Notícias Boas práticas agrícolas e apícolas
Trabalho busca definir protocolo para favorecer convivência entre abelhas e soja
Estudo objetiva incentivar a convivência harmônica entre sojicultores e agricultores, em prol de sistemas de produção mais sustentáveis. O projeto prevê a realização de ações conjuntas em três Estados importantes na sojicultura brasileira: Paraná, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, até 2025.

A Embrapa e a Basf assinaram acordo de cooperação técnica e financeira para validar um modelo tecnológico, a partir da safra 2022/2023, pautado em boas práticas agrícolas e apícolas. O intuito do projeto, que tem duração de três anos (2022-2025), é impulsionar a convivência harmônica entre sojicultores e apicultores, a partir de ações conjuntas em três regiões brasileiras importantes para a produção de soja no Brasil: Paraná (Maringá), Mato Grosso do Sul (Dourados) e Rio Grande do Sul (São Gabriel). A partir da validação de um protocolo de boas práticas agrícolas, as instituições pretendem comprovar que o desenvolvimento das atividades em espaços integrados pode ser benéfico para os dois setores.
“Para a Embrapa, é fundamental propor ações em parceria, que promovam a boa convivência e estimulem o respeito às diferentes atividades de campo, com foco na sustentabilidade dos sistemas produtivos. No caso específico do relacionamento entre sojicultor e apicultor, é importante a valorização da responsabilidade mútua, o que significa respeitar os limites além de suas áreas de cultivo ou propriedades”, destaca Alexandre Nepomuceno, chefe-geral da Embrapa Soja (PR).
De acordo com Maurício do Carmo Fernandes, gerente de Stewardship e Sustentabilidade, da Divisão de Soluções para Agricultura da Basf, a empresa estabeleceu como meta aumentar em 7% ao ano a parcela de soluções que contribuem significativamente com a sustentabilidade, além de continuar fortalecendo as ações que promovem o uso correto e seguro das soluções com as boas práticas agrícolas.
“Acreditamos que investir nessa iniciativa vai contribuir para o legado da agricultura. Todos podem sair ganhando nessa relação da produção de soja e de mel. A Basf apoia e promove esse trabalho conjunto, e é por isso que nos unimos à Embrapa nesse desafio. Afinal, estamos em busca do equilíbrio ideal entre a produção agrícola e o meio ambiente”, afirma Fernandes.
Para o acompanhamento das atividades dessa iniciativa, o pesquisador Décio Gazzoni, da Embrapa Soja, explica que será criado um protocolo de Boas Práticas Agrícolas e Apícolas, cuja função é orientar as ações dos grupos de trabalho de sojicultores e apicultores participantes. “Nossa ideia é verificar a adequação desse protocolo, efetuar os ajustes necessários, validando sua factibilidade nas microrregiões geográficas estabelecidas, durante as safras de soja 2022/2023 e 2023/2024”, ressalta.
Depois de validados, os resultados irão compor uma cartilha contendo um conjunto de práticas sustentáveis para a produção de soja com baixo impacto na criação de abelhas. A cartilha também conterá boas práticas apícolas para instalação de apiários próximos às lavouras de soja. Outras estratégias de transferência de tecnologias e comunicação serão adotadas, ao longo do projeto, como a produção de conteúdo em vídeo e materiais impressos.
“As ações visam ao compartilhamento de um conjunto de boas práticas para a cultura da soja, especialmente no tocante ao uso de medidas fitossanitárias e de boas práticas apícolas, gerando recomendações básicas aplicadas à realidade do campo”, esclarece Gazzoni.
Projeto prevê capacitação de sojicultores e apicultores em técnicas sustentáveis
O projeto foi organizado para contar com a participação de grupos de apicultores proprietários de até cinco apiários e de sojicultores que estejam localizados próximos a essas colmeias. “Com base em mapas obtidos do Google Earth, vamos detalhar a paisagem da área a ser trabalhada, com raio máximo de três quilômetros dos apiários. Os apiários serão referenciados geograficamente utilizando a Plataforma de Informação sobre Apicultura e Meio Ambiente (GeoApis)”, acrescenta Gazzoni.
O pesquisador pontua que a metodologia prevê o detalhamento do entorno dos apiários para identificar os componentes da paisagem – reserva legal, área de proteção permanente (APP), lavouras perenes, lavouras anuais, pastagens, entre outros –, cujo objetivo é delimitar os pontos de intersecção e sobreposição de áreas de exploração agrícola e áreas de forrageamento das abelhas dos apiários. Segundo ele, o sistema de produção e as práticas de manejo de cada agricultor serão descritos, e será verificada a observância de todos os requisitos das boas práticas.
No cronograma do projeto, estão previstas reuniões de acompanhamento das ações, assim como de capacitação dos sojicultores e dos apicultores para a condução das técnicas, procedimentos e atitudes sustentáveis. “Os sojicultores serão treinados em práticas fitossanitárias adequadas, envolvendo manejo das pragas da cultura (insetos, doenças, nematoides e plantas invasoras). Por outro lado, os apicultores serão capacitados em boas práticas apícolas”, conta Gazzoni.
Dentro do planejamento, o pesquisador prevê que a aplicação de pesticidas por via aérea seja monitorada, a partir de plano de voo dos aviões agrícolas, a ser elaborado por uma empresa especializada. “Pretendemos que as aplicações prevejam a proteção necessária para evitar qualquer deriva para as áreas que se deseja proteger”, afirma. Depois de validado, o protocolo será convertido em cartilha, que será distribuída tanto para agricultores quanto para apicultores, nas principais regiões do Brasil onde exista proximidade de apicultura com lavouras de soja.
Soja e abelhas: união vantajosa para a agricultura sustentável
A soja está presente em praticamente todas as regiões brasileiras e ocupa, aproximadamente, 40 milhões de hectares, na safra 2021/2022. Dessa forma, em alguns casos, as áreas cultivadas com soja estão próximas de apiários fixos tradicionais, ou mesmo dos locais de colocação de colmeias em apiários migratórios.
Apesar do desafio da convivência harmônica, há vantagens para ambas as atividades. Segundo Gazzoni, de um lado, a florada da soja pode ser usada como pasto apícola, pelos criadores de abelhas, especialmente de Apis mellifera (a abelha africanizada), em períodos de pouca disponibilidade de alimento. “Além disso, podemos afirmar que, sob condições adequadas de visitação, a produtividade de soja pode ser incrementada em cerca de 13% pelo processo de polinização propiciado pela visitação das abelhas na soja”, diz Gazzoni.
Para investigar o efeito da polinização por abelhas na produtividade de soja, três experimentos foram instalados no campo experimental da Embrapa Soja, em Londrina (PR), nas safras de soja de 2017/2018 a 2019/2020. Na metodologia foram utilizados três tratamentos: o primeiro possibilitava o livre acesso de abelhas na cultura da soja, o segundo consistiu na introdução de uma colmeia de Apis mellifera no interior de uma parcela de soja engaiolada e o terceiro tratamento mantinha uma parcela de soja engaiolada sem o acesso de abelhas ou qualquer outro polinizador.
De acordo com Gazzoni, a visitação de abelhas na floração da soja foi monitorada, durante todo o período de florescimento, com contagens de abelhas às 9 horas, às 10 horas e às 11 horas. “Pudemos observar que o maior número de abelhas foi observado às 11 horas, o que é um indicativo importante para se planejar as pulverizações de agroquímicos na soja”, explica.
“Nos três anos do estudo, o incremento médio da produtividade da soja, nas parcelas engaioladas com uma colônia de abelhas, foi de 639 quilos por hectare (kg/ha), isto é, 12,97% , sendo de 274 kg/ha (5,58%) nas parcelas abertas, sem gaiolas, quando comparadas com as parcelas engaioladas, que não permitiam o acesso de polinizadores”, relata.
Manejo dos apiários
Um dos primeiros passos indicados aos apicultores para garantir a produção em quantidade e qualidade adequadas de mel é a manutenção de abelhas saudáveis e colônias com grande quantidade de indivíduos, afirma Gazzoni. Nesse sentido, o pesquisador considera recomendável, ainda, a substituição periódica da rainha, o manejo de favos, o respeito ao calendário floral, a limpeza do entorno e a suplementação alimentar, se necessário. “Recomenda-se que o apicultor faça revisões quinzenais em suas colônias, para acompanhar o desenvolvimento delas e realizar os manejos necessários”, diz.
Outra orientação é manter distância mínima de 500 metros de áreas com trânsito de pessoas e animais, a fim de evitar acidentes. “Os apiários também devem estar a uma distância mínima de 50 metros de áreas de lavoura, para evitar perda de colônias devido à deriva de produtos fitossanitários”, observa. “De preferência, deve-se utilizar barreiras naturais ao redor do apiário, tais como capim Napier, arbustos altos como astrapeias, cercas vivas, entre outras”, complementa.
Quanto ao posicionamento das colônias, Gazzoni explica que, para a produção de mel, recomenda-se o uso de três colônias por hectare estimado de pasto apícola, uma vez que as abelhas forrageiras buscam alimento em um raio de, no máximo, 2,5 km de distância. “Se houver competição entre as abelhas para produção de mel, a produtividade poderá ser prejudicada. Da mesma forma, deve-se evitar a sobreposição de apiários. A distância ideal de um apiário para outro é de 5 km.”
Boas práticas para soja
No caso do sojicultor, Gazzoni enfatiza a necessidade de respeitar e adotar as recomendações agronômicas para o cultivo da soja, em todas as fases da cultura. O pesquisador reforça a importância da correta aplicação de pesticidas, observando todos os cuidados necessários para conservação das colônias de abelhas criadas e, também, de espécies nativas. “O agricultor deve respeitar, integralmente, as recomendações do Manejo Integrado de Pragas da Soja e conferir atenção especial para as melhores práticas de tecnologia de aplicação.”, orienta.

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Sucessão no campo fortalece legado familiar e impulsiona produção em Confresa
Pai e filhos dividem gestão da fazenda e ampliam negócios com foco em crescimento e continuidade.

Em Confresa desde 2020, a família Antoniolli carrega um legado de companheirismo e cumplicidade entre pai e filho. Rafael Antoniolli, engenheiro agrônomo e filho de Carlos Eduardo Antoniolli e Vania Antoniolli, cresceu entre o campo e a cidade. A partir dessa vivência, desde criança, ele resolveu seguir o legado e carregar a história de gerações ao lado do pai. Associado à Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Rafael encontrou no município terra fértil e boas oportunidades de negócios para prosperar ao lado daqueles que ama.
A família saiu de Goiás para expandir os negócios na região Leste de Mato Grosso, encontrando em Confresa um solo rico para cultivar soja e milho. Embora estejam no município há pouco mais de seis anos, a família de gerações ligadas à pecuária e à agricultura, está prestes a completar 100 anos no setor. O avô materno de Rafael criava gado de corte, cultivava arroz e com o passar dos anos a família foi investindo em outras culturas.
Rafael esteve envolvido com o campo desde criança por ser muito curioso com os afazeres da fazenda. Ele destaca que sempre teve como objetivo, após se formar em agronomia, retornar para ajudar os pais no campo.
“Sempre foi um objetivo meu trabalhar com eles, eu via o trabalho deles e gostava muito. Sempre acompanhei e estive presente na fazenda, no dia a dia com eles. Eu nunca tive muita dúvida, não. A minha história específica com a agricultura e agronomia começa muito cedo na fazenda, ajudando eles no que era possível, sempre fui muito curioso, mexer com máquina e estar do lado do meu pai acompanhando as lavouras sempre foi um sonho. De 2019 para cá, a gente tem construído essa parceria muito forte juntos e graças a Deus eu tenho conseguido ajudá-los na construção desse futuro melhor para nós.”, afirma.
Como filho do meio, Rafael contou que após incentivos, hoje divide o trabalho no campo com a irmã mais nova, Giovanna Antoniolli. Ela deixou a carreira de publicitária em São Paulo, assumindo a diretoria do armazém e também do setor financeiro. Ao falar da irmã, ele destaca a importância da família estar unida, principalmente por serem pessoas de confiança do pai.
“Somos três filhos e somente a minha irmã mais velha não está diretamente relacionada ao nosso meio, ela é médica. O nosso maior orgulho com certeza é poder estar do lado deles, somar e ajudá-los. Tenho certeza que para eles também é um orgulho poder estar juntos. São pessoas de confiança que estão do lado dele, que estão sempre apoiando não só ele, mas minha mãe também. Então, para mim e para as minhas irmãs, é um orgulho tremendo, poder estar aqui com eles. Esse projeto de Confresa é um projeto nosso e o tanto que eles confiam em nós, o tanto que eles nos dão liberdade para poder estudar e aprimorar e colocar em prática, eu só tenho a agradecer”, contou.
Para chegar nesta confiança entre pai e filho, Rafael destacou que é necessário muita conversa, parcimônia e principalmente a amizade. Ele destaca que a sucessão é uma das coisas mais importantes que o chefe da fazenda e chefe da família pode fazer para dar continuidade aos trabalhos que iniciaram há muitos anos. Além disso, é preciso ter cautela, por serem de duas gerações diferentes, o pai deve aconselhar e ter paciência com os mais novos. Assim como os mais novos devem ouvir e admirar os pais.
Mesmo sendo filho de produtores, após se formar em agronomia, os pais de Rafael o incentivaram a trabalhar para outras empresas antes de voltar e seguir o legado da família. Com essa experiência, ele se preparou e amadureceu para assumir a gerência da propriedade. Após alguns anos, retornou para ajudar o pai e propôs o projeto de expandir os negócios para Confresa.
Ao relembrar toda a trajetória com a família até o momento, Rafael agradece aos pais por todas as instruções e ensinamentos adquiridos ao longo da vida. Ele destaca que a maior bênção da vida é ter uma família unida e amorosa.
“Eu agradeço muito ao meu pai por ele ter me ajudado e me instruído esse tempo todo a seguir esses passos, esse caminho. Por tudo, principalmente pela maneira como eles nos criaram. Nós somos pessoas abençoadas. Nós tivemos oportunidades que muitos não tiveram. Então, o que eu poderia deixar de recado para o meu pai e para a minha mãe, de verdade, muito, muito, muito, muito obrigado por estarem sempre do nosso lado, por confiarem tanto em nós e por ter dado para nós a educação que vocês deram”, agradece.
Toda a história do legado iniciou quando o pai de Rafael, Carlos Eduardo, conheceu Vânia em São Paulo, eles saíam juntos para fazer trilhas de moto e ir a peças de teatro. Em 1988, eles se casaram e em abril de 1989 foram para Goiás, para tocar a fazenda de gado do pai de Vânia. Depois disso, a família nunca mais deixou os afazeres do campo.
Carlos Eduardo afirmou que sempre pensou na sucessão dos filhos e sente muito orgulho do Rafael e da Giovanna por terem seguido o legado da família.
“A gente não tem nem palavras para falar tanto do orgulho que sentimos deles. E ver a educação que passamos para eles foi um pouquinho diferente. Nós não queríamos que Rafael viesse para a fazenda assim que ele se formasse. Queríamos que ele tivesse uma outra experiência com outras pessoas para poder ver a governança, ver gestão, acordar mais cedo, ter um horário e depois vir para a fazenda. Eles são pessoas que são dedicadas ao extremo, são meninos que fazem cursos a toda hora”, afirma.
A história de dedicação e amor compartilhada pela família Antoniolli revela que a agricultura é feita de cumplicidade e união. A cada planta e a cada safra o carinho e os cuidados refletem nos grãos que se tornarão alimento para o mundo.
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Cooperação mira transformar pesquisa acadêmica em negócios inovadores no Paraná
Parceria entre Sebrae/PR e UFPR foca na inovação e no empreendedorismo para aproximar a universidade do setor produtivo.

A cooperação entre Sebrae/PR e Universidade Federal do Paraná (UFPR) tem como objetivo reduzir a distância entre a produção acadêmica e as demandas do mercado, convertendo conhecimento em inovação aplicada e novos negócios no Estado. A iniciativa busca fortalecer o ecossistema de inovação paranaense, integrando todos os campi da UFPR e as regionais do Sebrae/PR, ampliando e sistematizando ações de capacitação, estímulo ao empreendedorismo e desenvolvimento de projetos inovadores.

Reitor da UFPR, Marcos Sunye, destacou a incorporação do empreendedorismo como elemento na trajetória acadêmica – Foto: Andressa Miretzki
O coordenador de Inovação do Sebrae/PR, Alan Debus, afirma que o foco central é gerar negócios de impacto social, econômico e tecnológico, envolvendo estudantes, professores, pesquisadores e micro e pequenas empresas. “Ao mesmo tempo, a cooperação busca disseminar o conceito de empreendedorismo inovador no ambiente acadêmico, incluindo a criação ou atualização de disciplinas, capacitações conjuntas e iniciativas voltadas à aceleração de patentes e à transferência de tecnologia”, explica.
Debus reforça que a parceria surge para organizar e ampliar iniciativas que já acontecem de forma isolada, fortalecendo a conexão entre ensino, pesquisa e empreendedorismo. “O objetivo também é intensificar o contato entre estudantes, pesquisadores e o setor produtivo com desafios reais de inovação. Queremos oferecer mais problemas concretos para que alunos e professores possam desenvolver soluções e estabelecer parcerias com empresas”, acrescenta.
Formação acadêmica com visão empreendedora
Para o reitor da UFPR, Marcos Sfair Sunye, a cooperação representa um avanço na formação dos estudantes ao incorporar o empreendedorismo como elemento estratégico da trajetória acadêmica. “A UFPR é reconhecida pela excelência em pesquisa científica, mas ainda enfrenta desafios na geração de inovação e produtos. Essa parceria nos ajuda a entender melhor esse processo e promover a geração de novos negócios”, ressalta.
O pró-reitor de Pesquisa e Inovação da UFPR, Ciro Oliveira Ribeiro, aponta que, embora a produção científica seja robusta, ainda há lacunas na transformação desse conhecimento em soluções práticas. “A universidade cumpre bem seu papel na geração de conhecimento, mas precisa avançar na transformação disso em produtos e soluções que impactem a sociedade”, destaca.
Ribeiro ressalta ainda que há um desafio histórico de empreendedorismo dentro das universidades públicas. “Há um entendimento

Foto: Shutterstock
equivocado de que se aproximar do mercado compromete a missão acadêmica, quando na verdade isso pode fortalecer ainda mais o papel social da universidade”, completa.
Ecossistema integrado e inovação aberta
Com duração inicial de cinco anos, a cooperação será monitorada por indicadores como o número de pessoas capacitadas e o nível de maturidade dos ecossistemas de inovação envolvidos. Entre as ações previstas estão programas de estímulo ao empreendedorismo jovem, capacitações, desafios tecnológicos e iniciativas de inovação aberta, além da aproximação de empresas aos laboratórios da universidade.

Foto: Divulgação/Freepik
Também estão previstas ações extensionistas, capacitações conjuntas e divulgação dos resultados em eventos nacionais e internacionais, ampliando o alcance das iniciativas. O reitor Marcos Sfair Sunye destaca o impacto direto na vida dos estudantes. “A aproximação com o Sebrae amplia oportunidades de estágio e de inserção no mercado, o que contribui, inclusive, para reduzir a evasão universitária”, afirma.
O modelo adotado é abrangente e deve alcançar gradualmente todos os cursos. “O acordo permitirá que diferentes áreas participem, conforme o engajamento vá acontecendo”, salienta.
Ao integrar conhecimento acadêmico, demandas do mercado e apoio institucional, a parceria entre Sebrae/PR e UFPR aposta na construção de um ambiente mais inovador, colaborativo e capaz de gerar soluções concretas para a sociedade.
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Mato Grosso se consolida como maior produtor de etanol de milho do Brasil
Expansão das usinas impulsiona demanda, gera empregos e fortalece a industrialização no estado.

Conhecido há muitos anos como segunda safra, o plantio do milho iniciou em Mato Grosso como alternativa para o aproveitamento do espaço após a colheita da soja e hoje já não é mais uma segunda opção. Assim como a soja, o milho se tornou uma das principais culturas semeadas no estado, com a produção de 55,43 milhões de toneladas na safra de 2024/25. Desta quantidade, mais de 13,9 milhões de toneladas foram destinadas à produção do etanol de milho, tornando Mato Grosso o maior produtor de biocombustível de milho. O etanol ganhou destaque no estado com a chegada das usinas nos principais municípios produtores.
Mato Grosso produziu mais de 5,6 bilhões de litros de etanol, se consolidando como o maior produtor do Brasil. Para movimentar todo o setor, a produção de biocombustível emprega mais de 147 mil pessoas em Mato Grosso e arrecadou mais de R$ 833,6 milhões de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em 2025, segundo os dados da Secretaria de Estado de Fazenda de Mato Grosso (Sefaz-MT). Todos esses números mostram a grandiosidade da cultura do milho para Mato Grosso, que se reflete nas cidades, como afirmou o vice-presidente Oeste da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT), Gilson Antunes de Melo.

Foto: Aprosoja MT
“A industrialização é o principal vetor da economia, ela sustenta toda a economia do Estado. Então, quando você aumenta a indústria, você está aumentando a renda do Estado e isso reflete para a população com mais saúde, mais educação e mais estradas. Então, todo o grão que é industrializado aqui, ele gera valor agregado, isso fortalece toda a cadeia, não só da agricultura, mas também da sociedade em geral”, disse.
Gilson destaca que com o avanço da produção do etanol e com a maior disponibilidade do combustível no mercado, o valor final do produto pode ficar mais atrativo para os consumidores. Além do combustível, com o DDG (Dried Distillers Grains), que é a biomassa destinada à ração animal, o preço da carne também pode ficar mais econômico para a população, já que o produto fica disponível o ano todo.
Além da produção do biocombustível, em 2025, as usinas também produziram 2,2 bilhões de litros de biodiesel e 2,7 milhões de toneladas de DDG. Esses subprodutos são extraídos durante o processo de fabricação do etanol, aproveitando por completo a matéria-prima.
Com a chegada das usinas de etanol de milho, a demanda pelo grão cresceu e o ritmo deve aumentar nos próximos anos. Atualmente, há 12 usinas de etanol de milho em operação, outras 10 em construção e mais cinco sendo projetadas em Mato Grosso, como apontou o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). A delegada coordenadora do núcleo de Tapurah, Daiane Kirnev, afirmou que esse aumento na demanda incentiva o produtor rural.
“Houve um incentivo da produção de milho, afinal de contas, com mais mercados para a gente vender e com os valores um pouco melhor, isso acabou incentivando o produtor a aumentar o plantio de milho. Antes era uma coisa incerta por causa dos valores e tudo é oferta e demanda, quando tem mais demanda, acaba incentivando muito mais o produtor a plantar para que ele garanta os custos da produção”, afirmou.

Foto: Claudio Neves/Portos do Paraná
Além de produzir, o agricultor de Tangará da Serra, Romeu Ciochetta, também investe no setor da indústria do etanol de milho. Ele contou que as indústrias de etanol trouxeram mais segurança para os produtores investirem no milho e ampliarem os quadros de colaboradores, pois com a aproximação das indústrias os produtores reduziram as preocupações com o escoamento do grão e conseguem comercializar o grão em todos os meses do ano.
Ciochetta afirmou que a vinda do mercado para Mato Grosso abriu novas oportunidades aos produtores e também empresários. A indústria de etanol movimenta, diretamente e indiretamente, uma grande cadeia de empregos e outras indústrias.
“Tudo isso é uma grande cadeia que se a gente analisar o início dessa operação, lá no plantio da muda de eucalipto, usado para aquecer as caldeiras das usinas, até a carne ser consumida ou etanol no tanque do veículo, é muita gente trabalhando, transportando e tudo isso sem derrubar nenhuma árvore, tudo isso sem impactar o meio ambiente”, afirma.
Ciochetta também destacou as práticas sustentáveis no setor do etanol e afirmou que a tendência do futuro é o combustível verde, proveniente de fontes renováveis como o milho. Hoje, mais de 20% do etanol utilizado no Brasil, já vem do milho e com as práticas sustentáveis e a preocupação com o futuro, o número deve aumentar e o mercado abrir novas oportunidades.
“As oportunidades são inúmeras, porque o mundo cada vez mais vai atrás e vai querer consumir combustível verde. Então, isso desde a aviação até os carros menores, enfim, é uma tendência e eu acredito muito nessas oportunidades. Então, o Brasil realmente está destinado ao sucesso, eu acredito muito nisso e vamos em frente”, contou.
Com o avanço das indústrias do etanol de milho em Mato Grosso, o estado, já líder na produção de milho, se consolida como o maior produtor do etanol de milho do país. Todo esse avanço econômico fomenta a produção local, representando mais empregos e infraestrutura para o interior do estado, refletindo nas práticas incentivadas pela Aprosoja MT.




