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Trigo tem balanço global apertado, mas competição com milho limita alta de preços

A La Niña promete impulsionar a produtividade da cultura, garantindo que a produção atinja a segunda melhor marca histórica, mesmo com uma redução na área plantada.

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Foto: Shutterstock

Apesar de um balanço global apertado para o trigo, a competição com o cenário mais favorável do milho está colocando um teto nas cotações internacionais do cereal. No Brasil, a La Niña promete impulsionar a produtividade da cultura, garantindo que a produção atinja a segunda melhor marca histórica, mesmo com uma redução na área plantada. O câmbio fraco também deve contribuir para elevar o piso dos preços internos no momento da colheita, oferecendo suporte adicional para o mercado local. Com esses fatores em jogo, os preços do trigo tendem a seguir uma trajetória positiva, refletindo as dinâmicas globais e as condições específicas do país.

Balanço entre oferta e demanda

De acordo com o analista de Commodities Agrícolas da Consultoria Agro do Itaú BBA, Fernando Gomes, os problemas climáticos no Leste europeu têm prejudicado a produtividade das lavouras de trigo na Ucrânia e na Rússia, que juntas representam cerca de 30% das exportações globais, segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). “Para a safra 2024/25, o balanço global de oferta e demanda deve ser o mais apertado das últimas dez safras”, aponta Gomes.

Apesar da produção recorde estimada em 796 milhões de toneladas – 0,9% acima da safra anterior -, o consumo também é esperado para atingir 794 milhões de toneladas, apenas 0,4% abaixo do ano anterior, marcando a segunda maior demanda da história. “Esse cenário de consumo firme, aliado à redução dos estoques, vai resultar na quinta queda consecutiva na relação estoque/consumo, projetada para alcançar 32,2%, o pior nível desde 2014/15”, expõe o analista.

Mesmo com o aperto global entre oferta e demanda, o trigo enfrenta pressão de preços devido à substituição potencial por milho, que também é utilizado na produção de ração. “A oferta ampliada de milho está mantendo os preços do trigo para baixo, limitando o teto de mercado do cereal”, salienta Gomes, enfatizando que ajustes na disponibilidade de milho, especialmente em função de condições climáticas adversas na região do Mar Negro, podem impactar os preços tanto do trigo quanto do milho.

Além disso, a Rússia deve pressionar os preços globais, oferecendo descontos na região. “A janela de exportação russa é limitada, necessitando de grandes volumes perenes para evitar o aumento dos estoques. Essa necessidade de vender a preços mais baixos também contribui para a pressão sobre as cotações, independentemente dos fundamentos do balanço global”, menciona o profissional.

Por sua vez, o balanço dos Estados Unidos, onde está a principal bolsa que precifica o cereal globalmente, está indo na direção oposta ao balanço global, competindo com a oferta russa e aumentando a percepção de disponibilidade. “O aumento da área plantada e a recuperação das lavouras, mesmo em condições climáticas adversas, elevam a disponibilidade do cereal americano”, afirma o analista.

De acordo com o USDA, a safra americana de trigo 2024/25 está projetada para atingir 54,7 milhões de toneladas, marcando um aumento de 10,8% em relação ao ano anterior. “Este crescimento representa a colheita mais avançada das últimas safras”, relata Gomes, afirmando que o aumento da oferta traz conforto ao balanço, tornando-o mais folgado desde 2020/21, com a relação ao estoque/consumo, alcançando 75,5%.

Na Argentina, principal fornecedor de trigo para o Brasil, o fenômeno de La Niña previsto para a safra 2024/25 deve impulsionar a oferta do cereal, prevista para alcançar 18 milhões de toneladas, uma recuperação de 13,6% em relação à safra anterior, que foi prejudicada pelo El Niño. “Com essa recuperação, os níveis de oferta devem se alinhar com os preços globais, intensificando a competição com o mercado brasileiro”, pontua Gomes.

Analista de Commodities Agrícolas da Consultoria Agro do Itaú BBA, Fernando Gomes: “Com uma oferta superior à demanda, a paridade de exportação pode gerar competição entre tradings e a indústria, especialmente porque a qualidade do trigo tende a ser alta em anos de La Niña, o que deve sustentar as cotações locais” – Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Safra brasileira

A produção brasileira de trigo para a safra 2024/25, projetada pelo USDA, deve alcançar 8,9 milhões de toneladas, marcando um aumento de 10,6% em relação à safra anterior. Apesar desse crescimento na oferta, Gomes diz que o cenário cambial pode manter os preços elevados.

No entanto, segundo o analista, com a melhora no balanço doméstico e a fraqueza dos preços internacionais, não se espera uma firmeza nas cotações, especialmente durante a janela de colheita, quando a competição com a armazenagem de outros grãos pode pressionar os preços devido à alta disponibilidade em um curto período. “Ao longo do ano, um câmbio mais fraco pode ajudar a sustentar os preços ao manter a paridade de exportação”, avalia.

As recentes chuvas no principal estado produtor, o Rio Grande do Sul, resultaram na perda de camadas férteis do solo em algumas regiões e dificultaram a obtenção de sementes de boa qualidade devido às perdas do ano passado causadas pelo El Niño, desestimulando o plantio do cereal no estado gaúcho.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área plantada deve diminuir em 11,6%, mas a oferta nacional ainda pode totalizar 8,9 milhões de toneladas, o que representaria a segunda maior produção da história, mesmo com a redução na área. Assim como na Argentina, o clima favorável deve beneficiar a produtividade e a qualidade do trigo na colheita.

Cotações domésticas

Gomes ressalta que o mercado de trigo tem poucos fundamentos para um aumento expressivo nos preços. Isso se deve ao balanço mais folgado da oferta para esta safra, somado a uma janela de comercialização curta no final do ano. “A janela restrita é resultado da necessidade de manter estoques limitados e da chegada da colheita da primeira safra, o que cria competição com o trigo armazenado e pressiona os preços para aumentar a liquidez do mercado”, explica.

Segundo o especialista, o câmbio local será o principal fator determinante para os preços durante a colheita e comercialização. “Com uma oferta superior à demanda, a paridade de exportação pode gerar competição entre tradings e a indústria, especialmente porque a qualidade do trigo tende a ser alta em anos de La Niña, o que deve sustentar as cotações locais”, analisa.

Durante a safra, Gomes diz que os produtores podem fixar preços em Chicago, garantindo que parte da produção tenha margem de operação fixada antes da comercialização física do cereal, considerando volatilidades favoráveis tanto nos preços do trigo quanto no câmbio.

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Fonte: O Presente Rural

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Governo de Goiás prorroga prazo para envio de propostas do PAA Leite 2026

Cooperativas e associações da agricultura familiar terão mais 15 dias para concluir cadastro no programa.

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O Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), prorrogou em 15 dias o prazo para submissão de propostas do Edital nº 001/2026 do Programa de Aquisição de Alimentos na modalidade Leite de 2026 (PAA Leite). A medida amplia o tempo disponível para que cooperativas e associações da agricultura familiar organizem suas propostas e enviem a documentação exigida pelo programa. Com a extensão, os interessados terão até 10/4 para realizar ou concluir suas inscrições.

Organizações da agricultura familiar seguem em fase de elaboração de propostas, com o apoio da Seapa e de parceiros, garantindo que todas as entidades interessadas possam concluir seus cadastros dentro do novo prazo.

A prorrogação leva em conta os critérios técnicos, operacionais e documentais previstos no edital, incluindo regularidade jurídica, fiscal e sanitária das entidades, além da estruturação dos planos de fornecimento de leite, e também possibilita que novos interessados participem do programa. “A Seapa tem atuado de forma articulada com parceiros para estimular a participação das cooperativas e associações da agricultura familiar. Com essa prorrogação, buscamos ampliar a adesão e garantir que o programa seja executado de forma efetiva, fortalecendo o setor leiteiro goiano e beneficiando os produtores e a população atendida pelo PAA Leite”, afirmou o secretário de Estado, Pedro Leonardo Rezende.

A atualização do cronograma está disponível no site da Seapa na página oficial o PAA Leite (https://goias.gov.br/agricultura/programa-de-aquisicao-de-alimentos-do-estado-de-goias-paa-leite/).

Fonte: Assessoria Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Governo de Goiás
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Custo alimentar do confinamento cai para R$ 11,82 no Centro-Oeste e sobe para R$ 12,65 no Sudeste

Diferença regional volta a crescer, com queda de 14% no comparativo anual. Rentabilidade estimada supera R$ 1 mil por cabeça nas duas regiões.

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Foto: Gisele Rosso

O custo alimentar do confinamento bovino voltou a se distanciar entre as duas principais regiões produtoras do país, conforme os dados do Índice de Custo Alimentar Ponta (ICAP), calculado a partir de informações de confinamentos monitorados por tecnologia.

No Centro-Oeste, o indicador recuou para R$ 11,82 por cabeça ao dia, com queda de 6,04% frente ao mês anterior e o menor patamar já registrado para o período na série histórica. No Sudeste, o movimento foi oposto: o ICAP atingiu R$ 12,65, alta de 2,76%, interrompendo a trajetória recente de convergência entre as regiões.

O contraste se amplia quando observada a variação anual. Enquanto o Centro-Oeste acumula redução de 14,04% na comparação com igual período do ano passado, o Sudeste apresenta estabilidade, com leve alta de 0,16%. O resultado reabre a diferença regional após o menor spread da série ter sido observado no início do ano.

Visão trimestral dos insumos por Região

Centro-Oeste

Na comparação entre o trimestre de dezembro de 2025 a fevereiro de 2026 e o trimestre imediatamente anterior, os custos dos insumos no Centro-Oeste apresentaram trajetória predominantemente de queda. O grupo dos energéticos registrou recuo de 7,14%, puxado principalmente pelo uso de sorgo grão seco e casca de soja, enquanto o milho grão seco permaneceu estável no período.

Entre os proteicos, houve acomodação de preços ao longo do trimestre, o que também contribuiu para a redução do custo médio da dieta. Já os volumosos apresentaram leve alta, influenciada pela transição para a entressafra e por ajustes no custo de produção das silagens.

Sudeste

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No Sudeste, a dinâmica foi oposta. Na comparação entre os mesmos trimestres, os grupos de insumos registraram valorização, com impacto mais intenso dos volumosos, que subiram 17,27%.

Os proteicos também apresentaram elevação moderada, enquanto os energéticos tiveram aumento leve em relação ao período anterior.

A principal pressão sobre o custo alimentar regional veio do encarecimento dos volumosos e, em seguida, dos proteicos, especialmente da silagem de milho, amplamente utilizada nas dietas de confinamento da região. Esse movimento elevou o custo médio da dieta ao longo do trimestre e voltou a ampliar a diferença entre as regiões, após a convergência observada no final de 2025.

Porteira pra Fora x Porteira pra Dentro

Foto: Divulgação

A relação entre custo da dieta e preço da arroba sustentou a rentabilidade do confinamento. A partir de dados médios de unidades monitoradas, o custo estimado da arroba produzida foi de R$ 197,27 no Centro-Oeste e de R$ 215,10 no Sudeste.

Diante das cotações do boi gordo no mercado físico, de R$ 331 na praça de Cuiabá e R$ 346 na praça de São Paulo, conforme a Scot Consultoria, o resultado foi margem estimada de R$ 1.028 por cabeça no Centro-Oeste e de R$ 1.021 no Sudeste.

O desempenho produtivo ajuda a explicar o resultado. No Sudeste, os animais entregaram média de 7,80 arrobas em 114 dias de cocho, ante 7,69 arrobas no Centro-Oeste no mesmo período.

No mercado de exportação, considerando as cotações do chamado “boi China”, as margens podem superar R$ 1.090 por animal em ambas as regiões.

Relação de troca na alimentação

Foto: Divulgação

A relação de troca entre a arroba do boi gordo e o custo alimentar diário medido pelo ICAP atingiu o melhor patamar da série histórica no Centro-Oeste desde o início do indicador, em 2024. Uma arroba passou a custear 27,99 dias de alimentação na região e 27,35 dias no Sudeste.

Na prática, o confinador necessita hoje de pouco mais de quatro arrobas para pagar toda a alimentação de um ciclo médio, enquanto, em 2024, eram exigidas mais de oito arrobas para cobrir o mesmo custo.

Do ponto de vista produtivo, a alimentação, que chegou a consumir mais de 100% da arroba gerada pelo animal em 2024, atualmente representa cerca de 53% da produção. Isso amplia a parcela da arroba disponível para absorver outros custos operacionais e formar margem.

Dados referentes ao consumo diário dos animais e outros indicadores são apresentados no Boletim ICAP disponível aqui.

Inteligência de dados no confinamento

O ICAP é calculado a partir de dados de confinamentos monitorados por tecnologias da Ponta, incluindo o ecossistema TGC – sistema de gestão de confinamento amplamente utilizado no Brasil. A base de dados do índice consolida milhões de diárias de alimentação de bovinos e permite acompanhar mensalmente a evolução do custo alimentar dia a dia nas principais regiões produtoras do país. Segundo a empresa, o indicador tem se consolidado como uma ferramenta estratégica para planejamento de compras de insumos, avaliação da viabilidade do confinamento e análise de margem da atividade.

Fonte: Assessoria Ponta
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Programa de genética da USP pode elevar desempenho dos rebanhos em até 10%

Iniciativa inédita coloca a vaca no centro das decisões de seleção, integra índice bioeconômico e oferece ferramentas de gestão para criadores no Brasil e em seis países da América Latina.

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Fotos: Divulgação

Com o objetivo de contribuir com a profissionalização da gestão da cadeia da carne no país, pesquisadores da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA/USP), de Pirassununga, lançaram o GMA – Programa de Genética e Melhoramento Animal.

O programa reposiciona a vaca no centro das decisões de seleção, reconhecendo seu papel determinante na produtividade, na qualidade do produto final e na sustentabilidade do sistema. A estimativa é que o GMA tenha potencial de melhorar em até 10% os indicadores de cada animal a um custo de 6% do investimento necessário para mantê-lo, podendo variar de acordo com as circunstâncias da fazenda, as condições sanitárias e nutricionais, e o nível de adesão do pecuarista.

Liderado pelos pesquisadores José Bento Ferraz e Fernando Baldi, o programa conta com a parceria técnica da CTAG NextGen e um conselho formado por especialistas da Embrapa, Instituto de Zootecnia de São Paulo e instituições parceiras, além da participação ativa dos pecuaristas.

Médica-veterinária e pós-doutoranda pelo Instituto de Zootecnia, Letícia Pereira integra o comitê técnico-administrativo do GMA e explica que a ideia é se diferenciar dos programas tradicionais, que focam eminentemente no aspecto comercial. “Nosso conceito é diferente porque colocamos a vaca no centro das decisões e priorizamos a melhoria dos índices de produtividade: ao final de tudo, o objetivo é democratizar o acesso à tecnologia e contribuir para a evolução da pecuária nacional. Além do mais, somos o único programa do mercado a contar com um comitê técnico de professores pesquisadores de carreira internacionalmente reconhecida”, salienta.

Um universo a ser explorado

De acordo com a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), há no Brasil 238,2 milhões de cabeças de gado, sendo 80 milhões de vacas. Desse total, de acordo com a Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), apenas 21,29% das matrizes brasileiras são inseminadas. “Esse dado dá uma ideia da dimensão do universo ainda a ser explorado quando o assunto é tecnologia para pecuária. E, para o pecuarista, a contabilidade é simples: cada R$ 1 investido em melhoramento genético reverte, em média, R$ 4 de lucro, o que torna o investimento no programa, na prática, gratuito”, ressalta Letícia.

Por dentro do programa

Daniel Logo (CTAG NextGen), Angélica Cravo Pereira (USP), Letícia Pereira (GMAB), Washington Assagra (GMAB), José Bento Ferraz (USP) e Fernando Baldi (USP) – Foto: Divulgação

O pecuarista que tiver interesse em aderir ao programa pode entrar em contato com os idealizadores, que desenvolvem propostas personalizadas de acordo com a realidade de cada fazenda. A equipe do programa divide os animais dos criadores em três grupos, de acordo com os índices de produtividade e, a partir dessa segmentação, traça estratégias específicas para melhorar os indicadores de cada grupo, ano a ano.

Os produtores associados têm direito à avaliação genética, ferramentas, fóruns de discussão, projeto assistido e planejamento genético para o rebanho, com suporte científico e de extensão, sem distinção de valores ou de serviços, independente do número de cabeças de gado do rebanho.

O projeto GMA já está rodando, em fase de testes, desde novembro de 2025, e conta com 55 criadores associados do Brasil, além do México, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Honduras e Guatemala.

Fonte: Assessoria USP
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