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Toxicocinética e toxicidade das micotoxinas mais prevalentes, emergentes e modificadas em suínos

Micotoxinas são metabólitos secundários produzidos por fungos, que podem contaminar o alimento no campo, durante o armazenamento e transporte de grãos, ou durante a fabricação de rações e o manejo destas nas granjas.

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Fotos: Divulgação/Bionte

Artigo escrito por Insaf Riahi, engenheira agronômica, com especialização em Produção Animal, metre em Nutrição Animal, doutora em Estratégias Aplicadas de Mitigação de Micotoxinas na Nutrição Animal

As micotoxinas são metabólitos secundários produzidos por fungos, que podem contaminar o alimento no campo, durante o armazenamento e transporte de grãos, ou durante a fabricação de rações e o manejo destas nas granjas. Assim, a contaminação por micotoxinas em matérias-primas e rações é um problema global que representa uma ameaça constante à produção de suínos.

A regulamentação dos níveis de contaminação por micotoxinas na nutrição animal tem como objetivo minimizar os efeitos adversos dessas toxinas na saúde dos animais. As micotoxinas mais reguladas e estudadas em relação à produção animal são as aflatoxinas, o deoxinivalenol, a zearalenona, a ocratoxina, as fumonisinas e a toxina T-2. Em suínos, o caso mais comum é a toxicidade crônica, devido ao efeito cumulativo das micotoxinas após exposição a baixas doses por um longo período. Os sintomas mais frequentes incluem imunossupressão, disfunção hepática, renal e digestiva, além de redução na taxa de crescimento, piora da conversão alimentar e problemas reprodutivos, que impactam negativamente na rentabilidade econômica do setor.

A sintomatologia e os órgãos afetados dependem do tipo de micotoxina presente, da dose ingerida, do tempo de exposição, do sinergismo entre diferentes tipos de micotoxinas e da idade ou estado fisiológico do animal. Por isso, é fundamental compreender a toxicocinética específica de cada micotoxina, que inclui os processos de absorção, distribuição, metabolização e excreção (ADME), para determinar a suscetibilidade em cada fase produtiva dos suínos.

Aflatoxinas

Foto: Shutterstock

As aflatoxinas apresentam um elevado índice de absorção oral (>90%). Quanto à distribuição, elas são transportadas para o fígado, onde são metabolizadas, causando danos hepáticos. Além disso, a excreção é lenta, ocorrendo predominantemente pela via urinária, com permanência de até 9 dias no organismo. Por outro lado, os suínos apresentam alta sensibilidade ao deoxinivalenol devido à sua elevada biodisponibilidade oral e toxicidade. A distribuição é lenta e transitória nos tecidos, com níveis máximos observados no sangue 4 horas após a ingestão. Sua metabolização ocorre por duas vias: deepoxidação (DOM-1) e conjugação com ácido glucurônico (DON-Glc). A excreção ocorre em 90-95% pela via urinária, com uma meia-vida de 2 dias.

Zearalenona

A zearalenona tem uma taxa de absorção elevada e rápida, sendo detectada no sangue 30 minutos após a ingestão. É importante destacar que os suínos são altamente sensíveis à zearalenona e seus metabólitos devido à interação com os receptores estrogênicos. O impacto é especialmente crítico em relação ao metabólito α-zearalenol (α-ZEL), que apresenta toxicidade até 60 vezes maior que a micotoxina original. Como consequência, o sistema reprodutivo é gravemente prejudicado, especialmente nas fêmeas, resultando em aumento da infertilidade, redução e menor sobrevivência da leitegada, além de danos nos órgãos reprodutivos e nas glândulas mamárias. Já a ocratoxina apresenta rápida absorção e longa permanência no organismo. O principal metabólito, OTAα, é gerado pela microbiota intestinal. A principal via de excreção é a urinária, sendo os suínos altamente sensíveis à nefrotoxicidade dessa micotoxina e seus metabólitos.

Fumonisinas

No caso das fumonisinas, a absorção é baixa, mas elas se distribuem rapidamente pelos tecidos. Sua biotransformação é limitada, sendo eliminadas principalmente pelas fezes sem metabolização (>90%). Contudo, ao passar pelo trato digestivo, causam danos severos à integridade da mucosa intestinal, aumentando a vulnerabilidade do organismo a patógenos e outras toxinas. Por outro lado, a micotoxina T-2 pode ser rapidamente absorvida por via oral, apesar de apresentar baixa biodisponibilidade, causando danos ao intestino e ao sistema imunológico. O metabolismo dessa micotoxina ocorre rapidamente por hidrólise em HT-2, sendo eliminada principalmente pela urina.

Além disso, foi demonstrado que todas as micotoxinas descritas anteriormente podem ser transferidas para o leite, especialmente para o colostro, comprometendo o desenvolvimento dos leitões. Também podem ser transferidas para o músculo, colocando em risco a saúde do consumidor final.

Riscos

Por essas razões, os efeitos da exposição podem variar de acordo com a micotoxina detectada e a fase produtiva dos animais. No entanto, é fundamental considerar a frequente multi-contaminação por micotoxinas em matérias-primas e rações, o que pode levar a interações aditivas, sinérgicas e antagônicas. Nesse cenário complexo, também é necessário levar em conta as micotoxinas emergentes e modificadas.

Foto: Shutterstock

Por um lado, as micotoxinas emergentes não são analisadas rotineiramente e não existe regulamentação nem recomendações legislativas sobre elas. Por outro lado, as micotoxinas modificadas são metabólitos das micotoxinas mais prevalentes, e sua toxicidade pode ser igual, inferior ou superior à toxicidade da micotoxina original. No caso da zearalenona, ela apresenta vários compostos modificados, como seu conjugado com ácido glucurônico, o ZEA-Glc, encontrado em cereais e seus derivados. Essa molécula tem uma toxicidade equivalente à da micotoxina original, pois, no nível intestinal, ela se libera facilmente, expondo os animais a níveis de zearalenona superiores aos esperados.

Em definitiva, o estudo toxicocinético das micotoxinas é uma ferramenta essencial para descrever o metabolismo e os efeitos prejudiciais nos suínos, além de avaliar estratégias preventivas para minimizar a ameaça nas granjas. Da mesma forma, é importante considerar a contaminação por micotoxinas emergentes e modificadas na dieta, para não subestimar o risco real na produção suína.

As referências bibliográficas estão com a autora. Contato: maria.sabate@bionte.com.

O acesso é gratuito e a edição Suínos pode ser lida na íntegra on-line clicando aqui.

Fonte: O Presente Rural com Insaf Riahi

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Preços do suíno na China atingem menor nível em 16 anos e aceleram descarte de plantéis

Perdas de até US$ 55 por animal pressionam produtores enquanto o país reduz dependência de soja dos EUA e amplia uso de ração fermentada.

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Os produtores de suínos na China atravessam o período mais adverso desde 2010. O preço do animal vivo caiu ao menor patamar em 16 anos, em torno de 9,17 yuans por quilo, equivalente a cerca de US$ 0,62 por libra-peso, insuficiente para cobrir os custos de produção. A conta não fecha: estima-se prejuízo entre US$ 50 e US$ 55 por cabeça, o que tem provocado descarte acelerado de matrizes e redução forçada dos plantéis.

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A crise combina oferta elevada, demanda doméstica enfraquecida e um ambiente econômico pressionado. Em setembro do ano passado, autoridades chinesas reuniram os maiores produtores do país para discutir cortes coordenados na produção. Desde então, as cotações continuaram em queda, ampliando o período de perdas consecutivas na suinocultura do país.

O cenário ocorre em paralelo a uma mudança estrutural na estratégia de abastecimento de insumos para ração. A China reduziu de forma expressiva a participação dos Estados Unidos nas suas compras de soja. Em 2024, os chineses responderam por 47% das exportações norte-americanas do grão. Em 2025, essa fatia caiu para 19%. A diferença passou a ser suprida principalmente pelo Brasil, que ampliou espaço como fornecedor prioritário.

A alteração no fluxo comercial não se limita à origem da soja. O governo chinês passou a estimular práticas alimentares que diminuem a dependência do farelo de soja importado. A diretriz ganhou força após o acirramento das tensões comerciais com os EUA e foi incorporada como prioridade na política de segurança alimentar do país.

Principal mudança

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A principal mudança ocorre dentro das granjas. Parte dos produtores substitui a ração seca tradicional, rica em soja, por ração líquida fermentada. O processo utiliza insumos locais, como farelos diversos, restos vegetais e subprodutos agroindustriais, que passam por fermentação em tanques, em um método comparável ao da produção de iogurte. A fermentação quebra proteínas complexas, facilita a digestão e permite reduzir em até 50% o uso de farelo de soja em algumas operações.

A adoção desse sistema cresce. A ração fermentada representava 3% do volume industrial em 2022. Hoje alcança 8% e a projeção é atingir 15% até 2030. A mudança ocorre em um momento em que a alimentação responde por cerca de 70% do custo de produção do suíno, tornando qualquer redução no uso de ingredientes importados um fator relevante para tentar conter prejuízos.

A combinação entre preços historicamente baixos, ajuste forçado de oferta e reconfiguração das dietas animais indica que a atual crise da suinocultura chinesa ultrapassa um ciclo típico de mercado. Trata-se de um movimento que envolve política comercial, estratégia de segurança alimentar e reestruturação produtiva com efeitos diretos sobre o comércio global de soja, milho e carne suína.

Fonte: O Presente Rural
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Paraná se mantém como principal fornecedor de carne suína no Brasil

Dados do IBGE e Agrostat mostram domínio no mercado interno, à frente de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

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Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgado na quinta-feira (9), destaca que em 2025 o Paraná destacou-se como principal fornecedor de carne suína para o mercado interno brasileiro pelo oitavo ano consecutivo, segundo dados da Pesquisa Trimestral de Abate do IBGE e do Agrostat/Mapa.

Do total de 1,23 milhão de toneladas (t) produzidas no Estado, aproximadamente 990,48 mil t foram destinadas ao consumo interno. Esse montante representa 23,7% do comércio interno de carne suína no Brasil, que alcançou 4,18 milhões de t.

Santa Catarina manteve-se na segunda colocação, com 851,91 mil t comercializadas internamente, equivalentes a 20,4% do total. Na sequência vieram Rio Grande do Sul, com 676,96 mil t (16,2%), Minas Gerais, com 642,31 mil t (15,3%), e Mato Grosso do Sul, com 263,59 mil t (6,3%).

O desempenho do Paraná como principal fornecedor pode ser atribuído a um conjunto de fatores. Entre eles, destaca-se o fato de o Estado ser o segundo maior produtor de carne suína do País e o terceiro maior exportador, tendo destinado apenas 19,2% de sua produção ao mercado externo no último ano. Em comparação, Santa Catarina, líder em produção e exportação, direcionou 46,8% de sua produção às exportações, enquanto o Rio Grande do Sul, terceiro maior produtor e segundo maior exportador, destinou 33,5% ao mercado externo.

Bovinos

Na pecuária de corte, o cenário para os bovinos é de cotações firmes no atacado, ao longo de março, impulsionadas pela oferta restrita de animais prontos e pela demanda externa aquecida. Dados do Deral apontam valorização de 4% e 4,3% no dianteiro e traseiro, respectivamente, no atacado. Vale ressaltar que, mesmo durante a Quaresma, quando o consumo tende a enfraquecer, não houve pressão relevante de queda nas cotações.

Chuvas no campo

A resiliência do setor agropecuário paranaense diante dos desafios ocasionados pela falta de chuvas em algumas regiões do Estado também é destaque do boletim. No Paraná, as lavouras de milho e feijão da segunda safra enfrentam um período de atenção devido à irregularidade das chuvas e ondas de calor.

Mas, segundo o Deral, o retorno recente das precipitações em algumas regiões trouxe um alívio momentâneo ao estresse hídrico, mantendo a perspectiva de recuperação produtiva caso o clima se estabilize. “No campo do feijão, por exemplo, os produtores viram uma valorização expressiva do tipo carioca, que acumulou alta de 48% em 12 meses, incentivando um aumento de 3% na área deste cultivar”, explica o engenheiro agrônomo e analista do Deral, Carlos Hugo Godinho.

Fonte: AEN-PR
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Primeiro clone suíno da América Latina nasce em São Paulo

Avanço inédito combina ciência da USP com estrutura do Instituto de Zootecnia e reforça papel da pesquisa paulista na geração de soluções para a saúde e o agro.

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Primeiro clone da América Latina nasceu na unidade de Tanquinho do Instituto de Zootecnia - Foto: Divulgação/IZ/APTA

O primeiro clone suíno da América Latina nasceu na unidade do Instituto de Zootecnia, em Piracicaba (SP), vinculada à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O feito inédito é resultado de pesquisa conduzida pela Universidade de São Paulo, com apoio da Agência Diretoria de Pesquisa dos Agronegócios (APTA), responsável pela estrutura, manejo e cuidado dos animais por meio do Instituto de Zootecnia.

O nascimento ocorreu no dia 24 de março, na unidade experimental do IZ em Tanquinho, onde as instalações foram readequadas conforme a legislação para a produção desses animais, com rigor em biossegurança, bem-estar e controle sanitário.

A iniciativa integra um projeto voltado à produção de suínos com potencial para doação de órgãos e tecidos para humanos, dentro do campo do xenotransplante, técnica que busca reduzir a fila por transplantes e ampliar as possibilidades de compatibilidade entre doadores e receptores.

A pesquisa mobiliza uma equipe multidisciplinar, envolvendo especialistas em zootecnia, medicina veterinária e biotecnologia. No Instituto de Zootecnia, foram desenvolvidos protocolos específicos de manejo produtivo, sanitário, nutricional e ambiental, além de técnicas reprodutivas e cirúrgicas para implantação dos embriões, incluindo sincronização de cio e procedimentos de alta complexidade.

De acordo com a equipe envolvida, os manejos são minuciosamente acompanhados para garantir o sucesso da gestação e o desenvolvimento dos animais. A próxima etapa do projeto prevê o monitoramento dos clones até a maturidade sexual, com geração de dados para subsidiar futuras aplicações científicas e tecnológicas. “O trabalho conduzido pelo Instituto de Zootecnia e pela Universidade de São Paulo marca um avanço decisivo para a ciência paulista e reforça o papel da pesquisa em gerar soluções concretas. O trabalho das nossas instituições abre novas fronteiras para a saúde humana, a produção animal e a bioeconomia. É esse investimento em ciência que sustenta a liderança de São Paulo e prepara o Estado para o futuro”, afirma o secretário de Agricultura e Abastecimento, Geraldo Melo Filho.

O manejo dos animais nas baias do Instituto de Zootecnia segue protocolos técnicos rigorosos, especialmente por se tratar de uma pesquisa sensível, voltada à produção de suínos com finalidade biomédica – Foto: Divulgação/IZ/APTA

O coordenador do Instituto de Zootecnia destaca o papel da instituição no projeto. “A estrutura e a expertise do IZ são fundamentais para garantir o manejo adequado dos animais, com foco em biossegurança e bem-estar. É essa base que permite que a ciência avance com segurança e responsabilidade”, afirma.

As pesquisas voltadas ao xenotransplante têm como objetivo enfrentar um dos principais desafios da saúde pública: a escassez de órgãos para transplante. Segundo dados do Sistema Nacional de Transplantes, pacientes morrem diariamente à espera de um órgão compatível, cenário que reforça a relevância de iniciativas científicas dessa natureza.

Além do impacto na saúde humana, o avanço posiciona São Paulo na vanguarda da biotecnologia aplicada ao agro, consolidando o papel das instituições públicas de pesquisa como ativos estratégicos para o desenvolvimento do Estado.

O projeto segue em desenvolvimento, com novas etapas já em andamento, incluindo a gestação de outros clones, ampliando o potencial de aplicação da tecnologia e reforçando a integração entre ciência, produção e inovação no Estado de São Paulo.

De acordo com a pesquisadora do Instituto de Zooctenia, Simone Raymundo de Oliveira, os manejos produtivos – sanitário, nutricional e ambiental – são minuciosamente estudados pela equipe para garantir o sucesso da gestação. “Nosso objetivo agora é acompanhar o crescimento dos clones até a maturidade sexual, fornecendo dados sobre este animal para futura tomadas de decisões”, enaltece. 

Fonte: Assessoria
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