Bovinos / Grãos / Máquinas
Touro de 705 kg vence campeonato da raça Devon na ExpoLages 2025
Feira reuniu 29 animais de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Entre as fêmeas, o trio campeão tem entre 12 a 13 meses e peso médio de 390 kg.

A raça Devon foi a grande atração do último dia da Expolages 2025, com o julgamento dos animais rústicos realizado no domingo (12), no Parque de Exposições Conta Dinheiro, em Lages (SC). Ao todo, 29 animais, entre rústicos e de argola, de expositores de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, participaram da feira.
A avaliação ficou a cargo da médica-veterinária Luiza Ramos Ribeiro. O título de Grande Campeão Rústico ficou com o touro 131 Vasto Atlas Belmur da Colina, tatuagem 131, três anos e 705 kg, pertencente à Cabanha Colina, de Cacio do Nascimento Moraes, de São José do Cerrito.
Entre as fêmeas, a Estância do Pinheirinho, de Anita Garibaldi (SC), de Juliana Frescki, foi a grande premiada. O trio campeão, composto pelas terneiras tatuagens 083, 096 e 105, tem 12 a 13 meses e peso médio de 390 kg. A terneira 096, de apenas um ano, também foi reconhecida como Grande Campeã Rústica.
Animais de argola

Teve dobradinha da Cabanha Santa Lúcia, de Soely Barreto Hoffmann, de André da Rocha (RS), que conquistou o título de Grande Campeão com o touro Sombrinha 2937 de Santa Lúcia, tatuagem 2937 e box 38 e de Grande Campeã com Sombrinha 3054 de Santa Lúcia, tatuagem 3054 e box 45. O julgamento dos exemplares de argola foi em 10 de outubro.
Segundo Gilson Barreto Hoffmann, diretor técnico da Santa Lúcia, o grande campeão e a grande campeã são irmãos, por parte de pai. “São filhos do touro Sombrinha de Santa Lúcia 2519, que foi supremacia genética do Promebo, e imprime muito bem suas características genéticas na sua progênie. O Touro Grande Campeão tem índice final no Promebo de 47,44. Estamos muito felizes com a premiação, no ano em que completamos 90 anos da família dedicados à criação de Devon”, comemorou Hoffmann.
O título de Reservado de Grande Campeão foi para Diamante 155 da Tupi, box 037, criador e expositor Fazenda Tupi, de Nova Prata (RS).
A catarinense Estância do Pinheirinho, de Juliana Frescki, de Anita Garibaldi (SC), foi premiada com a fêmea do box 044, Duquesa da Estância do Pinheirinho, tatuagem 027. Destaque também para Arthur Frescki da Rosa, de 8 anos, que ganhou o reconhecimento Jovem Expositor da raça, pelo terneiro Montanha da Estância do Pinheirinho, com a vaquilhona tatuagem 067 e box 028, de 13 meses. “Essas conquistas nos mostram que estamos no caminho certo e nos motivam a seguir investindo na melhoria genética dos nossos animais. Nós amamos o que fazemos e acreditamos no potencial da raça Devon, por isso seguimos na busca por animais melhoradores, para agregar ainda mais no rebanho dos nossos clientes. É apenas o começo de um trabalho carregado de propósito, muito amor e dedicação”, afirmou Juliana, feliz com os resultados.
Para o presidente do Núcleo de Criadores de Devon e Bravon de Lages, Ademar Roesner, a Expolages é um evento marcante para a raça Devon e a pecuária catarinense. “É um palco importante para destacar a qualidade e a genética superior bovina. Foi o que vimos mais uma vez, este ano, com os 29 animais que representaram a raça Devon”, destacou.
A vice-presidente da Associação Brasileira de Criadores de Devon e Bravon (ABCDB), Simone Bianchini, elogiou a participação da raça na feira que é uma das mais importantes da agropecuária catarinense. “Vimos em pista animais muito bem preparados, de muita genética e grande funcionabilidade, os touros já saem daqui prontos para o trabalho com a vacada, a campo. Parabéns ao desempenho dos criadores que foram incansáveis e passaram a semana aqui, trabalhando o antes e o durante, para realizar essa bela exposição de Devon”, enfatizou.

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Período chuvoso é oportunidade para mais eficiência e lucro na pecuária de corte
Período das águas é quando o sistema oferece, naturalmente, mais forragem em quantidade e qualidade, reduzindo a necessidade de investimentos intensivos em insumos concentrados e abrindo espaço para ganhos de desempenho


Foto: Divulgação/Cargill
Artigo escrito por Eduardo Gonçalves Batista, consultor Técnico Nacional Bovinos de Corte da Cargill Nutrição e Saúde Animal
O período das águas é, do ponto de vista técnico, a maior alavanca de eficiência disponível para a pecuária de corte em clima tropical. É quando o sistema oferece, naturalmente, mais forragem em quantidade e qualidade, reduzindo a necessidade de investimentos intensivos em insumos concentrados e abrindo espaço para ganhos de desempenho. Isso acontece desde que o manejo seja conduzido com critério zootécnico e disciplina na gestão de dados.
Nesse contexto, o papel do produtor deixa de ser apenas “aproveitar o capim” e passa a ser o de orquestrar oferta de forragem, carga animal e suplementação com foco em resultado econômico por hectare. No entanto, dois equívocos ainda são muito frequentes nessa época do ano. O primeiro é confiar apenas na “experiência de campo” para tomar decisões de manejo alimentar. O segundo é subestimar o impacto da suplementação estratégica, mesmo com boa oferta de pasto.
Manejar pastagens é uma atividade diária que exige ajustes constantes de lotação em função de altura de entrada e saída, oferta de forragem, dias de ocupação e descanso de cada piquete, consumo real de suplementos e peso projetado por categoria. Sem esses dados minimamente organizados, o produtor perde precisão na tomada de decisão e entrega menos ganho por animal e por área do que o potencial das pastagens permitiria.
Do ponto de vista nutricional, a chuva, sozinha, não garante desempenho. Vacas de cria, por exemplo, dependem de um aporte adequado de macro e microminerais que muitas vezes não estão plenamente disponíveis na pastagem. Isso pode comprometer fertilidade, produção de leite e desempenho dos bezerros.
Já nas fases de recria e engorda, as gramíneas tropicais em crescimento costumam atender apenas a ganhos medianos. Para capturar ganhos médios diários mais altos e encurtar ciclos de produção, é necessário elevar a ingestão de proteína e energia com suplementos formulados especificamente para essa fase e nível de ambição produtiva.
Manejo
Algumas práticas de manejo são decisivas para transformar esse potencial em resultado. A correção e adubação de solo, quando bem planejadas, aumentam a capacidade de suporte das pastagens. Isso permite trabalhar com taxas de lotação mais elevadas sem comprometer a rebrota.
A adoção de pastejo rotacionado, com metas claras de altura de entrada e saída, organiza o uso da forragem e facilita a leitura do sistema. Já uma suplementação alinhada à meta de ganho de cada categoria (cria, recria, engorda) ajuda a maximizar tanto o ganho individual quanto o ganho de peso por hectare, que é o indicador-chave de rentabilidade na pecuária de ciclo curto.
Combinada a suplementos minerais, proteicos e proteico-energéticos e ao suporte de uma equipe técnica especializada, essa abordagem baseada em dados ajuda o pecuarista a tomar decisões mais assertivas no dia a dia. Dessa forma, o produtor rural poderá capturar todo o potencial do período das águas em termos de produtividade, eficiência de uso da terra e lucratividade do negócio.
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Exportações de carne bovina crescem 39% e ampliam presença fora da China
Receita soma US$ 2,8 bilhões e embarques chegam a 557 mil toneladas no início de 2026. EUA quase dobram compras, Rússia mais que duplica importações e preços em alta reforçam o resultado mesmo com possível redução da oferta interna.

As vendas de carne bovina in natura para os Estados Unidos, segundo maior comprador externo, cresceram 97,3% no primeiro bimestre de 2026, para US$ 379 milhões, enquanto o volume embarcado teve um incremento de 60%, para 63,08 mil toneladas.
No total, as vendas de carne e subprodutos bovinos para os Estados Unidos alcançaram US$ 448,7 milhões no primeiro bimestre do ano (+56,8%). Os preços médios de exportações de carne bovina in natura para os Estados Unidos tiveram valorização de 23,4% no primeiro bimestre de 2026, em comparação ao primeiro bimestre do ano anterior, para US$ 6.015 por tonelada.
Outros mercados
A União Europeia é outro mercado que segue crescendo firme e com perspectivas favoráveis após a aprovação do Acordo Comercial com o Mercosul. No primeiro bimestre de 2026, as vendas de

Foto: Shutterstock
carne bovina in natura para o bloco europeu cresceram 24,6% em receitas, para US$ 121,4 milhões, e 18,8% em volume, para 14,17 mil toneladas. Os preços médios de exportações de carne bovina in natura para a União Europeia apresentaram valorização de 4,85% no primeiro bimestre de 2026, em comparação ao primeiro bimestre do ano anterior, para US$ 8.568 por tonelada.
Na América do Sul, o Chile manteve desempenho sólido, com crescimento de 22,4% no volume importado, que atingiu 23.609 toneladas, enquanto o valor das compras avançou 29,3%, totalizando cerca de US$ 135,9 milhões.
A Rússia, por sua vez, apresentou uma das expansões mais expressivas entre os 20 maiores compradores, subindo para a quinta posição. As importações de carne bovina provenientes do Brasil cresceram 106,6% em volume, atingindo 23.349 toneladas, enquanto o valor das compras avançou 132,3%, para aproximadamente US$ 102,6 milhões, refletindo o fortalecimento da presença brasileira naquele mercado.
Os dados dos dois primeiros meses de 2026 apontam para um cenário de expansão das exportações brasileiras de carne bovina, impulsionado principalmente pela Ásia, pelo Oriente Médio e por mercados emergentes, enquanto alguns destinos específicos apresentaram ajustes ou retrações pontuais. O resultado reforça o papel do Brasil como um dos principais fornecedores globais de proteína bovina em um contexto de demanda internacional ainda aquecida. No total, 109 países aumentaram suas importações, enquanto outros 42 reduziram as aquisições.
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Rodrigo Miguel assume presidência da Asbram com foco no ciclo positivo da pecuária até 2028
Nova diretoria da entidade projeta cenário favorável para o setor, mas alerta para juros elevados e impactos da reforma tributária

O Brasil vive um momento único na carne bovina, com recorde mundial na produção e exportação, preços crescentes e vendas para 150 países. E o panorama deve permanecer crescente. Mas o segmento necessita estar pronto para desafios como sanidade, qualidade e respeito ao meio ambiente. Além de adequar o fluxo de embarques a ciclos pecuários cada vez menos imprevisíveis. O panorama foi desenhado pelo médico Veterinário e tarimbado executivo Rodrigo Miguel, que tomou posse como novo presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram) no fim de fevereiro, sucedendo Fernando Cardoso Penteado Neto, em uma cerimônia realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O novo vice-presidente é Leonardo Matsuda. E Elizabeth Chagas segue como vice-presidente executiva da entidade. A Asbram representa 71% das empresas do setor, que mantém no campo mais de 14 mil profissionais, na assistência técnica ao lado dos pecuaristas.

Rodrigo Miguel, novo presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (Asbram), ao lado de Fernando Cardoso Penteado Neto
“Chego muito otimista e com energia para alertar nossos pecuaristas que o mundo moderno exige velocidade e não podemos perder o momento atual maravilhoso para o boi brasileiro. O mundo precisa de carne e só nós podemos ofertar nesses volumes que estamos embarcando. Avançando em sustentabilidade ambiental, financeira e em tecnologia. Porque a exportação não pode ficar refém dos ciclos. E temos que ficar atentos ao fato de que 70% da carne fica no mercado interno. Qualquer desequilíbrio pode ser problemático. Vamos ouvir as vozes das diferentes realidades produtivas do Brasil, manter o Painel de Comercialização como referência de negócios e atuar em nome de nossas empresas e de nosso mercado”, garantiu o médico veterinário e executivo que vai dirigir a Asbram até o fim de 2027.
A noite começou com uma palestra do nutrólogo, professor e pesquisador Wilson Rondó Junior, autor do livro que trata dos benefícios da carne vermelha, que falou sobre ‘Uma nova luz sobre a alimentação saudável’, destacando os benefícios ancestrais proporcionados pela proteína e as gorduras saturadas, como crescimento do cérebro, saúde e proteção contra diversas doenças. E as qualidades do rebanho brasileiro que vive essencialmente do pastejo. “O mundo vive hoje uma inflamação silenciosa, com o uso excessivo de gorduras à base de grãos. Principalmente, obesidade, diabetes e doenças coronárias. Deveríamos rezar pelos bovinos todos os dias porque eles proporcionam alimentos mais saudáveis, com mais Ômega3”, defendeu.
E ainda nomeou as principais informações falsas relacionadas a um pretenso perigo no consumo da proteína, propagandeadas ao longo dos últimos cem anos. “Carne e leite são fontes poderosíssimas, deveriam fazer parte da dieta de todas as pessoas. Porém, as novas pesquisas já atestam que o correto é o sinal verde para a carne vermelha”, acrescentou.
O novo presidente, Rodrigo Miguel, ainda apontou que o caminho da produção bovina é claro. Não precisa desmatar, deve usar cada vez mais tecnologia, adaptada aos formatos locais, em áreas menores. “Assim, produziremos e exportaremos cada vez mais alimentos. Vou procurar orientar minha presidência em pilares como visão, coragem, transparência, clareza, humildade e consciência do aprendizado para orientar a execução”, concluiu.
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