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Trigo paulista espera nova safra recorde para 2021
Reunião da Câmara Setorial apontou estimativa de 340 mil toneladas e aumento de até 15% da área do grão no estado

A cadeia produtiva do trigo de São Paulo se encontrou, de forma remota, na manhã de 03 de março, para a primeira reunião da Câmara Setorial do grão no estado para avaliar os números alcançados em 2020, o mercado do cereal e estimar a safra deste ano.
De acordo com o levantamento feito com base nos reportes das maiores cooperativas paulistas, o estado prevê um aumento de área de até 15%, com um novo recorde de produção. “Se tivermos um ano positivo em relação ao clima e as expectativas dos produtores se concretizarem, teremos uma produção de aproximadamente 340 mil toneladas em São Paulo”, afirmou o presidente da Câmara Setorial de Trigo, Victor Oliveira.
A reunião, que contou com a participação de diferentes elos da cadeia, debateu, além das estimativas da safra deste ano, os números de 2020 e o cenário do mercado nos primeiros dois meses de 2021. “De acordo com os números levantados no final do ano, junto as cooperativas e as movimentações de trigo registradas nesses últimos meses, podemos dizer que São Paulo bateu a casa de 300 mil toneladas produzidas. Parte do trigo produzido no estado, de acordo com as cooperativas ainda está em estoque e será comercializado ao longo dos próximos dias”, destacou Oliveira.
Da parte dos moinhos, o momento é de grandes incertezas, com muita volatilidade, fator que dificulta a vida das indústrias moageiras, por conta da complexidade de precificar o produto no mercado. “Podemos afirmar que este foi um dos inícios de ano com menor volume de vendas, com números muito baixos no estado. Fatores como a greve na Argentina e o alto preço do trigo resultam em uma queda representativa na moagem de São Paulo, que tem perdido participação no cenário nacional”, ressaltou o presidente.
Panorama do mercado
O Wheat Head Sales – Brazil da Sodrugestvo, Douglas Araujo, foi convidado pela Câmara para apresentar aos participantes da reunião um panorama do mercado de trigo no mundo, destacando as oportunidades e as estimativas para o grão no Brasil.
Segundo ele, o mundo tem passado por um ciclo de alta das commodities, fato observado sempre após um período de recessão como o que está sendo vivenciado com a pandemia. “Observamos um movimento de alta no milho, que reflete diretamente nos preços do trigo. Os fretes marítimos, por exemplo, que estavam estabilizados, sofreram um aumento de 80%, neste início do ano, quando comparados com dezembro de 2020, elevando em até 15$ a tonelada. Não vemos um alívio deste cenário em curto prazo”.
A apresentação ainda apontou a possibilidade da comercialização do trigo Lituânio no estado, que diferente do Russo, pode ser moído no interior de São Paulo, sem restrições fitossanitárias. “Os dois trigos, da Rússia e da Lituânia chegam ao mercado no mesmo período do produzido em São Paulo. Temos a certeza de que os produtores paulistas podem apostar na produção do grão pois, o que não for absorvido pelos moinhos pode ser facilmente comercializado com outros estados ou, até mesmo, fora do país”, afirmou.
Ao final da reunião, a Embrapa Trigo apresentou um sistema de alerta da Brusone do trigo, doença que acarreta em prejuízos e frustações na safra contaminada. Segundo a apresentação, esse sistema, que foi desenvolvido pela entidade, analisa as condições da lavoura do grão, sinalizando se o cenário é favorável ou não para o desenvolvimento da doença na área analisada.

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Curso Técnico em Zootecnia inicia nova turma em Seara e fortalece a formação para o agronegócio
Formação gratuita da Rede e-Tec Brasil, oferecida pelo Sistema Faesc/Senar/Sindicatos, busca qualificar profissionais para atuar na produção rural.

O Polo de Seara promoveu, no último sábado (07), a aula inaugural do Curso Técnico em Zootecnia, formação gratuita voltada à qualificação de profissionais para atuar com eficiência, inovação e sustentabilidade na produção rural. A iniciativa integra a Rede e-Tec Brasil e é oferecida pelo Sistema Faesc/Senar/Sindicatos em Santa Catarina.
A proposta do curso é aliar conteúdos teóricos, atividades práticas e experiências de campo, o que é essencial para uma formação alinhada às demandas do setor agropecuário. O presidente do Sindicato Rural de Seara, Valdemar Zanluchi, destacou o sucesso da iniciativa desde a implantação no município. Também ressaltou a qualidade do corpo docente e enfatizou que, ao final dos dois anos, os participantes terão conquistado uma qualificação capaz de ampliar oportunidades profissionais e contribuir para o desenvolvimento das propriedades rurais e das empresas do setor agropecuário.
O superintendente do Senar/SC, Gilmar Antônio Zanluchi, enfatizou que a formação técnica proporciona uma base sólida de conhecimento aos alunos. Também frisou que o curso vai além do aprendizado em sala de aula ao possibilitar a construção de vínculos, troca de experiências e contato com profissionais e lideranças do setor, ampliando a visão dos participantes sobre o agronegócio.
O prefeito de Seara, Beto Gonçalves, que participou da abertura acompanhado pelo secretário de Agricultura, Renato Tumelero, enfatizou a importância do Curso Técnico para o município e reforçou o apoio do Poder Público local a ações de qualificação profissional. De acordo com ele, Seara é um município com forte ligação com o agronegócio e iniciativas que incentivam o acesso ao conhecimento são fundamentais, especialmente para jovens que estão assumindo ou pretendem atuar nas propriedades rurais.
Também estiveram presentes o supervisor regional do Senar/SC, Helder Jorge Barbosa, outras lideranças e a equipe do polo de Seara.
Curso em zootecnia
Totalmente gratuito, o curso é oferecido na modalidade presencial híbrida (80% da carga horária acontece presencialmente e 20% acontece a distância). Há certificação intermediária ao longo do percurso formativo e diploma com validade nacional, emitido conforme a legislação educacional.
De acordo com o presidente do Sistema Faesc/Senar, José Zeferino Pedrozo, a formação tem contribuído para que jovens e adultos do meio rural atuem com excelência na produção, no manejo e na gestão pecuária. Ele ressaltou, ainda, que Santa Catarina conta com 17 polos de formação técnica no Estado e, além do Curso Técnico em Zootecnia, são oferecidas as seguintes formações: Técnico em Agricultura; Técnico em Agronegócio; Técnico em Florestas e Técnico em Fruticultura.
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Produtividade da soja no Rio Grande do Sul fica abaixo da média nacional, aponta especialista
Avaliação foi apresentada durante o 36º Fórum Nacional da Soja, realizado na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque.

A produtividade da soja no Rio Grande do Sul tem ficado abaixo da média registrada em outros estados brasileiros, sobretudo nos últimos cinco anos. A avaliação foi apresentada nesta terça-feira (10) pelo fundador da Veeries e especialista em inteligência de mercado para o agronegócio, Marcos Rubin, durante o 36º Fórum Nacional da Soja, realizado no Auditório Central da Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque (RS). O evento integrou a programação técnica da 26ª edição da Expodireto Cotrijal e reuniu especialistas para discutir competitividade, cenário produtivo e perspectivas para as cadeias da soja e do milho.
Na palestra “2026: O Novo Ciclo da Soja e do Milho: entre safras recordes e mudanças na demanda”, Rubin apresentou números e ferramentas voltados à análise do mercado agrícola. Ele exibiu dados sobre o desempenho da soja nos últimos anos e apontou que a produtividade gaúcha tem ficado abaixo da média observada em outros estados. Segundo Rubin, fatores climáticos têm contribuído para esse cenário. “Além do clima tem sobrado menos dinheiro para investir em novas safras”, ressaltou.

Guillermo Dawson Jr: “O momento da soja é uma preocupação constante que vai desde o clima até questões comerciais, em um contexto mundial de guerras” – Fotos: Nestor Tipa Júnior/AgroEffective/Divulgação
Durante a apresentação, Rubin também chamou atenção para o potencial da produção de biocombustíveis a partir de grãos como alternativa para ampliar a demanda por soja. “A nova China para o Brasil é a geração de biodiesel. No Brasil, existe um mercado interno considerável para comercialização de biodiesel. A gente tem uma oportunidade gigantesca. Então, se aplicarmos o biocombustível no futuro, ele vai ser o principal responsável pelo crescimento da demanda de soja no Brasil nos próximos anos”, concluiu.
Rubin apresentou ainda gráficos comparativos sobre a evolução da produção de soja no cenário internacional. Segundo ele, o Brasil ampliou significativamente sua produção nos últimos 10 anos na comparação com os Estados Unidos. Sobre as perspectivas futuras, o especialista afirmou que começa a enxergar sinais mais positivos para o segundo semestre, mas destacou fatores de incerteza no cenário internacional. “Eu acho que existem fatores imponderáveis como as consequências da guerra Estados Unidos-Irã. Tem um fator que não é benéfico nessa questão da guerra, que é o fertilizante. A gente não sabe por quanto tempo, mas os preços já subiram”, constatou.
Além da análise de mercado, o fórum também abordou desafios relacionados à infraestrutura e à logística para o agronegócio brasileiro. A programação incluiu a palestra “Da adversidade à vantagem competitiva: o novo ciclo estratégico do TERMASA”, apresentada pelo vice-presidente da Cooperativa Central Gaúcha Ltda. (CCGL) e dos terminais portuários Termasa-Tergrasa, Guillermo Dawson Jr.

Marcos Rubin: “Além do clima tem sobrado menos dinheiro para investir em novas safras”
Durante a apresentação, Dawson Jr. abordou o papel da infraestrutura portuária e da logística integrada na competitividade do agronegócio brasileiro. “O momento da soja é uma preocupação constante que vai desde o clima até questões comerciais, em um contexto mundial de guerras. Nos cabe dar as melhores condições de infraestrutura logística para que a soja possa ingressar nos mercados”, afirmou.
O dirigente também destacou a trajetória dos terminais Termasa-Tergrasa, localizados no Porto de Rio Grande. Segundo ele, o empreendimento surgiu no final dos anos 1960 a partir de uma iniciativa de cooperativistas que buscavam alternativas para o escoamento da produção de grãos. O terminal tornou-se o primeiro terminal graneleiro do país em 1972. Atualmente, o Termasa passa por reconstrução, com investimento de R$ 600 milhões, após um acidente envolvendo um navio. As obras devem se estender até outubro de 2026.
Na abertura do fórum, o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (FecoAgro/RS), Paulo Pires, destacou a importância do evento, que chega à 36ª edição e ocorre pelo 26º ano consecutivo dentro da Expodireto Cotrijal. “Eu acho que a questão mais importante do Fórum da Soja é a interação. Nós temos basicamente representantes de cooperativas, de empresas, do sistema financeiro e é nesse contexto que temos uma seleção muito grande de debates no sentido convergente para solucionar os problemas”, ressaltou.
O 36º Fórum Nacional da Soja é promovido conjuntamente pela FecoAgro/RS, Cotrijal e CCGL, com apoio do Sistema Ocergs/Sescoop-RS.
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Cooperativismo movimenta mais de R$ 100 bilhões por ano em Santa Catarina
Tema foi destaque na primeira reunião de 2026 da Frencoop, que reuniu deputados e dirigentes de cooperativas em Florianópolis.

Na noite de segunda-feira (09), em Florianópolis, a a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) realizou a primeira reunião de 2026, durante o encontro de integração entre entidades e poderes públicos com a Organização das Cooperativas de Santa Catarina (Ocesc).
Santa Catarina é considerado o estado mais cooperativista do Brasil. Cerca de quatro milhões de catarinenses estão associados a pelo menos uma cooperativa, número que representa mais da metade da população.
A importância desse sistema também se reflete na atuação do Parlamento catarinense. A Alesc mantém há mais de três décadas a Frencoop, que atua na defesa e no fortalecimento do setor.
O cooperativismo responde por aproximadamente 12% do PIB catarinense e por cerca de 70% das exportações do estado, movimentando mais de R$ 100 bilhões por ano e gerando milhares de empregos e oportunidades.
Importância econômica do cooperativismo
O coordenador da frente parlamentar, deputado José Milton Scheffer (PP), destacou a relevância econômica e social do setor para Santa Catarina.

Deputado José Milton Scheffer: “O sistema cooperativista catarinense é muito pujante e dinâmico e tem grande importância para o desenvolvimento social e econômico do estado”
Segundo o parlamentar, além da geração de empregos, o modelo cooperativista permite que pequenos produtores se organizem e tenham acesso a mercado e crédito. “As cooperativas movimentam mais de R$ 100 bilhões por ano em Santa Catarina e arrecadam cerca de R$ 8 bilhões em impostos estaduais. Muitas vezes pequenos agricultores só conseguem comercializar seus produtos por meio das cooperativas. O cooperativismo é estruturante para a economia catarinense.”

Deputado Mauro de Nadal: “A frente existe justamente para fortalecer o cooperativismo e fazer essa ligação entre o Parlamento e as cooperativas catarinenses”
Para o deputado Mauro De Nadal (MDB), a Frencoop cumpre um papel fundamental ao aproximar o Parlamento das demandas do setor produtivo.
Integração entre cooperativas e Parlamento
O presidente da Ocesc, Vanir Zanatta, ressaltou que o encontro também tem o objetivo de aproximar dirigentes das cooperativas dos parlamentares. “Mais de 50% da população catarinense está ligada a alguma cooperativa. Aqui reunimos cerca de 130 presidentes de cooperativas para dialogar com os deputados. Essa integração é importante para apresentar demandas e fortalecer essa parceria que já vem trazendo bons resultados para o estado.”
A presidente executiva da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), a catarinense Tânia Zanella, destacou que o cooperativismo tem papel central no desenvolvimento regional. “A cada três catarinenses, um é cooperativista. Santa Catarina mostra como o cooperativismo transforma realidades e melhora a vida das pessoas. Essa parceria com o Parlamento é fundamental, porque as cooperativas também dependem de políticas públicas e de um ambiente regulatório adequado para continuar crescendo.”
O secretário de Estado da Agricultura, Admir Dalla Cort, reforçou que o modelo cooperativista garante segurança e estabilidade ao produtor rural. “O cooperativismo é essencial para o desenvolvimento econômico de Santa Catarina. Ele fortalece o produtor rural, organiza a produção e contribui para que o estado, mesmo sendo pequeno em território, tenha uma produção extremamente forte.”

Deputado Fabiano da Luz: “O cooperativismo é a base do nosso desenvolvimento agrícola”
Para o deputado Fabiano da Luz (PT), a relação entre cooperativas e poder público é estratégica para garantir competitividade ao setor agrícola. “O cooperativismo é a base do nosso desenvolvimento agrícola. Ele garante acesso a crédito, assistência técnica e segurança na comercialização da produção. O papel do poder público é justamente dar suporte às demandas desse setor.”
Já o deputado Altair Silva (PP) destacou a origem do movimento cooperativista no meio rural.

Deputado Altair Silva: “O cooperativismo nasceu da agricultura e continua sendo um dos pilares do movimento econômico catarinense”
“O cooperativismo nasceu da agricultura e continua sendo um dos pilares do movimento econômico catarinense. A presença da Assembleia nesse diálogo reforça o compromisso com o desenvolvimento do estado.”
O deputado Napoleão Bernardes (PSD) destacou que a atuação da frente parlamentar vai além do setor produtivo e impacta diretamente o desenvolvimento do estado.
“As frentes parlamentares são instrumentos para defender pontos de vista importantes para a comunidade e para a sociedade. O cooperativismo é uma mola propulsora do desenvolvimento de Santa Catarina. É um modelo econômico justo, porque reúne desenvolvimento econômico, social e humano. Por isso, a frente parlamentar em defesa do cooperativismo é também uma frente em defesa do desenvolvimento e da prosperidade de Santa Catarina.”

Deputado Napoleão Bernardes: “As frentes parlamentares são instrumentos para defender pontos de vista importantes para a comunidade e para a sociedade”
O deputado Pepê Collaço (PP) ressaltou que o cooperativismo tem papel histórico na formação econômica do estado.
“Em Santa Catarina temos uma bancada muito forte que defende esse setor. O cooperativismo foi fundamental para forjar o nosso estado, formado em grande parte por pequenas e médias cidades e pela agricultura familiar. O sistema cooperativo potencializa a produção e mantém o homem no campo. Ao longo da nossa história, esse setor contribuiu muito para o crescimento e o desenvolvimento de Santa Catarina.”
Crise da cebola

Deputado Pepê Collaço: “Em Santa Catarina temos uma bancada muito forte que defende esse setor”
Entre as preocupações do setor está a situação enfrentada pelos produtores de cebola em Santa Catarina. Oscilações de preços e aumento nos custos de produção têm reduzido a rentabilidade dos agricultores. O tema tem mobilizado cooperativas e parlamentares em busca de medidas que garantam maior equilíbrio de mercado e proteção ao produtor catarinense.
Dificuldades no setor do arroz
A cadeia produtiva do arroz também enfrenta desafios, especialmente relacionados à competitividade e aos custos de produção. Cooperativas e produtores defendem políticas de apoio e mecanismos que garantam condições mais justas de comercialização para manter a atividade viável no estado.
Desafios para a produção de leite
O setor leiteiro vive um cenário de instabilidade causado pela variação de preços e pelo aumento dos custos de produção. Nos últimos anos, produtores têm cobrado medidas de apoio e políticas que garantam maior previsibilidade ao mercado e sustentação para a atividade.
Reforma tributária preocupa cooperativas
Outro tema acompanhado de perto pelo setor é a reforma tributária em discussão no país. Cooperativas e parlamentares avaliam possíveis impactos das mudanças no sistema de arrecadação, especialmente sobre a competitividade do agronegócio e das organizações cooperativistas.



