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Tributação excessiva e logística deficiente atrapalham expansão da avicultura

O presidente da Associação Catarinense de Avicultura (ACAV), José Antônio Ribas Júnior, avalia o cenário mundial

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Santa Catarina é o melhor lugar do mundo para a produção de aves em razão da associação de vários fatores: sanidade, recursos humanos e vocação para a atividade. Mesmo assim, a avançada avicultura industrial catarinense enfrenta problemas – entre eles, as deficiências infraestruturais e a pesada carga tributária –  para competir no mercado mundial.

O presidente da Associação Catarinense de Avicultura (ACAV), José Antônio Ribas Júnior, avalia o cenário mundial. O Estado barriga-verde tem mais de 17.000 suinocultores e avicultores produzindo num setor que emprega diretamente 105 mil pessoas e, indiretamente, mais de 220 mil trabalhadores com abate superior a 1 bilhão e 300 milhões de cabeças/ano. A avicultura brasileira se desenvolveu copiando o modelo de parceria produtor/indústria implantado em Santa Catarina a partir do início dos anos 1970.

Como o Brasil está enfrentando o concorrido mercado mundial de carne? Quais as tendências que movem, atualmente, os consumidores?

Estamos passando por uma transição nos mercados. O crescimento da competitividade é fato conhecido, entretanto, vários aspectos estão sendo incorporados à matriz de produção e de consumo em todo o mundo. Vamos aos fatos: afora a crise que afeta muitos países temos um crescimento na exigência dos consumidores. Destaca-se a relevância crescente na customização do consumo. Ou seja, diferentes grupos de consumidores buscando produtos mais específicos para atender suas necessidades. Neste contexto, muitas oportunidades se abrem.  Partindo destas percepções, os aspectos qualitativos ganham evidência. Obviamente que o foco em custo nunca perderá relevância, mas a qualidade e a diferenciação começa a ocupar um espaço que antes estava apenas nas tendências e discursos. Hoje falamos em bem-estar animal, uso racional de antibióticos, produtos classificados como orgânicos e saudabilidade como atributos necessários para participar dos mercados. Estar à frente nestas questões nos permitirá a conquista de mais e melhores mercados.

Na condição de centro internacionalmente reconhecido de produção de carnes, quais são as estratégias de Santa Catarina?

Santa Catarina tem competências que podem atender aos mercados mais exigentes do mundo. Muitas vezes citamos, como exemplo, os aspectos sanitários. Pois o Estado é livre das doenças mais críticas que afetam os rebanhos em outros países que também são relevantes na produção de aves e suínos.  Este patrimônio indiscutível somado à aptidão na produção de aves e suínos, que o Estado é pioneiro, constitui em vantagens comparativas relevantes. Quando olhamos mais estrategicamente, precisamos construir vantagens competitivas que possam contribuir para a manutenção e perenização da nossa competitividade. Então, precisamos tratar de temas específicos do Estado, tais como,  a cadeia de grãos e a logística.

Quais as dificuldades que o exportador brasileiro enfrenta?

Existem temas nacionais que afetam localmente, exemplo, legislação trabalhista, carga tributária, entre outros. Perdemos muito em competitividade frente ao peso que as empresas carregam nestes temas. O empresário Brasileiro precisa ser tratado com respeito. Nossas cadeias de produção geram e distribuem riquezas.  Queremos desenvolver ambientes cada vez melhores de produção e trabalho, mas precisamos atuar somando esforços e não punindo quem tenta construir um País melhor. Precisamos de governos e instituições que ajudem a resolver e não apenas a punir. Afinal, somos auditados e respeitados pelos mais criteriosos e exigentes mercados do mundo.

Um dos grandes diferenciais de Santa Catarina é a sanidade. Estamos aproveitando comercial e mercadologicamente essa vantagem?

Sem dúvida. Comparativamente a qualquer outro lugar onde há produção comercial relevante de aves e suínos, somos diferenciados. Estamos livres das principais doenças. Este patrimônio deve ser resguardado por todos. De governos a produtores, todos devem ter clareza do seu papel e sua responsabilidade neste tema. As empresas têm investido muito neste sentido, por isso os mercados se abrem primeiramente para SC e isso, por consequência, fortalece toda economia local. O ICASA é uma iniciativa exemplar neste sentido, numa parceria com o Estado. Em muitas outras frentes trabalhamos com os órgãos públicos para proteger nossas produções. Entendo que a conscientização e vigilância de todos e para todos devem ser contínuas e ostensivas. Fica evidente que, pela relevância da produção de aves e suínos na economia do Estado, o tema sanidade deve ser agenda prioritária do governo e de todos que aqui vivem.

A deficiência de infraestrutura continua sendo o maior gargalo para a exportação?

Especificamente falando de Santa Catarina, precisamos tratar da cadeia de abastecimento de grãos. Apenas a soja e o milho representam algo em torno 65% a 70% do custo do animal vivo. Essa é a grandeza do problema. O Estado é importador de grãos. Esta realidade impõe que busquemos competências em logística e armazenagem. Uma malha ferroviária eficiente traria ganhos absolutamente sustentáveis para o Estado. Estamos atrasados 20 anos neste sentido. A cada ano perdemos competitividade comparativamente ao Paraná e ao Centro Oeste.

Até quando a escassez de milho atormentará a agroindústria catarinense?

Com planejamento e investimento esse tormento vai acabar. Existem boas iniciativas acontecendo, exemplo disso, é a mobilização entre governo, setor de grãos e agroindústrias para planejar o futuro e acertar contratos onde todos tenham atendidas suas demandas. É uma frente pequena, mas que certamente ajudará. Noutro aspecto, há investimentos que precisam acontecer. Desde o incentivo à produção e produtividade local, estruturas de armazenagem e, fundamentalmente, logística. O transporte de grãos gera custos adicionais que inviabilizaram e inviabilizam empresas locais. Temos assistido ao fechamento de portas de empresas que poderiam estar aqui empregando, gerando riquezas e contribuindo para o desenvolvimento do Estado. Este cenário tem que mudar. O Governo precisa ser protagonista e liderar esforços para que as soluções saiam do papel.

Quais são as expectativas de mudança desse cenário?

No curto prazo, o que temos são ações pontuais para mitigar riscos para o ano seguinte. Faltam ações efetivas para resolver definitivamente esta questão.

A construção de um sistema ferroviário ajudaria resolver a crise do abastecimento do milho?

Certamente é uma ação impactante. Reduzir o custo logístico poderia ter salvado muitas empresas que aqui estavam. Mas não podemos tratar apenas esta frente. Temos que disponibilizar mais grãos em nossa produção local. Aprender a trabalhar melhor com o mercado futuro, realizando contratos que permitam manter os custos gerenciáveis e trabalhar com alternativas de importação quando esta for viável e necessária.

Há um claro esforço das agroindústrias e das entidades do agronegócio na capacitação dos produtores rurais?

Capacitar as pessoas é o caminho mais seguro na busca de resultados superiores. Neste sentido, estamos ampliando nossa parceria com a FAESC e SENAR para implantar um programa inédito no Estado. Sempre há oportunidade de melhorias e este programa quer melhorar a gestão dos nossos produtores. Exemplar a liderança da FAESC e SENAR em mobilizar a todos para uma iniciativa tão importante e poderosa. Os investimentos se aproximam dos R$ 3 milhões. Mobilizamos especialistas para construir todo o material. Treinaremos mais de 17mil produtores. E tudo isso sem custo ao produtor. Parceria como esta, entre as empresas e os representantes dos produtores aqui do Estado, tem nos permitido grandes conquistas. Exemplo desta aqui citada e também da Lei de Integração que juntos, no Estado, fomos protagonistas de sua criação e juntos estamos na implementação. Este é um modelo vencedor. Vamos continuar e ampliar. Temos lideranças no Estado que estão a frente destas entidades e que estão comprometidas em fazer cada vez mais e melhor.

Além do solo, a água é um recurso natural vital para a pecuária intensiva. Como está o programa de gestão da água?

Este é outro Programa que nos orgulha. Um trabalho feito a muitas mãos: EMBRAPA, Universidade Federal de Santa Catarina, ACCS , Sindicarne, ACAV e também com a parceria do SENAR e FAESC, está trazendo luz a este tema. O uso racional da água é um tema mundial. A qualidade da água é fator crítico na produção. Desta forma, precisamos fazer a gestão de todo o ciclo da água. A sustentabilidade dos sistemas de produção passa pela gestão da água.

Estamos disponibilizando uma cartilha e vídeos que orientam e ensinam as boas práticas de produção que permitem o uso racional da água. É o começo. Mais trabalhos virão.

Apesar das dificuldades, a avicultura registra crescimento neste ano?

O ano de 2016 está sendo muito desafiador. Todo o contexto do país trouxe repercussões duras para o setor. As produções serão menores do que 2015. Está sendo um ano de buscar soluções simples, baratas e efetivas para manter as produções e mitigar prejuízos. Mantemos-nos atentos à qualidade, pois sabemos que as crises passam. Acreditamos muito na força do nosso setor em superar este momento e continuar a jornada vencedora que até hoje foi escrita.

Além da sanidade, quais outros diferenciais de SC frente a outras regiões produtoras do Brasil e do mundo?

O pioneirismo de SC, sustentado por gente trabalhadora e empreendedora, é algo que faz ocuparmos destaque em todas as áreas as quais atuamos. Não apenas no nosso setor, falo em todos os setores. Nossa gente é um diferencial. Há fatos e dados que mostram isso. Ocupamos a liderança nos principais temas do Brasil. Somos pioneiros nas tecnologias de produção. As empresas que hoje se destacam no mundo, na produção de aves e suínos, começaram aqui. Mas nossos desafios não são pequenos. Temos que fazer nossas competências trabalharem a favor de nossa competitividade.

Quais são suas prioridades no comando da ACAV?

Temos diversos desafios para o setor. Nossas metas passam por manter o status sanitário que conquistamos. Ampliar os mercados a serem acessados com nossos produtos. Desenvolver e capacitar nossos sistemas de produção, nas competências necessárias. Defender os interesses do setor na busca da competitividade. Em todas estas frentes de trabalho, acreditamos na parceria. Continuaremos a trabalhar fortemente em conjunto com Governo, entidades de pesquisa, de ensino, entidades representativas, enfim, fazendo juntos faremos mais e melhor. 

Fonte: Assessoria

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Mudanças no Proagro deixam 116 mil produtores fora da cobertura na safra 2024/25

Estudo da FGV-Agro indica que 111 mil ficaram sem Proagro e sem seguro rural, ampliando risco financeiro e dificultando acesso ao crédito.

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Foto: Gilson Abreu

Ao menos 116 mil produtores rurais deixaram de aderir ao Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro) na safra 2024/2025. O dado consta em estudo do FGV Agro e aponta um efeito colateral das mudanças implementadas no programa entre 2023 e 2025: a exclusão simultânea de produtores tanto da política de garantia quanto do acesso ao crédito rural.

Foto: Gilson Abreu

O Proagro funciona como instrumento de quitação de dívidas de custeio em caso de perdas na lavoura, voltado principalmente a agricultores familiares, pequenos e médios produtores. Em 2023, o programa pagou R$ 10,5 bilhões em indenizações, valor superior aos quase R$ 3 bilhões desembolsados em sinistros pelo Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) no mesmo período. A partir desse cenário, o governo promoveu alterações no regramento com o objetivo de conter despesas.

Segundo a pesquisa, essas mudanças resultaram na saída de produtores do Proagro sem que houvesse migração correspondente para o seguro rural privado subvencionado.

Dos 116 mil que ficaram fora do programa na última safra, cerca de 111,1 mil não contrataram nenhum tipo de cobertura, nem pelo Proagro nem pelo PSR.

Foto: Divulgação/Arquivo OPR

Para os pesquisadores, a mudança de regramento pode ter produzido um ‘peso morto’ de beneficiários do Proagro que ficaram descobertos de instrumentos de gestão de risco e, ainda, excluídos da política de crédito rural. O estudo alerta também para a ampliação do risco sistêmico pela falta de uma entrada clara no mercado segurador.

A deputada Daniela Reinehr (PL-SC) criticou os efeitos práticos das alterações. “

Deputada Daniela Reinehr (PL-SC): “As mudanças no Proagro foram apresentadas com o objetivo de combater fraudes e organizar o sistema, mas o efeito que chegou na ponta foi completamente diferente” – Foto: Divulgação/FPA

Hoje a realidade é que milhares de produtores perderam acesso ao crédito e a proteção da sua safra. Não dá para corrigir um problema criando outro ainda maior”, afirmou.

Perfil dos beneficiários 

O levantamento analisou o período de julho de 2019 a junho de 2025 e identificou 530,1 mil beneficiários do Proagro, divididos em três grupos: 218 mil esporádicos (até dois contratos), 261 mil recorrentes (de três a nove contratos) e 51 mil multicontratantes (dez ou mais contratos).

Com base no novo regramento, que considera, entre outros critérios, o limite de até seis comunicações de perdas por CPF e por Cadastro Ambiental Rural (CAR), os pesquisadores identificaram quem deixou de se enquadrar no programa.

Coordenador da Comissão de Infraestrutura e Logística da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Tião Medeiros (PP-PR): “O governo deixou de proteger muitos pequenos e médios produtores” – Foto: Divulgação/FPA

Também foram analisados produtores de soja, milho e trigo com contratos de custeio entre R$ 100 mil e R$ 300 mil, para estimar o potencial de migração ao PSR. Nesse recorte, foram encontrados 210,6 mil produtores: 52% esporádicos, 45% recorrentes e 3% multicontratantes.

Considerando apenas recorrentes e multicontratantes, cerca de 69 mil ficaram fora do Proagro na safra 2024/2025. Desses, apenas 9 mil deixaram de atender aos novos critérios. Os outros 60 mil não optaram nem pelo Proagro nem pelo seguro rural.

Para os pesquisadores, o dado reforça o entendimento de que há uma lacuna entre política pública e a capacidade de absorção do mercado. “Refletir sobre como canalizar esforços para incrementar a demanda por instrumentos de gestão de risco desses beneficiários é fundamental. Ampliar a rede de distribuição e de peritos, oferecer produtos de seguro aderentes ao contexto de risco de cada produtor, estimular a criação de programas de subvenção estaduais e municipais, bem como um esforço de aculturamento de gestão de risco são ações essenciais”, registraram.

Críticas ao orçamento do seguro rural

O coordenador da Comissão de Infraestrutura e Logística da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Tião Medeiros (PP-PR) , atribui parte do problema ao custo do seguro no mercado e à condução orçamentária do governo. “Com as mudanças e o custo elevado do seguro no mercado, a opção foi não fazer nenhuma cobertura. O governo deixou de proteger muitos pequenos e médios produtores”, ressaltou.

Na mesma linha, o coordenador da Comissão de Meio Ambiente da FPA, deputado Rafael Pezenti (MDB-SC) , citou a

Coordenador da Comissão de Meio Ambiente da FPA, deputado Rafael Pezenti (MDB-SC): “Ao tirar do Proagro esses produtores, o governo não criou nenhuma linha, não absorveu esses produtores no PSR” – Foto: Divulgação/FPA

insegurança orçamentária do PSR. “Esses agricultores, ao final da safra, mesmo com intempéries, sempre tinham no Proagro a garantia de que pelo menos o banco eles iam conseguir pagar. Ao tirar do Proagro esses produtores, o governo não criou nenhuma linha, não absorveu esses produtores no PSR”, afirmou.

Parlamentares lembram que, no fim do ano passado, produtores receberam cobrança da parte subvencionada do seguro após bloqueio no orçamento do PSR. Em 2025, dos R$ 1,06 bilhão destinados ao programa, cerca de R$ 565,3 milhões foram executados.

A FPA tentou incluir na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026 um mecanismo para impedir o congelamento desses recursos, mas o dispositivo foi retirado entre os vetos presidenciais.

Fonte: O Presente Rural com FPA
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Aurora Coop premia produtores e técnicos por excelência no campo

Evento em Chapecó reconheceu 31 profissionais com destaque em produtividade, gestão e desempenho nas cadeias de aves e suínos.

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Produtores premiados e lideranças do Sistema Aurora Coop - Fotos: Keli Magri/MB

A produtividade do agro que nasce nas propriedades rurais ganhou reconhecimento na 11ª edição do Prêmio Empreendedor Rural Cooperativista, promovido pela Aurora Coop nesta quarta-feira (1º), no Clube Caça e Pesca, em Chapecó. A premiação homenageou técnicos agropecuários e empresários rurais cooperados ao Sistema Aurora Coop que alcançaram resultados superiores em eficiência, gestão e desempenho zootécnico nas cadeias de aves, suínos e sustentabilidade.

Cássio Basso, primeiro lugar como técnico destaque nas categorias suinocultura (Suicooper II) e Propriedade Rural Sustentável da Aurora (PRSA)

O evento, realizado anualmente, premiou nesta edição 31 profissionais e traduziu, em cada categoria, o nível técnico exigido por uma das maiores cooperativas de alimentos do país. Criada em 1969, a Aurora Coop é formada por uma estrutura com presença nacional e internacional, apoiada na produção integrada e na consistência dos resultados obtidos no campo. São 14 cooperativas filiadas e mais de 150 mil famílias rurais que fazem parte do Sistema.

O diretor vice-presidente de agronegócios, Marcos Zordan, destacou que os números alcançados pelos premiados refletem um nível de excelência que posiciona os cooperados entre os mais eficientes do país, com ganhos expressivos de produtividade e qualidade.

Presidente Neivor Canton destacou que o desempenho apresentado pelas propriedades premiadas sustenta o crescimento do sistema: “O produtor é a razão maior da existência do sistema cooperativo e, por isso, hoje estamos homenageando a essência da nossa existência”

“Nós temos que tirar o chapéu para todos os produtores. O mercado tem nas mãos hoje o melhor produto para ser comercializado, graças ao que vocês produzem e à forma que produzem. Vocês são os verdadeiros artistas desse negócio”.

Zordan também sublinhou os resultados gerados pela eficiência e qualidade produtivas dos cooperados. “Nos últimos 15 anos, graças aos produtores, a área técnica, as filiadas e a Aurora Coop, foi possível melhorar significativamente os ganhos na suinocultura e na avicultura. É sinal que nós estamos no caminho certo e não podemos sair dele”.

Para o diretor presidente da Aurora Coop, Neivor Canton, o desempenho apresentado pelas propriedades premiadas e pelo trabalho técnico sustenta o crescimento do sistema e projeta o cooperativismo como referência nacional em eficiência produtiva.

“O produtor é a razão maior da existência do sistema cooperativo e, por isso, hoje estamos homenageando a essência da nossa existência. Se somos o maior exportador de carne suína e nossos produtos abastecem o mercado interno e 80 países, é graças a vocês. Todas essas famílias produtoras das 14 cooperativas filiadas merecem esse reconhecimento pelo seu trabalho, pela sua dedicação e pela seriedade com que encaram sua atividade. Somos 87 mil produtores no campo, mais de 50 mil colaboradores diretos e mais de 20 mil nas cooperativas filiadas. Notem o tamanho dessa família que em 57 anos foi possível criar. Todos estão fazendo a sua parte e demonstram hoje aqui que é possível, sim, fazer cada vez melhor”.

Premiados

Entre os 11 técnicos agropecuários premiados, estão os jovens Cássio Basso e Luisa Cesari. Ele levou dois prêmios nos primeiros lugares como técnico destaque na suinocultura (Suicooper III) e no programa Propriedade Rural Sustentável Aurora Coop (PRSA). Ela foi a vencedora da categoria técnica destaque na avicultura.

Diretor Marcos Zordan afirmou que os números alcançados pelos premiados posicionam os cooperados entre os mais eficientes do país: “Nós temos que tirar o chapéu para todos os produtores”

Cássio trabalha na Aurora Coop e presta assistência técnica a 42 suinocultores da Cooperalfa nos municípios gaúchos de Barra do Rio Azul e Atatiba do Sul. O auxílio, a capacitação e o acompanhamento dos produtores no manejo, produção, gestão empresarial e leis ambientais deram resultado e asseguraram os prêmios. “Eu me sinto muito feliz por estar sendo reconhecido pelo meu trabalho no campo. É muito gratificante, pois esse prêmio representa que meus produtores assistidos tiveram uma grande evolução ao longo desse período dentro da Aurora Coop. Só tenho a agradecer imensamente aos produtores e aos meus colegas de trabalho e toda a equipe da Aurora Coop por estar aqui”, destaca.

Luisa Cesari, primeiro lugar como técnica destaque na avicultura

Luisa compõe a equipe de técnicos da unidade da Aurora Coop de Erechim/RS e há oito meses atende 31 avicultores da Cooperalfa e da Copérdia em Aratiba/RS. Ela afirma que a região é altamente produtiva, o que ajudou na conquista do prêmio. “Divido esse prêmio com todos os produtores que atendo e com minha equipe de técnicos da Aurora Coop em Erechim que fazem um ótimo trabalho. Meu desafio nestes oito meses de casa foi manter os bons resultados já alcançados, através da assistência técnica voltada especialmente ao manejo. Estou muito feliz e grata”.

Família de Luiz Marcos de Lima, cooperados da Cooperalfa de Caxambu do Sul, ganhou o primeiro lugar na categoria Lote Macho na avicultura 

A família de Luiz Marcos de Lima, cooperados da Cooperalfa de Caxambu do Sul (SC), ganhou o primeiro lugar na categoria Lote Macho na avicultura. Há dois anos no ramo, Luiz, a esposa Cleusa, o filho Roberto e a nora Gabrieli produzem 34 mil aves por lote, cerca de 200 mil aves por ano. A criação de frangos é a principal atividade da família que também trabalha com lavouras, piscicultura e produção de morangos. “No último ano, nós tivemos os melhores resultados, tanto em produtividade quanto em renda, fortalecendo ainda mais nossa atividade”, conta Roberto. “Esse prêmio nos enche de orgulho e a gente expressa nossa gratidão às duas cooperativas, a Aurora Coop e a Cooperalfa, que estão sempre nos apoiando. E é um reconhecimento pelo nosso esforço diário, pela união da nossa família que traz bons resultados”, acrescenta Gabrieli.

Família cooperada da Cooper A1, em Iporã do Oeste, Atenor, Márcia e Roberta Kickow, premiados como suinicultores destaques campeões na categoria Unidade Produtora de Desmamados (UPD) (Keli Magri/MB)

Outra família premiada é a de Atenor, Márcia e Roberta Kickow. Eles são cooperados da Cooper A1, em Iporã do Oeste (SC) e levaram o primeiro lugar como suinicultores destaques na categoria Unidade Produtora de Desmamados (UPD). Com 550 matrizes produtivas, a família tem na atividade a principal fonte de renda e investe em qualidade para acompanhar as inovações do setor. “Estamos na quarta geração da família que trabalha na suinocultura e procuramos sempre fazer os cursos técnicos e investir em conhecimento para entregar maior qualidade”, ressalta Atenor. “Esse prêmio mostra que estamos fazendo certo e é uma motivação a mais pra gente continuar trabalhando”, complementa a esposa Márcia.

Todos os premiados receberam certificados e os primeiros lugares na categoria técnica garantiram R$2 mil. Já os empresários rurais nas primeiras colocações ganharam uma viagem à Brasília com acompanhante.

11º Prêmio Empreendedor Rural Cooperativista

Avicultura

Técnicos Destaques

1º lugar: Luisa Hartmann Cesari

2º lugar: Leandro João Klosinski

3º lugar: Tainan Cenci

Técnico Destaque – Produção

Gabriele Tais Smaniotto

Técnico Destaque – Recria

Renata Cristina Defiltro

Avicultor Destaque – Recria

Luciano Lunedo

Avicultor Destaque – Produção

Dirceu Bellaver

Avicultor Lote Macho

1º lugar: Luiz Marcos de Lima (Cooperalfa)

2º lugar: Ivo Luiz Favero (Cooperalfa)

3º lugar: Cristiano Perondi (Copérdia)

Avicultor Destaque Lote Fêmea

1º lugar: Elisio Renato Ceconi (Cooperalfa)

2º lugar: Vanessa Luza (Coopercampos)

3º lugar: Juciel Taglian (Cooperalfa)

Avicultor Destaque Lote Recorde

Deivid Junior Enderle Paniz (Cooperalfa)

Pedro Angelo Munerol (Cooperalfa)

Vilson Luiz Finger (Cooperitaipu)

Valdemir Saretto (Cooperalfa)

José Biazi (Cooperalfa)

Suinocultura

Técnico Destaque – Creche

1º lugar: Juliano Perotoni

Técnicos Destaques – Suicooper III

1º lugar: Cassio Basso

2º lugar: Joel Ficagna

3º lugar: Gabriel Cavalli

Suinocultor Destaque – Creche

Rafael José Schleicher (Auriverde)

Suinocultores Destaques – Suicooper III

1º lugar: Aldair Ghisleri (Auriverde)

2º lugar: Sérgio José Muller (Cooper Auriverde)

3º lugar: Ivan Carlos de Bastiani (Cooperalfa)

Suinocultores Destaques – Unidade Produtora de Desmamados (UPD)

1º lugar: Atenor e Roberta Kickow (Cooper A1)

2º lugar: Libório Endler (Auriverde)

Propriedade Rural Sustentável (Prsa)

Técnicos Destaques

1º lugar: Cassio Basso

2º lugar: Joel Paulo Ficagna

3º lugar: Iuri Armando Taufer

Fonte: Assessoria Aurora Coop
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Agro goiano pode sequestrar até 5 toneladas de CO2 por tonelada de grãos

Pesquisa do programa Goiás Verde revela que soja e outras culturas armazenam carbono no solo e na biomassa, com dados monitorados por inteligência artificial em 11 fazendas do estado.

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Foto: Shutterstock

O agro goiano tem potencial para retirar da atmosfera até 5 toneladas de dióxido de carbono (CO2), um dos principais gases de efeito estufa, a cada tonelada de grãos produzida. É o que mostram os resultados preliminares da pesquisa conduzida pelo programa Goiás Verde, uma iniciativa do Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), em parceria com o Centro de Excelência em Agricultura Exponencial (Ceagre).

A pesquisa é fruto de investimento de quase R$ 4 milhões do governo estadual, e está sendo realizada há aproximadamente um ano em 11 fazendas de Cristalina e Rio Verde, com foco na mensuração e no monitoramento de gases estufa, com destaque para o CO2. Na primeira etapa, a pesquisa gerou 2,4 mil amostras de solo em 400 pontos de coleta. “Os resultados preliminares mostram que, dentro de uma mesma propriedade rural, as áreas de agricultura têm o potencial de apresentarem percentuais semelhantes de matéria orgânica no solo e de carbono até 30 cm, em comparação às áreas de preservação com mata nativa”, explica o coordenador de Desenvolvimento Tecnológico do Ceagre, Fernando Cabral.

Tecnologia monitora a troca de gases e água entre o sistema solo-planta-atmosfera, gerando dados inéditos para a gestão agroambiental em Goiás – Foto: Secti

Outro dado interessante é o potencial de assimilação de dióxido de carbono pela soja para cada tonelada de grãos que é produzida. “Isso mostra que a produção agrícola também está retirando carbono da atmosfera e armazenando isso em sua biomassa e no solo, evidenciando como as técnicas de cultivo da agricultura tropical brasileira podem ser sustentáveis”, afirma Cabral.

Dados de solo, planta, atmosfera e gases, que são analisados por uma equipe de especialistas em ciências das plantas e solos, geotecnologias e ciência da computação, que utilizam modelagem de dados através de inteligência artificial, como machine learning e deep learning.

A equipe multidisciplinar conta com cerca de 34 integrantes, entre graduandos e 15 doutores. “Estamos dando um passo decisivo com uma pesquisa pioneira no Brasil”, ressalta o vice-governador Daniel Vilela, destacando: “Nosso país é a grande potência do agro, mas por muito tempo dependemos de modelos científicos internacionais que não traduzem a nossa realidade. Agora, com investimento em ciência e tecnologia, Goiás assume o protagonismo para demonstrar o real potencial sustentável da nossa produção”.

O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação de Goiás, José Frederico Lyra Netto, evidencia a importância do agro. “Há uma percepção errada de que a produção automaticamente prejudica o meio ambiente. Não é assim. Investimos quase R$ 4 milhões em uma grande pesquisa, com equipamentos de ponta e diversos pesquisadores, para entender o balanço do carbono. Os resultados preliminares mostram que o agro pode, sim, ser sustentável”, salienta.

Goiás Verde

Foto: Divulgação

Ainda em sua primeira etapa, a pesquisa passou a contar também com duas torres de fluxo que vão medir por meio de 16 sensores, em tempo real, quanto de carbono e água as culturas absorvem ou liberam, além de outros parâmetros da atmosfera e do solo da lavoura.

A tecnologia monitora a troca de gases e água entre o sistema solo-planta-atmosfera, gerando dados inéditos para a gestão agroambiental em Goiás. O projeto também integra dados de campo com imagens de satélites (Landsat e Sentinel), drones e ferramentas de inteligência artificial.

O objetivo é transformar essas práticas agrícolas em ativos mensuráveis, permitindo que o produtor rural comprove o uso de técnicas de baixo carbono, como é o caso da agricultura regenerativa e bioinsumos, permitindo o acesso a mercados internacionais e incentivos financeiros. “Aqui é o campo de pesquisas dos sonhos e não podemos perder esta oportunidade. Temos várias expertises reunidas para evidenciar que o país tem um grande potencial de sequestrar carbono por meio da agricultura”, garante Alexandre Baumgart, diretor da Baumgart Fazendas Reunidas, em Rio Verde, umas das propriedades nas quais a pesquisa é realizada.

Fonte: Assessoria Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Goiás
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