Notícias Fórum da Cultura do Trigo
Trigo e culturas de inverno se apresentam como opção em cenário desafiador
Como estratégia para reduzir a dependência do milho para ração na produção de proteína animal e leite, uma pesquisa da Embrapa apontou que o triticale pode substituir 100% do milho na ração de suínos e até 88% na ração de aves, sem perda de equivalência.

O planejamento do produtor para investir na implantação de trigo e outras culturas de inverno frente a um cenário desafiador de variação cambial e do conflito no Leste europeu foi tema do Fórum da Cultura do Trigo na Expodireto 2022 na quarta-feira (09). O painel foi promovido pela Câmara Setorial do Trigo, da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), e a Cotrijal.
O coordenador da Câmara Setorial do Trigo e economista da Fecoagro, Tarcisio Minetto, abordou o panorama de custos para a safra 2022, em que o principal desafio dos produtores será a racionalização dos recursos investidos na cultura do trigo. Ele citou a dependência da importação de fertilizantes da Rússia como um fator que poderá gerar escassez do insumo. Além disso, a variação cambial do dólar fez com que o desembolso para a safra aumentasse quase 50%.

Apesar disso, Minetto acredita que a área cultivada de trigo deve crescer este ano, pois será a primeira oportunidade de renda após uma safra de verão que teve perda de 41,9% de produção em comparação com a estimativa inicial. “No cenário de hoje, há uma expectativa de bons resultados, mas vai depender do clima e da eficiência de cada produtor, que será bem exigido a cada safra”, avaliou.
O coordenador da Câmara Setorial também ponderou que é preciso que a cultura do trigo seja integrada a um sistema de produção nas propriedades, e não apenas como uma cultura isolada. “Hoje trabalhamos com apenas 20% da área da cultura de verão para plantar o trigo, então temos um potencial. Dentro de um sistema de produção, o trigo pode contribuir para reduzir o custo das outras lavouras, podendo chegar à ordem de 15% de economia nesse custo”, exemplificou.
Projeto Duas Safras
O diretor e coordenador da Comissão do Trigo e Culturas de Inverno da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Hamilton Guterres Jardim, apresentou as linhas gerais do Projeto Duas Safras, um trabalho que a federação está elaborando em conjunto com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a Embrapa e a Fecoagro.
“É um trabalho preliminar, que chegou à Farsul por uma demanda do setor de proteína animal. Estamos há dois anos elaborando este projeto para poder apresentar alternativas a um mercado altamente exigente e que tem que ser abastecido por matéria-prima produzida pelo Estado”, justificou.
Hamilton pontuou que, enquanto os demais estados brasileiros produzem mais de uma safra, o Rio Grande do Sul só tem uma safra de verão e uma safra de inverno reduzida. “Produzimos, em média, 1,09 safra por ano. Essa expansão brasileira tem levado para outros estados alojamentos de animais que poderiam estar aqui, gerando renda e desenvolvimento”, alertou.
A solução seria investir nas safras de inverno, para garantir produção de alimentação animal o ano inteiro. “Temos condições de levar a safra de inverno para 40% das áreas que ficam ociosas e há tanto mercado interno quanto externo para crescermos. O VBP projetado neste cenário é de mais de R$ 8,8 bilhões”, destacou.
Além de alimentação para o setor de proteína animal, as oportunidades para a cultura do trigo passam, também, pela produção para panificação, trigo feed para exportação e utilização de culturas de inverno para a produção de etanol, por meio do programa Pró-Etanol/RS.
Cereais de inverno para mitigar efeitos da estiagem
O chefe geral da Embrapa Trigo, Jorge Lemainski, apresentou alguns resultados de pesquisa da empresa que têm como objetivo aumentar a área de cultivo com cereais de inverno e aumentar o lucro por hectare ao produtor rural.
“Temos estrutura para evitar a drenagem de R$ 10 bilhões por ano para comprar trigo. Com genética e bom manejo, trigo dá dinheiro, sim”, disse, destacando a importância da escolha de uma cultivar adequada à região de produção, aliada a um manejo eficiente do solo. Lemainski lembrou ainda que, para mitigar os efeitos da estiagem, é necessário haver um bom manejo do solo em outras épocas do ano, e que as safras de inverno contribuem muito para manter essa qualidade.
Como estratégia para reduzir a dependência do milho para ração na produção de proteína animal e leite, uma pesquisa da Embrapa apontou que o triticale pode substituir 100% do milho na ração de suínos e até 88% na ração de aves, sem perda de equivalência. Além disso, a silagem do triticale pode abastecer a produção de leite. “Embora tenhamos sementes registradas no Ministério da Agricultura, não estamos aproveitando essa oportunidade do triticale”, avaliou.
Ao final, Lemainski apresentou resultados preliminares de uma cultivar de cevada ultraprecoce que a Embrapa está avaliando a campo, para ser usada na entressafra, com colheita 99 dias após a semeadura. A iniciativa faz parte de um programa da Embrapa chamado Operação 365, que tem por objetivo a melhoria da qualidade do solo.

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IAT amplia lista e dispensa 27 atividades agropecuárias de licenciamento ambiental no Paraná
Nova regulamentação reconhece baixo potencial poluidor de empreendimentos rurais e busca dar mais agilidade aos processos no campo.

O Instituto Água e Terra (IAT) publicou nesta semana uma nova regulamentação que classifica alguns tipos de empreendimentos agrícolas como inexigíveis de licenciamento ambiental no Paraná. Entre os itens da Instrução Normativa IAT Nº 01/2026, está uma lista de 27 tipos de atividades agropecuárias de insignificante potencial poluidor e degradador do meio ambiente, que passam agora a ser isentas da necessidade do processo licenciatório. Os responsáveis por essas atividades podem agora solicitar ao órgão ambiental a Declaração de Inexigibilidade de Licença Ambiental (DILA), caso exista a necessidade comprovar a categorização.
Para entrar nessa classificação, os empreendimentos devem atender a um conjunto de exigências. Elas incluem não necessitar de acompanhamento de aspectos de controle ambiental pelo Instituto; não estar localizada em uma área ambientalmente frágil ou protegida; e não necessitar da supressão de vegetação nativa. Além disso, devem ser respeitadas condições estabelecidas pelas legislações municipais vigentes.
Entre as atividades englobadas destacam-se benfeitorias e equipamentos necessários ao manejo da apicultura fixa e migratória; cultivo de flores e plantas ornamentais; aquisição de equipamentos e instalações de estrutura de apoio para plantio em ambiente protegido (casas de vegetação/estufas); aquisição de máquinas, motores, reversores, guinchos, sistemas de refrigeração e armazenagem de pescado; implantação de viveiros de mudas florestais; adequação do solo para o plantio; e pecuária extensiva, exceto bovinocultura.
Segundo a diretora de Licenciamento e Outorga do IAT, Ivonete Coelho da Silva Chaves, essa classificação de inexigibilidade de licenciamento vem para agilizar o processo para os agricultores. Como são atividades de baixo impacto ambiental, eles não precisam passar pelo processo licenciatório simplificado ou trifásico, que é aplicado em empreendimentos com médio e alto potencial poluidor. “Também não existe a obrigatoriedade da emissão da DILA, que pode ser solicitada apenas se for requisitada para o proprietário por um órgão que exige uma comprovação da inexigibilidade, como um banco por exemplo”, explica.
Licenciamento
O Licenciamento Ambiental é um procedimento administrativo emitido pelo IAT que autoriza a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras, ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso.
Para mais informações sobre o processo de licenciamento ambiental no Estado do Paraná, é possível consultar o site do Instituto Água e Terra.
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Biológicos impulsionam produtividade de soja a 126,7 sc/ha em lavoura de São Paulo
Campeão do Desafio Nacional do CESB, consultor destaca manejo integrado com produtos biológicos, monitoramento em tempo real e estratégias para enfrentar a variabilidade climática.

Imagine uma produtividade de 126,71sc/ha em uma lavoura de soja, com a utilização estratégica de produtos biológicos. Foi o que aconteceu na Fazenda Santana, de Itapeva (SP).
O consultor Adriano Oliveira, campeão da Categoria Irrigado/Nacional no último Desafio Nacional de Máxima Produtividade de Soja, organizado pelo Comitê Estratégico Soja Brasil (CESB), destaca que a utilização de produtos biológicos no sulco e em cobertura para controle de nematoides e doenças de solo contribuiu para a elevada produtividade. “Também realizamos tratamento de sementes com fungicidas, inseticidas e bioestimulantes, e incluímos inoculantes com rizóbios e promotores de crescimento”, acrescenta.
Desafios na lavoura
Adriano aponta que um dos principais desafios foi lidar com a variabilidade climática, especialmente no período de florescimento e enchimento de grãos. “Tivemos veranico no início da formação de vagens e chuvas excessivas na maturação. Para superar isso, apostamos em cultivares com bom teto produtivo e estabilidade, fizemos o escalonamento do plantio dentro da janela ideal e utilizamos tecnologias de monitoramento em tempo real para antecipar manejos e proteger o potencial produtivo”, observa.
Em relação ao controle de pragas e doenças, o consultor sinalizou que priorizou a ferrugem asiática, mancha-alvo e percevejo-marrom, por serem recorrentes na região. “Atuamos com fungicidas protetores desde o V4-V5 e intensificamos o manejo com alternância de mecanismos de ação. Para pragas, adotamos controle antecipado com aplicações programadas e monitoramento semanal. A adoção de produtos com efeito fisiológico e residual ajudou a manter o estande e o enchimento de grãos”, lembra.
Importância do desafio
O consultor considera o Desafio do CESB um termômetro técnico. “Ele nos tira da zona de conforto e exige um nível de excelência em cada detalhe”, expõe, acrescentando: “Durante o ciclo, tivemos momentos de preocupação com o clima, mas mantivemos o foco com base nos dados e no planejamento técnico bem feito. Cada decisão foi tomada com respaldo em monitoramento e histórico da área”.
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Suínos e frangos representam 54% do faturamento do agro catarinense
VBP estadual cresce em valores correntes e alcança nível histórico, com impactos diretos sobre renda, indústria e exportações.

Santa Catarina encerra 2025 com um Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) estimado em R$ 57,8 bilhões, crescimento nominal de 8,5% em relação aos R$ 53,29 bilhões computados em 2024. O avanço ocorre em valores correntes, ou seja, sem descontar a inflação acumulada no período, o que significa que parte da elevação pode estar associada a variações de preços, e não exclusivamente a aumento físico de produção.
A composição interna do VBP catarinense segue marcada pela forte presença das cadeias animais. Suínos (R$ 16,37 bilhões) e frangos (R$ 15,01 bilhões) lideram com folga o ranking estadual e, somados, respondem por 54,3% de todo o faturamento do agro do estado em 2025. Trata-se de uma participação estruturalmente elevada, coerente com o perfil agroindustrial catarinense e com a especialização histórica do território na produção de proteína animal.
O leite ocupa a terceira posição, alcançando R$ 8,49 bilhões em 2025, também com alta nominal frente aos R$ 8,79 bilhões de 2024. Neste caso, porém, observa-se estabilidade, já que a variação é pequena e pode refletir ajustes de mercado e custos, além das condições climáticas que impactaram algumas bacias leiteiras.
A soja, que historicamente figura entre os principais produtos de Santa Catarina, apresentou recuperação em 2025: salta de R$ 5,75 bilhões para R$ 6,42 bilhões, equivalente a 11,7% de aumento nominal. Embora o valor absoluto seja inferior ao das cadeias animais, a oleaginosa mantém papel relevante na composição do VBP catarinense, especialmente em regiões como o Oeste e o Planalto Norte.
Entre os demais produtos, bovinos (R$ 3,09 bilhões), milho (R$ 2,53 bilhões) e arroz (R$ 1,79 bilhão) formam um segundo bloco de importância econômica. No caso do milho, mesmo com produção robusta, o valor permanece abaixo do registrado na soja e nas proteínas animais, reflexo direto da destinação majoritária do grão para consumo interno, especialmente na alimentação de aves e suínos, setores que movimentam a indústria local.
O mapa de variações também mostra movimentos relevantes entre 2024 e 2025. O VBP de suínos registra a maior expansão nominal do estado, avançando 27% em relação ao ano anterior (R$ 12,87 bi → R$ 16,37 bi). Já frangos crescem aproximadamente 5,2% (R$ 14,27 bi → R$ 15,01 bi). Esses dois segmentos foram os que mais contribuíram para o aumento do faturamento agropecuário catarinense no período. Outros produtos, como banana, ovos, uva e batata-inglesa, também apresentam crescimento, mas com impacto geral menor na composição total.
No conjunto, os números reforçam a característica mais marcante do agro catarinense: um setor fortemente impulsionado pela produção de proteína animal, complementado por culturas relevantes como soja, leite e arroz, além de nichos frutícolas e hortícolas que agregam diversidade ao portfólio estadual.
A edição de 2025 figura não apenas como um retrato do maior VBP da história, mas como um guia essencial para compreender os caminhos e desafios do agronegócio brasileiro no curto e médio prazo. Confira a versão digital clicando aqui.



