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Transgênicos, fatos e mitos

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Foto e texto: Assessoria

Por Décio Luiz Gazzoni, Engenheiro Agrônomo, pesquisador da Embrapa, membro do Conselho Científico Agro Sustentável e da Academia Brasileira de Ciência Agronômica

Em 2020 foi publicado o livro “Agricultura, fatos e mitos” Link , desconstruindo mitos ligados ao agronegócio, reposicionando-os com fatos à luz do conhecimento científico. Nesse texto são elencadas informações adversas ao consumo de produtos derivados de plantas transgênicas, ou a pesticidas a elas associados, nos quais os resultados foram distorcidos para adaptar-se à conveniência da narrativa.

 

Glifosato, autismo, Parkinson e Alzheimer

Artigo sobre o tema foi publicado em revista pouco conhecida Link , por um autor que se intitula “cientista independente e consultor” e outro autor da área de Ciência da Computação. O artigo expressa uma teoria, sem comprová-la. Usa referências selecionadas para não expor o contraditório, as quais não demonstravam a relação entre o pesticida e as doenças elencadas. O editor da revista destacou que o artigo tratava-se de opinião enviesada, com literatura tendenciosa, para suportar a opinião dos autores. O fato é que não há evidência científica da relação entre glifosato e as doenças citadas, como mostra Keith Kloor Link . O artigo publicado por Mesnage e Atoniou Link aplica-se a este parágrafo, extensivo a outros que seguem abaixo.

 

Glifosato e doenças crônicas

Um artigo propôs-se a demonstrar que o glifosato estaria presente, em doses mais elevadas, em doentes crônicos (humanos ou animais) do que em sadios Link . No entanto, estão ausentes na publicação informações mínimas necessárias para garantir a confiabilidade do estudo. Não é definido o que são doentes crônicos, não se indica o tipo e quantidade de alimento, o manejo dos animais, ou a idade, sexo, peso, altura ou antecedentes genéticos dos humanos, o que e quanto comeram, se lavaram os alimentos, há quanto tempo suas dietas eram orgânicas ou convencionais, e outros aspectos que poderiam interferir nos resultados. Ou seja, há tantos vieses e condicionantes que não há como corroborar as afirmativas contidas no artigo. OGMs e distúrbios em porcos Um estudo investigou a ocorrência de inflamações estomacais e aumento do útero em porcos alimentados com OGMs. O artigo foi duramente criticado por cientistas, mostrando não apenas bias na análise como afrontas às conclusões de outros cientistas, americanos , europeus e chineses. O artigo enviesou a análise de resultados de inflamações estomacais e cita, mas não discute, a redução de 50% de anormalidades cardíacas em porcos alimentados com OGMs. Variáveis intervenientes do ambiente ou do sistema de produção de OGMs não foram levadas em consideração, assim como a alta prevalência de outras doenças nos porcos, apesar de sua possível interferência nos resultados.

Toxinas de OGMs no sangue

Os autores do artigo alegam haver encontrado a proteína Cry1Ab (presente em variedades Bt, resistentes a insetos) no sangue de grávidas e respectivos fetos. Utilizando os números dos autores, seria necessário o consumo diário de milho Bt entre 0,49 e 5,8 kg, para atingir os teores encontrados no sangue. O limite de detecção do método é de 1ng/ml, porém os autores referem valores de 0,04 ng/ml, indicando a inadequação do teste de Elisa utilizado pelos autores, o que pode ter gerado falsos positivos. Importante: seres humanos não possuem receptores para ligação da Cry1Ab, que é inócua aos nossos organismos.

 

DNA de OGMs transferidos para humanos

Ativistas acenam com o risco de incorporação do DNA de OGMs, em seres humanos, citando um estudo de Sandor Spisak e coautores. A leitura do artigo de Spisak mostra que os autores não concluem que genes de eventos transgênicos transfiram-se para humanos. Na realidade, foram detectados genes de alimentos OGMs em plasma humano, concluindo que flutuam no espaço intercelular, sem integração ao genoma. Até porque, se o gene de um vegetal ou animal OGM pudesse ser assim translocado, todo o genoma de vegetais e animais consumidos pelos humanos o seria. Uma análise interessante sobre o tema foi publicada por Layla Katiraee, geneticista molecular humana, professora da Penn State University.

 

OGMs e tumores em ratos

Um artigo identificou tumores em ratos alimentados com OGMs e / ou expostos ao glifosato por longo prazo . Mas a cepa de rato usada era predisposta a tumores! O estudo não contém análises estatísticas e utilizou poucas cobaias (ratos), impossibilitando afirmar se os tumores eram devido à comida, ao herbicida ou ao fato de que a cepa de ratos desenvolveria tumores independente da comida. O editor da revista que publicou o artigo alertou que o mesmo seria retirado pelas inconsistências, o que levou a uma retratação pública dos autores na mesma revista.

 

Glifosato e câncer de mama

Um estudo in vitro investigou o efeito de doses de glifosato em duas linhagens de células de câncer de mama: uma sensível ao estrogênio e a outra não. O resultado indicou que o glifosato tem um impacto semelhante ao estrogênio no crescimento do câncer de mama, porém sem diferenças para os resultados obtidos nos controles, e sem impacto na proliferação da linhagem não sensível a hormônios. O resumo do artigo chama a atenção para a necessidade de estudos em animais para comprovação dos efeitos. Os resultados contrariam o obtido em outro estudo que demonstrou atividade inibitória do glifosato no crescimento de células cancerígenas, causando apoptose das mesmas, porém sem afetar células normais.

 

Separando fatos e mitos

Informações científicas adicionais podem ser obtidas no blog do professor Wayne Parrot, da Georgia University . O avanço inexorável das redes sociais é um campo fértil para a propagação de mitos, inverdades, meias verdades, distorções e interpretações indevidas, dissociadas da boa Ciência. Nossa recomendação é sempre questionar as informações veiculadas, cotejando-as com fatos científicos produzidos por cientistas sérios, vinculados a instituições idôneas, publicados em revistas científicas conceituadas. Contribua com a informação correta: nunca repasse uma informação que não foi devidamente verificada, por mais crível que possa parecer.

Fonte: Assessoria

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Geopolítica, clima e logística entram no centro do debate da cadeia da soja

Seminário em Londrina (PR) vai reunir especialistas para discutir os desafios que podem definir a competitividade da soja brasileira nos próximos anos. As inscrições são gratuitas.

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Foto: R.R.Rufino/Embrapa Soja

A relação comercial entre Brasil e China, os impactos das mudanças climáticas, os gargalos logísticos e a descarbonização da produção estarão entre os principais temas do 8º Seminário Desafios da Liderança Brasileira no Mercado Mundial de Soja, que será realizado nos dias 04 e 05 de agosto, na Embrapa Soja, em Londrina (PR).

Foto: R.R.Rufino/Embrapa Soja

O evento vai reunir cerca de 150 participantes, entre pesquisadores, técnicos, representantes da indústria, produtores rurais e especialistas da cadeia da soja. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site do seminário, enquanto houver vagas.

Segundo o pesquisador Marcelo Álvares de Oliveira, da Embrapa Soja, a programação foi estruturada para discutir fatores que influenciam diretamente a competitividade do setor. “Vamos debater a geopolítica e a relação comercial entre Brasil e China, além dos desafios e oportunidades da cadeia da soja brasileira. Também teremos discussões sobre cultivares adaptadas às mudanças climáticas, logística, descarbonização e o papel do biodiesel na sustentabilidade da produção”, afirma.

Para Daniel Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, manter a liderança brasileira no mercado internacional depende não apenas do volume produzido, mas também da qualidade do produto.”Preservar nossa liderança exige um debate técnico constante sobre a qualidade da soja brasileira. Garantir um produto de alto

Foto: Shutterstock

padrão para as indústrias nacional e internacional de óleos e farelos é o que realmente define a competitividade do setor”, destaca.

O seminário é promovido pela Embrapa Soja em parceria com entidades representativas da produção, da indústria e da exportação de grãos, entre elas Abiove, Anec, Aprosoja Brasil, CNA, Sistema OCB e Sindirações.

Brasil amplia liderança
O encontro ocorre em um momento de expansão da produção brasileira. Na safra 2025/26, o país colheu 180 milhões de toneladas de soja, em uma área próxima de 48 milhões de hectares, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No mesmo período, os Estados Unidos produziram 116 milhões de toneladas.

Além da produção recorde, o processamento industrial também segue em crescimento. A Abiove estima que o Brasil processe 63 milhões de toneladas de soja em 2026, com produção de 48,6 milhões de toneladas de farelo e 12,65 milhões de toneladas de óleo de soja.

Fonte: O Presente Rural
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El Niño pode encher os silos e esvaziar as margens

Pesquisa aponta que o clima deve favorecer a produção agrícola, enquanto a maior oferta tende a pressionar as cotações das commodities.

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Foto: Divulgação

O El Niño previsto para o ciclo 2026/2027 tem potencial para se tornar um dos eventos climáticos mais intensos da última década. Para a agricultura da América Latina, especialmente no Brasil e na Argentina, o fenômeno pode favorecer a produção de grãos e oleaginosas, mas também trazer um efeito colateral: mais oferta no mercado e menor rentabilidade para o produtor.

Foto: Fernando Dias

A avaliação é da Allianz Research, divisão de pesquisa macroeconômica da Allianz Trade, que analisou os impactos econômicos do fenômeno climático sobre diferentes regiões do mundo. Confira aqui o estudo completo.

Com base em episódios anteriores de El Niño, o estudo mostra que a produção agrícola brasileira tende a superar a média histórica. Em 2015, por exemplo, a safra de soja ficou cerca de 4% acima da tendência dos cinco anos anteriores, enquanto a produção de café arábica registrou desempenho aproximadamente 5% superior ao esperado.

Segundo os pesquisadores, o aumento das chuvas no Sul da América do Sul favorece o desenvolvimento das lavouras e amplia a oferta de alimentos. No entanto, esse crescimento da produção pode pressionar as cotações das commodities agrícolas, reduzindo a margem dos produtores.

Outro desafio apontado pelo levantamento é a capacidade de armazenagem. Em anos de safra cheia, a oferta elevada

Foto: Shutterstock

tende a ocupar rapidamente os silos, elevando os custos de estocagem tanto para produtores quanto para tradings.

Efeitos diferentes dentro do Brasil

Embora o El Niño favoreça boa parte das áreas agrícolas do Centro-Sul, seus efeitos não são uniformes. O estudo destaca que a Região Norte e a Amazônia podem enfrentar períodos de seca mais severos, com reflexos sobre a navegação fluvial, a geração de energia hidrelétrica e o abastecimento de alimentos.

Esse cenário também pode exercer pressão sobre a inflação em países como Brasil, Colômbia e Peru, principalmente por impactos na logística e nos custos de produção.

Oferta maior e preços menores

No mercado internacional, a expectativa é que o aumento da produção de soja e milho na América Latina contribua para ampliar a oferta global de alimentos e aliviar parte das pressões inflacionárias observadas em outras regiões.

Por outro lado, exportadores brasileiros podem se beneficiar do maior volume embarcado, enquanto indústrias processadoras e empresas expostas à volatilidade das commodities agrícolas tendem a enfrentar um ambiente mais desafiador diante da possibilidade de queda nos preços.

Fonte: O Presente Rural
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Frete rodoviário terá novas regras, mas sem piso nacional para caminhoneiros

Proposta amplia as penalidades para quem descumprir o piso do frete, altera as regras de fiscalização e prevê atualização semestral da tabela de preços.

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Foto: Divulgação

O piso salarial nacional de R$ 5 mil para caminhoneiros de longa distância ficou fora da versão final da Medida Provisória nº 1343/2026 que atualiza as regras do frete rodoviário. Aprovado pelo Senado, o texto segue para sanção presidencial com mudanças no cálculo do piso mínimo do frete, na fiscalização do transporte de cargas e nas penalidades aplicadas ao setor.

Foto: Geraldo Bubniak

A previsão de uma remuneração mínima mensal não fazia parte da proposta original do governo. O dispositivo foi incluído durante a tramitação na Câmara dos Deputados, mas acabou retirado pelo Senado sob o entendimento de que o tema não tinha relação direta com o conteúdo da medida provisória.

Com isso, a remuneração dos motoristas profissionais de longa distância continuará sendo definida por acordos e convenções coletivas de trabalho.

Anistia a multas

Além das mudanças nas regras do frete, a proposta concede anistia a caminhoneiros multados por bloqueios em rodovias durante as manifestações de 2022. O perdão das penalidades foi incluído durante a tramitação da medida provisória no Congresso.

O texto também transforma em advertência as multas aplicadas até a publicação da futura lei por descumprimento

Foto: Divulgação

das regras do piso mínimo do frete, como o pagamento abaixo dos valores previstos na Lei nº 13.703/2018. A medida vale para processos ainda em andamento, penalidades sem decisão definitiva e multas que ainda não foram quitadas.

A conversão não se aplica a casos de fraude, uso de documentos falsos ou omissão deliberada de informações. Também não haverá devolução de valores já pagos. O direito dos transportadores de cobrar diferenças de frete e indenizações previstas em lei permanece assegurado.

Além das anistias, a proposta promove uma ampla atualização da legislação do transporte rodoviário de cargas. Entre as principais mudanças estão novos critérios para o cálculo do piso mínimo do frete, atualização semestral da tabela de referência, reforço da fiscalização, endurecimento das penalidades para quem pagar abaixo do piso, novas regras para o cadastro de transportadores e alterações na fiscalização do peso dos caminhões.

Foto: Divulgação/Freepik

Frete mínimo  
O projeto altera as regras de cálculo dos pisos mínimos do transporte rodoviário de cargas. A tabela deverá considerar os custos operacionais da atividade, como os relacionados a combustível, manutenção, pneus, seguros, tributos, salários e tempo de carga e descarga.

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) poderá firmar parceria com a Infra S.A. para elaborar os cálculos dos pisos. O texto também atualiza conceitos da legislação e cria a definição de veículo de carga de pequeno porte (com capacidade útil superior a 500 quilos e peso bruto total de até 3,5 toneladas) e a de carga a granel pressurizada (categoria utilizada para determinados tipos de transporte especializado).

A atualização da tabela de frete deverá ser semestral. Quando houver variação igual ou superior a 5% no preço dos combustíveis, a ANTT deverá publicar os novos valores em até três dias úteis.

Fiscalização
O texto aprovado também altera regras de fiscalização, cadastro e penalidades no transporte de cargas. Empresas que

Foto: Divulgação

pagarem frete abaixo do piso mínimo poderão ter o registro suspenso em caso de descumprimento reiterado (com mais de quatro infrações em seis meses). As multas para reincidentes poderão variar de R$ 100 mil a R$ 1 milhão e, em caso de nova reincidência, poderão ser aplicadas em dobro. Nos casos mais graves, o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) poderá ser cancelado por até 24 meses.

A proposta mantém a obrigatoriedade do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), estabelece prazo de até 30 dias úteis para pagamento do frete e prevê adiantamento mínimo de 70% para transportadores autônomos. O texto também determina a revalidação anual do RNTRC e permite que inscrição, atualização e manutenção do cadastro sejam feitas gratuitamente por plataforma digital do governo federal.

Foto: Divulgação

A medida também altera as regras de fiscalização do peso dos veículos de carga. Para caminhões com peso bruto total regulamentar (definido pela regulamentação) de até 74 toneladas, a verificação deverá considerar inicialmente apenas o peso total do veículo. A medição por eixo será feita quando houver excesso acima da tolerância de 5% no peso bruto total ou em situações específicas definidas pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). O limite de tolerância para o peso por eixo permanece em 12,5% acima do permitido.

Segundo o texto, a regra busca adequar a verificação às características das operações de transporte, preservando a segurança nas rodovias e a conservação do pavimento. A proposta também prevê inspeções periódicas dos registradores de velocidade e tempo, e permite o uso dos dados do tacógrafo como prova de infrações por excesso de velocidade.

Além disso, o texto transforma em advertência as infrações administrativas relacionadas ao excesso de peso por eixo cometidas até a publicação da lei resultante da proposta. A medida alcança processos em andamento, penalidades sem decisão definitiva e multas aplicadas que ainda não tenham sido pagas. Valores já quitados não serão devolvidos.

Outros pontos
Na área previdenciária, o transportador autônomo poderá optar por recolher diretamente sua contribuição ao

Foto: Divulgação

Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), desde que formalize a escolha. Com a adesão ao modelo, o próprio profissional passa a ser responsável pelo recolhimento, sem alteração das demais obrigações previdenciárias das empresas contratantes.

A MP amplia os objetivos do Programa de Apoio ao Desenvolvimento do Transporte de Cargas Nacional (Procargas), que poderá apoiar iniciativas de renovação de caminhões e implementos rodoviários, capacitação de motoristas, adoção de tecnologias e ações de saúde e segurança. O texto também cria uma Política Nacional Permanente de Renovação da Frota, com prioridade para transportadores autônomos e cooperativas.

As novas regras terão período de transição. Sistemas, registros e autorizações atuais continuarão válidos até a regulamentação das mudanças, que deverá ser feita em até 180 dias. Empresas e transportadores terão prazo mínimo de 60 dias para adaptação às novas obrigações.

Fonte: Agência Senado
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