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Trigo irrigado do Cerrado atinge alta produtividade e qualidade industrial
Embrapa apresenta à produtores cultivares de ponta e práticas de manejo para reduzir acamamento e potencializar rendimento do cereal.

Cultivares de trigo tropical irrigado de alta produtividade e qualidade industrial, além das principais práticas recomendadas pela pesquisa para minimizar o acamamento das plantas, foram apresentadas pela Embrapa no Dia de Campo – Trigo Irrigado 2025. Promovido pela Cooperativa Agropecuária da Região do Distrito Federal (Coopa-DF) na Fazenda Maragato e Chimango, no PAD-DF, o evento reuniu cerca de 200 produtores, técnicos, profissionais de revendas e consultores do DF e Entorno.
O engenheiro agrônomo do Departamento Técnico da Coopa-DF, Cláudio Malinski, ressalta que o trigo tem se destacado cada vez mais na região como uma cultura pujante e de alta tecnologia. Estima-se que a área cultivada com a cultura no Brasil Central seja de cerca de 400 mil ha. “É uma cultura superimportante no sistema de produção, já que vem quebrar o ciclo de pragas e reduzir a infestação de nematoides e plantas daninhas. Além disso, a qualidade do nosso trigo é incomparável. Temos o melhor trigo do mundo em função da genética e do ambiente no qual é cultivado”, explica.
O pesquisador Júlio Albrecht, da Embrapa Cerrados, falou sobre as variedades de trigo BRS 254, BRS 264, BRS 394 e BRS 404, desenvolvidas para o Cerrado e indicadas para cultivo em sistema irrigado em regiões com altitudes acima de 500 metros. A época de semeadura recomendada é de 11 de abril a 31 de maio, sendo que a melhor época é a primeira quinzena de maio, a fim de garantir maior potencial de rendimento de grãos, além de reduzir a ocorrência da brusone, principal doença que acomete a triticultura na região.
A cultivar BRS 254 é um trigo melhorador com elevada força de glúten (340 x 10-4 J), estabilidade acima de 12 minutos e peso hectolítrico (PH) de 80 kg/hL (acima do PH de 78 kg/hL exigido pelo mercado), o que proporciona uma farinha de elevada qualidade. “É uma cultivar muito utilizada para melhorar outros trigos com problemas de qualidade para panificação, por isso ela se mantém no mercado”, explica Albrecht. As plantas têm ciclo precoce (120 a 125 dias) e são moderadamente resistentes à germinação da espiga (no caso de semeadura tardia). O potencial produtivo é de 110 a 125 sc/ha, sendo que em 2021 alcançou 147,5 sc/ha em área de pivô de 101 ha na região do PAD-DF.
Recordista mundial de produtividade média diária (80,9 kg/ha/dia) em 2021 na propriedade do produtor Paulo Bonato, em Cristalina (GO), a BRS 264 obteve, naquele ano, 160,5 sc/ha (ou 9.600 kg/ha) de produtividade total em 119 dias de ciclo. A cultivar é um trigo de excelente qualidade para panificação, com força de glúten acima de 262 x 10-4 J, estabilidade acima de 15 minutos e PH acima de 81 kg/hL. “O lançamento dessa variedade foi um marco para o trigo no Brasil Central pela qualidade industrial, precocidade e alta produtividade. A partir daí, ocorreu uma expressiva expansão da área plantada com trigo, os produtores começaram a acreditar mais na cultura e novos moinhos começaram a ser instalados na região. É um dos poucos trigos em que se consegue obter quase 70% de farinha”, comentou o pesquisador.
Apresenta ciclo superprecoce (110 a 120 dias), conferindo economia de energia e água e potencial produtivo médio de 120 a 130 sc/ha, sendo que diversos produtores da região têm alcançado cerca de 145 sc/ha.
Classificada como trigo pão e melhorador, a cultivar BRS 394 apresenta alta força de glúten (acima de 314 x 10-4 J), estabilidade acima de 17 minutos e PH acima de 80 kg/hL. Apresenta ciclo precoce (115 a 125 dias) e maior tolerância ao acamamento em relação às outras cultivares da Embrapa. O potencial produtivo de 115 a 130 sc/ha, tendo produzido 137 sc/ha na região em 2017.
Apesar de inicialmente desenvolvida como trigo de sequeiro ou safrinha, a cultivar BRS 404 também tem sido utilizada em sistema irrigado devido à rusticidade e por demandar menor quantidade de água. “Em pivôs mais velhos, em que não se consegue aplicar o nível de água suficiente, os produtores têm colhido em torno de 100 sc/ha em média”, apontou Albrecht, destacando o uso do material em rotação de culturas para diminuição de nematoides no solo e a ocorrência de Fusarium spp. e plantas daninhas.
De qualidade trigo pão, a cultivar tem força de glúten de 280 x 10-4 J, estabilidade acima de 10 minutos e PH acima de 80 kg/hL mesmo em anos desfavoráveis para a lavoura. O ciclo é precoce (90 a 110 dias no sistema de sequeiro e 120 a 125 dias no irrigado) e, devido à boa tolerância à seca e ao calor, o que minimiza o risco de perdas, pode ser semeada após o dia 15 de março. A produtividade média na safrinha é de 45 sc/ha, sendo que em 2023 chegou a produzir 71,9 sc/ha, com PH de 84.
Novidade para 2026

Foto: Geraldo Bubniak
A Embrapa está preparando uma nova cultivar para o ano que vem: a BRS Savana, indicada tanto para o sistema de sequeiro como para o irrigado. Será uma cultivar com a translocação 2NS/AS, fragmento de cromossomo de uma espécie selvagem parente do trigo (Aegilops ventricosa) que confere maior tolerância à brusone.
Segundo o analista Bruno Lemos, da Embrapa Trigo (RS), a cultivar está entrando em fase de produção das sementes básicas. “Nesta safra, testamos uma faixa do material em mais de 20 unidades demonstrativas. A produtividade média (em sequeiro) foi de 45 sc/ha, mas em regiões ‘fora da curva’ como São Gotardo (MG), produziu 93 sc/ha, e em Cristalina, entregou 86 sc/ha. Vimos que ele tem potencial genético e estamos testando também para o sistema irrigado. Plantamos em 25 ha (no PAD-DF) e colhemos 118 sc/ha neste primeiro ano”, explicou, lembrando que ainda estão sendo realizados ajustes fitotécnicos.
O material foi classificado como trigo pão e de ciclo precoce. O lançamento oficial está previsto para maio de 2026 na AgroBrasília, principal feira agropecuária do Brasil Central.
Práticas para reduzir o acamamento das plantas
Um dos principais problemas enfrentados pelo triticultor é o acamamento das plantas antes do enchimento dos grãos, o que pode trazer prejuízos ao produtor. Para minimizar o problema, o pesquisador da Embrapa Trigo Jorge Chagas apresentou práticas de manejo da cultura, envolvendo a área do cultivo e a escolha da cultivar, a densidade de semeadura, a adubação nitrogenada, o uso do redutor de crescimento e a irrigação.
Chagas salientou que o sistema irrigado é caracterizado por uma grande diversidade de cultivos na região, e por isso o produtor deve estabelecer o objetivo da inserção do trigo no sistema – pode ser apenas a rotação de culturas, ou rentabilidade e obtenção do teto produtivo, por exemplo. “O produtor deve ter esse objetivo em mente para direcionar o manejo. Ele tem que saber até que ponto pretende investir na lavoura para alcançar o rendimento esperado”, explicou.
A primeira medida para alcançar o objetivo traçado é conhecer o histórico da área por meio da análise do solo, das culturas anteriores e o nível de palhada disponível, do nível de fertilidade do solo, da homogeneidade da área (pivôs mais velhos podem não proporcionar altos rendimentos de grãos) e do comportamento de cultivos de trigo anteriores no sistema.
O conhecimento sobre a área associado à correta escolha da cultivar vai permitir um manejo equilibrado. “É importante observar o rendimento e a qualidade de grãos, o ciclo, a tolerância da cultivar ao acamamento, a resistência a doenças e se ela é aceita pelo moinho. São fatores anteriores ao plantio e que orientam a decisão do manejo. Para cada cultivar, adotamos um manejo”, explicou o pesquisador.

Foto: Juliana Caldas
Sobre o plantio, o ideal é realizá-lo com a semeadora, ajustando a profundidade (de 2 a 5 cm) na linha de plantio. “Isso vai permitir um arranjo de plantas mais uniforme. Essa é uma das várias práticas que culminarão no uso do redutor de crescimento, que é a chave para que as plantas não acamem”, disse Chagas, salientando a importância de uma lavoura homogênea.
Quanto maior a densidade de semeadura da cultivar, maior a suscetibilidade ao acamamento, de modo que cada cultivar tem um ponto de equilíbrio. A partir de 500 plantas/m2, qualquer variedade disponível no mercado estará suscetível ao acamamento. Caso o produtor tenha problema de acamamento das lavouras nos anos anteriores mesmo seguindo a densidade indicada para a cultivar, a recomendação é reduzir um pouco a população de plantas. “Apesar de perder um pouco da densidade de plantio, isso evitará perdas muito maiores com o acamamento numa lavoura de trigo irrigado”, observou o pesquisador.
Ele acrescentou que densidades de semeadura acima das recomendadas para as cultivares retiram a eficiência do redutor de crescimento. Por isso, é importante verificar o peso de mil sementes (PMS), a capacidade de germinação das plantas e a plantabilidade (índice de sobrevivência no campo) da área. “Se plantarmos 200 kg/ha de sementes com PMS de 44 g, serão 454 sementes/m2. Mas se o PMS for 32 g, dá 625 sementes/m2. Por isso, é preciso verificar o PMS do lote de sementes e calcular a densidade de semeadura para implantar a lavoura da melhor forma possível”, apontou Chagas, citando as densidades de semeadura indicadas para as cultivares da Embrapa.
Com relação à adubação nitrogenada, é necessário o diagnóstico da área e ter um solo homogêneo e equilibrado em nutrientes. A orientação é seguir a dose de adubação nitrogenada indicada pelo obtentor da cultivar; porém, se a área for bastante fértil, com alto residual de nitrogênio de safras anteriores, é possível reduzir a quantidade de adubo nitrogenado sem comprometer a produtividade. “O produtor pode até perder um pouco, mas perderia muito mais com o acamamento se ele já tiver um histórico de acamamentos graves”, alertou o pesquisador.
A adubação nitrogenada deve ser aplicada do plantio até 15 dias após a germinação. Se houver palhada de milho na área, será necessária uma dose um pouco maior de nitrogênio. A aplicação deve ser antecipada em áreas heterogêneas para melhor desempenho da adubação. Aplicações tardias podem causar aumento do acamamento, sendo indicadas apenas em casos de deficiência ou perda de área foliar. Quanto maior o nível de nitrogênio, mais a lavoura está suscetível ao acamamento”, lembrou Chagas, ressaltando a importância de verificação do nitrogênio disponível na área do pivô.
Outro fator importante é a uniformidade na aplicação do adubo nitrogenado. O pesquisador explicou que áreas onde ocorre sobreposição da aplicação do nitrogênio, comumente são observadas faixas de acamamento entre os corredores.
Utilizado para a redução do porte e o fortalecimento da planta, o que diminui o acamamento, o redutor de crescimento (trinexapaque-etílico) pode ter aplicação única de 0,5 L/ha no primeiro nó visível.
Chagas salientou que a densidade de semeadura e o nível de nitrogênio no solo devem estar adequados para garantir a uniformidade da lavoura no primeiro nó visível, momento da aplicação do redutor de crescimento. “O uso do regulador é o limite em que o produtor está aprontando a lavoura de modo geral. Nesse momento, o potencial de produção já está praticamente definido”.

Foto: Alexandre Ortega
Ele atentou para a correta identificação do primeiro nó visível. O primeiro nó aparece um pouco mais acima no colmo da planta e não deve ser confundido com o “nó” de coroa. Após a aplicação do redutor de crescimento, a irrigação deve ser suspensa por dois a três dias para maior eficiência do redutor.
A irrigação é o último recurso de manejo para controlar o acamamento. “A questão é que se o produtor tiver que suspender a irrigação por causa do acamamento, pode perder produtividade. Mas é preferível faltar água em algum momento que deixar a lavoura acamar. A partir do momento em que o trigo acama, ele não se recupera mais”, observou o pesquisador, acrescentando que o acamamento nos períodos de florescimento e de enchimento dos grãos pode ser muito prejudicial. Nesse sentido, ele recomendou cuidado com irrigações pesadas principalmente no enchimento de grãos em noites de vento (final de julho e mês de agosto).
Para auxiliar no manejo da irrigação do trigo, foi desenvolvido o software “Monitoramento de Irrigação”, disponível gratuitamente na página da Embrapa Cerrados na aba “Serviços” ou clique aqui.
Além da Embrapa, também realizaram apresentações no Dia de Campo a Coopa-DF (manejo no sistema de produção), a OR Sementes (desempenho de cultivares na região do PAD-DF), a Netafim (gotejo subterrâneo em grãos) e a Sem Mattos Consultoria (manejo de plantas daninhas de difícil controle).

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Pesquisa brasileira atrai produtores argentinos para troca de conhecimento
Programação abordou desde manejo reprodutivo até sistemas integrados no bioma Pampa.

Durante a quarta-feira (14), a Embrapa Pecuária Sul recebeu uma comitiva da Associação Argentina de Consórcios Regionais de Experimentação Agrícola (AACREA), formada por 83 produtores rurais e técnicos. O grupo, envolvido em atividades de pecuária, silvicultura e produção de grãos, nas províncias de Corrientes e Missiones, está fazendo um giro técnico no Brasil e a visita à Embrapa foi para conhecer as pesquisas e tecnologias desenvolvidas para o setor primário.
O grupo foi recepcionado pela equipe de gestão na unidade da Embrapa e na sequência participou de palestras sobre diferentes temas que são trabalhados pela pesquisa. Segundo o analista da Embrapa, Marco Antônio Karam, esse tipo de iniciativa é importante para reforçar os laços com os países da região. “Além disso, estamos difundindo conhecimentos e tecnologias disponíveis para que possam ser utilizados lá, visando sistemas produtivos mais sustentáveis”.
Ainda na parte da manhã os pesquisadores Danilo Sant’Anna e Daniel Montardo apresentaram a vitrine de forrageiras, onde estão algumas das cultivares desenvolvidas pela instituição. Outro tema discutido foi o conceito Pasto sobre Pasto, que visa a oferta de forragem de qualidade para animais durante todo o ano.
No início da tarde, a comitiva assistiu a palestra Manejo da reprodução: fisiologia e uso de hormônios, ministrada pelo pesquisador José Carlos Ferrugem. O evento teve prosseguimento tendo como tema o melhoramento genético bovino. Os pesquisadores Fernando Cardoso e Cristina Genro falaram sobre pesquisas e tecnologias na área, como a utilização da genômica para o melhoramento de animais em características como eficiência alimentar e resistência ao carrapato, além dos trabalhos para a adaptação das raças taurinas a regiões tropicais.
A programação foi encerrada com a apresentação sobre o projeto Integra Pampa, feita pelos pesquisadores Naylor Perez e Hélio Tonini. Esse projeto está avaliando os melhores arranjos e desenhos de sistemas de integração lavoura, pecuária e floresta para o bioma Pampa.
Segundo o coordenador regional da Crea, Mariano Lanz, um dos objetivos do grupo foi conhecer soluções tecnológicas que possam ser implantadas nos sistemas de produção deles. “Somos produtores do nordeste Argentino, região com muitas semelhanças com esta. Estamos procurando ideias e encontramos aqui alternativas muito interessantes, principalmente no melhoramento animal e das pastagens”, afirmou.
A Crea é uma associação civil sem fins lucrativos, fundada em 1960 e formada por empresários agropecuários organizados em grupos regionais. Voltada ao desenvolvimento sustentável e à inovação, a entidade promove a troca de experiências e a geração de conhecimento entre produtores, com foco na melhoria da gestão e no crescimento das empresas do setor.
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Mercado externo e estoques apertados elevam cotações do trigo
Clima no Hemisfério Norte e previsão de menor área plantada reforçam alta.

Os preços do trigo avançaram em março no mercado brasileiro, acompanhando o movimento internacional e o período de entressafra. No Paraná, a saca de 60 kg fechou o mês cotada a R$ 63, alta de 3,4% em relação a fevereiro. Já nos primeiros dias de abril, as cotações subiram ainda mais, com média de R$ 66 por saca.
A valorização ocorre em um momento de menor disponibilidade de produto no mercado interno. Com estoques mais ajustados, os preços passaram a seguir mais de perto a paridade de exportação, o que limitou uma reação mais forte da demanda doméstica.

Foto: Fábio Carvalho
De acordo com dados da Consultoria Agro Itaú BBA, o cenário externo também contribuiu para sustentar as cotações no Brasil. No mercado internacional, o trigo registrou volatilidade ao longo de março. Na Bolsa de Chicago (CBOT), o primeiro vencimento do trigo soft variou entre 572 e 635 centavos de dólar por bushel, encerrando o mês a 616 centavos, alta de 4% frente a fevereiro.
As oscilações foram influenciadas principalmente pelo clima seco nas regiões produtoras do Hemisfério Norte, o que elevou as preocupações com a produção. Além disso, o mercado ganhou suporte após relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) indicar redução da área cultivada, reforçando a expectativa de uma safra menor em 2026/27.
Com isso, o mercado segue atento às condições climáticas e às revisões de oferta, fatores que continuam impactando diretamente a formação dos preços do trigo no Brasil.
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Entidades de imprensa do Sul lançam campanha contra desinformação
Iniciativa inédita reúne associações do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná para alertar sobre fake news e conteúdos gerados por inteligência artificial.

As principais associações de imprensa do Sul do Brasil se unem, de forma inédita, para lançar uma campanha conjunta de combate à desinformação. A iniciativa reúne a Associação Riograndense de Imprensa (ARI), a Associação Catarinense de Imprensa (ACI) e a Associação Paranaense de Imprensa (API), com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre os riscos das fake news especialmente diante do avanço de conteúdos gerados por inteligência artificial e reforçar a importância do jornalismo profissional para escolhas livres e conscientes.
O Brasil se aproxima de mais um processo eleitoral marcado pela polarização. Paralelamente, o desenvolvimento acelerado da inteligência artificial elevou a desinformação a um novo patamar, com vídeos, áudios e imagens hiper-realistas que dificultam a distinção entre o real e o falso. Esse cenário ultrapassa as fake news tradicionais e ameaça diretamente a democracia, a liberdade de escolha do eleitor e a credibilidade da informação.
Diante desse contexto, a campanha assinada pela agência MOOVE propõe um alerta direto ao público por meio do conceito: “Se é bom demais, duvide. Notícia exige apuração. Se é estranho demais, duvide. Notícia exige apuração. Se é forçado demais, duvide. Notícia exige apuração.”
A ideia parte do princípio de que a desinformação raramente circula no meio-termo. Ela se espalha quando provoca reações intensas, seja entusiasmo ou estranhamento levando ao compartilhamento impulsivo, sem verificação.
O papel das entidades e do jornalismo profissional é justamente interromper esse ciclo, oferecendo informação confiável e incentivando a checagem antes do compartilhamento. Como estratégia criativa, a campanha apresenta manchetes verossímeis, construídas para parecerem plausíveis, despertando curiosidade e provocando reações imediatas no público. Os temas foram cuidadosamente selecionados para evitar vieses ou conflitos com grupos e instituições, inclusive no campo político.
Durante o lançamento, jornalistas e comunicadores serão convidados a aderir à iniciativa por meio do uso do selo da campanha, em versões para rádio, TV, portais, jornais e revistas, reforçando a mensagem de que a notícia exige apuração. Segundo o presidente da ARI, José Maria Rodrigues Nunes, a ação representa um passo importante na atualização do papel da imprensa diante dos novos desafios. “Embora hoje todos possam produzir conteúdo, o jornalismo profissional segue sendo o principal filtro contra a desinformação. A campanha dá continuidade a ações anteriores da entidade e atualiza o discurso para o contexto da inteligência artificial e do período eleitoral. Ao concluir essa nova etapa, entendemos que era o momento de ampliar o movimento, convidando as associações do Sul para essa grande mobilização. Esperamos que essa iniciativa inspire outras entidades a se somarem a esse esforço coletivo.”
A presidente da ACI, Déborah Almada, destaca o caráter histórico da união. “Estamos entusiasmados com essa campanha, que faz um alerta fundamental em um momento em que a desinformação tem causado tantos danos à cidadania no mundo todo. A união de três instituições que representam a imprensa no Sul do País é um feito inédito que merece ser celebrado. Fortalecer o jornalismo é uma missão.” Para o presidente da API, Célio Martins, em um ambiente marcado pela velocidade e pelo excesso de informação, a proliferação da desinformação é prejudicial a toda a sociedade e faz com que conteúdos falsos ganhem escala e dificultem a distinção entre o que é fato e o que é mentira. “Nesse contexto, o jornalismo profissional é fundamental como contraponto, ao defender a informação de interesse público, combater fake news com apuração rigorosa, checagem de dados e responsabilidade na divulgação, oferecendo ao público conteúdo confiável e contribuindo para a defesa da democracia”, enfatiza.
Responsável pela campanha, a agência Moove reforça a sua importância: “Em tempos de desinformação acelerada, o papel do jornalismo ético e da comunicação responsável torna-se o principal pilar de sustentação da verdade. Nosso objetivo é despertar a consciência crítica no consumo de informações, reafirmando que a qualidade do debate público depende, acima de tudo, da credibilidade da fonte”, afirma Gabriel Fuscaldo, CEO da Moove.
Para Roberto Schmidt, criativo da Agência Moove, a inteligência artificial é uma realidade e não existe qualquer possibilidade de retrocesso, por isso ações como essa são importantes. A campanha atua na geração de senso crítico sobre o conteúdo que circula nas redes, ajudando a combater fake news antes mesmo do seu compartilhamento.



