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Trabalhadores rurais perderam 295 horas de trabalho devido ao calor extremo no Brasil

Estudo aponta crescimento de 23% desde 1990 e alerta para riscos à produtividade agrícola e ao abastecimento global de alimentos.

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O aumento das temperaturas extremas já afeta diretamente a capacidade de trabalho no campo. Em 2024, os trabalhadores rurais brasileiros perderam, em média, 295 horas de trabalho em razão do estresse térmico, segundo levantamento da Unidade de Inteligência sobre Energia e Clima(ECIU da sigla em inglês). O volume representa um aumento de 23% em comparação com 1990 e reforça a preocupação com os efeitos das mudanças climáticas sobre a produção agrícola.

O Brasil integra um grupo de 15 países analisados pela pesquisa, que reúne importantes produtores de alimentos da

Foto: Divulgação

América Latina, África e Ásia. Juntos, esses países registraram a perda de 216 bilhões de horas de trabalho ao longo de 2024 devido ao calor excessivo.

Na média, cada trabalhador rural desses países deixou de trabalhar cerca de 590 horas em 2024, o equivalente a aproximadamente 49 dias de trabalho.

Para os pesquisadores, o aumento das temperaturas já deixou de ser apenas uma questão ambiental e passou a representar um desafio para a produção agropecuária e para o abastecimento global de alimentos.

Segundo a análise, a redução da capacidade de trabalho no campo pode comprometer a produtividade agrícola, gerar impactos nas cadeias de suprimento e pressionar os preços dos alimentos.

Os reflexos desse cenário já são observados em diferentes mercados. No Reino Unido, por exemplo, eventos

Foto: Divulgação

climáticos extremos adicionaram cerca de 360 libras esterlinas à despesa média das famílias com alimentação entre 2022 e 2023. Desde meados de 2021, os preços dos alimentos no país acumulam alta superior a 40%, em ritmo superior ao crescimento médio dos salários.

 

Ano mais quente da história

Os efeitos do calor extremo não se limitaram à atividade agrícola. Dados do Lancet Countdown apontam que, em 2024, foram perdidas globalmente 640 bilhões de horas potenciais de trabalho em diferentes setores econômicos devido às altas temperaturas.

O volume representa um novo recorde e supera tanto o registrado em 2023 quanto a média observada na década de 1990. De acordo com o levantamento, o total de horas perdidas foi mais de 98% superior à média registrada entre 1990 e 1999.

Foto: Gilson Abreu

Os números acompanham o desempenho climático de 2024, considerado o ano mais quente desde o início dos registros globais.

El Niño pode ampliar os impactos

O alerta dos pesquisadores ganha força diante das previsões para os próximos meses. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) estima em 80% a probabilidade de formação de um novo episódio forte de El Niño.

Em um cenário em que a temperatura média global já está cerca de 1,4°C acima dos níveis pré-industriais, cientistas avaliam que a combinação entre o fenômeno climático e o aquecimento global poderá ampliar a ocorrência de eventos extremos em diversas regiões do planeta.

Segundo a análise da ECIU, essa combinação pode contribuir para que 2027 registre novos recordes de temperatura.

Brasil já enfrenta reflexos dos extremos climáticos

Os impactos dessa combinação entre mudanças climáticas e El Niño já foram sentidos recentemente no Brasil.

Foto: Divulgação

Entre 2023 e 2024, a Amazônia enfrentou a seca mais severa desde o início dos registros históricos. No mesmo período, o Sul do país registrou enchentes de grandes proporções, com impactos sobre cidades, infraestrutura e atividades produtivas.

Em 2025, episódios de chuvas intensas continuaram atingindo estados da região Sul, reforçando a preocupação de especialistas com a frequência e a intensidade dos eventos climáticos extremos.

Para os pesquisadores, o aumento das perdas de trabalho associadas ao calor extremo evidencia que os efeitos das mudanças climáticas já afetam a produção de alimentos e tendem a se tornar um desafio cada vez mais relevante para trabalhadores, produtores e sistemas agroalimentares em todo o mundo.

Pressão crescente sobre a produção agrícola

Foto: Roberto Zito

Para os pesquisadores, os eventos extremos registrados recentemente no Brasil oferecem um indicativo dos desafios que tendem a se intensificar nas próximas décadas. Mantidas as atuais trajetórias de aquecimento global, a temperatura média do país poderá subir cerca de 2,2°C até 2050.

Os impactos já começam a ser observados em diferentes culturas agrícolas. Café, mandioca, cacau, arroz e trigo estão entre os cultivos que vêm registrando perdas e redução de produtividade associadas ao aumento das temperaturas e à maior frequência de secas, ondas de calor e chuvas extremas.

O estudo destaca que os trabalhadores rurais estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos do calor excessivo.

Foto: Divulgação

Em 2024, eles responderam por 63,5% de todas as horas potenciais de trabalho perdidas no mundo em decorrência das altas temperaturas. Nos países com baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), essa participação chegou a 75,5%.

Para Gareth Redmond-King, chefe do Programa Internacional da Energy and Climate Intelligence Unit (ECIU), o aumento das temperaturas representa uma ameaça não apenas à produção agrícola, mas também à segurança alimentar global. “O risco de uma crise alimentar está aumentando à medida que as mudanças climáticas afetam não apenas as lavouras, mas também os trabalhadores responsáveis pela produção dos alimentos”, afirma.

Segundo ele, em algumas regiões do mundo os efeitos já são evidentes. Na Índia, por exemplo, temperaturas próximas dos 50°C vêm tornando o trabalho ao ar livre cada vez mais perigoso, comprometendo a saúde dos trabalhadores, a continuidade das atividades agrícolas e o abastecimento de alimentos. “Com um forte El Niño prestes a se somar aos impactos das mudanças climáticas, a segurança alimentar ficará cada vez mais vulnerável se agricultores não receberem apoio para adotar formas de agricultura mais resilientes e sustentáveis. Mas, sem interromper as mudanças climáticas, o que exige atingir emissões líquidas zero, o calor continuará aumentando e nenhuma forma de adaptação será suficiente para proteger agricultores e a produção de alimentos”, alerta Redmond-King.

Fonte: O Presente Rural

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NOAA vê risco de super El Niño e mercado acompanha impactos sobre as safras

Fenômeno climático pode elevar temperaturas e alterar o regime de chuvas em diversas regiões produtoras do mundo, com reflexos sobre culturas tropicais e preços das commodities agrícolas.

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A possibilidade de um novo e intenso episódio de El Niño voltou ao radar dos produtores rurais e dos mercados agrícolas internacionais. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a formação do fenômeno e indicou que há 63% de probabilidade de ele atingir forte intensidade, no chamado “super El Niño”, até 2027.

Foto: Divulgação

Caso a projeção se confirme, o fenômeno poderá alterar o regime de chuvas e elevar as temperaturas em importantes regiões produtoras do mundo, influenciando a oferta global de alimentos e o comportamento dos preços agrícolas.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial Oriental, provocado pelo enfraquecimento dos ventos alísios. O fenômeno ocorre naturalmente a cada dois a sete anos e costuma durar entre nove e 12 meses.

Mudanças no clima afetam produção agrícola

Os efeitos do El Niño não se distribuem de forma uniforme pelo planeta. Historicamente, o fenômeno está associado a períodos de seca em regiões do Sul e Sudeste da Ásia, Austrália e África Austral, ao mesmo tempo em que favorece chuvas acima da média em áreas do sul da América do Sul e dos Estados Unidos.

Essas alterações climáticas têm impacto direto sobre a agricultura, especialmente em culturas tropicais, conhecidas

Foto: Jose Fernando

no mercado internacional como “soft commodities”. Nesse grupo estão produtos como café, açúcar, cacau, algodão e suco de laranja, cujas produtividades são altamente sensíveis a mudanças de temperatura e disponibilidade de água.

Secas prolongadas, ondas de calor ou excesso de chuvas podem comprometer a produtividade, atrasar colheitas e alterar a qualidade dos produtos, reduzindo a oferta global.

Mercado acompanha riscos para as commodities

Além dos efeitos sobre a produção, episódios anteriores de El Niño costumam influenciar os preços agrícolas.

Foto: Divulgação

Historicamente, os mercados registraram valorização de diversas commodities em períodos marcados pelo fenômeno, especialmente quando eventos climáticos extremos afetaram grandes países produtores.

A preocupação atual é ampliada pelo ambiente já desafiador enfrentado pelos agricultores em várias regiões do mundo. Custos elevados de produção, oscilações nos preços dos fertilizantes e do diesel e as tensões geopolíticas recentes aumentam a sensibilidade do mercado a qualquer risco climático adicional.

Especialistas observam que ainda é cedo para estimar a intensidade dos impactos sobre cada cultura. No entanto, a confirmação do fenômeno pela NOAA e a possibilidade de um episódio mais intenso colocam novamente o clima entre os principais fatores de atenção para produtores, tradings e investidores.

Se o El Niño ganhar força nos próximos meses, as consequências poderão ir além das lavouras, influenciando preços de alimentos, fluxos de comércio internacional e a rentabilidade de diversas cadeias do agronegócio.

Fonte: O Presente Rural
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Cooperativas passam a ter acesso a fundos regionais e ganham reconhecimento como patrimônio cultural do Brasil

Novas leis ampliam as fontes de financiamento para projetos no Norte, Nordeste e Centro-Oeste e reconhecem oficialmente a contribuição histórica do cooperativismo para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.

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O cooperativismo brasileiro ganhou duas novas legislações a partir desta quarta-feira (17). Publicadas no Diário Oficial da União, a Lei Complementar nº 231 e a Lei nº 15.433 ampliam o acesso das cooperativas a recursos de fundos regionais de desenvolvimento e reconhecem oficialmente o cooperativismo como manifestação da cultura nacional.

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A Lei Complementar nº 231 inclui as cooperativas entre os beneficiários do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE), do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Já a Lei nº 15.433 estabelece que o cooperativismo integra o patrimônio cultural brasileiro e determina que o Estado garanta a livre atividade das cooperativas e apoie seu desenvolvimento, conforme previsto na Constituição Federal.

As duas medidas têm potencial para ampliar investimentos em setores estratégicos, especialmente no agronegócio, agroindústria e infraestrutura, além de reforçar o papel econômico e social desempenhado pelas cooperativas em diferentes regiões do país.

Acesso a recursos

A principal mudança econômica vem com a Lei Complementar nº 231. Com a nova regra, as cooperativas organizadas de acordo com a legislação específica do setor passam a poder acessar recursos dos fundos regionais para financiar projetos produtivos.

Na prática, a medida amplia as fontes de financiamento para investimentos em agroindústria, armazenagem,

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infraestrutura, logística e outras iniciativas com potencial de gerar emprego e renda.

Os fundos regionais têm justamente a função de estimular atividades produtivas e reduzir desigualdades econômicas, com foco nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Para o cooperativismo agropecuário, a mudança abre novas possibilidades de investimentos em cadeias produtivas que já têm forte presença nessas regiões.

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Reconhecimento cultural

A segunda medida publicada é a Lei nº 15.433, que reconhece oficialmente o cooperativismo como manifestação da cultura nacional.

O texto destaca a contribuição histórica do modelo para a formação econômica e social do país e associa o cooperativismo a valores como colaboração, ajuda mútua, participação democrática e gestão coletiva.

Além do reconhecimento simbólico, a lei determina que o Estado assegure a livre atuação das cooperativas e incentive seu desenvolvimento, em consonância com os princípios previstos na Constituição Federal.

Importância econômica

O reconhecimento institucional ocorre em um momento de expansão do cooperativismo brasileiro.

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No agronegócio, as cooperativas respondem por parcela expressiva da produção e exportação de grãos, carnes, leite e diversos outros produtos. Também desempenham papel relevante na assistência técnica aos produtores, no fornecimento de insumos e no acesso ao crédito.

Com maior acesso a recursos e respaldo legal ampliado, o setor ganha novos instrumentos para investir e ampliar sua participação no desenvolvimento econômico regional e nacional.

Fonte: O Presente Rural
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Chuvas reduzem áreas de seca e favorecem milho e trigo no Paraná

Monitor de Secas mostra recuo da estiagem em regiões produtoras do Estado. Com maior umidade do solo, milho alcança área recorde de 2,9 milhões de hectares e trigo já foi semeado em 67% da área prevista.

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Foto: Fernando Dias

As chuvas registradas nos últimos meses no Paraná reduziram as áreas afetadas pela seca e melhoraram as condições para importantes culturas agrícolas do Estado. O cenário mais favorável já se reflete no campo: o milho de segunda safra ocupa área recorde de 2,9 milhões de hectares e o plantio do trigo alcançou 67% da área prevista, impulsionado pela maior disponibilidade de umidade no solo.

Foto: Divulgação/Pixabay

Os dados constam no Boletim Agroclimático do Simeagro e no Monitor de Secas, divulgado nesta quarta-feira (17) pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) em parceria com instituições estaduais, entre elas o Simepar.

Segundo o levantamento, o extremo Noroeste, Norte, Norte Novo e a região Central do Paraná deixaram de registrar qualquer nível de seca relativa. Também houve redução das áreas classificadas com seca moderada no Norte Pioneiro, Noroeste, Campos Gerais, norte da Região Metropolitana de Curitiba e em municípios do Sul próximos à divisa com Santa Catarina.

Foto: Jaelson Lucas/AEN

Por outro lado, a estiagem ganhou intensidade em parte do Oeste e do Sudoeste, especialmente nas áreas de fronteira com Paraguai e Argentina. “A chuva foi acima da média no último bimestre em algumas regiões, o que motivou o recuo da seca. Já na área de fronteira a chuva ficou abaixo da média nos últimos meses, o que levou ao avanço da área com registro de seca moderada”, explica o meteorologista do Simepar Reinaldo Kneib, que participa da elaboração do Monitor de Secas.

Milho e trigo são beneficiados

A melhora das condições climáticas ocorre em um momento decisivo para duas das principais culturas do inverno paranaense.

De acordo com o Simeagro, o milho segunda safra se aproxima da colheita ocupando uma área estimada em 2,9

Foto: Aires Mariga

milhões de hectares, a maior já registrada para a cultura no Estado.

O trigo também apresenta bom ritmo de implantação. Favorecida pela umidade do solo, a semeadura já alcançou 67% da área prevista para a safra 2026.

Apesar do cenário mais favorável, os impactos da seca ainda exigem atenção em algumas regiões. Segundo o Monitor de Secas, os efeitos são de curto e longo prazo no Centro-Leste e Nordeste do Paraná, podendo influenciar a produtividade agrícola. Nas demais áreas afetadas, os impactos são considerados de curto prazo.

Maio teve chuva acima da média

Os dados meteorológicos reforçam a mudança de cenário observada no campo.

Entre as 45 estações meteorológicas do Simepar com mais de cinco anos de operação, apenas nove registraram volumes de chuva abaixo da média histórica em maio. Em 18 delas, o acumulado médio esperado para todo o mês foi atingido já nos primeiros dez dias.

Foto: Divulgação/Freepik

Com mais chuva, as temperaturas ficaram dentro ou abaixo da média histórica em todas as regiões do Paraná.

As menores temperaturas do ano até agora ocorreram entre os dias 11 e 13 de maio, período em que também houve registro de geadas em municípios da metade Sul do Estado e chuva congelada em General Carneiro.

A menor temperatura foi registrada em Guarapuava. No distrito de Entre Rios, os termômetros marcaram -2,4°C às 7 horas do dia 11. Em General Carneiro, a sensação térmica chegou a -7°C devido à intensidade dos ventos.

Situação no Brasil

O Monitor de Secas mostra que o Paraná segue em situação menos crítica do que a observada em anos anteriores e

Foto: Marco Favero

também em comparação com outros estados.

No mapa divulgado em junho, referente às condições de maio, não há registro de seca extrema ou excepcional em nenhuma unidade da federação.

A seca grave aparece apenas em uma pequena área do Estado de São Paulo. Já a seca moderada atinge, além do Oeste e Sudoeste paranaense, regiões de Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Tocantins e diversos pontos do Nordeste.

A seca fraca está presente em praticamente todas as regiões brasileiras. Apenas Roraima, Amapá e Mato Grosso aparecem sem qualquer registro de seca relativa no levantamento mais recente.

Fonte: O Presente Rural
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