Bovinos / Grãos / Máquinas
Três em cada quatro aplicações de vacina são em local não preconizado
Pontos simples como manejo, local de aplicação e mão de obra capacitada são quesitos que estão deixando a desejar na pecuária brasileira
Um rebanho bem alimentado, cuidado e sadio faz brilhar os olhos de todo pecuarista. Mas, alcançar este trio exige muita dedicação. O terceiro item, em especial, ainda merece uma atenção redobrada do produtor, já que é a partir dele que os demais conseguem ser alcançados. Porém, uma das questões para deixar os animais sadios, que é a aplicação da vacina, tem deixado a desejar. Seja pelo manejo incorreto, ou mesmo falta de informações adequadas sobre como aplicar, o pecuarista tem tido certas dificuldades para que a vacinação faça o seu real efeito e não provoque perdas.
O quesito vacinação envolve, principalmente, três componentes: o aplicador, que é a pessoa que está lidando com isso, o animal e o produto, a vacina em si. “Cada um tem as suas particularidades. A responsabilidade do produto é, seguindo todas as recomendações que são exigidas pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), demonstrar eficácia naquilo que foi designado”, explica o médico veterinário Paulo Colla. Mas, no que o produtor precisa se atentar também é onde ele está comprando o produto. “Se o local em que ele está adquirindo o produto é bem acondicionado, há pessoas treinadas no local para fazer o atendimento”, orienta. De acordo com Colla, estes pontos são importantes de serem observamos pelo produtor, pelo fato de que se pessoas não treinadas fizerem a administração do produto nos animais, é muito provável que surjam problemas no futuro.
O profissional afirma que não adianta o produtor fazer um processo “na correria”, ser o campeão de aplicação de animais vacinados por dia, se a qualidade desta aplicação não foi bem-feita. “Onde aplicar é o principal ponto. 25% das aplicações ocorrem no local certo e 75% em locais não preconizados. Não é que a pessoa erra, mas ela tem que saber onde aplicar. A recomendação é sempre na tábua do pescoço, naquele triângulo, que é um local onde tem carnes menos nobres. Além disso, fazendo a prega, o produtor vai conseguir administrar exatamente a vacina subcutânea”, explica.
Colla comenta que uma das coisas mais importantes que se observa é principalmente a eficácia do produto que foi comprado. “Quem me garante que com a aplicação feita de forma incorreta o produto vai trazer a proteção para a doença para qual foi produzido? Seja febre aftosa, brucelose ou raiva. Garantir que o produto seja bem aplicado é minha garantia para ter o resultado esperado”, observa. Outro ponto, de acordo com o médico veterinário, é o processo em si. “Como trabalhamos em um ambiente aberto, precisamos algumas dicas que são importantes. Como por exemplo, nestes casos não precisa da contenção total do animal. Somente aí já minimiza em quase 98% a chance de uma aplicação errônea”, diz.
Equipe
Segundo ele, para garantir que o trabalho seja feito de forma correta, é importante que o produtor se preocupe em ter uma equipe bem preparada. “É necessário o pecuarista prestar atenção em quem é a pessoa melhor preparada para fazer a aplicação. É preciso começar a definir quem vai trabalhar com o rebanho, qual a pessoa certa para este serviço”, argumenta. Colla explica que é preciso que seja uma pessoa calma, com orientação do que fazer exatamente. Outro ponto destacado pelo especialista é a importância da esterilização do estojo de aplicação. “É importante limpar o material, garantir que tenham agulhas novas, que cada uma seja trocada a cada dez animais, no mínimo. Esses detalhes vão garantir que você minimize riscos de contaminação. Tudo isso é determinante para que mantenham níveis acima de 99% de resultado eficiente, tanto na expectativa do produto que está aplicando, quanto nos resultados da reação pós vacinal”, afirma.
O principal ponto defendido por Colla, para realizar uma correta vacinação, é que uma pessoa capacitada faça este trabalho. “Muitas vezes, o produtor aplica a vacina de forma incorreta porque não foi bem orientado de como fazer e a orientação é uma coisa que sempre cabe. Todo o problema tem uma origem, talvez a falta de informação seja o da vacinação. Toda a cadeia envolvida precisa estar preocupada em repassar as informações, capacitar e estudar uma melhor alternativa”, comenta.
O médico veterinário diz ainda que o treinamento da mão de obra nas propriedades é de suma importância. “Mesmo que o produtor esteja comprando o produto em um ponto de venda idôneo, em que as pessoas falem sobre isso, é importante que o pecuarista tenha consciência que é preciso fazer um processo calmo, com menor estresse possível e um manejo racional. São coisas que precisam ser pensadas”, afirma.
Ele explica que a vacinação é um processo que deveria ser encarado com muito mais cuidado pelo pecuarista, além de sempre buscar orientação do fornecedor onde ele compra o produto, e perguntar o que é importante no processo de vacinação, como manter sobre refrigeração, fazer com que a pistola de aplicação e agulhas sejam esterilizadas antes e após o uso, fazer a troca de agulhas, entre outros.
Além disso, Colla diz que é importante a pecuária brasileira “começar a fazer a lição de casa” e entender onde está acontecendo o erro, em qual parte do processo. “Precisamos olhar tudo isso com serenidade, atrelado a pesquisa ao desenvolvimento e saber dizer onde cabe melhorias, buscar esse ideal, essa melhoria através do diálogo entre a cadeia”, comenta. Ele acrescenta que é importante a cadeia toda se mobilizar, sem a questão de culpar um ou outro, mas sim em se ajudar e buscar uma solução para que se minimize, melhore ou descubra de fato o problema. “É preciso que a cadeia tenha um nível de humildade muito maduro para que possamos em conjunto fortalecer um elo da economia da pecuária, que é muito importante para o Brasil. Precisamos olhar isso com vias de mercado externo e, principalmente, interno”, destaca.
Sanidade
E sendo a sanidade um assunto sempre bastante discutido quando o assunto é proteína animal, Colla destaca que dentro da pecuária, de todos os custos de produção de uma arroba de boi hoje ou de uma carcaça de qualidade, a sanidade representa de 2 a 4%. “É muito pouco, quando pensamos em outros custos como nutrição, mão de obra, pastagens, entre outros”, comenta. O médico veterinário afirma que a sanidade representa pouco, mas é de suma importância, levando em conta os problemas que a falta dela pode causar. “Não podemos nos dar ao luxo de perder 1% de exportação ou mercado. A sanidade, por representar tão pouco, as vezes acaba sendo negligenciada. É muito importante pensar na sanidade com pouco que ela representa em produção, mas muito quando encontramos algum problema”, diz.
De acordo com Colla, um bom programa sanitário precisa de uma boa análise do pecuarista de com quem ele vai adquirir os produtos, ter sempre a consultoria de um médico veterinário e buscar informações com os próprios laboratórios sobre os produtos que estão adquiridos. “Isso para garantir uma boa pecuária”, frisa.
Mais informações você encontra na edição de Bovinos, Grãos e Máquinas de agosto/setembro de 2017 ou online.
Fonte: O Presente Rural

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Pecuária brasileira investe em rastreabilidade e práticas sustentáveis para modernizar o setor
Programa da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável orienta produtores sobre recuperação de pastagens, formalização e monitoramento da cadeia para aumentar eficiência e atender exigências ambientais e comerciais.

Pressionada por novas exigências ambientais, regras comerciais mais rigorosas e pela necessidade de ampliar a produção sem expandir área, e ao mesmo tempo impulsionada pelos avanços produtivos que vêm transformando o setor, a pecuária brasileira atravessa um momento decisivo. Ao mesmo tempo em que enfrenta questionamentos sobre emissões e desmatamento, o setor reúne condições técnicas e práticas sustentáveis para liderar uma transição baseada em tecnologia, eficiência, recuperação de áreas já abertas e maior integração dos produtores à cadeia formal.
Nesse cenário, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável tem reforçado sua atuação como articuladora de propostas estruturantes e como referência técnica para o debate público. A entidade sustenta que a competitividade da carne brasileira dependerá da capacidade de transformar o momento atual em ativos estratégicos.

Presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Ana Doralina Menezes: “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe” – Foto: Clever Freitas
Um dos pilares dessa agenda é a recuperação de pastagens degradadas, apontada como eixo central do Caminho Verde, política pública defendida pela instituição para impulsionar a intensificação sustentável da atividade. A estratégia parte de um diagnóstico claro: “o Brasil possui um volume importante de áreas consideradas de baixa produtividade. Requalificá-las, por meio de manejo adequado, melhoria do solo, tecnologias e integração de sistemas, permite elevar a produção por hectare, reduzir emissões relativas e otimizar a produção”, explica a presidente, Ana Doralina Menezes.
De acordo com a profissional, o programa representa uma solução pragmática e alinhada às demandas globais. “O Brasil tem a oportunidade de demonstrar que é possível produzir mais utilizando melhor o que já existe. Recuperar pastagens é aumentar eficiência, melhorar renda no campo e responder de forma concreta aos compromissos climáticos”, afirma.
A transformação, porém, não se limita à dimensão produtiva. Parte relevante do desafio está na reinserção de pecuaristas na cadeia formal. A informalidade restringe acesso a crédito, assistência técnica, mercados que exigem comprovação socioambiental, além de fragilizar a imagem do setor como um todo, por isso é imprescindível que o pecuarista esteja alinhado e de acordo com o Código Florestal vigente.

Foto: Breno Lobato
Para o vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, Lisandro Inakake de Souza, a inclusão é condição para que a transição seja efetiva. “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado. A formalização precisa ser vista como instrumento de fortalecimento econômico e não apenas como obrigação”, destaca.
A ampliação da rastreabilidade também integra esse movimento, uma vez que ela se apresenta como infraestrutura que conecta sanidade, ambiente e gestão. Em relação ao mercado, com compradores cada vez mais atentos à origem e à conformidade ambiental, sistemas consistentes de monitoramento tornam-se fator determinante para manutenção e novas aberturas. Por isso, como reforça a Mesa, transparência é elemento estruturante da competitividade. “Rastreabilidade é credibilidade. Ela protege quem produz corretamente e permite que o Brasil apresente dados sólidos sobre sua cadeia”, frisa Lisandro.
Ao articular recuperação de pastagens no âmbito do Caminho Verde, inclusão produtiva e avanço da rastreabilidade, a instituição busca incentivar o setor de forma propositiva diante das transformações regulatórias e comerciais em curso. “Mais do que reagir a pressões externas, a estratégia é demonstrar que produtividade, responsabilidade socioambiental e inserção competitiva podem avançar de forma integrada, incentivando o produtor a atuar como centro da solução”, complementa Ana Doralina.
Uma agenda conectada ao campo

Lisandro Inakake de Souza, vice-presidente da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável: “Quando o produtor está regularizado, ele tem acesso a financiamento, pode investir em tecnologia e atender às exigências de mercado” – Foto: Mesa Brasileira de Pecuária Sustentável
Para apoiar o pecuarista nos temas estratégicos que vêm moldando o futuro da atividade, a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável iniciou 2026 com uma programação propositiva de webinars voltados à qualificação e à disseminação de informação técnica.
No dia 29, foi realizado o segundo encontro dedicado à reinserção de produtores na cadeia formal. Em 26 de fevereiro, o foco esteve na rastreabilidade, aprofundando desafios e caminhos para ampliar transparência e conformidade. Um terceiro webinar sobre reinserção está previsto para maio, dando continuidade às discussões.
Todos os conteúdos já disponibilizados podem ser acessados no canal oficial da instituição no YouTube, ampliando o alcance das orientações e fortalecendo o diálogo com produtores, técnicos e demais elos da cadeia.
“Nosso compromisso é transformar temas complexos em orientação prática para quem está no campo. Quando promovemos debates sobre recuperação de pastagens, reinserção na cadeia formal e rastreabilidade, estamos oferecendo instrumentos concretos para que o produtor tome decisões mais seguras, amplie sua competitividade e participe de forma ativa dessa nova etapa da pecuária brasileira”, finaliza a presidente.
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Sistema Faep assume coordenação da Aliança Láctea Sul Brasileira no biênio 2026/27
Fórum reúne entidades e produtores para discutir estratégias de competitividade e desenvolvimento da cadeia do leite.

O Sistema Faep está à frente da coordenação geral da Aliança Láctea Sul Brasileira para o biênio 2026/27. O comando é rotativo entre os Estados participantes e, neste novo ciclo, ficará sob responsabilidade do Paraná, representado pelo Sistema Faep. Mais recentemente, o Mato Grosso do Sul passou a integrar a iniciativa, ampliando a articulação regional em torno do fortalecimento da produção e da competitividade do leite brasileiro.

Ronei Volpi, coordenador geral da Aliança Láctea, em sua propriedade – Foto: Divulgação/Sistema Faep
“A Aliança contribui para a integração entre os Estados e a construção de estratégias conjuntas voltadas à cadeia do leite. O Sistema Faep seguirá trabalhando ao lado das entidades do setor para avançar em pautas que ampliem a competitividade e as oportunidades para a produção”, afirma o presidente do Sistema Faep, Ágide Eduardo Meneguette.
Criada em 2014, a Aliança Láctea Sul Brasileira é um fórum público-privado que reúne representantes do setor produtivo e de instituições dos estados da região Sul. O grupo discute ações voltadas à cadeia leiteira e busca alinhar iniciativas nas áreas de produção, indústria e comercialização de leite e derivados, com foco nos mercados interno e externo. No ciclo 2026/27, a coordenação será exercida pelo consultor do Sistema Faep, Ronei Volpi, produtor rural com atuação há décadas na cadeia leiteira e participação em discussões voltadas ao desenvolvimento do setor.
A agenda de trabalho da Aliança para 2026 começou recentemente. No início de março, o Sistema Faep foi anfitrião da primeira reunião do ano, quando foram apresentados o Plano de Incentivo à Exportação de Lácteos e o plano de trabalho voltado à sanidade na cadeia leiteira, iniciativas que buscam fortalecer a competitividade do setor e ampliar oportunidades de mercado para os produtores da região.
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Demanda externa impulsiona exportações brasileiras de carne bovina
Volume embarcado supera 267 mil toneladas em fevereiro, com crescimento expressivo em mercados como Rússia, México e Chile.

As exportações brasileiras de carne bovina totalizaram 267.319 mil toneladas em fevereiro de 2026, com receita de US$ 1,44 bilhão, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).
Na comparação com fevereiro de 2025, o resultado representa crescimento de 21,6% no volume embarcado e de 38,2% na receita, refletindo a ampliação da demanda internacional pela proteína brasileira. O desempenho também supera levemente o registrado em janeiro de 2026, quando as exportações somaram US$ 1,404 bilhão e 264 mil toneladas, consolidando o melhor resultado já registrado para um mês de fevereiro na série histórica.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, as exportações brasileiras de carne bovina alcançaram 531.298 toneladas, com receita de US$ 2,84 bilhões, avanço de 23,8% em volume e 39,2% em valor em relação ao mesmo período do ano passado.
A carne bovina in natura segue como principal produto exportado, com 235.890 toneladas embarcadas em fevereiro, o equivalente a 88,2% do volume total exportado e 92,2% da receita obtida no mês.
Entre os destinos, a China permanece como principal mercado, com 106.702 toneladas importadas em fevereiro, seguida pelos Estados Unidos, com 39.440 toneladas, além de Rússia (15.762 t), Chile (13.857 t) e União Europeia (9.084 t) entre os principais compradores da carne bovina brasileira.

Foto: Divulgação/Porto de Santos
Entre os mercados relevantes, Rússia, México e Chile apresentaram crescimento expressivo nas compras em relação ao mês anterior, com altas de 111,6%, 132% e 37,6%, respectivamente, enquanto as exportações para a União Europeia avançaram 21,2% no período.
Para o presidente da ABIEC, Roberto Perosa, os números reforçam a presença da carne bovina brasileira no comércio internacional. “O Brasil segue ampliando sua presença nos mercados internacionais com regularidade de oferta, qualidade do produto e diversificação de destinos, fatores que sustentam o crescimento das exportações de carne bovina”, conclui.
