comparado ao grupo tratado com amoxicilina + clavulanato.

  • Marbofloxacina X Danofloxacina

Um estudo cego e comparativo entre tratamentos usando marbofloxacina ou danofloxacina em vacas leiteiras com mastite aguda por E. coli envolveu 354 animais com sinais clínicos. 178 vacas receberam marbofloxacina e 176 receberam danofloxacina.

Grupo marbofloxacina: 10 mg/Kg de marbofloxacina por peso vivo, intramuscular, com aplicação única no dia 0.

Grupo danofloxacina: 6mg/Kg de danofloxacina por peso vivo, subcutânea, com aplicação única no dia 0.

Todos os animais envolvidos receberam aplicação intramamária de oxacilina nos primeiros dias de tratamento. A oxacilina não tem efeito sobre bactérias Gram negativas.

Todos animais passaram por avaliação clínica individual e nestas avaliações foram empregados escores de acordo com: o comportamento ou condição geral dos animais; o apetite; a produção diária; o aspecto do quarto mamário afetado e o aspecto do leite.

Resultados

Os parâmetros primários adotados foram cura clínica, melhoria do estado geral e  retorno à produção de leite até o 15º dia após tratamento. O segundo fator observado foi o desaparecimento da E. coli nas culturas de amostra de leite examinadas ao 15º e ao 27º dia após o tratamento.

Os resultados de escore clínico geral, retorno a produção de leite e redução da temperatura retal, foram melhores para o grupo tratado com marbofloxacina, representando até 4,5% de diferença entre os parâmetros.

Quando avaliada a taxa de cura e melhora no estado geral dos animais, o grupo tratado com marbofloxacina mostrou melhores resultados.

De acordo com os resultados obtidos nos dias das avaliações realizadas após os tratamentos, pode-se observar que os animais tratados com a marbofloxacina apresentaram melhoria contínua e taxa superior de cura clínica quando comparado ao grupo tratado com danofloxacina.  No 15º dia após o tratamento, a taxa de cura foi de 73,6% no grupo tratado com marbofloxacina contra 65,8% do grupo tratado com danofloxacina, como demonstrado no gráfico a seguir:

Os resultados de cura bacteriológica também foram superiores no grupo tratado com marbofloxacina, sustentando a rápida absorção sistêmica e boa distribuição da no organismo o que permitiu chegar a glândula mamária com eficácia e ainda auxiliar na prevenção da bacteremia.

Os estudos sustentam alta eficiência da marbofloxacina nos tratamentos de mastite causadas por bactérias Gram negativas, especificamente Escherichia coli. Este fato permite o rápido retorno às condições normais de saúde, à produção de leite e a cura bacteriológica.

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Fonte: O Presente Rural
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Bovinos / Grãos / Máquinas Pecuária

A relevância da cura de umbigo nos bezerros recém-nascidos

Umbigo é importante porta de entrada para agentes infecciosos, sendo responsável muitas vezes pela ocorrência de enfermidades

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Divulgação/J.A. Saúde Animal

 Artigo escrito por Eduardo Rezende, coordenador de Marketing e Comunicação Científica da J.A Saúde Animal

Uma das fases mais críticas da bovinocultura, seja ela de leite ou corte, é a criação de bezerros. O recém-nascido é muito vulnerável devido a sua dificuldade de manter a temperatura e principalmente pelo fato de ser imunologicamente menos competente, dependendo totalmente dos anticorpos advindos do colostro. A ingestão desse importante alimento em quantidade e momento adequado é essencial para a sobrevivência do bezerro, além da ingestão frequente de carboidratos e outros cuidados secundários.

A falha na transferência dos anticorpos da mãe para a cria, o insucesso da absorção dessas proteínas pelo organismo do bezerro, bem como as práticas de manejo e higiene deficientes, são os maiores determinantes de mortalidade nas primeiras semanas de vida. Portanto, minimizar a exposição desses animais aos agentes infecciosos promove maior taxa de sobrevivência, sendo um método fácil e de excelente custo-benefício.

Dentre as causas mais comuns da mortalidade em recém-nascidos destacam-se: as doenças entéricas (principalmente as diarreias), as respiratórias (principalmente a pneumonia), septicemia pós-natal e as onfalites/onfaloflebites (infecções das estruturas umbilicais). Microrganismos comuns de onfalite frequentemente são encontrados em animais com septicemia, comprovando que o umbigo é importante porta de entrada para agentes infecciosos, sendo responsável muitas vezes pela ocorrência das enfermidades citadas acima.

Durante a vida fetal, a comunicação entre o feto e a mãe é feita justamente pela via umbilical. É através do umbigo que chega ao feto o sangue materno rico em nutrientes e oxigênio, além da função de eliminação de catabólitos do novo organismo em desenvolvimento. Após o parto, o umbigo perde sua função, havendo involução dos vasos sanguíneos e úraco, utilizados na comunicação. Há também a união dos músculos próximos da cicatriz umbilical, fechando o acesso do meio externo aos vasos umbilicais. Porém, até que esse processo se complete, há uma porta aberta para infecções.

Para se ter uma ideia, segundo pesquisas há grande incidência de afecções umbilicais em bezerros de leite e de corte, com variação de 28 a 42,2%. Os prejuízos decorrentes das enfermidades umbilicais vão além da mortalidade dos bezerros. Podendo acarretar ainda na falha no desenvolvimento do animal, resultando em lotes refugo, além dos gastos referentes ao tratamento e atendimento veterinário, impactando negativamente na lucratividade da atividade.

Diante do exposto, se faz necessário os cuidados adequados com a colostragem e cura do umbigo. A colostragem permite que o recém-nascido receba os tão valiosos anticorpos que irão protegê-lo até que seu próprio organismo desenvolva sua própria imunidade (imunidade passiva). Esse procedimento é imprescindível, pois pelo fato de a placenta da vaca ser do tipo sindesmocorial, não há transferência de imunidade transplacentária para o feto.

Tão importante quanto a ingestão de colostro, de qualidade e na época adequada, é a cura de umbigo. Esse procedimento garante que não haja mais a entrada de microrganismos pela cicatriz umbilical após sua cura. É um método simples, barato e eficaz, entretanto não soluciona as infecções adquiridas antes do processo de cauterização do umbigo.

Nesse sentido, afim de complementar as práticas de colostragem e cura de umbigo, indica-se a utilização de um medicamento metafilático. A metafilaxia nada mais é que a utilização de um antimicrobiano injetável e em doses terapêuticas, destinado ao tratamento e prevenção da manifestação clínica de uma enfermidade em um determinado grupo de risco. Nos Estados Unidos foi comprovado efetividade profilática e terapêutica dessa estratégia, inclusive com melhor desempenho produtivo e taxa de redução de morbidades de até 40% nos animais estudados.

Um princípio ativo muito utilizado para a metafilaxia nos animais recém-nascidos é a Benzilpenicina Benzatina, antimicrobiano eficaz no combate dos microrganismos envolvidos na onfalite e onfaloflebite e suas consequências. O grande diferencial desse antimicrobiano é sua extra longa ação, mantendo concentrações plasmáticas no organismo do bezerro durante todo o primeiro mês de vida, período mais crítico quanto a morbidade e mortalidade. Adicionalmente, indica-se também a utilização de um antiparasitário, de forma a proteger a cicatriz umbilical da infestação por miíases, outro problema muito comum nesse período.

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Fonte: O Presente Rural
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Dia Estadual do Porco – ACSURS

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