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Treinamentos da 4ª SNCS capacitam 700 profissionais em todo o Brasil
Ação realizada em parceria com o GPA passou pelas regiões Nordeste, Sul, Sudeste e Centro-Oeste
Cerca de 700 capacitados das redes Pão de Açúcar e Extra. Esse foi o saldo do treinamento “A mágica da venda e do atendimento”, da 4ª Semana Nacional da Carne Suína (SNCS) realizada pela Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) em parceria com o GPA. As capacitações, que tiveram início no dia 08 de agosto e se encerraram no dia 02 de setembro, passaram por importantes regiões do país, fortalecendo o conceito de qualidade, saúde e sabor da carne suína.
Os treinamentos de vendas são uma importante etapa da SNCS, que tem como foco os profissionais que trabalham diretamente com o atendimento ao cliente. Desde a primeira edição da Semana, realizada em 2013, centenas de treinamentos práticos e teóricos que capacitaram os colaboradores com informações sobre o histórico da suinocultura e seus benefícios nutricionais, cursos de cortes e técnicas de venda foram realizados. Este ano, a capacitação tinha como tema central a melhoria no atendimento por meio do relacionamento com o cliente como diferencial para promover o produto.
Na ocasião, o mágico e palestrante motivacional Eduardo Peres trabalhou o desenvolvimento profissional das equipes de vendas, apresentando-lhes atitudes que permitem conduzir o trabalho com mais entusiasmo, precisão e qualidade. Muito além de uma palestra motivacional, o treinamento permitiu aprofundar o conhecimento sobre estratégias, adequações de postura, construção de personagem e tendências. Segundo Peres, a aceitação e movimentação dos colaboradores o surpreenderam. “O público superou minhas expectativas, tanto pelo número de participantes quanto pela interação. Sem dúvida, essa foi uma experiência muito enriquecedora e interessante para minha carreira e espero que os ensinamentos adquiridos nos treinamentos alcancem a todos os colaboradores”, afirma.
As capacitações da 4ª SNCS contaram ainda com palestras de saudabilidade da carne suína, nas quais nutricionistas demonstraram os benefícios da proteína para a saúde. O tema, que é continuamente abordado durante os treinamentos desde a primeira edição da Semana, é essencial para a conscientização dos profissionais que, quando em contato com cliente, podem esclarecer mitos e fornecer informações sobre a carne suína.
A nutricionista Thaliane Dias participa da elaboração das palestras de saudabilidade desde 2013, quando houve a primeira edição da Semana Nacional. Segundo ela, o principal desafio dos treinamentos esse ano foi manter os colaboradores estimulados e engajados com a causa. “Nosso objetivo foi fazê-los compreender que a carne suína é uma excelente opção para tornar a compra do consumidor diversificada e, por consequência, variada nutricionalmente”, explica. “Nas edições anteriores eles foram capacitados quanto à forma de criação dos animais, a saudabilidade e versatilidade do produto. Já nesta edição, trabalhamos com todos esses conceitos integrados de uma forma dinâmica, por meio da aplicação de um quiz que testou o conhecimento deles sobre a proteína”, comenta.
Para Alice Fortunato, compradora nacional de suínos do GPA, o resultado dos treinamentos foi recompensador. “Todos os treinamentos foram bem aceitos e as equipes se mostraram animadas com a proposta desta edição. Assim, esperamos um retorno muito positivo da campanha para que nossa meta de crescimento de 20% nas vendas seja alcançada”, avalia.
Lívia Machado, coordenadora de Marketing da ABCS, comenta a importância do trabalho feito junto aos colaboradores para o sucesso da SNCS. “Esses profissionais atuam em contato direto com o consumidor final e por meio deles conseguimos passar a mensagem de saúde, qualidade e sabor da proteína suína. Capacitá-los significa fortalecer uma etapa importante da nossa cadeia que é a comercialização”.
4ª SNCS
Marcada para setembro, a Semana Nacional da Carne Suína volta a ganhar as lojas Pão de Açúcar e Extra de todo o Brasil para mais uma vez surpreender e conquistar os consumidores brasileiros. Além dos treinamentos de vendas, a ação vai contar ainda com uma série de oficinas gastronômicas com o objetivo de informar e estimular os consumidores a consumir a proteína.
Para a ação, as lojas ganharão um layout exclusivo – decoração temática, materiais informativos e gôndolas para destaque dos cortes. Cartazes, placas, folders, selos e aventais fazem parte do grupo de materiais que serão utilizados durante a ação para esclarecer e informar o consumidor sobre as vantagens do produto. Além disso, matérias especiais e chamadas na rádio interna com inserções institucionais e de dinâmicas comerciais serão outro meio de divulgação das ações nas duas bandeiras.
A campanha da 4ª SNCS também será direcionada às mídias externas. Jornais de grande circulação, rádios, sites e blogs especializados serão pautados através do envio de textos, spots e vídeos. A ideia é que a Semana agregue o maior número possível de veículos de comunicação e agentes envolvidos nas ações de marketing da proteína.
Em 2016, o objetivo do GPA é crescer o volume de carne suína em 20% se comparado com a 3º SNCS.
Fonte: Assessoria ABCS

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Cadeia de proteína animal inicia articulação nacional para padronizar práticas de bem-estar animal
Workshop da COBEA reuniu representantes do setor em São Paulo e antecipou dados de estudo que será lançado em maio.

Cerca de 30 representantes de 20 empresas da cadeia de produção de proteína animal participaram, na última quinta-feira (26), do primeiro workshop colaborativo promovido pela Colaboração Brasileira de Bem-Estar Animal (COBEA), realizado na Fundação Getulio Vargas, em São Paulo. O encontro abriu uma agenda de articulação do setor voltada à construção de projetos conjuntos relacionados ao bem-estar animal.
Durante o evento, os participantes tiveram acesso a uma prévia dos resultados do relatório inédito “Bem-estar animal na cadeia produtiva brasileira – Evolução e ambições para o futuro”, que será apresentado oficialmente em 07 de maio, durante o Fórum Estratégico de Bem-Estar Animal. O fórum é organizado pela coalizão em conjunto com a Produtor do Bem Certificação, idealizadora da iniciativa.
Desafios comuns e busca por padronização

Workshop Colaborativo COBEA – Rotas para a produção sustentável de alimentos abriu uma agenda de articulação do setor voltada à construção de projetos conjuntos relacionados ao bem-estar animal
A programação incluiu a apresentação institucional da entidade, a exposição dos dados preliminares do estudo e uma dinâmica de trabalho em grupo. Em quatro mesas-redondas, os participantes discutiram os principais entraves relacionados ao tema e propuseram caminhos de atuação coletiva.
Entre os desafios levantados estão a necessidade de padronização de critérios de bem-estar animal, a dificuldade de mensurar benefícios econômicos dessas práticas, a comunicação desse valor ao consumidor, a capacitação de fornecedores e a carência de dados consolidados no país.
As discussões resultaram na proposição de ideias para projetos colaborativos que, segundo a organização, serão estruturados nas próximas etapas. As empresas interessadas deverão ser convidadas a participar da construção dessas iniciativas.
Construção de agenda conjunta
Para Elisa Tjarnstrom, diretora-executiva da entidade, o encontro mostrou a disposição do setor em tratar o tema de forma coordenada. “Esse primeiro workshop da COBEA teve participação ativa dos presentes e discussões muito fundamentadas e importantes para o tema do bem-estar animal. Foi uma oportunidade rara para diferentes atores do setor se reunirem e compartilharem experiências e desafios, o que gerou um senso compartilhado de propósito e inspiração que marcou o encontro”, afirmou.
O presidente da coalizão, João Paulo Camarinha Figueira, destacou o papel da integração entre os elos da cadeia. “O encontro foi importante para integrar os diferentes elos da cadeia e alinhar expectativas, desafios e oportunidades. Quando os atores se conectam e trabalham de forma colaborativa, conseguimos avançar mais rapidamente na solução de problemas comuns e na geração de valor compartilhado. Esperamos que outras empresas se juntem ao grupo e fortaleçam essa relevante agenda”, frisou.
Colunistas
Crises internacionais expõem dependência do agro brasileiro por fertilizantes e diesel
Aumento dos custos e risco de desabastecimento colocam em xeque a produtividade e a segurança alimentar.

As guerras entre Rússia e Ucrânia e entre Estados Unidos e Israel contra o Irã configuram uma crise que descortina ângulos inéditos da realidade e impõe reflexão estratégica. Ela irradia efeitos que transcendem o campo militar e alcançam, com intensidade, a segurança alimentar global. Para o Brasil, potência agrícola de dimensão planetária, a instabilidade internacional revela uma vulnerabilidade estrutural: a dependência externa de fertilizantes e de diesel.
Mais de 80% dos insumos utilizados na agricultura brasileira têm origem no exterior. O País importa mais de 40 milhões de toneladas anuais e ocupa a posição de quarto maior consumidor mundial, atrás de China, Índia e Estados Unidos. Potássio, cálcio e nitrogênio compõem a base nutricional das lavouras, enquanto a soja absorve mais de 40% do volume aplicado. Essa dependência, tolerada por décadas em razão de custos e conveniências econômicas, tornou-se fator de risco em um cenário de rupturas logísticas, sanções comerciais e volatilidade de preços.

Artigo escrito por Vanir Zanatta, Presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (OCESC).
A escalada dos custos dos insumos, agravada pela escassez global, impõe ao produtor rural decisões difíceis. A tendência de redução no uso de fertilizantes compromete a produtividade e projeta impactos diretos sobre a oferta de alimentos. Ao mesmo tempo, a elevação do preço do petróleo pressiona o custo do diesel, essencial à operação das máquinas agrícolas, enquanto o transporte marítimo enfrenta encarecimento do frete e restrições de navegação. O resultado converge para um ciclo de aumento de custos que alcança toda a cadeia produtiva e recai, de forma inexorável, sobre o consumidor.
Santa Catarina já experimenta esses efeitos. A necessidade anual de aproximadamente 500 mil toneladas de fertilizantes para o cultivo de 1,4 milhão de hectares evidencia a dimensão do desafio. Culturas como soja, milho, arroz e trigo, além da fruticultura e da horticultura, dependem diretamente desses insumos para viabilizar a produção em solos de baixa fertilidade natural.
A contradição brasileira reside no fato de possuir abundância de matérias-primas, como gás natural, rochas fosfáticas e reservas de potássio em Sergipe e no Amazonas, e, ainda assim, não alcançar competitividade industrial. A desindustrialização e a ausência histórica de prioridade estratégica para o setor consolidaram a dependência externa.
Diante desse quadro, a busca pela autossuficiência deixa de ser uma aspiração e assume caráter de necessidade/prioridade nacional. O Plano Nacional de Fertilizantes representa um passo relevante ao estabelecer a meta de reduzir a dependência até 2050. Iniciativas como o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes, ao prever incentivos fiscais, sinalizam um caminho possível para reverter a fragilidade estrutural.
A OCESC sustenta que o Brasil deve reestruturar sua política de fertilizantes com visão de longo prazo, integrando produção nacional, inovação tecnológica e práticas de manejo que promovam a recuperação e a eficiência do solo. A segurança no fornecimento desses insumos constitui condição indispensável para a soberania alimentar, para a estabilidade econômica e para a proteção do consumidor.
As crises internacionais não podem ser vistas apenas como ameaça, mas como impulso para decisões estratégicas. O Brasil reúne condições para transformar vulnerabilidade em força. A agricultura nacional, pilar da economia, exige uma base sólida que não dependa de fatores externos imprevisíveis.
Notícias
Bioinsumos movimentam R$ 6,2 bilhões e alcançam 194 milhões de hectares no Brasil
Área tratada cresce 28% em um ano, bionematicidas avançam 60% e inoculantes já estão presentes em 77 milhões de hectares, puxados por soja, milho e cana

O mercado brasileiro de bioinsumos movimentou mais de R$ 6,2 bilhões em 2025, alta de 15% em relação ao ano anterior. No mesmo período, a área tratada com essas tecnologias chegou a 194 milhões de hectares, avanço de 28% sobre 2024. Os números, divulgados pela CropLife Brasil, indicam expansão acelerada do uso de soluções biológicas no manejo agrícola, especialmente dentro de estratégias de manejo integrado de pragas.
Para Renato Gomides, gerente executivo da entidade, o crescimento está associado tanto a fatores conjunturais quanto estruturais enfrentados pelo produtor rural. “Quem acompanha a agricultura, sabe que o produtor enfrenta vários desafios como variabilidade de preço de commodities, de preço de produtos ou taxas de juros elevadas, que são desafios conjunturais da situação econômica e setorial do país. E existem desafios estruturais na produção, ligados à crescente pressão por soluções mais sustentáveis no campo. E os bioinsumos surgem exatamente nesse cenário, como uma tecnologia viável e integrada, para alcançar uma produção mais sustentável”, afirmou.

O crescimento do insumo biológico no campo está atrelado a um conjunto de fatores, como a profissionalização e expansão da indústria, a necessidade de combate a pragas resistentes pelo manejo integrado de insumos químicos e biológicos, a busca por soluções sustentáveis para a lavoura e a maior adoção do produto (em repetidas aplicações ou misturas).

Segmentos
A CropLife Brasil monitora quatro segmentos no mercado de bioinsumos: biofungicidas, bioinseticidas, bionematicidas e inoculantes. Em 2025, a distribuição da área tratada entre esses segmentos foi concentrada principalmente em inoculantes, que representaram 40% do total, seguidos por bioinseticidas (24%), bionematicidas (23%) e biofungicidas (13%).
Os inoculantes, compostos por bactérias fixadoras de nitrogênio, foram aplicados em 77 milhões de hectares no ano passado, o que evidencia a crescente adoção dessa tecnologia na transição da agricultura brasileira para modelos de baixa emissão de carbono.
O desempenho entre 2024 e 2025 mostra um avanço mais expressivo dos bionematicidas, que ampliaram sua área de uso em 16 milhões de hectares, um salto de cerca de 60% ano a ano. Esse crescimento sinaliza a consolidação dos bionematicidas como um componente relevante das práticas de manejo sustentável no país. “Os bioinsumos deixam de ser uma tendência e se tornam cada vez mais uma realidade no campo, é o que reflete a confiança do produtor rural no uso dessa tecnologia. Se observarmos o crescimento do triênio (2022-2024), nós já víamos um aumento na ordem de 15% ao ano. Já em 2025, houve um crescimento de 28% em relação ao ano anterior, alcançando o recorde de 194 milhões de hectares. O principal destaque que temos são os bionematicidas, que tiveram aumento de 60% em área tratada, adicionando 16 milhões de hectares no ano. Esse avanço mostra como a adoção vem sendo acelerada, principalmente em culturas de larga escala”, destacou a diretora de bioinsumos da entidade, Amália Borsari.

Já com relação ao valor de mercado do insumo biológico em 2025, o movimento de crescimento é igualmente relevante, com alternância dos destaques. A ordem dos segmentos fica em bioinseticidas (35%), bionematicidas (30%), biofungicidas (22%) e inoculantes (13%).
O segmento dos biofungicidas (microrganismos como bactérias e fungos) foi o que mais cresceu em valor (41%), atingindo R$ 1,4 bilhão. A tecnologia vem sendo utilizada no controle de doenças complexas como o mofo branco e a ferrugem.

Desempenho culturas agrícolas e estados
Entre os cultivos, a soja (62%), o milho (22%) e a cana (10%) são as culturas mais consolidadas no uso de bioinsumos. Além delas, o conjunto de outras culturas como algodão, café, citrus e hortifruti (HF) somam, aproximadamente, 6%.
Mato Grosso é o estado que mais utiliza bioinsumos, puxado pelo cultivo da soja, que adota inoculantes em 90% da área da cultura. Em seguida, São Paulo e Goiás assumem os segundo e terceiro maiores mercados de bioinsumos, com 17% e 14% de área tratada pela tecnologia, respectivamente. O desempenho do estado paulista é impulsionado pelo cultivo da cana e pelos cítricos.
A região de Matopiba, que envolve os estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, crescente cinturão de produção de grãos, representa 11%. “O cenário para os defensivos biológicos é promissor, evidencia o panorama de 2025. O produtor já compreende a importância da tecnologia, que complementa as práticas adotadas na proteção de cultivares”, salienta Gomides.

