Bovinos / Grãos / Máquinas
Tripanosomose reduz eficiência reprodutiva em vacas e touros
Animais aparentemente estão saudáveis, mas a instalação dessa enfermidade gera perdas de desempenho produtivo e reprodutivo e, consequentemente, lucratividade
Uma doença de difícil detecção e alta capacidade de se proliferar no rebanho tem sido negligenciada por produtores de bovinos em todo o Brasil. Os animais aparentemente estão saudáveis, mas a instalação dessa enfermidade gera perdas de desempenho produtivo e reprodutivo e, consequentemente, lucratividade. Para especialistas, falta conscientização de pecuaristas e técnicos. “Uma grande dificuldade que se encontra a campo é a conscientização por parte de consultores e proprietários de que a tripanosomose é uma doença que requer intervenção imediata, pois o rebanho se encontra em risco”, cita o PhD em Medicina Veterinária, Alexandre Souza, gerente técnico de Pecuária da Ceva Saúde Animal.
“Animais aparentemente saudáveis podem ser portadores com baixa parasitemia e ser uma fonte de contaminação contínua para outros animais do rebanho. Para se ter uma ideia, após a introdução de uma agulha em um animal contaminado pela tripanosomose durante uma rotina de vacinação, os próximos cinco animais podem ser contaminados caso seja utilizada a mesma agulha compartilhada entre esses animais, o que evidencia a facilidade com que a tripanosomose pode se espalhar em um rebanho”, alerta Souza.
Em entrevista exclusiva, Alexandre Souza fala mais sobre o que é essa doença, seus prejuízos, formas de tratamento e prevenção, alertando para sua interferência na reprodução do rebanho. De acordo com o estudioso, “o impacto na reprodução de rebanhos de corte e leite é documentado e vai de surtos de abortos, diminuição drástica nas taxas de concepção, diminuição grave da qualidade do sêmen de touros contaminados, maior incidência de retenção de placenta e nascimento de bezerros fracos ou natimortos”. Boa leitura!
O Presente Rural (OP Rural) – O que é a tripanossomose?
Alexandre Souza (AS) – Nos bovinos a tripanosomose é uma doença causada por um protozoário hemoparasita (parasita microscópico presente na corrente sanguínea) que causa um quadro sintomatológico no animal muito similar à “tristeza parasitária” e pode causar surtos de mortes ou, em sua fase crônica, perdas subclínicas no ganho de peso, produção e fertilidade, com grande impacto econômico para rebanhos de corte e leite.
OP Rural – Faça um breve histórico da doença no Brasil?
AS – Relatos indicam que a tripanosomose entrou na América do Sul em uma importação de gado do Senegal em 1830. E estudos oficiais documentam a presença do parasita em rebanhos no Brasil na década de 70. Mais recentemente, vários surtos de doença aguda causada pela tripanosomose causando morte de grande quantidade de animais foram descritos por especialistas e consultores em muitas regiões do Brasil, principalmente em áreas de concentração de produção leiteira.
OP Rural – Qual sua prevalência no Brasil hoje?
AS – Nas últimas décadas a tripanosomose foi documentada em todos os estados do Brasil sem exceção, conforme relato do professor doutor Fabiano Cadioli, da Unesp de Araçatuba. Porém, a situação da maioria das regiões é de uma doença crônica que pode passar desapercebida pelo produtor, pois os animais podem aparentemente estar saudáveis, mas de forma subclínica a doença diminui o desempenho produtivo e reprodutivo do rebanho, limitando a lucratividade do produtor. A situação é bastante preocupante, pois estima-se por meio de estudos de sorologia e/ou testes moleculares que em algumas regiões, mais da 70% dos animais podem estar contaminados pelo parasita.
OP Rural – Quais são os sintomas?
AS – O parasita presente na corrente sanguínea altera a membrana das hemácias que são “descartadas” pelo baço do animal, causando um quadro anêmico acentuado e queda de imunidade, o que pode acarretar em comorbidades, ou seja, outras doenças que se aproveitam de um animal com sistema imune deprimido.
Na forma aguda da doença, os sintomas são de certa forma similares aos sintomas da conhecida “tristeza parasitária”, que incluem anemia, febre alta e intermitente, apatia, inapetência (diminuição de ingestão de alimento), rápida perda de peso, surtos de abortos e perda embrionária, diminuição acentuada da produção de leite que pode chegar a 50% ou mais da produção do animal, cegueira, lacrimejamento intenso, aumento de linfonodos, diarreia, quadros neurológicos graves similares aos sintomas da raiva ou mesmo confundida com febre do leite pós-parto, seguido de decúbito que normalmente evoluem para morte do animal se não tratado a tempo.
Em sua forma subclínica – de certa forma a mais debilitante em termos financeiros para produtores brasileiros – temos diminuição de 10 a 50% do potencial de produção de leite e ganho de peso do animal, eficiência reprodutiva comprometida em fêmeas e machos, artrites, opacidade ocular e cegueira parcial que podem se desenvolver para um quadro ulcerativo grave com perda ocular similar à cerato-conjuntivite, e outras comorbidades variadas devido a depressão do sistema imune do animal. Nessa fase crônica, em termos de comorbidades, destaca-se o sinergismo entre a tripanosomose e a anaplasmose no quadro de anemia e caquexia.
OP Rural – Como é feito o diagnóstico?
AS – O diagnóstico laboratorial deve ser feito com base em sinais clínicos compatíveis com a suspeita de tripanosomose. Porém, como vimos anteriormente os sintomas da tripanosomose são bastante difusos, sendo confundida com outras doenças muito comuns a campo. De qualquer forma, quando existe a suspeita clínica da doença, temos disponíveis testes de microscopia direta como o esfregaço sanguíneo, teste de gota espeça e teste de Woo (microhematócrito utilizado para aumentar a sensibilidade do teste direto).
Os testes de microscopia direta têm a vantagem do baixo custo e simplicidade do teste que pode ser feito a campo com facilidade, porém a grande desvantagem dos testes diretos seria a baixa sensibilidade do teste, que somente deve ser utilizado em casos de doença aguda e mesmo assim a sensibilidade é bastante limitada. Portanto, a recomendação é a utilização de testes sorológicos do tipo Elisa ou Imunofluerescência indireta (Rifi), que detectam anticorpos contra o tripanosoma. A vantagem destes testes é a maior sensibilidade, com boa especificidade, além do relativo baixo custo.
É importante lembrar que quando anticorpos são detectados, isso não quer dizer que o animal tem uma parasitemia ativa. A presença destes anticorpos quer dizer que o animal foi contaminado pelo tripanosoma e que aparentemente pode se apresentar saudável por ter uma parasitemia baixa, mas este animal é uma fonte contaminante para o rebanho. Em situações de estresse, o animal aparentemente saudável pode adoecer rapidamente.
Outra possibilidade de diagnóstico são testes moleculares que detectam o DNA do tripanosoma (testes do tipo PCR). A vantagem do PCR é sua ainda maior sensibilidade e especificidade, porém o custo pode ser proibitivo para rebanhos comerciais e atualmente é mais comumente utilizado em pesquisas científicas.
OP Rural – Quais as consequências para o rebanho, de corte e de leite?
AS – Como consequências, obviamente a mortalidade súbita de muitos animais é o pior cenário relatado por produtores de todo Brasil. Mas é importante ressaltar que em termos financeiros a doença subclínica tende a ter um maior impacto financeiro para rebanhos de corte e leite. Na literatura é relatado perdas de ganho de peso de até 40% se comparado a animais não infectados, além de outras morbidades associadas, como maior carga de parasitas devido a deficiência no sistema imune do animal.
Em rebanhos leiteiros, obviamente temos os mesmos problemas de menor ganho de peso em bezerros em fase de crescimento, além de perdas de produção de leite de 10 a 50% do potencial do animal. Apesar de existirem poucos estudos – o impacto na reprodução de rebanhos de corte e leite é documentado e vai de surtos de abortos, diminuição drástica nas taxas de concepção, diminuição grave da qualidade do sêmen de touros contaminados, maior incidência de retenção de placenta e nascimento de bezerros fracos ou natimortos.
OP Rural – Como é feito o tratamento?
AS – A droga mais eficiente no tratamento da tripanosomose bovina causada pelo tripanosoma vivax é o isometamidium, que deve ser administrado na dose de 1mg por kg de peso vivo do animal em um protocolo de 3 a 4 tratamentos sequenciais, com intervalos de 2 a 4 meses dependendo da gravidade do surto. É importante lembrar que a subdosagem é a via mais rápida para o aparecimento de cepas resistentes do tripanosoma. Portanto, subdosagem não é recomendada. Além disso, é recomendado a utilização de drogas específicas para o tratamento de tristeza parasitária por babesia (ex: diminazeno) e anaplasma (ex: oxitetraciclina) pelo menos duas semanas antes do início do protocolo com isometamidium em animais com anemia mais acentuada e condição corporal muito baixa – essa recomendação é devido a comum associação da babesia, anaplasma e tripanosomose em bovinos a campo.
Outros tratamentos de suporte ao longo do protocolo de isometamidium também podem ser úteis, como complexos de aminoácidos, vitaminas e minerais como suporte durante o período de recuperação do animal.
OP Rural – Como a doença pode interferir na reprodução?
AS – Existem publicações na literatura científica que comprovam o impacto da tripanosomose em fêmeas e machos bovinos. A seguir uma lista de problemas relatados na literatura para machos e fêmeas.
Fêmeas:
Atraso na taxa de crescimento de novilhas e atraso de puberdade
Diminuição acentuada da taxa de concepção
Abortos e perda embrionária precoce
Antecipação do parto caso contaminação ocorra no terço final da gestação
Nascimento de bezerros fracos (contaminados pelo tripanosoma durante o período gestacional)
Bezerros natimortos
Retenção de placenta
Anestro prolongado no pós-parto devido ao balanço energético negativo mais acentuado e lesões degenerativas de glândulas do eixo hipotálamo-hipófise-gônadas
Machos:
Atraso no crescimento e puberdade de touros a campo
Orquites, com lesões testiculares e no epidídimo
Lesões nos túbulos seminíferos e em células de Sertoli já identificadas na literatura
Oligospermia (menor concentração de células espermáticas no ejaculado)
Aumento de alterações e defeitos em células espermáticas
As alterações na qualidade do sêmen de touros reprodutores podem ser notadas em menos de duas semanas após a contaminação do animal
OP Rural – Em que período da reprodução ela é mais grave?
AS – A tripanosomose pode causar problemas de qualidade de oócitos em vacas no pós-parto devido a maior perda de peso, o que afeta a qualidade do oócito ovulado, o que acarreta em perda de qualidade embrionária. Além disso, animais acometidos pela tripanosomose podem apresentar perdas embrionárias ou abortos em qualquer fase da gestação. Estudos recentes sugerem que a infecção da vaca no terço final da gestação parece ser mais grave para a gestação em si, e a maioria dos animais vai abortar frente à contaminação por tripanosomose nesse período gestacional final.
OP Rural – Como garantir um processo reprodutivo e o rebanho livre dessa doença?
AS – Manter o rebanho livre de tripanosomose envolve a utilização do protocolo de tratamento com isometamidium em todo o rebanho como recomendado pela FAO em casos de grande incidência de animais com sorologia positiva no rebanho. Outros cuidados no controle da tripanosomose incluem: evitar compra de animais não testados, e em caso de compra de animais sem quarentena e diagnóstico específico utilizar o mesmo protocolo com isometamidium, uso de agulhas individuais durante aplicações de ocitocina e vacinações, e principalmente controlar a população de moscas picadoras no rebanho, com destaque para o controle de moscas do tipo stomoxys (mosca dos estábulos). Estes procedimentos associados a uma completa avaliação clínica anual do rebanho, que deve também considerar a epidemiologia da doença na região, podem manter o rebanho livre da doença.
OP Rural – Quais são as perdas econômicas que a tripanossomose causa?
AS – Quanto a perdas econômicas, podemos inferir grandes perdas financeiras devido a tripanossomose. Dados de literatura indicam perda de produção na ordem de 10 a 50% do potencial do animal, graves perdas no desempenho reprodutivo, incluindo diminuição na taxa de concepção e surtos de abortos, menor ganho de peso na fase de recria, além de comorbidades variadas devido à imunossupressão causada pela tripanosomose.
Em um relato de caso em uma fazenda de leite no Brasil, a taxa de concepção de um rebanho passou de ~40% para ~24% após o aparecimento da tripanosomose. Esta queda na taxa de concepção pode representar, de acordo com modelos de cálculo de custo de reprodução de rebanhos leiteiros, perdas que giram em torno de R$ 700 a R$ 800 reais por vaca/ano somente em prejuízos relacionados à eficiência reprodutiva, sem contar perdas devido a menor produção de leite e ganho de peso.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2018 ou online.
Fonte: O Presente Rural

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Pecuária brasileira investe em rastreabilidade e práticas sustentáveis para modernizar o setor
Programa da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável orienta produtores sobre recuperação de pastagens, formalização e monitoramento da cadeia para aumentar eficiência e atender exigências ambientais e comerciais.

Pressionada por novas exigências ambientais, regras comerciais mais rigorosas e pela necessidade de ampliar a produção sem expandir área, e ao mesmo tempo impulsionada pelos avanços produtivos que vêm transformando o setor, a pecuária brasileira atravessa um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre emissões e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar uma transição baseada em tecnologia, eficiência, recuperação de áreas já abertas e maior integração dos produtores à cadeia formal.
Nesse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável tem reforçado sua atuação como articuladora de propostas estruturantes e como referência técnica para o debate público. A entidade sustenta que a competitividade da carne brasileira dependerá da capacidade de transformar o momento atual em ativos estratégicos.

Presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes: “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe” – Foto: Clever Freitas
Um dos pilares dessa agenda é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como eixo central do Caminho Verde, política pública defendida pela instituição para impulsionar a intensificação sustentável da atividade. A estratégia parte de um diagnóstico claro: “o Brasil possui um volume importante de áreas consideradas de baixa produtividade. Requalificá-las, por meio de manejo adequado, melhoria do solo, tecnologias e integração de sistemas, permite elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar a produção”, explica a presidente, Ana Doralina Menezes.
De acordo com a profissional, o programa representa uma solução pragmática e alinhada às demandas globais. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens é aumentar eficiência, melhorar renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.
A transformação, porém, não se limita à dimensão produtiva. Parte relevante do desafio está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal. A informalidade restringe acesso a crédito, assistência técnica, mercados que exigem comprovação socioambiental, além de fragilizar a imagem do setor como um todo, por isso é imprescindível que o pecuarista esteja alinhado e de acordo com o Código Florestal vigente.

Foto: Breno Lobato
Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão é condição para que a transição seja efetiva. “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado. A formalização precisa ser vista como instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como obrigação”, destaca.
A ampliação da rastreabilidade também integra esse movimento, uma vez que ela se apresenta como infraestrutura que conecta sanidade, ambiente e gestão. Em relação ao mercado, com compradores cada vez mais atentos à origem e à conformidade ambiental, sistemas consistentes de monitoramento tornam-se fator determinante para manutenção e novas aberturas. Por isso, como reforça a Mesa, transparência é elemento estruturante da competitividade. “Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia”, frisa Lisandro.
Ao articular recuperação de pastagens no âmbito do Caminho Verde, inclusão produtiva e avanço da rastreabilidade, a instituição busca incentivar o setor de forma propositiva diante das transformações regulatórias e comerciais em curso. “Mais do que reagir a pressões externas, a estratégia é demonstrar que produtividade, responsabilidade socioambiental e inserção competitiva podem avançar de forma integrada, incentivando o produtor a atuar como centro da solução”, complementa Ana Doralina.
Uma agenda conectada ao campo

Lisandro Inakake de Souza, vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável: “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado” – Foto: Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável
Para apoiar o pecuarista nos temas estratégicos que vêm moldando o futuro da atividade, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável iniciou 2026 com uma programação propositiva de webinars voltados à qualificação e à disseminação de informação técnica.
No dia 29, foi realizado o segundo encontro dedicado à reinserção de produtores na cadeia formal. Em 26 de fevereiro, o foco esteve na rastreabilidade, aprofundando desafios e caminhos para ampliar transparência e conformidade. Um terceiro webinar sobre reinserção está previsto para maio, dando continuidade às discussões.
Todos os conteúdos já disponibilizados podem ser acessados no canal oficial da instituição no YouTube, ampliando o alcance das orientações e fortalecendo o diálogo com produtores, técnicos e demais elos da cadeia.
“Nosso compromisso é transformar temas complexos em orientação prática para quem está no campo. Quando promovemos debates sobre recuperação de pastagens, reinserção na cadeia formal e rastreabilidade, estamos oferecendo instrumentos concretos para que o produtor tome decisões mais seguras, amplie sua competitividade e participe de forma ativa dessa nova etapa da pecuária brasileira”, finaliza a presidente.
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Sistema Faep assume coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira no biênio 2026/27
Fórum reúne entidades e produtores para discutir estratégias de competitividade e desenvolvimento da cadeia do leite.

O Sistema Faep está à frente da coordenação geral da Aliança Láctea Sul Brasileira para o biênio 2026/27. O comando é rotativo entre os Estados participantes e, neste novo ciclo, ficará sob responsabilidade do Paraná, representado pelo Sistema Faep. Mais recentemente, o Mato Grosso do Sul passou a integrar a iniciativa, ampliando a articulação regional em torno do fortalecimento da produção e da competitividade do leite brasileiro.

Ronei Volpi, coordenador geral da Aliança Láctea, em sua propriedade – Foto: Divulgação/Sistema Faep
“A Aliança contribui para a integração entre os Estados e a construção de estratégias conjuntas voltadas à cadeia do leite. O Sistema Faep seguirá trabalhando ao lado das entidades do setor para avançar em pautas que ampliem a competitividade e as oportunidades para a produção”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Criada em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira é um fórum público-privado que reúne representantes do setor produtivo e de instituições dos estados da região Sul. O grupo discute ações voltadas à cadeia leiteira e busca alinhar iniciativas nas áreas de produção, indústria e comercialização de leite e derivados, com foco nos mercados interno e externo. No ciclo 2026/27, a coordenação será exercida pelo consultor do Sistema Faep, Ronei Volpi, produtor rural com atuação há décadas na cadeia leiteira e participação em discussões voltadas ao desenvolvimento do setor.
A agenda de trabalho da Aliança para 2026 começou recentemente. No início de março, o Sistema Faep foi anfitrião da primeira reunião do ano, quando foram apresentados o Plano de Incentivo à Exportação de Lácteos e o plano de trabalho voltado à sanidade na cadeia leiteira, iniciativas que buscam fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades de mercado para os produtores da região.
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Demanda externa impulsiona exportações brasileiras de carne bovina
Volume embarcado supera 267 mil toneladas em fevereiro, com crescimento expressivo em mercados como Rússia, México e Chile.

As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 267.319 mil toneladas em fevereiro de 2026, com receita de US$ 1,44 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).
Na comparação com fevereiro de 2025, o resultado representa crescimento de 21,6% no volume embarcado e de 38,2% na receita, refletindo a ampliação da demanda internacional pela proteína brasileira. O desempenho também supera levemente o registrado em janeiro de 2026, quando as exportações somaram US$ 1,404 bilhão e 264 mil toneladas, consolidando o melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro na série histórica.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 531.298 toneladas, com receita de US$ 2,84 bilhões, avanço de 23,8% em volume e 39,2% em valor em relação ao mesmo período do ano passado.
A carne bovina in natura segue como principal produto exportado, com 235.890 toneladas embarcadas em fevereiro, o equivalente a 88,2% do volume total exportado e 92,2% da receita obtida no mês.
Entre os destinos, a China permanece como principal mercado, com 106.702 toneladas importadas em fevereiro, seguida pelos Estados Unidos, com 39.440 toneladas, além de Rússia (15.762 t), Chile (13.857 t) e União Europeia (9.084 t) entre os principais compradores da carne bovina brasileira.

Foto: Divulgação/Porto de Santos
Entre os mercados relevantes, Rússia, México e Chile apresentaram crescimento expressivo nas compras em relação ao mês anterior, com altas de 111,6%, 132% e 37,6%, respectivamente, enquanto as exportações para a União Europeia avançaram 21,2% no período.
Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, os números reforçam a presença da carne bovina brasileira no comércio internacional. “O Brasil segue ampliando sua presença nos mercados internacionais com regularidade de oferta, qualidade do produto e diversificação de destinos, fatores que sustentam o crescimento das exportações de carne bovina”, conclui.
